SE QUERES A PAZ, PREPARA A PAZ https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2022/02/se-queres-paz-prepara-paz.html

terça-feira, 2 de junho de 2026

LENA PETROVA ENTREVISTA O PROF. JEFFREY SACHS

World Affairs In Context 


https://www.youtube.com/watch?v=PUyugZqlOYA

O imperialismo dos EUA já perdeu a batalha pela hegemonia mundial.

POVOAMENTO INICIAL DA AMÉRICA: POVO DE ORIGEM REVELADO

... pela sequenciação de dois dentes de crianças que viveram há 31 800 anos


 As migrações dos povos, incluindo das espécies que antecederam o Homo sapiens, estão inscritas (indiretamente) no ADN. Este pode ser sequenciadao e estudado quando são feitas amostragens de ADN retirado de povos contemporâneos. Mais recentemente, a técnica de extração e sequenciação de ADN antigo veio trazer inestimáveis precisões que, não apenas informam sobre as relações entre indivíduos vivendo há milhares de anos, como permitem ligar as populações hoje existentes, com as linhagens de que foram identificadas nos ADN antigos.
Não se deve esquecer que grandes passos foram dados antes das técnicas acima descritas estarem disponíveis para a paleoantropologia: nomeadamente, os trabalhos de Cavalli-Sforza e sua equipa, nos anos 1960 e 1970 conseguiram distribuir mais ou menos todas as populações conhecidas, num Mapa Mundi, sobrepondo os grupos linguísticos com os dados obtidos por marcadores sanguíneos (ABO, Rhesus, etc). Indiretamente, eles estavam a mapear genes e suas derivas e os outros fenómenos de genética populacional, que ocorreram ao longo de muitos séculos nas diversas populações contemporâneas. 
Mas, a utilização do ADN para estudos em grande escala, só veio com a automatização da sequenciação*. Ela torna possível fazerem-se amostragens representativas das populações que se pretende estudar. Tais estudos só  se generalizaram no Séc. XXI. A utilização do ADN antigo é ainda mais recente; só  em 2010 foi publicado um primeiro genoma completo de neandertal.  
Estas técnicas não são «mágicas»; obrigam a uma rigorosa disciplina, desde a colheita dos itens de onde o ADN será extraído, à purificação do ADN e à discriminação entre o ADN contaminante e o genuíno, nos restos em estudo.
Esta técnica é poderosa, mas não isenta de erros, de toda a espécie: Dos artefactos (ou seja, sequências que não estavam no ADN inicial), às interpretações enviesadas de certos dados, por não os terem em conta, ou por serem hipervalorizados. 

O vídeo acima pareceu-me uma interessante atualização sobre os últimos decénios de estudos arqueológicos, paleogenéticos e biogeográficos. Eles permitem estabelecer ligações seguras entre populações ancestrais, nos dois continentes - euroasitático e americano. Estão em foco neste estudo, a Sibéria, o Alasca e a Beríngia.

(*) A origem dos cães também recebeu um decisivo contributo do ADN antigo, veja  AQUI 


segunda-feira, 1 de junho de 2026

Simplesmente humano [OBRAS DE MANUEL BANET]




Quantos sonhos despedaçados

No olhar de crianças, olhar mudo

Esperançado, como ponte humana

Para os outros, no meio da barbárie?


Quantas lágrimas de mães vertidas

Soluços de pais perante a tragédia

Tudo filmado, nada é perdido

Só se perdeu a humanidade


A insistência da propaganda

É o veículo mais perverso

Normaliza a catástrofe

Banaliza o horror


E sorvemos o veneno

Até que alguns de nós

Reproduzem a violência

No inimigo, no irmão


Alegres vão pró matadouro

Como há séculos e séculos!

A Humanidade ainda existe?

Talvez; mas não aprendeu nada!




ERIC SATIE - GNOSSIENNES [Segundas-f. musicais nº60]

 

Desenho do compositor, por Picasso, na capa de uma selecção de obras de Eric Satie

Aos 101 anos da sua morte, Eric Satie continua a ser mal compreendido pelo público, em geral e mesmo pelos críticos musicais. No entanto, como elemento verdadeiramente original dos princípios do século XX, a sua obra guarda enorme interesse e atualidade. Aliás, vários compositores dos séculos 20 e 21, foram influenciados pelas suas obras.




Gnossiennes (completa) nº1 a 7

https://www.youtube.com/watch?v=nfhza_GLKNg&list=RDnfhza_GLKNg&start_radio=1&t=1298s


A música de Eric Satie é especial. É simples na estrutura, subtil no discurso musicalz e sedutora na sua austeridade... Talvez sejam as razões porque é agora mais popular do que nunca, passados mais de cem anos sobre a sua morte.

As 7 peças das «Gnossiennes» têm um caráter de reflexão pausada. Elas estão na antítese de boa parte da música da sua época, apesar de terem traços comuns à escrita musical de Debussy ou Ravel. A atmosfera que emana das composições de Satie escapa ao encerramento dentro de uma escola, de uma época. 

Ele serve-se de estruturas musicais extra-europeias: Por exemplo, as peças são frequentemente modais, o que não era nada comum, pois a música tonal ainda era a dominante. Recusa-se a fazer modulações que se limitam a ser transposições de uns tons para outros. Por outro lado, a repetição insistente de alguns motivos melódicos, tem um efeito encantatório, hipnótico. 

Curiosamente, ele não se coloca formalmente em ruptura com o passado, como o fizeram, desde o início do Século XX, vários vanguardistas. 

Se há peças musicais que nos ajudam a nos concentrar numa tarefa - a estudar, desenhar, etc - as 'Gnossiennes' são das mais adequadas.

 

sábado, 30 de maio de 2026

A CHINA APELA À REFORMA DA ONU

 

Pequim e Nações do Sul Global Apontam Para Multilateralismo Mais Forte


Ministro dos Negócios Estrangeiros Wang Yi fala com os media a  26 de maio 2026. Foto por: Eduardo Munoz

O Ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, sublinhou que, apesar das recentes falhas, as Nações Unidas permanecem o "corpo legítimo do sistema de segurança multilateral e fundamento para a ordem internacional baseada em regras"

Acentuou a necessidade de fazer reviver a ONU e de a revitalizar com reformas atempadas.

Wang estava falando numa reunião de alto nível no Conselho de Segurança da ONU sobre "defender os propósitos e principios da Carta das Nações Unidas e o fortalecimento de um sistema internacional centrado na ONU", Terça-feira 26 de Maio, na sede da ONU em Nova Iorque.

O encontro foi realizado a pedido da China. Cerca de 20 países participaram na discussão.

O encontro também foi participado pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, que fez notar que o mundo está perante um crescendo de conflitos geopolíticos sem precedente, em que o respeito pela lei internacional está a ser perigosamente diminuído, causando frequentemente uma "paralisia" do Conselho de Segurança.

Wang defendeu que a causa profunda do caos de hoje, não reside num espírito antiquado da ONU, mas antes que a ordem internacional e as normas básicas que regem as relações internacionais - ambas escritas na Carta - não estão a ser guardadas pelas nações poderosas. Ele criticou as ações unilaterais nos domínios militar, económico e político, que são frequentemente levadas a cabo pelos EUA e seus  aliados,  asseverando que estes atos socavam o espírito da Carta, avisando que o tempo de fazer tentativas de domínio unilateral nos assuntos intenacionais, já acabou.

[...]

Artigo completo (em inglês), no site seguinte:

https://www.savageminds.co/p/china-calls-for-un-reform-amid-global

sexta-feira, 29 de maio de 2026

O BIS colaborou com regime nazi, antes e durante 2° Guerra Mundial


 Documentário sobre o Banco de Pagamentos Internacionais (BIS, na sigla inglesa). Esclarece concretamente qual o grau de colaboração, ao nível monetário e financeiro, que os nazis tiveram antes e no decurso da IIª Guerra Mundial, com a colaboração de representantes americanos, ingleses, franceses, belgas, etc. 
Saiba como os nazis conseguiram financiar o esforço de guerra. Como eles puderam, até ao fim, comerciar com nações neutras (por exemplo, Portugal). 
A Alemanha nazi utilizou - para adquirir divisas e fazer pagamentos internacionais - o ouro roubado aos bancos centrais dos países invadidos, tal como o ouro roubado aos judeus.  
Esse ouro estava armazenado em Basileia (Suíça) na sede do BIS e era cambiado por divisas, sempre que tal operação era solicitada pelos representantes do regime nazi.


Relacionado : 
https://youtu.be/vaLK-fEhlhg?is=hw1c5x6fSHge6XCM

quarta-feira, 27 de maio de 2026

HUAWEI PRODUZIRÁ 'CHIP' INOVADOR ULTRAPASSANDO AS SANÇÕES DOS EUA


Vista de Xangai e do Rio Yangtze




XANGAI/ PEQUIM, 25 de Maio (REUTERS):
  
A empresa Huawei Technologies revelou nesta Segunda-feira que vai usar uma tecnologia inovadora para fabricar - dentro de cinco anos - semicondutores utilizando a nova tecnologia. Confirma assim o sucesso dos esforços chineses em neutralizar as sanções impostas pelos EUA, que têm dificultado a construção, pelas empresas chinesas, de 'chips' mais avançados.
A Huawei, num simpósio sobre semicondutores em Xangai, revelou que os seus 'chips' alcançariam a densidade de transistores equivalente a 1,4 nanómetros de processamento em 2031, mas não forneceu dados independentes sobre o seu desempenho.
O objectivo é significativo pois a capacidade provada da China em fabricar microprocessadores avançados é  amplamente reconhecida em torno dos 7 nanómetros, sendo 1,4 nm o que se considera a fronteira tecnológica para produção de 'chips' avançados por volta do final desta década.
(...)
Para ler a notícia completa (em inglês) ver :

segunda-feira, 25 de maio de 2026

O PONTO DE VIRAGEM [CRÓNICA DA IIIª GUERRA MUNDIAL, Nº63]

 São "necessários" sacrifícios de inocentes numa escala tal, que abala a confiança do público nas instituições que governam em nome deles  e sobre eles. Exemplos? 

A repressão feroz e com o aval dum ministro israelita Ben Gvir, sobre a Flotilha pela Palestina. A atitude do público do «Ocidente», virou-se subitamente contra a barbárie sionista, a rotina da tortura, das humilhões, a indiferença em relação à Lei Internacional. No entanto, o comportamento tem sido esse em relação aos palestinianos, há anos, muitos anos. Um comportamento observável desde antes da proclamação do Estado de Israel. Só agora, a opinião pública dos países apoiantes de Israel ao nível governamental, manifesta o seu repúdio e considera Israel como o pior e mais odioso Estado ao nível mundial.

O ataque mortífero contra um dormitório dum colégio de formação de educadores, na região de Lugansk, utilizando drones britânicos, foi executado há dias, pelo exército da Ucrânia. Desde há um longo tempo, que os ucranianos e certos países europeus da OTAN e os EUA, se têm dedicado a ultrapassar as «linhas vermelhas», claramente sinalizadas por Moscovo. Estas provocações ucranianas com aval ocidental incluem atentados terroristas, ataques contra alvos civis - como refinarias, bairros residenciais, etc - assassinatos de generais ou tentativa de assassinato de Putin, etc. A atitude de Putin, tem sido de contenção, ciente de que a resposta a essas provocações poderia ser a «acendalha» que desencadearia uma guerra nuclear. Agora, a morte destes jovens num dormitório e indignação da população fez com que o Estado russo e as suas forças armadas, tivessem de tomar medidas punitivas - não meramente simbólicas - devastadoras para Kiev e para o regime que apoia Zelensky. 

O ataque brutal (enquanto decorriam negociações) dos EUA e Israel contra o Irão, causando a morte do seu líder Kamenei e muitos membros da alta hierarquia do Estado e forças armadas, assim como número muito elevado de civis e as destruições massiças de infraestruturas vitais, como pontes, escolas, centrais eléctricas, etc... Teve o efeito de galvanizar a população iraniana, mesmo os que - 2 meses antes - se manifestaram contra a carestia e foram brutalmente reprimidos pelo regime. A capacidade de resposta iraniana tem muito que ver com o moral da população, não apenas com os arsenais de mísseis e drones, cuidadosamente guardados ao abrigo de bombas inimigas. O resultado de ofensiva EUA-Israel foi fulgurante: Uma enorme derrota que ficará na História, como ponto de viragem do poderio bélico dos EUA e seu mais próximo aliado. 

Este ponto de viragem, tem como corolário uma mudança qualitativa na situação geopolítica mundial e, em particular, no Médio-Oriente.


Todas as guerras têm motivações económicas. Esta IIIª Guerra Mundial não é excepção, com as óbvias manobras para fazer fraquejar adversários, tomando controle de suas reservas de energia (caso venezuelano) ou levando a cabo uma guerra de destruição dos recursos (Irão e países do Golfo Pérsico). Isto traduz-se por uma internacionalização ou generalização, das dificuldades do abastecimento internacional em energia. Depois, muitos analistas prevêm que haverá escassez de alimentos, terríveis fomes causadas pela brusca subida dos preços de adubos sintéticos, do gasóleo e de muitos derivados do petróleo, correntemente usados nas mais diversas indústrias.

Perante a situação de crise múltipla - energética, alimentar, económica - os que detêm lugares de poder, agem como se esta generalização da guerra lhes trouxesse vantagens. Esta miopia tem precedentes históricos, mas os «nossos» dirigentes não sabem grande coisa de História, ou se sabem, agem de modo inconsequente. 

Os povos tidos como «civilizados» estão na vanguarda do retorno à barbárie, manobrados - sem dúvida - por forças racistas e de extrema-direita, mas que se apresentam como salvadoras, «populistas». 

As mesmas fórmulas de manipulação que serviram nas duas últimas Guerras Mundiais, nos países que se julgavam o centro do mundo, são agora  reutilizadas. As pessoas lúcidas têm muita dificuldade em estabelecer contacto direto com as massas, pois estas estão sob o efeito de uma hipnose coletiva, de um condicionamento massivo, que as impede de tomar plena consciência da realidade. 

O ATAQUE AO «LUSITÂNIA» À LUZ DAS EVIDÊNCIAS CONTEMPORÂNEAS (e outras histórias verdadeiras)

Foto do navio britânico «Lusitânia»


O afundamento do «Lusitânia» foi uma terrível tragédia, provocada pelos que queriam forçar os EUA a entrar na Iª Guerra Mundial.
Mas o Prof. Werner também se refere ao momento presente: Ele demonstra o papel do super-Estado e o da CIA, nos países que os EUA pretendem dominar.
Ele fala de maneira clara, sem restrições, como pessoa sabendo as causas económicas das guerras, como a guerra no Irão e na Venezuela.




A entrevista de Tucker Carlson a Richard Werner :


PATRICK HENNIGSEN DESMASCARA A EXTREMA-DIREITA


 Um importantíssimo testemunho, de um dos melhores jornalistas de terreno, que mostra o ciclo vicioso da violência criada nas zonas ex-colonizadas pelos europeus, na sua imensa maioria, para controlar o acesso aos recursos destes países, seguido pelas catástrofes afetando principalmente os civis, populações indefesas que fogem para os mesmos países que estiveram na origem das guerras. 
Nestas paragens europeias e ex-impérios coloniais, a extrema-direita afirma-se, de cara destapada ou encoberta por partidos de «centro-direita» e começa a exigir um erguer de muros, de restrições, com o pretexto de que as populações emigradas estão a «desnaturar» a base étnica da população. 
No entanto, ninguém no status quo, explica e muito menos tenta corrigir as causas que levam as pessoas a emigrar em massa. 

sábado, 23 de maio de 2026

40 ANOS DESDE CHERNOBYL



 Abril de 1986, na República Socialista da Ucrânia, então parte integrante da URSS, ocorre o acidente nuclear mais devastador, até hoje. O preço humano do acidente, que «não devia ter acontecido», é muito pesado. Numerosas pessoas morreram de imediato, tentanto minorar o resultado da explosão; outras, ficaram com cancros. A nuvem radiativa espalhou-se para além de Chernobyl, para a Bielorússia e mais além. Numa extensão enorme, desde a tundra na Suécia, às costas do Altântico, os níveis anormalmente altos de radiatividade, impediam que se fizesse a colheita de plantas e frutos, que se comessem animais terrestres selvagens e peixes.



Mas, para além da catástrofe natural, também foi uma catástrofe para a nomenclatura soviética. Gorbatchov que, desde algum tempo, era Secretário Geral do PCUS e Presidente da URSS, compreendeu que a junção de Chernobil e do desastre da campanha militar soviética no Afeganistão contra os Mudjahedin, eram sinais dum fracasso sistémico, impossíveis de disfarçar. A sua tentativa de reforma acelerada, para um Estado revitalizado, integrando os princípios da autonomia e da responsabilidade individual, foi gorada. A reforma desde cima foi vencida pela passividade dos aparelhos do partido e do Estado, marcados pelo conformismo e pela corrupção.
A impossibilidade de acompanhar a revolução informática do Ocidente e seus aspectos mais sensíveis - indústrias informáticas marcantes para todos os outros sectores industriais, incluindo os sectores militares - foi vista com realismo pela cúpula do Estado soviético. Poucas pessoas no Ocidente têm em conta o facto de que a própria «elite» do regime estava descrente dos resultados teóricos e práticos do socialismo na versão soviética.
Foi essa consciência, mais do que uma pressão direta dos EUA e OTAN, que levou os dirigentes soviéticos (e em particular Gorbachov), a desencadear uma série de iniciativas diplomáticas para pôr fim à Guerra Fria.
Entretanto, deu-se o golpe gorado da ala mais conservadora do poder soviético, em 1991, cujo resultado foi a ascenção de Ieltsin, e a «desmontagem» da URSS. Esta história também está, em geral, muito mal contada. A instalação de repúblicas autónomas, reformando mais ou menos, seus sistema político e económico, foi consequência dos acontecimentos de 1986-1991. Foi uma grande transformação, embora, por vezes, velhos poderes tenham permanecido, travestidos em «democráticos», vendendo o património dos Estados respectivos a quem os quis comprar e consolidando assim a sua posição. Não foi com certeza algo que tenha entusiasmado os jóvens com ideias generosas de liberdade e de socialismo.
Quanto ao complexo militar-industrial americano e europeu, alinhado com o pensamento estratégico dos neocons (PNAC), quis aproveitar para desmantelar tudo o que fosse potencial obstáculo para a tomada neocolonial dos territórios da ex-URSS, para daí extraírem as riquezas e subjugarem os governos e populações, de modo a que não pudessem eventualmente erguer-se contra o Império americano.
A teimosa política de confrontação para demolir e «balcanizar» a Rússia tem vencido no debate político do Ocidente, nestes mais de trinta anos. Existem variadas correntes e figuras de oposição aos neocons, por exemplo, o prof. Jeffrey Sachs e outros, que desejam levar a cabo um verdadeiro desarmamento. Propõem uma relação construtiva das várias nações - cada uma com os seus interesses próprios - mas aceitando a existência dos outros. São - muitos deles - militares de alta patente, diplomatas, universitários americanos.

MOZART, SONATA K545, FANTASIA K475, SONATA 457 - GRIGORY SOLOKOV AO VIVO





A sonata K 545 em Dó maior é, sem dúvida, das mais conhecidas. Já a Fantasia K745 e sonata K. 457 são muito menos vezes ouvidas, embora sejam peças que sobressaem na própria produção de Mozart. Com efeito, a Fantasia e a Sonata que a segue, ambas em Dó menor, estiveram acopladas desde o princípio, pelo próprio Mozart, ao fazê-las editar conjuntamente. É portanto frequente a sua execução conjunta, como o faz Grigory Solokov.
Mas, em qualquer dos casos, a perfeição de Solokov ilumina as peças de Mozart com a frescura da descoberta, por mais que tenham sido ouvidas e tocadas em disco e em concertos.

quinta-feira, 21 de maio de 2026

ALEX KREINER: O PETRODOLAR E A DECADÊNCIA DO OCIDENTE

 Alex Kreiner: «The Empire doesn't play nice»


É preciso ouvir um especialista em mercados de energias que tem acompanhado de perto as guerras na Ucrânia e no Irão. A sua perspectiva é muito pragmática, por isso podemos aprender ouvindo-o. Não temos de «descontar» os aspectos ideológicos.
 Oiçam Alex Krainer, pois a guerra é sempre baseada em fatores económicos.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

BARBARA STIEGLER: OFENSIVA NEOLIBERAL CONTRA A DEMOCRACIA VERDADEIRA


 Uma das poucas vozes da filosofia política que realmente nos diz qualquer coisa de novo, sobretudo ao nível da sociedade francesa, mas também extensível ao conjunto europeu. 


terça-feira, 19 de maio de 2026

VIVER É UMA PARTIDA [OBRAS DE MANUEL BANET]



A arte de viver é celebrada por muitos

Mas mentem, pois no fim resta nada

Somos jogadores numa mesa de póker

Acabamos por sair da partida sem nada


A perda de entes queridos acontece

Muito sem nos prepararmos

Algo de semelhante acontece

Quando somos nós que partimos


Ninguém ganha no tabuleiro da vida

O jogo - viciado ou não - é sempre 

Em nosso desfavor e desilusão

Quanto muito, restam recordações


Mais nos ferem os fracassos

Que recordamos sem nada poder

Quando estamos no leito

Último da jornada da vida


Buscar consolo nos amores

Passados, também não resulta

Pois nos vem à memória

O trilho dos desastres


De nada serve nos arrependermos;

Somente aceitarmos nosso destino

De incompletos viventes

Que esbracejaram até morrer.




domingo, 17 de maio de 2026

SEQUENCIAÇÃO DO GENOMA KOISAN PÕE EM DÚVIDA O DOGMA «OUT OF AFRICA»


 A teoria «saída de África» /«Out of Africa», está posta em causa pela sequenciação de uma etnia muito antiga, os Koisan, que estiveram isolados (geneticamente), pelo menos, durante 100 mil anos. São agora reconhecidos como uma das mais antigas linhagens humanas ainda existentes. A imagem que se afirma é duma floresta de linhagens independentes, muitas com mais de 10 mil anos. 
Os Mbuti (independentes dos Koisan), que vivem na África Central, mostram no genoma introgressão de população mais antiga que Homo sapiens. Esta linhagem fantasma não corresponde a neandertais, denisovanos ou outras linhagens euroasiáticas: Trata-se duma contribuição endógena ao continente africano. Os dois grupos (Koisan e Mbuti) começaram a divergir dos restantes humanos muito antes da suposta saída de África mais antiga. 
Este estudo valida o modelo policêntrico da humanação. Portanto, haveria variados pontos de origem, tendo as correspondentes linhagens evoluído separadamente e, eventualmente, fusionado.

sábado, 16 de maio de 2026

A GRAÇA NO UNIVERSO E EM TI [OBRAS DE MANUEL BANET]



Ouve com todo o teu ser o que tenho para te dizer.




Se é para aprender realmente

Tens de fechar os olhos

E deixar de pensar em coisas.

Põe em conserva os desejos

Os sobressaltos e as paixões

Quanto mais completamente

Abandonares o teu ego

Melhor poderás ir ao encontro

Do que o Universo tem para

Te dar, sem exigir nada

Somente que aceites a dádiva




E por isso só pode ser Deus

Só precisas de te dispor para receber

Não precisas de rezar, fazer exercícios

Espirituais ou oferendas:

- Quanto mais estiveres à escuta

Em abertura total e sincera

perante o Universo,

Melhor compreendes o que te é dado:




Não tem como condição

seres bom aluno, bom discípulo,

Fiel seguidor de crença, ou religião.

É-te dado sem condições, pois só tu podes

Fazer com que a dádiva frutifique



Milhões de pessoas recebem essas dádivas

Mas poucas as fazem frutificar

Apesar disso, elas são incondicionais

São dadas sem exigir nada em troca

Só teu espírito pode fazer frutificar tais dádivas

Só ele pode apreender como são preciosas:

O que nos rodeia, que nos sustenta,

e nos permite viver a nossa vida:

A nossa família, amizades, conhecimentos...

E o mundo vivo e mineral, toda a civilização,

todas as máquinas e conceitos científicos.

São infinitos os objectos e processos

que existem e sustentam nossa existência

mesmo que não saibamos nada sobre eles.

Ficamos perplexos, embaraçados

Quando tomamos consciência

da profusão de dádivas

que recebemos do Universo




Um espítrito puro vai agraceder e

fazer o seu melhor

Para que todos os elementos de que dispõe

Sejam colocados ao serviço da continuidade

da Vida, da Beleza, do Cosmos.

Quem chegou a este ponto é feliz;

Mesmo nas dificuldades, sabe para onde

caminhar, sabe como encontrar o «Norte»




Não sei se estas palavras te servem...

Queira Deus que elas te aproximem

e mantenham no que os antigos

Chamavam de «estado de Graça»

E que irradies essa Graça.



 






sexta-feira, 8 de maio de 2026

QUADRAS DA BEIRA-LISBOA-MAR [Obras de Manuel Banet]



...E por falar em maresia

Veio-me à memória

Uma melodia

Do noctívago fado


Era outro o tempo

Outras as esperanças

Corações em sincronia

Batiam o ritmo 


Mas o que resta agora

A memória esvai-se

Como quem, caído

Na praia morre


Foram brilhantes

Os anos de vida

Que vivi contigo

São meu tesouro


As recordações 

Ajudam a viver

E a morrer

Com dignidade


São o teu rosto

A tua voz suave

A companheira

No naufrágio


Este barco da vida

Seria uma jangada

Desconjuntada

Sem o teu amor


É eternidade

O instante 

Em que estamos

Nunca se desfaz


És tu que dás cor 

À Natureza; tu que

Desfias  palavras

Música ao meu ouvido


Tenho de dar graças

A Deus por tudo

O que aconteceu

Se foi para te encontrar


Tranquilo, posso

Morrer no instante

Em que for chamado

Para o novo viver


Porque me deste

Tua alegria tranquila

De ser por ti amado

E todo eu te amar 









terça-feira, 5 de maio de 2026

[proso-poemas e música] NO PAÍS DOS SONHOS - VOL. II

 Este é o volume II da recolha de proso-poemas e música «NO PAÍS DOS SONHOS»

Consultar o volume I em : 

[proso-poemas e música] NO PAÍS DOS SONHOS - VOL. I




sexta-feira, 29 de julho de 2022

[NO PAÍS DOS SONHOS] «Dança dos Cavaleiros» de Prokofiev


 

Este é um sonho que preferia não ter. Preferia um vazio, um manto branco, ocultando todas as imagens terríveis que passam diante dos meus olhos fechados. 

Estas imagens, não as podemos ocultar, porque são o cinema interior que o nosso cérebro produz. De tal maneira nos implica, que ficamos exaustos, esgotados, trementes e gélidos, mas nada podemos fazer. 

Nada nos pode afastar daquela caminhada rítmica, compassada, obsessiva, dos Montagus e Capuletos. Vejo que se dispõem numa dança hierática, macabra, pois já se sabe que não haverá quartel; será que irei presenciar o desencadear do ódio hereditário, da «vendetta», entre as duas casas aristocráticas? 

Não, a música é essa mesma, da Suite de Prokofiev, porém o contexto é outro. É bem mais real, mais assustador, por isso mesmo. Aqui, neste sonho, não estamos no teatro, estamos numa rua qualquer duma cidade banal, no Século XXI. 

A civilização ruiu, só restam bandos de assassinos desapiedados, que ditam a sua lei. Não há lugar para o amor, ou para qualquer sentimento humano. Em breve, será a matança. Os olhos, de ambos os lados, estão injetados de sangue. Se não estás num dos campos, então, és inimigo a abater; este é o cálculo feito por qualquer um dos lados. 

Na vida do sonho, como na vida real, não me alinharei jamais com um dos campos de bandidos que se digladiam, para impor a sua lei às gentes. As pessoas comuns são como as presas das aves de rapina: Movem-se, sem saber que, dentro de instantes, vão ser atacadas, feridas, liquidadas e devoradas.

Esta dança obsessiva tem a altivez brutal da fatalidade que avança. Tem o peso inexorável do destino em cada nota. Depois de acordar, interpretei este sonho como premonitório da nova era trágica em que estamos a entrar; como em 1940, o ano da estreia da obra-prima de Prokofiev.





quarta-feira, 22 de junho de 2016

[NO PAÍS DOS SONHOS] À BATIDA DO CORAÇÃO


                                            Vivaldi : Sinfonia ''al Santo Sepolcro'' RV 169

                Estou dentro de um longo túnel. A luz difunde-se desde uma extremidade, por detràs de mim. Oiço uma música muito calma e envolvente. Sinto um bafo quente, semelhante ao do vento na praia.

Agora a paisagem mudou, só se vê uma planície semi-desértica com ervas amarelecidas e outras plantas rasteiras. Ao nível do solo há uma evaporação intensa. Todas as imagens estão defocadas. O Sol põe-se magestoso, inundando pro fim o horizonte de tons fúlgidos.

Quando, por fim, o astro do dia se põe, ele irradia uns últimos clarões de luz para lá do horizonte, iluminando um céu de oiro e azul.

Em breve, não mais se ouvem as cigarras e a planície vive um momento de suspensão no tempo. O silêncio é tão real, que ressoa... no coração.