quinta-feira, 23 de abril de 2026

O RESET NÃO SERÁ UM ACONTECIMENTO DE MERCADOS, MAS MONETÁRIO

 


Neste vídeo, estão condensadas informações não confidenciais, que foram publicadas pelos Bancos de investimento, J P Morgan, Goldman Sachs e UBS. 
Na verdade, o falatório de «conselheiros» económicos e «tutti quanti», destina-se a conduzir o público iludido para investir nos «mercados», ou seja, nas bolsas e nos ativos financeiros. 
Numa grande crise sistémica, como é o caso presente, o colapso não tem lugar do dia para a noite. É antes uma erosão progressiva do valor do dinheiro (divisas «fiat») e portanto - por arrastamento - de todos os ativos que são cotados nessas divisas. 
A volatilidade do ambiente, tanto geopolítico como económico, aconselha que não se façam investimentos que dependem muito da confiança. 
Contrariamente ao que dizem os seus propagandistas, o bitcoin e outras cripto-divisas, comportam-se exatamente como as ações tecnológicas no NASDAQ; quando essas ações sobem, as criptodivisas também sobem; e inversamente, quando aquelas descem, também as criptodivisas descem.
Num clima bolsista muito instável, pode ser necessário cobrir perdas nos mercados bolsistas: o «cash», divisa em numerário, pode servir, mas guardá-lo durante muito tempo, num ambiente inflacionário, equivale a uma perda de valor considerável: Se a inflação real for de 10% ao ano, o valor real de 100 dólares, em numerário, ao fim dum ano... será de 90 dólares.
Existe a possibilidade de salvaguardar o valor intrínseco do que se possui, investindo em bens não perecíveis e com reconhecido valor em qualquer país, em qualquer circunstância. É o caso do ouro e da prata. Diz-se que o preço destes metais está a subir nas plataformas que negoceiam matérias-primas; mas, na realidade, o ouro e a prata não sobem nem descem: Porque, aquilo que sobe ou desce é o valor das divisas, em relação aos metais preciosos.
Outros, seriam os investimentos imobiliários e em terrenos: Podem conservar, no longo prazo o seu valor real, mas, antes da aquisição deverão ser avaliados com cuidado e conhecimento objetivo do mercado imobiliário. Mas, estes são investimentos difíceis de ser vendidos no decurso de crise prolongada. 

O vídeo é muito rico em informação, que não posso resumir aqui. A dicção é boa e podemos acompanhar o que é dito lendo as legendas em inglês. 
Poucas vezes tenho deparado com informação como esta, muito útil para quem precisa de preservar seu futuro económico e o da sua família.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

ESTRATÉGIA DO IMPÉRIO USA, DESCRITA EM PORMENOR (Crónica da IIIª Guerra Mundial nº61)

OIÇA AS PALAVRAS ESCLARECEDORAS DO PROF. JIANG NO JIMMY DORE SHOW!



 JIMMY DORE CONCLUI - COM RAZÃO - QUE ESTAMOS NA IIIª GUERRA MUNDIAL, AGORA


Tenho acompanhado os sucessivos vídeos de Jiang Xueqin. O que me impressiona nestes é que seu conteúdo decorre de uma análise e reflexão pessoais. Está realmente preocupado em dar boas pistas aos seus alunos e auditores, para melhor compreenderem o Mundo em que todos nos movemos. 
O seu conhecimento é aprofundado, nas matérias sobre as quais fala. 
Não recua perante o desafio de fazer previsões, mas tem o cuidado de assinalar que são apenas hipóteses, que podem realizar-se ou não, no todo ou em parte. 
Não estou de acordo com tudo o que diz. Mas, as suas intervenções são - para mim - um excelente estímulo para o meu próprio raciocínio. 
Quanto a Jimmy Dore, autor do «show» político mais famoso dos EUA, tem a capacidade de dialogar com o seu hóspede de maneira espontânea, desinibida, mas sempre com o maior respeito.
 Em Portugal, os entrevistadores da  TV, eram, em geral, o oposto de Jimmy Dore: má criação, ignorância e arrogância. Foi este o principal motivo para eu ter deixado de assistir a entrevistas em canais da TV portuguesa.

terça-feira, 21 de abril de 2026

PARA QUE SERVEM AS CONSTITUIÇÕES?

 

 Os 50 anos do golpe da contra-revolução no 25 de Nov. de 1975 comemorados no Parlamento.






Recebi, há umas semanas, um convite para assistir a um colóquio em comemoração do 50º aniversário da Constituição da República Portuguesa, após a revolução de Abril. Nesta ocasião não pude participar, por motivos de ordem pessoal. Porém, refleti, uma vez mais, sobre o assunto.

O essencial dessas reflexões é o que vos apresento a seguir.

Dizem que as constituições são as fundações jurídicas e ideológicas de uma estrutura política chamada Estado. Consoante a constituição em vigor, determinadas leis são compatíveis com ela e podem tornar-se leis do mesmo Estado, ou não. Logo neste aspeto, vemos que existe uma enorme latitude para um grupo de pessoas, juízes, políticos no ativo ou 'reformados', etc. decidirem sempre «em nome do povo», apesar de não terem sido eleitos para tal mandato, se tal ou tal projeto de lei se conforma ou é compatível com a constituição em vigor.

Depois, vêm acrescentos ou cortes, que são feitos ao longo dos anos, para adequar uma constituição aos tempos presentes. Note-se que a constituição do Estado mais poderoso da Terra, os EUA, continua não modificada, após quase 250 anos de existência (aprovada em Filadélfia pelos delegados à convenção, em 1787).

As adendas à Lei fundamental dos EUA são entendidas como necessárias para clarificar o sentido geral pré-existente, não como «subversão» ou desqualificação do texto original.

Em Portugal, porém, alguns anos após a promulgação da «constituição do 25 de Abril», o poder legislativo da altura, socorrendo-se da possibilidade de efetuar uma revisão da constituição, decidiu apagar cláusulas e formulações que desagradavam aos burocratas e tecnocratas da então CEE de Bruxelas, para que Portugal tivesse acesso ao «maná» da Europa dos ricos.

Todas as modificações posteriores vieram acentuar o padrão clássico da democracia parlamentar, minimizando a possibilidade de formas de democracia direta, cuja existência, prevista na versão inicial, mostrava que a revolução dos cravos tinha «no bojo» a possibilidade de tomada em mãos da orientação da sociedade pelo povo, pelo próprio povo, coisa que assustava demasiado os «democratas engravatados» .

Bem, a democracia precisa sobretudo de uma coerência entre um projeto político, referendado pelo povo e a realização prática do mesmo, pelos políticos que entretanto se sentam em cadeiras do poder, nos sucessivos ciclos eleitorais. Ora, na realidade, as distorções e interpretações vesgas de certos preceitos da nossa lei fundamental, são como pegadas fósseis que marcam a transformação do projeto de democracia caminhando para o socialismo, numa democracia exclusivamente virada para proteger os privilégios dos privilegiados.

Como foi isto possível? Há que fazer a história destes cinquenta anos, o que obviamente deverá ser levado a cabo por historiadores credenciados, não por mim. Mas, eu penso que essa história estará presente na memória de muitas pessoas que - como eu - já eram adultas quando se deu a promulgação da Lei fundamental em 1976.

Porque, se nós virmos as realidades sociais decorrentes, constatamos que o programa social - vasto e ambicioso - da constituição inicial, ou foi apagado no próprio texto, ou deturpado pelas leis que, afinal, «não estavam em contradição» com o referido texto, porque assim o decidiu um conselho constitucional fortemente partidarizado, ou porque a política dominante decidiu não «ligar» a certos artigos constitucionais, pondo-os entre parêntisis, para agradar ao poder da burguesia. Quando falo desta classe, estou a referir-me sobretudo à burguesia que domina a Europa da U.E. Tal é o seu poder, que tem influído, sem que os cidadãos respectivos se apercebam, nas políticas internas dos estados-membros, para que estes se conformem ao modelo neoliberal que subjaz todo o edifício da U.E.

O chamado tratado de Lisboa, não é um tratado, mas sim uma versão da constituição rejeitada pelos votantes da França e da Holanda. O nome de «tratado» foi uma esperteza dos políticos da Comissão Europeia e dos governos, para poderem construir uma Europa supra nações, supra vontade dos povos e, sobretudo, que nunca tivesse a veleidade de rejeitar o capitalismo e encetar o caminho para o socialismo.

E assim, passo a passo, a constituição da República portuguesa deixou de estar em vigor, na prática. Existem umas palavras impressas, mas que deixaram de ser o fundamento do regime atual, teoricamente na continuidade da revolução de Abril.

Curiosamente, as forças políticas que aprovaram a constituição de 1976 contam com dois partidos que tinham e têm uma fatia muito grande do eleitorado, o então PPD (que mudou para PSD, pouco depois) e o PS.

Estes dois partidos, que se alternaram no poder em quase todos os 50 anos passados, os seus chefes, os deputados, os membros destacados... todos eles juraram defender a constituição. Isso faz parte da fórmula-juramento que têm de pronunciar para «tomar posse» dos cargos políticos.

Todos nós sabemos que não estavam a jurar com sinceridade. Entre eles, o afã de progredir na carreira política era tal, que se mostravam capazes de dar «umas facadas» na constituição. Se não em termos literais, pelo menos em termos factuais, pois as políticas que implementavam chocavam muito claramente com os ideais de justiça social da consituição de Abril.

É assim que se desfaz uma revolução, que foi dos cravos, mas que afinal, trouxe a continuidade no poder, da mesma classe.

Desde o período dito «revolucionário» (1974-75), diversas fações da burguesia portuguesa, aconselhadas por entidades exteriores, souberam superar suas rivalidades para reinstalar gradualmente, sem dramas, o domínio dos empresários sobre os «não-ricos», os trabalhadores. Estes ficaram destituídos de qualquer poder efetivo.

Mesmo quando se conservavam na legislação aspectos como a lei da greve, a constituição de sindicatos, das comissões de trabalhadores, etc. estas eram emasculadas por dirigentes sindicais e políticos, especializados em canalizar a revolta e a indignação dos excluídos para formas civilizadas, cordatas, de contestação, que não punham em causa nem o poder do patronato, nem o dos políticos "legitimamente eleitos".

Os últimos 50 anos, em Portugal, foram de longa caminhada para a neutralização do potencial presente nas leis e na sociedade, que assustaram a burguesia portuguesa e europeia.

Uma revolução impossível ou não? Significará este fracasso, que os frutos vislumbrados dum verdadeiro socialismo sejam utópicos e - quanto muito - possam ser paulatinamente alcançados somente por movimentos reivindicativos, por uma luta cívica?

Não: A minha resposta é que Portugal e muitos outros exemplos no Mundo, mostram que, se uma revolução não triunfar, vai involuir, duma forma ou de outra, até que não reste mais que a vaga memória do sucedido, ou que se erga um regime contra-revolucionário, disposto a esmagar, com a brutalidade necessária, as veleidades de justiça e liberdade dos oprimidos.




Cabe às pessoas fazerem, da «Revolução de Abril» em Portugal, uma leitura lúcida, pessoalizada e sem quaisquer «auto-desculpas» para consigo próprias e a facção sua preferida. Não serei nunca simpático e popular em certos meios de esquerda, por dizer-lhes aquilo que estes não gostam de ouvir. Mas, não me importa muito. Porque o conhecimento aprofundado dum processo político não nos aliena; pelo contrário, é um conhecimento que nos emancipa.




O IRÃO DETÉM TODAS AS CARTAS, NÃO ISRAEL NEM OS EUA...

...numa guerra prolongada, como está a ocorrer agora.



 John Mersheimer apresenta o modo como Trump e administração têm  atuado,  como a mais prejudicial para a capacidade de projeção de poder e influência dos EUA.

 https://open.substack.com/pub/savageminds/p/iranus-tensions-escalate-after-ship?utm_source=share&utm_medium=android&r=9hbco

Ver o link acima de Abdul Rahman, que esclarece as condições em que foi capturado  um navio tanque iraniano pela marinha dos EUA.

NEANDERTAIS: GENÉTICA DAS POPULAÇÕES PODE ESCLARECER SEU DESAPARECIMENTO


 A genética das populações está vocacionada para avaliar a frequência dos genes numa população, não tendo vocação para o detalhe da transmissão de genes, de indivíduo a indivíduo.  Também não investiga sobre as formas fenotípicas em si, decorrentes da expressão desses genes. A não ser que esta transmissão e estas formas fenotípicas sejam relevantes na distribuição ou frequência dos referidos genes na população. 

No campo da paleoantropologia, a possibilidade duma «genética das populações» extintas há cerca de 30 mil anos, como os neandertais, era considerada "ficção científica", até há bem pouco tempo. 
Com o desenvolvimento de técnicas de extracção e sequenciação de ADN de fósseis (ADN antigo), a situação alterou-se radicalmente: Agora, com os dados que se dispõe, é possível emitir hipóteses pertinentes e testá-las com as sequências genéticas de neandertais (e outras) que se vão acumulando. 
Parece-me relevante (aliás, já o tinha apontado em artigo anterior) o seguinte: O fraccionamento dum grupo em pequenos bandos separados não vai originar, por endogamia mais intensa, uma descendência enfraquecida geneticamente, mas antes contribui para a diferenciação mais rápida de certas características. 
Cada pequeno grupo isolado seria como um "laboratório de experiências genéticas"
Dentro de cada sub-população, a selecção darwiniana continua a exercer-se, só podendo viver e reproduzir-se aqueles indivíduos com boas condições para enfrentar as agruras do ambiente e excluindo os inadaptados. Neste contexto particular, a frequência de genes nocivos ou desfavoráveis seria muito baixa e apenas reflectiria a taxa intríseca das mutações produzindo os traços desfavoráveis. 
Por outras palavras, as populações - em condições ambientais severas - estavam sujeitas a uma selecção tal, que os genes causando handicap,  caso surgissem, teriam uma frequência muito baixa; a capacidade de sobrevivência do grupo, enquanto tal, não era posta em causa.

Mas, cabe aos especialistas na matéria exercer sua análise crítica sobre a hipótese apresentada no vídeo: Nos ambientes diferenciados,  as populações fragmentadas sofrem uma deriva genética*  e uma rápida diferenciação anatómica. 
Mesmo que dados futuros revelem outros aspectos diferentes, vale a pena emitir hipóteses compatíveis com os dados já conhecidos e com o saber acumulado em genética das populações. 
Será este o caminho para se encontrar a explicação do mistério do desaparecimento dos neandertais.


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* deriva genética: os  genes são seleccionados ou perdidos devido ao acaso, pela composição dos indivíduos na pequena população.



                                   Relacionado:

segunda-feira, 20 de abril de 2026

A DECISÃO MAIS ESTÚPIDA DA HISTÓRIA AMERICANA


Atribui-se a Napoleão,  mas realmente o original é  de Sun Zu:
«Quando o inimigo está a fazer um disparate, como meter-se numa "ratoeira", deixa-o fazer, não interfiras...»


 Uma excelente análise jornalística em profundidade partindo da intuição premonitória de Whitney Webb.

A não perder!

STEPHANIE TRICK & PAOLO ALDERIGHI : STRIDE PIANO [Segundas-f. musicais nº56]



No jazz convergiram vários tipos de música vindos de várias origens: Não só o cantado, dançado e tocado nas roças do Sul por jornaleiros que faziam trabalho duro e mal pago (nesse meio nasceram os blues). Também a música urbana do Sul, de Nova Orleans em particular, abundante em lupanares e cabarets, onde nasceram o ragtime e o stride.
Não podia encetar este programa melhor do que com a versão a dois pianos do sucesso da Broadway, depois vertido em filme, de «Cabaret», com o desempenho de Liza Minnelli (filha de Judy Garland e de Vincent Minnelli).  
O programa segue com duas obras que ilustram a criatividade  de James P. Johnson, um dos criadores do estilo «stride». 
Muitas enciclopédias e dicionários dão uma panorâmica das origens e evolução do jazz. 
Poucos, no entanto, enfatizam o enorme papel do «stride» na sua história. No entanto, os maiores pianistas de jazz utilizaram* este estilo, pelo menos numa fase da sua carreira.
Para mais esclarecimento sobre o stride, pode consultar: 

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*Nomes de alguns pianistas célebres do jazz que utilizaram o estilo «stride»:
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STEPHANIE TRICK & PAOLO ALDERIGHI

 


 







Música alegre, viruosística sem o parecer, ganha todo o seu brilho nas mãos do casal Stephanie e Paolo. Deliciem-se com o «stride», correspondente às primeiras formas do jazz.

domingo, 19 de abril de 2026

Fragilidades demográficas e económicas da China


                           https://www.youtube.com/watch?v=OsNb5_BpGIg&t=165s



COMENTÁRIO POR MANUEL BANET

A China é muito vasta. O território consiste numa orla costeira sobrepovoada e uma imensidão de zonas interiores, umas devotadas à agricultura, outras montanhosas e impróprias para a agricultura. Nestas zonas interiores menos favorecidas, uma parte da população tem migrado para as grandes cidades,  para realizar as terefas humildes, que os citadinos agora desprezam: limpeza municipal, operários de construção, operários industriais em atividades penosas e pouco salubres, etc. 
O «hinterland» da China é imenso e tem fornecido muita mão-de-obra para as regiões mais desenvolvidas. A média de fertilidade global na China tem algum significado, porém, o que conta também é saber se continua a haver uma elevada fecundidade em zonas pouco desenvolvidas ou essencialmente agrícolas.  Se assim acontecer, então o problema demográfico será outro; já não a baixa fertilidade, em absoluto. Mas um baixo índice em zonas urbanas, causando um forte apelo para o emprego de baixo índice remuneratório mas, suficiente para estimular os jóvens a abandonar os seus distritos rurais nativos. Isto provoca um esvaziamento de adultos jovens nas zonas periféricas.

Quanto ao excesso de oferta de andares, também a questão deve ser vista de maneira diferenciada. Nos últimos 20 anos, foi necessário alojar milhões em novas aglomerações industriais. Por exemplo, Shenzen, onde se concentra uma parte da indústria de elecrónica e informática, era uma pequena cidade provincial que, num espaço de tempo curto - cerca de 30 anos - se transformou num grande centro. Logicamente, os operários que foram trabalhar para Shenzen e para outras cidades inteiramente novas, precisavam de alojamento. 
É verdade que muitas famílias depositaram as suas poupanças em apartamentos, destinados a ser vendidos com lucro, ou a serem alugados. Na verdade, nem a bolsa, nem as contas bancárias são muito atraentes na China. As bolsas estão sujeitas a altos e baixos muito mais acentuados do que nas bolsas europeias. As contas bancárias são fracamente remuneradas (abaixo do valor real da inflação), tal como acontece nos países ocidentais. O excesso de construção deixou em perigo de falência as empresas gigantes, tais como a Evergrande, que vendiam as habitações quando elas somente estavam projetadas. O lucro que faziam, permitia expandirem-se por muitos outros setores. Tiveram um sério travão pelo governo de Xi Jing Pin, que traçou os princípios pelos quais era lícito construir: Não haverá casas à venda «no papel»; as casas têm como função serem habitadas, não devem servir como veículo de especulação; os créditos à habitação por parte dos bancos devem obedecer a regras claras e controláveis, as pessoas que foram ludibriadas devem ser indemnizadas pelos infractores...
Um aspecto do problema tem a ver com a gestão dos terrenos pelos governos provinciais, que puderam assim levantar somas importantes e desenvolver suas regiões, antes pouco desenvolvidas, graças à cedência de terrenos para o imobiliário. 

Outra fragilidade da China é a que se prende com a autossuficência alimentar e energética. O vasto território da China daria para alimentar adequadamente toda a população. Porém, em consequência do êxodo rural, muitas zonas do interior não fornecem ao conjunto da China os géneros agrícolas que potencialmente poderiam produzir. 
O desenvolvimento das energias ditas «renováveis», embora tenha feito progressos notáveis, não impede que continue a ser dependente do petróleo numa extensão considerável (como vemos na atualidade). Quanto à energia nuclear e os reactores a tório, parecem ser uma aposta forte do governo. 
Um país tão vasto, que conseguiu fazer sair da pobreza absoluta 800 milhões, em menos de 30 anos, terá muitos problemas e contradições, inevitavelmente. 
A política agressiva de sanções do Ocidente e dos EUA, em particular, com o objetivo de limitar ou reduzir as capacidades tecnológicas avançadas da China, saldou-se por um fracasso. Estimulou o desenvolvimento endógeno das tecnologias de ponta tornando a China ainda mais competitiva nesse domínio. Porém,  terá havido situações de desemprego causado por fábricas que fecharam, sucursais ou concessionárias de grandes empresas ocidentais que decidiram retirar-se da China (algumas, pressionadas pelos governos de origem, com certeza).

No conjunto, o que pode acontecer de menos favorável às indústrias chinesas, terá a ver com a profunda crise que se desenvolve internacionalmente e em particular nos países ocidentais, que eram os principais clientes dos produtos chineses. É previsível que a descida da capacidade económica de muitas pessoas no ocidente, provoque um retraímento das compras de produtos chineses. Mas, apesar do ambiente internacional desfavorável, o certo é que agora o Ocidente e particularmente os países europeus, vêm que a China é indispensável como parceiro para trocas comerciais: Cortar ou restringir os laços comerciais com a China iria originar muito mais dano para as economias destes países, do que para a China.


ORIGENS DO POVO BASCO (finalmente) DESVENDADAS


 Excelente documentário que nos permite compreender a enorme relevância do ADN antigo, para  esclarecer o passado de cada povo, mas também as susceptibilidades genéticas a várias doenças. 

sexta-feira, 17 de abril de 2026

REVIVER O ECOSSISTEMA ATRAVÉS DE (RE)INTRODUÇÃO DE ESPÉCIES SELVAGENS

 NA SERRA DE GUADALAJARA, EM ESPANHA



                                        https://www.youtube.com/watch?v=2puOUHPivH8


Nunca tendo renunciado à ideia de que «natural é o melhor», fico entusiasmado pelas tentativas de reinvestir os sítios mais flagelados por fogos e por brutal invasão do espaço de floresta (ou agrícola) com espécies exógenas e agressivas, como o eucalípto. Tais iniciativas são para aplaudir, apoiar e tomar como exemplo de transição ecológica.
Porque o futuro, contrariamente à propaganda dos tecnocratas, não significa robots, mas humanos em interacção criativa e respeitosa com as outras espécies animais. 
O conteúdo do vídeo é a melhor forma de mostrar quão idiota é a dominação/destruição da Natureza, para subjugar o espaço rural ou silvícola aos interesses depredadores de alguns capitalistas. 
Já é tempo do público não especializado começar a diferenciar o que é realmente agricultura sustentável e o que são apenas slogans para enganar.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

quarta-feira, 15 de abril de 2026

LÍDER DA OPOSIÇÃO DE TAIWAN EM VISITA À CHINA + «blackout» mediático sobre BRI


 https://www.youtube.com/watch?v=fiDtfdBYHBQ

A líder do KMT (Kuomintang) de Taiwan é favorável a uma unificação com a China. Este é o partido dos nacionalistas históricos, fundado por Chan Kai Tchek. 
O DPP, que está no poder, tem uma postura de separatismo, além de ter uma ligação muito subserviente a Washington. Os falcões da Administração Americana  e do Pentagono estão apostados em provocar uma guerra. O complexo militar-industrial dos EUA tem vendido a Taiwan uma quantidade de armamento e têm sido enviados militares americanos para instruir na utilização das armas sofisticadas. 
Segundo a líder do KMT, um conflito com a China continental seria pior que a situação da Ucrânia em relação à Rússia. Ela questiona, num vídeo transcrito por Ben Norton, «se os taiwaneses querem ser os próximos ucranianos» isto é, serem aqueles que são cilindrados numa guerra, que não têm hipótese de ganhar, para conveniência dos EUA.

RELACIONADO:

Os media ocidentais estão sempre a veícular uma imagem negativa de fracasso, das Novas Rotas da Seda. Porém, nada se sabe, porque há um écran de contra-informação e os dados económicos objetivos são claramente suprimidos. Tudo o que seja bem sucedido do lado da China, é para difamar; se não for possível - por distorcer a realidade de forma evidente, expondo a fabricação - então a media faz «black-out» destas notícias. Assim, o público é desinformado, pois a media ocidental não lhe dá a possibilidade de conhecer os factos.




terça-feira, 14 de abril de 2026

O DECLÍNIO E QUEDA DO IMPÉRIO AMERICANO (PROF. JIANG)




COMENTÁRIO DE MANUEL BANET



No jogo complicado que se está jogando entre os grandes - EUA, China e Rússia - a questão decisiva é a da manutenção ou desmembramento do sistema do petrodólar.
É o sistema que sustenta o «enorme privilégio» dos EUA. Têm os EUA défices comerciais e do orçamento federal enormes, há imensos anos e funcionando como se nada fosse. Qualquer outro país iria mergulhar na bancarrota.
O sistema do petrodólar é que permite que os EUA mantenham a primazia económica, financeira e militar.
Os petrodólares são obtidos pela venda do petróleo (em dólares) pelas monarquias do Golfo (principalmente). Esses dólares vão ser reciclados através de investimentos nos EUA, desde a compra de ações ao imobiliário, assim como a compra de obrigações do Tesouro, ou seja, dívida de Estado dos EUA.
O défice dos EUA é coberto pela venda de dívida pública (obrigações do Tesouro). Enquanto este sistema funciona não há razão para a classe no poder deixar de agir como age.
Mas, a des-dolarização correlaciona-se com compras de combustíveis, cada vez mais significativas, usando outras divisas que não o dólar. Isto faz com que os compradores da dívida americana sejam cada vez menos.
Paralelamente, os maiores detentores de dívida americana - o Japão e a China - têm despejado no mercado grandes quantidades destas obrigações. Isso acontece no momento em que os EUA precisam de cobrir cerca de 1 trilião de dólares de juros de dívida com a venda de novas obrigações. Na ausência de compradores, só resta aos EUA aumentar os juros, para tornarem atraente a compra de tais obrigações.
O processo é assimilável a uma espiral em que cada vez mais dívida se vai acumular, pois a única maneira de cobrir a dívida (que vai vencendo) e os juros (que são devidos), é pedir (ainda) mais emprestado.
A necessidade prática de qualquer país possuir dólares para comprar petróleo foi um dado adquirido durante decénios, desde 1973 até há bem pouco tempo.
Com a utilização no comércio internacional, de divisas dos próprios países e já não usando o dólar como moeda intermediária, a necessidade de se possuir dólares para comerciar foi diminuindo.
Note-se, isto vai muito além da mera compra de petróleo. No ano 2000, cerca de 70% das trocas comerciais internacionais eram feitas em dólares. Agora, serão 56%, segundo o FMI e outras agências internacionais.

O jogo dos EUA é obrigar os países a abastecerem-se em combustível nos EUA, ou em países por eles controlados (... ou que serão em breve controlados por eles): O plano prevê o controlo efetivo dos recursos energéticos da América do Norte, o que inclui o Canadá, a Groenlândia, o México, a Venezuela e países da América Central... Se os fornecedores de crude do Médio-Oriente desaparecerem ou reduzirem a sua capacidade em fornecer o mercado durante largos anos, o défice causado na oferta de crude ao nível mundial será tal, que os países (amigos ou não) terão de comprar o petróleo e o gás que necessitam aos EUA, ou aos países seus vizinhos sob controlo.
As atoardas de Trump de que integraria o Canadá, compraria a Gronelândia, anexaria o Panamá e subjugaria o México, além do que ele fez efetivamente à Venezuela, não são mais do que a afirmação descarada, expondo parte do programa da oligarquia para a nova fase da globalização, agora «manu militari».
A guerra no Irão não deverá ser curta, segundo o interesse do imperialismo: Deverá antes ser longa e deixar exaustos e incapazes de participar no comércio mundial de combustíveis, não apenas o Irão, como as seis monarquias do Golfo Pérsico (a Arábia Saudita, o Qatar, os Emiratos Árabes Unidos, Oman, Kuwait e Bahrein).
Os países que se abasteciam no Golfo Pérsico terão poucas hipóteses alternativas, perante o rápido declínio da oferta no mercado mundial. Excepto a China, que ficará mais resguardada graças ao fornecimento estável da Rússia. Todos os outros, terão dificuldades no abastecimento energético e na economia, em geral. Os preços dos bens essenciais irão aumentar; vai haver aceleração da inflação. Ao mesmo tempo, haverá contracção do investimento. O mundo vai entrar numa depressão «estag-flacionária» ou seja, de estagnação e inflação, em simultâneo.

Mas, o Império irá ficar mais isolado. Vai ser incapaz de seduzir as pessoas. O chamado «soft power» vai desfazer-se, como uma pintura facial que se derrete. Usará a força militar, a chantagem com os «amigos», a utilização de guerra terrorista, com morticínios contra os civis, etc. Vão ser estes os traços característicos do comportamento dos EUA, tanto ou mais do que agora.
Certos países da Europa talvez tentem - em vão - seduzir a «Grande Besta», mas chegarão à conclusão de que os EUA estão na mão duma poderosa Máfia, como disse Mac Carney* na última reunião do Fórum de Davos.
Quanto mais depressa chegarem a esta conclusão, mais hipóteses terão para delinear e executar uma estratégia de salvamento da sua independência, identidade, património e presença no Mundo.
Os que insistirem em «fazer as vontades» ao colosso de pés de barro, serão os primeiros a ser esmagados.
............
*Mac Carney: Ex-presidente do Bank of England e atual primeiro-ministro do Canadá 




Complemento: Mapa da América do Norte, segundo as ambições dos tecnocráticos.



Complemento II: Gravura publicada por Trump a 15 de Abril de 2026 (ver artigo de Thierry Meyssan)






segunda-feira, 13 de abril de 2026

ROTAS DA SEDA COM MILHARES DE ANOS

 Um manancial de factos históricos que são ignorados no Ocidente!




O vídeo explora o modo como a antiga dinastia Han forjou uma importante ligação diplomática com o Império Parta. Descubra os desafios estratégicos e os intensos esforços que foram necessários para estabelecer as rotas comerciais milenares.

domingo, 12 de abril de 2026

O MENINO DE LAPEDO, UM ACHADO DA MAIOR IMPORTÂNCIA

 Datado do paleolítico superior





O que eu acho notável, neste caso do «Menino de Lapedo», é o facto dos arqueólogos e paleoantropólogos que fizeram a descoberta e a descreveram em 1998, estavam perante um consenso da comunidade científica contrário à possibilidade de hibridação das duas espécies (H. sapiens e H. neandertalensis). Este consenso só foi subvertido com a descoberta da técnica do ADN antigo, que permitiu (em 2010), aos cientistas do laboratório de Biologia da Evolução de Leipzig sequenciar e restituir o genoma integral dum neandertal. Isto permitiu que fossem identificadas as regiões cromossómicas dos humanos contemporâneos provenientes dos neandertais (1 - 4% do total do genoma).
A questão mais geral que se coloca perante fósseis que indicam resultar dum cruzamento algures no passado com outra/s espécie/s, é a de que temos de pôr em causa uma certa ideia, enquanto biólogos e paleoantropólogos. Quase todos os que estudaram dentro do paradigma do neodarwinismo, ficaram com uma noção demasiado rígida quanto ao isolamento genético das populações de espécies diferentes. 
Podemos ter que pôr de lado o conceito de evolução segundo o modelo neodarwiniano «clássico», de mutação/selecção. Sem dúvida que há mutações, numa qualquer população e que estas são conservadas, nalguns casos, mas na imensa maioria elas são rejeitadas. O ambiente funciona como «filtro», que permite ou impede que essas mutações se fixem (ou não) na população. Porém, no modelo de evolução humana que está emergindo, aparece a questão cada vez mais frequente do cruzamento inter-específico: Dois grupos evoluem em separado durante muitas centenas de milhares de anos, acumulando diferenças, mas não impedindo a formação de híbridos. Quando estas duas populações se encontram de novo (devido a migrações, a mudanças climáticas, etc) as duas espécies próximas, mas distintas, cruzam-se e produzem híbridos, por sua vez interférteis. 
No caso da hibridação sapiens-neandertalensis, constata-se certo grau de incompatibilidade genética entre eles. Embora certos conjuntos de genes neandertais tenham sido conservados nos genomas sapiens, outros genes desapareceram por incompatibilidade com o genoma de Homo sapiens. Provavelmente, havia maior fragilidade nos portadores de certos pares de genes sapiens/neandertais, ou sua presença implicava uma mais baixa fecundidade, ou uma maior susceptibilidade a certas doenças...
Descobrimos agora que muitas populações /espécies contribuíram no passado, para o genoma da espécie humana contemporânea. Esta descoberta só foi possível pelo estudo em larga escala do ADN humano contemporâneo. Ao mesmo tempo, foram-se acumulando sequências genéticas de fósseis ancestrais. A espécie humana resultaria então de uma «manta de retalhos» genética, ou de um «puzzle». 
Se esta tese se confirma, é uma mudança epistemológica de primeira importância, no estudo da evolução.

sábado, 11 de abril de 2026

MARROCOS: DESCOBERTAS RELACIONADAS COM GÉNESE DOS HUMANOS MODERNOS

 


A génese da espécie humana moderna seria tributária de duas populações:
 A população A, com 80% da contribuição genética e a população B, com 20%. 
Os fósseis muito antigos descobertos em Marrocos, mostram características que os aproximam dos fósseis de H. antecessor (primeiro descoberto em Atapuerca, Espanha).
 Coloca-se a questão dos recém descobertos fósseis serem quem introduziu novas características em populações humanas da periferia do Mediterrâneo ou, pelo contrário, estes fósseis marroquinos terem recebido seus traços anatómicos doutras populações, pré-existentes.
 De qualquer maneira, a hibridação nestas populações ancestrais parece ter sido um fenómeno relativamente frequente. 
As diversas lineagens estiveram isoladas durante centenas de milhares de anos. Quando estas elas se encontraram, houve troca de genes e formação de novas espécies. 
Este documentário levanta a hipótese da população de Marrocos ser uma forma ancestral da espécie humana moderna.

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sexta-feira, 10 de abril de 2026

COMO A CHINA GANHA A COMPETIÇÃO COM EUA


 

Corbett report: «Nova Ordem Multipolar = Nova Ordem Mundial»







Comentário de Manuel Banet:

 A tese de James Corbett no que toca ao estribilho de «Ordem Multipolar» é que não existe diferença radical destas oligarquias da China e da Rússia, em relação às oligarquias dos EUA e da OTAN. Tudo o que os primeiros pretendem é serem aceites, é terem um lugar à mesa do poder e da ordem mundial. 

Muito bem; pode ser que seja uma mera luta para repartição das alavancas de controlo global e de «estar por cima», decidindo em nome de povos, eles próprios sem verdadeira voz, nem autonomia, nem capacidade de decisão própria. 
A tecnocracia é um velho projeto datando de antes da 1ª Guerra Mundial, que se vem desenvolvendo em múltiplas instâncias, umas mais visíveis que outras.
 A Comissão Trilateral, a Chattam House, o Fórum Económico Mundial, o Clube Valdai, o Clube Bilderberg  ... Há numerosos «Think Tanks», ou instâncias, apenas conhecidas de alguns,  que têm moldado discretamente a política das principais potências. 
Fazem parte do Estado profundo, pois as pessoas participantes nestes «clubes» e «grupos de reflexão» são, ou foram, detentoras de cargos públicos. 
Muitas vezes, os departamentos do Estado (por exemplo, um ministério ou secretaria de Estado) encomendam estudos, que deveriam analisar questões complexas. 
Mas, muitas vezes, são apenas coberturas caras e pretenciosas, para «validar» decisões já tomadas nos escalões mais elevados do poder. 
Estas encomendas são fonte de rendimento regular destes Clubes e Think Tanks. É uma forma de corrupção e também de roubo do erário público. O dinheiro sai, por norma, dos orçamentos de departamentos estatais, destinados a remunerar as figuras que realizam (ou assinam) os tais «estudos». 
Além disso, existem múltiplas fundações privadas que financiam regularmente estes grupos influentes. Estas fundações são associadas aos setores que desejam moldar a visão governamental: Por exemplo, a indústria do armamento tem interesse em fazer prevalecer determinada visão da segurança, da geoestratégia, etc.
Trata-se de uma micro-sociedade em circuito fechado. Muitos empresários são aconselhados a encomendar «estudos», que são somente formas disfarçadas de exercer suborno. Isto está descrito em artigos sobre vários casos de Think Tanks nos Estados Unidos, por vários autores.  
Com certeza que algo parecido funciona nas outras grandes potências, ou mesmo em médias potências. 
Há um pacto de silêncio que inclui, não apenas os apoiantes do partido que esteja no poder, como a classe política no seu todo. Com efeito, mesmo os partidos e correntes de oposição tendem a «omitir» certos factos, pois têm esperança de vir a ser poder, algum dia. 
Além de que, para certos assuntos sensíveis, o facto de nomear as pessoas envolvidas nestes jogos de influência é extremamente perigoso, nomeadamente para os jornalistas.
A máquina do Estado é pesada, redundante, muito pouco eficaz.  Possui uma hierarquia oculta que manipula a hierarquia visível. Esta última, é preenchida por atores corruptos, sujeitos a chantagem, cuja competência em assuntos de Estado, sobre os quais decide, é ridiculamente limitada. 
Mas, como têm um batalhão de «conselheiros», para os mais diversos assuntos, basta que lhes sigam as sujestões. Acontece que os «conselheiros» são os peões dos grupos de interesses, ou lobbies. Estes, são fiéis aos interesses que promovem, não ao governo. 
Na «democracia» truncada, que nos estão constantemente a servir como se fosse o «modelo», o cidadão é desporvido de meios de influir nas decisões.  A escolha de tal ou tal indivíduo pode parecer relevante, mas não é, porque não se sabe qual a verdadeira «agenda» de um candidato. O mais banal é, uma vez eleito, ele fazer tudo diferente do que defendeu, durante a campanha eleitoral. 
O público não tem o mínimo controlo. Não pode fiscalizar os atos e decisões dos indivíduos que colocou no poder, através de eleições. 
Por que razão insistem nas eleições como o teste de democracia
- É  exatamente porque sem controlo e sem possibilidade dos eleitores revocarem o mandato dos eleitos, de forma institucional e eficaz, a «democracia» é apenas um jogo envolvendo atores e lóbis que os controlam através da corrupção...

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quinta-feira, 9 de abril de 2026

A VELOCIDADE DA LUZ - Leonard Susskind


 Excelente divulgação científica, sem aqueles disparates ou exageros que ouvimos muitas vezes, quando outros se dedicam a este exercício perigoso. Com efeito, a tentação é grande de sobre-simplificar sem critério, de dar imagens floridas sem substância do fenómeno a descrever ou das leis naturais que se pretende elucidar. Porém, não é o caso deste pequeno vídeo: Ele é perfeito, pois a narração vem duma mente genuinamente científica, que estudou longamente as questões que está a expor, além de possuir talento de comunicador, indispensável para este género de exercício. 

quarta-feira, 8 de abril de 2026

FIASCO DE OPERAÇÃO DE "SALVAMENTO" E CONSEQUÊNCIAS [CRÓNICA DA IIIª GUERRA MUNDIAL Nº60]

 


A operação de salvamento era a cobertura para as tropas especiais tentarem destruir as caves onde se encontram armazenados os cerca de 500 quilos de urânio enriquecido. O contingente americano utilizado, mostra que se tratava de uma operação de comandos em grande escala, com vários helicópteros e um avião com capacidade para transportar uma centena de homens. 

Foi um fracasso total, deixando várias aeronaves destruídas e possivelmente, mortos ou neutralizados grande parte dos referidos comandos. Comunicados referem que alguns comandos conseguiram fugir em helicópteros, apesar de feridos. Não sabemos ao certo: Nestas circunstâncias, não existe nenhum meio de verificação independente. O que é certo, é que o aviador que eles procuravam, não foi resgatado. Em vez disso, a operação saldou-se por um desastre total em vidas humanas e em perdas materiais avultadas. 


Este fiasco teve consequências, de certeza, pois fez Trump mudar de tom, contrastando com a arrogância e grosseria exibida algumas horas antes, com um ultimatum que implicava a destruição de estruturas absolutamente indispensáveis para a vida civil, como as centrais elétricas, as unidades de dessalinização e as pontes, caso o Irão não «abrisse» o Estreito de Ormuz.

O que aconteceu, não se sabe ao certo, mas pode-se inferir que as conversações secretas que decorreram no Paquistão, conduziram a este desenlace provisório, o cessar-fogo de ambos os lados por duas semanas, durante as quais as propostas em 15 pontos americanas e as em 10 pontos iranianas, iriam ser negociadas.

Se estas conversações causarem a abertura do Estreito, que não apenas permita passagem de navios tanque «amigos» do Irão, mas a todos os navios, é um ponto muito positivo para o lado americano. As bolsas dos países ocidentais já estão a refletir esta possibilidade, com subidas espectaculares. Mas, do lado iraniano, a abolição das sanções terá também um significado imenso. Com efeito, o petróleo iraniano poderá ser vendido a quem o quiser comprar, sem restrições, aumentando assim o leque de clientes, a quantidade total de petróleo vendido e as respectivas somas necessárias para a reconstrução.  

Não quero - no entanto - transmitir esperanças infundadas, primeiro porque as posições oficiais de ambos os lados parecem muito distantes para um acordo; segundo, porque não se pode ter demasiada confiança de que os americanos não violem os hipotéticos acordos, assim que lhes parecer conveniente. Eles têm costume de fazer isso, desde os tratados com os nativos americanos até aos acordos de desarmamento e de limitação de armas nucleares, com os russos.

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Nota 1: Os israelitas dizem que não foram consultados, dizem que não souberam dos conteúdos das negociações no Paquistão. Isto pode significar que estão na disposição de não se darem por vinculados com o que saí das conversões de paz. 
Isto é um mau sinal, porque o governo de Nethanyahu tem feito muitas coisas para implicar e envolver o governo dos EUA. Não vejo que os EUA, agora, tenham capacidade ou vontade para os refrear. 


Nota 3: Mesmo que as conversações de paz entre o Irão e os EUA cheguem a bom termo, não será possível evitar a crise económica profunda, que já está a fazer estragos.

Nota 4: Por mais que Trump clame vitória, o facto é que ele teve de ceder perante tantos fiascos, nesta guerra.

[Crónica da IIIª Guerra Mundial nº 59] QUANDO OS EUA CAIRAM NA ARMADILHA

Donald Trump criou a armadilha na qual as forças dos EUA e de Israel estão presas:

- Guerra em múltiplas frentes: Estreito de Ormuz, Bab El Mandeb, Iraque.
- Guerra que esgota as munições dos EUA, agravamento da economia mundial.
- Guerra impopular nos vários povos (incluindo americano).



 






terça-feira, 7 de abril de 2026

CRIMES DE GUERRA E SEU ENCOBRIMENTO [PROPAGANDA 21, Nº31]

 



A descida ao inferno do imperialismo decadente, com todo o cortejo de guerras e de crueldades, não poderia ser tolerado pelas próprias populações nativas dos centros do Império, se não houvesse toda uma media que leva a cabo a distorção da realidade, de modo consciente e deliberado, desde o black-out informativo, até ao «spin» colocado discretamente nas notícias, no seu fraseado, nos adjectivos, etc. 
Claro que isto resulta, porque a imensa maioria das pessoas não vai analisar estes pormenores do texto. Por isso, julgam que a media é «razoavelmente objectiva», quando nunca o foi ou deixou de o ser há décadas... 
A fragilidade inerente - para o setor pró-imperial - é que qualquer pessoa, uma vez que tomou consciência da manipulação, já não poderá deixar de a notar no futuro. 

segunda-feira, 6 de abril de 2026

O QUE SE ESPERA DAS FORÇAS POLÍTICAS E SOCIAIS CONTRÁRIAS A ESTA GUERRA E AO AUTORITARISMO?

- Estamos em guerra, é a IIIª Guerra Mundial. 

- Esta evidência, infelizmente, toda a gente a tem, hoje. Porém, eu já tinha esta noção de que estávamos numa IIIª Guerra Mundial, desde 1999 e do ataque da OTAN (ilegal face à Lei Internacional), contra a Sérvia; a chamada guerra do Kosovo. 

A quantidade de «palcos» de confronto violento multiplicaram-se, é impressionante. A maioria concentra-se no Médio Oriente. Muitas guerras atuais estão no prolongamento de guerras que já vêm do século XX (e algumas, desde o final da 1ª Guerra Mundial). 

O que os ocidentais têm tido como «desenvolvimento», não é senão a continuidade da exploração colonial, e depois ex-colonial. Claro que as pessoas que beneficiam de uma situação de abundância e privilégio, vão dizer que ela se deve ao seu mérito próprio. Os ocidentais pensam-se como civilização superior, com um nível de desenvolvimento maior que as outras partes do globo. Mas isto é falso, sem dúvida, por dois motivos:

- A maneira como podemos medir o grau de civilização é, antes de mais, como os cidadãos de um determinado espaço civilizacional reagem em defesa dos valores da civilização onde estão banhados. Os ocidentais pretendem ser democráticos e viver em democracias. Mas, logo que algo se torne menos confortável para eles, abandonam - na prática - os princípios democráticos. Logo que se verifica uma corrente emancipatória dos oprimidos doutras partes do Globo ou até de seu próprio país, deixa de haver democracia. 

A repressão feroz aos movimentos emancipatórios de ex-colónias, em África, na Ásia e na América Central e do Sul,  mostrou a «democracia» deles, os oligarcas e seus lacaios, os governos ocidentais. Igualmente, em relação à classe operária, ou pessoas em rutura política dos sistemas ditos democráticos, verificaram-se episódios de uma violência inultrapassável. 

Os sucessivos crimes contra a humanidade da parte do governo sionista de Israel tiveram o aplauso de muitos e o silêncio envergonhado de outros. O mesmo se está a passar hoje, com o Líbano e com o Irão. 

Outra medida do estádio civilizacional é procurar de saber e compreender as ideias, os costumes, o modo de ser e pensar dos outros povos. Porém, na sociedade ocidental atual, não existe sequer tolerância para com outras etnias, outras culturas, outros modos de estar. Quanto muito, existe condescendência em relação às formas de cultura dos não-ocidentais, um reflexo do colonialismo:  O civilizado ignora as formas artísticas, filosóficas e científicas de outras culturas, não as percebe nem tenta fazê-lo, ele ignora as histórias das sociedades extra-europeias respectivas.  

O nacionalismo tornou-se a forma estereotipada de rejeição do outro. Esta visão foi incutida pelos elementos mais retrógados e opressores das classes oligáriquias ocidentais, como forma de impedir a solidariedade com povos coloniais ou ex-coloniais, da parte dos  povos que foram, num certo momento histórico, seus colonizadores. Este racismo e colonialismo das mentalidades ocidentais, permite que a oligarquia desvie de si própria a raiva e frustração dos explorados. Canaliza este ódio em direção aos outros povos, sobretudo aos emigrantes.

A natureza desta Guerra Mundial é de se desenrolar num processo contínuo de aumento de tensões, provocações e das várias formas de guerra : Económica, com as sanções, a ingerência ou subversão dos países inimigos ou ainda, o isolamento diplomático, o bloqueio e, por fim, guerra dita «cinética».

A lenta e inexorável erosão das liberdades nos países que se afirmam como «democracias», acompanha a marcha em direção à guerra. O empobrecimento das populações, a diminuição drástica dos orçamentos sociais dos Estados, vai de par com o reforço - em efetivos e em equipamentos - das forças armadas e policiais, em prevenção de prováveis insurreições. As pessoas que criticam a deriva autoritária, sem terem - no entanto - feito nada contra as leis, apenas exercendo o seu direito à livre palavra, ao pensamento crítico, são perseguidas, sujeitas a sanções extra-judiciais, confirmando-se deste modo a morte do Estado de Direito, do respeito pela legalidade constitucional. As leis e atuações dos Estados, também vão sendo transformadas, com vista ao controlo social total.

O totalitarismo não se instaura,  necessariamente, por um golpe de Estado ou uma subversão brusca da ordem constitucional. Existem bastantes exemplos que mostram o deslisar dos Estados: Eles aparentam ser  democráticos, mas são Estados onde a democracia verdadeira desapareceu, ou seja, restam leis  e constituições democráticas, sem qualquer relação com a realidade, pois estão constantemente a ser pisadas, pelas próprias entidades que tinham o dever de defendê-las.

A inadequação das pessoas e das organizações para enfrentar e combater este «fascismo deslizante», é trágica: Ela configura a incapacidade dos líderes em ver o presente tal como ele é. Alguns estão imbuídos de modelos históricos passados, que os impedem de captar o que a situação atual tem de inédito. 

É preciso e urgente uma viragem para nova visão da política. O objetivo deve ser  construir uma organização flexível, para combater o autoritarismo, que abafa e acaba por estrangular os elementos de democracia ainda presentes em nossas sociedades. Sem auto-censura, nem anátemas, deve-se agrupar, de forma admpla, as numerosas pessoas, as diversas forças sociais e políticas, realmente interessadas em impedir que um regime autoritário se instale.