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sábado, 27 de dezembro de 2025

A NEGAÇÃO DA REALIDADE PELAS "ELITES " EUROPEIAS


 Pepe Escobar, a partir de uma elegante Villa siciliana do Século  XIX, faz um exercício de "ligar os pontos entre si", com uma clareza e profundidade que nenhum político europeu consegue fazer, nos dias de hoje. A decadência, antes de ser económica, é moral. Nenhum "lider" europeu está à  altura do desafio. É por isso que a casta dirigente dos EUA tem tanta facilidade em tratar os governos europeus com total desprezo!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

A GUERRA NÃO DECLARADA JÁ ESTÁ AQUI HÁ BASTANTE TEMPO [Crónica da IIIª Guerra Mundial nº53]



Quando os dirigentes da Europa ocidental, quer na UE, quer na OTAN, ameaçam a Rússia com uma guerra devastadora, o que é que têm estes 'valentes' (que mandam os outros combater)?
Não me estou a referir a patologias; certamente, as têm e do foro psicológico. Não; estou a referir-me ao que têm em termos de meios quer humanos, quer logísticos, quer armamentos.
Quanto a economia, já estamos conversados; eles próprios «lamentam» que nestes três anos de guerra na Ucrânia, não conseguiram (dizem eles) evitar a compra do petróleo russo. Quanto ao gás, a auto-sabotagem do gazoduto Nordstream, foi encarecer a produção industrial não só na Alemanha, como noutras nações da UE. A sua dependência em relação aos produtos russos é maior do que muita gente pensa: Eles precisam dos adubos sintéticos feitos na Rússia, para que a sua agricultura não baixe dramaticamente de rendimento.
Também precisam de metais estratégicos e «Terras Raras» e não têm escolha senão ir buscar à China ou a outros países dos BRICS, pois eles próprios (tal como os EUA) deslocalizaram há muito a refinação destes minerais, deixando para o Terceiro Mundo a tarefa poluente de transformar minério em metal purificado. Estas Terras Raras são indispensáveis, não apenas em aplicações de eletrónica e microinformática civil, como também militar. Quanto aos metais estratégicos: Sem o titânio e outros, não se podem produzir ligas metálicas para aviões militares, tanques, etc.
Além disso, estão mergulhados numa crise política profunda; por mais que ocultem, os povos estão descontentes, dissociados e mesmo hostis aos projetos militaristas. Estes, são acompanhados por maior vigilância e repressão contra a dissidência, numa postura autoritária que já não se disfarça (veja-se o caso de Palestine Action, no Reino Unido, e repressão massiva e indiscriminada contra os que protestam contra o genocídio em Gaza). - A impopularidade destes governos é inédita. Por exemplo, um partido nacionalista conservador, a AfD, na Alemanha cresce nas sondagens, como sendo o primeiro partido na escolha dos alemães.
Todas as reuniões e declarações dos chefes de Estado e de Governo dos países da Europa ocidental, são atoardas de quem pode vozear em relação ao «inimigo» declarado, mas não tem meios próprios para sustentar uma guerra direta.
A estratégia, simultaneamente cobarde e suicidária (para os povos) é de multiplicar as provocações, lançamento de mísseis para território bem no interior da Rússia, atos de sabotagem, etc. 
Estes ataques são declarados como «façanhas» do exército ucraniano, quando todos sabemos que eles não fabricam estas armas; recebem-nas dos EUA países europeus da OTAN . Além disso, está comprovado que os sistemas atuais de mísseis são demasiado sofisticados e implicam pessoal treinado. O treino de especialistas ucranianos é demasiado longo para atender às necessidades: Logo, muitos dos que servem estes sistemas de mísseis são militares dos países ocidentais.
Apesar do black-out informativo, sabe-se que têm morrido ou ficado gravemente feridos membros das forças armadas de vários países da OTAN (EUA, Polónia, Reino Unido, França, Alemanha e outros), pois estes mísseis, estacionados em solo ucraniano, são obviamente um alvo para as forças aéreas russas.
A perversidade dos maquiavélicos, faz que estejam prontos a arriscar um confronto nuclear com a Rússia, confiantes de que será ela a vítima principal. Mesmo que tal fosse verdade, o que eu duvido muito, o sofrimento humano seria indicível, impossível de quantificar e recairia também sobre o ocidente, inevitavelmente.
Seria o fim da civilização ocidental. Significaria a destruição de centenas de milhares ou de milhões de vidas inocentes, a destruição dos ecossistemas, o seu envenenamento radioactivo durante inúmeras gerações, o que tornaria as cidades e os campos impossíveis de habitar.
Tudo isto é considerado um risco aceitável pelos que estão à frente das principais nações da UE e dos órgãos próprios deste super-Estado em construção.
O afastamento dos EUA em relação aos planos mais belicosos dos governos europeus da OTAN é uma boa coisa, pois sem o «guarda-chuva» nuclear dos EUA, a possibilidade de guerra total contra a Rússia fica mais remota, para não dizer inviável. Mesmo loucos fanáticos reconhecem isso, pelo que as atoardas de alguns políticos europeus vão somente contribuir para complicar os esforços de paz. 
Mas, sobretudo, destinam-se à política interna, a cercear as liberdades, perseguir os oponentes à guerra, intensificar a exploração para maior lucro das empresas, sobretudo das que se reconverteram a fabricar armamentos e munições.

Por todas estas razões, é fundamental que as pessoas tomem consciência e que ajam, dentro das suas competências, com os meios de que dispõem, para fazer obstáculo a esta onda de militarismo despudorado.
 A guerra na Europa ocidental (países da UE + Reino Unido) é - cada vez mais - uma guerra contra os seus próprios povos, contra os trabalhadores, os jovens, os empresários e todos os que têm contribuído para a riqueza e grandeza das suas nações respectivas.

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RELACIONADO:

 https://substack.com/@nelbonilla/note/c-180757735?r=9hbco


https://open.substack.com/pub/jonathancook/p/its-antisemitic-to-call-out-israels?utm_source=share&utm_medium=android&r=9hbco


Bruxelas decidiu no sentido de expropriar os bens financeiros russos congelados na UE:  

https://www.moonofalabama.org/2025/12/russia-counters-eu-shenanigans-to-steal-its-frozen-assets.html

Veja a seguinte entrevista com Alastair Crook:

https://youtu.be/gkJD1qHlHhw?si=kwa_bwVfIxvSeN2M

Excelente análise de Prof. Mersheimer:

https://www.youtube.com/watch?v=GOJerDDCnes

Conheça a avaliação por Martin Armstrong, de Zelensky e seu regime.

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

COMO A MÉDIA MAINSTREAM SE CONVERTEU EM PROPAGANDA DOS ESTADOS

 

https://www.youtube.com/watch?v=X1l4c5fWn8M




Um artigo circunstanciado, em como as «elites» ocidentais e o jornalismo mainstream apagaram das notícias as referências à ideologia nazi e aos atos criminosos contra os russo-falantes ucranianos, após o golpe de Maidan em 2014:
«Ucrânia : as provas apagadas» por Manlio Dinucci

PS1: Na minha opinião, a crise do COVID foi pretexto para alcançar um novo patamar de censura e discriminação contra tudo o que não se conformasse com a ditadura globalista.

PS2: 

Documentário Censurado Expõe Como o Governo dos EUA Difunde Propaganda Como Sendo «Jornalismo Independente», por The Dissident


quinta-feira, 27 de novembro de 2025

O EPÍLOGO DESTA PEÇA SANGRENTA... [Crónica da III Guerra Mundial, Nº52]

 Sentimos todos que o fim da guerra na Ucrânia está próximo. No entanto, ninguém pode dizer exactamente quando vai haver um cessar-fogo efetivo, que conduza a negociações de paz, a uma paz duradoira. 

O continente europeu, no seu conjunto - ou seja, do Atlântico aos Urais - sofreu imenso, com uma guerra cruel, que fez-nos lembrar a guerra das trincheiras, na 1º Guerra Mundial. Mas, também as matanças em 1941 e anos seguintes, no sul da União Soviética (Ucrânia incluída) durante o avanço das tropas da Wehrmacht acompanhadas por tropas especiais das SS, nas quais se incluía uma divisão ucraniana, sobretudo recrutada na Galícia. 

Mas, esta guerra também apresentou uma profusão de aspectos novos, inéditos. Talvez o que se destacou mais foi a utilização dos drones, em missões que tinham que ver com reconhecimento, mas também com o ataque a colunas de tanques, a instalações e mesmo a soldados individuais.

A assimetria de forças estava patente desde o princípio e só quem estivesse obnubilado, não percebia que os russos não iriam meter-se numa guerra às suas fronteiras, sem terem maximizado as probabilidades de sucesso. 

Não vou retraçar aqui as peripécias, tantas e tão dramáticas, desta guerra, desde Fev. de 2022 até Nov. de 2025. Mas, irei aqui fazer notar que se tratou de um conflito a vários níveis: intra-ucraniano, intra-eslavo e também internacional. 

Os mísseis do lado ucraniano eram manejados por equipas de soldados ocidentais. Muitos soldados (e até oficiais de média e alta patente) de países ocidentais morreram nesta guerra, combatida para destruir a Rússia, pela qual nutrem um medo e ódio completamente irracionais. 

A destruição de tantas vidas poderia ser, de algum modo, compensada com um regresso ao bom-senso. Resumidamente, no continente europeu só pode haver paz, caso se considere a segurança colectiva, de tal maneira que a segurança de uns, não seja em detrimento de outros.

 Também é preciso que seja desmontada a estrutura monstruosa da OTAN, virada para o passado, o da Guerra-Fria, que afinal continua na cabeça de muitas altas patentes e na de dirigentes políticos. 

Eles estão tomados de uma singular forma de loucura: pretendem fazer-nos recuar no tempo, o que não apenas é impossível, como só levaria à construção de estruturas totalitárias, distopias, a Estados mantendo uma vigilância permanente e total da cidadania.

Porém, quem irá oferecer-se como voluntário para uma guerra e sacrificar-se por uma monstruosidade assim?? 

Claro que a media - vendida ao grande capital e os seus representantes diretos, que são os «partidos de poder» - pinta o cenário com cores totalmente diferentes da realidade. Mas a realidade não pode ser suprimida com «narrativas». 

A realidade é que vários governos europeus, agora, são odiados por grande parte das suas próprias populações. A realidade é que os países e populações dos outros continentes vêem o que se passa e qual o papel anacrónico que a «elite» europeia desempenha.

A dominação conservadora na Europa, depois da IIª Guerra Mundial, a pretexto de «luta contra o comunismo» acabou por produzir uma forma autoritária de governança, de que a U.E. é o modelo acabado. 

Muitas pessoas, que não trocam a sua liberdade, nem a dos seus povos, por propaganda, sabem ver o grau de arbítrio, de autoritarismo e de ilegitimidade, que esta casta política da U.E. encorpora. 

Os regimes que os políticos ocidentais costumam apelar de autocráticos, não mostram o grau de indiferença e de opressão dos seus próprios cidadãos, que têm sido demonstrados por governos da Europa ocidental. 

As pessoas não são estúpidas. Muitas, apesar das notícias tendenciosas, compreendem que a motivação verdadeira dos oligarcas ocidentais nada tem que ver com democracia, direitos civis, liberdade, Estado de Direito, etc. Antes pelo contrário. 

No pós-guerra, pode haver muitos desenvolvimentos. Porém, no essencial: 

- Ou os Estados da Europa Ocidental (a U.E. mais o Reino Unido) se transformam em ditaduras, que «proclamam a liberdade, para a estrangular melhor»...

Ou as cidadanias compreendem o logro em que têm sido mantidas e emancipam-se - elas próprias - desta casta eurocrática e totalitária, que continuamente tem levado os povos a fracassos, à perda do elevado nível de vida e do bem-estar para o povo. Sobretudo, à  perda da capacidade para enfrentar os desafios do futuro.

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PS1: A recusa de Zelensky em aceitar o plano esquematizado por Trump para conversações de paz, mas aceite pela Rússia, como base preliminar a um verdadeiro documento de negociação, irá tornar muito maior o grau de destruição do exército ucraniano, já derrotado. Leia o artigo seguinte:

Ukraine Rejects Trump’s Peace Plan – U.S. Reacts To Its Defiance

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

GOVERNOS EUROPEUS INIMIGOS DA PAZ NA UCRÂNIA


 Zelensky não é mais do que o ditador megalómano que não se importa de afundar o seu país e o seu povo, desde que eles - Zelensky e sua família - se safem. Mas, isto não é uma revelação de agora. Desde o momento em que foi eleito (antes da guerra), que se dedicou a fazer o oposto do que prometera ao povo ucraniano. Este, acreditou que o candidato Zelensky era o que melhor interpretava o desejo de paz e de procurar um acordo negociado com a Rússia. Foi enganado. 
Mesmo assim, os dirigentes europeus propulsionaram-no e ao seu regime cada vez mais autoritário, à medida que o tempo passava. Foi levado em braços, apoiado entusiasticamente, ovacionado de pé por parlamentares ocidentais. 
Porém, este mesmo Zelensky tornou-se uma espécie de bola de chumbo amarrada aos pés dos políticos ocidentais. Eles não sabem o que fazer; não sabem como se livrar de ir para o fundo. 
Com efeito, estão totalmente derrotados e desmascarados pelos próprios factos e suas políticas desastrosas, militaristas e anti-populares, adoptadas contra os interesses fundamentais dos seus povos. 
Teimosamente, continuam a propor «soluções» que não o são, de facto. Estas posições somente ajudam a prolongar a guerra cruel, causando mais uns milhares de mortos (inutilmente!). 
O povo de toda a Europa vai pagar caro a sua indiferença e credulidade. Não é perdoável que se deixe dominar pela propaganda, pelos reflexos pavlovianos de medo e ódio contra os russos. Quem cai no logro da propaganda, experimenta fatalmente as consequência deste erro! 

sábado, 1 de novembro de 2025

O NOVO SISTEMA OPERATIVO DO OCIDENTE GLOBAL [CRÓNICA DA IIIªGUERRA MUNDIAL, Nº51]


 


Estamos todos inseridos, quer queiramos, quer não; quer o saibamos, quer não, na NOVA  matriz que define ao nível estratégico a condução desta IIIº Guerra Mundial. 

Esta nova estratégia, vai transparecendo em reflexões e artigos teóricos, produzidos no âmbito da OTAN e das diversas academias militares de países do Ocidente. 

Desde 2016, que tenho acompanhado esta mudança não somente semântica, mas também substancial. Uma destas mudanças, consiste em colocar como recipientes da guerra psicológica, a população em geral. Não somente os combatentes inimigos; também são alvos desta guerra psicológicas populações civis dos países hostis (embora sem se estar em guerra formal com muitos deles), mas também a população dos países «amigos» e as populações do núcleo central do Império.

 Com efeito, temos vivido todos debaixo de campanhas sucessivas, massivas e permanentes de propaganda. 

No início do novo milénio, as campanhas destinavam-se a nos convencer que tínhamos de sacrificar as liberdades para combater o «terrorismo». Pouco depois, em 2020, tratava-se de fazer guerra a um vírus, uma epidemia que foi pretexto para operações financeiras muito lucrativas para a oligarquia. Foi com condicionamento massivo que forçaram a população a tomar «vacinas» que, de facto, eram não-testadas em ensaios clínicos prévios. Pouco tempo depois e até hoje, a média ocidental dedicou-se a diabolizar a Rússia e Putin, como se a intervenção russa na Ucrânia iniciada em Fevereiro de 2022, fosse uma decisão caprichosa  («sem provocação»!) dum dirigente autoritário; como se esta não tivesse sido antecedida por inúmeras provocações; entre outras, a postulada adesão à OTAN do regime neo-nazi, de Kiev, furiosamente anti-russo!

A continuação desta deriva em direção à guerra total, fez-se  com a encenação de 7 de Outubro de 2023 em Gaza. Hoje, está provado que a operação tinha sido «permitida»* pelo governo de Netanyahu: 

- As comunicações internas do Hamas e da população da Faixa de Gaza eram constantemente interceptadas e monitorizadas

- Os serviços de segurança do Egipto enviaram alertas muito sérios e detalhados da preparação de algo no referido Território. 

- A somar a estes factos, houve uma retirada de muitas tropas israelitas, que faziam o cerco a Gaza, alguns dias antes da referida sortida de 07-10-2023.

A campanha mediática governamental, imediatamente a seguir, foi construída com base em falsidades enormes, óbvias, fabricadas para horrorizar a opinião pública mundial, com o objectivo desta se dessolidarizar da população de Gaza, perante a campanha de «limpeza étnica» e de genocídio que imediatamente foi lançada. A mentira maior de todas é de que a operação da resistência palestiniana apanhou de surpresa as autoridades civis e militares israelitas. 

Procurei dar conta disto em muitos artigos deste blog, apontando as efabulações e explicando como as coisas realmente se passaram. Lembremos, entre outras, as declarações dos altos responsáveis de Israel: 

- O ministro da defesa de Israel (Galant) disse que todas as pessoas em Gaza «eram do Hamas», como pseudo-justificação do morticínio indiscriminado, 

- Netanyahu usou citações do Antigo Testamento para «justificar» a erradicação total dum povo.

 Declarações tão cínicas, no príncípio da campanha de genocídio em Gaza, deveriam ter feito reagir, no Ocidente, os defensores dos direitos humanos. Porém, muitos calaram-se, por cobardia ou porque terão aceite «argumentos» sionistas, para «justificar» a barbárie.

Todas as ações dirigidas contra civis inocentes, num contexto de guerra, são violações dos Direitos Humanos. Quando são toleradas por certos governos, é a própria arquitetura dos Direitos Humanos da ONU, que eles estão a pôr em causa. Porém, qualquer país aderente à ONU é suposto respeitar e fazer respeitar esses mesmos Direitos. Os Estados que se apresentavam como os grandes defensores dos Direitos Humanos, têm desrespeitado - por ação ou omissão - a substância dos referidos Direitos de forma mais notória, em relação à população palestiniana dos Territórios Ocupados por Israel.

Um outro exemplo recente: Os EUA e seus dirigentes preparam uma invasão da Venezuela, colocando uma esquadra e meios aéreos nas Caraíbas. Esta é «justificada» com a pretensa participação do presidente Maduro no tráfico de droga, dirigido às costas dos EUA. Tal acusação é desmentida por muitas entidades, incluindo agências especializadas no combate ao tráfico de estupefacientes. No entanto, a marinha dos EUA tem atacado lanchas, matando os seus tripulantes, supostamente por estas transportarem cocaína para a Flórida. Acontece que...

 (a) tais lanchas nunca poderiam alcançar as costas da Flórida, pois teriam de encher várias vezes os depósitos de combustível, para lá chegar.

(b) os tripulantes não foram minimamente identificados,

(c) são execuções extra-judiciais, em águas internacionais e com base em suposições vagas. 

Tudo isto para desencadear uma reação do governo da Venezuela, que serviria como pretexto para uma invasão pelos EUA. 

O pano de fundo, todos o conhecem: É a estratégia imperial dos EUA e ao serviço das grandes empresas de petróleo, para controlar, acaparar e explorar os recursos energéticos da Venezuela. Este país possui a maior reserva terrestre comprovada de combustíveis fósseis.


A guerra psicológica destina-se sobretudo às pessoas comuns, tanto dos países «a conquistar»**, como dos países-sede do Império. Nestes, a mídia de massas é especializada na lavagem ao cérebro.

As pessoas, sujeitas a campanhas permanentes de condicionamento, acabam por não distinguir os factos, da propaganda. Muitas ficam aterradas ou dessensibilizadas e incapazes de reagir. Não conseguem defender o que têm de mais valioso - a própria vida e a dos seus filhos. 

Os serviços de guerra psicológica conseguem estes resultados através da combinação de meios, recorrendo ao medo, à ignorância, ao black-out informativo, à desinformação, à alienação, etc.

Este comportamento não é exclusivo das agências, governos e instituições ocidentais. Porém, têm sido estes que têm levado a cabo a guerra psicológica aos maiores extremos. Combinam estas operações psicológicas  com a guerra cinética, de desgaste ou de baixa intensidade e - por vezes - de agressão brutal, para submeter países que não se vergaram ao seu domínio. 

Muitos países pequenos, que não constituem ameaça para o Ocidente, também estão sujeitos a ataques desestabilizadores: Geralmente, são países que se libertaram do jugo neocolonial. Esta dependência neocolonial fazia com que um país africano, rico em minério de urânio, recebesse apenas cêntimos por cada quilo de urânio extraído das suas minas, por exemplo. Outro, era forçado a aceitar a presença no seu território de forças militares das ex-potências coloniais, sob pretexto de combater o «terrorismo islamista». Na realidade, elas estavam lá para defender as empresas, fábricas, minas, etc. dos referidos antigos poderes coloniais. 

As pessoas, nos países-sede do Império,  estão a começar a acordar. A viragem para o militarismo, nestes países (EUA, Reino Unido, países da UE e da OTAN) é feita com o pretexto de combater a superioridade da tecnologia bélica dos seus adversários (China e Rússia, sobretudo). Mas, este rearmamento é realizado à custa da destruição das condições de vida das classes laboriosas dos países europeus, através da redução drástica dos financiamentos da Segurança Social, dos Serviços de Saúde Pública, da Educação Pública, etc. Os governos, prevendo a possibilidade de revoltas, reforçam as forças policiais, tanto em efetivos, como equipamentos. Estas forças têm «luz-verde» para usar toda a brutalidade para coagir, prender e maltratar os manifestantes.

Agora, os governos do Ocidente estão apostados em se equiparem com múltiplos instrumentos de vigilância e controlo permanentes. O foco principal dos sistemas digitais de IA incide sobre o comportamento «previsível», ou seja, de «prevenção de crimes»... Mas, para os governantes, será considerado crime «o não-respeito pela autoridade». 

As pessoas, individual e coletivamente, SERÃO O INIMIGO a  controlar e reprimir quando necessário, tanto nos países centrais do Império, como nos periféricos. 


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*) Foi mesmo desejada como um «Novo Pearl Harbour»

**) Veja-se, de novo, a Venezuela (durante mais de um quarto de século), com apoio dos EUA aos oponentes, financiados com milhões de dólares e apoio de agentes da CIA.




RELACIONADO:



Weaponizing Time – Part II: The Global Operating System of Western Power



Transnational Elites Are Engineering World War 3 | Nel Bonilla






PS1: Considere-se que, no intervalo entre as duas Guerras Mundiais (de 1918 a 1939), houve imensas guerras parciais, revoluções, guerras civis, golpes de Estado, de tal maneira que estes vinte anos foram tudo menos pacíficos....

Também é lícito considerar que, após a Guerra Fria que terminou em 1991, com a implosão da URSS, não tivemos um período de paz verdadeira: Pensem nas guerras do Iraque, da ex- Jugoslávia , nas invasões do Líbano por Israel, nas guerras étnicas em África que levaram a genocídios, Rwanda, Darfur, etc...

A partir de 2001, no novo milénio, sucedem-se as guerras desencadeadas pelo poder imperial americano, Somália, Afeganistão, Iraque, Líbia, Ucrânia, Síria,Gaza, Irão... Em todas elas se nota que não existe um fim, apenas se deixou de falar nelas na comunição social "mainstream": Elas continuaram a ser mortíferas e a produzir destruição de infraestruturas, sendo a causa das ondas de refugiados, etc.

Podemos considerar que - após o final da «Guerra Fria» e até hoje - nunca deixaram de existir focos de tensão, guerras locais e regionais, causando sofrimento para as populações e impedindo que os países atingidos arrancassem para o desenvolvimento. Estamos, desde 1991, no que eu designo como a «Época da Guerra Híbrida». Penso que deve ser vista como uma modalidade de Guerra Mundial (da IIIª).

As partes em conflito, são (esquematicamente) por um lado, o mundo ocidental, encabeçado pelos EUA e por outro, grandes atores globais (China, Rússia e outros), aos quais se agregam países produtores de matérias-primas. Esta partição não é linear, nem estática. Além disso, os focos de instabilidade e conflito estão espalhados por todos os continentes.

O Império luta para conservar a sua hegemonia; as outras potências procuram uma multipolaridade que possa dar-lhes assento «à mesa dos grandes».

Se os «radicais» dum lado e doutro prevalecerem, podemos passar da fase de Guerra Híbrida, à fase de Guerra de Destruição Final. A probabilidade de ser desencadeada uma guerra nuclear é bem maior do que muitas pessoas pensam. Este risco tem vindo a aumentar, perigosamente. Os líderes dos países ocidentais não parecem dar-se conta da seriedade dos riscos. Eles têm causado a sistemática destruição de acordos e tratados, firmados pela ex-URSS e seus aliados com os EUA e os seus aliados da OTAN. Os referidos tratados procuravam assegurar que uma guerra nuclear não fosse desencadeada, por um ou outro lado. Um cenário que se tem considerado agora muito mais provável, é o da guerra «por engano», ou «não desejada por qualquer dos lados». Se os canais de diálogo e da diplomacia não existirem ou não estiverem capazes de funcionar eficazmente, poderão não se desfazer os equívocos. Uma guerra nuclear pode acontecer !












sábado, 25 de outubro de 2025

MEARSHEIMER: PAZ SABOTADA PELOS GOVERNOS OCIDENTAIS

 


O Prof. Mearsheimer apresenta aqui um discurso notável: o seu realismo mostra como os dirigentes ocidentais falharam por ausência de estratégia. Um discurso que desmonta as retóricas e ações inconsequentes.

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Comentário de Manuel Banet:

Os políticos europeus, que dirigem os governos do Reino Unido, Alemanha e França, são tão medíocres e falhos de visão em questões internacionais, como ao nível interno. 
Durante decénios, o poder «liberal-democrático» habituou-se a governar à custa de slogans, de efeitos pirotécnicos, de «campanhas morais», etc... Sem dúvida, esqueceram as suas funções, os seus deveres principais como governantes. Mas, sobretudo, nunca estiveram confrontados com situações dramáticas, para eles próprios e para seus regimes. Na Europa (e no Mundo), vivem-se agora momentos trágicos e decisivos para o futuro, não apenas  do continente, como da humanidade.
Porém, os partidos de poder, que mais têm empurrado para a guerra, são liderados por medíocres. Por pessoas que, em situações trágicas e de grande perigo, não fazem senão perorar frases-feitas, de retórica vazia, como as que produziram durante toda a sua carreira. Isto é o que se pode esperar deles. Nem, ao menos, estão imbuídos duma qualquer visão histórica. Eles navegam ao sabor das conveniências. E as conveniências, digamos francamente, é manterem-se a flutuar na esfera do poder (enquanto governo, ou oposição), evitando a ira popular. O que mais temem, é que venham a conhecimento público suas inúmeras manobras  protegendo os interesses de grandes financeiros e industriais, e assim comprando a sua protecção. Não vou aqui demonstrar, de novo, como a chamada «democracia liberal», cada vez tem menos de «democracia», ou de «liberal». Alás, basta ver o que se passa nos países tidos como «faróis da democracia», naquilo em que se transformaram.
O fracasso consiste não só na guerra Ucrânia-Rússia, em si mesma, como no bloqueio da sua resolução, por via dum acordo de paz que confira estabilidade e segurança a todos os países europeus, incluindo a Rússia.
Este fracasso é inteiramente devido à pusilanimidade de chefes de governo, de altos responsáveis da OTAN e de toda a pseudo-elite que tem produzido campanhas de ódio e de falsificação dos factos no terreno. 
Qualquer pessoa, independentemente das suas convicções, deveria desprezá-los, pois eles causaram as conversações resvalarem duas vezes para o impasse, daí resultando a continuação da guerra e seus muitos milhares de mortos (1ª vez em Istambul, em abril de 2022; 2ª em Budapest em out. de 2025). 

A propaganda de guerra pode enganar um certo número de pessoas, durante um dado tempo; porém, nunca poderá enganar todas as pessoas, durante todo o tempo.

quinta-feira, 23 de outubro de 2025

JOHN MEARSHEIMER ANALISA A GUERRA UCRÂNIA-RÚSSIA [CRÓNICA DA IIIª GUERRA MUNDIAL, Nº50]


A lição que o Prof. Mearsheimer nos dá a todos, é memorável a vários títulos:

É a defesa apaixonada da realidade sobre a política de sentimentos
A retórica foi substituir as realidades no terreno, por dirigentes europeus e norte-americanos 
Não é com discursos que se modificam as realidades; é abordando as realidades sem viseiras
As relações dentro da Aliança Atlântica entre a parte europeia e dos EUA
Mostra-nos o que aconteceu à Ucrânia em resultado da  «cruzada moral» do Ocidente

... E muitos outros tópicos. 

Se juntarmos os pontos de vista deste prof. com a de vários membros (nos EUA) da comunidade de defesa e de inteligência, verificamos que existem muitas pessoas qualificadas, que articulam críticas de fundo à maneira como o poder presidencial se tem comportado desde o tempo de Obama, passando por Trump 1º , Biden e Trump 2º.
De facto, a OTAN e a UE estão em grave crise, experimentam divisões internas e um divórcio crescente com as populações dos respectivos países.  
Mearsheimer aponta o dedo para a crise moral, para a incompetência e apego ao poder das classes dirigentes destes países. 
Penso que a confiança é o capital que pode manter a aceitação pela cidadania da sua liderança, num contexto de «não-ditaduras totalitárias».  Porém, agora, todos sabemos, a confiança popular nos governos dos países da Europa ocidental desvaneceu-se. As sondagens não mentem: Os dirigentes dos mais fortes países da Europa ocidental (Reino Unido, França, Alemanha) estão com uma popularidade extremamente baixa, assim como a Presidente da Comissão Europeia, Úrsula von der Leyen. 
Nestas circunstâncias, a forma que eles encontram para se conservarem no poder, é  fazer com que passe uma imagem falsa, propagandística, de uma Rússia inimiga, agressiva, desejosa de se expandir a Oeste. Como esta e outras imagens de propaganada se vão desgastando, porque a realidade acaba sempre por vir ao de cima, a credibilidade dos dirigentes europeus aproxima-se de zero.
Como podem eles (elas) pretender mobilizar uma boa parte do continente para uma guerra, quando as populações recusam fazer sacrifícios porque sentem que o que lhes pedem é completamente absurdo? 
Na minha opinião, os dirigentes europeus globalistas decidiram fazer a guerra contra as próprias populações. Temos visto exemplos de terrorismo de Estado e subversão de quaisquer laivos de Estado de Direito que restem, para levar à guerra (e inevitável derrota) seus respectivos países. 
Não ficarão as presentes lideranças muito tempo no poder, pois a ilusão de «derrotar a Rússia» está a desfazer-se como um castelo de cartas. Bem depressa, espero, os povos vão acordar e perceber que os dirigentes estão desesperados, e que encontraram uma escapatória nesta política de «guerra à outrance».


quarta-feira, 1 de outubro de 2025

A «LÓGICA» DA GUERRA




A «lógica» da guerra não é muito complicada de se perceber. Mas, para tal, é necessário fazer tábua rasa dos argumentos sobre «quem fez isto, quem fez aquilo» e deixar de se atribuir responsabilidades, consoante as simpatias ou antipatias pessoais, ideológicas e outras.

Com efeito, a guerra é um encadeamento de atos preparados meticulosamente, determinados pelos poderes, que estão convencidos de que precisam dessa guerra para chegar aos seus fins. Só que estes fins nunca são claros, nem são enunciados de forma que permita ao comum dos mortais entender o que se passa. O processo atual da guerra está relacionado, como sempre, com uma disputa pela hegemonia. Antes, a hegemonia era relativa a um espaço limitado geograficamente. Mas, a partir da 1ª Guerra Mundial, de forma reeiterada com a 2ª Guerra Mundial e desde então, com a chamada «Guerra Fria», tratava-se de um jogo global, destinado a obter o controlo dos principais recursos do planeta, ou seja, alcançar  a hegemonia mundial. 

Nos dias de hoje, a hegemonia que esteve nas mãos dos EUA e seus aliados/vassalos da OTAN, durante algum tempo (desde 1991 até à primeira década do século XXI), tem sido posta em causa. Tal controlo tem escapado cada vez mais aos ocidentais. Antes, muitos deles possuíram colónias ou eram senhores de países neo-coloniais.

Tem-se registado a perda de influência no comércio mundial, dos países do «Ocidente» e o aumento de utilização de divisas próprias pelo Sul Global, neste comércio e destronando o dólar. No desenvolvimento industrial e na capacidade de inovar em domínios de ponta, os países formando o «coração» dos BRICS, têm mostrado o seu dinamismo. Este tem sido tal, que exercem uma atração sobre os múltiplos países do «Sul Global». Surge a esperança de um contexto internacional mais equilibrado. Um sem número de fatores mostram que o Sul Global e os BRICS são uma força económica e estratégica em ascenção e que o chamado Ocidente, está em decadência, em colapso mesmo, a julgar pelas revoltas que se multiplicam. 

Tipicamente, nos países cujos governos estão ameaçados, a oligarquia que os domina transforma as leis e dispositivos legais, reforça os instrumentos de repressão, de modo a que a cólera dos descontentes não se transforme em insurreição. Para guardarem as aparências, vão impor estas restrições com um pretexto, que é o mesmo, desde sempre: O inimigo externo, os agentes de subversão a soldo desse inimigo externo, a necessidade de mais despesas militares e de cortes nos orçamentos sociais, para fazer face à ameaça (que pode ser puro delírio) .

A UE, sob a batuta de Ursula Von der Leyen, está em estado de quase ruptura; certas oligarquias nacionais não estão dispostas a «ir para o fundo com o navio» e já começaram a criticar as medidas tomadas pela presidente (não eleita) da Comissão Europeia. 

As sondagens de opinião mostram que os povos não têm confiança nos seus líderes; sabem que têm sido utilizados como rebanho de ovelhas, sujeitos a lavagem ao cérebro, sobre «os maus dos russos, o terrível Putin, etc.» 

A guerra é a saída para a oligarquia eurocrática, porque assim poderá impor as restrições que quiser às liberdades e ao funcionamento das instituições nos seus países, poderá espremer ainda mais os trabalhadores e a classe média, para obter os fundos necessários para as forças armadas. Terá um meio muito prático para calar quem discorde destas medidas, acusando essas pessoas de serem agentes do inimigo, traidores que merecem a condenação à morte. Deste modo, será fácil intimidar os que, não estando de acordo com as políticas, não se sintam dispostos a desempenhar o papel de mártires. 

Nós todos podemos saber qual o momento em que uma dada guerra é desencadeada. Penso que todas as pessoas atentas concordam que as palavras de guerra estão em todas as bocas dos responsáveis políticos europeus.  Mas, ninguém pode prever quando uma guerra, seja ela qual for, irá terminar. 

As consequências mais terríveis duma guerra são para os pobres, para os trabalhadores, para as pessoas que não contribuíram para o estado de coisas presente. Por isso, é justo que a guerra - em si mesma- seja criminalizada: Os que a desencadeiam ficam nas suas poltronas, gabinetes, salas de imprensa, a fazer o papel de «chefes de guerra», como se fossem eles a lutar no campo de batalha. Entretanto, no verdadeiro campo de batalha (e fora dele, em «danos colaterais» envolvendo os não-combatentes), as pessoas são mortas, feridas, feitas em pedaços, mas pouco ou nada se fala delas; só para lhes dirigir palavras ocas de agradecimento, quando elas deram o que tinham de mais precioso, a própria vida. 

Não existe guerra justa, porque as guerras são fabricadas pelas oligarquias e destinam-se a ter os súbditos bem controlados. Os pretextos ideológicos, políticos, económicos, etc. são apenas pretextos. As somas gastas na guerra não servem para produzir mais riqueza, só servem para armas e munições e estas, ou ficam armazenadas, ou são utilizadas. Neste segundo caso, vão causar mais destruição de vidas e do que foi construído por gerações de trabalhadores pacíficos. Nenhum país pode melhorar sua economia com o chamado «Keynesianismo de guerra». É uma forma de levar as pessoas a acreditar que a guerra possa fazer sentido económico. Mas isto é uma enorme falácia!


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Relacionado:


PS1:

Veja o vídeo de 09 de Outubro de 2025 e repare como os factos relatados confirmam o que eu disse no artigo acima.


PS2: Leia o artigo abaixo, que nos dá a medida da evolução de um «Estado de Direito, democrático» para um «Estado de Excepção, totalitário»
https://www.rt.com/news/626425-eu-russia-war-scare/


PS3:

Prof. Jeffrey Sachs https://youtu.be/6-M2u6xMoGk?si=x8IwgUAjwbXc0-T3

sábado, 6 de setembro de 2025

FIM-DE-SEMANA EM VLADIVOSTOK

 Pepe Escobar faz a sua crónica do Fórum do Extremo-Oriente, em Vladivostok, Rússia. 

Uma arquitetura global alternativa à hegemonia dos EUA está a surgir e a semana que passou foi emblemática a esse respeito.






quinta-feira, 28 de agosto de 2025

CRÓNICA DA IIIª GUERRA MUNDIAL, Nº 48: Como os governos nos conduzem ao matadouro





A oligarquia que nos desgoverna, possui dois discursos, duas narrativas: - Uma, dirigida às massas, que se pode considerar obra de propaganda; é apenas o discurso conveniente para forçar a plebe a se curvar e aceitar os sacrifícios em nome da "paz, da democracia e da civilização ".

Claro que este discurso não tem nenhuma coerência com a acção política e governativa por eles realizadas. Nem tem que ter. Tal discurso destina-se a distorcer a realidade, a encurralar o espírito das pessoas num misto de afirmações falaciosas, que se substituem aos factos e de emoções que têm a sua raiz no medo resultante de representações fantasmagóricas do inimigo. Estas representações são, na maioria das vezes, projecções disfarçadas das intenções da oligarquia, mas atribuídas ao outro campo, aos inimigos.

- Mas, existe um outro discurso, que não consta nos media controlados pelo poder. Um discurso interno aos círculos da oligarquia. Este não se pode ler no sentido próprio. Ele nunca é explicito, nunca se traduz em palavras claras. Ele mantém-se restricto ao círculo fechado dos poderosos, nunca dai extravasa. Porém ele é legível para os analistas que não se deixam enredar em palavras, mas dedicam o seu tempo a analisar os factos; as acções concretas, não o palavreado que os criados do poder atiram como um manto, para encobrir as acções.

Laura Ruggeri avança com o conceito de «Thatcherismo de Guerra»; ela desmente que estejamos a regressar a um "Keynesianismo de Guerra " , como muitos têm afirmado de forma pouco rigorosa.

Penso que é um conceito com capacidade de nos revelar o verdadeiro intuito da classe dirigente, qual o seu verdadeiro objectivo em forçar a sociedade e a ecomia a se reconverterem, com explícita vontade de levar a guerra às fronteiras da Rússia.

Não irei adiantar mais, aqui, pois aconselho vivamente a leitura do artigo de Laura Ruggieri.




What we are witnessing in the West is not "Military Keynesianism", which was rooted in the post-World War II economic boom, but "War Thatcherism" — governments hype national security concerns to implement far-reaching neoliberal restructuring and fiscal austerity that would otherwise encounter significant resistance. This approach entails a deliberate reallocation of resources, shifting budget priorities from social welfare programs to military and defense-related expenditures — a reconfiguration of the economic landscape.

War Thatcherism involves more deregulation, privatization, and labour market flexibility (i.e. labour precarity and worker exploitation) under the pretext of national security threats while governments reduce their social obligations.

Take Germany as an example. Berlin is touting investment in defense R&D and manufacturing as a path to economic growth and competitiveness. It may promote growth in countries that have access to affordable energy resources, but this is definitely not the case of Germany, and the majority of EU countries, after losing Russian gas (“thank you, USA”)

Cuts to welfare programs will only exacerbate socioeconomic inequalities and undermine the foundations of societal cohesion, fostering alienation, resentment and dissent.

Dissent, whether expressed through protests, strikes, or other forms of collective action, provides authorities with a convenient justification for imposing draconian measures to curb political freedoms.

In the name of maintaining public order, EU countries will continue to expand surveillance, restrict the freedom of assembly, limit free speech, and enhance their repressive powers. These measures, invariably framed as ‘necessary to restore stability’, serve to bolster authority in the absence of true sovereignty and further erode whatever is left (very little!) of democratic norms and accountability.

▪️War Thatcherism is a fraudulent scheme that benefits transnational elites, impoverishes and enslaves Europeans. Once they are destitute, powerless and fully zombified, they can be turned into cannon fodder.

PS1 : VER TAMBÉM  ENTREVISTA DE SAHRA WAGENKNECHT:


sábado, 23 de agosto de 2025

DMITRI ORLOV FALA SOBRE A GUERRA NA UCRÂNIA - O GOLPE FINAL


 Para Dmitri Orlov não há dúvida que a sociedade ucraniana está destruída, para além de qualquer recuperação, pelo menos, na duração de nossas vidas. Já o falecido Gonçalo Lira e outros, apontavam o facto da demografia ter atingido um ponto de não retorno. 
Os neocons americanos e demais imperialistas, têm um plano de «repovoar» a Ucrânia com emigrantes de países que eles também destruíram ou ajudaram a destruir. Estes proporcionariam trabalhadores manuais para os projectos industriais, agrícolas e, sobretudo, de mineração (lítio, metais estratégicos...). Quanto à agricultura, com os solos mais férteis comprados por grandes empresas de agronegócio, seria baseada em adubagem química e aplicações de insecticidas, em culturas OGM. 
Não me espanta nada que , depois da destruição física deste povo, venha a fase da colonização, no duplo sentido de exploração dos autóctones e de importação de emigrantes e de colonos, de países africanos e do Oriente próximo. 

A Rússia não está interessada em ser «sócia» nesta empresa de neocolonização, por duas razões simples de se perceber: 

- 1º Seria acusada de  explorar e escravizar os ucranianos, levantando mais rancor, alimentando prováveis movimentos de sabotagem ou de guerrilha anti-russa. 

- 2º A imensidão da Rússia e a quantidade de riquezas minerais inexploradas são largamente suficientes para garantir um futuro de bem-estar para a população, se as referidas riquezas ficarem em mãos nacionais russas e controladas pelo poder político, de forma a não serem sujeitas à predação de capitalistas nacionais e internacionais.  

De qualquer maneira, aconselho-vos a ouvir Orlov. Dmitri foi viver nos EUA com os seus pais, quando menino e regressou à pátria russa há poucos anos. Tem numerosos livros, um dos quais é particularmente interessante, pois estabelece o paralelo entre a decadência e colapso do império americano e do império soviético: 

- Ele prevê que o caos e miséria nos EUA ultrapassem a catastrofe dos anos 1990 da Rússia pós-soviética, de predação pelos oligarcas (locais e internacionais). Nos anos da presidência de Bóris Iéltsin, a Rússia sofreu uma «hecatombe» populacional, devido ao brusco desaparecimento das estruturas sociais que sustentavam a população mais pobre, mais idosa...


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ALGUNS ARTIGOS SOBRE DMITRI ORLOV, NESTE BLOG:


DMITRI ORLOV SOBRE O PRESENTE E FUTURO


Dmitry Orlov & Jeffrey Sachs: DUAS VOZES DE PAZ