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quarta-feira, 10 de junho de 2026

NOS PAÍSES DA OTAN O FASCISMO NUNCA DESAPARECEU











A afirmação do título fundamenta-se com numerosos factos, dos quais muitos se podem documentar simplesmente com consultas à Internet em relação aos termos e expressões que eu utilizei. Mas, atenção: a Internet e o Youtube, em particular, estão saturados com falsificações da História. O método DOS FALSIFICADORES é dizer umas coisas verdadeiras, mas sem dizer a Verdade. 
A História oficialmente apresentada e ensinada é sempre «lavada e engomada», para lhe retirar as nódoas e saliências, reveladoras de factos contraditórios com a narrativa dominante.

D
1ª Numerosos nazis foram «salvos» do exército soviético triunfante, através de múltiplas vias de fuga, algumas organizadas pelo Vaticano e muitas pelos aliados Ocidentais, promovendo a «recuperação» de milhares de alemães através da operação organizada pelos serviços americanos e intitulada «Paperclip». No meio havia não poucos torturadores da Gestapo e das SS. Também havia médicos que faziam pseudo-experimentação científica nos campos de concentração (ao estilo do dr. Mengele). Se uns tantos foram para a Argentina e outros países da América do Sul, a maioria dos «resgatados» foi parar aos centros da CIA (chamava-se OSS na época), ou aos serviços de «inteligência» canadenses (em cooperação com o MI6 britânico). Muitos desses nazis obtiveram novos nomes, com dados de identidade fabricados, quer na América do Sul, quer do Norte.

2ª Na Espanha de Franco e no Portugal de Salazar, torcionários membros da Gestapo alemã foram acolhidos para ensinar os métodos de interrogatório e de tortura à polícias políticas, em ambos países.

3º Portugal foi membro fundador da OTAN em 1949. Uma organização que estava dirigida contra o bloco soviético e se vangloriava de ser «democrática». Ora, na verdade, Portugal tinha um regime autoritário semelhante ao fascismo de Mussolini, o «corporativismo». Nenhum dos governos dos outros países da OTAN, tinha dúvidas sobre isto, nem classificava o regime de Salazar como «democracia». No entanto, a OTAN apresentava-se sempre como «aliança defensora da democracia» e contra o comunismo.

4º Em nome da «defesa das democracias contra a ameaça soviética», foi organizada a «Rede Gládio», formada por grupos que tinham como função a resistência e sabotagens, na hipótese duma invasão soviética a países da OTAN.

Em Itália, nomeadamente, a rede Gládio levou a cabo atentados terroristas «de falsa bandeira», cuja autoria foi - falsamente - atribuída a grupos esquerdistas. A sua interferência em assuntos internos do Estado italiano foi múltipla e constante. Contribuiu para a desestabilização dos governos de centro-direita ou centro-esquerda.

5º Mas não foi só em Itália que houve interferências ilegítimas. Na Grécia, a OTAN organizou a guerra contra as forças comunistas e de esquerda que tinham lutado contra o invasor nazi. A monarquia conservadora instalada, foi sucedida por um golpe protagonizado pelos « coronéis» e início duma cruel ditadura fascista (sempre com o apoio da OTAN).

6º A OTAN, temendo uma vitória eleitoral comunista em Itália, forneceu armas, dinheiro e cobertura a grupos terroristas de extrema-direita (fascistas), com ramificações na loja maçónica P2, nas forças armadas, na polícia, etc. Tanto estas forças de extrema-direita como as chefias da OTAN, estavam preparados para pôr em prática uma campanha de desestabilização da Península Itálica, indo até ao golpe militar, no caso dos comunistas de Berlinguer obterem uma maioria dos deputados, capaz de formar governo.

7º Os fugitivos originários dos países do bloco soviético, URSS e  doutros países do Pacto de Varsóvia, eram acolhidos e integrados em serviços de espionagem e propaganda do Ocidente, principalmente na CIA (EUA) e no MI6 (Reino Unido) e noutros países da OTAN. Os papéis que lhes eram atribuídos, eram diversos: participavam em emissões rádiofónicas dirigidas aos países de Leste (Radio Free Europa e outros) e noutras ações de propaganda de cunho «anti-comunista». Porém, entre esses dissidentes do Leste, um bom número era criminoso de guerra: Tinham participado em chacinas de civis e de prisioneiros de guerra, de judeus, de comunistas e de resistentes... A CIA e o MI6 sabiam desses antecedentes, mas encobriam. Para os governos do Ocidente, isso não era grave; o importante era que eles servirem para múltiplas operações, incluindo sabotagens, contra os países do Bloco do Leste (para descrição pormenorizada, veja link:   https://www.kitklarenberg.com/p/how-the-cia-conjured-ukrainian-nationalism)

8º No Ocidente, a desnazificação depois de 1945, foi praticamente nula. Promoveram ex-oficiais nazis de alta patente em postos-chave da OTAN ( ver AQUI a história incrível mas verdadeira, do General nazi Heuzinger). Na função pública e noutros corpos do Estado da Alemanha Federal, praticamente não houve desnazificação. Esta foi levada a cabo, na Alemanha de Leste, pelo governo, na parte da Alemanha sob ocupação soviética. No Ocidente, a luta anti-comunista e anti-forças de esquerda, tornou-se muito depressa a primeira prioridade.

Além disso, a existência de grupos abertamente nazis foi tolerada (pelo menos, não os perseguiram) em muitos países da OTAN, ao longo de todos os anos pós-IIª Guerra Mundial. Até hoje, além de grupos que exibem uma ideologia extrema, nazista ou fascista, existem muitos outros, que se dizem «nacionais» ou «nacionalistas». Estes, possuem a mesma ideologia, programa e comportamento da extrema-direita, não têm qualquer problema em organizar-se e fazer sua propaganda racista e xenófoba, abertamente. Porém, esta propaganda é explicitamente contrária às leis e constituições de vários países da UE,  Portugal incluído.

A sistemática condescendência de forças políticas no poder, ditas «democráticas» e até de certa esquerda, historicamente anti-fascista, vai para grupos racistas, que perseguem os elementos isolados de emigrantes doutras «raças» (os «não-brancos»), dando-lhes pancada, matando-os ou ferindo-os gravemente. Agora, torna-se muito difícil processar e condenar tais grupos de criminosos, porque têm cumplicidades na polícia e no governo. Na extrema-esquerda não existe comportamento de gravidade equivalente ao dos acima mencionados grupos violentos de extrema-direita.

9º O golpe sangrento dito da «Praça Maidan» em Kiev, na Ucrânia em 2014, foi dirigido por elementos nazis, disfarçados de patriotas. Esta tática permitiu enganar, inicialmente, uma parte da população. Não enganou, com certeza, a OTAN e os governos americano e europeu, pois estes estiveram diretamente implicados no golpe: Eles sabiam quem estavam a colocar no poder, pessoas que idolatravam Stepan Bandera, colaborador dos nazistas, responsável direto e autor moral da execução de dezenas de milhares de pessoas (incluindo polacos, judeus e pessoas de esquerda...), nos territórios da URSS sob ocupação nazi. Esta ligação ao nazismo não foi dada a conhecer - antes foi ocultada - ao público ocidental.

10º Uma declaração do Parlamento Europeu, há poucos anos (2019), fazia a amálgama totalmente falsificadora , entre ideologias nazista e comunista. Declarava que o nazismo era totalitário, porém punha um sinal de igualdade entre o nazismo e o comunismo. Provocatoriamente, «exigia» que a Rússia se «arrependesse oficialmente dos crimes atribuídos a Estaline» e que a Rússia «se desfizesse» dos monumentos, erigidos em memória dos 26 milhões de mortos e dos seus militares, na IIª Guerra Mundial, como condição para ser admitida no «clube democrátrico europeu»!
A declaração - na verdade - não era dirigida contra os totalitários de extrema-direita, nem contra colaboradores dos fascistas e nazistas dos países da UE: Isto seria o mesmo que acusarem seus antecessores genéticos ou políticos, dos quais eram herdeiros. Este é o background de anti-comunismo fervoroso, de quem votou a declaração.
 É um exemplo de falsificação histórica* (*https://noticias.juridicas.com/actualidad/noticias/14569-memoria-historica:-el-parlamento-europeo-condena-los-crimenes-del-nazismo-y-el-comunismo/«Afirma la resolución aprobada por el Parlamento que Rusia sigue siendo la mayor víctima del totalitarismo comunista y que su evolución hacia un Estado democrático seguirá obstaculizada mientras el Gobierno, la élite política y la propaganda política continúen encubriendo los crímenes comunistas y ensalzando el régimen totalitario soviético y pide a la sociedad rusa que acepte su trágico pasado».)


11º A maioria das entidades governamentais e partidos parlamentares, nos países membros da UE, tem dado ao governo  da Ucrânia um apoio entusiástico e generosas ofertas, à custa do erário público dos países-membros e do orçamento da Comunidade, em armas, munições, equipamento e dotações financeiras. Este dinheiro tem enchido os bolsos das figuras principais do regime de Kiev. A UE tem feito entregas repetidas de ajudas incondicionais e muito vultuosas ao governo saído do golpe da Maidan, cujos membros se afirmam herdeiros de Stepan Bandera e da OUN. Esta última organização, era uma facção nacionalista ucraniana que alinhou - na IIª Guerra Mundial - com as tropas nazistas que invadiram a URSS (a Ucrânia fazia parte da URSS nessa altura). Os banderistas são autores de chacinas e genocídio de cerca 100 mil mortos, só em relação a nacionais da Polónia ! Estes polacos habitavam a região de Lvov. Os membros da OUN foram também responsáveis por inúmeras chacinas contra judeus, contra comunistas e resistentes.

12º Depois da derrota do nazi-fascismo em 1945, os fascistas/banderistas ucranianos foram recrutados pela CIA e outros serviços de informação ocidentais. Alguns trabalhavam em propaganda, dirigida por americanos, em Munique e noutros pontos da Europa. Vários ucranianos ao serviço da CIA foram infiltrados na URSS e em países do Pacto de Varsóvia, para recolha direta de informação e para actividades subversivas.

13º Em França, o Presidente Miterrand, para se manter no poder, desenhou uma estratégia de erosão da direita francesa «clássica», reconhecendo o direito ao «Front National» de Jean-Marie Lepen, concorrer à eleições. Assim, um grupozinho pouco conhecido, foi-se tornando mais e mais importante em votos, em activistas e em presença mediática. Isto, enquanto os socialistas iam revertendo, uma por uma, as medidas do «Front Comum de Gauche», maioritária e formando governo, desde os anos oitenta. É preciso lembrar que muitos dos lepenistas tinham um currículo colaboracionista conhecido, o que incluia participação ativa e apoio ao governo de Vichy (governo colaborador da Alemanha hitleriana). Vários, de extrema-direita tiveram participação ativa e apoio aos membros da terrorista OAS, que rejeitava a independência da Algéria e que organizaram e quase conseguiram ter sucesso, um golpe de Estado contra o governo legítimo da República francesa.

14º Em muitos países, a extrema-direita escondeu-se, enquanto afixar publicamente esta pertença significava um risco real. Assim, muitos elementos de extrema-direita entraram como membros de partidos de direita ou centro-direita, legais e institucionais; assim, elementos da direita mais extrema (mas disfarçados) foram frequentemente membros dos governos e grupos parlamentares,  em países da UE (França, Espanha, Portugal, Alemanha, Itália, etc). Evidentemente, esses elementos de ideologia fascista, não se afirmavam publicamente como tal: Diziam-se nacionalistas, de direita, anti-comunistas, monárquicos, etc... Formavam, em paralelo, organizações clandestinas, mas continuavam filiados em partidos de direita «clássica» que funcionavam como máscara e cobertura às suas atividades.

15º Os governos ditos «democráticos» da Europa Ocidental, depois da 2ª Guerra Mundial continuaram com seus impérios coloniais. Estes, não foram transformados em Nações independentes, de forma negociada, numa transição pacífica, mas pela luta armada, em muitos casos. Nas colónias do Reino-Unido, de Portugal, de Espanha, de França, e doutros... As tropas dos governos reprimiam da forma mais brutal os manifestantes, aos milhares. Muitos, dos políticos da metrópole das colónias tiveram uma reação desfavorável à exigência de autodeterminação avançadas como propostas de partidos e personalidades das colónias. Por exemplo, Salazar negou quando rebentou a guerra de guerrilha em Angola (1961), qualquer abertura negocial, por teimosia, mas sobretudo pelo arreigado princípio racista de que «as colónias não eram capazes de se auto-governar» e que «Portugal tinha o dever de impedir que caíssem nas mãos do comunismo internacional». Muitos casos houve de barbárie e de genocídio, pelas tropas coloniais, martirizando populações das antigas colónias, sobretudo em África e na Ásia, desde finais  da IIª Guerra Mundial, até hoje. As guerras atuais em África e na Ásia do Sul estão na continuidade histórica direta do período colonial. Podem considerar-se guerras provocadas pelo domínio neo-colonial, impedindo o desenvolvimento de vastas regiões e das numerosas populações. Certamente, não se pode ser democrata «em casa» e colonialista ou neo-colonialista no exterior.

16º O nazi-fascismo tem tido cobertura das correntes mais militaristas na OTAN. Nesta organização, os governos mais poderosos não agem assim por "capricho": A extrema-direita tem sido muito útil, na medida em que aterrotiza grupos de emigrantes, de sindicalistas e de militantes de esquerda. Ela tem sido um braço repressivo, à disposição dos governos que querem manter uma fachada democrática, ao mesmo tempo que se abate o terror contra os opositores, através dessa extrema-direita. 
A «incapacidade  dos governos em reprimir» essas organizações é totalmente falsa. Os poderes usam as polícias nalguns casos; noutros casos, é mais vantajoso darem luz verde, discretamente, a esses tais grupos, pois os governos não podem ou não querem a recorrer a métodos ilegais. Esta, a verdadeira razão porque não destroem os grupos fascistas ou de extrema-direita violentos. Os governos têm meios e legitimidade para fazê-lo. Porém, eles servem-se de terroristas fascistas para golpear os opositores de esquerda.

sábado, 23 de maio de 2026

40 ANOS DESDE CHERNOBYL



 Abril de 1986, na República Socialista da Ucrânia, então parte integrante da URSS, ocorre o acidente nuclear mais devastador, até hoje. O preço humano do acidente, que «não devia ter acontecido», é muito pesado. Numerosas pessoas morreram de imediato, tentanto minorar o resultado da explosão; outras, ficaram com cancros. A nuvem radiativa espalhou-se para além de Chernobyl, para a Bielorússia e mais além. Numa extensão enorme, desde a tundra na Suécia, às costas do Altântico, os níveis anormalmente altos de radiatividade, impediam que se fizesse a colheita de plantas e frutos, que se comessem animais terrestres selvagens e peixes.



Mas, para além da catástrofe natural, também foi uma catástrofe para a nomenclatura soviética. Gorbatchov que, desde algum tempo, era Secretário Geral do PCUS e Presidente da URSS, compreendeu que a junção de Chernobil e do desastre da campanha militar soviética no Afeganistão contra os Mudjahedin, eram sinais dum fracasso sistémico, impossíveis de disfarçar. A sua tentativa de reforma acelerada, para um Estado revitalizado, integrando os princípios da autonomia e da responsabilidade individual, foi gorada. A reforma desde cima foi vencida pela passividade dos aparelhos do partido e do Estado, marcados pelo conformismo e pela corrupção.
A impossibilidade de acompanhar a revolução informática do Ocidente e seus aspectos mais sensíveis - indústrias informáticas marcantes para todos os outros sectores industriais, incluindo os sectores militares - foi vista com realismo pela cúpula do Estado soviético. Poucas pessoas no Ocidente têm em conta o facto de que a própria «elite» do regime estava descrente dos resultados teóricos e práticos do socialismo na versão soviética.
Foi essa consciência, mais do que uma pressão direta dos EUA e OTAN, que levou os dirigentes soviéticos (e em particular Gorbachov), a desencadear uma série de iniciativas diplomáticas para pôr fim à Guerra Fria.
Entretanto, deu-se o golpe gorado da ala mais conservadora do poder soviético, em 1991, cujo resultado foi a ascenção de Ieltsin, e a «desmontagem» da URSS. Esta história também está, em geral, muito mal contada. A instalação de repúblicas autónomas, reformando mais ou menos, seus sistema político e económico, foi consequência dos acontecimentos de 1986-1991. Foi uma grande transformação, embora, por vezes, velhos poderes tenham permanecido, travestidos em «democráticos», vendendo o património dos Estados respectivos a quem os quis comprar e consolidando assim a sua posição. Não foi com certeza algo que tenha entusiasmado os jóvens com ideias generosas de liberdade e de socialismo.
Quanto ao complexo militar-industrial americano e europeu, alinhado com o pensamento estratégico dos neocons (PNAC), quis aproveitar para desmantelar tudo o que fosse potencial obstáculo para a tomada neocolonial dos territórios da ex-URSS, para daí extraírem as riquezas e subjugarem os governos e populações, de modo a que não pudessem eventualmente erguer-se contra o Império americano.
A teimosa política de confrontação para demolir e «balcanizar» a Rússia tem vencido no debate político do Ocidente, nestes mais de trinta anos. Existem variadas correntes e figuras de oposição aos neocons, por exemplo, o prof. Jeffrey Sachs e outros, que desejam levar a cabo um verdadeiro desarmamento. Propõem uma relação construtiva das várias nações - cada uma com os seus interesses próprios - mas aceitando a existência dos outros. São - muitos deles - militares de alta patente, diplomatas, universitários americanos.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

KHACHATURIAN - Masquerade Suite [Segundas-f. musicais Nº44]

 



                                          https://www.youtube.com/watch?v=6NTdPMRhKXI

Para acompanhar o fim do ano de 2025, uma suite de Khachaturian , designada "Masquerade": Pareceu-me adequada, não apenas musicalmente, também enquanto ilustração literal* de certos momentos do  ano de 2025 .
A suite inicia-se com uma valsa, que faz pensar na Valsa n°2 da "jazz suite" de Shostakovich, embora as duas sejam muito diferentes. Na realidade, o que as une, além de ambas terem sido compostas por autores soviéticos, é terem sido compostas para certos filmes e posteriormente terem sido «recicladas» noutros filmes.
O compositor arménio é recordado, sobretudo, pela "Dança dos Sabres". Porém, a sua vasta produção tem sido relegada a um quase esquecimento. Vários compositores de talento são vítimas deste tipo de injustiça - o conjunto da obra é ignorado,  enquanto apenas uma peça se torna célebre.
Khachaturian, por sinal, tem uma rica e diversificada obra. É o compositor da Arménia mais importante do século XX. Ele incorporou nas suas obras traços de folclore da Arménia, do Cáucaso, da Europa do Leste e Central.
Neste blog, temos dado a conhecer o célebre e o obscuro, sempre guiados pelas nossas preferências estéticas. Assim, esta obra de Khachaturian parece-me perfeitamente adequada para a rubrica «Segundas-f. musicais».
Abaixo, alguns links que permitem conhecer a biografia, assim como algumas das obras do grande compositor arménio.
Vale a pena aprofundar o conhecimento da obra de Khachaturian.






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*Faz-me pensar em mascaradas de alguns governos, bastante letais, pois prolongam a guerra!

quinta-feira, 5 de junho de 2025

O OCIDENTE E A SÍNDROMA DE NEGAÇÃO DA REALIDADE

Na guerra híbrida que os países da OTAN têm constantemente levado a cabo contra a Rússia, sobressaem as ações desestabilizadoras nos países  fronteiriços. Esta desestabilização conduziu à situação presente da Ucrânia. Esta ingerência antecedeu de 8  anos, pelo menos, a invasão russa de 2022. Desde o golpe de «Maidan» em 2014 (e até muito antes), a OTAN tem fomentado a guerra contra a Rússia. Não esqueçamos que os países da OTAN promoveram a «revolução colorida» em 2005, a qual levou ao poder Julia Timochenko, chefe do governo mais fanaticamente anti-russa. As raízes deste ódio são complexas e têm que ver com a história conturbada da Ucrânia no século passado. Mas, a situação foi aproveitada por agentes da CIA e do MI6, para a desestabilização deste país, na era pós-soviética. 

Este fanatismo anti-russo não é um mero «nacionalismo», como é designado por muitos, na media corporativa: Tem muita relação com  os elementos «banderitas». Lembremos que Stepan Bandera foi erigido em herói pelo atual regime de Kiev. Durante a IIª Guerra Mundial, o movimento que ele liderou foi aliado das tropas hitlerianas que invadiram a URSS. Ele ordenou chacinas de dezenas de milhares de judeus, polacos e russos. Vários elementos banderitas mantiveram-se ativos, na clandestinidade ou no exílio, durante o período pós IIª Guerra Mundial. Vários trabalharam para a Rádio Voz da América, ou Rádio Liberdade, ou enquanto agentes da CIA. 

O «sonho molhado» dos imperialistas anglo-americanos e dos políticos europeus alinhados com os neoconservadores de Washington, é o de desmebrar a Federação Russa. Supostamente, ela seria uma «ameaça para os ex-Estados soviéticos», que se tornaram independentes após a dissolução da URSS em 1991. Não existe o menor desejo de Putin ou de qualquer força política atual na Rússia, de «reconquista» das ex-repúblicas soviéticas. É mais uma das falsidades repetidas nos media ocidentais apostados em diabolizar o presidente russo e o seu governo. Todos sabem, na Rússia, que uma tal expansão só traria problemas, e sem qualquer vantagem. Mas, pelo contrário, a Rússia está perante uma longa guerra híbrida, levada a cabo pelo Ocidente, de conquista e «balcanização» da Rússia, para se apoderar dos recursos naturais abundantes, que ela encerra. 

Estes políticos do Ocidente estão na origem da guerra russo-ucraniana e do seu prolongamento. Eles servem-se de Zelensky como de um fantoche. Hoje, é claro para todos que a continuação desta guerra não favorece a população ucraniana. Aliás a guerra, desde o início, recebeu o apoio de toda a ordem (financiamento, equipamentos, armas, apoio logístico, treinos, tropas especiais no terreno para operarem mísseis...) dos governos Norte-Americanos e Europeus, da OTAN. 

Mas, estes não souberam avaliar a situação concreta. Talvez tenham acreditado na sua própria propaganda: De que o governo de Putin estava numa situação frágil, que ele iria confrontar-se com o descontentamento popular crescente, perante as dificuldades económicas originadas pelas sanções e guerra económica levadas a cabo pelos países do Ocidente coletivo. 

De facto, as coisas não se passaram como tinham previsto os atlantistas.  Os governos dos países da OTAN são os máximos responsáveis pelas desgraças do povo ucraniano. São os piores inimigos deste povo. Eles não querem saber do futuro da Ucrânia e da sua população; só lhes interessa que ela desempenhe o papel de «ariete» contra a Rússia, como eles próprios afirmam. Mas, a realidade, queiram ou não, é totalmente outra. 

As referências abaixo, ajudam-nos a compreendeer o enorme atoleiro em que foram metidos os países da OTAN e da U.E. pelos seus belicosos dirigentes.

Leia o artigo abaixo:

https://www.moonofalabama.org/2025/06/the-defeat-of-the-west-and-its-dislocation.html#more 

 E consulte os links com análises por Emmanuel Todd,  John Mearsheimer   Alastair Crooke 



(Caricatura de 1812, ilustrando a retirada da Rússia de Napoleão, em que este dita um boletim completamente fantasista da situação)


PS1: O embaixador Chas Freeman é reformado, mas muito lúcido: infelizmente, o establishment - tanto de Joe Biden , como de Donald Trump - não o ouve, não o compreende. Estamos num momento de «não-diplomacia», na altura mais perigosa das relações internacionais, com um crescendo de risco de deriva nesta IIIª Guerra Mundial. Pode haver uma generalização incluindo a guerra nuclear: https://www.youtube.com/watch?v=9t2zZBKOmcU&t=2421s

quarta-feira, 28 de maio de 2025

UMA VISÃO REFRESCANTE SOBRE A EVOLUÇÃO DO MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO COMUNISTA

 


Richard Wolff, prof. universitário nos EUA, tem sido um divulgador do marxismo e das ideias associadas ao socialismo e ao comunismo. Porém, a sua inteligência permite-lhe ver para além das fronteiras ideológicas. A sua análise dos fenómenos económicos, sociais, culturais e políticos nunca é inteiramente conforme com o canon ortodoxo do marxismo-leninismo. Tem um vasto conhecimento da História, não apenas da disciplina de Economia, que lecciona.

Pode-se estar ou não de acordo com as suas posições fundamentais, porém, ele é totalmente sincero e as suas intervenções no Youtube, quer a solo, quer em diálogo, são uma ocasião única de ver a paisagem dum modo diferente da narrativa dominante. 

A transição para um «Estado socialista» na URSS e depois nos sucessivos países que foram (e alguns continuam a ser) designados como «socialistas», não é real. 

A própria visão de Lenine, segundo Richard Wolff, era de que a URSS tinha de construir as bases para o socialismo, através de um regime de «capitalismo de Estado». 

Este, acabou por se transformar num capitalismo de Estado burocrático, onde não havia possibilidade de evoluir para algo que se pudesse chamar de socialismo. Parto do princípio que o socialismo designa um regime onde os trabalhadores têm o controlo do poder de Estado e que - ao nível das empresas - são eles diretamente, ou por delegação, que decidem sobre todos os aspetos da gestão: Neste socialismo (como eu o concebo), não havendo propriedade individual dos meios de produção, também não haveria uma casta (a nomenklatura) que substituísse o patronado, a qual decidiria sobre tudo. 

Deparando-se com um sistema cada vez mais disfuncional, com maior atraso tecnológico em todos os setores produtivos, este causava uma paralisia da própria sociedade. Em vez de vir de baixo, das classes laboriosas, o rumo era traçado autoritariamente pela cúpula do partido comunista (o politburo), sendo depois transmitido por uma cadeia hierárquica de comando, até aos produtores. Estes, tinham de se conformar com as diretivas, por vezes absurdas, que vinham do alto. 

Foi na época de Gorbatchov que estas insanáveis contradições se tornaram demasiado óbvias: Os próprios aparatchiki, a começar por Gorbachov, já não acreditavam no próprio modelo que apregoavam; sabiam, por informações de primeira mão, como o sistema estava pobre e não era «reformável». Tentaram ainda assim uma reforma, porém esta tentativa foi desencadear forças centrífugas demasiado grandes, que derrubaram o «império soviético». 

Foi uma implosão, de que tomou nota a casta dirigente do regime chinês. Este era herdeiro do maoismo, o qual se filiava na vertente  mais chauvinista do comunismo, o estalinismo.

O mecanismo de substituição de um regime de tipo soviético pelo sistema misto de capitalismo de Estado, com uma componente importante de capitalismo privado, não se fez sem sobressaltos. Foi a experiência dolorosa da rebelião da Praça de Tien An Men, que não teve possibilidade de injetar uma dose de democracia nas estruturas «comunistas» burocratizadas. As hierarquias do partido e do exército retomaram o controlo com toda a brutalidade. 

Depois, houve uma fase em que o regime se ofereceu (literalmente) para servir os capitalistas internacionais que quisessem investir e explorar a classe trabalhadora chinesa. Não só esta classe estava destituída de qualquer poder sobre as suas vidas, como nem sequer podia fazer valer os seus direitos.

Foi assim que se deu a acumulação de riqueza no Estado totalitário chinês, com benefícios miríficos para a classe capitalista internacional. Esta, pôde assim baixar acentuadamente os custos de produção, graças aos salários chineses, dez vezes mais baixos que os equivalentes no «Ocidente».

Agora, o Estado muito repressor, que distribui aos capitalistas locais os «nacos» mais saborosos da exploração do seu próprio povo, não decidiu ainda encerrar muitas das empresas estrangeiras que se instalaram na China, desde há 30 anos. Mas, progressivamente, o capitalismo na China vai ser protagonizado por empresas chinesas, quer sejam estatais, ou de capitalistas locais. Provavelmente, continuará a haver algum capital estrangeiro investido em parcerias com o Estado, visto que  estes acordos são tipicamente de longa duração.

Pessoalmente, não me impressiona muito que a China se tenha erguido durante estes 35 anos ao nível de nº 2 ou mesmo nº1 em certas áreas ao nível mundial. Vendo as coisas com olhos objetivos, desde os anos 50 até 80 sob o comando de Mao e de sua clique,  a China estagnou: Podemos compreender que o pior mal foi feito pela casta dirigente, não obstante o nível muito baixo de que partiu a estrutura produtiva e o facto incontestável da guerra híbrida que o imperialismo dos EUA levou a cabo nestes anos. 

O paradoxo, neste caso, é que a própria direção do Estado e do partido oferecem à classe capitalista internacional (e agora também aos capitalistas nacionais da China) uma enorme oportunidade, com um enorme «bonus», que permitiu que este mesmo capitalismo fizesse a transição de economias industriais, para economias de serviços (financeirização da economia).

A exploração da classe laboriosa chinesa veio beneficiar principalmente a casta dirigente do partido e os capitalistas nacionais e internacionais. O bemestar relativo da classe trabalhadora chinesa é inegável, mas temos de ter em conta que se, nos últimos 30 anos, o nível de remuneração melhorou duas ou três vezes (200 ou 300 %), a produtividade global no setor industrial aumentou cerca de 20 vezes (2000 %)! Era impossível manter a classe  trabalhadora na miséria, pois esta iria virar-se contra o poder e talvez encetar uma revolução proletária a sério. O custo de manter a classe trabalhadora chinesa sossegada, trabalhando com afinco para melhorar a sua condição individual e da sua família, tem sido incrivelmente baixo, dado o diferencial entre o que recebe o povo em salário médio e os lucros obtidos pelos capitalistas.

segunda-feira, 12 de maio de 2025

O SUICÍDIO DA UNIÃO EUROPEIA


Agora é mais claro do que nunca: A Comissão Europeia de Bruxelas, assim como a maioria dos governos nacionais dos países que compõem a União Europeia, formam um conluio de burocratas. Quer sejam eleitos pelos respetivos povos, quer não, consideram-se «titulares» dos cargos, do mesmo modo como os aristocratas, no passado, consideravam que seus títulos e os privilégios que lhe estavam associados lhes eram devidos. Ou, talvez como os aparachiks soviéticos e dos restantes países dos Pacto de Varsóvia se consideravam elite, interpretando a vontade do proletariado, exercendo - em seu nome - uma gestão da coisa pública de tal modo aberrante, que os regimes foram para o colapso.

Pois a União Europeia deve ser vista sob o mesmo prisma. É uma oligarquia de políticos, homens e mulheres de negócios e de burocratas. Esta reduzida casta dirigente não é muito diferente da nobreza parasitária, ou da mais recente casta, conhecida por «nomenklatura».

No quotidiano ou nas grandes questões, são sempre eles que decidem: Seja na Comissão de Bruxelas, nos Conselhos de Ministros Europeus, ou no Parlamento Europeu. Quase nunca existe um input claro e direto da cidadania europeia, a qual é arredada dos mecanismos de debate e de decisão. Nos raríssimos casos em que há apelo à decisão popular, caso dos referendos, veja-se o que fizeram com os votos desfavoráveis e maioritáros de várias nações (Dinamarca, Irlanda, Holanda, França...), aquando dos referendos sobre Maastrich e sobre a Constituição Europeia.

A tomada de posição desta casta, perante o trágico conflito na Ucrânia, tem-se pautado por um belicismo exacerbado, extremista, contra a Rússia. Porém, o que tem feito a casta não foi nada para favorecer os ucranianos, visto que tudo tem feito para prolongar a guerra, onde milhões de russos e ucranianos morreram e continuam a morrer. Quando Boris Johnson, a mando de Biden, foi dissuadir Zelensky de ratificar o acordo com a Rússia em Março-Abril de 2022 em Istambul, a generalidade dos eurocratas aplaudiu, entusiasta.

A pose belicista dos dirigentes contrasta com a postura mais cautelosa das populações: Há uma insatisfação profunda e crescente, com a forma como a UE e suas figuras principais se têm comportado.

Sabemos que existe uma raiva patológica anti-Rússia, avivada por setores dos países ex-membros do Pacto de Varsóvia. Mas nestes  como noutros países-membros da UE, tem havido um condicionamento massivo, originado nos círculos dirigentes da OTAN, dirigido às próprias populações. «Se criticas os governos da UE é porque és putinista». Esta exclusão e agressão ideológica de uma parte da cidadania, porque ela não partilha o ponto de vista dominante, é já em si mesma, um sintoma claro de deriva autoritária. Mas as coisas não ficaram por aqui.

A deriva autoritária passou de condicionamento psicológico a instrumentalização do sistema financeiro europeu e, mesmo, das poupanças dos cidadãos. O ECB foi instrumentalizado, claramente, para apressar a transição para o euro digital (CBDC). A decisão do ECB foi coordenada com o anúncio recente de Van Der Leyen, segundo o qual a UE irá criar um «fundo para o rearmamento», utilizando as poupanças de milhões de pessoas, em maioria, reformadas que se vêem assim forçadas a subsidiar o complexo militar industrial europeu com as suas poupanças. Não haverá  escapatória: impossível  esconder as notas de euros "debaixo do colchão", visto que já não haverá euros em papel, somente euros digitais e programáveis.

Se um livro descrevesse a UE no seu estado atual, há uns vinte anos atrás e fosse apresentado como obra de futurologia eu diria, se a tivesse lido nessa altura, que a obra tinha imaginação, mas - enquanto previsão sociológica e política - era um bocado inverosímil.

É preciso, de vez, abandonar a ideia de que as elites estão no poder para nos servir, para concretizar aquilo que nós pensamos ser justo e positivo. Para mim, estas elites são duplamente criminosas, pois desbaratam o capital acumulado, não apenas no sentido próprio, mas também no sentido simbólico.

Ou pior ainda; quem vê as aberrações, os crimes e as conivências monstruosas de tais «democratas» europeus, pode confundir a essência da democracia com este triste espetáculo. Muito perigoso, pois só pessoas cultas e bem informadas, conseguem fazer a destrinça entre a prática democrática autêntica e o autoritarismo travestido de «democracia», que nos oferecem.

As derivas autoritárias proporcionam o desencanto com a democracia e têm sido o esteio para fascismos, tanto do passado como do presente. As lideranças da UE desbaratam o nosso futuro. Só seremos povos livres e soberanos neste espaço europeu, quando soubermos fazer o que seja preciso, para acabar de vez com esta UE falhada, tão falhada como a URSS.

Veja o vídeo abaixo, com o excelente diálogo entre Yanis Varoufakis e Glenn Diesen: New Economic World Order & Europe's Suicide

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Foi necessário um enorme apagão - que afetou sobretudo os dois países ibéricos - para se saber a enorme leviandade dos decisores da política energética da UE, castigando os cidadãos, as empresas e portanto, afetando o desenvolvimento de todos os países da Rede Elétrica da UE. O lobi "da energia renovável " e o apagão ibérico

sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

A CREDIBILIDADE DUMA SUÍÇA NEUTRAL

 


Jean Daniel Ruch, o embaixador suíço reformado é entrevistado por Pascal Lottaz (Neutrality Studies). Ele dá-nos muita informação e contextualização das recentes falhas de diplomacia. Estas conduziram ao estado de «neo Guerra Fria» em que vivemos hoje. 

Além dessa constatação, ele advoga um papel ativo dos cidadãos para construção de uma verdadeira neutralidade. Propõe criar-se uma base sólida para futuras conversações de paz. Este «clube» ou «rede» informal, poderá ajudar. Para além deste objetivo, um conjunto de países neutrais pode ser como um «lubrificante» para conversações entre as principais potências com vista obter-se sólidas garantias de segurança colectiva. Esta era a intenção inicial, com a criação OSCE. Tal evolução no continente europeu, teria efeitos globais; facilitaria o caminho para a paz mundial.

segunda-feira, 14 de outubro de 2024

COMO SE INSTALOU A DOUTRINA DO «MUNDO UNIPOLAR»? PROF. J. SACHS

                                            


Se quer compreender como se instalou a doutrina dos EUA imperiais, que tinham a força e legitimidade para «guiar» o Mundo, oiça entrevistas pelo excelente e bem documentado Prof. Jeffrey Sachs. Ele é o mais credível economista americano para falar sobre estes assuntos, pois participou na desmontagem do sistema soviético, na época imediatamente após o colapso da URSS. Ele era conselheiro do presidente russo Yeltsin. Retrospetivamente, ele compreende a catástrofe a que foram sujeitas as populações russas e de outras etnias da ex-URSS.

Se ele choca, é porque as pessoas têm estado banhadas - no Ocidente - em narrativas propaladas pela media «mainstream» e são assumidas pela generalidade dos políticos no poder, nos EUA e nos seus vassalos da OTAN.

Se tiver de ver apenas UM vídeo sobre geoestratégia, que seja este: Porque ficará munido com os dados objetivos sobre as últimas décadas e com uma direta relação com os conflitos que se desenrolam hoje!

domingo, 14 de julho de 2024

CONEXÃO ENTRE ALTAS PATENTES HITLERIANAS E A OTAN


Nós sabíamos da História do século XX, que a OTAN foi formada no início da guerra fria (o Pacto de Varsóvia formou-se em reação à chamada Aliança Atlântica). Sabíamos também que a OTAN, desde o início albergou ditaduras, nomeadamente a de Salazar, apesar de se apresentar como «aliança de países democráticos, face ao perigo totalitário vindo de leste e em particular, da URSS». Não ignorávamos também como acolheu favoravelmente sucessivos golpes antidemocráticos na Turquia e na Grécia.

Tem sido bastante divulgada ultimamente, a «operação Paperclip» pela qual os americanos «salvaram» , não apenas cientistas que trabalharam para o regime nazi, como Von Braun, também torcionários que foram ensinar as técnicas de interrogatórios à CIA e a ditaduras do cone sul da América e também na Escola da PIDE, em Portugal.

A desnazificação da Alemanha ficou inteiramente no papel, a Oeste. Não houve preocupação em limpar os quadros da função pública, da polícia, do exército, dos elementos comprometidos com o regime hitleriano e seus numerosos crimes contra os povos invadidos e contra o seu próprio povo.
A chamada «luta contra o comunismo» era a alegada justificação para todo este branqueamento. Mas, de facto, os responsáveis nazis reconvertidos em democratas foram imprimir um ódio visceral em várias gerações, contra tudo o que fosse soviético, russo ou comunista.

Em resumo, desde que fossem anti-soviéticos, anti-comunistas, tudo lhes era perdoado, tanto os crimes do passado, como os do presente. Tinham rédea livre para organizar células terroristas nos países da OTAN (como o grupo «Gládio» e seus crimes em Itália) para prevenir a mudança dos países ocidentais para o campo «vermelho».

Hoje, com os discursos histéricos e belicistas do secretário-geral da OTAN, Stoltenberg e de muitos membros, incluindo chefes de Estado e de governo, parece que recuámos 75 anos, à data da fundação da OTAN, que tinha declaradamente por missão «salvar o ocidente do perigo vermelho». É esse discurso rançoso e rancoroso que eles reciclaram há pouco tempo e nos impõem agora, para justificar a deriva belicista contra outras potências (Federação Russa, República Popular da China), que eles vêm como ameaças.

O psicopatas estão realmente presentes em todos os quadrantes e sectores, de todas as sociedades: Porém, acho que existe uma concentração perigosa no topo das hierarquias civis e militares dos países que enformam a OTAN. As pessoas são selecionadas para cargos de responsabilidade, sobretudo pela sua fidelidade a determinada ideologia - um aglomerado de posições pró-capitalistas e anti-socialistas, englobando traços de ódio a determinadas etnias - mais do que pelo seu valor e inteligência.

O caso do membro do Estado-maior de Hitler, Adolf Heusinger pode parecer uma exceção mas, de facto, ele é apenas um dos casos resultantes do branqueamento de pessoas com passado nazi, pela Alemanha ocidental e pela OTAN.

Transcrevo na íntegra a notícia do site «www.dispropaganda.com». Boas leituras.

Original em:



Mar 24, 2017


Adolf Heusinger and the Hitler - NATO connection.




General Adolf Heusinger was Adolf Hitler's Chief of the General Staff of the Army during World War II. With the outbreak of the Second World War Heusinger accompanied the German HQ field staff and assisted in the planning of operations in Poland, Denmark, Norway, and France and the Low Countries (coastal region in western Europe, consisting especially of the Netherlands and Belgium). He was promoted to colonel on August 1, 1940 and became chief of the Operationsabteilung in October 1940, making him number three in the Army planning hierarchy . In 1944 Heusinger assumed office as Chief of the General Staff of the Army. In this capacity, he attended the meeting at Adolf Hitler's Wolf's Lair on July 20, 1944, and was standing next to Hitler when the bomb planted by Claus von Stauffenberg exploded.


Heusinger (on the left) meeting with Hitler. After the war, this German war criminal, the man who helped Hitler plan and execute his invasion of neighboring countries, was not even put on trial, quite contrary he was allowed to take over the newly established West German army, the "Bundeswehr". This was not a unique event, but a very common phenomenon in post WW2 Western Germany. Nazi war criminals and people who supported and helped Hitler to carry the holocaust and other crimes against Humanity were never put on trial for their crimes against the Jews, the Poles, the Russians and the people of Europe, but instead were installed in top positions in the western German government, army, industry and western German society at large. Many former Nazis served in the new German military, media and government, attaining high offices. They also rebuilt western Germany, with the generous help of billions of dollars of US taxpayers money under the “Marshal Plan”, and became an integral and founding part of the “new” German elites which ended up ruling the “new” Germany, which was basically the same old Germany, just rebranded. In 1950, Heusinger became an advisor on military matters to Konrad Adenauer, the first Chancellor of West Germany, and with the establishment of the West Germany Armed Forces (the "Bundeswehr") in 1955, Heusinger returned to military service, and was appointed as Generalleutnant (lieutenant general) on November 12, 1955. Shortly thereafter, in June 1957, Heusinger was promoted to full general and named the first Inspector General of the Bundeswehr ("Generalinspekteur der Bundeswehr"), and served in that capacity until March 1961.


Adolf Heusinger as head of the West German army (1960)

In 1961, Heusinger was made the Chairman of the NATO Military Committee (essentially he was NATO's chief of staff). He served in that capacity until 1964. So instead of facing trial and paying for the crimes he committed, this war criminal who personally signed orders to murder allied POW's during the war, this human trash that helped Hitler plan and carry out the atrocities and war crimes that the German army perpetuated in Europe and Russia, this psychopathic murderer was allowed to rebuild the West German army and later to become one of NATO's heads in Europe.

Sources:


domingo, 21 de janeiro de 2024

O SÉCULO DA DERROTA DO OCIDENTE

[OLHANDO O MUNDO DA MINHA JANELA, PARTE XVIII] 


Como qualquer poder imperial que tenha tido no passado uma expansão, o poder dos EUA, que é designado eufemisticamente por «Ocidente», está agora em declínio acelerado. Não será como a implosão da URSS, um colapso súbito, será antes um progressivo desmembrar das estruturas internas e internacionais que mantinham o sistema coeso. Esta progressiva perda de prestígio e de influência, são característicos de um Império em decadência. Esta, pode durar varias dezenas, ou mesmo, centenas de anos, nalguns casos. Mas, qualquer que seja o ritmo a que se produzem os fenómenos, eles são caracterizados por um abastardar dos valores. Contrariamente ao que uma mente imbuída de materialismo mecanicista poderia imaginar, aquilo que começa a enfraquecer, não são as estruturas materiais: as bolsas ocidentais podem continuar durante algum tempo a alimentar a ilusão de riqueza, as forças armadas do Império não deixam de ter um potencial de ataque e de destruição considerável, as sociedades  - elas próprias - não deixam de funcionar, por vezes com disfunções graves mas, no conjunto, mantendo uma aparência de normalidade. 

Não; aquilo que enfraquece de forma irreversível, é o aspeto moral ou ético; é o recuo do respeito pela legalidade; é a ausência de freio moral, sobretudo das classes dirigentes, o que se repercute em todos os níveis da sociedade;  é o abastardar das formas de representação da vontade popular; é a transformação de sociedades «liberais», em sociedades policiais, não se distinguindo o comportamento das suas polícias e dos seus tribunais, dos órgãos dos Estados que, no presente ou no passado, são classificados como «totalitários»; sobretudo, trata-se -da parte dos poderes- de impor a violenta opressão sobre os não-privilegiados, através da guerra, que serve às mil maravilhas para projetar os lucros dos consórcios militar-industriais-financeiros-tecnológicos, assim como de pretexto para a vigilância generalizada dos cidadãos; é a ocasião, sonhada pela oligarquia, para fazer passar leis que visam claramente criminalizar as dissidências.  

Quem não está plenamente a  compreender o que se passa agora, ainda está  tempo de o fazer.




Numa entrevista muito esclarecedora, Jacques Baud, antigo membro dos serviços de segurança da Suíça, foi entrevistado em TV Libertés. Nesta, ele descreve o conjunto de erros que o «Ocidente», ou seja, os poderes nos referidos países ocidentais, cometeram na avaliação da situação da Ucrânia, da Rússia e deles próprios. Seguiu-se uma dinâmica nada saudável de persistência no erro: como se o facto de se ser teimoso, pudesse magicamente reverter o erro, pudesse originar uma estratégia bem sucedida. 

O segundo elemento, é o livro de Emmanuel Todd, um conhecido geógrafo, demógrafo, analista das sociedades francesa e europeia, que escreve um livro que já é um marco inevitável no debate político e geopolítico, não apenas na sociedade francesa, como internacionalmente. Não tive ainda ocasião de o ler, mas compreendo, através daquilo que nos diz Pepe Escobar (e outros), que estamos perante o diagnóstico inapelável da decadência do Ocidente. Esta decadência é espelhada através da derrota militar, estratégica, moral e ideológica, do chamado «Ocidente» que, no espaço curto do século XXI, perdeu todo o potencial de simpatia e de possibilidade de encetar uma era de paz e de cooperação com outros poderes económicos e militares. Os governos americanos sucessivos, efetivamente controlados pelos neoconservadores - figuras pouco conhecidas, mas com muita influência na condução das políticas da Casa Branca - deixaram-se enredar na dialética duma nova guerra fria, que eles não poderão «vencer». 

Aliás, a Guerra Fria nº1, não foi o triunfo do poderio americano, antes pelo contrário, pois se tratou de uma implosão - portanto, a partir de dentro - da URSS e do sistema do Pacto de Varsóvia, porque os próprios dirigentes destes Estados compreenderam que o sistema de governança ao qual presidiam, não era sustentável, que estava condenado a ficar cada vez mais para trás na competição tecnológica com os EUA e o Ocidente, portanto, também na inovação nos sistemas bélicos, estreitamente associados às inovações tecnológicas nos campos da informática, da robótica, das tecnologias informação, ou seja, na ciência e tecnologia em geral.

Agora, o comportamento do Ocidente, prevejo, será de tentar cativar os Estados e respetivos povos, que estavam na sua orla e que tentavam não cair na dependência, de uns ou de outros. Nestes casos, prevejo que tentem a técnica da «cenoura ou do pau»: a cenoura de acordos bilaterais, o pau das sanções económicas, seguidas da força militar bruta, caso necessário.   Nos países vassalos dos EUA, pelo contrário, vai haver uma  desaparição da democracia, mesmo da democracia truncada, que existiu desde a segunda metade do século passado. Os povos não serão fáceis de vergar, porque têm um nível geral de educação que torna a propaganda terrorista dos media corporativos menos eficaz. Não se pode enganar um povo permanentemente, com mentiras sucessivas que logo se revelam como tais; uma tal circunstância não pode durar pois que, uma vez que o povo compreende como foi manipulado, é praticamente «imune» às novas campanhas de manipulação de massas. Quando o engano não já funciona, então entra o medo, ou seja, a repressão a quente, já não a supressão seletiva das vozes dissidentes, mas campanhas violentas, ao estilo dos piores regimes totalitários que a humanidade conheceu.

 Finalmente, aquilo que sobressai do panorama atual é que a civilização judaico-cristã, tal como existiu desde a queda do Império Romano até hoje, está ferida de morte. Ela não pode sobreviver aos «mil ferimentos» que são constantemente produzidos, não apenas pelos seus inimigos, como - sobretudo - pela ausência de  discernimento de altos dirigentes dos Estados, quer sejam governos ou Estados-Maiores das forças armadas. A somar a isto, dá-se uma recente e violenta negação dos valores de defesa dos direitos humanos, da liberdade, da democracia, apregoados pelos governos, embora não fossem cumpridos. As situações tornaram-se tão conspícuas que, nem mesmo uma espessa camada de propaganda, pode ocultar a verdade de que à pequena elite, só lhes interessa o poder. Esta elite, para o manter, não hesita em sacrificar centenas de milhares de vidas inocentes e em destruir a hipótese das vítimas sobreviventes poderem ter uma pátria, onde levassem uma vida decente: isto tanto se aplica à Palestina como à Ucrânia.

Não creio que esta fase, de «Guerra Fria 2.0», possa durar: Ela será instável, pois não haverá «equilíbrio do terror», como no tempo da URSS. Haverá sim, um conjunto de ações de destabilização de parte a parte que, ou se resolverão pelo desmantelamento do presente sistema geopolítico, ou talvez ocorra uma fragmentação que inviabilize a tomada de poder por qualquer entidade estatal ou supra-estatal, ao nível mundial. Dada a existência de atores sociopatas na cena mundial, dado o facto deles estarem nas mãos de poderosos lóbis, não se pode excluir, em alternativa, o cenário seguinte: Uma fuga para a frente duma psicopática e aventureira «elite» ao comando de algum Estado, que desencadeie uma guerra nuclear. Isto não está fora dos possíveis. 

quarta-feira, 4 de outubro de 2023

DESPOVOAMENTO DA UCRÂNIA E SUAS CONSEQUÊNCIAS (Artigo de "Moon of Alabama")

O colapso demográfico na Ucrânia sendo total, põe em risco a possibilidade da recuperação económica, no pós-guerra. 

Num artigo* muito bem documentado, o autor do blog «Moon of Alabama» mostra que os desequilíbrios populacionais são bem anteriores a Fevereiro de 2022 (início da intervenção russa na Ucrânia). 

O decréscimo de nascimentos e redução das faixas etárias jovens, já se verificava  no início dos anos 90, após o colapso da URSS, quando a Ucrânia se tornou independente. 

Mesmo antes disso, quando a Ucrânia ainda estava integrada na URSS, a situação já era preocupante do ponto de vista demográfico, como aliás também  se verificava na maioria das Repúblicas da URSS (incluindo a Federação Russa). 

Leia o artigo, ele tem muita informação objetiva!

(*)Ukraine SitRep: Bad Demographics - End of Support


Figura (do artigo de "Moon of Alabama")Pirâmide etária, por sexo, na Ucrânia, no ano de 2020. Note-se o estreitamento brutal das faixas etárias correspondentes à adolescência e jovens adultos, em ambos os sexos. 

sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

[ALASDAIR MCLEOD] AS INTENÇÕES DA RÚSSIA ESTÃO A CLARIFICAR-SE

Russia's Prime Minister Vladimir Putin holds an ingot of gold as he visits the precious metals safe vault of the Central Bank in Moscow January 24, 2011. 
REUTERS/Alexsey Druginyn

Reproduzo abaixo o sumário do artigo de Alasdair Mcleod «Russia’s intentions are clarifying ». É um artigo de fundo, cheio de informação, pelo que aconselho os leitores deste blog a lê-lo na íntegra (1). 
Eu traduzi para português algumas partes e coloquei neste espaço abaixo: 

Temos a confirmação das mais altas fontes de que a Rússia e a Organização de Cooperação de Xangai (SCO) estão a considerar usar o ouro para pagamentos no comércio pan-Asiático, substituindo plenamente o dólar e o euro.

[...]

Agora que a aliança ocidental está a juntar tanques e outro material para os ucranianos, promovendo ativamente novas batalhas, com a OTAN ficando quase diretamente implicada. É esta situação que irá conduzir a uma subida dos preços das matérias-primas, enfraquecer os mercados financeiros do Ocidente, fragilizar as finanças destes governos e, por fim causar, o colapso das suas divisas.

[...]

No Reino Unido, pelo menos, a media russa tem sido censurada, portanto o artigo de Glazyev no jornal russo Vedomosti não deverá estar acessível a leitores no Ocidente. Portanto, para facilitar a referência dos pontos principais, cito a tradução inglesa do artigo detalhado, que pode ser resumida como segue: 

Nos nove meses antecedendo Setembro, o excedente da Rússia com os membros da EAEU, mais China, Irão, Turquia, UAE, etc. era de um equivalente a $198.4biliões, para $123.1biliões para o mesmo período do ano passado. Por outras palavras, as sanções ocidentais não conseguiram suprimir os rendimentos do petróleo da Rússia, meramente redirecionando os rendimentos vindos dos países recetores.
O excedente comercial com os membros da SCO permitiu às companhias russas liquidar as dívidas externas, substituindo-as com empréstimos em rublos. [Glazyev não menciona este ponto, mas um retorno do padrão ouro iria reduzir os custos de empréstimo substancialmente (Nota de A. Mcleod)]
A Rússia tornou-se o terceiro maior país a usar renminbi (yuan, a divisa da China) para pagamentos internacionais, que dão conta de 26% das transações em divisas estrangeiras da Federação Russa. A parte de pagamentos e divisas dos próprios membros, parceiros de diálogo e associados do SCO, está crescendo, substituindo o dólar e espera-se que continue a crescer.
Visto que tais divisas estão sujeitas a taxas de câmbio e a possível risco de sanções, a melhor maneira de evitar esses riscos é comprar ouro não-sancionado da China, da UAE, da Turquia e possivelmente do Irão, e de outros países, em troca pelas divisas locais.
O ouro adquirido pelo Banco Central Russo pode ser armazenado em bancos centrais de países amigos para maior liquidez e o resto ser repatriado para a Rússia.
O ouro pode ser um instrumento único para combater as sanções ocidentais se for usado para atribuir os preços das principais mercadorias internacionais (petróleo, gás, alimentos, fertilizantes, metais e minerais sólidos). Isto seria a resposta adequada aos tetos de preços do Ocidente. E a Índia e a China podem tomar o lugar de plataformas de comércio global em vez de Glencore or Trafigura”.
O ouro (juntamente com a prata) esteve durante milénios no centro do sistema financeiro global, conferindo uma medida honesta do valor de moeda-papel e de ativos financeiros....Ele foi cancelado há meio século, ligando o petróleo ao dólar, mas a era do petrodólar está a acabar. A Rússia, junto com os seus parceiros do sul e do leste, tem a oportunidade única de sair do barco da economia centrada no dólar e na dívida.
A URSS, ao assinar mas não ratificar o Acordo de Bretton Woods, o «Rublo de Ouro 2.0» desempenhou um importante papel na industrialização soviética no pós- IIª Guerra. Agora, as condições para um «Rublo de Ouro 3.0» desenvolveram-se, objetivamente.
As sanções contra a Rússia voltaram-se como boomerang para o Ocidente. Agora, tem de fazer face á instabilidade geopolítica, ao aumento de preços para a energia e outros bens [isto significa mais inflação nos preços].
Em 2023, [vai haver uma mudança de] investimentos arriscados, de instrumentos financeiros complexos, para ativos tradicionais, primariamente o ouro. O banco Saxo prevê um aumento do ouro para $3,000 por onça, o que conduzirá a um aumento substancial dos valores e quantidades das reservas de ouro. Importantes reservas de ouro irão permitir que a Rússia “conduza uma política financeira soberana e minimize a dependência em relação a credores externos”. [Note-se que além das reservas oficiais, sabe-se que a Rússia possuí pelo menos mais umas 10 mil toneladas - mais do que é declarado oficialmente pelo Tesouro dos EUA]
Os bancos centrais estão a aumentar as suas reservas de ouro. A China tem uma proibição de exportação para todo o seu ouro minerado. Segundo o Shanghai Gold Exchange, os clientes retiraram 23 mil toneladas de ouro. A Índia é considerada a campeã na acumulação de ouro…. O ouro tem estado a fluir de Oeste para Leste...Estará o ouro do Oeste garantido, ou está empenhado através de «swaps» e de «leasing»? O Oeste nunca o diz e Fort Knox nunca consente em ser auditado.
Nos últimos 20 anos, a mineração de ouro na Rússia quase duplicou. A produção de ouro pode representar um aumento no PIB, de 1% para 2 ou 3% do PIB... No presente, a produção de ouro está prevista (ano de 2022) subir de 300 toneladas, para 500 toneladas… dando à Rússia um rublo forte, um orçamento sólido e uma saudável economia. [Note-se que nesta declaração, Glazyev revela que a maior parte do aumento do rendimento da mineração, será quando tal rendimento seja medido em dólares.]

[Sumário do Artigo de Alasdair McLeod pelo próprio:]

«Confiamos aos bancos centrais a garantia da integridade da rede de bancos comerciais. No mínimo, quando há produção acelerada de divisas e ocorre inflação do crédito, esperamos que venham apoiar o sistema financeiro titubeante, sobre o qual assenta a aliança ocidental, o que apenas pode ser feito de uma maneira - a expensas das respetivas divisas.

Que a aliança ocidental esteja a mergulhar numa crise de dívida, por ela própria fabricada, é inegável. A sua geoestratégia, a cargo do poder hegemónico de ontem, já resultou em tiro pela culatra, em benefício dos seus inimigos. Agora chegou o tempo para a Rússia dar o golpe de misericórdia financeiro. Isto porque a Rússia vai usar a cobertura da agressão ocidental e as consequências para os seus mercados, para realizar o disparo. A Rússia está a pensar para diante, enquanto a aliança ocidental, está em modo de  rancor belicoso.

Tal como não foram medidas de antemão as consequências do banimento da Rússia do sistema SWIFT, as consequências de uma nova fase da guerra na Ucrânia são descartadas. No início, pelo menos no ocidente, um movimento da Rússia em direção ao ouro poderia ser visto como a resposta defensiva para proteger o rublo e as exportações russas na Ásia. Um ataque deliberado às divisas-fiat do Ocidente não será suspeitado. A evidência será vista no preço do ouro a aumentar para além das expetativas.

A Rússia não fará anúncios formais sobre padrões ouro, porque não há necessidade disso. Nem a China: Em vez disso, irão anunciar qual o aumento das suas reservas de ouro. Tendo deixado cair a hipótese duma divisa da EAEU formada por um cabaz de divisas nacionais, como forma de substituir o dólar enquanto meio de pagamento,  a SCO (Organização de Cooperação de Xangai) irá adotar de facto o ouro, em seu lugar.

Inicialmente, o aumento do preço do ouro em dólares não irá criar alarme nos meios ocidentais: Afinal de contas, o ouro foi desmonetizado. Ele será seguido por desmentidos da sua importância. Mas, tal como Sergey Glazyev escreve no seu artigo, em Vedomosti, o ouro irá ser usado para cotar todas as principais matérias-primas (petróleo, gás, alimentos, fertilizantes, metais e minerais sólidos). Assim sendo, estes preços serão estáveis e haverá baixos juros, enquanto os preços e juros irão subir, em termos de dólares. Nessa altura, o público mais vasto  ficará consciente de que não são os preços que sobem, mas o dólar que está a colapsar. 

Então, à medida que as moedas-fiat, dólar, yen, libra, euro, perderem o seu poder aquisitivo, não apenas em relação ao ouro, mas perante todas as matérias-primas, é inevitável que se façam comparações com o sucesso relativo do eixo Rússia-China, concretizado em organizações como o SCO, a EAEU, e os BRICS. Impulsionada pelos chineses aforradores, pelo investimento de capitais, pelo desconto nas energias e por dinheiro real( o ouro),  a Ásia irá prosperar.
Pouco ou nada, a América e os seus aliados da OTAN poderão fazer, para evitar isto»

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(1) O meu artigo de 23-01-2023, embora mais genérico, também aponta para as mesmas conclusões que o notável artigo de A. Mcleod.