Sim, uma carta em papel; com envelope
Ainda não decidi se escreverei com caneta
De tinta permanente, esferográfica, ou feltro
Mas tem de ser realmente desenhada pela
Minha mão, cada letra exprimindo um instante
O instante das minhas emoções
Em relação ao conteúdo, também
Irei inovar - no que me toca - no estilo
Serei sincero, sem ser grotesco,
Sem artifício, abrirei o coração
Não preciso de fazer teatro
Com sinceridade, basta escrever
Ao correr da pena, é como estar
contigo, um gesto, um murmúrio,
Leve ruído do aparo ao contacto
Com o papel.
Podia pensar mais solene
Enfático ou espirituoso
Não! Minha razão de escrever
É natural e não fabricada
É o pensamento quando falo
É um sopro ao teu ouvido
Quanto ao conteúdo,
Tenho andado a refletir
No que a ele diz respeito
Ao entregar-te a carta
Entrego-te meu pensar
E sentir, sem floreados
Ainda tenho de a começar
Pois uma carta assim
Não se escreve por capricho
Uma carta assim é leve
E pesada, pelo que diz
E pelo que cala; pelo que
sai do aparo e pelo que fica
no tinteiro.
Até breve, pois...
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