Desfaz toda a retórica em torno do Estado, pondo em evidência as contradições internas dos poderes.
domingo, 5 de julho de 2026
O QUE É O ESTADO?
Desfaz toda a retórica em torno do Estado, pondo em evidência as contradições internas dos poderes.
sexta-feira, 25 de abril de 2025
CRÓNICA DA IIIª GUERRA MUNDIAL, Nº 43: A GUERRA DE NARRATIVAS
A GUERRA DE NARRATIVAS É A MAIS MORTÍFERA... Porque ajuda a manter e prolongar a guerra militar e seus morticínios.
No que respeita às guerras acesas entre ucranianos e russos, ou entre palestinianos e israelitas, a propaganda ou narrativa, de ambos os lados, tornou-se o fator que predomina sobre a realidade do terreno.
A forma totalmente distorcida das notícias relativas a estes conflitos na media mainstream desempenha um papel de relevo, mas a iniciativa não vem dos jornalistas, «proletários ou prostitutos da pena e da palavra»: Estes recebem as ordens dos poderes. O controlo da narrativa vem das oligarquias, de pseudo-elites que controlam o poder, qualquer que seja o campo. No século XXI, quem controla a narrativa, consegue manter-se no poder; a narrativa -portanto - torna-se o veículo principal para manutenção no poder.
Já Machiavel tinha antecipado esta viragem, quando enunciou no famoso tratado «O Príncipe», que o detentor do poder deveria - de preferência - seduzir os súbditos, adormecê-los com histórias que os confortassem nos seus anseios e esperanças, porque - dizia Machiavel - é muito mais fácil governá-los pelo engano - hoje diríamos pela propaganda - do que pela força bruta, pela repressão.
Não quero, com isto, dizer que a repressão esteja ausente nos dias de hoje. Pelo contrário, numa tradução prática dos ensinamentos de Machiavel, os poderes têm-se dedicado seletivamente a ostracizar, reprimir, deportar ou prender as vozes dissidentes, quando estas desmascaram as narrativas do poder e revelam as facetas mais cruéis e obscuras desse mesmo poder. Para todos os dissidentes a tarefa de levar o esclarecimento às massas tornou-se mais difícil pois enfrentam, além da hostilidade dos poderes, a difamação da média e a indiferença do público.
Esta indeferença é fabricada, ao longo do tempo, através da supressão selectiva das narrativas contraditórias e, sobretudo, pela afirmação obsessiva da narrativa oficial, pelo que resulta daí o condicionamento total das massas.
O nosso Mundo evolui em deriva acelerada para regimes totalitários. Este fenómeno tem maior expressão nos países que não eram classificados como totalitários, as chamadas «democracias liberais» ou o «campo ocidental».
Hoje, ainda existe alguma expressão de dissidência nesses regimes, mas ela é - cada vez mais - uma expressão da "oposição controlada".
Com efeito, o facto de ser possível e mesmo provável que a manifestação de dissidência tenha consequências na vida das pessoas, desencadeia um reflexo de medo. Por exemplo, a pessoa dissidente pode perder o emprego, pode ser ostracizada, como certas figuras públicas sujeitas a «black-out»: O facto de já não serem entrevistadas ou citadas na media mainstream; ou quando seus artigos ou livros deixam de ser publicados ou encontram muita dificuldade em sê-lo. Este ambiente hostil vai inibir muitas pessoas de exprimir sinceramente e sem auto-censura, aquilo que pensam.
O poder «neo-feudal», ou como queiram chamá-lo, está mais dependente da conquista da opinião pública, que da conquista de território inimigo, ou da derrota militar dos adversários.
Aliás, a quantidade de destruição, mortes, feridos e deslocados numa guerra é secundária para os senhores do poder e da guerra. Ao contrário dos senhores da guerra típicos das eras feudais, os atuais 'chefes' comandam os exércitos a partir de seus palácios do Governo. Eles obrigam estes exércitos a fazer mil e uma manobras absurdas, suicidárias, ou vãs. São frequentes tais ordens, que não se destinam, sequer, a atingir um objetivo genuinamente militar. Pois os senhores da guerra contemporâneos estão preocupados, sobretudo, em mostrar que são os «bons», que pertencem ao «campo do bem». Portanto, o que realmente procuram não é a vitória no terreno militar (ao contrário, aliás, dos senhores da guerra nos séculos passados); interessa-lhes - sobretudo - alimentar a narrativa do poder, dos bons contra os maus. É assim que se mantêm no poder. Se morrerem milhões, assim seja: Os poderosos garantiram para eles próprios e para suas famílias, que não irão padecer de nenhum daqueles males. Os danos patrimoniais também não os sofrerão, pois asseguraram uma «confortável reforma» com suas contas na Súiça ou noutros paraísos fiscais e um «exílio dourado» em vivendas de luxo em locais seletos (Miami, Riviera, Côte d'Azur, etc). Quanto mais uma guerra durar, mais estes «senhores da guerra» enriquecem.
Eu poderia dar muitos exemplos concretos do quadro que descrevo acima. Mas, penso que os meus leitores têm vontade e meios para pesquisar na Internet, os factos, os indícios e as realidades que contrariam os discursos dos poderes.
Sejam quais forem as simpatias ou antipatias dos leitores, parece-me que devem ter a máxima simpatia por eles próprios e não se deixarem enganar, seja por quem for. Infelizmente, nesta sociedade atual, o comportamento de autonomia e de independência, não é valorizado e até chega a ser incompreendido, por uma parte da cidadania.
Para defesa dos valores humanos fundamentais, torna-se imperioso denunciar a verdadeira causa das guerras de hoje: Elas resultam do poder exercido de um modo totalitário - seja abertamente, ou de modo camuflado - pelos «nossos» governantes. Claro que seus crimes e cobardias não surgem do vazio, ou de mentes intrinsecamente perversas e malévolas: Os dirigentes estão rodeados por uma corte de bajualdores e de conselheiros, que os manipulam. Mas - obviamente - neste caso, tanto manipuladores como manipulados estão na barca do poder.
A necessidade imperiosa de salvar da morte muitos milhares de inocentes, ou destes ficarem estropiados para sempre na guerra e suas famílias ficarem destruídas, obriga-nos a repudiar a forma suja como os poderosos usam e abusam criminosamente das alavancas do governo para iniciar, continuar e prolongar a guerra. Infelizmente, não existe Tribunal da Haia, de Nuremberga ou doutra juridisção, capaz de os prender e julgar. Os muito poderosos, hoje, têm muitas probabilidades de ficar impunes pelos crimes hediondos de são os responsáveis máximos.
O que nós precisamos não é do regresso ao tempo «em que a cabeça do monarca derrubado por uma insurreição, era exibida na ponta de uma lança». Mas, o regresso à visão universalmente partilhada do Direito Internacional e da jurisprudência que decorre da sua aplicação, durante os 80 anos após o fim da IIª Guerra Mundial.
A 25 de Abril de 2025 (*)
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(*) No dia 25 de Abril de 1976 foi aprovada a Constituição democrática de Portugal, dois anos depois da revolução não-sangrenta do 25 de Abril de 74. Depois, esta revolução foi desvirtuada por muitos, mas tal não impedíu o facto de ter sido viabilizada tal transformação política.
domingo, 8 de dezembro de 2024
UMA LEITURA DA «ARTE DA GUERRA» DE SUN TZU
sexta-feira, 25 de outubro de 2024
O GLOBALISMO É SEMPRE OPRESSOR.
sábado, 10 de julho de 2021
MERCENÁRIOS E CONTRATANTES
Bartolomeo Colleoni, o famoso Condottiere do Séc. XV
A guerra está mais ou menos completamente privatizada. O motivo real dessa privatização é que as guerras do Império não têm nenhum atrativo para os nacionais US, mesmo os das classes baixas, que foram durante decénios atraídos por salários elevados e pela possibilidade de frequentarem o ensino superior (privado e muito caro, nos EUA), depois de cumprirem o contrato como soldados, graças a bolsas especiais.
De facto, a guerra deixou de ter qualquer relação com a defesa do território, pelo menos, nos países dominantes do hemisfério ocidental. Nota-se que, as missões em África (Líbia, Chade, Mali), no Médio Oriente (Iémen, Síria) ou na Ásia Central (Afeganistão), apenas constituem as versões mais recentes de aventuras neocoloniais, mesmo quando debaixo da capa e sob os auspícios de «forças de paz» da ONU.
Seja no país sede do Império (EUA), seja nas potências vassalas (Reino Unido, França, etc...) a privatização da guerra segue o seu percurso típico de privatização dos lucros para as empresas de mercenários, enquanto os custos são públicos, financiamentos inscritos em rubricas de «defesa» ou outras, dos orçamentos estatais. Assim, ficam satisfeitas estas empresas de mercenários - que se transformaram em autênticos potentados, com poderosos meios militares e logísticos- mas também os deputados que podem aprovar estas despesas na ignorância dos cidadãos comuns, convenientemente dissimuladas em rubricas de «cooperação», «ajuda ao desenvolvimento», etc.
No caso da retirada* do Afeganistão, segundo vários relatos, não se trata realmente de retirada, mas antes da transformação da guerra: Esta, deixa de ser protagonizada maioritariamente por forças dos Estados, pelos contingentes da NATO, com elementos das forças armadas dos países da aliança, para ficar entregue a um conjunto de «contratados» (maneira eufemística de designar mercenários) que irão sustentar pontos-chave do dispositivo ocidental. Estes incluem uma série de bases dispostas na proximidade das fronteiras com o Irão, a China e Rússia. Embora o Afeganistão não tenha fronteira direta com este último país, pode seu território ser facilmente alcançado atravessando outros países da Ásia Central. Estas bases têm funções de espionagem, de manter uma pressão permanente por exemplo, com mísseis, que poderão ser, a qualquer momento, equipados com ogivas nucleares e como ponto de apoio a guerrilhas que poderão infiltrar os territórios inimigos. Vital - também - será a proteção dos campos de ópio e fábricas secretas, que processam esta droga, para ser transportada em voos secretos, até a vários pontos do globo, onde existam bases dos EUA. Este tráfico de droga está confirmado, para além de qualquer dúvida, tendo como motivação primária fornecer dinheiro às operações secretas da CIA.
Quando leio, hoje, que a famosa empresa «Blackwater», está em condições de substituir os soldados que abandonam o Afeganistão, vem-me à memória Maquiavel. No tempo de Maquiavel, no fim do século XV, princípios de século XVI, muitos potentados e príncipes italianos tinham como coluna vertebral de seus exércitos, mercenários, cujo chefe ou «condottiere», era um senhor da guerra que oferecia os seus préstimos a troco de pagamento em espécies sonantes. Os exércitos das grandes potências, na Europa dos séculos XVI até ao Séc. XIX e posteriormente, recrutavam mercenários, em regimentos completos, desde o coronel, até aos soldados rasos e oriundos de um só país, como os regimentos Suíços, Irlandeses, etc.
Ao longo do século XX e até agora (século XXI), existem algumas forças «de certa forma mercenárias», como a Legião Estrangeira (em França e na Espanha), os Gurkas (Nepaleses ao serviço dos britânicos) ou ainda os Guardas Suíços do Vaticano. Porém, estes regimentos não são considerados formalmente como mercenários.
Na realidade, os mercenários atuais têm um vínculo exclusivo a uma empresa, a qual os recruta, os equipa e os coloca no terreno, a troco de pagamento pela potência estatal. Esta, pode assim desencravar-se de uma situação difícil, ou em que não obteria o aval dos cidadãos e/ou dos parlamentos, para levar a cabo os seus desígnios. Os cenários de conflito protagonizados por mercenários, recentemente, foram os da Rep. Dem. do Congo e doutros países de África.
A privatização da guerra não é um progresso, sob nenhum ângulo. Em relação às tropas regulares, os mercenários estão menos obrigados pelas leis da guerra. Isto significa que não terão a proteção de serem considerados como «forças combatentes», na eventualidade de serem capturados. Serão considerados criminosos de direito comum. Como sabem que não beneficiarão, em caso de captura, da proteção ou pagamento de resgate pela potência para a qual combatem, talvez isto os incite a ter comportamentos criminosos, em especial, em relação a civis.
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*Veja como Pepe Escobar analisa o complexo jogo diplomático sob auspícios da SCO e envolvendo os Taliban e governo afegão.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2020
O PODER É POR NATUREZA TOTALITÁRIO
sábado, 4 de julho de 2020
MAQUIAVEL OU O DISCURSO DO REALISMO POLÍTICO
sábado, 1 de setembro de 2018
MAQUIAVEL ERA ITALIANO...NÃO ESQUEÇAMOS!
O facto é que este sistema, embora altamente favorável para a Alemanha, não é sofrível pelos restantes países, sobretudo, os que tiveram anos de medidas de austeridade, retracção brutal do poder de compra da população e altos níveis de desemprego e de emigração.

«O establishment italiano compreende que é a classe no poder, não o povo, que gere o país. Que o Euro seja abandonado ou não, isso não é assunto do povo.
Se e quando eles decidirem fechar o interruptor do Euro, irão fazê-lo de modo que o público aplauda. Ao fim e ao cabo, Maquiavel era italiano.»
quinta-feira, 14 de junho de 2018
A INDIFERENÇA MATA
quarta-feira, 10 de maio de 2017
OS NEOCONSERVADORES E O GLOBALISMO
Este globalismo agressivo e elitista tem em conta as lições de Bernays e joga com o «soft power», ou seja, uma penetração cultural através da qual leva as pessoas a adoptarem valores e juízos de valor bem definidos, mas sem dar a impressão de estar a fazer «lavagem ao cérebro».

