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sábado, 27 de junho de 2026

POPULAÇÃO «FANTASMA» NA ORIGEM DE SAPIENS, NEANDERTAIS E DENISOVANS





Segundo hipótese  atual, todos os seres humanos vivos teriam cerca de 20% do genoma oriundo de uma «espécie fantasma»; uma porção herdada de tal população, desaparecida (designada população B), ter-se-ia hibridizado com a população A. 
Esta nova visão vem reforçar a tese duma origem plural da espécie humana: Já não somente os 2-4 % de ADN neandertal nas populações euroasiáticas não-africanas, ou os 2-6 % do ADN denisovano nas populações da Ásia e Oceânia.

A identificação da população ancestral B poderá corresponder a um crânio, encontrado na África do Sul, o «Homem de Kabwe».
Este, terá divergido do tronco principal da evolução humana há 400 mil anos e vivido de forma independente. Esta espécie só terá voltado a ficar em contacto com a população ancestral A, cerca de 200 mil anos depois:  Nesta época, múltiplos acontecimentos de cruzamento/hibridação terão ocorrido. 
Esta nova visão da formação dos H. sapiens (os humanos modernos), destrona a visão linear, na qual um único ramo teria sobrevivido até hoje, enquanto as restantes espécies surgidas se teriam extinguido num momento ou noutro do processo. Seriam «becos sem saída» da evolução.
O modelo que surge com cada vez mais verosimilhança é o da «manta de retalhos» (ou «patchwork»). O genoma total da espécie humana moderna, teria contribuições de várias espécies extintas, as quais se cruzaram num momento ou noutro com o tronco principal do que iria ser a nossa espécie. Em resultado desses cruzamentos, houve aquisição diferencial de genes, ou seja, partes do genoma daquelas espécies ancestrais foram conservadas, enquando outras foram excluídas.

Por exemplo, os humanos modernos, vindos de África e «invasores» da Europa, foram encontrar neandertais, que viviam há centenas de milhares de anos no continente europeu, adaptados a um clima  muito mais frio do que o atual. Estes neandertais tinham desenvolvido características anatómicas, fisiológicas, imunológicas,  adaptadas ao clima glaciar. No total, a humanidade atual conserva coletivamente cerca de 40% do ADN de origem neandertal, embora cada indivíduo euroasiático possua cerca de  2 a 4 % de sequências herdadas dos neandertais. Os genes favoráveis para a sobrevivência foram retidos e os que entravam em conflito com os genomas humanos (sapiens) foram excluídos, por selecção natural. Um mecanismo semelhante permitiu que as populações, vivendo a grandes altitudes, nos Himalaias e no planalto central tibetano, tivessem conservado genes provenientes dos denisovanos, que lhes dão um fenótipo duma densidade maior de glóbulos vermelhos no sangue e, portanto, permite-lhes superar a escassez do oxigénio nas altas montanhas. 

Para além da pertinência da interpretação dos achados em si mesmos, pode-se questionar o próprio conceito de «espécie»:
- Quando é que é legítimo considerar um cruzamento como tendo ocorrido entre duas populações da mesma espécie, ou, alternativamente, entre duas espécies diferentes, mas que conservam um certo grau de interfecundidade? 
Nós é que fabricamos o conceito de espéci; nós é que classificamos os fósseis segundo as suas semelhanças e diferenças, como pertencendo à espécie X, ou Y, ou ainda, a um híbrido de X e Y. 
O problema, com a sequenciação de ADN fóssil, não desapareceu, ele somente mudou de nível: 
- Quantas divergências em sequências no genoma (ou em certo número de genes) serão necessárias para que os ADN extraídos dos fósseis X e Y sejam considerados pertencer a variantes dentro da mesma espécie, ou - alternativamente - a duas espécies distintas? 
Perante a acumulação de factos nas várias disciplinas (paleoantropologia, bioquímica, fisiologia, genética, ecologia, etc.) podemos ser obrigados a redefinir conceitos e mesmo a efetuar uma mudança drástica na nossa visão da evolução humana. 
Em ciência, há estes momentos de mudança de paradigma. Devido ao contexto diverso, os fenómenos observados passam a ser avaliados de forma radicalmente diferente. Estamos numa destas fases, em Paleoantropologia. 

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Artigo de Nature Genetics: 

Ver também:

Homo sapiens invasores iniciais da Europa não eram adaptados aos climas tropicais: 

População atual de Papua- Nova Guiné portadora de elevada percentagem de genoma denisovano no qual existe ADN de origem neandertal numa percentagem de 10a 30%. Pensa-se que houve hibridação de populações de denisovanos com populações  de neandertais muito tempo antes destas populações terem encontrado Homo sapiens e hibridizarem-se com estes. Ver:
https://youtu.be/hwXlZqgWCTA?is=GOzk4Qzjhham_f2D

domingo, 17 de maio de 2026

SEQUENCIAÇÃO DO GENOMA KOISAN PÕE EM DÚVIDA O DOGMA «OUT OF AFRICA»


 A teoria «saída de África» /«Out of Africa», está posta em causa pela sequenciação de uma etnia muito antiga, os Koisan, que estiveram isolados (geneticamente), pelo menos, durante 100 mil anos. São agora reconhecidos como uma das mais antigas linhagens humanas ainda existentes. A imagem que se afirma é duma floresta de linhagens independentes, muitas com mais de 10 mil anos. 
Os Mbuti (independentes dos Koisan), que vivem na África Central, mostram no genoma introgressão de população mais antiga que Homo sapiens. Esta linhagem fantasma não corresponde a neandertais, denisovanos ou outras linhagens euroasiáticas: Trata-se duma contribuição endógena ao continente africano. Os dois grupos (Koisan e Mbuti) começaram a divergir dos restantes humanos muito antes da suposta saída de África mais antiga. 
Este estudo valida o modelo policêntrico da humanação. Portanto, haveria variados pontos de origem, tendo as correspondentes linhagens evoluído separadamente e, eventualmente, fusionado.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

NEANDERTAIS E HUMANOS «MODERNOS» UMA SEPARAÇÃO ARTIFICIAL?

 


O vídeo acima apresenta uma tese, segundo a qual não existe real separação entre os primeiros «homens modernos» e os neandertais. Seriam apenas diferenças superficiais, isto é, de traços secundários que permitem caracterizar os fósseis como mais sapiens, ou mais neandertais, mas não afetaram a interfecundidade das duas populações.
A existência comprovada de cruzamentos férteis, evidenciada por híbridos fósseis, sobretudo a presença no genoma dos humanos contemporâneos de genes provenientes dos neandertais (1 a 4 % do genoma dos indivíduos «caucasianos»), mostram que a barreira reprodutora (biológica) não existiu, ou foi muito fraca, entre as duas espécies ou sub-espécies.
O documentário mostra até que ponto as classificações são falseadas pelo subjectivismo dos investigadores e do ambiente geral, favorecendo determinadas teorias.
Quando eu era estudante de biologia, nos anos 1976-79, os neandertais tinham como desiganação científica Homo sapiens neanderthalensis e os homens modernos eram Homo sapiens sapiens. Isto significava que os neandertais eram classificados como sub-espécie de uma espécie, que também era a nossa. Logo a seguir, prevaleceu a tese de que se tratava de duas espécies separadas, pertencentes ao mesmo género: Homo neanderthalensis e H. sapiens.


A engenharia genética, a sequenciação dos genes, a sequenciação do genoma humano, o desenvolvimento de métodos de extração e sequenciação de ADN de fósseis, vieram transformar completamente os dados do problema: O primeiro genoma neandertal completo foi apresentado em 2010, salvo erro. A partir desta data, têm sido publicados outros genomas completos.
Também foi possivel fazer o mesmo com os denisovanos. Não vou aqui desenvolver o significado das descobertas, senão num ponto:
- Sim, tanto os denisovanos como os neandertais deixaram porções de ADN significativas no genoma dos humanos contemporâneos. Porém, nota-se também que estas sequências contêm apenas alguns grupos de genes; os outros grupos estão ausentes.
A hibridação produziu descendentes com 50% de genes sapiens e 50% genes neandertais, segundo leis matemáticas da genética. As sucessivas gerações descendentes desses híbridos deveriam ter conservado uma certa proporção de genes neandertais. Mais importante para este caso, é que -havendo total compatibilidade dos genomas - deveriam ser representados os genes codificando as diversas características, exatamente como acontece para quaisquer «híbridos intra-espécie». Mas, ao longo do tempo, houve genes neandertais que se perderam, correspondentes a funções determinadas dos organismos. Porém, outros genes foram conservados e produzem fenótipos na população atual. Portanto, houve uma exclusão selectiva de certos genes e uma conservação selectiva de outros. Nas populações em que houve hibridação entre neandertais e sapiens, as gerações subsequentes experimentaram tal processo (selecção biológica excluindo determinados genes). Note-se que as percentagens de 1-4%, acima referidas, correspondem a genes de origem neandertal nos indivíduos. Se tomarmos a população «caucasiana» como um todo, estão representados cerca de 60% do genoma completo neandertal. Se não tivesse havido discriminação em relação aos genes neandertais, teoricamente deveriam estar representadas nos humanos de hoje, 100% dos genes neandertais, embora distribuidos em pequenas porções, nos indivíduos contemporâneos mais diversos. Os 40% que não estão representados nas populações humanas atuais, correspondem a genes perdidos por deriva genética, mas sobretudo, por incompatibilidade com o restante genoma de origem sapiens. Genes que conferem um grau inferior de adequação fenotípica acabam por ser excluídos da população, mesmo os genes que conferem aos indivíduos somente uma desvantagem muito ligeira.
Uma hipótese que se pode avançar como fator para a extinção dos neandertais, é a diminuição de fertilidade dos híbridos:
- A incompatibilidade parcial de certos genes sapiens no contexto de indivíduos neandertais, pode imaginar-se por analogia com aquilo que acontece hoje com populações humanas contemporâneas e com o factor RH-.
As mulheres com o fator Rh- mas cujo feto é Rh+ podem sofrer uma reação imunológica de rejeição do feto. Pode imaginar-se mecanismos deste género que causariam mortalidade dos fetos e/ou esterilidade (ou diminuição de fertilidade) nas mulheres.
Os Neandertais e os sapiens seriam duas sub-espécies da espécie Homo sapiens, como intuíram corretamente paleoantropólogos da era pré-tecnologias do ADN. É adequado pensar-se em espécies em vias de formação, mas ainda não totalmente separadas.
Espécies isoladas segundo a definição de Ernst Mayr, com certeza não o eram, pois há imensas provas de interfecundidade e de fecundidade dos híbridos nos dois grupos.
Estes fenómenos de hibridação ocorreram em várias ocasiões e em diversas zonas geográficas: Os asiáticos e os povos originários da Oceania têm significativa percentagem de ADN de origem denisovana no seu genoma (cerca de 6% na Papuásia). 
As populações africanas sub-saharianas também possuem sequências doutras populações extintas (ainda não esclarecidas). 
As populações originárias da América (ameríndias) são oriundas de migrações vindas da estepe siberiana, portadoras das sequências denisovanas.
Existem evidências de que se iniciou um processo de especiação, durante as épocas glaciares. Os rigores das eras glaciares isolaram as populações humanas, sujeitas a condições ambientais diferentes umas das outras. Depois, houve expansão das várias populações e sobreposição parcial de sua distribuição geográfica. Assim se proporcionaram encontros, hibridações, trocas e influências culturais(1).






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(1) Alguns autores consideram que na cultura Chatelperronense, de neandertais, se observam influências culturais de H. sapiens.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

PROF. RAOULT DESTROI MITOS RELATIVOS AOS NÚMEROS DO COVID


 Infelizmente, a pseudo-elite científica que se pavoneia nos jornais e tvs (em especial neste país, Portugal), está completamente divorciada da realidade. Os dados fornecidos com total objectividade, pelo Prof. Raoult, demonstram que a pandemia foi jogada no registo sensacionalista, para amedrontar o público incauto. 
Mostra também um artigo, de uma das maiores autoridades mundiais em epidemiologia o Prof Ioanides da Univ. de Standford (EUA), que  compara os regimes de confinamento e demonstra que estes não tiveram o suposto papel benéfico de travar a pandemia. 

É muito difícil «esgrimir» argumentos racionalmente com pessoas desonestas nos media dominantes, que «ignoram» os dados e conclusões científicas das maiores autoridades na matéria, quando estas não lhes agradam... 

Tais pessoas «têm as costas quentes», porque os proprietários dos grandes media são bilionários interessados em criar e alimentar o síndroma de pânico, para melhor impor as medidas liberticidas. 

Estas medidas podem verificar-se em termos práticos, seja por confinamentos sem sustentação sanitária, mas que são um bom ensaio ou treino para futuros estados de sítio, seja em termos de legislação também, com a ultrapassagem das liberdades fundamentais inscritas nas constituições. Por fim, a implementação discreta da «grande reiniciação» (Great Reset) está em curso, de um modo que lhes permite controlar o processo.

Mas, aqueles criados dos grandes senhores feudais são dispensáveis como quaisquer outros, neste universo distópico de economia robotizada, onde se prepara a redução radical dos efectivos de «gado» humano...

Porém, os neo-malthusianos que se escondem atrás de  associações e fundações «filantrópicas» são demasiado ambiciosos. Eles não terão possibilidade de controlar o mundo. O mundo é demasiado complexo, não poderá jamais ser controlado por uma entidade, mesmo que ela recrute os mais devotos adeptos e os mais inteligentes (embora sem ética) cientistas.

A deriva autoritária e seus projectos megalomaníacos defendidos, entre outros, pelo Fórum de Davos irão ruir, quando uma faixa grande da população compreender como a estiveram a alimentar de mentiras.

Grande número de pessoas já está lúcida e alerta. Estas, não serão susceptíveis de serem enganadas pelos novos «hitlers», mas ajudarão a abrir os olhos das restantes.