quinta-feira, 2 de julho de 2026
quarta-feira, 24 de setembro de 2025
O último a saber ...
«O último a saber» é a expressão que se aplica, proverbialmente, para se referir ao marido enganado.
Mas, neste caso, não se trata do marido enganado, trata-se antes da grande maioria do público nos países «ocidentais», que incluem os do Ocidente (Europa e América do Norte) e países que se situam na Ásia (Japão, Coreia do Sul) e na Oceânia (Austrália, Nova Zelândia).
Porque, aquilo que está em jogo é uma mudança do sistema monetário, o «Great Reset». O sistema financeiro mundial, desde há vários anos, pelo menos desde a grande crise financeira de 2008, que quase se tornou a crise definitiva do capitalismo, está em ruptura. As moedas dos vários países, foram desenhadas para se irem desvalorizando. Assim, iam possibilitando que os governos e grandes empresas entrassem em dívida, mesmo de maneira crónica, sem grandes consequências para eles, pois estariam apenas obrigados a pagar dentro de X anos, numa divisa que perdeu - em termos reais - uma parte do seu valor. Mas, um sistema que queira conservar uma certa fiabilidade, uma certa estabilidade, tem de ser adossado a algo sólido. E dizer «algo sólido», em termos monetários, traduz-se em metais preciosos como garantia e - em particular - em relação ao ouro.
Desde cedo, que eu estava numa posição de descrença em relação ao sistema no qual vivíamos. Para mim, a crise de 2008 não foi a surpresa, mas foi-o seu «epílogo». Os grandes bancos, as multinacionais, as grandes fortunas, serem refinanciados apesar do que tinham desbaratado, em particular, na financiarização e desindustrialização (auto-induzida): Por exemplo, empresas industriais «convertidas» em empresas de gestão de capitais bolsistas. As injeções de dinheiro fresco, não correspondente a maior riqueza, nem a contrapartida de qualquer espécie, foram-se sucedendo sob o nome de «Q.E.». O pretexto falacioso, totalmente contrário ao mantra do «livre mercado» capitalista, era de que os grandes bancos, as grandes empresas, eram «demasiado grandes», para se deixar ir à falência. Esta extravagância na proteção aos mais ricos, em detrimento de todos os outros, induziu o comportamento de irresponsabilidade total, tanto nas finanças públicas, com nos grandes empórios monopolistas. Acentuou-se a divisão entre aqueles que tinham acesso ilimitado ao crédito barato, virtualmente com zero de juros, e todos os outros que, para comprar casa, carro, etc, tinham de pagar empréstimos aos bancos, com juros que pesavam nos seus orçamentos.
Entretanto, a crise do COVID pôs a nu a situação que já vinha de antes e se traduziu numa crise, em Setembro de 2019, com a subida brutal dos juros nos mercados Repo ( = mercados interbancários de empréstimos a muito curto prazo).
Não sei a partir de quando as altas oligarquias deram ordens para accionar o seu «Grande Reset», mas o facto é que, logo a seguir ao «COVID», se preocuparam muito pouco com qualquer semblante de equilíbrio e preferiram gastar milhares de milhões numa guerra estúpida, cruel e destinada a ser perdida, mas que lhes permitiria travar os BRICS e as " Novas Rotas da Seda" ou «Cintura e Estrada» (Belt and Road Iniciative). Estas, correspondem à verdadeira globalização, a das mercadorias e das trocas comerciais em todo o planeta.
Agora, Honk Kong vai ter um depósito de ouro, para comerciar com o resto do mundo, sendo claro para o «Sul Global» e para os BRICS, que o ouro é o veículo de troca ideal para intercâmbios internacionais, não estando sujeito aos abusos do dólar, ou de qualquer outra moeda que viesse a suceder ao dólar, depois deste ser destronado.
O público ocidental foi mantido no escuro, foi enganado vezes sem conta sobre o ouro e sobre a «subida» das moedas fiat, sobre os ativos bolsistas e doutros ativos financeiros sem substância no mundo real. Entretanto, paulatinamente, os bancos centrais iam comprando ouro às dezenas de toneladas (tanto os bancos centrais de países orientais, como ocidentais) e os muito ricos convertiam em ouro, ou em propriedades, uma grande parte dos ativos financeiros.
Agora, quem quiser comprar ouro (ou prata), terá de desembolsar uma soma bem maior do que há poucos anos atrás (ver gráfico* sobre o custo do ouro em dólares, no último decénio). Pois, o público ocidental é «o último a saber»...
* Custo do ouro em dólares, no último decénio
sábado, 12 de junho de 2021
SONANGOL, ISABEL DOS SANTOS E PORTUGAL
sábado, 22 de agosto de 2020
ESTRATÉGIA NAVAL AMERICANA NOS MARES DO SUL DA CHINA E RESPOSTA DE PEQUIM

Tem-se utilizado muito frequentemente o conceito de «armadilha de Tucídides» (Thucydides Trap) para descrever o deslizar do conflito entre os EUA e a República Popular da China do campo meramente comercial (embora as sanções unilaterais impostas pelos EUA sejam já uma forma de guerra, reconhecida como tal pela ONU) para o campo estritamente militar. O confronto armado ainda não ocorreu, mas as provocações - neste caso, é preciso reconhecê-lo, exclusivamente do lado dos americanos - têm-se multiplicado, usando a administração de Washington a «liberdade de circulação nos mares» como pretexto falacioso para fazer constantes provocações no Mar do Sul da China. Como eu referia num artigo anterior, nem sequer o pretexto de auxiliar os vizinhos da China, que teriam razões de queixa na disputa das águas territoriais entre eles e o gigante asiático, pode ser dado como razão válida. Com efeito, a constante ameaça no mar que é chinês, ou que está na directa esfera de influência de Pequim, jamais poderá desencadear da parte chinesa outra coisa, senão o reforço das defesas e o aumento da militarização na zona, não apenas por uma questão de patriotismo, ou de posição de princípio mas, sobretudo, pela muito real ameaça militar directa que a armada dos EUA coloca, em exibições de força ao longo das costas chinesas.
Porém, o termo de armadilha de Tucídides aplicar-se-ia mais apropriadamente, se a atitude de constante provocação fosse daquele dos dois países que ainda seja o mais fraco, contra o mais forte: Se a China tivesse exactamente o comportamento que estamos a observar da parte dos EUA, desde há alguns anos.
A questão dos termos e sua adequação para descrever fenómenos com milhares de anos de intervalo (lembremos que Tucídides reflectiu sobre a ascensão de Esparta, perante a potência dominante que era Atenas, então) é sempre imprecisa, pois se trata do domínio da analogia.
Porém, para muitos observadores, o poderio dos EUA já não é realmente o nº 1 mundial. O poderio económico desapareceu; é um país extremamente carenciado, na sua estrutura produtiva. Isso deveu-se à estratégia dos muito poderosos oligopólios (que governam a política nos EUA), de exportação das manufacturas e capacidade produtiva americana para países do Terceiro Mundo. Maximizando assim os seus lucros, as corporações da super-potência mundial tornaram esta, de facto, «Terceiro Mundo». Os EUA ficou sem capacidade de auto-abastecimento em sectores estratégicos, desde a própria aeronáutica (a importação de metais e terras raras da China é essencial para fabrico dos seus aviões de combate), até à indústria farmacêutica, como se viu recentemente, incapaz de obter ao nível doméstico moléculas / matérias-primas para fabrico de medicamentos essenciais (ex: antibióticos).
Então, os Estados Unidos, no esquema de Tucídides, seriam a potência que já perdeu o estatuto de domínio sem contestação, estando a tentar desesperadamente limitar os danos, isto é, manter-se numa aparente posição de dominância face ao resto do mundo, para poder continuar a explorá-lo, a fazer chantagem, a usar a força ou ameaça da força, como exclusivo «instrumento diplomático». Sobretudo, a gastar rios de dinheiro do orçamento (com a dívida mais astronómica de toda a História) para uma desenfreada acumulação de armamento sofisticado, de todo o género.
Pelo contrário, temos de reconhecer a contenção que tem mostrado a China, perante um avivar da guerra híbrida. Esta, tem consistido em sanções económicas injustas, apoio muito evidente aos separatistas Uigures, aos estudantes ditos «democráticos» de Hong Kong, o cerco permanente de bases militares rodeando a China, a invasão periódica pela frota dos EUA dos mares do Sul da China.
A diplomacia chinesa tem muito a perder, se responder «taco-a-taco» às provocações americanas. Os sucessos maiores da China consistiram no quebrar do isolamento e conseguir que regimes, até mesmo muito favoráveis aos EUA, prossigam num caminho de boa vizinhança e de acordos em tudo o que for possível, sem terem de «virar a casaca», como é o caso da Coreia do Sul.
A China [sem esquecer sua elite governante e seu «nacional-comunismo», a brutalidade da repressão das dissidências, ou seu enorme desprezo pela real preservação do ambiente e dos ecossistemas...] tem uma visão estratégica global. É um facto, que demonstra estar-se perante uma potência madura. Uma visão que se concretiza nos BRICS, na Organização de Cooperação de Xangai, nas Novas Rotas da Seda e nos laços com muitos países próximos ou distantes, quer no sentido ideológico, quer geográfico.
Pelo contrário, os EU da Amerika retomam a odiada «diplomacia da canhoneira», erigem-se em defensores dos direitos humanos, quando eles próprios são os piores violadores dos mesmos, ao fazerem guerras criminosas e em apoio a regimes criminosos e claramente desprezando os mais elementares direitos humanos.
Ainda por cima, em relação aos pobres e oprimidos, no seu território, não existe verdadeira justiça ou direitos humanos: os EUA é um Estado onde a polícia tem uma protecção legal absoluta para matar ou ferir, sem que nada lhe aconteça.
Para mim, não se trata de uma «escolha»: não tenho (e creio que praticamente nenhum/a dos meus leitores/as terá) possibilidade de escolher o rumo, ou influenciar o mesmo, dos grandes acontecimentos internacionais... goste-se ou não, simpatize-se ou não, com esta ou aquela potência mundial.
Aquilo que se pode fazer, neste contexto, é pressionar em prol da paz, pela descida dos níveis de tensão, por um desarmamento recíproco e controlado. Deve-se tudo fazer para que a opinião pública desperte da sua letargia e se erga para exigir aos seus governantes respeito pela sua vontade de paz mundial.
Tudo decorre daí, da vontade da cidadania: a melhoria nos Direitos Humanos dentro de cada país é claramente beneficiada por um clima de distensão nas relações internacionais, de respeito pela soberania dos Estados.
Isso verificou-se, por exemplo, em relação a Cuba: Nas fases em que os EUA tiveram uma política mais «agressiva», foram também períodos em que a oposição interna teve vida mais difícil; pelo contrário, a melhoria das relações e abertura duma embaixada (dos poucos aspectos positivos da política externa de Obama), corresponderam a uma relativa melhoria da situação dos direitos humanos.
Mas, pode-se generalizar, pois aconteceram situações análogas na Europa de Leste, incluindo Polónia e outros países do Pacto de Varsóvia, aquando da política de Gorbatchov, de acabar com a guerra-fria e realizar reformas na URSS, com repercussões nos seus aliados.
A luta dos povos por maior liberdade e justiça é favorecida por um aprofundamento dos laços amistosos entre Nações, por uma descida dos níveis de armamento, por não erigir e, pelo contrário, abater as barreiras artificiais à circulação de pessoas, de ideias e ao comércio internacional.
É claro e auto-evidente, que estes factores estão interligados: Quem adopta sinceramente estes princípios e segue estes critérios, está no bom caminho da paz, da democracia, do progresso.
NOTA 1: depois de escrito este artigo, um artigo de Pepe Escobar publicado no Asia Times, mostra com pormenor que a liderança da China possui uma estratégia de longo prazo, tal como eu afirmava, enquanto os EUA (... quem governa o Pentágono, não me parece que seja este presidente) apenas têm atitudes de provocação contra a China.
NOTA 2: A gravidade da situação de confrontação naval não pode ser minimizada por ninguém com bom senso. Os EUA estão a fazer manobras agressivas e provocatórias, em águas territoriais chinesas. Estão a imiscuir-se na disputa entre a China Popular e Taiwan, não para resolver problemas, mas para terem um pretexto de intervenção.
terça-feira, 2 de junho de 2020
ARRISCAS PENSAR... OU FICAS PARALISADO DE MEDO?

segunda-feira, 11 de novembro de 2019
GLOBALISTAS QUEREM DESENCADEAR TRAGÉDIA EM HONG KONG
Pelos acordos de devolução negociados com os britânicos, até 2047 Hong Kong pode ter propriedade privada, como noutras urbes capitalistas ocidentais, a propriedade privada dos meios de produção está garantida, pelo menos, até ao fim do período de transição.
Note-se, quase toda a população actual de Hong Kong é composta de migrantes da China continental, que vieram para este território, uns antes da devolução da colónia britânica à China (1997), outros depois.
quinta-feira, 17 de outubro de 2019
ESTÃO EM CRISE DUAS MOEDAS COM PARIDADE CAMBIAL COM O DÓLAR
Para atrair os investimentos via Hong Kong, a paridade do dólar de Hong Kong (HKD) com o dólar US, é estratégica. Com efeito, o governo da China tem vindo a desvalorizar sua moeda nacional, o Yuan, como forma de manter a competitividade dos produtos «made in China». Ultimamente, ainda se fala mais da desvalorização da divisa chinesa, uma guerra cambial no seguimento da guerra comercial, inaugurada por Trump.

Recordemos que Kissinger conseguiu obter que os barris de petróleo só pudessem ser cotados e vendidos em dólares US, em troca de uma protecção total do Reino, então o maior produtor de petróleo da OPEP.
Toda a política dos EUA no Médio Oriente tem estado orientada para manter esta exclusividade da venda do petróleo em dólares, mais importante ainda do que o acesso directo dos EUA ao crude.
Embora a Arábia Saudita tenha sido compradora de muito armamento sofisticado aos EUA, Reino Unido, França... observa-se, recentemente, uma mudança «deslizante» de suas alianças, com a China a substituir-se paulatinamente aos EUA, propondo a compra de petróleo saudita utilizando o yuan (em troca da entrada de capitais chineses na Aramco) e a Rússia a oferecer-se como garante da defesa e fornecedora de armamentos de ponta à monarquia saudita.
domingo, 6 de outubro de 2019
BANDOS DE CRIMINOSOS ESTÃO A CASTIGAR OS CIDADÃOS INOCENTES DE HONG-KONG

terça-feira, 17 de setembro de 2019
HONG KONG, REGRESSA O TRATADO DE NANQUIM - POR MANLIO DINUCCI
A Arte da Guerra
Hong Kong - regressa o "Tratado de Nanquim"
Centenas de jovens chineses, em frente ao Consulado Britânico, em Hong Kong, cantam “Deus Salve a Rainha” e gritam “Grã-Bretanha, salva Hong Kong”, apelo reunido em Londres por 130 parlamentares, que pedem para dar a cidadania britânica aos moradores da antiga colónia. Assim, a Grã-Bretanha é apresentada à opinião pública mundial, especialmente aos jovens, como garantia da legalidade e dos direitos humanos. Para fazê-lo, elimina-se a História. Portanto, é necessário, antes de outras considerações, o conhecimento dos acontecimentos históricos que, na primeira metade do século XIX, conduzem o território chinês de Hong Kong ao domínio britânico
Para penetrar na China, então governada pela dinastia Qing, a Grã-Bretanha recorreu à venda de ópio, que transporta por via marítima da Índia, onde detém o monopólio. O mercado de drogas espalha-se rapidamente no país, provocando graves danos económicos, físicos, morais e sociais que suscitam a reacção das autoridades chinesas. Mas quando elas confiscam, em Cantão, o ópio armazenado e o queimam, as tropas britânicas ocupam, com a primeira Guerra do Ópio, esta e outras cidades costeiras, constrangendo a China a assinar, em 1842, o Tratado de Nanquim.
No artigo 3 estabelece: “Como é obviamente necessário e desejável que os súbditos britânicos disponham de portos para os seus navios e para os seus armazéns, a China cede para sempre a ilha de Hong Kong a Sua Majestade, a Rainha da Grã-Bretanha e aos seus herdeiros".
No artigo 6 o Tratado estabelece: “Como o Governo de Sua Majestade Britânica foi forçado a enviar um corpo de expedição para obter uma indemnização pelos danos causados pelo procedimento violento e injusto das autoridades chinesas, a China concorda em pagar a sua Majestade Britânica, a quantia de 12 milhões de dólares pelas despesas envolvidas”.
O Tratado de Naquim é o primeiro dos tratados desiguais através dos quais as potências europeias (Grã-Bretanha, Alemanha, França, Bélgica, Áustria e Itália), a Rússia czarista, o Japão e os Estados Unidos asseguram na China, pela força das armas, uma série de privilégios: a transferência de Hong Kong para a Grã-Bretanha, em 1843, a forte redução de impostos sobre mercadorias estrangeiras (assim como os governos europeus estabeleceram barreiras alfandegárias para proteger as suas indústrias), a abertura dos portos principais a navios estrangeiros e o direito de ter áreas urbanas sob a sua administração (as “concessões”) subtraídas à autoridade chinesa.
Em 1898, a Grã-Bretanha anexou a Hong Kong, a península de Kowloon e os designados New Territories (Novos Territórios), concedidos pela China “por aluguer”, durante 99 anos. O descontentamento generalizado sobre estas imposições fez explodir uma revolta popular, no final do século XIX – a Revolta dos Boxers - contra a qual interveio um corpo expedicionário internacional de 16 mil homens sob comando britânico, no qual a Itália também participou.
Desembarcou em Tianjin, em Agosto de 1900, saqueia Pequim e outras cidades, destruindo numerosas aldeias e massacrando a população. Posteriormente, a Grã-Bretanha assume o controlo do Tibete, em 1903, enquanto a Rússia czarista e o Japão dividiram a Manchúria, em 1907.
Na China reduzida a condições coloniais e semi-coloniais, Hong Kong torna-se o principal porto de comércio baseado na pilhagem dos recursos e na exploração esclavagista da população. Uma massa enorme de chineses é forçada a emigrar, sobretudo para os Estados Unidos, Austrália e Sudeste Asiático, onde é coagida a condições semelhantes de exploração e discriminação.
Surge, espontaneamente, uma pergunta: em que livros de História estudam os jovens que pedem à Grã-Bretanha para “salvar Hong Kong”?
ilmanifesto, 17 de Setembro de 2019
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