terça-feira, 24 de março de 2026
O SIONISMO TEM UM PROJETO DE DOMÍNIO DO MÉDIO ORIENTE (Crónica da IIIª Guerra Mundial nº58)
quinta-feira, 19 de março de 2026
O MAIOR SACRILÉGIO
https://substack.com/home/post/p-190389107 Trump sentado e os membros do seu governo, rodeiam-no, em adoração
A característica principal das guerras que têm afligido o Planeta, desde o século XXI, é que estão relacionadas estreitamente com crenças religiosas.
- Note-se a associação da retórica belicista dos dirigentes dos EUA com a ideologia de «Manifest Destiny», ou seja, da missão divina de que o povo dos EUA está incumbido, de ser o líder das nações e guiá-las para a Pax Americana, uma forma laicizada de «paraíso terreal».
- Note-se também o elemento religioso da Jihad de povos islâmicos, sejam sunitas ou xiitas, de combater o «Grande Satã», que identificam com o Ocidente em geral (e os EUA, em particular), com a degradação moral, com a arrogância de ricos, etc.
- O combate entre o Ocidente cristão (ou que se auto-intitula assim) e o ateísmo «diabólico» do comunismo foi outro dos grandes lemas das cruzadas anti-comunistas, durante a 2ª metade do século XX.
O próprio comunismo (ou marxismo- leninismo) foi transformado em «religião sem Deus», uma ideologia pseudo-científica, como todas as ideologias.
Podíamos continuar a descrever extensivamente a dimensão religiosa nos acontecimentos (nem todos com caráter bélico, aliás) que ocorreram neste último quarto de século. Quer para dar uma justificação falsa, ou devido à convicção verdadeira dum povo, o facto é que os Estados se têm apropriado de argumentos (pseudo-)teológicos.
No plano estrictamente material, direi que a concorrência entre Estados supõe e é insuflada por concorrência entre grupos de interesses, principalmente económicos. Esta concorrência, perante a limitação drástica dos recursos disponíveis no planeta, assim como a extensão dos mercados a todas as regiões, faz com que se intensifique a concorrência entre grupos capitalistas oriundos de várias nações, «obrigando» a que se confrontem em guerras: pelo controlo das matérias-primas, pelo exclusivo ou privilegiado acesso aos mercados, pelo domínio sobre outras nações ou, mesmo, pela hegemonia mundial. Todas estas instâncias se verificam, senão em simultâneo, pelo menos numa combinação de várias motivações, nestes breves 26 anos do século presente.
Mas, se nos debruçarmos um pouco mais atentamente, verificamos que as guerras - sejam elas de confronto total, sejam elas de âmbito confinado - têm um grau de destruição humano e ambiental muito superior às guerras que existiram desde a antiguidade até à 1ª Guerra Mundial, de 1914-18. Poderíamos argumentar que, a partir do século XIX, as potências e as oligarquias que as financiavam estavam em concorrência direta pelos recursos (tanto de matérias-primas, como humanos), capturados pelos países tendo maior número e extensão de colónias.
- O continente africano era repartido sobretudo entre britânicos e franceses, com importantes extensões nas mãos de portugueses, belgas, alemães e espanhóis. O Oriente-Médio também estava talhado de modo semelhante, sobretudo entre britânicos e franceses.
- O império russo estendia-se, sobretudo, intra-fronteiras, não era um império baseado em conquistas ultramarinas. As suas ambições no início do século XX, já eram semelhantes às que tem agora, ou seja, poder desenvolver o seu enorme potencial na Sibéria, no Ártico e noutras partes, que ainda têm imenso potencial por explorar.
- A China estava subjugada, primeiro pelos britânicos e depois por uma série de potências europeias e também pelos EUA e o Japão. O jugo neo-colonial era agravado pela guerra e invasão japonesa em 1931 e pela rivalidade entre facções na sociedade chinesa. Por fim, com a derrota das tropas nacionalistas (apoiadas pelos EUA), deu-se a proclamação da República Popular da China, sob direção do Partido comunista. A China era, em 1949, um país pauperizado, com uma situação de pobreza semelhante aos mais pobres do «Terceiro Mundo». O seu reerguer só teve início a partir da década de 80. Também a RPC, como a Rússia, tem internamente uma grande variedade de etnias, umas mais integradas, outras com maior resiliência à assimilação cultural. As comunidades que aceitam de bom grado a liderança do Partido Comunista não vivem numa situação de opressão, que se verifica no Tibete e no Xinjiang.
- A confrontação através de «proxi» - ou seja - de aliados dum ou doutro bloco económico/ideológico, caracterizou a segunda metade do século XX, assim como a libertação de muitos países sob tutela colonial, muitas vezes pela luta armada.
- As guerrilhas também foram amplamente utilizadas pelos países ocidentais, em particular pelos EUA, que armavam, treinavam e alimentavam a contra-revolução em países da América central (ex. Nicarágua, El Salvador...) e muitos outros países ex-coloniais (África e Ásia). Também exerceram uma constante subversão no interior dos países do Bloco Soviético, em particular, infiltrando agentes e alimentando grupos de dissidentes internos, ou no exílio. Pode dizer-se que este confronto resultou num enfraquecimento do controlo sobre vários países do Pacto de Varsóvia: Houve revoltas com repercussão importante na Hungria, na Checoslováquia, na Polónia e na Roménia. Por fim, a situação na Alemanha de Leste tornou-se insustentável para o governo e resultou na «Queda do Muro de Berlim».
- No entanto, as forças que eram apoiadas por americanos e seus aliados, sofreram muitos revezes em lutas pós-coloniais em África, na Ásia e na América Latina. Por exemplo, a derrota do exército do regime de Apartheid (junto com forças angolanas de Savimbi) que foram paradas e destroçadas, por volta da declaração de independência desta ex-colónia portuguesa. Outro exemplo: os Sandinistas na Nicarágua derrotaram os Contras, ativamente apoiados e enquadrados por militares dos EUA. Ou ainda, a derrota do exército iraquiano nos anos 80, no tempo de Saddam Hussein, apoiado pelos EUA e por países europeus, contra o Irão recém triunfante da revolução que depôs o Xá e instaurou o regime xiita.
- No século XXI, a guerra por meio de aliados e apoios das grandes potências, continuou («proxi wars») mas houve - a partir do 11 de Setembro de 2001 - o envolvimento direto do exército dos EUA e de contingentes da OTAN.
- Os países oprimidos que são esmagados pela força militar muito superior de uma grande potência, têm de construir uma narrativa que os justifique a não depor as armas e continuar a combater. Estas narrativas sintetizam traços de identidade nacional e crenças religiosas. Por isso, é comum haver nelas elementos apocalípticos, o que confere maior tenacidade à sua resistência armada.
- Igualmente, os países opressores, na guerra desumana que levam a cabo contra a população civil inimiga, vão produzir narrativas para «inocentar» as tropas perante os seus cidadãos, das atrocidades por eles cometidas. Estas - supostamente - são cometidas «somente» pelos inimigos. Não é raro haver uma componente racista e a utilização da religião para fins de propaganda, sobretudo, junto das suas tropas e da população civil. A dessensibilização da cidadania destes países agressores, vai amplificar o medo ressentido e o perigo imaginado, sobretudo.
Segundo o Prof. Jiang, este confronto atual assume contornos escatológicos. Por outras palavras, trata-se de justificação pelos fins. Os combatentes e as populações civis são endoutrinadas de que esta guerra será a última, que os sofrimentos presentes «abrirão os Céus», seja para a vinda do Messias, seja para um Reino Divino, seja para outras visões sobrenaturais.
Assim, os constrangimentos que a guerra «somente militar» tinha explícitos (poupar as populações civis adversárias, não destruir recursos vitais para a subsistência da população, respeitar os prisioneiros de guerra, etc) vão ser «esquecidos», pelo fanatismo e os instintos de morte dos combatentes de ambos os lados. Se ambos se julgam «o Braço de Deus», concedem a si próprios o papel de «justiceiros»: Qualquer atrocidade que cometam, é vista pelos seus superiores hierárquicos com indiferença, senão mesmo, como digna de louvor .
A religião de qualquer povo, de qualquer etnia, não está aqui em causa. O que está em causa, é o que chamo o «maior sacrilégio»: O de utilizar a mensagem fundamental de cada religião, de sábios e válidos ensinamentos, para produzir uma distorsão monstruosa. Assim, estão cometendo um sacrilégio, uma monstruosidade e uma farsa, contra os seus livros sagrados e contra a prática multi- milenar das religiões, de que dizem ser adeptos.
Todos os povos envolvidos em guerras tendem a cair nisso, mas quem os incita são os dirigentes políticos e religiosos e os chamados «líderes de opinião»: todos eles têm culpas agravadas, embora cada pessoa deva ter «freio moral» para não se deixar embarcar em ódios vesgos contra o «inimigo». Tanto mais que a informação que nós recebemos é um apanhado de propaganda, seja qual for o lado em que nos encontremos. Não podemos senão nos basear sobre os ensinamentos de elevado valor espiritual, que estão presentes em todas as religiões. Só assim cumprimos o nosso dever; só assim mostramos respeito verdadeiro por Deus e pelas Escrituras Sagradas.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2026
América e União Europeia em "processo de divórcio "[Crónica da IIIª Guerra Mundial nº54]
A crónica de Pepe Escobar é autêntica ou fake? « A Europa Pode Sobreviver Sem a América? O Fim de 80 Anos de Aliança»: é um vídeo que tem um texto que não me convence de todo. Começa com algumas evidências, para não dizer lugares comuns. Depois, faz conjecturas, demasiadas, para um verdadeiro jornalista, como é Escobar. A qualidade de um jornalista especializado em geopolítica deve ou deveria ser de focalizar o discurso naquilo que é, não especulando sobre os comportamentos futuros de A, B ou C. Além disso, sujere que a Polónia e os Estados Bálticos foram «vítimas» do Estado Soviético... Eu sei que os referidos povos viviam em condições materiais melhores que os cidadãos da Rússia, no período do pós-guerra até 1990. Isto pode parecer estranho para os ocidentais, que estavam sempre (e continuam) inundados por narrativas anti-soviéticas e anti-comunistas.
De qualquer maneira, eu acredito na inevitabilidade de um divórcio entre os EUA e a Europa, se Trump e a sua equipa continuarem no rumo traçado desde o princípio do mandato nº2 de Trump (e mesmo antes). Em poucos meses a Europa foi humilhada em várias frentes:
-Diplomática: as conversões diretas entre Trump e Putin em Anchorage, no Alasca (europeus completamente afastados de negociações no que respeita a um eventual acordo de paz com a Rússia)
- Comercial: o forçar de um «acordo», que mais parece uma capitulação, quando os «aliados» (vassalos) europeus tiveram de «engolir» taxas alfandegárias de 15% e sob ameaça destas duplicarem, se as relações dos europeus com Rússia e China não agradarem ao «bully» na Casa Branca.
- Militar: A obrigação de subir para o nível de 5% as despesas orçamentadas com as forças militares, o equivalente a um imposto brutal e insustentável, mas que os governos tiveram de aceitar. Trump ameaçou com a saída das forças americanas estacionadas na Europa. Os governos europeus, sentiram-se de facto ameaçados, porque se viam de repente sem o aliado mais poderoso, com o arsenal nuclear capaz de colocar em xeque a Rússia.
- Económica: As sanções europeias contra a Rússia após a invasão da Ucrânia, em Fevereiro de 2022, mais pareciam auto-sanções. Quem mais sofreu, foram empresas agrícolas e industriais da U.E. que ficaram - de repente- sem uma boa fatia do seu mercado.
- Energética: Num episódio grotesco, Biden ordenou a sabotagem dos gasodutos Nordstream 1 & 2. Cobardemente, a Alemanha e outros países da UE, que beneficiavam com o gás russo, fizeram como se não soubessem quem ordenara a sabotagem e porquê.
Daí resultou:
a) Colapso industrial: O gás americano, 5 vezes mais caro que o russo, é transportado por navio desde os EUA e obriga a dispendiosas instalações portuárias para ser distribuído localmente. Foi a sentença de morte de muitas empresas industriais, que tinham uma alta fatura em energia. As empresas que sobraram, em geral mega empresas, como a Volkswagen ou a BASF, foram para a China ou para os EUA. As condições eram melhores nestes países, tanto em custos de energia, como em impostos, regulamentações ambientais, encargos salariais... A Alemanha e outros países do centro e norte europeu experimentaram uma desindustrialização severa e súbita.
b) Na realidade, o poder hegemónico estava a obrigar os seus vassalos europeus a um regime incompatível com a manutenção do nível de salários, de pensões, de apoios sociais, na maioria da U.E., que tinha vigorado desde há mais de 50 anos. Estava a obrigá-los a submeterem-se, a ficarem «pés e mãos» atados ao poder Imperial, quer pela despesa militar acrescida (que vai enriquecer empresas americanas do complexo militar-industrial), quer pela dependência quase total em energia (escoamento do gás e petróleo de xisto americano).
c) A humilhação máxima aos europeus, ocorreu quando Trump ameaçou ocupar (militarmente) a Groenlândia, um território autónomo associado à Dinamarca. Isto deveria ter causado um corte na OTAN, com os EUA, pelos «aliados». Mas, os governos europeus não tiveram coragem de dizer -«olhos nos olhos»- a Trump, que ele estava enganado, que a Europa não era «colónia» dos EUA. Perante esta atitude de encolhimento, a intenção do bully máximo será de redobrar a chantagem com suas vítimas, para que estas cedam ainda mais.
Não é obrigatório, aliás, que aquilo que Trump procura, seja o território da Gronelândia. Os EUA já tinham obtido da Gronelândia, tudo aquilo que queriam: Desde a «Guerra Fria nº1» que tinham uma importante base militar em Thulé. Tinham todo o controlo do espaço aéreo. A soberania da Dinamarca sobre o território, já era apenas nominal.
Aliás, seria totalmente impensável que a Dinamarca, ou o governo autónomo da Gronelândia, dissessem «não» ao reforço dos dispositivos da OTAN nesta ilha setentrional ... A insistência em adquirir ou ocupar a Gronelândia pode ser lida de várias maneiras: Uma delas, é de se tratar de um bluff... Trump obteria, em compensação de sua renúncia a ocupar a Gronelândia, acordos vantajosos, que dinamarqueses e a Comissão de Bruxelas aceitariam, como meio de «salvarem a face».
Conclusão: De qualquer maneira, os co-autores de tudo isto são os políticos no poder, na Europa (ao longo de décadas). A ideia de que a Europa não pode ser um espaço de paz e liberdade, se os diversos Estados não estiverem reunidos numa estrutura supra-nacional, cada vez mais autoritária, é uma enorme falácia. Na realidade, esta falácia tem servido aos Estados mais fortes, em detrimento dos mais pequenos, ou mais frágeis.
Na realidade, os satrapas que passam por ser nossos dirigentes nos países europeus, integrados na OTAN, são os responsáveis. Mas nós, povos europeus, somos as vítimas. A ex-Jugoslávia e a Ucrânia contam às dezenas ou centenas de milhares, os seus mortos nas guerras diretamente protagonizadas (ex-Jugoslávia) ou incentivadas e apoiadas (Ucrânia) pela OTAN e pelos seus Estados mais poderosos. Muitos povos europeus do Leste, Oeste, do Sul e do Norte, têm sofrido os programas de austeridade e agora vão decuplicar tal austeridade. O nível do apoio social prestado (Estado de bem-estar ou Welfare-state) nos países da Europa ocidental degradou-se, desde que se deu a implosão da URSS e do Pacto de Varsóvia. Agora, caminha-se para algo pior; a generalização da guerra, o que traz sempre miséria.
Será uma guerra pior que a IIª Guerra Mundial, mesmo que não sejam usadas armas nucleares estratégicas ou tácticas. Basta ver o estado de destruição na Ucrânia.
Os políticos europeus ocidentais insistem em «continuar a guerra até à derrota final da Rússia». Seria cómico, se não fosse mortífero para milhares de militares e civis (de ambos os lados), que se batem e sofrem com uma das guerras mais cruéis em todo o mundo, desde a guerra da Coreia!
quarta-feira, 3 de dezembro de 2025
O MEDO E COMO O COMBATER
sábado, 25 de outubro de 2025
MEARSHEIMER: PAZ SABOTADA PELOS GOVERNOS OCIDENTAIS
segunda-feira, 6 de outubro de 2025
A VISÃO DO MUNDO DE UM ESTATÍSTICO, NASSIM TALEB
COMO A PRÓXIMA DÉCADA VAI DECORRER.
Nassim Nicholas Taleb sobre... EUA & Subida da China
quarta-feira, 1 de outubro de 2025
A «LÓGICA» DA GUERRA
A «lógica» da guerra não é muito complicada de se perceber. Mas, para tal, é necessário fazer tábua rasa dos argumentos sobre «quem fez isto, quem fez aquilo» e deixar de se atribuir responsabilidades, consoante as simpatias ou antipatias pessoais, ideológicas e outras.
Com efeito, a guerra é um encadeamento de atos preparados meticulosamente, determinados pelos poderes, que estão convencidos de que precisam dessa guerra para chegar aos seus fins. Só que estes fins nunca são claros, nem são enunciados de forma que permita ao comum dos mortais entender o que se passa. O processo atual da guerra está relacionado, como sempre, com uma disputa pela hegemonia. Antes, a hegemonia era relativa a um espaço limitado geograficamente. Mas, a partir da 1ª Guerra Mundial, de forma reeiterada com a 2ª Guerra Mundial e desde então, com a chamada «Guerra Fria», tratava-se de um jogo global, destinado a obter o controlo dos principais recursos do planeta, ou seja, alcançar a hegemonia mundial.
Nos dias de hoje, a hegemonia que esteve nas mãos dos EUA e seus aliados/vassalos da OTAN, durante algum tempo (desde 1991 até à primeira década do século XXI), tem sido posta em causa. Tal controlo tem escapado cada vez mais aos ocidentais. Antes, muitos deles possuíram colónias ou eram senhores de países neo-coloniais.
Tem-se registado a perda de influência no comércio mundial, dos países do «Ocidente» e o aumento de utilização de divisas próprias pelo Sul Global, neste comércio e destronando o dólar. No desenvolvimento industrial e na capacidade de inovar em domínios de ponta, os países formando o «coração» dos BRICS, têm mostrado o seu dinamismo. Este tem sido tal, que exercem uma atração sobre os múltiplos países do «Sul Global». Surge a esperança de um contexto internacional mais equilibrado. Um sem número de fatores mostram que o Sul Global e os BRICS são uma força económica e estratégica em ascenção e que o chamado Ocidente, está em decadência, em colapso mesmo, a julgar pelas revoltas que se multiplicam.
Tipicamente, nos países cujos governos estão ameaçados, a oligarquia que os domina transforma as leis e dispositivos legais, reforça os instrumentos de repressão, de modo a que a cólera dos descontentes não se transforme em insurreição. Para guardarem as aparências, vão impor estas restrições com um pretexto, que é o mesmo, desde sempre: O inimigo externo, os agentes de subversão a soldo desse inimigo externo, a necessidade de mais despesas militares e de cortes nos orçamentos sociais, para fazer face à ameaça (que pode ser puro delírio) .
A UE, sob a batuta de Ursula Von der Leyen, está em estado de quase ruptura; certas oligarquias nacionais não estão dispostas a «ir para o fundo com o navio» e já começaram a criticar as medidas tomadas pela presidente (não eleita) da Comissão Europeia.
As sondagens de opinião mostram que os povos não têm confiança nos seus líderes; sabem que têm sido utilizados como rebanho de ovelhas, sujeitos a lavagem ao cérebro, sobre «os maus dos russos, o terrível Putin, etc.»
A guerra é a saída para a oligarquia eurocrática, porque assim poderá impor as restrições que quiser às liberdades e ao funcionamento das instituições nos seus países, poderá espremer ainda mais os trabalhadores e a classe média, para obter os fundos necessários para as forças armadas. Terá um meio muito prático para calar quem discorde destas medidas, acusando essas pessoas de serem agentes do inimigo, traidores que merecem a condenação à morte. Deste modo, será fácil intimidar os que, não estando de acordo com as políticas, não se sintam dispostos a desempenhar o papel de mártires.
Nós todos podemos saber qual o momento em que uma dada guerra é desencadeada. Penso que todas as pessoas atentas concordam que as palavras de guerra estão em todas as bocas dos responsáveis políticos europeus. Mas, ninguém pode prever quando uma guerra, seja ela qual for, irá terminar.
As consequências mais terríveis duma guerra são para os pobres, para os trabalhadores, para as pessoas que não contribuíram para o estado de coisas presente. Por isso, é justo que a guerra - em si mesma- seja criminalizada: Os que a desencadeiam ficam nas suas poltronas, gabinetes, salas de imprensa, a fazer o papel de «chefes de guerra», como se fossem eles a lutar no campo de batalha. Entretanto, no verdadeiro campo de batalha (e fora dele, em «danos colaterais» envolvendo os não-combatentes), as pessoas são mortas, feridas, feitas em pedaços, mas pouco ou nada se fala delas; só para lhes dirigir palavras ocas de agradecimento, quando elas deram o que tinham de mais precioso, a própria vida.
Não existe guerra justa, porque as guerras são fabricadas pelas oligarquias e destinam-se a ter os súbditos bem controlados. Os pretextos ideológicos, políticos, económicos, etc. são apenas pretextos. As somas gastas na guerra não servem para produzir mais riqueza, só servem para armas e munições e estas, ou ficam armazenadas, ou são utilizadas. Neste segundo caso, vão causar mais destruição de vidas e do que foi construído por gerações de trabalhadores pacíficos. Nenhum país pode melhorar sua economia com o chamado «Keynesianismo de guerra». É uma forma de levar as pessoas a acreditar que a guerra possa fazer sentido económico. Mas isto é uma enorme falácia!
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Relacionado:
PS1:
Veja o vídeo de 09 de Outubro de 2025 e repare como os factos relatados confirmam o que eu disse no artigo acima.
PS2: Leia o artigo abaixo, que nos dá a medida da evolução de um «Estado de Direito, democrático» para um «Estado de Excepção, totalitário»
https://www.rt.com/news/626425-eu-russia-war-scare/
PS3:
Prof. Jeffrey Sachs https://youtu.be/6-M2u6xMoGk?si=x8IwgUAjwbXc0-T3
segunda-feira, 7 de julho de 2025
AS GRANDES INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS PREPARAM-SE PARA O «RESET» MONETÁRIO
sexta-feira, 4 de julho de 2025
terça-feira, 24 de junho de 2025
O SEGUNDO CHOQUE PETROLÍFERO (PROF. WARWICK POWELL)
No teatro volátil da geopolítica energética, poucos pontos de estrangulamento assumem tanta importância como o Estreito de Ormuz. Diariamente, cerca de 20 milhões de barris de petróleo não refinado (crude) e cerca de 20% do fornecimento mundial de petróleo, passam pelo estreito entre o Irão e Omã. Não é uma mera artéria regional; é a aorta do sistema energético global.
Enquanto as tensões se espalham e agudizam no Golfo, os cenários que antes pareciam remotos estão agora visíveis. Entre estes, está o encerramento do Estreito de Ormuz, uma ação que poderia cortar um quinto do fornecimento global de «crude». O Presidente dos EUA, Donald Trump virou-se para os media sociais vociferando contra as subidas de preços, enquanto, apelava ao Departamento de Energia dos EUA, com o seu slogan: “DRILL, BABY DRILL!!! And I mean NOW!!!” No momento em que transparecem notícias de que o parlamento iraniano aprovou medidas para encerrar o estreito de Ormuz (somente carecendo da aprovação do líder supremo para surtir efeito), o vice-presidente dos EUA JD Vance interrogava-se em público porque o Irão faria isso, argumentando que a economia do Irão depende do movimento do petróleo via Estreito de Ormuz. Parece que o VP não concebeu uma possibilidade do Irão exercer um fecho discricionário, em que os seus próprios navios seriam livres para circular.
Em qualquer caso, enquanto os participantes nos mercados e os governos estão a avaliar os custos de tal risco se concretizar, poucos parecem ter a noção da escala da deslocação decorrente de tal acontecimento. Os primeiros efeitos teriam implicações para os preços da energia e para a inflação; e depois, temos os efeitos numa segunda fase, com reverberações através do sistema financeiro e do mercado de obrigações do Tesouro (as «treasuries») dos EUA.
[Leia a continuação do artigo do Prof. Powell, em inglês, abaixo]
Shockwave Round 1: A Disruption of Historic Proportions
At present, approximately 20 million barrels per day (mbpd) transit Hormuz. Of this, around 75% heads to Asia, with China alone accounting for an estimated 6 mbpd. Should the Strait be shut entirely - and should no exemption be granted to Chinese shipments - the global market would face a sudden and unprecedented loss of up to 20% of daily crude supply.
This dwarfs previous oil shocks. During the 1973 Arab oil embargo, a 4–5% cut quadrupled prices. The 1979 Iranian Revolution saw a similar loss drive prices up more than 150%. In 1990, during the Gulf War, a disruption of around 6% pushed Brent crude from $15 to over $40 in a matter of weeks.
A 20% supply disruption, even if partially offset by strategic reserves, would likely drive prices into the $200–250 per barrel range. These are levels unseen in nominal terms, and devastating in real terms for most economies.
Two Scenarios: China Exempted or Not
As talk of closures bubble away, there is speculation that shipments of oil to China may be exempted. A similar approach has been evident in the Red Sea, where the Yemen-based Houthis have mounted a two-year campaign of targeted disruption that has largely seen ‘friendly’ shipments left alone.
If Chinese-bound oil is allowed to flow, we would see a net global market loss of around 14 mbpd, about 14% of total supply. This scenario would still send prices soaring, likely toward $150–200 per barrel, triggering energy-driven inflation spikes and forcing central banks into a grim choice between combating inflation and sustaining fragile growth. Global inflation would spike 2-4 percentage points.
But if China is also cut off - and must re-enter the global spot market to cover its 6 mbpd loss - the dynamics shift further. China would become a marginal buyer of last resort, aggressively bidding for African, Russian or Latin American barrels. The scramble for non-Gulf crude would tighten markets, deepen the price shock, and intensify global competition. In this case, prices would likely breach the $200–250 level, albeit potentially briefly. Global inflation could head toward 4-6%.
China’s Relative Resilience
Yet, China is not the same oil-dependent economy it once was. Its energy system is evolving rapidly, giving it tools and buffers that the U.S., UK, and EU currently lack.
China’s oil use per unit of GDP has been falling for years, driven by rapid electrification of transport and industry. With EVs now making up over 40% of new car sales, and record renewable energy additions in 2024 (over 300 GW), crude oil is becoming a less central component of its energy and economic structure.
This is an energy structural change that many have noted, but few have commented on in terms of the transformation of energy sovereignty that this implies.
China’s crude oil imports peaked in 2020 at ~11.1 million bpd, and have flatlined or modestly declined since then. In 2023 imports were ~11.3 million bpd, and in 2024 they were ~11.04 million bpd (–1.9% year on year). Furthermore, China’s domestic refining capacity has surpassed 1 billion tonnes / year, while internal demand growth has slowed. China increasingly exports refined products rather than importing crude to meet domestic consumption. Domestic oil production has stabilised. Crude production has plateaued but remains significant (~4.3 million bpd), and shale and enhanced recovery technology have stabilised output in key basins (e.g., Daqing, Tarim and Bohai).
China holds an estimated 1.0–1.2 billion barrels in combined strategic and commercial reserves, equivalent to 90–100 days of imports. It also benefits from state-administered pricing mechanisms, which allow it to buffer domestic consumers from international volatility. In contrast to the markets in the West, China can temporarily shield households and critical industries from fuel inflation through administrative allocation and price controls.
China enters any oil shock from a position of ultra-low inflation, with CPI running under 1% in early 2025. This gives policymakers more room to absorb price pressures without unleashing second-round effects. Whereas Western governments rely on interest rates and subsidy schemes, China can deploy direct administrative levers: mandating priority fuel allocation, subsidising logistics chains and coordinating imports through state-owned enterprises. These tools enhance stability in a crisis and can quickly redirect domestic supply chains.
The West’s Structural Exposure
By contrast, the U.S., UK, and EU are structurally exposed. These economies face a difficult set of conditions, defined by the following features:
Tighter energy markets, with reduced reserves (notably, U.S. SPR levels are near 40-year lows). Other OECD nations (such as Japan, Korea and the EU) may contribute, but can’t cover 20 mbpd with total IEA coordinated releases historically maxing out at ~6–7 mbpd, leaving a gap of ~13–14 mbpd;
Higher inflation baselines, particularly the UK, where core inflation remains sticky though it is fair to say that post-pandemic public sensitivity to inflation in the EU and U.S. should not be underestimated;
Greater reliance on market-based energy pricing. This limits the ability to insulate consumers. Alternatively, the political system will confront increased demands for fiscal interventions that may impact other objectives or public policy priorities; and
More fragile political consensus on fuel subsidies or rationing should it come to that.
A sudden oil spike to $200+ / bbl would likely add 2–4 percentage points to headline inflation in these economies. Petrol/gasoline, diesel, heating oil, jet fuel costs would surge. In the U.S., gasoline could jump to $6–8 per gallon; and in Europe and the UK, diesel and petrol prices would rise €0.50-€1.00/litre or more.
There are likely to be flow-on effects as a result of energy cost spikes and supply chain disruptions, as recently confirmed in a research paper by IMF researchers. In that paper, they examined inflation in 21 leading countries concluding that “the international rise and fall of inflation since 2020 largely reflected the direct and pass-through effects of headline shocks”. These shocks “occurred largely on account of energy price changes, although food price changes and indicators of supply chain problems also played a role.”
For the U.S., where rates are already tight, this would stall or reverse easing cycles and raise the risk of recession. For Europe and the UK, it would compound already fragile growth conditions and resurrect the spectre of 1970s-style stagflation.
A Reconfigured Global Market
If the crisis endures beyond a few weeks, expect a reshuffling of oil market alliances and logistics. China may negotiate enhanced supply corridors with Russia, Central Asia and African producers. It could also seek to broker new security arrangements for energy flows through the Indian Ocean and overland. At the same time, China could aim to expand RMB-denominated trade in energy, further eroding the dollar’s dominance. In short, China could convert its relative stability into geopolitical leverage, positioning itself as a central broker in the new energy order. The Shanghai Oil and Gas Exchange may get more action than it expected to see in the short term.
While everyone loses in an oil shock, not everyone loses equally. China’s structural reforms over the past decade, its strategic buffers and administrative capacities give it a measure of insulation that the liberalised economies of the West currently lack. If the Strait of Hormuz closes - and global prices surge - the West may find itself not only economically exposed, but also strategically outflanked.
Demand destruction at $150+ / bbl could slow industrial consumption in OECD economies, further hampering industrial output. Indeed it is conceivable that any prolonged energy supply shock of the type discussed here could be the final nail in the coffin for many western European enterprises hanging on by their nails. This is a death spiral. On top of this, speculative flows would amplify price volatility with hedge funds and traders pushing pricing beyond “fundamentals.” Some in Europe see the writing on the wall; Hungarian PM Orban, for example, is calling on the EU to drop its planned ban of Russian oil by 2027. Slovakia is backing Hungary on this.
Meanwhile, emerging markets are likely to suffer from both rising oil import costs and global capital outflows, with some exposed to worsening food insecurity risks as fertiliser and logistics costs rise.
Shockwave Round 2
The second, and potentially more destabilising shockwave occasioned by a truncation of daily crude supply in the order or 20%, will fall in the heart of the global financial system: the U.S. Treasury market. What begins as an energy crisis could swiftly mutate into a full-spectrum financial crisis, with consequences for inflation, sovereign credibility and the long-term role of the U.S. dollar.
A Market Already Under Strain
The Treasury market is already under pressure. The U.S. is running structural deficits exceeding $1.5 trillion annually. Treasury issuance is at record highs, just to keep up with debt rollovers and net fiscal appropriations. Liquidity in off-the-run Treasury securities is thin, while the market relies increasingly on leveraged speculators (hedge funds using basis trades) to function.
Foreign buyers, once the bedrock of U.S. debt demand, are in retreat. China, Japan, and oil-rich Gulf states have all reduced holdings of Treasuries in recent years. The U.S. domestic market, via primary dealers and money market funds, now absorbs more of the burden, but it does so with shorter duration appetites and heightened risk sensitivity. I have explored these issues at length elsewhere.
Treasuries in the Crosshairs
A sudden spike in oil to $200+ / bbl injects immediate inflationary pressure into the U.S. economy. Gasoline prices could surge above $7 / gallon. Freight, food, plastics and fertilisers would all reflect the new cost base. Within weeks we could see headline CPI rising 2–4%, depending on pass-through intensity. Add to this the inflationary effects of tariffs and we have powerful forces at work reducing USD purchasing power. Market expectations (or hopes) for Fed rate cuts would vanish. Indeed, interest rate hikes might return to the table.
Real yields on Treasuries would need to rise to keep pace with inflation. But that means falling bond prices, and fast. The Treasury market, already crowded with supply, would then face waning demand, rising yields, and panic-driven volatility. In short: the conditions for a sell-off ripen. In a fragile market structure, this is not a distant risk. We’ve seen shadows of it before: in the March 2020 Treasury market dislocation, and the UK gilt crisis of 2022, where leveraged positions and margin calls cascaded into liquidity breakdowns.
In this scenario, the Federal Reserve becomes trapped. On the one hand, raising rates to tame oil-driven inflation could deepen bond losses, risking a full-blown market seizure. On the other hand, if the Fed intervenes with QE or yield curve control, it would be accused of monetising inflation, triggering a loss of confidence in the dollar itself. Either path further undermines the safe-haven status of Treasuries, long the foundation of global pricing benchmarks, collateral frameworks and central bank reserves.
China’s Asymmetric Advantage
Meanwhile, as noted, China may face high oil prices and energy volatility, but not only is its energy structure better equipped to cope with this, on the financial front, it is less exposed to Treasury market contagion. This is because its sovereign debt is domestically held, with minimal foreign influence, and China doesn’t rely on offshore capital markets to offset deficits. The People’s Bank of China can act with direct fiscal-monetary coordination, avoiding the incoherent two-handedness of Western policy.
A post-shock environment may accelerate China’s de-dollarisation strategy. The move to RMB-denominated oil deals with Russia, Iran and others would deepen. The attractiveness of yuan-settled trade for the Global South would rise, especially if the dollar becomes volatile. China’s role as a broker of new multipolar financial flows would expand, from energy payments to infrastructure and development finance. It is unsurprising that the head of the PBOC, Pan Gongsheng, has recently discussed the importance for global financial stability of expanding currency multipolarity.
A Crisis of Confidence in the Dollar
The first oil shock of the 21st century will not be confined to petrol (gas) stations. Its second-order effects - in bond markets, central banks and global capital flows - will be no less profound. For decades, the U.S. dollar and Treasuries were considered immune to domestic dysfunction, protected in effect by sheer global dependence. But that reliance has become a double-edged sword. In a crisis born of oil and spread through debt, the global financial system’s historic anchoring mechanisms will come under further strain. The rethinking will only accelerate.
And once again, while everyone will feel the pain, China is arguably best placed to absorb the shock, reshape the rules of engagement and emerge with enhanced leverage in a reconfigured global system. As history shows, oil shocks often rewire global power. The next one may do just that - only this time, China could emerge as the stabiliser. The West, in contrast, must prepare not only for an inflationary spike but for a crisis of confidence in its own financial core.
No wonder Trump and Vance were in a hurry to tone down the risk of the Strait of Hormuz being blocked, and to find pathways to de-escalating a conflict that could rapidly spiral out of control.
quarta-feira, 28 de maio de 2025
A FÍSICA DAS BOLHAS ESPECULATIVAS
Desde já quero afirmar que há zero hipóteses da bolha do crédito não rebentar. A hipótese de ser desinflada suavemente, sem haver grandes cataclismos nos mercados e na economia mundial, é apenas um sonho que poderá servir para tranquilizar pessoas especuladoras e gananciosas, daquelas que costumam embarcar na narrativa mais fantasista, mas que satisfaz o seu insaciável apetite por mais e mais lucro.
Então, qual é a física (e não a metafísica!) das bolhas especulativas?
- As bolhas não têm um substrato real, ou seja, são expansões de preços, de capitalizações bolsistas ou valorações nos mercados, que não têm por base um verdadeiro acréscimo de valor da coisa especulada. Quer sejam ações, títulos do tesouro, túlipas, quadros de artistas «na moda», objetos de coleção, ou outro veículo qualquer, quais são os fatores psicológicos* subjacentes?
1º - A perceção de que um ativo está continua e persistentemente subindo de preço. Temos os exemplos das ações cotadas no NASDAQ, das cotações do Bitcoin e outras criptomoedas, etc.
2º - A perceção de que, devido à enorme procura de um certo item, este se torna mais e mais raro no mercado, quer isto seja verdade, quer não. Temos os exemplos do ouro e dos metais preciosos. No longo prazo, realmente, vai havendo menor quantidade de metal precioso, extraído das minas, ou por descobrir. Mas nos semi-condutores ou «chips» é diferente. Neste caso, há estrangulamentos causados por sanções e guerra comercial, mas ao nível da produção dos mesmos não há diminuição, apenas roturas nas cadeias de abastecimento.
3º - A perceção de que um pequeno investimento pode fazer a fortuna de qualquer um. Esta ilusão é muito difundida no público que se deixa seduzir pelas criptomoedas. Em geral, a procura de ações já claramente sobrecotadas, o «panic buying», é motivada pelo receio de que «todos vão beneficiar e ficar mais ricos. Se eu perder a oportunidade, irei ficar para trás».
4º - A perceção de que «desta vez será diferente». Claro que os episódios especulativos são únicos num certo aspecto, as circunstâncias particulares nunca se repetem.
Porém, as diferentes fases do ciclo estão sempre presentes:
1- A "descoberta". 2- a "subida exponencial". 3 - as "oscilações no topo". 4 - a "descida brusca e inesperada" atribuída ao acontecimento X,Y ou Z. 5 - o "ressaltar do ativo" dando oportunidade a novos investidores entrarem. 6- A descida fatal, acentuada e prolongada . Todos querem vender, mas só poderão fazê-lo com grandes perdas. 7- O «ressalto do gato morto», uma transitória inversão da trajetória descendente que faz com que alguns acreditem que ainda poderá haver uma "subida espectacular". 8 - O cancelar do sonho; quando o "mirífico veículo para enriquecer toda a gente" se torna odiado e desprezado por todos.
No caso da expansão mundial do crédito (= da dívida) estamos na fase em que muitos investidores já estão com receio, já muitos desconfiam das manobras dos bancos centrais, mas em que poucos têm a lucidez de analizar o fenómeno no seu conjunto e compreender a natureza desta enorme bolha. Com efeito, a bolha do crédito impulsiona todas as outras (a bolha do imobiliário, a bolha das bolsas de valores, etc.) e perpetua-se devido a um erro de avaliação dos indivíduos e mesmo das nações.
Um indivíduo fica iludido (num contexto de inflação) quando pensa: «tenho hoje mais notas de banco, do que na semana passada, portanto sou mais rico».
Uma nação também é vítima da expansão sem limites do crédito, através de falsificação do cálculo do PIB. Este, em todos os países, é manipulado: Minorizam sempre o grau de inflação para que o PIB, mecanicamente, apareça como positivo, quando na realidade, está em contração.
Porém, há quem jogue o seu jogo de enganar as massas, para daí tirar maior proveito próprio. Os bancos centrais e os governos estão mais avançados e mantêm o público na maior ignorância possível. Estão a forjar novos e implacáveis meios de nos escravizar, mais ainda do que já estamos: Os famosos CBDC estão aí, tecnicamente prontos para funcionar, apenas esperando que a oligarquia mundial escolha o momento mais favorável para os Bancos Centrais, coordenadamente, lançarem as ditas divisas digitais. Ficam no vago, quanto aos detalhes técnicos, pois estes poderiam assustar (e com razão, aliás) o povo. Teremos a «surpresa» de ficarmos completamente dependentes, transparentes, e sujeitos aos governantes... A definição mesma da escravidão. Mas, sempre com a «garantia» dos governos, de que é para o bem dos cidadãos e, sobretudo que «será fácil» e que não terá grandes diferenças (dizem eles!) em relação ao dinheiro digital que já existe hoje.
A guerra também preenche o seu papel.
Para submeter a cidadania a um novo regime de controlo absoluto das nossas finanças pessoais, através dos CBDCs, não há nada melhor que uma «situação excecional» para servir de alibi.
Qual o pretexto de que os governos se servem para suprimir as liberdades mais elementares e os direitos «inalienáveis» dos cidadãos? Quando há um estado de guerra, todas as liberdades e garantias são suspensas, por simples decreto governamental. O cidadão desaparece, o que conta é o sacrifício coletivo pela pátria... Os intervalos entre guerras são geralmente superiores a 50 anos, pelo que as pessoas da geração que viveu isso, ou já morreram, ou têm a memória demasiado debilitada pela velhice; as jovens gerações não sabem nada dos sofrimentos dos seus avós e o que lhes «ensinam» na escola, são narrativas moralistas e que passam sob silêncio o papel dos grandes industriais e financeiros.
Como dizia Napoleão, «o dinheiro é o nervo da guerra». Os mais belicosos dirigentes, nos países da UE, pretendem reforçar os arsenais com empréstimos forçados, sem mandato dos respectivos povos, uma autêntica extorção dos cidadãos pelos Estados. Centenas de triliões de dólares serão gastos em armamentos. Estes triliões acabam sempre por ser cobrados, pelos impostos, às presentes e futuras gerações. Mas, nunca vão buscar esse dinheiro à fortunas das oligarquias, causadoras destas catástrofes. Porém, sabemos que elas as provocaram, as amplificaram e delas beneficiaram. É normal: São elas que traçaram o cenário; não se pode esperar que o façam de modo a que seja a sua própria classe a perder!
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*Nota: trata-se de aspectos psicológicos nos indivíduos e nas massas e suas repercussões no preço de mercado de um ativo.




