Nesta guerra global queria ouvir o canto da cotovia
Queria ouvir as vagas no bordo do navio
E cheirar flores naturais nos caminhos campestres
Mas não posso, ou melhor, não quero
Não paro de me interrogar, noite e dia
Mas o que saíu mal, com nossa civilização?
O humano é um monstro disfarçado, afinal?
Para quê fazerem filhos, neste ocaso
De tudo o que existiu de bom e generoso?
Serei o último a julgar os irmãos e irmãs
Que se debatem dia-a-dia para o sustento
Para se manterem à tona neste maremoto
Não serei eu a indicar-lhes o caminho
Minha bússula avariou-se; seria vão
Procurar rumo nesta escuridão
A única esperança que nos resta
É resguardar entre nós o humano
Não esquecer nunca o que somos
A guerra global é feita pelos poderosos
Estes, já o sabem há muito tempo
Os pobres precisam aprender
E quando os povos o souberem,
Saberão libertar-se e construir
A paz, que só depende de nós