segunda-feira, 26 de janeiro de 2026
Louis Couperin e a Escola Francesa de Cravo (Segundas-f. musicais nº47)
segunda-feira, 19 de janeiro de 2026
«O TIO LOUIS » (Segundas-f. musicais nº46)
As obras para órgão de Louis Couperin (1626-1661) foram, durante muito tempo, desconhecidas. Só vieram à luz, graças à descoberta (pelo musicólogo inglês Guy Oldham) de um manuscrito, no ano de 1958. Este, contém cerca de 70 peças, de uma excelente qualidade e variedade; incluem peças propriamente litúrgicas (baseadas no cantochão gregoriano), fugas sobre temas (como «Urbs Beata», «Conditor») e peças de estilo "livre", fantasias, principalmente.
A sua obra de órgão é de grande importância para a evolução da escola francesa, pois faz a ligação entre Titelouze (c. 1562/63 – 1633) e Nivers (1632-1714) .
No link seguinte, «Obras de Louis Couperin», podeis encontrar a lista completa das obras instrumentais deste importante compositor do século XVII. Em termos de divulgação, as obras para cravo são mais frequentemente executadas, que as para órgão. Com efeito, Louis Couperin foi um importante compositor para cravo: São consideradas invenções dele os «Préludes non mesurés», ou seja, prelúdios típicos da escola francesa de cravo. Tem numerosas Fantasias para cravo, suites, peças descritivas e as Chaconnes e Passacailles, de grande qualidade. A sua obra para o cravo será objeto dum artigo específico, na rubrica das «Segundas-f. musicais».
Os acasos da História da Música, assim como a fama alcançada pelo sobrinho, François Couperin, cravista da corte de Louis XIV, fizeram com que o sobrinho recebesse o cognome de «Le Grand», eclipsando parcialmente a memória do tio (cuja influência é bastante nítida nas obras para órgão do sobrinho François).
Não nego que François Couperin seja um dos maiores compositores franceses de todos os tempos. Mas, convém sublinhar que estava inserido numa família de músicos ao longo de várias gerações, tal como os Bach: Houve diversos Couperin talentosos, antes e depois de François, o mais célebre.
Esta fantasia, assemelha-se estilisticamente a peças de François Couperin para órgão, especialmente do livro de órgão «Messe à L'Usage des Paroisses».
A interpretação é no órgão da Igreja de Saint Gervais, em Paris: Foi o órgão de que Louis Couperin e várias gerações de sua famíla, foram organistas. É uma maravilha de equilíbrio sonoro. É muito adequado para o reportório do século XVII . A peça é interpetada por Aude Heurtematt, organista titular.
terça-feira, 29 de novembro de 2022
Kanji Daito interpreta Louis Couperin, «Pasacalle em sol menor»
A Pasacalle (em francês Passacaille) é uma dança lenta, de origem hispânica, provavelmente importada do Novo Mundo e baseada num baixo obstinado, ou seja, que repete sempre a mesma fórmula. Esta base permite que a estrutura seja organizada em variações sucessivas, em torno do tema.
A Passacaille, como outras danças sobre basso ostinato (Chaconne, Pavane) seria o tipo de peça onde o compositor/interprete podia exibir seus dotes de improvisação criativa sobre um tema. O que ouvimos agora, é a codificação escrita duma prática de improvisação.
A improvisação praticada tanto por organistas, como por cravistas ou alaudistas, permeou todo o barroco e foi somente suplantada aquando do triunfo do romantismo. Na época romântica, a personalidade do compositor "passou de simples artesão, a artista." O compositor passou a ser considerado um herói, um «génio», sendo, portanto, imprescindível o intérprete reproduzir, com a maior fidelidade, as mais subtis e etéreas impressões dos seus estados de alma.
Nada disso fazia parte do espírito barroco. Neste, a forma podia ser muito simples, mesmo austera. Porém, supunha-se que o intérprete desse mostras de criatividade e bom gosto, ao nível da ornamentação. Nesta época era legítimo serem usados variados instrumentos para uma mesma peça. Todos os grandes compositores da época se copiavam uns aos outros; o conceito de plágio era totalmente estranho ao espírito barroco. Não havendo «copyright», a música era destinada a ser copiada de mil e uma maneiras; quanto mais, melhor!
Kanji Daito*, ao cravo, capta a essência da música barroca francesa. A sua perfeita interpretação está igualmente penetrada de uma subtil nostalgia, que tem como contraponto a sempre renovada construção sobre o tema do basso ostinato.
domingo, 21 de abril de 2019
MESSE À L'USAGE DES PAROISSES, FRANÇOIS COUPERIN
François COUPERIN - Messe à l'usage des Paroisses (Jean PRUDHOMME)
Entre este número limitado de obras, figuram as duas missas para órgão: A missa para as paróquias e a missa para os conventos. Ambas foram editadas num livro de órgão, em 1690, tinha então François Couperin 22 anos, apenas.
Com efeito, o conjunto das duas missas para órgão, constitui uma síntese dos traços fundamentais da escola de órgão francesa do século XVII.
Estas missas para órgão de François Couperin podem ser a porta de entrada para descobrirmos a enorme riqueza da escola francesa de órgão.
quinta-feira, 16 de março de 2017
FROBERGER «TOMBEAU...» POR SOPHIE YATES
Compôs também um célebre «tombeau» em honra do alaudista seu amigo Monsieur de Blanrocher, que morreu nos seus braços.
