sexta-feira, 14 de agosto de 2026

EUA têm plano para domínio global [prof Jiang Xueqin]

 


A "INVENÇÃO " DA SOLIDÃO


 Muito interessante e apropriada, esta leitura sociológica dos espaços habitados, de como eles condicionam as pessoas. 
No sítio onde vivo, num subúrbio longe da capital,  as pessoas falam-se, trocam «bons dias» quando se cruzam, os vizinhos conhecem-se. Nas «colmeias» ou «termiteiras» humanas das grandes cidades, as pessoas ignoram-se, não fazem a mínima ideia de como se chamam os vizinhos. Se se cumprimentam no exterior ou no elevador do prédio, é muitas vezes  com um mero acenar da cabeça.

A solidão social é muito maior nos aglomerados de elevada concentração populacional. Nestes, os espaços foram à partida construídos em grandes conjuntos, na vertical, onde as pessoas se vão alojar, mas onde sua participação na construção e planificação é nula.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

MEDITAÇÕES [12 DE AGOSTO DE 2026]



A constante agitação e desatenção em relação ao próprio e aos demais, como se toda essa agitação fosse positiva, é o fenómeno visível do descentramento de certas pessoas.

Mas, a agitação não é a ação. É a expressão de uma inquietude , de uma instabilidade, dum desejo insaciável. Esta sociedade impregna seus membros, desde crianças, com os seus não-valores. Reforça assim a crença na hierarquia, na meritocracia e na visão dicotómica do mundo.

O sábio não vai contrariar a maré de estupidez, não vai tentar convencer as pessoas de que não estão certas; isso seria inútil e até perigoso.

Não é errado estar centrado em si mesmo. Não significa que se esteja num postura egoista, pelo contrário: Poderá ser um modo de estar responsável, ciente de que se tem de cuidar de si próprio, dos seus assuntos, da sua vida, não sobrecarregando os membros da família e os amigos com obrigações que são as do indivíduo. Salvo situação de incapacidade por doença, cuidar dos seus próprios assuntos é elementar. Sem o grau de autonomia acima mencionado, como é possível desempenhar um papel lúcido e consciente no seu entorno imediato e na sociedade em geral?

Estar consciente da efemeridade da vida, não quer dizer desleixar diversos aspectos relacionados com o presente e o futuro. Quem se desinteressa da sua manutenção própria e da sua família, não está a ser altruísta, nem desligado dos interesses materiais. Pelo contrário, está a ser parasita dos outros, da família e da sociedade, visto que ninguém sobrevive sem receber algo dos outros.

Na época que atravessamos, estar consciente de como a vida é efémera, deveria aumentar o cuidado de si próprio e dos outros. Por outro lado, a valorização de cada dia, de cada instante na nossa vida, deveria obrigar à maior consciência do que se faz, ou do que se omite.

Somos tanto mais realizados e a nossa vida é tanto mais harmoniosa, quanto mais nossas ações se conformarem com ideias que assumimos. As ideias podem ser muito boas, teoricamente, mas sem a sua aplicação no domínio do real, apenas são sonhos. Sonhos por realizar, não substituem as realizações práticas da vida.

Quando oiço alguém me falar de seus «projectos de vida», sei que ele não viveu e que provavelmente irá passar ao lado das coisas importantes da vida. Mas, não vou corrigi-lo, porque isso seria inútil, talvez causador de antipatia em relação à minha pessoa. Em todo o caso, seria compreendido de um modo equivocado, como se tivesse dito que é 'incapaz', 'incompetente'.

Não! As pessoas estão sob o efeito hipnótico da cultura da «performance», que as empurra a correr sempre e cada vez mais, a esforçarem-se, custe o que custar, em busca duma ilusória «recompensa» social e monetária.

Não é pelo facto de se saber muito, que se aumenta o seu potencial de realização concreta, prática, real das coisas da vida. As pessoas não são ensinadas levar a cabo uma aprendizagem útil, no momento adequado das suas vidas e recorrendo aos meios pertinentes.

Não! A totalidade da juventude é encaminnhada para uma corrida ao diploma, que obriga a assimilar um dilúvio de livros e artigos, a atafulhar o cérebro com um amontoado heteróclito de conceitos, treinando a regurgitação do que ingeriram (mas não assimilaram), a serem áses a responder aos testes - completamente imbecis - de resposta múltipla.

Assim, o establishment da educação, particularmente os ministros da educação e sumidades académicas, garantiram a prevalência social da mediocridade, da falsa noção do mérito, da incompetência prática, mas com «excelentes» classificações... Sei de exemplos concretos disso e estou certo que os leitores também conhecem este novo tipo de imbecil - o «imbecil erudito».

Dá-se o seguinte "paradoxo", que é somente aparente: Houve um grande aumento da educação e dos graus académicos mais elevados, em praticamente todas as sociedades, em paralelo com maior incompetência em termos de saberes (skills) sociais e - mesmo - de saberes teóricos que -supostamente- os alunos teriam adquirido no curso universitário.

O paradoxo é aparente, pois a finalidade da extensão de cursos e formações universitárias, tem como objectivo primeiro capturar as pessoas jovens numa rede de dependências, de sujeição perante a autoridade, de aceitação do status quo e da halucinação da meritocracia. De outro modo, a juventude iria revoltar-se com dez vezes mais energia e - sobretudo - mais coerência do que o fez em tantos países, nos finais dos anos 60.

No conjunto de muitos milhares de jovens, há sempre alguns que são excepcionais, que realmente fazem a diferença: são os inovadores. Mesmo estes, muitas vezes, são desprezados ou reprimidos, pois o génio, o talento, vão de par com irreverência, com o não acatar da autoridade. Se virmos o «output» real do sistema de ensino, verificamos que é dum enorme desperdício.

Mas será isso fruto de incompetência de dirigentes políticos e planificadores? - Com certeza que não; pois estes têm feito sempre com que as tendências acima indicadas se acentuem. Quem deseja uma mudança real ao nível dos efeitos, não irá insistir nas mesmas causas, que estão na origem das disfunções do sistema.






PS1: Hoje, dia de eclipse total do Sol, na Europa Ocidental, fenómeno que anteriormente ocorreu em 1912, enquanto eclipse solar total nestas regiões. Sei que se trata dum fenómeno astronómico apenas, mas, simbolicamente, vejo-o como aviso da Mãe-Natureza.

A Europa e o Ocidente estão em decadência acelerada, em colapso civilizacional. Gostaria que o ponto mais escuro do dia de hoje fosse o ponto de novo arranque para a luz do conhecimento e da sabedoria.

YIN-YANG NA FILOSOFIA DO TAO




Comentário de Manuel Banet:


Este filósofo Taoista coloca o conceito de Yin-Yang no seu verdadeiro significado, dentro da filosofia do Tao (Dao).
O exemplo do conceito Yin-Yang ilustra a situação geral. A filosofia Daoista é muito mal interpretada por pessoas que não compreendem nada da sua essência, apenas se servem dos símbolos, impondo-lhes significado que eles não têm.
Eu constato que a compreensão comum nos nossos países do Ocidente, sobre o Oriente é completamente equivocada.
Por contraste, constato que um oriental de cultura «média» está muito mais familiarizado com a cultura ocidental, suas religiões, seus filósofos, políticos, sua música, etc.
Ao nível individual há - com certeza - muitos casos que contrariam as afirmações das duas frases acima. Porém, verificam-se globalmente, ao nível da difusão dum estereótipo.
A imagem projectada das culturas exóticas em relação à nossa cultura, mostra uma ignorância abismal.
Não creio que seja «culpa» da cidadania dos países ocidentais. São fornecidos imagens, estereótipos, «fast-food mental», constantemente pela media.
Ora, a media corporativa tem como princípio e guia «as audiências»: O que favorece o aumento de audiências «é bom», o que retira audiências, «é mau». O que reforça os preconceitos das pessoas, fâ-las sentirem-se «melhores», mais «inteligentes», em «empatia» com o emissor da mensagem e portanto com o próprio medium em causa.
É esta uma das causas da falsificação permanente de filosofias orientais, da sua ocultação através da exibição de «clichés», apesar de esforços válidos e de qualidade, no Ocidente, como de Alan Watts e doutros.
A outra causa é ainda mais sombria: É o arreigado racismo, supremacismo e etnocentrismo dos que controlam a opinião pública: Os chamados «opinion makers», os políticos, os empresários, os falsos intelectuais... Alguns deles, têm enorme pobreza espiritual interior, uma mentalidade completamente retrógada, mas têm que a disfarçar, para não perder a audiência.
Então, deformam tudo aquilo que não compreendem, dão a «versão» cómoda para eles, pois podem assim atacar impunemente esse «homem de palha». Assim, o mundo das ideias acaba por ser o reflexo (deformado) do mundo dos interesses materiais mais mesquinhos.


Manuel ( 12 de Agosto de 2026)


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COMPLEMENTO:


WU WEI EXPLICADO 

terça-feira, 11 de agosto de 2026

RICOCHETE OU OS LIMITES DO PENSAMENTO CIENTÍFICO



 O lançamento de uma pequena pedra na superfíe da água, pode originar um ressalto da pedra, chocando com a superfíce líquida num determinado ângulo, compatível com o ressalto. Não existe determinismo neste exercício que todos fizemos em crianças (ou adultos) à beira-mar ou de um lago. Sem dúvida a nossa experiência é decisiva para o número de vezes em que a pedra pula - em saltos sucessivos - na superfície aquosa. Porém, a forma e o tamanho da pedra também contam, tal como a movimentação da massa aquática. São fatores, todos os «especialistas» do ricochete concordarão, mas são difíceis ou impossíveis de determinar ou de quantificar. 

Pessoas treinadas na visão analítica da ciência física, dirão que as variáveis são muitas, mas não infinitas; que elas são todas quantificáveis, só que o dispêndio de tempo e energia para tal, não se justifica,  se for apenas para analisar a performance dos atiradores... 

Contrastando com a visão reducionista e analítica, os cultores da ação espontânea, do ímpeto vital, da vontade psíquica comandando a matéria, dirão que a arte de fazer ricochete com pedras à superfície dum charco, tem de existir, ser  treinável e aperfeiçoável, senão, como haveria de existir um progresso significativo na perícia dos lançadores? Por maior número de lançamentos que fizessem, teriam sempre o mesmo grau de sucesso, ou de insucesso!

Se a visão quântica do Universo prevalece, teremos um certo número de explicações científicas. Se predomina a vertente ondulatória, será um conjunto diferente de «leis» e modos de ver o real. Mas, nas duas visões do Mundo, existe determinismo:

- É um determinismo «granular», no caso da visão quântica. Não são poucos os paradoxos, reais  ou aparentes, que emergem de tal visão. Os físicos estão - há mais de um século - a tentar integrar as novas leis nos seus cérebros, feitos para o mundo visível e não para o mundo subatómico.

No caso da vertente ondulatória, teremos múltiplas questões, como:

A velocidade constante das ondas luminosas; a interferência entre feixes luminosos, causando extinção nos nódulos; a não materialidade da luz e das ondas electro-magnéticas; o seu percurso constante e quase sem perdas de energia, desde os confins do Universo. Etc.

 Também neste tópico se colocam questões da nossa percepção dos fenómenos, como os limites e erros do sentido da visão e o que isso implica para a compreensão da realidade. 

Que um fenómeno se «faça» ondulatório quando o observador se dedica a observá-lo; quando mede as propriedades ondulatórias do mesmo; ou que o mesmo fenómeno se «faça» quântico pela mera observação  (sem interferência?) da nossa parte, parece-me ser a interpretação  na origem da experiência mental do «Gato de Schrodinger». Que o fenómeno não seja, na essência, nem uma coisa, nem outra; nem sequer seja as duas, cabendo ao observador captar os parâmetros de uma ou de outra... é muito difícil de aceitar, pois entra em conflito com a realidade sensível à nossa  escala e com o nosso sentido de lógica. 

Na raíz dessa dificuldade, partilhamos todos uma noção espontânea de que, quando observamos um dado fenómeno, ele tem subjacente uma realidade física, independente do observador, uma realidade intrínseca, mesmo quando não estamos lá, e mesmo quando não haja «matéria», mas um pacote quântico de energia do fotão.

Dada a imensa complexidade e diversidade dos mundos naturais e das «leis» que nós atribuímos aos objetos e fenómenos, deveríamos ter uma enorme humildade e precaução, ao interpretar o que observamos. Sem dúvida, os profissionais da ciência -  treinados para inquirir sobre o mundo físico e as suas «leis» - deveriam ser o exemplo mesmo dessa humildade. Porém, eles têm muitas vezes uma enorme soberba, uma auto-confiança excessiva, querem impor as suas «verdades» (teorias) aos outros, etc.  

Um princípio de bom-senso e sabedoria, especialmente dos cientistas, seria analisar a complexidade de um fenómeno. O ricochete de pedras na água, é afinal um entre muitos, de banalidade aparente. Porém, se tentarmos encontrar uma «lei», com um grau mínimo de validade, de poder predictivo e como guia empírico, veremos que as situações reais são muito mais complexas do que aparentam. No caso em exemplo, a pessoa treinada em lançar as pedras para obter ricochete, adquiriu a sua habilidade técnica à custa de centenas ou milhares de ensaios, mas sem nunca ter pensado na física do fenómeno. Ou, se a pensou, foi antes como um questionar, não como ter de seguir uma sequência lógica, racional decorrente do enunciado de uma «lei».  

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

O JAPÃO À BEIRA DO COLAPSO, AGORA [Crónica da Terceira Guerra Mundial nº69]


O vídeo acima mostra como as relações laborais no Japão são destrutivas da própria vida dos trabalhadores, causando também uma sociedade doente: Nas esferas da família, da juventude, da educação e mesmo do ponto de vista espiritual. 

Não se deve esquecer como foi erguido o sistema político, depois da derrota da IIª Guerra Mundial, graças à «protecção» do ocupante americano, que se preocupou mais em manter o Japão dentro do círculo dos países anti-comunistas, tal como a Alemanha Federal, do que em criar as condições de uma democratização verdadeira, expondo os crimes do governo e militares do regime imperialista derrotado. 

Nos países que estiveram associados ao «Eixo» e que depois ficaram na esfera de influência americana, as pessoas que formaram a elite pós-IIª Guerra Mundial eram - em larga percentagem - agentes dos grandes capitalistas associados aos governos fascistas, dos quais tinham beneficiado. 

Todos esses fatores juntos foram criar um bloqueio. Em todos estes anos, pós IIª Guerra, a sociedade, a economia e a política japonesas nunca puderam «virar a página» do Japão militarista e imperialista.

O governo japonês nunca conseguiu realmente sair da crise financeira que se iniciou há 40 anos. Apesar de ser a segunda potência industrial nessa altura, foi perdendo aos poucos, para concorrentes (a China, a Coreia do Sul ...) cujas economias estavam em ascenção.

A situação de défice financeiro agravado foi colmatada, em grande parte, pelo facto dos japoneses reformados, individualmente ou associados nos fundos de pensões, terem investido muito em títulos do tesouro japonês. A parte da dívida detida por entidades públicas ou privadas estrangeiras era muito menor. Deu-se então o caso da dívida crescer sem parar, embora as consequências  fossem aparentemente insignificantes para a economia produtiva e a sociedade. 

Porém, os juros muito baixos artificiais, gerados por este mecanismo de «auto-compra» da dívida estatal, foi atraír a finança internacional. Desde os grandes bancos ocidentais aos especuladores, praticamente todos praticavam o «Yen Carry- Trade». Este consistia em pedir emprestado a instituições bancárias japonesas a juro muito baixo, quase zero, para depois aplicar estes capitais em investimentos, que forneciam um juro bem maior. O montante próprio da dívida era facilmente recuperado e devolvido aos bancos emprestadores, sendo o resto lucro para os investidores. 

Mas, com o aprofundamento da crise económica e financeira, o governo japonês viu-se forçado a aumentar em cerca de 1% (aumento modesto) as obrigações estatais, arrastando assim os diversos juros (bancários, hipotecários, de consumo) para cima. Pode parecer algo insignificante, porém inviabilizou muitos dos negócios de «carry trade». O «carry trade» já não fornecia um intervalo de juros suficiente para manter a rentabilidade do negócio.

Historicamente, as potências que estão numa situação financeira apertada têm tendência a tomar (ou retomar) atitudes agressivas em relação ao estrangeiro, em relação aos inimigos (verdadeiros ou de convenência). 

A retoma da produção armamentista, as manobras da marinha de guerra nos mares do Sul da China, vêm confortar o eleitorado nacionalista e militarista da primeira-ministra Sanae Takaichi

Em todos os casos em que ocorre uma viragem realmente autoritária, com um governo de extrema-direita, verifica-se que a economia não ia bem, que o povo estava a sofrer com uma redução significativa do nível de vida, com inflação, desemprego. Mas numa tal situação, a classe no poder nunca iria assumir-se como responsável pelos males presentes. Daí, as derivas militaristas, a designação dum inimigo externo, desviando assim o público da origem interna dos males da economia desse país. 

Prevê-se que a situação internacional ainda piore mais, se o  Japão mergulhar no caos. Foi o que desencadeou o empréstimo de emergência dos EUA, oferecendo euros, dos seus fundos em divisas da FED, para comprar Yen: O governo da oligarquia dos EUA percebeu a necessidade deste empréstimo de emergência. Evidentemente, o Império não estava interessado no caos, como «senhor feudal» do Japão, possuindo importantes bases militares, com sistemas de lançamento de mísseis, com capacidade para transportar ogivas nucleares, apontados para a China. 

Mas, dado contexto financeiro mundial caótico, existe uma possibilidade não desprezível, desse empréstimo ser insuficiente para equilibrar a situação do Yen e das finanças japonesas.

Haverá uma evolução da situação do Japão. Na presente situação internacional muito complexa, pode desencadear-se uma expansão da IIIª Guerra Mundial para os países do Extremo-Oriente.



RELACIONADO:

https://youtu.be/FnraS2GwJU8?si=83SdlKqiwu_kawJU


https://youtu.be/qw8REvHV2QU?si=m2JKebNUEizhFPL_


https://youtu.be/mJ9Q2Xpzf1Y?si=5yPPiNv7Bbxn2SZE


ELISABETH JACQUET DE LA GUERRE, CONHECES? [Segundas-f. musicais nº70]


 Uma das primeiras mulheres-compositoras na tradição ocidental.



Suites para cravo: intérprete Elizabetta Gugilielmin

(pode acompanhar cada suite com sua partitura e escolher cada movimento no lado direito, no vídeo)





Numa altura em que prevaleciam ainda os preconceitos contra elas serem criativas e praticarem um ofício ou arte, Elisabeth de la Guerre soube impor-se pela sua qualidade.

Foi protegida de Louis XIV, sem dúvida porque era totalmente merecido dar a esta cravista e compositora o reconhecimento do seu talento. É verdade que ela vinha de uma família de músicos profissionais e de artesãos construtores de instrumentos.
Mas, ela tinha um talento próprio inegável, pois as suas composições sobressaem, pela qualidade, na literatura da época. As suas suites para cravo contribuíram para fixar as características do género e merecem ser ouvidas, em gravação ou recital.
Dizem que foi a primeira mulher compositora, pelo menos, na cultura ocidental. Existem alguns  poucos casos semelhantes nesta época e anterior (Renascimento). Mas, o que  é mesmo excecional,  são suas composições, perfeitamente comparáveis em qualidade com as do contemporâneo François Couperin, por exemplo.