Uma frase atribuída a Churchill: «Em tempo de guerra, a verdade é tão preciosa que deveria estar sempre enquadrada por um corpo de guarda de mentiras».

quarta-feira, 25 de março de 2026

ENORME VANTAGEM DA CHINA EM RELAÇÃO ÀS OUTRAS ECONOMIAS DO EXTREMO-ORIENTE

Com o rebentar da guerra de agressão contra o Irão, por parte de Israel e dos EUA, a região toda ficou envolvida no conflito, nomeadamente, além do Irão, as monarquias do Golfo Pérsico (incluindo a Arábia Saúdita) e gerou-se uma escassez súbita de petróleo e gás natural, afetando o mercado mundial. Pelo facto da China ser o maior importador mundial de petróleo e de 40% desse petróleo ser oriundo do Golfo Pérsico, poderia pensar-se que o estado atual de escassez iria afetar especialmente a China, nas suas mais diversas valências industriais e outras. Porém, a China preparou-se desde há muito tempo para situações deste tipo:

 - Primeiro, construiu uma reserva de petróleo que corresponde - a pelo menos - 90 dias de consumo normal. 

- Segundo, tem uma diversificação nas suas fontes de petróleo que poucos países têm; com efeito, uma importante e crescente percentagem do petróleo consumido pela China, vem da Sibéria, via oleoductos, portanto dum fornecimento regular, estável.

- A China foi um dos raríssimos países que continuou a abastecer-se de petróleo nos primeiros dias da guerra no Golfo, visto que os iranianos que controlam o estreito de Ormuz, lhes deram salvo-condutos para a navegação dos navios-tanques chineses. 

- Mas, as coisas vão muito além da diversificação do abastecimento em petróleo: A China tornou-se o maior produtor (e exportador global) de paineis solares. Também desenvolveu a indústria das eólicas e tem uma rede instalada que é o triplo da do seu concorrente mais próximo, os EUA. 

- Desenvolveu a energia nuclear para produção de energia e tem experimentado, no deserto de Gobi, com real sucesso, reactores a Tório. O Tório é um elemento mais abundante que o Urânio. Ao contrário do Urânio, o Tório pode ser reciclado no próprio processo de produção de energia; os reatores a Tório são quase auto-suficientes.

Abaixo, transcrevo passagens do artigo de Kevin Walmsley (de 25 de Março): «Após Três Semanas de Guerra no Golfo, a diversificação do setor energético da China mostra os seus frutos.»

https://kdwalmsley.substack.com/p/the-china1-diversification-strategy

First, over half the vehicles sold in China today are electric vehicles, and that electricity is generated with domestic energy supplies.

Further, the Chinese electric grid is powered by a far higher share of renewable energy than anywhere else. China installs more new solar capacity than the rest of the world combined, and just adding to their lead in solar power generation. They also dominate in wind power. Currently the United States leads in nuclear power plants online, but China has more nuclear plants under construction than the rest of the world combined:

So as China has electrified their transportation networks, they’ve also built out an electric grid that’s fed by renewables and domestic sources of supply. China still does import three-fourths of its crude oil. But for the past several years China has been overbuying, and stashing surplus crude into storage tanks.

They don’t publicly disclose their stockpiles of crude—our analysts are guessing at the import numbers because they’re not really sure what comes across from Russia, or on tankers that are under sanction. So they are also just guessing how much is going into stockpiles, but industry insiders put the number at around 1.3 billion barrels. Remember, too, that there still is oil flowing from Iran to China, despite the war. So compared to the other countries in Asia, China is the least impacted by the war in the Middle East.

South Korea is capping prices, which won’t do anything. Pakistan is increasing gas prices by 20 percent for car drivers to free up supplies for trucks and buses, even though wholesale gas prices are up much more than 20 percent. In Vietnam, gas stations are already running out, and the government there says they have oil for another month or so and are telling their populations not to hoard fuel.

The Philippines gets 90% of its oil from the Middle East, and government workers there are working 4 days a week. Bangladesh is rationing fuel and closing universities to save electricity. In India, the crematoriums can’t get enough LPG to burn bodies, so they had to close down.

These are the countries who sold themselves as viable manufacturing centers, to global companies looking to de-risk from China. Thousands of companies attempted a “China+1” strategy, and moved some production out of China to these neighboring countries to reduce geopolitical risk, just traded one problem for a bunch more.

The idea was that diversifying production away from China means a reduction in risk, and somehow a stronger supply chain. But that was an illusion. These countries are dependent on the smooth flow of fossil fuels from the Middle East, at low prices, to run their power plants and transportation systems.

That’s gone, and today those factories are paying a lot more to keep the lights on, and get their people back and forth from home.




terça-feira, 24 de março de 2026

O SIONISMO TEM UM PROJETO DE DOMÍNIO DO MÉDIO ORIENTE (Crónica da IIIª Guerra Mundial nº58)



Quando escrevi a penúlima crónica (nº56) apontava o paralelo do início da 1ª Guerra Mundial. De facto, os soldados recém-mobilizados, em todas as nações beligerantes, partiam para frente de batalha esperançados de que «esta guerra seria a última, que esta guerra iria acabar com todas as guerras». Evidentemente, estavam muito enganados. Houve muitas guerras desde 1918, não só a IIª Guerra Mundial, como um contínuo de guerras, na maior parte dos casos, em zonas geográficas exteriores à Europa.
Esta guerra regional do Médio Oriente, pode ser encarada como mais um capítulo da sucessão de confrontos armados desde a proclamação unilateral do Estado de Israel, em 1948.
Mas, também atinge o mundo inteiro, pelo facto afetar muito diretamente a produção do petróleo e a sua distribuição. E também, pelo facto de ser uma guerra que envolve de forma indireta as grandes potências, os EUA, diretamente e em tandem com Israel; a Rússia e a China de forma indirecta e apoiando o Irão com armas e outros meios militares e com espionagem via satélite.



Relativamente aos paralelos com outras guerras, nomeadamente, 1ª e 2ª Guerras Mundiais, é preciso ser-se prudente, não querer enquadrar factos recentes com uma História passada, que já tem mais de 80 anos...

Porém, há uma constante, do ponto de vista humano: a miopia das «elites», a incapacidade de muitos terem um olhar lúcido sobre os vários aspectos da agressão conjunta Israelo-Americana ao Irão.

A começar pela cronologia: sua data de início, 28 de Fevereiro de 2026, não é mais do que a data em que se abateu sobre o povo e território do Irão um ataque mortífero e criminoso. Desde o derrube de Mossadeg em 1953, que o Irão tem sido flagelado por guerra, subversão, sanções, pelos mesmos poderes: EUA, Reino Unido, outros países da OTAN e Israel (o «porta- aviões ocidental» estacionado permanentemente do Oriente-Próximo).

Eu não posso (nem quero) usar as páginas desta «Crónica da IIIª Guerra Mundial» para descrever os movimentos militares de uma e outra parte. Isso está mais ou menos bem coberto, pela media alternativa, a que qualquer um de vós terá acesso, tal como eu tenho. Evidentemente, nestas circunstâncias, existem por vezes «falsas notícias» (fake news) mas elas são relativamente fáceis de desmascarar, desde que se procure em várias fontes contraditórias.

É rápido desmascarar 99% das notícias falsificadas, as mais óbvias. Mas, há um domínio «cinzento» em que as notícias verídicas se misturam com comentários tendenciosos. A «arte» da «lavagem ao cérebro» usa abundantemente da técnica de fazer passar por genuína uma informação, quando é afinal um ponto de vista inteiramente distorcido no sentido de favorecer A ou B.




Os 2 vídeos abaixo são ambos interessantes, pois nos dão um contexto, nos permitem enquadrar os factos num domínio mais vasto. As pessoas que aí falam têm um conhecimento profundo e pessoal dos episódios que narram.

Por estas entrevistas, podemos ver que a linha de fractura não é nacional, nem étnica, nem - tão pouco - religiosa: A linha de separação é entre os predadores (os imperialistas e estados clientes) e os povos agredidos. Como é evidente, estamos com o povo iraniano e com o povo palestiniano. Estamos também com pessoas de outros povos, que têm a coragem de denunciar as crueldades e os planos criminosos dos seus governos.

Não se trata de «os bons contra os maus», mas antes, de um complexo de interesses que leva ao esmagamento da classe trabalhadora, dos pobres, de qualquer dos países em guerra. Mas, indiretamente, também tem impacto negativo em qualquer outro. Os efeitos de pauperização são realmente globais.








VISÃO ESOTÉRICA EXPLICADA POR PROF. JIANG





segunda-feira, 23 de março de 2026

A VOZ INESQUECÍVEL DE MÓNICA GIRALDO (Segundas-f. Musicais nº54)

 

A colombiana Mónica Giraldo é a minha mais recente descoberta no domínio do canto popular latino-americano.

Ela cresceu numa família musical e começou muito cedo a compor canções. 

O que é notável, para mim, é a naturalidade: as melodias, a expressão e o sentido das palavras, conjugam-se de forma perfeita, harmoniosa. 

Mas, ainda por cima, não deixa de cultivar a tradição; Mónica explora todo o campo da música latino-americana (e mesmo, napolitana). 

A América-Latina  é um sub-continente com imensa variedade musical. Os músicos latino-americanos são conhecedores, não apenas das tradições nacionais, como das de todo o Continente. As raízes da música, tanto folclórica, como erudita, são muito diversas. Recebem a contribuição de muitas culturas: indígenas, africanas, da Ibéria, de Itália ... e de muitas outras nações. A América Latina é um caldo de cultura do mundo inteiro. 

Mónica Giraldo é um exemplo bem eloquente de criatividade e de calor humano. Qualquer que seja a tua origem, vais te sentir envolvido pela voz, o rítmo, a melodia.  


                                          https://www.youtube.com/watch?v=U8yGOVdGAXs

gg
                                           https://www.youtube.com/watch?v=Emqg3WAP5Ms



domingo, 22 de março de 2026

Roger Penrose: SABES DE ONDE VEM A MASSA DE UMA ÁRVORE?

Um excelente vídeo de educação e divulgação da ciência biológica



                                                             (em língua espanhola)

MOVIMENTAÇÃO ESTRATÉGICA DO IRÃO CONTRA OS EUA IRÁ MUDAR TUDO





COMPLEMENTO DE INFORMAÇÃO (EXTRAÍDO DE «MOON OF ALAMBAMA»)

 Former ambassador for the UK Chris Murray is onto something when he asserts that Trump’s plan is, and was all along, to utterly destroy and defeat Iran:

The attack on Iran was always planned by Trump. He was not “bounced into it” by Israel. It had been in gestation for months. That fact had been held within a very tight circle to avoid both political opposition and institutional opposition from the US military and intelligence community.

Trump’s naval blockade of Venezuela’s oil has secured a US monopoly of its sale and distribution. As with Iraq, only US-approved contractors can buy the oil and payments are made to a Trump-controlled account in Qatar, from which revenue is given to the Venezuelan government entirely at Trump’s discretion.

This audacious imperialist grab of the world’s largest oil reserve further insulated the USA against the effects of the forthcoming closure of the Strait of Hormuz.

Again, the narrative is being spun that Trump did not foresee the closure of the Strait by Iran. That is plainly a nonsense – every commentary on a potential Iran war for half a century has focused on the Strait of Hormuz. The only possible explanation is that Trump does not mind the closure.

Trump’s thrashing about to articulate objectives for the war in Iran is performative, a blind to cover his true and steadfast objective – simply the annihilation of Iran as a functioning state, the infliction of the maximum amount of death and infrastructural damage, the reduction of Iran to the condition of Libya.

Destruction of Iran on the scale envisaged will take years of hard pounding. Again, it is planned – you don’t ask Congress for an installment of $200 billion for a war you plan to wrap up in a month. Again, Trump’s taunts about having already won, objectives being achieved and about possibly finishing soon, are all just smoke and mirrors. The scale and horror of what is planned for Iran has to be obfuscated to limit a public revulsion that would be echoed in parts of the state apparatus.

Netanyahu yesterday revealed an interesting part of the endgame – construction of an oil pipeline that brings Iran’s oil out to be shipped from a Mediterranean terminal in Israel. That is a breathtakingly audacious plan, but absolutely aligns with Netanyahu’s and Trump’s actions.

Let me encourage you to read Murray’s full argument