Manuel Banet, ele próprio
Reflexão pessoal, com ênfase na criação e crítica
quinta-feira, 15 de outubro de 2026
MIL ANOS DE CRUZADAS, ATÉ HOJE
quarta-feira, 14 de outubro de 2026
ESTÁS ENROLADO EM PALAVRAS [OPUS, VOL. IV; Obras de Manuel Banet]
Estás enrolado em palavras, sucessões de caracteres e sons
Que te enchem o espírito, em vez das coisas e seres, aquilo que são
As pessoas creem na palavra, no discurso, afinal iguais às crianças
Criancinhas que ouvem histórias para adormecer.
Ao menos estas têm a desculpa de estar a aprender
Precisam de se ligar emocionalmente antes de racionalmente
Mas, tu com que desfaçatez nos impões tuas eructações,
Gargarejos e discursos de verdades eternas que saem dos teus lábios?
Vives dentro do mito onde te enfiaram
Não descolas a maçã, da imagem da mesma
Nem a cartografia, do terreno, mas pretendes
Que teremos -nós - de aprender, como se fôssemos
Criancinhas?! Seria cómico, se não fosse criminoso
Pois levas à ruína as nações, inúmeras gentes
Sacrificadas pela tua estupidez e orgulho.
...
Porém, sim; as palavras são maravilhosas.
Elas servem para descrever fenómenos reais
Ou fantasias e sonhos... E depois? Será proíbido
Um poeta sonhar, brincar com as palavras?
Só os idiotas afirmam o sentido dum texto
Quando o texto não tem sentido nenhum!
Piores os que «psicanalizam» as obras,
Porque projetam seus medos e traumas
Nos escritos doutro, com sua própria motivação
E que não era, com certeza, a vossa!
- Este texto que vos sirva para emendar a relação ingénua com a escrita...
ZUANGZI: O Propósito da vida? - A Vida não tem propósito
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segunda-feira, 12 de outubro de 2026
HEGEMÓNICOS EM DERROCADA ALARGAM A GUERRA [Crónica da IIIª Guerra Mundial, nº73]
O interesse dos EUA é muito claro. A sua estratégia é a mesma que a do Império Britânico, nos seus dias de glória: Colocar os adversários do Império uns contra os outros. Não permitir que qualquer potência venha «fazer sombra» à potência hegemónica. Como dizia Lord Palmerston: «o Império não tem nem amigos, nem inimigos; tem interesses». Os EUA não estão interessados em entrar diretamente em guerra com a Rússia, ou com a China. Sabem bem que não poderiam sustentar uma guerra convencional, quer com um, ou com outro dos super-poderes seus rivais. Pelo menos, de momento seria impossível, pois estão em reais dificuldades no Médio-Oriente.
Os iranianos e os iemenitas tornaram-se mestres em guerra asimétrica. Os próprios Estados Unidos e os seus aliados na região (Israel e as monarquias do Golfo Pérsico), estão envolvidos numa guerra prolongada, que têm muito pouca probabilidade de ganhar. Aliás, está à vista que o campo imperialista já sofreu tremendas derrotas, apenas insistindo na continuação da destruição criminosa, porque o seu orgulho ferido não aceita negociar uma paz, em condições de fraqueza.
Neste contexto mundial, os «reinos satrapas» da Europa da OTAN, desempenham o papel que tinham tradicionalmente, ao lado dos EUA, potências bem menores, nas guerras por procuração que aconteceram ao longo da «Guerra Fria» e mais além, no período em que os EUA se sentiram como força mundial hegemónica, após a implosão da URSS e dissolução do Pacto de Varsóvia.
Como «reinos satrapas», os europeus da OTAN não têm independência em política, ou noutros aspectos. Trata-se de nações falsamente soberanas. Continuam a ter seus territórios ocupados com bases dos EUA, nominalmente da OTAN, mas geridas e guarnecidas essencialmente por militares dos EUA.
Ficam muito contentes, esses fantoches europeus, em mostrar protagonismo numa guerra contra a Rússia, para a qual, desde 2014 (data do golpe americano-europeu ocidental) fornecem armas, munições, tropas especializadas, vigilância electrónica e por satélite, ao governo neo-nazi, claramente opressor do seu próprio povo. Mas esta junta de nazis é acolhida em Bruxelas e nos centros ocidentais, como «heroís democráticos, que lutam pela independência do seu país face à bárbara invasão de Putin».
Acontece que, na realidade, a Ucrânia, fosse qual fosse sua realidade política interna, não poderia vencer o gigante russo. Os seus governantes sabiam-no e também o sabiam os dirigentes dos países da OTAN. Desde o príncipio, o interesse da nação ucraniana era entrar em negociações e obter um acordo, para um novo equilíbrio de coexistência, quer com os países da OTAN, quer com a Rússia.
Os políticos e diplomatas de ambos os lados sabiam isso. Porém, o governo ucraniano foi forçado a recuar (pela pressão ocidental e britânica, principalmente), quando tinha praticamente concluído um acordo de paz com a Rússia, em Março-Abril de 2022.
Eu não irei retraçar aqui as peripécias da guerra que continuou desde então. Tenho escrito desenvolvidamente sobre ela, mas sem pretender fazer um relato de cada desenvolvimento no campo de batalha. Porém, é claro para mim, desde o princípio, que se estava a sacrificar o povo ucraniano e a castigar o povo russo, sem nenhum respeito pelas vidas de centenas de milhares, agora de milhões, e sem querer resolver a guerra. Quanto mais durasse esta guerra, mais seriam favorecidos os interesses da casta militarista, do complexo militar-industrial e outros interesses inconfessáveis, nos países da OTAN.
Lamento dizer que a esquerda europeia, numa percentagem muito elevada, agiu como se se tratasse duma luta «da liberdade contra a tirania», sabendo nós que aquilo que se passou, desde o princípio, não foi nada assim. Como de costume, os elementos de esquerda na base, militantes e simpatizantes, foram enganados e muitos deram o apoio à política dos seus inimigos. Muito se deveu a esta miopia induzida, quer pela media corporativa, comprada pelos grandes capitais, quer também pelos estados-maiores de partidos e agrupamentos, incluindo alguns, ditos de esquerda.
Uma situação análoga a isso, foi a que ocorreu com o volte-face da esquerda parlamentar nas vésperas de 1914, que antes se apresentava como pacifista e anti-militarista e se deixou envolver no nacionalismo prevalecente, votando os créditos de guerra. Agora, a situação não é idêntica, mas é estruturalmente a mesma.
Porque os sectores de esquerda (as cúpulas) tinham a possibilidade de pressionar os governos da UE e da OTAN, para inflectir a sua política em direção a uma paz. Uma negociação, que implicasse as potências todas, para restaurar a paz e a confiança, refazer os laços económicos e culturais... Seria isto que se esperaria duma esquerda não vendida ao grande capital. Mas o que aconteceu, em relação a várias forças, foi o oposto. Assim, foi possível as forças mais retrógadas, militaristas, anti-trabalhadores, incluindo da extrema-direita a roçar o fascismo, tomarem um grande papel nestes países.
Haveria muito mais a dizer, mas prefiro apelar ao sentido crítico dos leitores. É necessário ter cuidado em não embarcar numa ou noutra explicação, aquando de episódios espectaculares, em especial, porque esta guerra se trava tanto ao nível das ações bélicas propriamente ditas, como de ações psicológicas. Ora estas desenvolvem-se para modificar a percepção da realidade, não apenas do inimigo, mas também dos próprios cidadãos dos países envolvidos. Estes não são apenas a Rússia e a Ucrânia, mas todos os países da OTAN, num grau maior ou menor e os países dos BRICS, quer como membros, quer como associados.
Trata-se portanto de uma guerra mundial, como tenho dito desde o príncípio. Continuada em todos os teatros bélicos, com confrontos de imperialistas ou de seus «próxis», com os países ou grupos que ofereciam resistência. Mas, como guerra híbrida mundial, envolveu muitos outros países, devido aos efeitos directos ou indirectos de sanções, mormente da iniciativa dos EUA e seus aliados. Um jornal médico muito prestigiado, «The Lancet», estimava num editorial, que o efeito cumulativo de sanções e embargos (ações ilegais, segundo a lei internacional), embora aparentando ser de âmbito económico, tinham causado 35 milhões de mortes desde há 40 anos. A maior parte das pessoas não tem ideia dos efeitos, quando os sistemas de saúde, de saneamento, de abastecimento alimentar ou em água, ficam parcial ou totalmente afetados. Por exemplo, uma epidemia de disenteria pode matar mais gente do que bombardeamentos (os dirigentes que decretam essas sanções sabem-no muito bem). Trata-se portanto de métodos de guerra, dos mais cruéis e eficazes, além de ilegais, face à lei internacional. Eles dirigem-se claramente à matança de inocentes. É esta política de sanções que o orgulhoso Ocidente tem para «oferecer» aos outros, especialmente aos países mais frágeis.
sábado, 10 de outubro de 2026
CHUCK BERRY - PEQUENA HOMENAGEM PESSOAL (Segundas-f. musicais nº79)
[ver notas/comentários, em baixo]
sexta-feira, 9 de outubro de 2026
O VALOR EFETIVO DO DINHEIRO: Exemplo do «NAPOLEÃO 20 FRANCS; OURO»
Uma peça de 20 Francs ouro, da época de Napoleão 1º contém 5,805 gr, de ouro puro. O seu valor em euros, à cotação de hoje (dia 09/10/2026), seria equivalente em poder de compra, a 696,6 €.
O mesmo tipo de cálculo pode ser efectuado com qualquer outra moeda de ouro ou de prata, cujo teor em metal precioso seja conhecido.
No vídeo abaixo, verificamos que, embora as condições do povo trabalhador não fossem ideais no início do séc. XIX, teria condições de vida não muito piores que as de hoje em dia.
Porque a realidade da inflação nestes últimos anos, em França e em toda a UE, tem sido muito superior àquilo que as estatísticas oficiais contabilizam.
A perda cumulativa do poder aquisitivo de salários e pensões, está na origem do mal-estar e da revolta entre a juventude que hoje se manifesta. Nunca nos dizem, porém, na média corporativa, quais os factores subjacentes às manifestações: A causa imediata pode ser a incapacidade do sistema de ensino público e de saúde pública de satisfazerem os critérios de qualidade a que a população está habituada. Mas, esta degradação tem a ver com o sub-financiamento crónico por parte do Estado.
Este lento estrangular da classe trabalhadora, tirando-lhe as condições mínimas duma vida decente, tanto pela desvalorização (não contabilizada) dos salários e pensões, como da degradação dos serviços públicos mais diversos de que são utentes, é devido a uma continuada política neo-liberal. Concretamente, trata-se duma política congeminada para garantir os lucros das empresas e aos seus accionistas, sem contemplações em relação aos extractos pobres, ou mesmo médios, da população.
O sistema monetário, pilotado pelo BCE, com a concordância dos principais atores políticos da Europa do capital, fica posto a nu. Desfazem-se as ilusões das pessoas de boa fé, que têm acreditado na propaganda dos governos da UE e da Comissão de Bruxelas. Com efeito, o mal-estar, que se traduziu agora pela explosão que presenciamos em França, está presente em praticamente todos os países da UE. O facto de não se ter manifestado noutros países de forma tão enérgica como em França, não significa de modo nenhum que essas populações estejam satisfeitas ou conformadas. É claro que se trata duma política coordenada para todo o espaço político-económico da União Europeia.
Quem tiver dúvidas de que um dos principais instrumentos de exploração é a manipulação do valor real (= poder aquisitivo) das divisas (= do dinheiro), pode constatar, fazendo os seus próprios cálculos, os seus rendimentos e os custos dos principais itens de despesa, ao longo da sua vida.
O intervalo de duzentos e mais anos, que apresenta o vídeo, não nos pode dar a comparação com as situações de hoje, pois muitas das mercadorias hoje disponíveis não existiam, ou não faziam parte do cabaz de compras dos cidadãos de há 200 anos.
Aconselho, portanto, os leitores a fazerem as contas utilizando como intervalo de tempo os últimos 20 anos (ou 25 anos, desde a entrada em circulação do euro), contabilizando seus rendimentos dessa altura e confrontando com o custo de vida, nos países respectivos .
quinta-feira, 8 de outubro de 2026
NESTA GUERRA GLOBAL ... [OPUS, VOL. IV; OBRAS DE MANUEL BANET]
Nesta guerra global queria ouvir o canto da cotovia
Queria ouvir as vagas no bordo do navio
E cheirar flores naturais nos caminhos campestres
Mas não posso, ou melhor, não quero
Não paro de me interrogar, noite e dia
Mas o que saíu mal, com nossa civilização?
O humano é um monstro disfarçado, afinal?
Para quê fazerem filhos, neste ocaso
De tudo o que existiu de bom e generoso?
Serei o último a julgar os irmãos e irmãs
Que se debatem dia-a-dia para o sustento
Para se manterem à tona neste maremoto
Não serei eu a indicar-lhes o caminho
Minha bússula avariou-se; seria vão
Procurar rumo nesta escuridão
A única esperança que nos resta
É resguardar entre nós o humano
Não esquecer nunca o que somos
A guerra global é feita pelos poderosos
Estes, já o sabem há muito tempo
Os pobres precisam aprender
E quando os povos o souberem,
Saberão libertar-se e construir
A paz, que só depende de nós

