terça-feira, 22 de setembro de 2026

DESASTRES NATURAIS [OPUS, VOL. IV; MANUEL BANET]



Por aqui passou como vento primaveril num céu  outonal e senti estremecer até  às raízes das árvores.  

Mas, tais coisas não  são notícia e deixam incrédulos os meus cidadãos.

 Então, dialoguei longamente com meus confidentes, os cães e gatos da vizinhança. 

Eles confirmaram  e forneceram detalhes sobre tal fenómeno.

Vislumbrei que este sopro fora de estação era um aviso da Deusa-Natureza.

Aos homens que procuram a guerra, tresloucados pelo desejo de poder, a Natureza Divina responderá: 

Fará ruir os seus planos assassinos, criará o caos com tempestades  magnéticas, porá em debandada  poderosas armadas e nuvens de aves irão levantar voo sincronizadas, escurecendo o céu. 

 Os humanos começarão a  desobedecer aos chefes políticos e militares que insistirem em ações  bélicas, contra todo o bom-senso. 

Porém, alguns fanáticos estarão ainda mais determinados. Mãe Natureza enviará contra eles  estirpes de bactérias e vírus infetando os humanos recalcitrantes.

 Talvez a loucura criminosa seja aplacada, talvez não.  Neste caso, serão necessárias medidas infelizmente mais destrutivas e menos selectivas.

 A fusão das calotas glaciares e a inundação das costas onde estão muitos dos orgulhosos conjuntos urbanos, contendo riquezas e vastos arsenais,  vai obrigar a uma paragem da guerra.

Os humanos, hipnotizados,  não conseguem ver o que se passa. 

Encontram sempre motivos exteriores à sua própria imbecilidade para as catástrofes que se vão sucedendo. 

Não se sabe quem são os mais estúpidos, se os que decretam as guerras,  se os que correm a faze-las como se cumprissem um dever!

As criaturas que nós chamamos "irracionais," afinal são animais que obedecem à lei da Natureza, Toda- Poderosa. 

Os humanos, querendo colocar-se à parte, são eles os irracionais, incapazes de fazer uso do seu juízo,  causando guerras, fomes, epidemias e a destruição dos ecossistemas. 

Por isso, se desaparecesse a espécie  humana,  a restante vida do planeta seria favorecida!


Lisboa, 22 de setembro 2026

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

«O MAIS PERIGOSO MOMENTO DESDE A 2ª GUERRA MUNDIAL» por GEORGE GALLOWAY


 

PS: Acrescento que o risco de confrontação bélica com a Rússia cresce do lado da União Europeia e pela mão de Merz, cujo resultado nas últimas eleições estaduais no Norte foram desastrosas (jamais visto desde a fundação do Estado Federal Alemão) face à subida da AFD, que ele classifica erroneamente de «nazi». Políticos como Merz e como Von der Leyen são o tipo de pessoas para precipitar um país (ou um conjunto deles) na guerra, visto que só assim têm possibilidade de se manter no poder. 
Caso não haja uma guerra, para «justificar» a suspensão do processo eleitoral, eles estarão fatalmente arredados do poder, pelo voto dos alemães.

2 ELEGIAS / 2 COMPOSITORES: FAURÉ E RACHMANINOV [Segundas-f. musiciais, nº76]

                                       

[Este apontamento serve como homenagem a Jacqueline du Pré e Seku Kanneh-Mason. A primeira, já desaparecida, padeceu durante muito tempo de doença incapacitante, com a qual a excelente violoncelista teve de lutar durante vários anos. Seku Kanneh, é um fenómeno de maturidade precoce na arte de interpretar o reportório mais exigente do violoncelo. O seu sucesso estrondoso é bem merecido.]      



  Élégie de Gabriel Fauré; piano et violoncelle

                                Violoncelle: Jacqueline Du Pré et  piano: Gerald Moore


https://www.youtube.com/watch?v=UJFI6vQVwQQ



                                           Élégie de Sergei Rachmaninov; piano et violoncelle

                                           Violoncelle:    Sheku Kanneh-Mason

https://www.youtube.com/watch?v=yJZsfIxUGFg

Estas duas peças, Elegie de Fauré e Elegie de Rachmaninov (esta, inicialmente escrita para piano solo), são muito conhecidas e frequentemente gravadas, ou executadas em recitais.
Elas nos transportam para um universo de sofrimento espiritual, como quando se perde alguém querido. Não são peças para se ouvir distraidamente: Precisamos de nos concentrar na música porque cada nota, cada vibração, cada silêncio, se destinam a fazer-nos penetrar na essência vital das coisas.
Porém, ambas as Elegias apresentam uma saída à depressão, ambas possuem abertura para o céu azul.  De facto, são catárses, libertam-nos das obsessões da morte, da tragédia. Elas permitem-nos a reconstrução interior da mente e do afeto, após o luto.
É assim que eu as vejo e que as sinto. Embora sejam bem distintas no estilo e nos processos empregues, há porém um estranho parentesco entre elas. É que ambas se dirigem ao mesmo: À superação do sofrimento resultante da perda de um ente querido.


[Conheça outra Elegia de grande qualidade para violoncelo com orquestra, de Offenbach, «Les larmes de Jacqueline»; aqui interpretada por  Gürzenich Kammerorchester Köln]

sábado, 19 de setembro de 2026

NA REALIDADE, NÃO EXISTE ESCASSEZ DE DINHEIRO

 


Na realidade, não existe escassez de dinheiro*. Mesmo que se queira reservar o termo «dinheiro» para o ouro e a prata, os metais monetários. É preciso as pessoas perderem a visão «fétiche» sobre o que é o dinheiro. Essencialmente, um meio pelo o qual podem trocar mercadorias e serviços; é também um meio de acumulação de capital. 

No caso da função de intermediário nas trocas, ele desempenha o seu papel, desde que haja acordo de compradores e vendedores em relação ao valor efetivo desse dinheiro. As unidades podem ser arbitrárias, o seu valor unitário (o seu valor efetivo) pode variar muitíssimo. 

Quanto à função de acumulação de capital, como «dinheiro- papel», o seu desempenho é realmente insatisfatório. O dinheiro depositado numa conta a prazo  vai perdendo o seu valor real, apesar de aumentar nominalmente. Os banqueiros organizaram seu negócio para que o depositante nunca (ou muito raramente) obtenha um lucro real pelo seu depósito em dinheiro, na instituição bancária. O dinheiro-papel pode também ser aplicado em ativos financeiros, ações, obrigações, derivados... mas, o risco de perder tudo ou parte do capital acumulado é, muitas vezes, maior que o lucro que tais investimentos possam trazer. Em todo o caso, o cálculo de rentabilidade destas aplicações financeiras do dinheiro é particularmente difícil, pois ninguém tem «uma bola de cristal» para saber, daqui a um ano ou mais, de quanto esse ativo financeiro entretanto se valorizou, ou desvalorizou. Além de que existe a incógnita da taxa de inflação futura, no país ou países, onde tais investimentos foram efetuados. 

Uma taxa de lucro «bruto» de 10%, será um resultado excelente numa economia com valores de inflação próximos de zero; porém, numa economia com inflação de 20%, o lucro  nominal de 10% transforma-se em perda real de -10%!

Não existe solução simples e matemática para o sistema monetário. Tem sido proposto que uma unidade internacional tenha apoio em matérias-primas, ou metais preciosos, ou rendimentos industriais, etc. Esta nova divisa internacional poderia substituir o deplorável sistema «fiat» que reina há mais de 60 anos. No ano de 1971, o Presidente Nixon declarou o não cumprimento dos Acordos de Bretton Woods, fazendo do dólar uma divisa destinada a ser inflacionada (visto não haver nada de concreto para sustentar o seu valor) e, por arrastamento, a enorme quantidade de divisas que estavam indexadas ao dólar. 

Tenho pleno conhecimento do debate sobre «desdolarização» e substituição por novo sistema monetário internacional, de forma a que a unidade de troca seja «ancorada» ao ouro (ou a um cabaz de matérias-primas). Eu próprio me deixei entusiasmar por tal «solução», numa primeira fase. Porém, a capacidade humana em distorcer, ocultar e enganar, não estaria - com certeza - abolida: Logicamente, haveria dirigentes com habilidade e poucos escrúpulos, para conseguir obter o controlo e as vantagens inerentes desse tal novo sistema monetário.

Eu tenho advogado, desde há algum tempo, que as unidades monetárias se confundissem com as unidades de energia: Sendo assim, um montante desse dinheiro (um preço), seria a promessa de receber uma dada quantidade de energia. Todos os países e pessoas precisam de energia nas diversas atividades: Seria claro, transparente e universal, aquilo que estávamos a dar ou receber, aquando de troca envolvendo dinheiro/unidade de energia. 

Tal esquema acima talvez não seja viável por razões políticas; porém, é muito viável em termos práticos. Se houvesse vontade, podia-se organizar a contabilidade em termos de equivalentes energéticos. Por exemplo, nas trocas internacionais, seria muito fácil converter as unidades monetárias, em quantidades de energia (nas unidades do sistema internacional, S. I., por exemplo),  que poderiam corresponder a petróleo, gás, ou eletricidade (gerada de diversas maneiras...). O balanço energético teria muito maior significado que a balança de pagamentos numa divisa (em dólares ou noutra qualquer). 

Hoje em dia, no momento em que todo o comércio internacional, toda a economia, estão informatizados, a necessidade de uma determinada divisa internacional se destinar a pagamentos e trocas, deixa de existir. O cálculo das trocas comerciais e doutros valores, numa certa moeda perdeu muito do seu interesse prático; basta uma calculadora de bolso com função conversora para - instantaneamente - calcular a equivalência de uma soma numa moeda A, noutra B.  

O problema que coloca  a existência de certa moeda de reserva para as trocas internacionais é outro: Há potencialidade do país (ou conjunto de países) que emite(m) essa moeda, abusar(em) do seu privilégio. Nós temos  verificado esse comportamento, ao longo de vários decénios, pelos EUA e não há qualquer garantia de que outra entidade, nacional ou supranacional, que venha a substituir o US dollar , se comporte de modo impecável! Daí que a emissão de dinheiro correspondente a um «vale-energia» faça todo o sentido e seja quase impossível haver fraude, se tal emissão não estiver em mãos de um país, mas for universalmente supervisionada. 

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  *) Não existe escassez de dinheiro porque este é colocado em circulação, de acordo com os interesses das grandes corporações e dos magnates bilionários.

A "escassez" (artificial) manifesta-se nos 90% da população, que dependem do trabalho para sobreviver. A abundância de recursos dos muito ricos, se fosse distribuída,  daria para todos terem uma vida decente. Mas, isso é o que a oligarquia não quer, pois iria retirar-lhe poder, mesmo que ela continuasse com a sua vida de luxo. 

O sistema monetário,  tal como existe, não é de modo nenhum neutro; está concebido para perpetuar e proteger a riqueza dos muito ricos .

CHRIS HEDGES: Sobre o império dos EUA, seu narcisismo e psicopatia



« Não podes falar de esperança se não consegues ver a realidade... E a realidade é bastante sombria, neste momento... Mas é um ponto de partida.»

(Chris Hedges)

Chris Hedges atravessa a sociedade americana com um olhar cheio de experiência, enquanto jornalista nos EUA e em diversos teatros de guerra, mas um olhar sem ilusões. Ele compreende que o povo americano está refém de uma falsa realidade, que não possui os dados para avaliar realmente o que se passa. 
Para Chris Hedges o mergulhar no completo colapso é inevitável; os sinais precursores estão presentes, os mesmos que antecederam o colapso de grandes potências do passado.