Manuel Banet, ele próprio
Reflexão pessoal, com ênfase na criação e crítica
domingo, 19 de julho de 2026
China fecha mercado do ouro aos especuladores
sexta-feira, 17 de julho de 2026
POR DENTRO ... (Obras de Manuel Banet)
Quando digo, eu - não sou eu
Quando digo nós - também não somos
Se sou ou não sou, serei ou não,
Pouco importa:
Já a noite cai sobre o terreiro
Menos distingo, mais me afundo
Neste mar de absinto, neste mar que me mata
Das coisas belas existe a conjura
de me moerem o juízo
Eu sei. E que posso fazer, senão
Gritar, à minha maneira?
Como um estranho que acorda
Num mundo incompreensível
Dentro de uma peça teatral
Para onde não foi chamado
e no entanto...
Se vê compelido a representar um papel
- Diga-me, meu caro senhor, que sabe fazer?
- Sou contador de histórias, com certificado
da associação nacional do mesmo nome.
- Muito bem, diz a voz,
Faz favor de se dirigir à direita, ao fundo do palco...
Mas, como nada acontece e sempre me vejo
Na situação absurda acima descrita,
O primeiro impulso é pegar no chapéu
E sair de cena, como quem muito bem percebe
Estar no lugar errado, no momento errado,
Sem que possa ajuizar do significado
Do que aconteceu.
Não vamos fazer uma teoria disso,
Como se o acaso tivesse uma lei,
Ou como se a minha pessoa fosse
Escrava do destino.
Afinal, tanto faz.
Porque, apesar do que congeminei
Caí na armadilha a mim próprio tecida
No enredo que eu sozinho fabriquei
Não de forma pensada, mas de modo
Deliberado, como a lagarta se envolve
No casulo...
Simples facto de entomologia
Espectral e obsessiva.
...
Uma voz de galináceo:
" Não tens qualquer outro,
Que não seja o teu ADN , a comandar!
E tão bem, que tens a impressão
De seres livre, de fazer porque queres
Mas quem manda é o teu ADN,
Nem o teu cérebro, nem outro conjunto
de neurónios, tem autonomia em face
Do codificado no genoma."
...
Outro galináceo:
"A espécie humana é formada por sub-espécies
Não se pode fazer rigorosa classificação
Apenas pela anatomia ou fisionomia
Ou por qualquer outro parâmetro físico.
Só observando o comportamento do espécime
Se pode arriscar uma tentativa de classificação"
....
Este discurso, dito de " ciência "
É a enésima regurgitação de galináceos
Poisados nos galinheiros-poltronas,
Conspurcando as cabeças jovens.
Perante o discurso galináceo, só restam
Duas opções: Ou dizes que sim
e continuas a falar com os teus botões;
Ou dizes que não
e expulsas a verborreia exatamente
como quando vais
Ao wc e descarregas o autoclismo.
Saibam, galináceos: Vosso cacarejar terá
O destino que lhe dá o autoclismo.
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Não irei adiantar mais, por hoje.
Acima, transcrevi o acontecido na cabeça,
Não pretendo que seja mais do que isso.
quarta-feira, 15 de julho de 2026
DURO COMO O DIAMANTE
terça-feira, 14 de julho de 2026
ALBÂNIA - O QUE MOTIVA «A REVOLTA DOS FLAMINGOS»?
Esta história está relacionada com grandes projetos de gasodutos financiados pelo Quatar e Arábia Saudita e com participação de Israel. Tal projeto - do lado do governo albanês - pretende ser «a porta de entrada» deste pequeno e pobre país balcânico na U. E.
A revolta popular dos últimos dias justifica-se pela série de intrigas em detrimento da soberania da Albânia e pela destruição anunciada do ecossistema que inclui a ilha de Sazan, onde habita uma colónia de flamingos selvagens.
segunda-feira, 13 de julho de 2026
HOJE, VOU ESCREVER UMA CARTA [OBRAS DE MANUEL BANET]
Sim, uma carta em papel; com envelope
Ainda não decidi se escreverei com caneta
De tinta permanente, esferográfica, ou feltro
Mas tem de ser realmente desenhada pela
Minha mão, cada letra exprimindo um instante
O instante das minhas emoções
Em relação ao conteúdo, também
Irei inovar - no que me toca - no estilo
Serei sincero, sem ser grotesco,
Sem artifício, abrirei o coração
Não preciso de fazer teatro
Com sinceridade, basta escrever
Ao correr da pena, é como estar
contigo, um gesto, um murmúrio,
Leve ruído do aparo ao contacto
Com o papel.
Podia pensar mais solene
Enfático ou espirituoso
Não! Minha razão de escrever
É natural e não fabricada
É o pensamento quando falo
É um sopro ao teu ouvido
Quanto ao conteúdo,
Tenho andado a refletir
No que a ele diz respeito
Ao entregar-te a carta
Entrego-te meu pensar
E sentir, sem floreados
Ainda tenho de a começar
Pois uma carta assim
Não se escreve por capricho
Uma carta assim é leve
E pesada, pelo que diz
E pelo que cala; pelo que
sai do aparo e pelo que fica
no tinteiro.
Até breve, pois...
GABRIEL FAURÉ; NA CHARNEIRA DOS SÉCULOS XIX E XX [Segundas-f. musicais, nº66)
Abaixo, uma peça das «romances sans paroles» (Op. 17/ nº3)
Esta Pavane tem uma ressonância renacentista e mesmo medieval. Porém, Fauré teve o bom gosto de não pretender imitar a música dessas épocas. A versão orquestral, que ouvimos aqui, foi elaborada pelo próprio compositor a partir da versão para piano.
O Requiem Op. 48, de Fauré, é uma obra que continua a suscitar o interesse do público e dos músicos profissionais. Uma das peças extraídas do Requiem, é «In Paradisum»