sexta-feira, 10 de abril de 2026

COMO A CHINA GANHA A COMPETIÇÃO COM EUA


 

Corbett report: «Nova Ordem Multipolar = Nova Ordem Mundial»







Comentário de Manuel Banet:

 A tese de James Corbett no que toca ao estribilho de «Ordem Multipolar» é que não existe diferença radical destas oligarquias da China e da Rússia, em relação às oligarquias dos EUA e da OTAN. Tudo o que os primeiros pretendem é serem aceites, é terem um lugar à mesa do poder e da ordem mundial. 

Muito bem; pode ser que seja uma mera luta para repartição das alavancas de controlo global e de «estar por cima», decidindo em nome de povos, eles próprios sem verdadeira voz, nem autonomia, nem capacidade de decisão própria. 
A tecnocracia é um velho projeto datando de antes da 1ª Guerra Mundial, que se vem desenvolvendo em múltiplas instâncias, umas mais visíveis que outras.
 A Comissão Trilateral, a Chattam House, o Fórum Económico Mundial, o Clube Valdai, o Clube Bilderberg  ... Há numerosos «Think Tanks», ou instâncias, apenas conhecidas de alguns,  que têm moldado discretamente a política das principais potências. 
Fazem parte do Estado profundo, pois as pessoas participantes nestes «clubes» e «grupos de reflexão» são, ou foram, detentoras de cargos públicos. 
Muitas vezes, os departamentos do Estado (por exemplo, um ministério ou secretaria de Estado) encomendam estudos, que deveriam analisar questões complexas. 
Mas, muitas vezes, são apenas coberturas caras e pretenciosas, para «validar» decisões já tomadas nos escalões mais elevados do poder. 
Estas encomendas são fonte de rendimento regular destes Clubes e Think Tanks. É uma forma de corrupção e também de roubo do erário público. O dinheiro sai, por norma, dos orçamentos de departamentos estatais, destinados a remunerar as figuras que realizam (ou assinam) os tais «estudos». 
Além disso, existem múltiplas fundações privadas que financiam regularmente estes grupos influentes. Estas fundações são associadas aos setores que desejam moldar a visão governamental: Por exemplo, a indústria do armamento tem interesse em fazer prevalecer determinada visão da segurança, da geoestratégia, etc.
Trata-se de uma micro-sociedade em circuito fechado. Muitos empresários são aconselhados a encomendar «estudos», que são somente formas disfarçadas de exercer suborno. Isto está descrito em artigos sobre vários casos de Think Tanks nos Estados Unidos, por vários autores.  
Com certeza que algo parecido funciona nas outras grandes potências, ou mesmo em médias potências. 
Há um pacto de silêncio que inclui, não apenas os apoiantes do partido que esteja no poder, como a classe política no seu todo. Com efeito, mesmo os partidos e correntes de oposição tendem a «omitir» certos factos, pois têm esperança de vir a ser poder, algum dia. 
Além de que, para certos assuntos sensíveis, o facto de nomear as pessoas envolvidas nestes jogos de influência é extremamente perigoso, nomeadamente para os jornalistas.
A máquina do Estado é pesada, redundante, muito pouco eficaz.  Possui uma hierarquia oculta que manipula a hierarquia visível. Esta última, é preenchida por atores corruptos, sujeitos a chantagem, cuja competência em assuntos de Estado, sobre os quais decide, é ridiculamente limitada. 
Mas, como têm um batalhão de «conselheiros», para os mais diversos assuntos, basta que lhes sigam as sujestões. Acontece que os «conselheiros» são os peões dos grupos de interesses, ou lobbies. Estes, são fiéis aos interesses que promovem, não ao governo. 
Na «democracia» truncada, que nos estão constantemente a servir como se fosse o «modelo», o cidadão é desporvido de meios de influir nas decisões.  A escolha de tal ou tal indivíduo pode parecer relevante, mas não é, porque não se sabe qual a verdadeira «agenda» de um candidato. O mais banal é, uma vez eleito, ele fazer tudo diferente do que defendeu, durante a campanha eleitoral. 
O público não tem o mínimo controlo. Não pode fiscalizar os atos e decisões dos indivíduos que colocou no poder, através de eleições. 
Por que razão insistem nas eleições como o teste de democracia
- É  exatamente porque sem controlo e sem possibilidade dos eleitores revocarem o mandato dos eleitos, de forma institucional e eficaz, a «democracia» é apenas um jogo envolvendo atores e lóbis que os controlam através da corrupção...

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quinta-feira, 9 de abril de 2026

A VELOCIDADE DA LUZ - Leonard Susskind


 Excelente divulgação científica, sem aqueles disparates ou exageros que ouvimos muitas vezes, quando outros se dedicam a este exercício perigoso. Com efeito, a tentação é grande de sobre-simplificar sem critério, de dar imagens floridas sem substância do fenómeno a descrever ou das leis naturais que se pretende elucidar. Porém, não é o caso deste pequeno vídeo: Ele é perfeito, pois a narração vem duma mente genuinamente científica, que estudou longamente as questões que está a expor, além de possuir talento de comunicador, indispensável para este género de exercício. 

quarta-feira, 8 de abril de 2026

FIASCO DE OPERAÇÃO DE "SALVAMENTO" E CONSEQUÊNCIAS [CRÓNICA DA IIIª GUERRA MUNDIAL Nº60]

 


A operação de salvamento era a cobertura para as tropas especiais tentarem destruir as caves onde se encontram armazenados os cerca de 500 quilos de urânio enriquecido. O contingente americano utilizado, mostra que se tratava de uma operação de comandos em grande escala, com vários helicópteros e um avião com capacidade para transportar uma centena de homens. 

Foi um fracasso total, deixando várias aeronaves destruídas e possivelmente, mortos ou neutralizados grande parte dos referidos comandos. Comunicados referem que alguns comandos conseguiram fugir em helicópteros, apesar de feridos. Não sabemos ao certo: Nestas circunstâncias, não existe nenhum meio de verificação independente. O que é certo, é que o aviador que eles procuravam, não foi resgatado. Em vez disso, a operação saldou-se por um desastre total em vidas humanas e em perdas materiais avultadas. 


Este fiasco teve consequências, de certeza, pois fez Trump mudar de tom, contrastando com a arrogância e grosseria exibida algumas horas antes, com um ultimatum que implicava a destruição de estruturas absolutamente indispensáveis para a vida civil, como as centrais elétricas, as unidades de dessalinização e as pontes, caso o Irão não «abrisse» o Estreito de Ormuz.

O que aconteceu, não se sabe ao certo, mas pode-se inferir que as conversações secretas que decorreram no Paquistão, conduziram a este desenlace provisório, o cessar-fogo de ambos os lados por duas semanas, durante as quais as propostas em 15 pontos americanas e as em 10 pontos iranianas, iriam ser negociadas.

Se estas conversações causarem a abertura do Estreito, que não apenas permita passagem de navios tanque «amigos» do Irão, mas a todos os navios, é um ponto muito positivo para o lado americano. As bolsas dos países ocidentais já estão a refletir esta possibilidade, com subidas espectaculares. Mas, do lado iraniano, a abolição das sanções terá também um significado imenso. Com efeito, o petróleo iraniano poderá ser vendido a quem o quiser comprar, sem restrições, aumentando assim o leque de clientes, a quantidade total de petróleo vendido e as respectivas somas necessárias para a reconstrução.  

Não quero - no entanto - transmitir esperanças infundadas, primeiro porque as posições oficiais de ambos os lados parecem muito distantes para um acordo; segundo, porque não se pode ter demasiada confiança de que os americanos não violem os hipotéticos acordos, assim que lhes parecer conveniente. Eles têm costume de fazer isso, desde os tratados com os nativos americanos até aos acordos de desarmamento e de limitação de armas nucleares, com os russos.

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Nota 1: Os israelitas dizem que não foram consultados, dizem que não souberam dos conteúdos das negociações no Paquistão. Isto pode significar que estão na disposição de não se darem por vinculados com o que saí das conversões de paz. 
Isto é um mau sinal, porque o governo de Nethanyahu tem feito muitas coisas para implicar e envolver o governo dos EUA. Não vejo que os EUA, agora, tenham capacidade ou vontade para os refrear. 


Nota 3: Mesmo que as conversações de paz entre o Irão e os EUA cheguem a bom termo, não será possível evitar a crise económica profunda, que já está a fazer estragos.

Nota 4: Por mais que Trump clame vitória, o facto é que ele teve de ceder perante tantos fiascos, nesta guerra.

[Crónica da IIIª Guerra Mundial nº 59] QUANDO OS EUA CAIRAM NA ARMADILHA

Donald Trump criou a armadilha na qual as forças dos EUA e de Israel estão presas:

- Guerra em múltiplas frentes: Estreito de Ormuz, Bab El Mandeb, Iraque.
- Guerra que esgota as munições dos EUA, agravamento da economia mundial.
- Guerra impopular nos vários povos (incluindo americano).



 






terça-feira, 7 de abril de 2026

CRIMES DE GUERRA E SEU ENCOBRIMENTO [PROPAGANDA 21, Nº31]

 



A descida ao inferno do imperialismo decadente, com todo o cortejo de guerras e de crueldades, não poderia ser tolerado pelas próprias populações nativas dos centros do Império, se não houvesse toda uma media que leva a cabo a distorção da realidade, de modo consciente e deliberado, desde o black-out informativo, até ao «spin» colocado discretamente nas notícias, no seu fraseado, nos adjectivos, etc. 
Claro que isto resulta, porque a imensa maioria das pessoas não vai analisar estes pormenores do texto. Por isso, julgam que a media é «razoavelmente objectiva», quando nunca o foi ou deixou de o ser há décadas... 
A fragilidade inerente - para o setor pró-imperial - é que qualquer pessoa, uma vez que tomou consciência da manipulação, já não poderá deixar de a notar no futuro. 

segunda-feira, 6 de abril de 2026

O QUE SE ESPERA DAS FORÇAS POLÍTICAS E SOCIAIS CONTRÁRIAS A ESTA GUERRA E AO AUTORITARISMO?

- Estamos em guerra, é a IIIª Guerra Mundial. 

- Esta evidência, infelizmente, toda a gente a tem, hoje. Porém, eu já tinha esta noção de que estávamos numa IIIª Guerra Mundial, desde 1999 e do ataque da OTAN (ilegal face à Lei Internacional), contra a Sérvia; a chamada guerra do Kosovo. 

A quantidade de «palcos» de confronto violento multiplicaram-se, é impressionante. A maioria concentra-se no Médio Oriente. Muitas guerras atuais estão no prolongamento de guerras que já vêm do século XX (e algumas, desde o final da 1ª Guerra Mundial). 

O que os ocidentais têm tido como «desenvolvimento», não é senão a continuidade da exploração colonial, e depois ex-colonial. Claro que as pessoas que beneficiam de uma situação de abundância e privilégio, vão dizer que ela se deve ao seu mérito próprio. Os ocidentais pensam-se como civilização superior, com um nível de desenvolvimento maior que as outras partes do globo. Mas isto é falso, sem dúvida, por dois motivos:

- A maneira como podemos medir o grau de civilização é, antes de mais, como os cidadãos de um determinado espaço civilizacional reagem em defesa dos valores da civilização onde estão banhados. Os ocidentais pretendem ser democráticos e viver em democracias. Mas, logo que algo se torne menos confortável para eles, abandonam - na prática - os princípios democráticos. Logo que se verifica uma corrente emancipatória dos oprimidos doutras partes do Globo ou até de seu próprio país, deixa de haver democracia. 

A repressão feroz aos movimentos emancipatórios de ex-colónias, em África, na Ásia e na América Central e do Sul,  mostrou a «democracia» deles, os oligarcas e seus lacaios, os governos ocidentais. Igualmente, em relação à classe operária, ou pessoas em rutura política dos sistemas ditos democráticos, verificaram-se episódios de uma violência inultrapassável. 

Os sucessivos crimes contra a humanidade da parte do governo sionista de Israel tiveram o aplauso de muitos e o silêncio envergonhado de outros. O mesmo se está a passar hoje, com o Líbano e com o Irão. 

Outra medida do estádio civilizacional é procurar de saber e compreender as ideias, os costumes, o modo de ser e pensar dos outros povos. Porém, na sociedade ocidental atual, não existe sequer tolerância para com outras etnias, outras culturas, outros modos de estar. Quanto muito, existe condescendência em relação às formas de cultura dos não-ocidentais, um reflexo do colonialismo:  O civilizado ignora as formas artísticas, filosóficas e científicas de outras culturas, não as percebe nem tenta fazê-lo, ele ignora as histórias das sociedades extra-europeias respectivas.  

O nacionalismo tornou-se a forma estereotipada de rejeição do outro. Esta visão foi incutida pelos elementos mais retrógados e opressores das classes oligáriquias ocidentais, como forma de impedir a solidariedade com povos coloniais ou ex-coloniais, da parte dos  povos que foram, num certo momento histórico, seus colonizadores. Este racismo e colonialismo das mentalidades ocidentais, permite que a oligarquia desvie de si própria a raiva e frustração dos explorados. Canaliza este ódio em direção aos outros povos, sobretudo aos emigrantes.

A natureza desta Guerra Mundial é de se desenrolar num processo contínuo de aumento de tensões, provocações e das várias formas de guerra : Económica, com as sanções, a ingerência ou subversão dos países inimigos ou ainda, o isolamento diplomático, o bloqueio e, por fim, guerra dita «cinética».

A lenta e inexorável erosão das liberdades nos países que se afirmam como «democracias», acompanha a marcha em direção à guerra. O empobrecimento das populações, a diminuição drástica dos orçamentos sociais dos Estados, vai de par com o reforço - em efetivos e em equipamentos - das forças armadas e policiais, em prevenção de prováveis insurreições. As pessoas que criticam a deriva autoritária, sem terem - no entanto - feito nada contra as leis, apenas exercendo o seu direito à livre palavra, ao pensamento crítico, são perseguidas, sujeitas a sanções extra-judiciais, confirmando-se deste modo a morte do Estado de Direito, do respeito pela legalidade constitucional. As leis e atuações dos Estados, também vão sendo transformadas, com vista ao controlo social total.

O totalitarismo não se instaura,  necessariamente, por um golpe de Estado ou uma subversão brusca da ordem constitucional. Existem bastantes exemplos que mostram o deslisar dos Estados: Eles aparentam ser  democráticos, mas são Estados onde a democracia verdadeira desapareceu, ou seja, restam leis  e constituições democráticas, sem qualquer relação com a realidade, pois estão constantemente a ser pisadas, pelas próprias entidades que tinham o dever de defendê-las.

A inadequação das pessoas e das organizações para enfrentar e combater este «fascismo deslizante», é trágica: Ela configura a incapacidade dos líderes em ver o presente tal como ele é. Alguns estão imbuídos de modelos históricobs passados, que os impedem de captar o que a situação atual tem de inédito. 

É preciso e urgente uma viragem para nova visão da política. O objetivo deve ser  construir uma organização flexível, para combater o autoritarismo, que abafa e acaba por estrangular os elementos de democracia ainda presentes em nossas sociedades. Sem auto-censura, nem anátemas, deve-se agrupar, de forma ampla, as numerosas pessoas, as diversas forças sociais e políticas, realmente interessadas em impedir que um regime autoritário se instale.