Manuel Banet, ele próprio
Reflexão pessoal, com ênfase na criação e crítica
sábado, 3 de outubro de 2026
MINHAS ESCOLHAS DE MÚSICA BARROCA [Segundas-f musicais n° 78 ]
COVID e vacinas; práticas criminosas de governos, entidades de saúde & médicos
sexta-feira, 2 de outubro de 2026
IDENTIFICAÇÃO DE ESPÉCIES PELO ADN ANTIGO: O caso de Homo denisovans
O documentário dedica um largo espaço a descrever o processo de descoberta da espécie «denisovana», descoberta a partir do ADN extraído de um dos ossos do dedo mínimo duma menina que terá morrido entre os 5 e 8 anos.
Junto com esse fragmento de osso do dedo na cave de Denisova (daí o nome da espécie) na região de Altaï, no sul da Sibéria, foram também identificados alguns dentes, pelo mesmo método, como pertencentes a denisovanos.
A partir desse momento, vários anos decorreram até serem identificados novos fósseis de denisovanos. Somente nessa ocasião foi possível «dar uma representação do rosto» desta espécie, contemporânea dos neandertais e dos humanos «modernos».
Vários fósseis não identificados, pertencentes a várias colecções na China, foram testados, esperando-se encontrar novos fragmentos de ADN de denisovanos. Porém, tal foi impossível, porque o ADN antigo se degrada com facilidade.
Apesar disso, moléculas de proteínas presentes nos ossos, como o colagéneo, podem ser sequenciadas em relação aos seus amino-ácidos, dando indiretamente a sequência correspondente no ADN. Foi assim que se identificou um fragmento de mandíbula, encontrada numa caverna do Tibete. Mais recentemente, foi estudado o crânio - muito bem preservado - do «Homem dragão», que tinha sido escondido durante mais de 80 anos, num poço, pelo trabalhador que o descobriu, em Harbin, perto do rio Dragão.
Tenho descrito, em várias postagens, os avanços das investigações em relação aos Denisovanos, mas também em relação aos Neandertais e a nossa espécie. Este vídeo, embora não traga dados novos, é muito completo em relação à metodologia de identificação e caracterização da nova espécie humana.
https://www.youtube.com/watch?v=UmLv8882htY
quinta-feira, 1 de outubro de 2026
ENGRENAGEM LOUCA PARA A GUERRA GLOBAL (Crónicas da IIIª Guerra Mundial, nº72]
Bombardeamento Americano-Israelita no centro de Teerão em Fev.-Março de 2026
Poderia inaugurar o mês de Outubro descrevendo a crise moral que o «Mundo Ocidental» atravessa. Mas, em paralelo, tem estado a desenvolver-se uma crise, de ordem económica-financeira, da maior gravidade. Ninguém duvida, hoje , que os EUA e os restantes países do G7 estão num processo de acumulação de dívida pública, claramente insustentável. O (mau) reflexo de dirigentes do Japão e da Alemanha é avançar com posturas hostis, agressivas, ativando programas de rearmamento, respectivamente contra a China e contra a Rússia. Nunca estivemos tão próximos, desde o fim da IIª Guerra Mundial, de uma confrontação generalizada entre as principais potências e com envolvimento de potências de menor calibre. Porém, nós adoptamos um conceito de guerra híbrida e assimétrica, que pode acender-se em qualquer zona do Globo, principalmente envolvendo países do chamado Sul Global. Consideramos que existe há mais de 25 anos (desde 1999) um tipo de Guerra Global completamente novo, que decorre do facto dos EUA, enquanto potência dominante, querer que todas as restantes nações a se verguem à sua vontade: «Might makes right».
Na panóplia da IIIª Guerra Mundial incluem-se vários tipos de instrumentos:
- Os pacotes de sanções, juntamente com os confiscos de bens financeiros, as tarifas punitivas e os embargos.
- As guerras locais ou regionais, de tipo neocolonial, entre a potência hegemónica e Estados frágeis (Somália, Jugoslávia, Afeganistão, Iraque, Líbia, Síria, Irão), usando frequentemente as dissenções nesses países e forças mercenárias, ao serviço de exércitos neocoloniais;
- Além disso, Israel e EUA têm impunemente destruído a legalidade internacional, danificando gravemente a autoridade e eficácia da ONU, enquanto organização destinada a prevenir e ajudar a resolver os conflitos. Transformaram a ONU num fórum irrelevante.
Sem querer reduzir tudo à economia e às situações de desequilíbrio financeiro, que se têm avolumado nos últimos tempos, é preciso não esquecer que estas situações de crise económica têm vindo a originar, em certos países, políticas belicistas de «fuga para a frente», com propaganda hostil, sanções económicas e acabando por se entrar numa guerra «clássica». Tais posturas, historicamente, foram adoptadas por muitos Estados, desde a Guerra do Peloponeso, na Antiguidade, até aos conflitos generalizados das duas Guerras Mundiais. Igualmente, ao longo dos séculos XX e XXI, nas guerras contra os poderes dominantes e pela independência e libertação do jugo neocolonial, os países colonizadores (ou neo-colonizadores) têm mostrado má vontade em encetar processos negociados, convencidos de que os povos oprimidos por eles «não podem governar-se a si próprios».
A guerra não é solução para os problemas. A crença de que é preciso uma guerra para os resolver, tem sido invalidada repetidas vezes. Mas, estou convencido que estamos a caminho de uma generalização do quadro de guerra híbrida, que tem durado desde finais do século XX, até hoje, e passaremos (talvez este ano ainda ou no próximo) ao envolvimento mais direto de grandes potências. Isso seria trágico, pois iria potenciar os conflitos existentes em vez de os resolver e, sobretudo, proporcionaria o alastramento e agravamento das ações de guerra.
Fala-se abertamente na utilização de armas nucleares ditas «táticas», apenas um passo mais na escalada que conduzirá - fatalmente - às bombas intercontinentais de grande potência, ou seja, à destruição garantida da nossa civilização e possível destruição dos ecossistemas capazes de sustentar a espécie humana.
PS: Entrámos na «estação eleitoral». As operações de falsa-bandeira começaram: Uma em Inglaterra, junto duma base da RAF em Fairford, mas que tem sido permanentemente usada pelos americanos, ultimamente, para bombardear o Irão. George Galloway assinala a incoerência do governo britânico, da CIA e do governo americano, ao indicarem que se tratava dum atentado terrorista em preparação, supostamente encomendado pelo Irão: Quanto aos «terroristas», estes foram deixados em liberdade sob fiança pela polícia, que tomou conta do incidente. Se fossem deveras terroristas, ou se houvesse sérias suspeitas disso, tal atitude da polícia seria impensável.
O segundo incidente foi com um avião das linhas aéreas do Dubai, voando do Dubai para Tel Aviv, tendo como passageiros quase só turistas (?) israelitas. No vídeo acima, de Kim Iversen, as incoerências do relato oficial são muito justamente apontadas:
Durante o vôo, o copiloto terá esfaqueado o piloto. Mas, graças à presença - por acaso? - de dois passageiros com capacidade de pilotagem de aviões de linha, o avião não se despenhou num deserto da Arábia Saudita. Foi controlado e aterrou com os passageiros a salvo, num aeroporto do Reino Saudita.
terça-feira, 29 de setembro de 2026
JEAN BRICMONT : PERMANECER EM SILÊNCIO
Se não conseguimos inflectir as violências dos nossos próprios governos, que sentido tem condenarmos as reacções violentas dos Estados ou movimentos que foram atacados por eles? pergunta Jean Bricmont.
Na fronteira Tunísia-Líbia, milhares de pessoas tentam fugir da Líbia, momentos antes da 'intervenção humanitária' da OTAN, a 2 de Março 2011. (U.N. Photo/UNHCR/Alexis Duclos)
By Jean Bricmont
Special to Consortium News
https://consortiumnews.com/2026/09/25/remaining-silent/

Vivi toda a minha vida na Europa e nos Estados Unidos, onde sei que quase todos — mesmo aqueles que afirmam estar em “solidariedade com a Palestina” — começam qualquer crítica a Israel ou ao seu governo “condenando” o Hamas, o Hezbollah ou o “regime dos aiatolás”.
Pretendo explicar por que nunca concordo com tais condenações.
Não é porque eu apoie esses movimentos ou seus métodos; considero a retórica de apoio quase tão fútil quanto a de condenação. A única posição moral válida — que vai além da mera demonstração de virtude — deve derivar de uma análise lúcida da nossa posição (como ocidentais) no mundo e da dinâmica de poder real em jogo.
Nossa posição é simples de descrever: os Estados Unidos, juntamente com seus "aliados" europeus, têm enorme responsabilidade pelos desastres no Oriente Médio — desde a criação do Estado de Israel no pós-guerra e a expulsão em massa de palestinos até a derrubada de Mossadegh, no Irã, em 1953; duas guerras contra o Iraque; décadas de sanções contra o Iraque, a Síria e o Irã; apoio aos massacres sauditas no Iêmen e aos perpetrados por Israel em Gaza, na Cisjordânia e no Líbano; bem como múltiplas intervenções no Líbano e, hoje, um ataque maciço e não provocado contra o Irã.
Palestinos deslocados retornando à Gaza bombardeada e ao norte pela Rua Al-Rasheed, atravessando a ponte sobre o estuário do Wadi Gaza, 28 de janeiro de 2025. (Ashraf Amra – Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo/ Wikimedia Commons/ CC BY-SA 3.0)
É claro que os cidadãos ocidentais comuns não precisam se sentir culpados por políticas que não escolheram — visto que a política externa raramente é debatida em democracias e tem pouco peso nas eleições —, mas as atitudes políticas dos cidadãos ocidentais não podem simplesmente ignorar essas realidades históricas.
Se somos incapazes de conter a violência de nossos próprios governos — sobre os quais poderíamos, em princípio, exercer influência — que sentido faz condenar as reações violentas dos estados ou movimentos que eles atacam?
Os líderes desses estados ou movimentos mal sabem que nossos movimentos cidadãos “críticos” sequer existem; e se soubessem, não se importariam minimamente com nossas opiniões ou críticas, por mais moral ou taticamente corretas que sejam.
Tudo o que esperam de nós é que contenhamos a violência de nossos governos — e se não conseguirmos fazer isso, devemos simplesmente ficar em silêncio.
Na verdade, essa obsessão em denunciar os crimes de inimigos oficiais sempre existiu, mas intensificou-se enormemente no final da Guerra do Vietnã. Essa guerra terminou com uma derrota militar espetacular para os Estados Unidos e uma perda de prestígio moral devido às atrocidades cometidas durante o conflito.
Contudo, as tragédias envolvendo os "refugiados em barcos" — e, ainda mais, as atrocidades cometidas pelo Khmer Vermelho no vizinho Camboja — proporcionaram uma oportunidade de ouro para os defensores do imperialismo americano.
Eles se concentraram nessas tragédias para culpar o movimento pacifista estadunidense, agindo como se este fosse responsável pela situação, embora a repressão no Vietnã que levou os "refugiados em barcos" a fugir fosse inevitável — tal repressão contra colaboradores ocorre no final de todas as guerras.
Além disso, era perfeitamente racional que alguns fugissem como refugiados políticos do que era, na realidade, uma catástrofe econômica causada pela guerra.
Quanto ao Camboja, foram os Estados Unidos que arrastaram o país para o conflito em primeiro lugar, ao substituir o rei Sihanouk, em grande parte neutralista, pelo ditador Lon Nol — uma medida que, combinada com as campanhas maciças de bombardeio americanas, apenas fortaleceu o Khmer Vermelho.
Ademais, durante o colapso final, os EUA cortaram toda a ajuda alimentar ao Camboja; a capital estava repleta de camponeses que haviam fugido dos bombardeios e dependiam dessa ajuda para sua própria sobrevivência.
Contudo, isso não impediu que a ideologia se tornasse dominante, abrindo caminho para justificar a guerra flagrantemente ilegal contra a Iugoslávia em 1999, bem como a guerra contra a Líbia em 2011.
Este último conflito foi desencadeado depois que o desastre da Guerra do Iraque se tornou flagrantemente óbvio; tal como a guerra no Iraque, a intervenção na Líbia causou estragos dentro do país e em toda a região vizinha do Sahel.
Mesmo em conflitos não travados por razões humanitárias — como as guerras no Afeganistão (2001) e no Iraque (2003) — a ideologia do “direito de intervenção” manifestou-se na esquerda ocidental (mesmo entre autoproclamados pacifistas) através de slogans do tipo “nem Bush nem o Talibã, nem Bush nem Saddam”.
Depois veio a Ucrânia: enquanto houve apoio quase total a uma intervenção da OTAN para proteger a população kosovar que buscava a independência da Sérvia em 1999, a intervenção da Rússia em 2022 para proteger as populações russas no leste da Ucrânia foi universalmente condenada.
Contudo, as situações não são tão diferentes: os ucranianos do Donbas se insurgiram contra um governo em Kiev que emergiu de um golpe de Estado em 2014 apoiado pelos Estados Unidos e pela Alemanha — um governo profundamente anti-Rússia, ou seja, hostil à parcela russa da população no leste do país, região que fora arbitrariamente anexada à Ucrânia durante a criação da URSS em 1922.
A principal diferença entre essas duas situações é que, ao longo de oito anos (de 2014 a 2022), a Rússia esperava — em vão — garantir um acordo negociado, enquanto a OTAN bombardeou a Sérvia após um processo de negociação fraudulento em Rambouillet, que, na prática, exigia a capitulação da Iugoslávia.
O cenário líbio se repetiu — embora por um período mais longo — na Síria, onde, sem intervenção direta do Ocidente, o apoio maciço aos “rebeldes” por parte dos Estados Unidos, das nações europeias e dos estados do Golfo permitiu que eles tomassem o poder no final de 2024.
A história dirá se isso foi bom ou ruim para o povo sírio, mas o que é certo é que essa mudança de regime foi aplaudida no Ocidente (mesmo que o atual líder sírio tivesse sido previamente designado terrorista pelos Estados Unidos) e particularmente em um estado vizinho, Israel, que aproveitou a oportunidade para expandir sua ocupação ilegal do país.
Em seguida, veio Gaza.
Ruínas de Beit Lahia na Faixa de Gaza, destruídas por bombardeios israelenses, 23 de fevereiro de 2025. (Jaber Jehad Badwan / Wikimedia Commons/ CC BY-SA 4.0)
Inicialmente, a “única democracia no Oriente Médio” desfrutou do mesmo tipo de apoio que os Estados Unidos receberam após o 11 de setembro — simpatia pelas vítimas inocentes de terroristas bárbaros.
A história, os abusos passados, os bloqueios e outros eventos semelhantes foram completamente esquecidos. O Hamas foi retratado como um demônio maligno surgido de uma caixa — um efeito sem causa — e a simples menção da história da Faixa de Gaza ou da Palestina rotulava alguém como apologista do terrorismo, uma posição frequentemente sujeita a processos criminais na Europa.
A mensagem transmitida por essa simpatia a Israel — muito semelhante à enviada aos Estados Unidos em 2001 — era de que “vale tudo”.
Contudo, assim como a interpretação quase literal dessa mensagem pelos Estados Unidos no Afeganistão e no Iraque acabou levando à sua perda de credibilidade, a pura barbárie do ataque israelense a Gaza provocou uma onda de indignação global. Sem se deixar intimidar por essa reação, Israel intensificou sua agressão no Líbano e na Cisjordânia.
Para piorar a situação, veio o ataque ao Irã.
A Insensatez da Aventura Iraniana:
O funeral, em 3 de março de 2026, das vítimas do ataque americano-israelense à escola primária Shajareh Tayyebeh, em Minab, Irã. (Agência de Notícias Tasnim/ Wikimedia Commons/ CC BY 4.0)
Após os protestos de janeiro (que estavam longe de ser espontâneos), a expectativa era de que, ao decapitar a liderança do país — e matar muitas crianças no processo — o “regime” (como o Ocidente o chama) entraria em colapso.
Aqui, porém, a aliança EUA-Israel cometeu um erro semelhante ao de Hitler em junho de 1941. Tendo conquistado quase toda a Europa, ele estava convencido de que a URSS ruiria como um castelo de cartas.
Afinal, era exatamente isso que a propaganda anticomunista que ele e seu círculo íntimo haviam escutado ao longo dos anos o levara a acreditar. Quando a guerra não saiu como planejado, ele explicou a seu aliado Carl Gustav Mannerheim — o líder finlandês da época — o quão surpreso estava com a capacidade de resistência soviética.
Não sei o que se diz no Pentágono, mas é provável que sentimentos semelhantes prevaleçam lá em relação ao resultado do ataque ao Irã. E, dado que este ataque foi claramente motivado pela pressão israelense e pelas ilusões que propagaram, é também provável que — mesmo que não o digam publicamente — muitos generais americanos estejam amaldiçoando seu “aliado indispensável”.
Como se isso não bastasse, a crescente influência da China e dos BRICS, as dificuldades enfrentadas pelos sauditas contra os iemenitas — juntamente com a resistência iraniana, libanesa e palestina — sugerem que a era do “imperialismo humanitário”, do direito à intervenção unilateral e do desrespeito ao direito internacional (que surgiu após a Guerra do Vietnã) está chegando ao fim.
O custo humano deste período de imperialismo humanitário fora do Ocidente é assustador: segundo a revista médica britânica The Lancet, 38 milhões de pessoas morreram em consequência das políticas de sanções impostas pelos Estados Unidos e seus aliados ao resto do mundo — muitas vezes por razões “humanitárias”.
O Ocidente encontra-se numa encruzilhada: ou tenta manter a hegemonia a todo custo, ou aceita a realidade de um mundo baseado não em regras autodefinidas, mas nos princípios do direito internacional — ou seja, a igualdade soberana de todos os Estados e a não interferência nos assuntos internos de outras nações.
Se optarmos pela segunda opção (a única viável a longo prazo), então — longe de a condenarmos — devemos agradecer a resistência dos povos do Médio Oriente, que se mantiveram firmes contra um imperialismo que a nossa “esquerda” tentou, em grande medida, justificar apenas com sofismas humanitários.
Jean Bricmont é professor de física teórica na Universidade Católica de Lovaina (Bélgica) e autor de inúmeros artigos e livros, incluindo "Imperialismo Humanitário", "A República dos Censores" e "Absurdos da Moda" (com Alan Sokal).
segunda-feira, 28 de setembro de 2026
MÚSICA & POESIA EM PARIS [Segundas-f. Musicais, nº77]
https://www.youtube.com/watch?v=GG-n8fd2kWk&t=122s
Titre : Le Pont Mirabeau