sábado, 29 de agosto de 2026

INTELECTUALISMO E CAPITALISMO NA ERA DIGITAL


 O intelectualismo pode descrever-se como comportamento que previlegia o intelecto, a parte racional do cérebro, como sendo o factor principal da nossa vida, da nossa atividade social. As pessoas são classificadas segundo parâmetros, escalas, que pretendem medir o grau de «inteligência» como sinónimo de «bom» intelecto. 

Esta característica está tão difundida na sociedade, que a maior parte das pessoas nem se apercebe da sua existência. Mas, não se trata de algo natural, nem pouco mais ou menos. Trata-se de um fenómeno social e psicológico induzido, que atribui uma valoração aos indivíduos, em função de seus desempenhos teóricos, abstactos; confunde - aliás - a memória, a capacidade de reproduzir um determinado padrão, com a inteligência. Esta última, só faz sentido enquanto propriedade sistémica: por exemplo, a capacidade de adaptação a novas situações. Mas, em vez disto, a capacidade de regorgitar o que se decorou é - segundo certos «pedagogos» - sinal de inteligência quando, afinal, apenas se trata de capacidade de memorização. 

Insiste-se na vertente quantitativa - na quandidade de dados armazenados- ou na velocidade de processamento dos mesmos, como se estas propriedades definissem um intelecto «superiormente inteligente». Apesar dos computadores terem, hoje, um desempenho muito melhor que os humanos nestas funções, no armazenar e reproduzir informação. Recentemente, os algorítmos da IA (Inteligência Artificial) têm-se mostrado muito mais eficazes, em comparação com nossos cérebros, para relacionar dados e apresentá-los de modo coerente. Mas,  será que a inteligência se reduz a isso? Reduz-se a ter um desempenho mais rápido, um maior volume de armazenagem, etc? As pessoas mais convencionais - são a maioria - creem que sim, mas se examinarmos a questão com um pouco de aprofundamento, vemos que se trata de uma falácia. Na realidade, a construção de máquinas complexas, a descoberta das leis da Natureza, a criação de obras literárias, musicais, ou doutras artes, com características únicas, mostram-nos que nossos cérebros e as sociedades humanas são obviamente inventores e inovadores de destes produtos. O Teorema de Gödel, afirma que qualquer subsistema de  um Todo, não consegue descrever esse mesmo Todo, nem sequer consegue ter uma visão de conjunto dele.

A máquina inventada, o teorema, a criação literária, etc., são produtos humanos; não apenas daquele indivíduo a quem se atribui a autoria da criação, como de toda a Humanidade, com todo o contexto civilizacional, que lhe confere as bases materiais... 

O «pesadelo de ficção científica» de uns robots virem a alcançar um desenvolvimento tal, que ultrapasse as capacidades dos criadores e acabem por dominar a sociedade humana, pondo estes humanos ao serviço duma «civilização de robots», é um guião muito banal em obras de ficção científica. Porém, não tem a mínima verosimilhança. Desde já, porque a criatura (robot, algorítmo, etc) não poderá estar acima do seu criador, segundo o célebre Teorema de Gödel. 

Estas ficções podem ser consideradas meras visões pessimistas da sociedade futura. Mas, o que elas nos indicam, pela facilidade de difusão do mito, é muito mais interessante, do ponto de vista da psicologia e sociologia:

 Com efeito, a supressão sistemática dos impulsos criativos, a repressão das actividades artísticas não orientadas para a subsistência imediata, a criminalização ou a repressão de todas as ideias que entram em choque com as convenções, tem sido o modo concreto como o capitalismo tardio tem mantido os súbditos sob controlo

O medo difuso, numa sociedade controladora de todos os impulsos, sentimentos e pensamentos, existe. Mas, é necessário compreender que se trata do reflexo, não da «natureza humana» em geral, mas da forma como, na nossa época de grande desenvolvimento material, tecnológico, são confrontados os humanos, oprimidos pela oligarquia detentora de máquinas e recursos. 

Todas as obras de futurulogia, de antecipação, que apontam este estado de coisas como sendo o inevitável desfeche da sociedade tecnologizada, estão a criar as condições para a aceitação de tal sociedade, pelas massas. Isto talvez explique o sucesso das ficções distópicas envolvendo, de uma ou doutra forma, o domínio das máquinas sobre a humanidade. 

Prof. Jiang Xueqin: REALIDADE POLÍTICA E SOCIAL NA CHINA


Um diálogo muito denso e rico sobre a realidade política e sociológica do poder, na China contemporânea.

Também é muito interessante o seguinte:

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

IIº Jogos de Robots Humanóides, em Pequim: Robot corre cem metros em menos de 9 sec.

 CORRIDA DE ROBOTS EM PEQUIM [*] parece ficção, mas não é. 



                                               


Os robots humanóides estão a atingir e ultrapassar as possibilidades humanas em termos físicos e acrobáticos. 

A capacidade de desempenho autómono dos humanóides  é avaliada nestes «Jogos Olímpicos de Robótica» em Pequim. Aqui, são postos em «feroz» competição os diversos robots .

Este tipo de concurso é um campo de testes em situações reais, que mostram o grau de avanço em tecnologia robótica das equipas concorrentes. 



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[*] https://www.reuters.com/world/asia-pacific/chinese-robot-tiangong-clocks-sub-9-second-100-

Reportagem sobre robots humanóides: https://www.youtube.com/watch?v=kZ2HZkEdRxM

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

The Animals, uma espécie «em extinção» [Segundas-f. musicais nº72]

 

O que aconteceu a estes Animals meus preferidos (nos anos 60) ?







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                                            1º canção da lista de 40 [ Animals anos 60 e 70]

Passados tantos anos, continuo a apreciar o seu estilo vocal e instrumental, perfeitamente adaptado às canções. Têm um certo número de canções originais, mas outras, são interpretações de composições de outros.  Estas, são de tão elevada qualidade na inteerpretação dos Animals, que muita gente está convencida (erroneamente) que eles são os autores, quando apenas são os intérpretes das músicas compostas por outros. 
Exemplos: «The House Of The Rising Sun», tema de folklore adaptado por Bob Dylan;  «Bring It On Home To Me» de Sam Cooke, um dos primeiros cantores/compositores «soul».


domingo, 23 de agosto de 2026

Corbyn & Finkelstein: Gaza e a cumplicidade ocidental [Crónica da IIIª Guerra Mundial, nº 70]

 


Eles discutem as questões sem demagogias, mas também, sem refrearem de nomear os crimes e os responsáveis por eles.
A minha sensação, quando ouvi este diálogo foi como de «déjá vu»:
- Aquilo que está a acontecer em Gaza e na Palestina sob ocupação, se assemelha a uma «experiência» monstruosa ou uma série de «experiências», levadas a cabo pelos sionistas; não só o exército de Israel, como o governo, os partidos «de poder». Estes atos criminosos são levados a cabo com o beneplácito dos poderes das democracias ocidentais.
O fascismo do século XX também começou assim; lembremos a Abisssínia, invadida pelo exército de Mussolini. Lembremos a chamada «guerra civil» de Espanha, que não foi uma guerra civil, mas sim um confronto internacional, preparatório da IIª Guerra Mundial, que começou logo depois de completada a derrota republicana e das tropas franquistas terem dominado a totalidade do território. Os nazis submeteram os judeus (não apenas eles: ciganos, homossexuais, dissidentes políticos...) a brutais torturas, a escravidão, maus tratos constantes, «caças ao homem» em cada país que conquistavam. Os morticínios em massa nos campos de concentração só foram decretados por Hitler e seu Estado-Maior, quando havia nenhuma hipótese deles ganharem a guerra, ou mesmo de obterem um arranjo que lhes permitisse sobreviver.
Aquilo que está a acontecer em Gaza é um genocídio à vista de todos, com crimes de guerra quotidianos, muitos deles sendo orgulhosamente exibidos em público, nos media ou nas redes sociais, pelos soldados israelitas que os levaram a cabo.
Os dirigentes políticos incentivaram-nos a cometer crimes contra civis, mostram o maior desprezo (em público) pela vida dos palestinianos, seja de adultos ou crianças, de civis ou de membros do Hamas, todos eles destinados a «limpeza» completa ou quase.
Creio que Netanyahou, Ben G'vir e os outros, não poderiam fazer o que têm feito, ordenado o exército a proceder como procede em Gaza, nos Territórios Ocupados, ou no Líbano, sem terem as coberturas dos governos ocidentais: Dos EUA em primeiro lugar, mas igualmente de quase todos os governos dos países da OTAN ou da UE, com poucas exceções (a Espanha e a República da Irlanda, esta não faz parte da OTAN, mas é membro da UE).


Este crime hediondo dos sionistas em Gaza e nos Territórios palestinianos, aparece-me cada vez mais como parte da monstruosoa «tarefa» de parar e diminuir o crescimento de países outrora coloniais. Com efeito, se as populações palestinianas são as mais cultas em todo o Médio-Oridente, apesar das circunstâncias adversas, isso para os sionistas mais racistas tem o significado de um perigo, pois não poderão esperar nunca a sujeição dum povo com tanto martírio na sua História e com tantas pessoas cultivadas. Os palestinianos têm uma percentagem superior aos outros povos árabes em licienciaturas e doutoramentos, em todas as áreas do saber, incluindo as áreas mais técnicas.
Esta «experiência-teste» é um precedente para as elites europeias e norte-americanas fazerem o mesmo, com as adaptações necessárias, quer nos seus países respectivos, quer (mais provável) em países do Sul Global, onde os seus interesses estratégicos estejam a ser postos em causa.


As pessoas estão adormecidas, no Ocidente. Curiosamente, muito pouco se fala dos tópicos abordados por Corbyn e Finkelstein neste vídeo. Será porque as pessoas pensam que não lhes diz respeito, mostrando assim um enorme egoísmo. Neste caso, revelam uma enorme miopia e estupidez: Com efeito, as gerações dos seus pais tiveram de ir lutar nas fileiras dos exércitos coloniais (ou neo-coloniais) para tentar anular ou minorar a onda de independências que começou nos anos 50 e continuou nos decénios sucessivos, até hoje. As guerras de agressão levadas a cabo no século XXI têm todas as características de expedições imperialistas e neocoloniais: As recentes guerras de agressão e extermínio, levadas a cabo quer pelos EUA, potência hegemónica global, quer pelos países europeus ex- sedes de impérios coloniais (França, Reino Unido, etc) destinavam-se a manter os referidos países (Somália, Iraque, Afeganistão, Síria, Líbia, Líbano e agora Irão ...) na dependência do «Ocidente».  Serviram-se de todos os pretextos para manter o público da Europa e América do Norte iludido. A barragem dos media ocidentais, dificultou muito a tarefa de forças anti-imperialistas, em fazer passar as realidades que desmentiam as confabulações dos agressores. As poucas pessoas lúcidas estavam em nítida inferioridade de meios, perante constantes ondas de propaganda, de desinformação e de incultura política (mantida intencionalmente).


A saída no longo prazo, vai depender de vários fatores:
- A coesão do movimento dos BRICS, que é muito frágil, embora assente sobre princípios saudáveis.
- A reorganização do movimento de massas do início do século XXI, os «anti-globalistas» ou alter-globalistas»,
- A reativação das resistências populares e operárias dentro de cada país, com uma dinâmica de organizações de classe que não esteja refém de lógicas partidárias.
Os fatores que podem provocar o despertar dos oprimidos, são
- a iminência de uma brutal recessão mundial,
- a oligarquia tentando apropriar-se do capital dos fundos de pensões e obter a privatização de estruturas de gestão pública
- o empobrecimento acelerado e a perda de ilusões de jovens, de que poderão levar uma vida decente, com um padrão de bem-estar melhor ou semelhante ao da geração dos seus pais.
- A compreensão profunda, sobretudo entre a juventude, de que se deve fazer a unidade na luta, entre si e com classes partilhando interesses fundamentais.


Não vou fazer vaticínios, mas uma coisa positiva já está a ocorrer: A onda de resistência em países ex-colóniais aos cantos de sereia neoliberais, que pretendem criar ou conservar para as oligarquias as condições de extração das matérias-primas e da exploração da mão-de-obra desses países.
Em relação ao resto, há demasiadas incógnitas para sabermos de antemão qual será a configuração do Mundo, dentro de 5 ou 10 anos.