sexta-feira, 31 de julho de 2026

CONTO: A JAZIDA DO SABER HUMANO [OPUS. VOL. IV ; OBRAS DE MANUEL BANET]


No ano de 2026, começou uma experiência em larga escala que se veio a revelar de transformação civilizacional. 

Nas narrativas do passado longíquo, as bibliotecas eram locais preciosos, onde se guardava a sabedoria, os conhecimentos, as narrativas, as informações técnicas,  geográficas, antropológicas e todas as outras áreas do saber. Elas definiam a civilização de uma nação e dum povo. Eram reverenciadas pelos cidadãos comuns e os mais poderosos prestavam-lhes homenagem. Certamente, também houve fogueiras de livros nas inquisições, nas encenações do regime hitleriano, e em muitas outras circunstâncias. Mas as fogueiras não apagavam tudo, e até davam «mau nome» àqueles que as ateavam e alimentavam.  

Até que as tecnologias da Internet chegaram. A comunicação passou a ser instantânea ou quase, em termos práticos. A capacidade de armazenagem de documentos tornou-se quase infinita, mesmo para alguém com posses modestas nesta sociedade: Não apenas os livros, mas vídeos, filmes, etc. «cabiam» num  espaço virtual, a «nuvem», atingindo uma capacidade bem maior - na verdade - do que os leitores mais sistemáticos poderiam jamais ler ou ver. 

Então, deu-se uma transformação paradoxal, inesperada, na quase totalidade dos indivíduos: Deixaram de ler obras de ficção ou de ensaio, deixaram de se informar realmente, de procurar o saber... tinham isso «na ponta dos dedos», apenas bastando uns poucos «clics» para alcançar qualquer página, armazenada por eles, ou que os esperava na já citada «nuvem». 

O fenómeno era como o de se perder o apetite, perante uma mesa cheia de iguarias, que individualmente faziam «crescer a água na boca» mas, todas  elas assim dispostas, eram uma espécie de indigestão «virtual».

Foi então que certas empresas, associadas a certas agências estatais, decidiram levar a cabo a digitalização em massa de todos os livros, mas em especial, os raros. 

Apropriando-se da totalidade dos poucos exemplares restantes, destruiram todos os vestígios materiais deles. Exactamente como Ray Bradbury tinha imaginado no seu romance de antecipação científica «Fahrenheit 451», ou de forma análoga, mas mais «limpa e eficaz» que os lança-chamas para destruição dos livros, no supra-citado romance. 

Na verdade, as bibliotecas que eram susceptíveis de conservar um grande número das obras raras, não só não fizeram resistência, como foram as primeiras a oferecer sua colaboração aos funcionários destas empresas. Mediante um custo irrisório e com prévia autorização administrativa, as bibliotecas de instituições prestigiosas podiam finalmente ver o seu sonho realizado: A empresa fazia a digitalização de todas as obras, tendo a biblioteca e todos os utentes da mesma, um acesso ilimitado a essas obras.

 Muitas bibliotecas tinham graves problemas de manutenção. Tinham que combater pragas de insetos xilófagos ou fungos e bolores, que invadiam os vetustos tratados, onde houvesse uma réstea de humidade... Enfim, era uma luta insana, muitas vezes sem meios à altura. 

Aquele esforço humano e financeiro tornava-se ridículo, sobretudo na era da digitalização a 100 %, em que praticamente ninguém vinha consultar as obras aí armazenadas. 

Antigamente, a biblioteca abrigava caloiros e graduados académicos, dos mais diversos âmbitos profissionais e geográficos. Recentemente, a biblioteca tornara-se um resquício do passado. 

A digitalização integral foi um programa de iniciativa governamental, decidido após consulta às instituições de maior relevância nacional: Das academias científica, às associaões profissionais de docentes, das bancadas parlamentares, às tribunas sindicais, fez-se uma consulta vastíssima, um plebiscito virtual, com altíssima percentagem de respostas obtidas ao inquérito posto a circular na Internet pelo ministério da cultura.

O livro digital substituiu o velho livro de papel (ou de pergaminho). Qualquer um podia consultar, no seu computador pessoal ou «smartphone», tudo o que desejasse. As pessoas tinham apenas de se inscrever no site da biblioteca universal digital, pagando uma soma simbólica para obras sujeitas a direitos de autor, sendo as outras inteiramente gratuitas.

Os autores não protestaram. Pelo contrário; alguns, que antes vejgetavam na quase total obscuridade, foram subitamente projetados para os écrans da fama digital. Os que já eram cérebres - estes - não viram os seus rendimentos decrescer, visto que a cobrança digital de direitos de autor se tornou mais eficaz; também beneficiaram do efeito de divulgação no universo digital.

Numa segunda fase, as salas de aula das universidades e dos liceus ficaram quase desertas. Os estudantes não viam vantagem em ouvir em direto «um/uma velho/velha» dizer umas balelas, que aliás, já tinham lido e ouvido, em vídeo. A comunicação direta, em sala de aula, tornou-se também anacrónica. Muito rapidamente desapareceu também. Os professores assim preferiam, pois davam aulas «virtuais», onde podiam ouvir os alunos e responder a dúvidas ou questões que estes levantassem. 

Mas, em todo o processo, havia uma perda de contacto, a ausência da fricção inerente à comunicação humana. Esta interacção, por muito trivial, permitia a alunos e professores manter uma relação afetiva com as  respectivas instituições e respectivos utentes das mesmas. As sessões virtuais em «grupo» tornaram-se moda durante algum tempo. Mas, como todas as panaceias, esta foi de curta duração, pois o efeito de habituação superava rápido, o «frisson» da novidade. 

Alguns 'atrasados não-digitais', ainda tinham consciência do vasto mundo para além dos écrans. Não valorizavam a parafernália que permitia às pessoas «comunicarem», estando a milhares de quilómetros de distância. O reverso, era que vizinhos, conjuges e membros da mesma famíla, já não sabiam encetar uma conversa naturalmente, só para ter um pouco de calor humano, um sorriso, ou aperto de mão, ou beijo... 

 Mas, esses poucos «não-digitais», estavam demasiado isolados e obrigados pelo entorno a comportarem-se dentro das novas normas digitais; sua resistência, se é que ela existiu, foi de pouca duração.

 Alguns mais teimosos, porém, migraram para sociedades longínquas, como a Papua-NovaGuiné, ou aqui ao lado, nas pequenas aldeias, onde ainda se fazia agricultura, pastoreio, atividades de artesanato... Contava-se histórias à lareira, ouviam-se cantares sacros e profanos que acompanhavam a lavoura, os ritos da vida comunitária e espiritual. Nunca mais se ouviu falar desses. Não surpreende, pois eles se tinham despojado das maquinetas «de contacto» para que a sua imersão nas sociedades tradicionais fosse realmente total.

Vou abreviar, para não enfastiar os leitores. 

As sociedades super-conectadas produziram, a breve trecho, indivíduos completamente incapazes de viver no mundo natural. Os seus progenitores ainda tiveram alguma experiência curta durante a infância e juventude, dum mundo sem ligação permanente às máquinas digitais. Porém, os seus filhos não conseguiam interagir uns com os outros diretamente. Tinham que fazer «chat» nalguma das redes sociais, antes de decidir se iriam manter, ou não, um contacto. Como o comércio, a alimentação, a educação e os transportes estavam totalmente digitalizados, estes jovens não podiam sair do raio de «civilização digital» que era o seu. 

A capacidade teórica de comunicar com outros mundos, outras civilizações, outras culturas, era apenas uma fantasia. Na realidade, não estavam apetrechados para um convívio, nem mesmo nos «chat-rooms». Vogavam num universo completamente fictício. Não admira que as suas interações amorosas também fossem inexistentes ou, caso existissem, breves e superficiais. 

As crianças nascidas destas uniões casuais eram tão poucas, que a própria infraestrutura para acolher os novos humanos, maternidades, creches, jardins de infância, etc. encolheu severamente... Deu-se o efeito que chamo de «bola de neve ao contrário», a redução traz maior redução, e esta redução ainda se acentua mais, e por aí adiante... 

Só os mais recuados povos, nos cantos remotos onde a «civilização» digital não dominou, tiveram possibilidade de continuar a sua vida. Umas vezes na abundância e alegria, outras na escassez e tristeza. Mas, era vida que se baseava num viver comunitário, num contacto direto, onde as paixões tinham oportunidade de se exprimir, onde as pessoas encontravam a linguagem comum para exprimir assuntos graves ou devaneios, aos outros.

As urbes digitalizadas, após um século, ficaram transformadas num imenso mar de ferro-velho, onde algumas pessoas esgravatavam, procurando subsistência, alimentos, coisas úteis ou que pudessem trocar por comida. As sociedades morriam, aos poucos, por doença crónica interna; nada de invasões, ou guerras de conquista: quem estaria interessado em suportar os parasitas que subsistiam, incapazes de fazer algo com os braços, as pernas e, ainda menos, com as cabeças?


Se houver algo parecido com isto é muito triste para a espécie humana, em geral. 

Particularmente, para a civilização tecnológica, que não soube colocar o ser humano no centro das suas preocupações. 

Mas, embora se possa ter pena, o facto é que quase todos pareciam - em 2026 -  obnubilados, hipnotizados, pela  informática, a robótica e a «Inteligência Artificial». A tais pessoas hipnotizadas, ou cheias de si próprias, era inútil - e até perigoso - tentar mostrar-lhes a realidade. Estas pessoas arranjavam maneira de nos acusar de todos os males, por termos outra visão das coisas. 

Os poucos saudáveis, sentiam-se impotentes, estavam numa postura de auto-defesa, muito preocupados em prevenirem-se da loucura ambiente, e mantendo-se sãos de espírito.


 






PAINÉIS SOLARES ATUAIS, OBSOLETOS GRAÇAS A NOVA TECNOLOGIA

 


Fico fascinado com o ritmo de novas tecnologias, com a rapidez com que tornam obsoletas as soluções que ainda ontém eram - ou pareciam ser - insubstituíveis. No caso dos paineís fotovoltaicos, há um aspecto que não tem sido suficientemente atendido: Refiro-me à reciclagem. Nos painéis fotovoltáicos clássicos alguns elementos (nomeadamente prata) são valiosos, mas mesmo nestes casos, sua recuperação não tem sido estimulada o suficiente. 
Quanto aos novos painéis, com base em perovskite, existirá incentivo económico para a sua reclicagem?
 - Penso que os novos produtos deveriam ser estudados não apenas em termos de custos de fabrico e operativos, como em termos de reutilização, reciclagem e inocuidade para o ambiente dos componentes neles inseridos, sobretudo quando chegarem ao fim do tempo de vida útil. 

quinta-feira, 30 de julho de 2026

LUZ QUE CAMINHA NA ESCURIDÃO... [OPUS VOL. IV ; OBRAS DE MANUEL BANET]






Luz que caminha na escuridão

Que alimenta nossa esperança

Com um sopro ela se apague

Se reacende na desesperança




Luz que não regateia o luzir

Que constante guia a alma

Oferece a todos a imensidão

Da liberdade numa faísca




Luz que não se engana

De objecto nem de objectivo

Sereno afirmar dum caminho

Guardado na mente humana




Luz que nunca se extingue

Com a sombra dialoga

Dentro ou fora do olhar

Percorre o infinito




Luz, sempre a mais luzente

Que te importam os reflexos

Daqueles que te imitam

Mas não guardam o brilho




Só a ti - luz divina -

Confio os meus passos,

E a estrada se ilumina,

Sem medo do destino







terça-feira, 28 de julho de 2026

A REVOLUÇÃO DO SÓDIO, QUE NINGUÉM VIU CHEGAR


Principal argumento contra energias renováveis: 
- O Sol não brilha de noite, o vento não sopra a preceito.
Além disso, o pico de disponibilidade de energia renovável não corresponde ao intervalo de tempo em que há  maior consumo energético (consumo nocturno).
 
Mas se a armazenagem for suficientemente barata, o problema fica resolvido.
BYD conseguiu produzir baterias com um custo e duração que varrem toda a concorrência. 
A parte que faltava para tornar praticamente gratuita a energia solar, mesmo durante a noite.