quarta-feira, 16 de setembro de 2026

COMO SE MANIPULA A DEMOCRACIA

 Mais do que a alienação pelo trabalho, pelo desporto, pelo jogo, pelo sexo, pelas drogas... a indiferença social alastra com grande velocidade. 

Quando eu era criança, havia indiferença social, com certeza. Mas, as pessoas «bem-pensantes» escandalizavam-se quando viam ou liam num jornal, que uma criança foi maltratada, que um pobre foi assassinado em plena rua, etc...  Hoje em dia, a quantidade de factos deste género é de tal maneira avassaladora, que é impossível uma pessoa guardar um sentimento genuíno de aversão pelas cenas revoltantes, de se indignar e exigir justiça, ou que vá em socorro da vítima. Sobretudo, é impossível pelo facto de se estar banhado numa sociedade indiferente, cínica, que olha para o outro lado, como se tal cena não tivesse nada que ver connosco. 

A sociedade massificada, implica um comportamento massificado. As pessoas são «ensinadas» ou condicionadas a apenas reagir quando certos «sinais desencadeadores» surgem: Por exemplo uma celebridade do espectáculo ou do desporto (ou outra...) a participar ativamente numa marcha, ou num «clip» transmitido na tv ou no telemóvel... 

Poucas pessoas se apercebem da extensão do medo social que impera nas nossas sociedades. Mas, um caso paradigmático é da monstruosa campanha do COVID, a maneira como os poderes se auto-designaram como «salvadores», à custa de um generalizado estado de sítio, uma repressão arbitrária, uma violenta e totalitária exclusão das vozes dissidentes, mesmo quando (ou sobretudo quando) estas vozes pertenciam aos mais credenciados especialistas da biologia e medicina. Foi tão violenta esta campanha de «psyop» (psychological operation), que um número considerável dos que se ergueram e denunciaram as sucessivas fraudes, foram arredados sumariamente dos empregos, foram ostracizados, excluídos de qualquer meio de defesa. Os meios da «justiça» apareceram claramente como inadequados, incapazes de pôr um travão (mesmo que o quisessem) à catadupa de ilegalidades do poder. O poder de Estado não estava só: Era serventuário de poderes corporativos, as grandes farmacêuticas, mas também sectores das profissões médicas, que rasgaram o juramento de Hipócrates, que supostamente deveriam reger sua ética, para alcançarem o beneplácito do poder político, via sua vedetização mediática.

O ato seguinte foi a campanha de provocações dos países da OTAN contra a Rússia, que começou durante o golpe do chamado EuroMaidan (em Kiev) e culminou com o derrube violento de um governo legítimo, democraticamente eleito, colocando no poder revanchistas, gente com ódio por tudo o que fosse russo; estes puseram Stepan Bandera num altar e fabricaram um «santo», dum indivíduo que participou pessoalmente, durante a IIª Guerra Mundial, nos massacres organizados durante a invasão alemã da Polónia e da Ucrânia soviética, de muitos milhares de polacos, de judeus e de russos.

Neste contexto, a burguesia dominante nas instituições europeias, fez discretamente sinais de apoio. O regime que violou os princípios da própria UE e da ONU, foi insensado em todas as capitais europeias, como se fosse o «regresso da democracia à Ucrânia». Nesse mesmo momento - e refiro-me ao antes de 2022 e da invasão russa - era perfeitamente evidente que os políticos e cidadãos comuns que não se conformavam com a «Ordem Nova» instaurada na Ucrânia, eram perseguidos, agredidos, presos, forçados ao exílio. Tudo o que a imprensa ocidental - nessa altura - relatava sobre Batalhões AZOV e outras milícias da extrema-direita era pouco, mas esse pouco era suficiente para que as pessoas vissem a realidade.

Mas, a propaganda, nos nossos dias tem a particularidade de conseguir que a imensa maioria das pessoas se contente com a «selecção» e «gestão» dos factos que os media corporativos lhes forneçam. Os que não cedem à propaganda, são uma minoria e nessa minoria, poucos levam a cabo o trabalho de investigação pessoal, passando as opiniões ao crivo do seu espírito crítico e  confrontando fontes diversas sobre as notícias. Por isso, a principal força do lado da OTAN é a massiva colaboração da media corporativa. Só ela conseguiria manter, ano após ano, o mito «do corajoso Zelensky e seu governo», o lado dos «bons», dos patriotas ucranianos, contra os maus dos russos, que «invadiram sem provocação prévia» uma parte do território da Ucrânia.  Mas não dizem (não ignoravam...) que a população russa dos Oblasts do Leste da Ucrânia (Lugansk e Donetsk) tinha sido sujeita a uma guerra de desgaste pelo exército ucraniano, enviando quotidianamente bombas e mísseis para os centros urbanos populosos, durante os anos 2014-2021. Além disso tinha-se  o exército ucraniano concentrado em Janeiro de 2022 com as melhores divisões, para efetuar uma incursão massiça destinada a aniquilar qualquer resistência. Foram pelo menos 14 mil civis, os mortos pelas bombas ucranianas, nesses territórios maioritariamente russófonos. A OSCE deu conta das atividades bélicas nos anos anteriores a 2022 e, portanto, os meios criminosos e genocidas usados pelo governo de Kiev, eram do conhecimento tanto os governantes da UE, como as redações dos media. 

A política tem sido transformada num desesperante combate desigual, em que os senhores do momento podem fazer a lei, não através de um consenso resultante de debate franco, com os eleitores e  com participação aberta de forças políticas rivais. O processo político está viciado à partida, pois os órgãos de comunicação principais (os canais de televisão, sobretudo) estão transformados em câmara de eco dos interesses corporativos. Estes, por sua vez, decidem quem são os que vão ganhar as eleições: Graças às suas doações, às diretivas para os media que eles controlam, graças a um sem fim de conivências no tecido governamental e empresarial... Assim, «anulam» ou «encolhem» na perceção do público, as soluções que apresentam outras forças políticas. O público é muito condicionado, embora não se aperceba, pela chamada «dinâmica de vitória», se lhes parece que existe (pode ser verdade, ou não) uma maioria que vai votar num partido X, há uma percentagem dos eleitores que antes se teria abstido ou que votaria noutros partidos, que acaba por dar seu voto à força «vencedora».  

De qualquer maneira, aquilo que é o discurso corrente dos partidos nos períodos pré-eleitorais e eleitorais não tem nada que ver, no essencial, com  o verdadeiro programa de governo, se um desses partidos ganhar as eleições. As campanhas eleitorais foram sempre muito pouco propícias para o esclarecimento da cidadania sobre as diversas opções em jogo. Porém, agora, o discurso político é propositamente confuso, ocultando as reais intenções dos candidatos.  

A partir do momento em que se instaurou o sufrágio universal, nos países da Europa Ocidental e da América do Norte, principalmente, punha-se a questão para a classe dirigente, de exercer continuamente o seu domínio, sem ter que - periodicamente - instaurar ditaduras, o que acabaria por dessacralizar a «vaca sagrada» da «democracia liberal». Assim, com a peritagem de homens como Edward Bernays e muitos outros, instaurou-se uma ordem onde o público era mantido numa ficção permanente. Ficção de que o «soberano» era o povo, que ditava com a sua vontade as leis e orientações do governo. Ingénuo e vaidoso, desde que elogiado nos discursos que gostava de ouvir, o público caíria na esparrela facilmente, votando no partido designado pela elite do dinheiro, que decidiria qual o próximo governo. Portanto, o poder continuava nas mãos duma pequena minoria, da oligarquia, mas com a aparência do governo e decisões serem a expressão da vontade dos votantes. Nada melhor, para os verdadeiros detentores do poder, desde que eles conseguissem fazer este jogo suficientemente bem para que o povo não duvidasse. 

Além disso, a existência de eleições «livres» fazem com que o governo, a sua ação e as leis emanadas do parlamento, te implicam a ti, cidadão eleitor: As  decisões importantes seriam - no fundo - resultantes do «jogo democrático»: «Ou tu estiveste de acordo, porque votaste no partido agora no poder, ou , caso tenhas votado contra, deves ter a honestidade e o «fair-play» de deixar os outros governar, visto que as eleições foram «limpas».  É esta a sofística da chamada democracia, não da democracia dos gregos da antiguidade, nem a dos «sans-culottes» da revolução francesa. 

Aquilo que é mais nojento e que todos os políticos do sistema sabem bem é que - de facto - os eleitores não têm absolutamente nenhuma ideia sobre a personalidade dos que eles são convidados a eleger; não sabem também qual o real programa de governo, aquele que entrará em vigor se o partido que eles «escolheram» ganhar as  eleições. Também não existe, de modo legal, procedimento de retirar dos seus lugares aqueles governantes ou deputados, que tiverem um comportamento muito diferente do que prometeram, ou por incompetência, ou por venalidade, ou por perfídia...

Infelizmente, a imensa maioria das pessoas está convencida que «isto» que têm à sua frente é «democracia» e que não existe nada mais... Ou então, que será uma variante de um regime totalitário. É muito difícil exercer uma pedagogia no sentido de esclarecer o povo. Seria necessário instaurar-se (ou restaurar-se) associações de várias finalidades - associações sindicais; cooperativas; culturais; desportivas - que fossem locais onde se pudesse exercer uma forma diferente da democracia, a democracia direta. Depois, esta prática continuada poderia desembocar no exercício de formas de democracia direta em municípios e regiões. Não creio que este progressivo alastrar da democracia direta ou de base, fosse logo capaz de destronar a falsa democracia, baseada na fraude e na corrupção a todos os níveis. Mas, por outro lado, também não é com «tomadas do poder» do tipo bolchevique, ou outras, que uma sociedade pode encetar o caminho para mais democracia. 

Penso que um sistema onde os eleitores tiverem efetivos mecanismos para destituir ou fazer caducar o mandato de algum eleito, se ele não estiver a agir e votar de acordo com o mandato pelo qual concorreu, seria um bom princípio, porque iria introduzir a responsabilidade política efetiva nos eleitos perante os seus eleitores. 

O PROPÓSITO DE UM SISTEMA É AQUILO QUE FAZ


 James Corbett no seu melhor!

terça-feira, 15 de setembro de 2026

A BOMBA QUE CHEGOU NO TEMPO PREVISTO [POR THOMAS KARAT]

[Apresento o artigo integral em tradução automática em espanhol]

Un dron permaneció en una pista de aterrizaje durante cuatro horas en agosto. El estado nombró a su enemigo cuatro semanas después, cinco días antes de las elecciones. Lo que sea que haya sucedido en Leipzig, la maquinaria que alimentó fue construida de antemano.

15 de septiembre




La noche del 4 de agosto, un empleado del aeropuerto de Leipzig/Halle observó un pequeño dron en la plataforma, cerca de un avión de carga Antonov ucraniano estacionado. El dron portaba una carga explosiva y un detonador. La carga no explotó. Un robot de desactivación de explosivos se desplazó por la pista y, según la versión que posteriormente darían las autoridades alemanas, el artefacto pasó desapercibido durante aproximadamente cuatro horas antes de que alguien lo encontrara. El aeropuerto reabrió sus puertas y la situación siguió su curso.

Veintiocho días después, el 1 de septiembre, el gobierno alemán reveló a sus ciudadanos quiénes habían sido los responsables. El ministro del Interior, Alexander Dobrindt, y el ministro de Asuntos Exteriores, Johann Wadephul, se reunieron en Berlín y señalaron a Rusia. El consulado en Bonn cerraría el 18 de septiembre; se devolvería el contrato de arrendamiento del centro cultural Casa Rusa de Berlín; y se propondrían más ciudadanos rusos para las listas de sanciones de la Unión Europea. La atribución se presentó como un hecho consumado. Las pruebas que la respaldaban, no.

Cinco días después, el 6 de septiembre, los votantes de Sajonia-Anhalt acudieron a las urnas con Alternativa para Alemania (AfD) obteniendo entre el 41 y el 43 por ciento de los votos , a punto de lograr la mayoría absoluta en un estado que toda la clase dirigente alemana había intentado negar durante meses. Vale la pena recordar esta secuencia como un todo. Un dispositivo encontrado a principios de agosto, un silencio público que duró cuatro semanas y, finalmente, un enemigo oficial anunciado en los últimos días de la campaña. Nada de esto es ilegal, pero tampoco es casual.


Lo que Berlín afirma y lo que ha demostrado

El caso de Dobrindt, tal como lo expuso, no se basa en una sola prueba. Se fundamenta en tres elementos que, según él, apuntan en la misma dirección: la investigación forense policial, la similitud del dispositivo con operaciones anteriores y los informes de inteligencia. « En conjunto», afirmó , las investigaciones, el patrón y los hallazgos de inteligencia establecen la responsabilidad rusa. No mencionó a ningún oficial del GRU ni a ninguna unidad. Dijo que quienes llevaron a cabo el plan parecían ser agentes de «bajo nivel» que actuaban en nombre de «entidades estatales rusas» no especificadas.

Lo que se le ofreció al público, entonces, fue una conclusión y una descripción de las pruebas que la sustentaban, no las pruebas en sí. Un observador independiente no puede verificar la cadena de custodia. Incluso los relatos más favorables señalaron la laguna: los ministros nombraron al Estado, pero mantuvieron oculta la mayor parte de la información subyacente . El secretario general de la OTAN, Mark Rutte, declaró que las pruebas eran «claras» sin que se hicieran públicas, y acogió con satisfacción las medidas alemanas. La jefa de la diplomacia de la UE, Kaja Kallas, fue aún más allá, declarando a los periodistas en Irlanda que el incidente presentaba «todas las características del terrorismo de Estado».

Esta es la gramática habitual de la atribución en la era del sabotaje. Un gobierno declara que sus servicios y sus socios han llegado a un veredicto, los gobiernos aliados lo ratifican, la prueba permanece clasificada y se invita al ciudadano a depositar la confianza que, de otro modo, generaría la evidencia faltante. Puede que el material clasificado sea abrumador. Puede que sea escaso. La estructura es idéntica en ambos casos, y ahí radica precisamente el problema. Un público al que se le pide que acepte una atribución por fe no tiene forma de distinguir un caso sólido de uno conveniente.

El servicio que no deja huellas dactilares, excepto esta vez.

La sentencia clave en el caso alemán no tiene nada que ver con la ciencia forense, sino con la familiaridad. Wadephul afirmó que la configuración del dron, sus componentes, sus explosivos y su tecnología de ignición les resultaban familiares por otras operaciones híbridas rusas y por la guerra de Rusia contra Ucrania. Dobrindt utilizó prácticamente las mismas palabras: elementos que les eran familiares, un dispositivo de alta pericia técnica ensamblado con esmero. En otras palabras, el reconocimiento consiste en realizar la función que normalmente desempeñaría una firma.

Si contrastamos esa afirmación con la forma en que, según la documentación, opera la inteligencia militar rusa en Europa, el argumento empieza a flaquear. El modelo de sabotaje europeo del GRU, reconstruido por investigadores de varios países, se basa enteramente en la negación. Funciona con «agentes desechables» : delincuentes de poca monta y vagabundos reclutados por Telegram, pagados con criptomonedas, a quienes se les asigna una tarea que apenas comprenden y luego se les descarta. Los dispositivos se disfrazan de productos de consumo. Cuando cuatro paquetes incendiarios enviados desde Vilna se incendiaron en el verano de 2024, uno de ellos se prendió fuego en un depósito de DHL en el propio aeropuerto de Leipzig-Halle, una trama que los fiscales europeos rastrearon hasta la inteligencia militar rusa a través de una cadena de agentes prescindibles. El objetivo de esta estructura es que no sobreviva nada reconocible que pueda rastrearse hasta Moscú.

Así pues, la versión oficial pide al lector que crea una de dos cosas. O bien un servicio cuya principal táctica es borrar su propia firma construyó un dispositivo con su firma reconocible y lo estacionó junto al objetivo ruso más obvio en Alemania: un avión de carga ucraniano en un centro logístico de la OTAN. O bien la palabra «familiar» cumple exactamente la función que una atribución fabricada requeriría. Si un dispositivo simplemente se parece a lo que todo el mundo espera que Rusia construya, entonces «lo reconocemos» se convierte en una afirmación que puede hacerse sobre casi cualquier dron, por casi cualquier autoridad, en casi cualquier momento políticamente oportuno. Ninguna de las dos interpretaciones exige que nadie haya colocado nada. Ambas deberían hacer que un ciudadano prudente sea más cauteloso, no más rápido, a la hora de aceptar la conclusión que se ofrece.

Para que quede claro, hubo más de un dron. Esa misma noche, un segundo aparato impactó contra un Boeing 757 en pleno vuelo a unos cuatrocientos metros de altura cuando la aeronave abortaba su aterrizaje, y, según se informó, un tercero fue recuperado días después en las instalaciones del aeropuerto. Sea lo que fuere, no fue nada grave, y este artículo no pretende lo contrario. Sin embargo, nada de esto permite determinar quién estaba detrás. Es muy posible que Rusia lo estuviera. El punto es más específico y difícil de descartar. La razón concreta que el Estado ha dado para tener certeza —que el dispositivo era reconocible— es el fundamento más débil posible para afirmar la existencia de un actor que se define por no ser reconocible. Cuando la evidencia a favor de una proposición también resulta, tras un análisis, en contra, la respuesta lógica es la duda, y la duda es precisamente la respuesta que el anuncio pretendía evitar.

A quién estaba destinada la alarma.

Hagamos la vieja pregunta. En las cuatro semanas que transcurrieron entre el dron y el anuncio, nada cambió respecto al dispositivo. Lo que cambió fue el calendario. La atribución se produjo en la recta final de la campaña de Sajonia-Anhalt, y el escritor Thomas Fazi señaló lo que era difícil de pasar por alto. Se anunciaba un enemigo oficial en vísperas de una votación que el establishment temía perder, en una contienda donde el partido insurgente es presentado habitualmente como un instrumento de Moscú. Y esta presentación no es casual: la AfD es el único partido importante que se opone al armamento de Ucrania y a la campaña de rearme, que quiere que se levanten las sanciones y se restablezcan las relaciones con Moscú. Un nuevo ataque ruso, programado para los últimos días, estaba calculado para hacer que precisamente ese partido pareciera el amigo cómplice del Kremlin y para atraer a los votantes asustados de vuelta hacia los partidos que prometían protección. El dron no necesitaba cambiar el resultado. Solo necesitaba llenar los últimos días de la campaña con la palabra Rusia .

No funcionó. El 6 de septiembre, la AfD obtuvo el 43,8% , más del doble de su resultado de 2021 y el mejor resultado que un partido de extrema derecha haya registrado en un estado alemán desde la guerra, ganando 39 de los 83 escaños, tres menos de la mayoría gobernante, por lo que aún se encuentra fuera del poder por los demás partidos, pero aun así, una derrota aplastante para la gobernante CDU. Cualquiera que fuera la intención de la mención de Rusia en las urnas, los votantes de Sajonia-Anhalt no se conmovieron. Y los apoyos que llegaron del extranjero solo subrayaron lo burdo que había sido el planteamiento inicial. El presidente estadounidense Donald Trump celebró el resultado como "una noche realmente importante" y no escribió ni una palabra sobre drones o el Kremlin, presentando el voto enteramente como una revuelta contra la inmigración. Elon Musk, quien ha calificado al partido como "la única esperanza para Alemania", simplemente publicó "Gut gemacht" (bien hecho) y obtuvo del candidato principal de la AfD una oferta abierta de "cooperación sólida y constructiva". El alarmismo había prometido al electorado un partido al servicio de Moscú; lo que el electorado vio fue un partido cortejado por un presidente estadounidense y el hombre más rico del mundo en materia de inmigración e inversión. La imagen del enemigo no se correspondía con la realidad, y la discrepancia era evidente para cualquiera que mirara.

Ampliando la perspectiva, el incidente se inserta en un programa que lo precede por años y que no depende de ninguna elección en particular. Alemania se está remilitarizando a una escala sin precedentes desde la reunificación. El ministro de Defensa, Boris Pistorius, declaró ante el Bundestag que el país debe estar "preparado para la guerra en 2029" . A partir del 1 de enero de 2026, todos los jóvenes alemanes deberán inscribirse para el servicio militar obligatorio, y el reclutamiento forzoso se aplicará automáticamente si el número de voluntarios es insuficiente. El presupuesto federal de 2026 incrementa el gasto en defensa en aproximadamente un tercio, hasta alcanzar los 108.000 millones de euros. Y el mercado ha interpretado esta tendencia sin ambigüedades. Las acciones de Rheinmetall, el mayor fabricante de armas del país, se han multiplicado por más de diez desde la invasión rusa de 2022, y la empresa ha registrado pedidos récord a medida que el rearme europeo transforma el temor en pedidos pendientes.

En ese contexto, Leipzig llega como confirmación. La presidenta de la Comisión, Ursula von der Leyen, describió el incidente como una escalada rusa "en suelo de la Unión Europea" y les dijo a los europeos que ahora se enfrentaban a una "nueva normalidad" y una "nueva era de seguridad europea", suplicando que la presión sobre Moscú no haría más que aumentar y que ya se estaba preparando un nuevo paquete de sanciones. El canciller Friedrich Merz ya había declarado a una emisora ​​francesa, un año antes, que Alemania "ya estaba en conflicto con Rusia" ; el planteamiento estaba establecido mucho antes de que el dron llegara para ilustrarlo. Los beneficiarios de ese planteamiento no están ocultos. Son los fabricantes de armas con listas de espera récord, las burocracias de seguridad cuyos presupuestos y mandatos se expanden con cada amenaza declarada, el aparato de sanciones que crece por acumulación y los partidos gobernantes para quienes el enemigo está a las puertas es el único mensaje que podría ahogar a una oposición interna que acaba de obtener casi el 44% de los votos.

La pregunta que nadie en Berlín se atreve a hacer en voz alta.

Aquí hay una historia que los funcionarios alemanes, precisamente ellos, deberían conocer, y de la que no se habla. Los Estados fabrican las provocaciones que justifican lo que ya han decidido hacer. Esto no es una teoría marginal, es un hecho documentado, registrado por los propios Estados.

La noche del 31 de agosto de 1939 —ochenta y siete años, casi exactos, antes del anuncio de Leipzig—, agentes de las SS con uniformes polacos se apoderaron de un transmisor de radio alemán en Gleiwitz y emitieron un mensaje antialemán, dejando como prueba el cadáver de un prisionero, vestido como atacante polaco. Fue uno de una serie de incidentes fronterizos orquestados. A la mañana siguiente, Hitler invocó la agresión polaca al enviar sus ejércitos al este. El pretexto se encontró en vísperas de la guerra que pretendía legitimar.

Más cerca de casa, y más cerca de la alianza actual, está la Operación Gladio. Tras la Segunda Guerra Mundial, la OTAN y la CIA crearon redes clandestinas de operaciones encubiertas no en un solo país, sino en toda Europa Occidental: células armadas y ocultas, supuestamente destinadas a resistir una invasión soviética que nunca se produjo. Cuando el primer ministro italiano, Giulio Andreotti, reconoció la existencia de esta estructura ante el Parlamento en octubre de 1990, hizo hincapié en que Italia no era la única. Redes idénticas habían operado en Bélgica, los Países Bajos, Francia, Alemania Occidental, Grecia, Dinamarca, Noruega, Luxemburgo y otros países, con contrapartes en la neutral Suiza y Austria. El escándalo fue de alcance continental, al igual que la respuesta. El 22 de noviembre de 1990, el Parlamento Europeo aprobó una resolución que condenaba la existencia, durante cuarenta años, de «una organización clandestina paralela de inteligencia y operaciones armadas en varios Estados miembros», que había «escapado a todos los controles democráticos» y había sido «dirigida por los servicios secretos de los Estados implicados en colaboración con la OTAN». El Parlamento dejó constancia de que, en algunos Estados miembros, los servicios secretos militares habían estado «implicados en graves casos de terrorismo y delincuencia». Posteriormente, se llevaron a cabo investigaciones parlamentarias en Italia, Bélgica, Suiza y Alemania. En Italia, estas investigaciones alcanzaron la conclusión más contundente. Una década después, una comisión del Senado determinó que una «estrategia de tensión» —atentados con bomba contra civiles en lugares públicos, atribuidos por la izquierda para infundir temor en el electorado y alinearlo con la derecha anticomunista— había sido «organizada, promovida o apoyada por hombres dentro de las instituciones estatales italianas y, como se ha descubierto más recientemente, por hombres vinculados a las estructuras de inteligencia de Estados Unidos». Esto no es un rumor inventado por una emisora ​​extranjera. Es la conclusión del Parlamento Europeo y de las legislaturas nacionales sobre su propio pasado reciente: una campaña que duró décadas, llevada a cabo en todo el continente por los servicios occidentales en colaboración con la misma alianza que ahora emite el veredicto sobre Leipzig.

Tampoco es el único modelo europeo. En marzo de 1962, el Estado Mayor Conjunto de Estados Unidos, con la firma de su presidente, envió al Secretario de Defensa una propuesta formalmente aprobada titulada « Justificación de la intervención militar estadounidense en Cuba» . La Operación Northwoods , desclasificada en 1997, desplegó una serie de provocaciones orquestadas: terrorismo simulado en ciudades estadounidenses, un derribo ficticio, un barco hundido; todo ello para culpar a La Habana de haber generado apoyo público a una guerra que los planificadores ya deseaban. El presidente Kennedy la rechazó. Lo significativo no es que se llevara a cabo; no se llevó a cabo. Lo significativo es que los más altos mandos militares de una democracia consideraron el engaño deliberado de su propio pueblo un instrumento político útil y lo plasmaron por escrito.

Si se mencionan estos precedentes, se afirma, con razón, que no demuestran nada sobre Leipzig. Y no lo hacen. Lo que sí demuestran es algo más sutil e inquietante: que el pretexto fabricado es una herramienta real y recurrente de la política estatal, utilizada por los poderosos cuando la opinión pública necesita ser conducida hacia una guerra que aún no ha elegido. Una ciudadanía incapaz de siquiera contemplar esa posibilidad —que trata la mera cuestión como un argumento del enemigo— se ha visto privada de una defensa que desconocía. Los encargados de monitorear la desinformación ahora clasifican la expresión «bandera falsa» como una señal hostil , que debe ser señalada y desmentida. Es una extraña forma de seguridad la que convierte la memoria histórica de los propios gobiernos en una categoría de injerencia extranjera.



Independientemente de lo que hubiera en esa pista de aterrizaje en agosto, lo crucial es que la respuesta estaba lista antes de que surgiera la causa. Las cartas de reclutamiento ya estaban impresas. El paquete de sanciones ya estaba redactado. El presupuesto de rearme ya se había aprobado, la fecha de preparación para la guerra ya se había fijado para 2029, y la cartera de pedidos del fabricante de armas ya estaba en niveles récord. Merz ya había declarado al país en conflicto. Y el mismo día en que mencionó a Rusia, el gobierno elevó el nivel de amenaza nacional de "general" a "alto" ; Dobrindt declaró a los periodistas: "No estamos en guerra, pero somos el objetivo diario de ataques híbridos". El dron no inició nada de esto. Se integró en el proceso: una confirmación colocada, en el momento óptimo, en una máquina ensamblada de antemano, y la máquina respondió avanzando un escalón más.

Esa es la parte que merece atención, y se mantiene independientemente de quién haya construido el dispositivo y de cómo haya votado Sajonia-Anhalt. Se está preparando a la población —metódicamente, a través de sus presupuestos, sus listas de reclutamiento, sus niveles de amenaza, el vocabulario de sus ministros y sus noticieros— para una guerra con Rusia que sus líderes describen cada vez más como ya en marcha. El electorado que acaba de emitir un veredicto rotundo contra ese proyecto lo encontrará inalterado por su voto. En tal clima, el origen de cualquier incidente individual importa menos que el uso que se le da de inmediato y la velocidad con la que la duda al respecto se reclasifica como traición. Los alemanes de un siglo anterior aprendieron, demasiado tarde, el precio de aceptar al enemigo que su gobierno les entrega sin pedir pruebas. Esta vez, las pruebas siguen clasificadas. La certeza apareció en las noticias en cuestión de días.

Como Zhu Xiao-Mei e Bach derrotaram Mao


 

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

V. VYSOTSKY & B. DYLAN - Concerto em Moscovo, 2025 [Segundas-f. Musicais nº75]

 UM CONCERTO* no Centro Americano de Moscovo


Estes dois bardos, que se tornaram célebres e foram uma luz de esperança para a juventude de seus países respectivos, tiveram tempos de vida muito diferentes:


 Bob Dylan, está vivo e com saúde suficiente para dar concertos e fazer tournées. 


Vladimir Vysotsky morreu em 1980, com apenas 42 anos. Mas sua memória eternizou-se. Há artistas, profissionais ou amadores, que continuam a cantar as suas canções, passados 45 anos da sua morte.

*)

https://www.youtube.com/live/FGlSl8Lb5KM?si=ePNowMzqPVYxb_oy