quinta-feira, 6 de agosto de 2026

O Paradoxo da Pressão [Prof. Jiang Xueqin]



 Uma lição de geoestratégia que - goste-se ou não - dá a chave para o imbróglio em que os americanos e o Ocidente se meteram: 
Ao confrontar o Irão, estavam a dar forte argumento para a própria existência  (e reforço) dos BRICS, da OCX. Os seus membros mais poderosos (Rússia e China) resgataram a economia do Irão, forneceram-lhe apoio logístico, alimentos, medicamentos e «inteligência» (Espionagem por satélite).  Os EUA estavam a criar as condições para a construção de um sistema financeiro-monetário alternativo e viável em relação ao petrodólar, logo ao poderio hegemónico dos EUA. 
Eu digo que isto é um imbróglio, pois quanto mais agressivos forem nas guerras de sanções e de agressões contra países não-vassalos, mais criam argumentos e razões objetivas para uma resistência e criar estruturas de emergência alternativas. Estas, após uns poucos anos, deixam de ser soluções de recurso, passando à construção de instituições globais, com vida própria, com dinâmica própria.
 Ou seja; as políticas pelas quais os imperialistas americanos queriam a todo o custo impedir a subida desses rivais,  foram elas que criaram as condições necessárias para que tal acontecesse.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

CONSEQUÊNCIAS DA "IA" SERÃO DEVASTADORAS...


 Não se trata de "brincadeira", o SEQUESTRAR de palavras, construíndo novos conceitos ou fantasias. Isso tem repercussão no universo mental de biliões de pessoas. É com palavras que as pessoas raciocinam. 

A representação do mundo das coisas, dos objectos, mas igualmente dos conceitos teóricos, religiosos, ou afetivos... passa pela palavra. 

Os antropólogos culturais constataram que nas sociedades por eles estudadas, quando não existem palavras para exprimir certos conceitos, isso equivale a não serem concebidos, nas referidas culturas.

Os manipuladores, domadores, demagogos, pessoas que pretendem controlar as massas, como fazem? 
- Eles distorcem, impõem novos significados às palavras.
O mesmo fazem os publicitários. 

Quando as pessoas acreditam literalmente na «inteligência» das máquinas, estão a ser iguais a povos ditos primitivos, que colocam a sua fé em estátuas de deuses, portadoras de poderes divinos. 

Qual a diferença? Os crentes na «IA» serão mais «sofisiticados»? Na realidade, estão adorando e endeusando máquinas: Querem acreditar, de modo extravagante e ingénuo, que elas lhes vão dar «a cura do cancro e de todas as doenças» ou a solução para todos os problemas complexos, que a ciência ainda não conseguiu penetrar.
 
Quando rebentar bolha das empresas de IA, o que fatalmente acontecerá, as pessoas que investiram suas poupanças em ações dessas empresas perderão tudo. Depois, só algumas delas irão recuperar a lucidez, um pouco tarde. As restantes ficarão desesperadas e acusarão tudo e todos, menos elas próprias, pelos males decorrentes do rebentar desta bolha.

Eu não posso ficar indiferente, embora não tenha pessoalmente investimentos em «IA», ou relacionados com isso. Diz-me respeito (e a toda a cidadania), porque os sistemas de pensões estão desde há muitos anos investidos (sem as pessoas o saberem, na maior parte) no casino das bolsas e noutros investimentos financeiros de elevado risco. 
Isto significa que as somas astronómicas (biliões...) que se «evaporam» quando as bolhas especulativas estoiram vêem, em grande parte, de sistemas de pensões, públicos ou privados. 
Além disso, depois de cada crise sistémica, perfeitamente previsível, aliás, os grandes capitalistas vão pedir ajuda ao Estado, para este resgatar as empresas cujos donos fizeram apostas arriscadas ou mesmo «tontas». Este capital oferecido ou emprestado em condições muito favoráveis,  pelo Estado, é desviado. Os grandes capitalistas fazem esse dinheiro desaparecer em compras e fusões de empresas, em auto-compra de ações, etc. 
Se investidos na economia produtiva, esses capitais poderiam representar um aumento de riqueza e bem-estar, para a sociedade em geral: Faltam investimentos em infraestruturas, investigação, educação, saúde, bem-estar social... 
É um roubo organizado pelos grandes capitalistas, à economia produtiva, com a conivência do governo.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

GIDEON LEVY , FAMOSO JORNALISTA DE HAARETZ, ENTREVISTADO POR JORNALISTA BRASILEIRO


https://www.youtube.com/live/2nzHF13cDJ0?si=EuOT8Fc8K-fChists5S8

Gideon Levy, foi inicialmente um sionista, como ele próprio confessa na entrevista. Teve um processo de maturação, despegando-se do sionismo, ao compreender que esta ideologia punha uma etnia acima das outras; isso não podia ser a base para uma sociedade e um Estado democráticos.
Oiça atentamente a entrevista, pois Gideon Levy dá-nos um ponto de vista muito especial sobre a sociedade israelita e sobre o povo palestiniano, na sua luta pela sobrevivência nas condições terríveis do genocídio, nestes 3 últimos anos. 

GÖBEKLI TEPE: Reavaliando o mistério, com a ajuda de «Grok AI»

 


Este conjunto monumental , construído há mais de 12 mil anos no planalto da Anatólia, não seria tanto um «templo», como um memorial, uma «biblioteca», um aviso para os vindouros, sobre um perigo recorrente que veio e devastou a Terra no período chamado o Drias Recente. Nesse momento, um meteoro gigante ou cometa, colidiu com a Terra, causando devastação muito para além da zona de impacto, pois induziu um brusco arrefecimento da temperatura planetária, numa altura em que se estava nas fases finais da Idade do Gelo, quando, nas zonas temperadas do hemisfério Norte, as condições naturais da fauna e flora, já se assemelhavam às de hoje. 

Ainda existiam mamutes no Grande Norte, ainda havia zonas vastas, no Hemisfério Norte, recobertas por glaciares. Porém, a humanidade experimentou um período de renovo, que se traduziu em aumento populacional e em desenvolvimento técnico inédito. 

A «invenção» da agricultura e da pastorícia estavam perto. Por exemplo, os povos da Cultura natufiense (zonas que são hoje Israel e Líbano) tinham uma proto-agricultura, havia colheita de gramíneas selvagens. Havia processamento dos grãos em farinha. Com certeza, estas espécies acabaram por hibridizar-se por processos semi-naturais/ semi-induzidos pelos humanos, para dar origem aos cereais que cultivamos hoje. 

A abundância da caça nalgumas zonas, permitiu que as tradições nómadas fossem descartadas. Antes, os bandos de humanos acompanhavam as migrações cíclicas dos grandes herbívoros, em busca de mais tenras pastagens. A sedentarização (assentamento permanente em aldeias) não podia existir nessa época. 

A diferenciação dos instrumentos de pedra na Idade da «pedra polida» (Neolítico) era muito grande: Incluía itens que permitiam trabalhar as peles e o couro, coser com agulhas de osso, pescar com arpões e anzóis, etc. A tecnologia da pedra tinha-se tornado muito mais sofisticada, depois do Paleolítico, mas milénios antes do surgir da metalurgia.

As proezas arquitecturais e esculturais  permitem identificar a cultura com o nome do local de «Gobekli Tepe», embora a área cultural se estenda num vasto complexo monumental na Anatólia, havendo muitos sítios arqueológicos por escavar, já detetados por métodos de geolocalização à distância. As proezas descritas em pormenor no vídeo, implicam tecnologias que não conhecemos. Nós temos grande dificuldade em imaginar como terão sido realizados estes monumentos de pedra. De algum modo, os construtores devem ter recorrido a técnicas muito avançadas para a época, há cerca de 12 600 anos. 

Graham Hancock avançou uma explicação, que deixou um grande número de académicos muito incomodados:

- 'Gobekli Tepe' é o testemunho dos sobreviventes do cataclismo do Drias Recente. Eles possuíam um saber técnico e científico muito mais desenvolvido que os dos povos naturais da zona, no planalto da Anatólia. Nesta época, o clima do planalto era menos seco do que agora, com boas condições naturais para a caça-recolecta. Havia nesta zona uma densidade relativamente elevada de povoamento humano. 

Nas expedições  efetuadas por Graham Hancock, ele deparou-se com outros locais, nos mais diversos pontos do Planeta, onde existem sítios arqueológicos enterrados ou submersos (hoje). Segundo ele, são testemunhos desprezados da civilização pré-Drias. Quando não totalmente ignorados, estes vestígios são vistos como «curiosidades» apenas, pelos arqueólogos que seguem a teoria clássica.  Para tal teoria, as civilizações iniciaram-se alguns milénios depois do início da agricultura. Primeiro veio a capacidade de controlo dos recursos alimentares (a «Revolução agrária») e depois, as primeiras civilizações, com a construção de monumentos, reflectindo o poder dos reis, dos sacerdotes, etc . 

Penso que nos deixamos fascinar demasiado pelas proezas técnicas e artísticas dos construtores de Gobekli Tepe. Seria mais saudável, do meu ponto de vista, partir do princípio - e do bom senso - de que Gobekli Tepe representa um auge, um cume civilizacional, não um princípio ou  um arranque. Isto seria um sólido argumento a favor da tese de Hancock: Ter havido uma transferência de saberes; estes, terem sido gerados por outras culturas, talvez em pontos muito distantes. Os saberes teriam sido transferidos pelos refugiados do cataclismo do Drias Recente, para o planalto da Anatólia.

A hipótese de que um povo nómada de caçadores/recolectores se poria a construir monumentos de pedra, que exigiram enorme esforço colectivo e um saber técnico muito avançado, parece-me simplesmente ridícula.

A pré-história tem de ser reescrita; tem de se reconher o evidente: Desprezámos muitos vestígios ou interpretámos mal os mesmos, sobretudo os anteriores a 12 mil anos. A arqueologia que se debruçou sobre as culturas de antes de 12 mil anos, tem de ser completamente reexaminada e recontextualizada. Deve haver um fio condutor, coerente com as evidências conhecidas no presente. Em ciência, as evidências são mais poderosas que as teorias, por muito estabelecidas que estas sejam. 

Estes erros de perspetiva são comuns e humanos: Valorizamos o que fomos condicionados a ver; interpretamos os vestígios, para eles se enquadrarem nos nossos (pre)conceitos . Descartamos ou diminuimos o significado do que saia fora do enquadramento da nossa conceptualização teórica. 

Quanto às evidências, estas são (quase) sempre fragmentárias, ambíguas, sujeitas a erros de datação, etc. E isto torna-se mais acentuado, quanto mais nos afastamos no tempo... 

 A ciência propriamente dita, deve ser céptica e crítica em relação a ela própria. Não deve descartar hipóteses plausíveis, se a verdadeira razão pela qual se procede a tal afastamento, é a visão convencional do momento.


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PS1: A temática de Gobekli Tepe tem estado presente em vários artigos neste blog, embora não sejamos arqueólogos profissionais. Mas, o que estará em jogo é de interesse muito vasto e profundo. Nada menos do que a reavaliação da pré-história, em especial, do final do paleolítico e do início do neolítico. 

Veja:  https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2023/05/gobekli-tepe-importantes-novas.html

https://youtu.be/X3hue6mQgho?is=5V53JQRuQu6djplL

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

NO ANIVERSÁRIO DE HIROSHIMA E NAGASAKI: CONVERSA ENTRE KUZNICK, RICHARD WOLFF E RAY McGOVERN

Conversa em directo, organizada pelo CONSORTIUM NEWS NETWORK,  COM JOE LAURIA:


 https://www.youtube.com/live/FBBxDz6zGEM

Veja no link acima, para ter acesso ao registo da referida conversa. Ela foi gravada com participação de Richard Wolff, professor universitário de economia, o congressista Peter Kuznick e o ex-analista da CIA Ray McGovern. 


RAMEAU & ROCKS [Segundas-f. musicais, nº69]

                  «Forêts Paisibles» 


Possui todos os ingredientes para alcançar o top de audições:


- O rítmo dançante e sempre regular, 

- A melodia mais popular do Ba.Rock,

- Uma letra muito ecológica...

 Não lhe falta nada!!!


Gozem e explorem  RAMEAU & ROCKS.


                                         https://www.youtube.com/watch?v=kvmlF3QZkTM


Relacionado:

https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2018/09/opera-ballet-les-indes-galantes-de.html