segunda-feira, 25 de maio de 2026

O PONTO DE VIRAGEM [CRÓNICA DA IIIª GUERRA MUNDIAL, Nº63]

 São "necessários" sacrifícios de inocentes numa escala tal, que abala a confiança do público nas instituições que governam em nome deles  e sobre eles. Exemplos? 

A repressão feroz e com o aval dum ministro israelita Ben Gvir, sobre a Flotilha pela Palestina. A atitude do público do «Ocidente», virou-se subitamente contra a barbárie sionista, a rotina da tortura, das humilhões, a indiferença em relação à Lei Internacional. No entanto, o comportamento tem sido esse em relação aos palestinianos, há anos, muitos anos. Um comportamento observável desde antes da proclamação do Estado de Israel. Só agora, a opinião pública dos países apoiantes de Israel ao nível governamental, manifesta o seu repúdio e considera Israel como o pior e mais odioso Estado ao nível mundial.

O ataque mortífero contra um dormitório dum colégio de formação de educadores, na região de Lugansk, utilizando drones britânicos, foi executado há dias, pelo exército da Ucrânia. Desde há um longo tempo, que os ucranianos e certos países europeus da OTAN e os EUA, se têm dedicado a ultrapassar as «linhas vermelhas», claramente sinalizadas por Moscovo. Estas provocações ucranianas com aval ocidental incluem atentados terroristas, ataques contra alvos civis - como refinarias, bairros residenciais, etc - assassinatos de generais ou tentativa de assassinato de Putin, etc. A atitude de Putin, tem sido de contenção, ciente de que a resposta a essas provocações poderia ser a «acendalha» que desencadearia uma guerra nuclear. Agora, a morte destes jovens num dormitório e indignação da população fez com que o Estado russo e as suas forças armadas, tivessem de tomar medidas punitivas - não meramente simbólicas - devastadoras para Kiev e para o regime que apoia Zelensky. 

O ataque brutal (enquanto decorriam negociações) dos EUA e Israel contra o Irão, causando a morte do seu líder Kamenei e muitos membros da alta hierarquia do Estado e forças armadas, assim como número muito elevado de civis e as destruições massiças de infraestruturas vitais, como pontes, escolas, centrais eléctricas, etc... Teve o efeito de galvanizar a população iraniana, mesmo os que - 2 meses antes - se manifestaram contra a carestia e foram brutalmente reprimidos pelo regime. A capacidade de resposta iraniana tem muito que ver com o moral da população, não apenas com os arsenais de mísseis e drones, cuidadosamente guardados ao abrigo de bombas inimigas. O resultado de ofensiva EUA-Israel foi fulgurante: Uma enorme derrota que ficará na História, como ponto de viragem do poderio bélico dos EUA e seu mais próximo aliado. 

Este ponto de viragem, tem como corolário uma mudança qualitativa na situação geopolítica mundial e, em particular, no Médio-Oriente.


Todas as guerras têm motivações económicas. Esta IIIª Guerra Mundial não é excepção, com as óbvias manobras para fazer fraquejar adversários, tomando controle de suas reservas de energia (caso venezuelano) ou levando a cabo uma guerra de destruição dos recursos (Irão e países do Golfo Pérsico). Isto traduz-se por uma internacionalização ou generalização, das dificuldades do abastecimento internacional em energia. Depois, muitos analistas prevêm que haverá escassez de alimentos, terríveis fomes causadas pela brusca subida dos preços de adubos sintéticos, do gasóleo e de muitos derivados do petróleo, correntemente usados nas mais diversas indústrias.

Perante a situação de crise múltipla - energética, alimentar, económica - os que detêm lugares de poder, agem como se esta generalização da guerra lhes trouxesse vantagens. Esta miopia tem precedentes históricos, mas os «nossos» dirigentes não sabem grande coisa de História, ou se sabem, agem de modo inconsequente. 

Os povos tidos como «civilizados» estão na vanguarda do retorno à barbárie, manobrados - sem dúvida - por forças reacistas de extrema-direita, mas que se apresentam como salvadoras, «populistas». 

As mesmas fórmulas de manipulação que serviram nas duas últimas Guerras Mundiais, nos países que se julgavam o centro do mundo, são agora  reutilizadas. As pessoas lúcidas têm muita dificuldade em estabelecer contacto direto com as massas, pois estas estão sob o efeito de uma hipnose coletiva, de um condicionamento massivo, que as impede de tomar plena consciência da realidade. 

O ATAQUE AO «LUSITÂNIA» À LUZ DAS EVIDÊNCIAS CONTEMPORÂNEAS (e outras histórias verdadeiras)



O afundamento do «Lusitânia» foi uma terrível tragédia, provocada pelos que queriam forçar os EUA a entrar na Iª Guerra Mundial.
Mas o Prof. Werner também se refere ao momento presente: Ele demonstra o papel do super-Estado e o da CIA, nos países que os EUA pretendem dominar.
Ele fala de maneira clara, sem restrições, como pessoa sabendo as causas económicas das guerras, como a guerra no Irão e na Venezuela.




A entrevista de Tucker Carlson a Richard Werner :


PATRICK HENNIGSEN DESMASCARA A EXTREMA-DIREITA


 Um importantíssimo testemunho, de um dos melhores jornalistas de terreno, que mostra o ciclo vicioso da violência criada nas zonas ex-colonizadas pelos europeus, na sua imensa maioria, para controlar o acesso aos recursos destes países, seguido pelas catástrofes afetando principalmente os civis, populações indefesas que fogem para os mesmos países que estiveram na origem das guerras. 
Nestas paragens europeias e ex-impérios coloniais, a extrema-direita afirma-se, de cara destapada ou encoberta por partidos de «centro-direita» e começa a exigir um erguer de muros, de restrições, com o pretexto de que as populações emigradas estão a «desnaturar» a base étnica da população. 
No entanto, ninguém no status quo, explica e muito menos tenta corrigir as causas que levam as pessoas a emigrar em massa. 

sábado, 23 de maio de 2026

40 ANOS DESDE CHERNOBYL



 Abril de 1986, na República Socialista da Ucrânia, então parte integrante da URSS, ocorre o acidente nuclear mais devastador, até hoje. O preço humano do acidente, que «não devia ter acontecido», é muito pesado. Numerosas pessoas morreram de imediato, tentanto minorar o resultado da explosão; outras, ficaram com cancros. A nuvem radiativa espalhou-se para além de Chernobyl, para a Bielorússia e mais além. Numa extensão enorme, desde a tundra na Suécia, às costas do Altântico, os níveis anormalmente altos de radiatividade, impediam que se fizesse a colheita de plantas e frutos, que se comessem animais terrestres selvagens e peixes.



Mas, para além da catástrofe natural, também foi uma catástrofe para a nomenclatura soviética. Gorbatchov que, desde algum tempo, era Secretário Geral do PCUS e Presidente da URSS, compreendeu que a junção de Chernobil e do desastre da campanha militar soviética no Afeganistão contra os Mudjahedin, eram sinais dum fracasso sistémico, impossíveis de disfarçar. A sua tentativa de reforma acelerada, para um Estado revitalizado, integrando os princípios da autonomia e da responsabilidade individual, foi gorada. A reforma desde cima foi vencida pela passividade dos aparelhos do partido e do Estado, marcados pelo conformismo e pela corrupção.
A impossibilidade de acompanhar a revolução informática do Ocidente e seus aspectos mais sensíveis - indústrias informáticas marcantes para todos os outros sectores industriais, incluindo os sectores militares - foi vista com realismo pela cúpula do Estado soviético. Poucas pessoas no Ocidente têm em conta o facto de que a própria «elite» do regime estava descrente dos resultados teóricos e práticos do socialismo na versão soviética.
Foi essa consciência, mais do que uma pressão direta dos EUA e OTAN, que levou os dirigentes soviéticos (e em particular Gorbachov), a desencadear uma série de iniciativas diplomáticas para pôr fim à Guerra Fria.
Entretanto, deu-se o golpe gorado da ala mais conservadora do poder soviético, em 1991, cujo resultado foi a ascenção de Ieltsin, e a «desmontagem» da URSS. Esta história também está, em geral, muito mal contada. A instalação de repúblicas autónomas, reformando mais ou menos, seus sistema político e económico, foi consequência dos acontecimentos de 1986-1991. Foi uma grande transformação, embora, por vezes, velhos poderes tenham permanecido, travestidos em «democráticos», vendendo o património dos Estados respectivos a quem os quis comprar e consolidando assim a sua posição. Não foi com certeza algo que tenha entusiasmado os jóvens com ideias generosas de liberdade e de socialismo.
Quanto ao complexo militar-industrial americano e europeu, alinhado com o pensamento estratégico dos neocons (PNAC), quis aproveitar para desmantelar tudo o que fosse potencial obstáculo para a tomada neocolonial dos territórios da ex-URSS, para daí extraírem as riquezas e subjugarem os governos e populações, de modo a que não pudessem eventualmente erguer-se contra o Império americano.
A teimosa política de confrontação para demolir e «balcanizar» a Rússia tem vencido no debate político do Ocidente, nestes mais de trinta anos. Existem variadas correntes e figuras de oposição aos neocons, por exemplo, o prof. Jeffrey Sachs e outros, que desejam levar a cabo um verdadeiro desarmamento. Propõem uma relação construtiva das várias nações - cada uma com os seus interesses próprios - mas aceitando a existência dos outros. São - muitos deles - militares de alta patente, diplomatas, universitários americanos.

MOZART, SONATA K545, FANTASIA K475, SONATA 457 - GRIGORY SOLOKOV AO VIVO





A sonata K 545 em Dó maior é, sem dúvida, das mais conhecidas. Já a Fantasia K745 e sonata K. 457 são muito menos vezes ouvidas, embora sejam peças que sobressaem na própria produção de Mozart. Com efeito, a Fantasia e a Sonata que a segue, ambas em Dó menor, estiveram acopladas desde o princípio, pelo próprio Mozart, ao fazê-las editar conjuntamente. É portanto frequente a sua execução conjunta, como o faz Grigory Solokov.
Mas, em qualquer dos casos, a perfeição de Solokov ilumina as peças de Mozart com a frescura da descoberta, por mais que tenham sido ouvidas e tocadas em disco e em concertos.