Tu n'en reviendras pas toi qui courais les filles Jeune homme dont j'ai vu battre le coeur à nu Quand j'ai déchiré ta chemise et toi non plus Tu n'en reviendras pas vieux joueur de manille
Qu'un obus a coupé par le travers en deux Pour une fois qu'il avait un jeu du tonnerre Et toi le tatoué l'ancien légionnaire Tu survivras longtemps sans visage sans yeux
On part Dieu sait pour où ça tient du mauvais rêve On glissera le long de la ligne de feu Quelque part ça commence à n'être plus du jeu Les bonshommes là-bas attendent la relève
Roule au loin roule train des dernières lueurs Les soldats assoupis que ta danse secoue
Laissent pencher leur front et fléchissent le cou Cela sent le tabac la laine et la sueur
Comment vous regarder sans voir vos destinées Fiancés de la terre et promis des douleurs La veilleuse vous fait de la couleur des pleurs Vous bougez vaguement vos jambes condamnées
Déjà la pierre pense où votre nom s'inscrit Déjà vous n'êtes plus qu'un mot d'or sur nos places Déjà le souvenir de vos amours s'efface Déjà vous n'êtes plus que pour avoir péri
Clara Zetkin era uma revolucionária alemã. No movimento socialista / comunista internacional, do início do século XX, impulsiona a militância feminista (no sentido de emancipação da mulher trabalhadora, ao lado do homem...). Muitas pessoas a recordam porque foi ela a propor o Dia Internacional da Mulher, o dia 8 de Março. Foi muito ativa no movimento operário, por volta de 1900. Participou no movimento pacifista; duas vezes foi presa em relação com uma comissão de mulheres pelo fim da guerra. Participou na fundação do partido comunista alemão depois da Iª Guerra Mundial.
O seu relatório sobre a natureza de classe e os perigos do fascismo foi apresentado, oralmente, numa reunião da Internacional comunista, em Moscovo. Esta alocução impressionou os presentes, que a aprovaram por unanimidade.
Mas, pouco depois em 1924, após a ascenção de Josef Stalin a secretário-geral do PCUS, a linha oficial do movimento comunista internacional mudou, tragicamente, em relação à política a adoptar face ao fascismo em ascenção.
Vejam e oiçam o conteúdo do video, que acompanha de perto o percurso de Clara Zetkin: Ele interessa a todos os anti-fascistas, não apenas aos que se identificam com o comunismo...
A afirmação do título fundamenta-se com numerosos factos, dos quais muitos se podem documentar simplesmente com consultas à Internet em relação aos termos e expressões que eu utilizei. Mas, atenção: a Internet e o Youtube, em particular, estão saturados com falsificações da História. O método DOS FALSIFICADORES é dizer umas coisas verdadeiras, mas sem dizer a Verdade.
A História oficialmente apresentada e ensinada é sempre «lavada e engomada», para lhe retirar as nódoas e saliências, reveladoras de factos contraditórios com a narrativa dominante.
1ª Os nazis e aparentados foram «salvos» do exército soviético triunfante, através de múltiplas vias de fuga, algumas organizadas pelo Vaticano e muitas pelos aliados Ocidentais, promovendo a «recuperação» de milhares de alemães através da operação organizada pelos serviços americanos e intitulada «Paperclip». No meio havia não poucos torturadores da Gestapo e das SS. Também havia médicos que faziam pseudo-experimentação científica nos campos de concentração (ao estilo do dr. Mengele). Se uns tantos foram para a Argentina e outros países da América do Sul, a maioria dos «resgatados» foi parar aos centros da CIA (chamava-se OSS na época), ou aos serviços de «inteligência» canadenses (em cooperação com o MI6 britânico). Muitos desses nazis obtiveram novos nomes, com dados de identidade fabricados, quer na América do Sul, quer do Norte.
2ª Na Espanha de Franco e no Portugal de Salazar, torcionários membros da Gestapo alemã foram acolhidos para ensinar os métodos de interrogatório e de tortura à polícias políticas, em ambos países.
3º Portugal, estava entre os países fundadores da OTAN em 1949. Uma organização que estava dirigida contra o bloco soviético e se vangloriava de ser «democrática». Ora, na verdade, Portugal tinha um regime autoritário semelhante ao fascismo de Mussolini, o «corporativismo». Nenhum dos governos dos outros países da OTAN, tinha dúvidas sobre isto, nem classificava o regime de Salazar como «democracia». No entanto, a OTAN apresentava-se sempre como «aliança defensora da democracia» e contra o comunismo.
4º Em nome da «defesa das democracias contra a ameaça soviética», foi organizada a «Rede Gládio», formada por grupos que tinham como função a resistência e sabotagens, na hipótese duma invasão soviética a países da OTAN.
Em Itália, nomeadamente, a rede Gládio levou a cabo atentados terroristas «de falsa bandeira», cuja autoria foi - falsamente - atribuída a grupos esquerdistas. A sua interferência no assuntos internos do Estado italiano foi múltipla e constante. Contribuiu para a desestabilização dos governos de centro-direita ou centro-esquerda.
5º Mas não foi só em Itália, que houve interferências ilegítimas. Na Grécia, a OTAN organizou a guerra contra as forças comunistas e de esquerda que tinham lutado contra o invasor nazi. A monarquia conservadora instalada, foi sucedida por um golpe protagonizado pelos « coronéis» e início duma cruel ditadura fascista (sempre com o apoio da OTAN).
6º A OTAN, temendo uma vitória eleitoral comunista em Itália, forneceu armas, dinheiro e cobertura a grupos terroristas de extrema-direita (fascistas), com ramificações na loja maçónica P2, nas forças armadas, na polícia, etc. Tanto estas forças de extrema-direita como as chefias da OTAN, estavam preparados para pôr em prática uma campanha de desestabilização da Península Itálica, indo até ao golpe militar, no caso dos comunistas de Berlinguer obtiverem uma maioria dos deputados, capaz de formar governo.
7º Os fugitivos originários dos países do bloco soviético, URSS e doutros países do Pacto de Varsóvia, eram acolhidos e integrados em serviços de espionagem e propaganda do Ocidente, principalmente na CIA (EUA) e no MI6 (Reino Unido) e noutros países da OTAN. Os papéis que lhes eram atribuídos, eram diversos: participavam em emissões rádiofónicas dirigidas aos países de Leste (Radio Free Europa e outros) e noutras ações de propaganda de cunho «anti-comunista». Porém, entre esses dissidentes do Leste, um bom número era criminoso, por crimes de guerra: Tinham protagonizado chacinas de civis e de prisioneiros de guerra, de judeus, de comunistas e de resistentes... A CIA e o MI6 sabiam desses antecedentes, mas encobriam. Para os governos do Ocidente, isso não era grave; o importante era que eles eram utilizáveis para múltiplas operações, incluindo sabotagens, contra os países do Bloco do Leste (para descrição pormenorizada, veja link: https://www.kitklarenberg.com/p/how-the-cia-conjured-ukrainian-nationalism)
8º No Ocidente, a desnazificação depois de 1945, foi praticamente nula. Promoveram ex-oficiais nazis de alta patente em postos-chave da OTAN ( ver AQUI a história incrível mas verdadeira, do General nazi Heuzinger). Na função pública e noutros corpos do Estado da Alemanha Federal, praticamente não houve desnazificação. Esta foi levada a cabo, na Alemanha de Leste, pelo governo socialista-comunista, na parte da Alemanha onde estavam estacionadas tropas soviéticas. No Ocidente, a luta anti-comunista e anti-forças de esquerda, tornou-se muito depressa a primeira prioridade.
Além disso, a existência de grupos abertamente nazis foi tolerada (pelo menos, não os perseguiram) em muitos países da OTAN, ao longo de todos os anos pós-IIª Guerra Mundial. Até hoje, além de grupos que exibem uma ideologia extrema, nazista ou fascista, existem muitos outros, que se dizem «nacionais» ou «nacionalistas». Estes, possuem a mesma ideologia, programa e comportamento da extrema-direita, não têm qualquer problema em organizar-se e fazer sua propaganda racista e xenófoba, abertamente. Porém, esta propaganda é explicitamente contrária às leis e constituições de vários países da UE, Portugal incluído.
A sistemática condescendência de forças políticas no poder, ditas «democráticas» e até de certa esquerda, historicamente anti-fascista, vai para grupos racistas, que perseguem os elementos isolados de emigrantes doutras «raças» (os «não-brancos»), dando-lhes pancada, matando-os ou ferindo-os gravemente. Agora, torna-se muito difícil processar e condenar tais grupos de criminosos, porque têm cumplicidades na polícia e no governo. Na extrema-esquerda não existe comportamento de gravidade equivalente ao dos acima mencionados grupos violentos de extrema-direita.
9º O golpe sangrento dito da «Praça Maidan» em Kiev, na Ucrânia em 2014, foi dirigido por elementos nazis, disfarçados de patriotas. Esta tática permitiu enganar, inicialmente, uma parte da população. Não enganou, com certeza, a OTAN e os governos americano e europeu, pois estes estiveram diretamente implicados no golpe: Eles sabiam quem estavam a colocar no poder, pessoas que idolatravam Stepan Bandera, colaborador dos nazistas, responsável direto e autor moral da execução de dezenas de milhares de pessoas (incluindo polacos, judeus e pessoas de esquerda...), nos territórios da URSS sob ocupação nazi. Esta ligação ao nazismo não foi dada a conhecer - antes foi ocultada - ao público ocidental.
10º Uma declaração do Parlamento Europeu, há poucos anos (2019), fazia a amálgama totalmente falsificadora , entre ideologias nazista e comunista. Declarava que o nazismo era totalitário, porém punha um sinal de igualdade entre o nazismo e o comunismo. Provocatoriamente, «exigia» que a Rússia se «arrependesse oficialmente dos crimes atribuídos a Estaline» e que a Rússia «se desfizesse» dos monumentos, erigidos em memória dos 26 milhões de mortos e dos seus militares, na IIª Guerra Mundial, como condição para ser admitida no «clube democrátrico europeu»!
A declaração - na verdade - não era dirigida contra os totalitários de extrema-direita, nem contra colaboradores dos fascistas e nazistas dos países da UE: Isto seria o mesmo que acusarem seus antecessores genéticos ou políticos, dos quais eram herdeiros. Este é o background de anti-comunismo fervoroso, de quem votou a declaração.
É um exemplo de falsificação histórica* (*https://noticias.juridicas.com/actualidad/noticias/14569-memoria-historica:-el-parlamento-europeo-condena-los-crimenes-del-nazismo-y-el-comunismo/«Afirma la resolución aprobada por el Parlamento que Rusia sigue siendo la mayor víctima del totalitarismo comunista y que su evolución hacia un Estado democrático seguirá obstaculizada mientras el Gobierno, la élite política y la propaganda política continúen encubriendo los crímenes comunistas y ensalzando el régimen totalitario soviético y pide a la sociedad rusa que acepte su trágico pasado».)
11º Ao nível da maioria das entidades governamentais e partidos parlamentares, nos países membros da UE, tem havido um apoio entusiástico e generosas ofertas, à custa do erário público dos países-membros e do orçamento da Comunidade, em armas, munições, equipamento e dotações financeiras. Este dinheiro tem enchido os bolsos das figuras principais do regime de Kiev. A UE tem feito entregas repetidas de ajudas incondicionais e muito vultuosas ao governo saído do golpe da Maidan, cujos membros se afirmam herdeiros de Stepan Bandera e da OUN. Esta última organização, era uma facção nacionalista ucraniana que alinhou - na IIª Guerra Mundial - com as tropas nazistas que invadiram a URSS (a Ucrânia fazia parte da URSS nessa altura). Os banderistas são autores de chacinas e genocídio de cerca 100 mil mortos, só em relação a nacionais da Polónia ! Estes polacos habitavam a região de Lvov. Os membros da OUN foram também responsáveis por inúmeras chacinas contra judeus, contra comunistas e resistentes.
12º Depois da derrota do nazi-fascismo em 1945, os fascistas/banderistas ucranianos foram recrutados pela CIA e outros serviços de informação ocidentais. Alguns trabalhavam em propaganda, dirigida por americanos, em Munique e noutros pontos da Europa. Vários ucranianos ao serviço da CIA foram infiltrados na URSS e em países do Pacto de Varsóvia, para recolha direta de informação e para actividades subversivas.
13º Em França, o Presidente Miterrand, para se manter no poder, desenhou uma estratégia de erosão da direita francesa «clássica», reconhecendo o direito ao «Front National» de Jean-Marie Lepen, concorrer à eleições. Assim, um grupozinho pouco conhecido, foi-se tornando mais e mais importante em votos, em activistas e em presença mediática. Isto, enquanto os socialistas iam revertendo, uma por uma, as medidas do «Front Comum de Gauche», maioritária e formando governo, desde os anos oitenta. É preciso lembrar que muitos dos lepenistas tinham um currículo colaboracionista conhecido, o que incluia participação ativa e apoio ao governo de Vichy (governo colaborador da Alemanha hitleriana). Vários, de extrema-direita tiveram participação ativa e apoio aos membros da terrorista OAS, que rejeitava a independência da Algéria e que organizaram e quase conseguiram ter sucesso, um golpe de Estado contra o governo legítimo da República francesa.
14º Em muitos países, a extrema-direita escondeu-se, enquanto afixar publicamente esta pertença significava um risco real. Assim, muitos elementos de extrema-direita entraram como membros de partidos de direita ou centro-direita, legais e institucionais; assim, elementos da direita mais extrema (mas disfarçados) foram frequentemente membros dos governos e grupos parlamentares, em países da UE (França, Espanha, Portugal, Alemanha, Itália, etc). Evidentemente, esses elementos de ideologia fascista, não se afirmavam publicamente como tal: Diziam-se nacionalistas, de direita, anti-comunistas, monárquicos, etc... Formavam, em paralelo, organizações clandestinas, mas continuavam filiados em partidos de direita «clássica» que funcionavam como máscara e cobertura às suas atividades.
15º Os governos ditos «democráticos» da Europa Ocidental, depois da 2ª Guerra Mundial continuaram com seus impérios coloniais. Estes, não foram transformados em Nações independentes, de forma negociada, numa transição pacífica, mas pela luta armada, em muitos casos. Nas colónias do Reino-Unido, de Portugal, de Espanha, de França, e doutros... As tropas dos governos reprimiam da forma mais brutal os manifestantes, aos milhares. Muitos, dos políticos da metrópole das colónias tiveram uma reação desfavorável à exigência de autodeterminação avançadas como propostas de partidos e personalidades das colónias. Por exemplo, Salazar negou quando rebentou a guerra de guerrilha em Angola (1961), qualquer abertura negocial, por teimosia, mas sobretudo pelo arreigado princípio racista de que «as colónias não eram capazes de se auto-governar» e que «Portugal tinha o dever de impedir que caíssem nas mãos do comunismo internacional». Muitos casos houve de barbárie e de genocídio, pelas tropas coloniais, martirizando populações das antigas colónias, sobretudo em África e na Ásia, desde finais da IIª Guerra Mundial, até hoje. As guerras atuais em África e na Ásia do Sul estão na continuidade histórica direta do período colonial. Podem considerar-se guerras provocadas pelo domínio neo-colonial, impedindo o desenvolvimento de vastas regiões e das numerosas populações. Certamente, não se pode ser democrata «em casa» e colonialista ou neo-colonialista no exterior.
16º O nazi-fascismo tem tido cobertura das correntes mais militaristas na OTAN. Nesta organização, os governos mais poderosos não agem assim por "capricho": A extrema-direita tem sido muito útil, na medida em que aterrotiza grupos de emigrantes, de sindicalistas e de militantes de esquerda. Ela tem sido um braço repressivo, à disposição dos governos que querem manter uma fachada democrática, ao mesmo tempo que se abate o terror contra os opositores, através dessa extrema-direita.
A «incapacidade dos governos em reprimir» essas organizações é totalmente falsa. Os poderes usam as polícias nalguns casos; noutros casos, é mais vantajoso darem luz verde, discretamente, a esses tais grupos, pois os governos não podem ou não querem a recorrer a métodos ilegais. Esta, a verdadeira razão porque não destroem os grupos fascistas ou de extrema-direita violentos. Os governos têm meios e legitimidade para fazê-lo. Porém, eles servem-se de terroristas fascistas para golpear os opositores de esquerda.
Uma economista que, não só não alinha pela cartilha neoliberal, como defende abertamente e com argumentos de peso, uma alternativa socialista. É de pessoas assim que pode vir a renovação tão desejada e tão urgente de um pensamento socialista e revolucionário.
A palavra FADO tem orígem no latim, FATUM, que significa destino.
No português corrente, tem seguramente conotação de má sorte, quando se diz «é o meu fado». Não admira, pois tem sido o fado deste povo que atravessou oceanos em busca de «El Dorados». Muitos deles, nunca chegaram a alcançar fortuna e voltaram à terra natal em estado miserável, como Camões, ou morreram em terras distantes e, muitas vezes, a tumba foi de água oceânica, em numerosos naufrágios, que engoliram caravelas e suas tripulações, transportando preciosas especiarias (canela, pimenta...) para os mercados europeus.
O passado trágico do século XVI, dito «grandioso», acabou com a derrota de Alcacer Quibir, seguido pela a perda de independência com a união do reino de Portugal à coroa de Filipe de Espanha. Esta sucessão de tragédias ficou refletida numa mágoa persistente do povo anónimo, aqueles que nunca são citados nos livros de História. Porém, são a história pessoal de muita gente. As «viúvas de vivos», era como se designavam as mulheres de emigrantes, que partiam para longe. Eles, labutando duramente em países estrangeiros, para construir um bem-estar sólido para as suas famílias.
Uma grande parte do Fado é, porém, de temática amorosa, como aliás a canção popular em geral. Mas no fado, é muito frequente o lamento da separação, do desencontro, do engano e desengano, enfim de histórias de amor que correram mal, de alguma forma.
Também está muito presente o tema da saudade, no fado e na poesia portuguesa. Esta expressão, não tendo correspondência exata noutras línguas, exprime um estado de melancolia e de fixação no passado, onde se projetam recordações o ser amado e de todos os momentos felizes, em geral.
Há muitos estudos sobre as origens do fado.
O fado, hoje, realmente corresponde a um tipo definido de música, pese embora a diversidade dos seus compositores e interpretes. Dizem que o fado tem origem no «lundum», um cântico negro, cantado pelos escravos negros no Brasil, desde que estes foram levados para as plantações (as roças), sofrendo a brutalidade dos donos coloniais.
Mas, também se fala da relação com as melopeias árabes - lembrança longínqua do Portugal que foi mouro, com uma presença de sete séculos, e deixou raízes profundas no folclore, embora o povo não tivesse ideia que suas expressões artísticas tinham efetiva origem na riquíssima civilização arabe ibérica (El Andaluz era a designação da Ibéria pelos mouros), que foi a mais avançada na Idade Média.
Na origem, o que hoje se chama «fado», estava enraizado em várias tradições orais, com a fluidez e musicalidade própria da música popular. Mas, como documentos, os mais antigos fados escritos e partituras editadas, datam dos finais do século XIX. Eles estão curiosamente associados, em muitos casos, com o proletariado urbano lisboeta, não ainda maioritariamente trabalhando na grande indústria, mas em pequenas fábricas e oficinas, que se situavam em bairros pobres: Alfama, Mouraria, Castelo, Madragoa ... eram bairros habitados por pessoas humildes, as casas não tinham condições mínimas, as ruas eram estreitas e mal iluminadas. Havia neles muita pobreza e com ela, alcoolismo, prostituição, marginalidade, etc. Havia nessa época uma estricta divisão das classes, embora alguns nobres boémios frequentassem prostíbulos situados nesses bairros. Isto está na origem de histórias romanceadas, como a da Severa que foi amante do Conde de Vimioso.
Sendo impossível falar em pormenor dos muitos compositores e poetas que escreveram para Amália especificamente, ou daqueles que Amália apropriou as canções pré-existentes e lhes deu nova vida, com a sua voz e sensibilidade magníficas, queria sublinhar o caso de Alain Oulman. Ele compôs música sobre poemas escritos por poetas famosos ou bem conhecidos, da literatura portuguesa. No total, não sei quantos poetas de renome foram cantados por Amália: Luíz de Camões, David Mourão-Ferreira, Alexandre O' Neill, José Régio, Manuel Alegre, Pedro Homem de Mello, Cecília Meirelles, Ary dos Santos, etc. A própria Amália assinou letras de fados.
Para terem uma ideia da qualidade e diversidade da poesia nos fados de Amália Rodrigues, podem ouvir a playlist, com o título «AMÁLIA RODRIGUES: O FADO».
A vida corpórea dos compositores e intérpretes é finita. Porém, eles são eternizados pela execução das composições/canções/poemas e pela constante presença na memória coletiva. É o caso de Amália e de todos os que comparticiparam na gesta de transformar o fado num expoente da alma portuguesa.
O poder de grande capital vai levá-lo a erguer monstruosas empresas, monstruosos agregados de edifícios, instrumentos, indivíduos para construir, reparar e utilizar tais instrumentos. Mas, este poder é tanto mais frágil, que não consegue controlar diretamente quase nada. Por isso, a sua tendência em produzir um modelo de sociedade perfeitamente verticalizado; tem como base a sua impossibilidade de controlo verdadeiro, sem deixar um grau elevado de autonomia aos sub-sistemas do mega-sistema.
Na altura em que os reis e generais no campo de batalha, só podiam contar com a força e determinação dos soldados, embora houvesse muita força bruta envolvida nessas batalhas, aqueles déspotas estavam dependentes da inteligência (humana) e dedicação pessoal de generais, coronéis, capitães, sargentos... os quais estavam mais próximos do calor da batalha, tinham diretamente que confrontar o exército inimigo; portanto, a vitória (ou mesmo a possibilidade de combater) estava muito dependente da devoção ao chefe, da convicção dos subordinados de que eles podiam rapidamente subir na hierarquia militar (e do Estado), caso tivessem sucesso da batalha, etc.
Ora, na guerra tecnologizada de hoje, o que conta, além da determinação de dois grupos em confronto, é a rede de informações (de «inteligência») que um e outro grupo possuí sobre o respectivo inimigo.
A classe governante tem - portanto - interesse em manter os súbditos na crença da invencibilidade do dispositivo (militar e policial) daqueles bi- ou trilionários. Mas, uma máquina de poder, quanto maior, quanto mais centralizada e complexa for, mais frágil será.
Ensina-nos isso a biologia, que pode servir como modelo analógico: há uma vantagem decisiva de um harbívoro se tornar cada vez maior, para intimidar potenciais predadores, também para monopolizar os recursos, afastando os outros herbívoros de menor porte, etc. Mas, com o tamanho aumentado, surgem problemas como a regulação da temperatura corporal, a menor agilidade, a impossibilidade de ter uma ninhada grande, normalmente um ou dois somente por cada estação de acasalamento, a fragilidade maior é a de obter recursos alimentares em situações de escassez: tanto em períodos de frios extremos, como nas de calor extremo, a alimentação (ervas, arbustos, bagas, frutos...) é muito escassa, muito difícil de obter. É mais fácil um herbívoro ou omnívoro de pequeno porte sobreviver, em situação climática muito desfavorável. Pelo contrário, nestas circunstâncias, os animais de grande porte podem desaparecer da zona, ou mesmo extinguir-se.
A comparação com o mundo biológico é uma metáfora, dando uma visualização do que pode acontecer em sistemas «mastodônticos», pesados, complexos e centralizados.
O grau de adaptabilidade duma empresa não depende da sua direção, dos seus executivos, primariamente. Claro que estes são responsáveis pelo rumo que a empresa toma, pelos investimentos decididos e as alianças externas (incluindo o Estado), etc. etc. Porém, a capacidade de adaptação momentânea a condições novas, ou seja, a flexibilidade da empresa em si mesma, enquanto fornecedora de produtos / serviços, depende da massa dos trabalhadores, motivados (ou não), bem formados e treinados (ou não), para reagir de maneira adequada a estas contingências.
A Palantir, a Microsoft, etc, são empresas gigantescas, com vários níveis de complexidade e enorme extensão geográfica, permeando todas as outras indústrias, inclusive o Estado (desde serviços de segurança, às instituições de educação, etc.). Esta força de super-monopólios, é realmente assustadora.
De facto, a própria UE apecebeu-se, tarde demais, que está dependente do bem-querer desses gigantes tecnológicos e tenta desenvolver sistemas próprios, através de tecnologia própria, desenvolvida e destinada a fornecer (em exclusivo) às instituições da UE, de modo a obter maior controlo (enquanto Comissão Europeia, e/ou Estados-membros) sobre o seu território. Ela tenta, com 20 ou 30 anos de atraso, fazer o caminho de autonomia funcional e estrutural, em relação ao super-imperialismo dos EUA.
O gigantismo traz sempre fragilidades, muitas das quais, só detetáveis quando a «máquina», seja ela industrial, burocrática, militar, etc., é posta em marcha e testada no terreno.
A capacidade de resposta flexível, pelo contrário, predomina em organizações onde todos se conhecem pessoalmente. Pensem, por exemplo, numa equipa de futebol, ou doutro desporto coletivo.
Uma máquina que funciona com robots, principalmente, ou com seres humanos que se comportam de forma robótica, automática, no seu local de trabalho, é incrivelmente frágil. Mesmo sem pensarmos em sabotagens, a própria complexidade torna inevitável que existam frequentes problemas: São imprevisíveis, sejam eles grandes ou pequenos. Também há problemas pequenos e não detectáveis, que se tornam (por vezes) grandes problemas.
Também aqui podemos nos socorrer da analogia biológica: no corpo humano existem múltiplas situações de funcionamento não-perfeito, mas para os quais o corpo vai encontrando forma de os superar... até ao ponto em que já não o consegue. Então, manifesta-se a doença, cuja génese poderá ter sido causada pelo acumular de pequenas deficiências crónicas, que se vão avolumando, a um rítmo lento, de tal maneira que o indivíduo não se apercebe e pensa estar de boa saúde.
O gigantismo dos sistemas fica exacerbado, no caso da ideologia tecnocrátrica, que permeia a oligarquia americana, grande parte da qual estava representada na cerimónia de inauguração do presidente Trump.
É uma ideologia que não nos devia meter medo, se aquilo que eu escrevi acima é mesmo verdade e pode ser comprovado por cientistas honestos, qualquer que seja sua especialidade. Sabemos que existe uma dimensão ótima para uma dada empresa, mas ela depende do ecossistema em que se encontra. Um dos problemas de curto prazo é saber-se como reduzir os diversos custos (ou não os aumentar), mas mantendo a resiliência. Isto não é nada fácil, pois não existe uma fórmula mágica. EM GERAL, SÓ SE PODE VER ISSO A POSTERIORI.
«A empresa afundou-se ou estagnou, porque estava sobredimensionada»... sim, mas houve uma época em que tal empresa crescia bem, era «saudável», ninguém diria que estava a tornar-se «mastodôntica».
Enfim, é evidente que Peter Thiel ou outro qualquer não tem as faculdades de um deus. Por maior que seja o seu poderio (económico e político) ele não tem os meios que pensa, para realizar seu programa de escravização dos humanos (a «sub-raça» que ele vê como sendo o «homem comum»).
No capitalismo, os «capitães de indústria» MAIS CRIATIVOS e bem sucedidos, foram, em geral, os que entenderam que precisavam da acquiescência ou do consentimento dos trabalhadores e clientes («o mercado dos seus produtos»). Senão, teriam imensos problemas internos às suas empresas e também externos, na sociedade.
Neste vídeo são evidenciadas as relações cordiais da oligarquia bancária e industrial dos países ocidentais com o regime hitleriano. O seu financiamento e todos os outros apoios, permitiram a chegada de Hitler ao poder. Depois, financiaram o esforço de guerra da Alemanha hitleriana.
Os inimigos - para a classe oligárquica - eram os bolcheviques e revolucionários que lutavam nos países capitalistas.
Por outro lado, deveria ter sido dado maior enfoque à Guerra de Espanha, como terreno de ensaio das diversas potências, em preparação da guerra mundial, ou mesmo, como primeira etapa da IIªGuerra Mundial.