...tens de os aturar
- Tens de aturar o que fazem com o dinheiro dos teus impostos. E se protestas, civilizadamente que seja, arriscas levar com cacetada. A ironia é que nós pagamos os dispositivos ditos de «segurança». Os polícias, os bastões, as granadas lacrimogéneas, os blindados...
- Nada mais vantajoso que um «negócio» em que te apontam uma arma à cabeça, para te «convencer» a pagar. Isto chama-se extorção. No caso do governo, chama-se «cobrança de imposto».
- Compreendo que muitos empresários sejam atraídos pela política: Primeiro, não terão que arcar com as consequências das suas más decisões. Segundo, terão a garantia de ficarem ricos, como nunca sonharam, pelo «exercício» do seu cargo (não pelo ordenado correspondente...). Se tiverem de sair do poder, paciência; já tiveram oportunidade de juntar uma maquia confortável, em sucursais bancárias «off-shore». Ninguém investiga, pois estão todos metidos no mesmo esquema.
- O que me maravilha não é que o Estado funcione... Sabemos como funciona mal, à custa de suborno e compadrio... O que impressiona é que as pessoas comuns, que não participam nestas formas de criminalidade, consideram que «não é nada com elas».
- As eleições, não apenas em Portugal, como em toda a Europa, dita de democracia liberal, transformaram-se há muito no processo de manutenção duma classe de parasitas, ao mando dum pequeno grupo de oligarcas que os faz eleger, com mentiras e palhaçadas que nem eles, os parasitas, nem os eleitores acreditam. Depois, quando eleitos, tratam de se encher de todas as maneiras.
- E o cidadão comum acha isso «normal»: O cidadão comum é roubado, a vários níveis, não apenas nos impostos, não apenas nas «luvas» que tem de pagar para conseguir fazer qualquer coisa, também nas contas públicas, no investimento que se destinaria a uma determinada obra e fica - por rotina - 3 ou 4 vezes mais cara que orçamentada. Já para não falar das obras prometidas, que nunca se concretizam, ou das obras que são uma agressão ao ambiente, ou meras obras ostentatórias...
- Se a democracia liberal serve para alguma coisa, é para nutrir toda uma classe de parasitas. O corpo da nação parasitado é tanto mais fraco, quanto a parasitagem é efetuada mais impunemente, protegida pelas «forças da ordem», insensada pela «media canina», etc.
- Para mim, os empresários não são nenhuns santos, não faço o seu elogio. Sei que os demagogos lhes estendem a mão, para receber o seu apoio nas campanhas eleitorais e depois vão fazer o que a classe empresarial espera deles. Mas, no caso das empresas privadas, existe a hipótese de falência, em que o empresário pode perder muito.
- No caso do Estado, em qualquer sector, dos ministérios às autarquias, dos institutos, às administrações escolares, etc, reina a maior irresponsabilidade. Nada se cumpre. E se houver prejuízos graves, faz-se - quanto muito - um inquérito, uma fantochada sem consequências para os reais responsáveis pelo crime.
- As pessoas não fazem ideia do montante aproximado do que é roubado diretamente e indiretamente ao erário público; tudo o que é cobrado indevidamente aos cidadãos, os impostos mais elevados da Europa, toda a burocracia que se aproveita do ambiente de laxismo, para levar a cabo a corrupção, a cobardia dos que teriam a obrigatoriedade de vigiar o cumprimento da lei e sancionar, em caso de fraude, desvio ou roubo.
- Eu estimo que estas quantias, se fossem recuperadas e investidas inteligentemente em favor do povo português, dariam para construir uma nação muito avançada, com todas as infraestruras em bom estado, com boas condições de emprego para os jovens, com oferta estatal ou municipal de habitações em quantidade suficiente (e o fim de explorações de «turismo de habitação», como forma de extrair riqueza sem contrapartida social); haveria infraestruturas de saúde com hospitais e clínicas do Estado, enquanto as clínicas privadas ficariam confinadas à classe que tem meios de pagar e não como agora: O Estado subsidia a medicina privada, através da comparticipação nos os atos de saúde, para qualquer cidadão, garantindo assim a viabilidade da medicina empresarial, virada para o lucro.
- O que tem sido feito deste país é que obriga os jovens a partir para outras paragens, para terem um emprego compatível com os graus académicos e competências profissionais que adquiriram graças ao seu esforço, ao das suas famílias e do Estado português. Também aqui vão favorecer os países ricos, que recebem pessoas já formadas, com elevada competência, sem ter tido que suportar os custos das suas formações. Portugal oferece - literalmente - aos países ricos, o melhor de si: exporta os jovens talentosos!
- Superficialmente, as pessoas parece estarem alheadas, mas não estão: Fingem que não compreendem nada, para não se envolverem em situações prejudiciais para elas, para o seu emprego, para as suas relações, etc. Ou seja, fazem-se de estúpidas, mas não o são.
- Um grande problema, é que as pessoas têm receio de «dizer mal» do poder, ou seja exercer a crítica ao poder, seja ele político ou económico. Um reflexo que vem dos 48 anos de ditadura fascista que oprimiu este país (1926-1974). Nesses longos anos, uma frase considerada «de oposição» ao poder, podia valer a quem a proferisse, a prisão, a tortura, ou ainda pior.
- Há muito a fazer em Portugal, mas as ideologias dos séculos XIX e XX têm enchido a cabeça de muitas pessoas. Estas, pensam em termos completamente ultrapassados. Além disso, têm muito sectarismo e batem-se entre si, quando deviam juntar-se contra os males que assolam o país.
- O que eu tenho proposto é que as pessoas, que realmente queiram transformar o status quo, pensem, estudem, avaliem as tácticas e as estratégias de movimentos de libetrtação ao neocolonialismo. Não preconizo a luta armada ou estratégias violentas, mas uma estratégia não-violenta de não-colaboração com as «autoridades» e de solidariedade entre as pessoas exploradas, que são a imensa maioria.
- A matriz autoritária das formações políticas existentes em Portugal, faz com que elas estejam focalizadas em tomar o poder de Estado, seja de «assalto», seja por «eleições». Não vêm outra estratégia possível. Por isso, também elas são parte do problema. Trata-se de um fenómeno cultural profundo, com reflexos na economia, na governação, etc.






