Abaixo, uma peça das «romances sans paroles» (Op. 17/ nº3)
Fauré «estava no ouvido» de toda a sua geração. Embora não tenha rompido totalmente com o romantismo, abordou a matéria-prima musical com uma originalidade que contrasta com os autores do romantismo tardio, que se limitavam à reprodução de fórmulas, repetindo o que foi um sucesso, no passado.
Muitas pessoas ouviram a «Pavane», op.50 sem saber o nome do autor:
Esta Pavane tem uma ressonância renacentista e mesmo medieval. Porém, Fauré teve o bom gosto de não pretender imitar a música dessas épocas. A versão orquestral, que ouvimos aqui, foi elaborada pelo próprio compositor a partir da versão para piano.
A Élégie para violoncelo e piano, é porventura uma das peças instrumentais mais conhecidas de Gabriel Fauré. Aqui, na gravação histórica (1962) de Jacqueline du Pré ( violoncelo) e Gerald Moore (piano).
O Requiem Op. 48, de Fauré, é uma obra que continua a suscitar o interesse do público e dos músicos profissionais. Uma das peças extraídas do Requiem, é «In Paradisum»
Se Fauré soa, no século XXI, como moderno e clássico ao mesmo tempo, é - por um lado - que as suas composições são mesmo originais, resultam de procura formal muito exigente. Por outro lado, assume a herança da música europeia, inserindo-se nela - como elemento charneira - entre o século XIX e o século XX.
Muito se falou de despesas militares e sobre a guerra.
Mas, as questões realmente pertinentes, estão a ser abordadas com imensa irresponsabilidade.
O desempenho de Trump, neste encontro, mostra que o Mundo Ocidental está completamente destituído de orientação.
Os membros são incapazes de avaliar os riscos com um mínimo de seriedade. A banalização de tais comportamentos não significa que esteja tudo «bem». Atualmente, existem guerras que causam mortes e isso não é brincadeira, por mais que os dirigentes iludam os factos.
Chegámos ao ponto absurdo de considerar que o ataque à Rússia irá gerar desenvolvimento. Só haverá «desenvolvimento» nas empresas de armamento e de vigilância digital.
Quanto ao resto, será o alastrar de austeridade fabricada, o desvio das componentes sociais (segurança social, subsídios desemprego, de apoio a pessoas com deficiências, etc.) e o empobrecimento geral da população.
Para cobrir a enorme gatunagem em curso, usam a falsa capa da «proteção social»: Pensam criar um «rendimento básico universal», independente dos receptores contribuírem, ou não, com trabalho (o trabalho assalariado será, portanto, ainda mais desvalorizado).
Mas, entretanto, estão empenhados em desviar - desde já - partes importantes dos orçamentos nacionais para a indústria de armamento e vigilância!
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Reflexão de Manuel Banet:
De forma quase automática, os que presidem agora aos destinos dos povos, estão a copiar o comportamento dos seus antecessores, nas vésperas da Iª Guerra Mundial. Tal como nessa altura, os partidos que antes se consideravam representando a vontade dos trabalhadores, os partidos social-democratas, «votaram os orçamentos de guerra». Agora também o fazem, mas com antecipação, «programando» desde já o início da guerra total com a Rússia para 2030. Note-se que a guerra não declarada, com «autorização» aos ucranianos de alcançar com ogivas de longo alcance alvos bem no interior da Rússia, foi intensificando-se, com o objetivo claro de provocar na Rússia uma contra-ofensiva aos territórios onde são fabricados os drones e outros armamentos usados pelos ucranianos. Igualmente, os sistemas de satélites e de «inteligência» ocidentais, têm guiado a par e passo as ofensivas das forças ucranianas, sendo certo que sem essa peritagem, seriam incapazes de atingir alvos na Rússia com um mínimo de precisão.
Também, quanto às provocações, sabemos bem que várias potências, nomeadamente a Inglaterra e outras, em vésperas de 1914, tinham todo o interesse em multiplicar os assassinatos na classe política e militar, causando instabilidade e provocando os poderes - empurrados pela opinião pública - a reagir. Temos assistido a uma multiplicação das intervenções terroristas, com a OTAN na origem, mas supostamente realizadas por serviços secretos ucranianos.
Finalmente, a campanha distorcendo grosseiramente a natureza do «inimigo», dando a entender que se trata dum ditador sanguinário, tem sido «o pão nosso de cada dia» de uma série de media em todo o Ocidente, sinal da campanha de condicionamento das mentes, por forma a amedrontar os cidadãos e impedi-los de considerar argumentos racionais, que poriam de rastos os elementos de propaganda raivosa anti-russa e anti-Putin.
A enorme sucção de capitais para a máquina de guerra, acompanha-se por uma militarização da sociedade civil. As leis celeradas (completamente anti-constitucionais) são aprovadas à pressa; servem para criminalizar demonstrações pacifistas. A «rédea livre» é dada a uma extrema-direita cada vez mais arrogante, promovida para intimidar os que à esquerda pudessem ajudar a formar uma resistência popular e de massas.
Tem-se o equivalente de há cerca de 120 anos atrás. É provável que os manuais de guerra psicológica, atualmente usados na OTAN e noutras instâncias, sejam atualizações de manuais descrevendo as técnicas ensaiadas antes e durante a Iª Guerra Mundial.
A descoberta e as escavações em curso há cerca de 30 anos e longe de terminadas, de Gobekli Tepe - datado de cerca de 13 mil anos - são uma subversão completa da ideia que se tinha desse período.
Com efeito, pensava-se que as comunidades neolíticas começaram por desenvolver a agricultura, o que - por sua vez - permitiu a existência de um excedente, ou seja, havia possibilidade de certo número de pessoas se dedicar a outra coisa, diferente da produção alimentar. Então, segundo o pensamento arqueológico convencional, ergueram-se as primeiras cidades, os primeiros Estados e civilizações, com suas castas guerreiras, sacerdotais, com os camponeses, artesãos, e os primeiros templos... Tudo isto está posto em causa pois, na época em que foi construída Gobekli Tepe, no «crescente fértil», não existia ainda uma sociedade baseada na agricultura.
As gramíneas selvagens eram colhidas e transformadas, mas não existia o semear e recolher sistematicamente, destas espécies. As escavações em Gobekli Tepe revelaram, em relação aos construtores deste vasto e sofisticado conjunto cultual, que eles ainda viviam da caça/coleta. Assim, temos uma civilização baseada na caça e colecta, mas com avançadas técnicas de construção e representações animais sofisticadas, que correspondiam a uma simbólica complexa, relacionada com a astronomia.
Mas, antes da sua descoberta, a comunidade científica não considerava que tal coisa fosse possível, em povos destituídos de agricultura.
A lição que podemos tirar, é que os humanos têm sido capazes de proezas técnicas, artísticas e espirituais em variadíssimas circunstâncias. Em especial, quando existe abundância de recursos, como foi o caso no planalto da Anatólia, há 13000 anos, na civilização que construiu Gobekli Tepe.