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quarta-feira, 3 de junho de 2026

Sanjay Roy: «Inteligência artificial e revolução social»

«INTELIGÊNCIA» OU «INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL» ?


No sub-título (da minha autoria), tento chamar a atenção para um aspecto não contemplado no artigo muito bom de Sanjay Roy, publicado no Jornal Mudar de Vida

Em várias línguas, a semântica da palavra «inteligência» é substancialmente diferente. 

Por exemplo, nos países do Norte da Europa, chama-se (ou chamava-se) «intelligentsia» ao que nós chamaríamos uma elite cultural, um conjunto hereteogéneo de sábios, filósofos, artistas, que produzem uma boa parte das ideias que circulam numa dada sociedade. Trata-se dum conceito  forjado no século XIX e no século XX, que depois foi alargado a todo o mundo e não apenas aos países da Europa do Norte. Como conceito sociológico, designa uma classe de pessoas ou um setor dessa classe. Designa pessoas que «trabalham sobretudo com os neurónios». O conceito não pressupõe nada em relação ao grau de inteligência de indivíduos da classe ou grupo social designado.  

Pelo contrário, se dizemos que um indivíduo tem inteligência, estamos a falar, geralmente, de capacidades mentais, de qualidades intelectuais acima da média... quando falamos em português ou noutros idiomas de origem latina.

Em inglês moderno, é de uso corrente a expressão «intelligence», para designar serviços secretos ou atividades de espionagem. Foi neste contexto semântico, creio, que nasceu o vocábulo «Artificial Intelligence». No entanto, o termo inglês «intelligence» pode significar também o mesmo que nas línguas latinas. Aliás, o vocábulo é obviamente importado do latim.

Eu não me oponho, nem critico o uso da expressão «Inteligência Artificial» nas línguas derivadas do latim.  Somente, quero sublinhar que o seu uso nestes idiomas não contempla - usualmente - a conotação do vocábulo «intelligence» que, para os anglo-saxónicos pode evocar «espiar», «roubar dados», «controlo do estado», «manipulação subreptícia», etc. Por muito banalizado que o termo esteja, ele não perde a ambiguidade semântica da expressão.

  Posso diferir do conteúdo do artigo de Sanjay Roy, nalguns aspectos. Porém, julgo que perspectiva correctamente a necessidade de uma revolução social, para que a humanidade deixe de estar submetida ao  controlo de uma vigilância em massa. Esta aplicação, a tecnologia «AI» já permite isso. Ela tem sido posta em prática, sem que muita gente disso se aperceba! 

Mas, vou deixar-vos com o artigo abaixo.

Inteligência artificial e revolução social

Editor / Sanjay Roy — 2 Junho 2026


As tecnologias não transformam as sociedades, mas criam a necessidade dessa transformação

Os debates sobre o desenvolvimento e a aplicação prática da inteligência artificial vagueiam entre a desconfiança perante uma tecnologia que as pessoas comuns não dominam, as ameaças de desemprego que pairam no ar com selo de “progresso económico”, e o receio de ver tal arma nas mãos de uma elite todo-poderosa e sem escrúpulos.

O risco não está em dar demasiado poder “às máquinas”, como se tem ouvido. Todo o progresso é libertador e bem-vindo enquanto património coletivo. O risco está no facto de a nova tecnologia (como aliás todas as outras) ser detida, desde a investigação à utilização, por uma estreita camada capitalista poderosíssima, movida por interesses privados anti-sociais, capaz de a usar sem restrições no propósito de dispor da vida e da morte da humanidade.

A questão, portanto, não está em “desarmar a IA”, como sonoramente pretende o Papa, mas em desarmar os monopólios do poder que, com e sem IA, fazem da vida de milhões de pessoas um inferno quotidiano.

O indiano Sanjay Roy aborda a questão justamente pelo lado da contradição marcante das sociedades contemporâneas: a premência de transformação social que as novas condições materiais apontam, contra o colete-de-forças que o capitalismo imperialista impõe ao mundo.

(Editor de Mudar de Vida)

 

MARX, NOVA TECNOLOGIA E NOVA SOCIEDADE

Sanjay Roy, Peoples Democracy, 10 maio 2026

O desenvolvimento tecnológico e a inovação têm sido a força motriz da civilização humana. Com as mudanças nas tecnologias, o processo de produção, o processo de trabalho e a mensuração da contribuição humana para o produto social também se transformam. A atual fase da tecnologia digital, com a IA como tecnologia de uso geral emergente, também irá alterar radicalmente o processo de produção.

As inovações tecnológicas reduzem o custo de produção de bens e serviços existentes, criam novos produtos ou novos valores de uso que não existiam anteriormente, podendo ainda reduzir o tempo de circulação de bens e serviços ao diminuir os custos de transação ou transporte. Todas essas inovações, de uma forma ou de outra, reduzem o esforço humano direto ou o trabalho no mundo da produção e distribuição.

Na fase recente do desenvolvimento tecnológico, vivenciamos uma mudança na tecnologia que Marx vislumbrou como uma progressão lógica desse desenvolvimento. No contexto das grandes indústrias, em Grundrisse [Manuscritos de 1857-58], Marx discutiu a possibilidade de um declínio drástico do trabalho humano direto no processo produtivo, quando os seres humanos atuam como observadores e supervisores de um processo mecanizado e o trabalho humano direto deixa de ser a medida da contribuição humana para o produto social. Em vez de aptidões específicas e aprendizagem pela produção, é a ciência e o conhecimento em geral, ou o “intelecto geral”, que assumem o papel de principal força produtiva no capitalismo.

Marx argumenta em Grundrisse : “A verdadeira riqueza manifesta-se, antes – e a grande indústria revela isso – na monstruosa desproporção entre o tempo de trabalho aplicado e o seu produto, bem como no desequilíbrio qualitativo entre o trabalho, reduzido a uma pura abstração, e o poder do processo produtivo que ele supervisiona […]. Nessa transformação, não é o trabalho humano direto que ele [o trabalhador] realiza, nem o tempo durante o qual trabalha, mas sim a apropriação da sua própria força produtiva geral […] que se apresenta como a grande pedra fundamental da produção e da riqueza. O roubo do tempo de trabalho alheio, sobre o qual se baseia a riqueza atual, revela-se um fundamento miserável diante desse novo fundamento, criado pela própria indústria em larga escala”. (*)

Economia do conhecimento

A atual onda de novas tecnologias, com a IA emergindo como tecnologia de uso geral, é baseada no conhecimento. Isso não implica que as tecnologias anteriores não exigissem conhecimento para serem produzidas. A questão reside na mudança da contribuição do conhecimento no processo produtivo.

Tecnologias anteriores substituíram o trabalho físico por máquinas. Novas máquinas inteligentes não apenas substituem o trabalho físico, mas também interiorizam parte do trabalho mental. Mais importante ainda, a transformação dos valores de uso envolve um processo muito menos relacionado com a fisicalidade do produto, ou seja, com a mudança de materiais e componentes, e mais com a incorporação de características adicionais que envolvem processos mentais.

Marx, ainda em Grundrisse, argumentou que, com o tempo, produtos do conhecimento como ferramentas, produtos químicos ou máquinas tornam-se menos importantes; é a ciência e o intelecto geral que se tornam o poder produtivo mais importante. Nesse processo, o capital não apenas controla máquinas e recursos, mas subordina a ciência e o conhecimento ao controlar o seu principal recurso: os dados.

Na era da tecnologia digital, os dados emergem como o novo petróleo da civilização humana. O fluxo de dados é amplamente produzido por interações humanas, incluindo as interações em plataformas digitais. As pessoas interagem nas redes sociais e criam grandes quantidades de dados gratuitamente, que são apropriados como matéria-prima para identificar padrões de escolhas dos consumidores. O controlo sobre os grandes dados (big data), portanto, resume-se a estabelecer controlo sobre as escolhas humanas, tanto presentes quanto futuras. Assim, colonizar a mente humana para servir os interesses do capital é o propósito final das novas tecnologias sob o capitalismo.

O trabalho cognitivo envolvido na produção de bens de conhecimento é, por vezes, considerado diferente do trabalho tradicional, uma vez que produz bens de conhecimento que são bens “imateriais”. Contudo, esse trabalho não é imaterial, pois também envolve o dispêndio de músculos, nervos e cérebro. O conhecimento não surge do nada.

A característica distintiva do trabalho cognitivo reside no facto de a sua contribuição não poder ser compreendida por meio de medidas simplistas de tempo de trabalho empregado. À medida que os processos mentais se tornam relativamente mais importantes na produção de novos valores de uso, a distinção entre tempo de trabalho e tempo livre torna-se cada vez mais ténue. Um designer, um programador de software ou um especialista em IA não podem parar de pensar depois do horário de trabalho. De facto, a aptidão relacionada com esse trabalho é cultivada no tempo livre por meio de um processo separado de pensamento e aprendizagem.

Mais importante ainda, à medida que a intensidade do conhecimento no processo de produção aumenta, cresce a dependência da produção em relação ao “intelecto geral”. O conhecimento torna-se cada vez mais social. Utilizando a internet, é possível aceder a um fluxo infinito de dados e ideias produzidos em todo o mundo. A produção torna-se cada vez mais socializada. As plataformas digitais mediatizam um espaço infinito de interações humanas, que é utilizado na produção de bens de conhecimento.

Contudo, os lucros e rendimentos gerados pela produção de conhecimento são apropriados por uns quantos gigantes da tecnologia que detêm o controlo do enorme fluxo de dados. Recursos como carvão, petróleo, minério de ferro ou outros minerais estão localizados em regiões geográficas específicas, e o controlo sobre esse espaço ou região era suficiente para garantir o monopólio desses recursos. Mas o fluxo de dados é global, o que exige controlo em escala planetária. Consequentemente, a concentração e a centralização de capital atingem níveis sem precedentes na atual fase de desenvolvimento tecnológico.

Rumo a uma nova sociedade

O conhecimento é, por natureza, não rival. Diferencia-se de todos os outros recursos por não se degradar com o uso. O conteúdo de um livro não diminui com a sua leitura. Pelo contrário, o leitor pode acrescentar novas dimensões ao texto existente e interpretá-lo de uma forma que não havia sido considerada inicialmente. Assim, o conhecimento prospera através da partilha e da interação.

As novas tecnologias também dependem de um mecanismo de feedback que incorpora no processo a contribuição dos utilizadores com novos dados. Isto implica uma maior socialização da produção, que transcende as divisões convencionais entre tempo de trabalho e tempo livre. A produção torna-se cada vez mais colaboracional e, em vez de depender de competências individuais, passa a depender mais da apropriação do poder produtivo geral e do conhecimento coletivo.

Além disso, espera-se que a utilização da tecnologia reduza drasticamente a necessidade de mão de obra humana direta. Este é o propósito da tecnologia. Mas reduzir o esforço humano não significa necessariamente reduzir o emprego; apenas garante que a mesma produção possa ser obtida com menos esforço humano direto. Tal mudança deverá, na realidade, reduzir o tempo de trabalho necessário e aumentar o “tempo livre”. O desenvolvimento de uma nova tecnologia mais rápida permite reduzir a jornada de trabalho diária ou o número de dias de trabalho por semana.

Mas isso dificilmente acontece com o uso de novas tecnologias sob o capitalismo. As relações capitalistas geram um resultado completamente diferente: um número menor de trabalhadores trabalharia a mesma quantidade de horas ou até mais, enquanto muitos perderiam os seus empregos.

Isto ocorre porque o capitalista que detém a tecnologia está na corrida para realizar o valor do investimento o mais rápido possível, com o receio de que uma nova geração de tecnologia surja e supere as existentes. Portanto, para extrair o excedente o mais rápido possível, as horas de trabalho dificilmente diminuem, podendo até mesmo aumentar com a introdução de novas tecnologias.

Pelo contrário, se a tecnologia e os recursos forem de propriedade social, o uso do intelecto coletivo não seria subordinado aos interesses restritos do lucro. As horas de trabalho necessárias diminuiriam e o tempo livre dos seres humanos aumentaria. Libertar as tecnologias baseadas no conhecimento da busca pelo lucro privado garantirá um progresso mais rápido dessas tecnologias.

Além disso, a redução do esforço humano direto no processo de produção sob propriedade social não levaria ao desemprego e à miséria da maioria, mas sim a um aumento do tempo livre, o que facilita o poder criativo.

A produção baseada no conhecimento, portanto, é consistente com uma relação de produção que se apoia mais na colaboração e na partilha. Tal sociedade deve preservar a autonomia dos produtores diretos para que decidam democraticamente o que será produzido e o que não será, organizando a distribuição dos ganhos segundo os princípios da solidariedade.

As tecnologias, contudo, não transformam as sociedades. Elas apenas criam a necessidade dessa transformação. A mudança social só pode ser alcançada por meio da alteração radical da relação capitalista baseada na propriedade privada, substituindo-a pela produção e distribuição socializadas, que gradualmente dão origem a uma comunidade de produtores associados que determinam seu próprio futuro.

 

(*) Manuscrits de 1857-1858 («Grundrisse»), tome II, p. 192-193, Éditions Sociales

terça-feira, 2 de junho de 2026

LENA PETROVA ENTREVISTA O PROF. JEFFREY SACHS

World Affairs In Context 


https://www.youtube.com/watch?v=PUyugZqlOYA

O imperialismo dos EUA já perdeu a batalha pela hegemonia mundial.

POVOAMENTO INICIAL DA AMÉRICA: POVO DE ORIGEM REVELADO

... pela sequenciação de dois dentes de crianças que viveram há 31 800 anos


 As migrações dos povos, incluindo das espécies que antecederam o Homo sapiens, estão inscritas (indiretamente) no ADN. Este pode ser sequenciadao e estudado quando são feitas amostragens de ADN retirado de povos contemporâneos. Mais recentemente, a técnica de extração e sequenciação de ADN antigo veio trazer inestimáveis precisões que, não apenas informam sobre as relações entre indivíduos vivendo há milhares de anos, como permitem ligar as populações hoje existentes, com as linhagens de que foram identificadas nos ADN antigos.
Não se deve esquecer que grandes passos foram dados antes das técnicas acima descritas estarem disponíveis para a paleoantropologia: nomeadamente, os trabalhos de Cavalli-Sforza e sua equipa, nos anos 1960 e 1970 conseguiram distribuir mais ou menos todas as populações conhecidas, num Mapa Mundi, sobrepondo os grupos linguísticos com os dados obtidos por marcadores sanguíneos (ABO, Rhesus, etc). Indiretamente, eles estavam a mapear genes e suas derivas e os outros fenómenos de genética populacional, que ocorreram ao longo de muitos séculos nas diversas populações contemporâneas. 
Mas, a utilização do ADN para estudos em grande escala, só veio com a automatização da sequenciação*. Ela torna possível fazerem-se amostragens representativas das populações que se pretende estudar. Tais estudos só  se generalizaram no Séc. XXI. A utilização do ADN antigo é ainda mais recente; só  em 2010 foi publicado um primeiro genoma completo de neandertal.  
Estas técnicas não são «mágicas»; obrigam a uma rigorosa disciplina, desde a colheita dos itens de onde o ADN será extraído, à purificação do ADN e à discriminação entre o ADN contaminante e o genuíno, nos restos em estudo.
Esta técnica é poderosa, mas não isenta de erros, de toda a espécie: Dos artefactos (ou seja, sequências que não estavam no ADN inicial), às interpretações enviesadas de certos dados, por não os terem em conta, ou por serem hipervalorizados. 

O vídeo acima pareceu-me uma interessante atualização sobre os últimos decénios de estudos arqueológicos, paleogenéticos e biogeográficos. Eles permitem estabelecer ligações seguras entre populações ancestrais, nos dois continentes - euroasitático e americano. Estão em foco neste estudo, a Sibéria, o Alasca e a Beríngia.

(*) A origem dos cães também recebeu um decisivo contributo do ADN antigo, veja  AQUI 


segunda-feira, 1 de junho de 2026

Simplesmente humano [OBRAS DE MANUEL BANET]




Quantos sonhos despedaçados

No olhar de crianças, olhar mudo

Esperançado, como ponte humana

Para os outros, no meio da barbárie?


Quantas lágrimas de mães vertidas

Soluços de pais perante a tragédia

Tudo filmado, nada é perdido

Só se perdeu a humanidade


A insistência da propaganda

É o veículo mais perverso

Normaliza a catástrofe

Banaliza o horror


E sorvemos o veneno

Até que alguns de nós

Reproduzem a violência

No inimigo, no irmão


Alegres vão pró matadouro

Como há séculos e séculos!

A Humanidade ainda existe?

Talvez; mas não aprendeu nada!




ERIC SATIE - GNOSSIENNES [Segundas-f. musicais nº60]

 

Desenho do compositor, por Picasso, na capa de uma selecção de obras de Eric Satie

Aos 101 anos da sua morte, Eric Satie continua a ser mal compreendido pelo público, em geral e mesmo pelos críticos musicais. No entanto, como elemento verdadeiramente original dos princípios do século XX, a sua obra guarda enorme interesse e atualidade. Aliás, vários compositores dos séculos 20 e 21, foram influenciados pelas suas obras.




Gnossiennes (completa) nº1 a 7

https://www.youtube.com/watch?v=nfhza_GLKNg&list=RDnfhza_GLKNg&start_radio=1&t=1298s


A música de Eric Satie é especial. É simples na estrutura, subtil no discurso musical e sedutora na sua austeridade... Talvez sejam as razões porque é agora mais popular do que nunca, passados mais de cem anos sobre a sua morte.

As 7 peças das «Gnossiennes» têm um caráter de reflexão pausada. Elas estão na antítese de boa parte da música da sua época, apesar de terem traços comuns à escrita musical de Debussy ou Ravel. A atmosfera que emana das composições de Satie escapa ao encerramento dentro de uma escola, de uma época. 

Ele serve-se de estruturas musicais extra-europeias: Por exemplo, as peças são frequentemente modais, o que não era nada comum, pois a música tonal ainda era a dominante. Recusa-se a fazer modulações que se limitam a ser transposições de uns tons para outros. Por outro lado, a repetição insistente de alguns motivos melódicos, tem um efeito encantatório, hipnótico. 

Curiosamente, ele não se coloca formalmente em ruptura com o passado, como o fizeram, desde o início do Século XX, vários vanguardistas. 

Se há peças musicais que nos ajudam a nos concentrar numa tarefa - a estudar, desenhar, etc - as 'Gnossiennes' são das mais adequadas.

 

sábado, 30 de maio de 2026

A CHINA APELA À REFORMA DA ONU

 

Pequim e Nações do Sul Global Apontam Para Multilateralismo Mais Forte


Ministro dos Negócios Estrangeiros Wang Yi fala com os media a  26 de maio 2026. Foto por: Eduardo Munoz

O Ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, sublinhou que, apesar das recentes falhas, as Nações Unidas permanecem o "corpo legítimo do sistema de segurança multilateral e fundamento para a ordem internacional baseada em regras"

Acentuou a necessidade de fazer reviver a ONU e de a revitalizar com reformas atempadas.

Wang estava falando numa reunião de alto nível no Conselho de Segurança da ONU sobre "defender os propósitos e principios da Carta das Nações Unidas e o fortalecimento de um sistema internacional centrado na ONU", Terça-feira 26 de Maio, na sede da ONU em Nova Iorque.

O encontro foi realizado a pedido da China. Cerca de 20 países participaram na discussão.

O encontro também foi participado pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, que fez notar que o mundo está perante um crescendo de conflitos geopolíticos sem precedente, em que o respeito pela lei internacional está a ser perigosamente diminuído, causando frequentemente uma "paralisia" do Conselho de Segurança.

Wang defendeu que a causa profunda do caos de hoje, não reside num espírito antiquado da ONU, mas antes que a ordem internacional e as normas básicas que regem as relações internacionais - ambas escritas na Carta - não estão a ser guardadas pelas nações poderosas. Ele criticou as ações unilaterais nos domínios militar, económico e político, que são frequentemente levadas a cabo pelos EUA e seus  aliados,  asseverando que estes atos socavam o espírito da Carta, avisando que o tempo de fazer tentativas de domínio unilateral nos assuntos intenacionais, já acabou.

[...]

Artigo completo (em inglês), no site seguinte:

https://www.savageminds.co/p/china-calls-for-un-reform-amid-global

sexta-feira, 29 de maio de 2026

O BIS colaborou com regime nazi, antes e durante 2° Guerra Mundial


 Documentário sobre o Banco de Pagamentos Internacionais (BIS, na sigla inglesa). Esclarece concretamente qual o grau de colaboração, ao nível monetário e financeiro, que os nazis tiveram antes e no decurso da IIª Guerra Mundial, com a colaboração de representantes americanos, ingleses, franceses, belgas, etc. 
Saiba como os nazis conseguiram financiar o esforço de guerra. Como eles puderam, até ao fim, comerciar com nações neutras (por exemplo, Portugal). 
A Alemanha nazi utilizou - para adquirir divisas e fazer pagamentos internacionais - o ouro roubado aos bancos centrais dos países invadidos, tal como o ouro roubado aos judeus.  
Esse ouro estava armazenado em Basileia (Suíça) na sede do BIS e era cambiado por divisas, sempre que tal operação era solicitada pelos representantes do regime nazi.


Relacionado : 
https://youtu.be/vaLK-fEhlhg?is=hw1c5x6fSHge6XCM