sexta-feira, 23 de outubro de 2026

FAUNA CÂMBRICA REAVALIADA









 Os cientistas, aqui os paleontólogos, enganam-se muitas vezes. Mais cedo ou mais tarde, alguém (alguma outra equipa) dá conta do erro e publica um artigo corrigindo o que estava mal interpretado. 

Nenhuma pessoa que tenha praticado ciência tem a pretensão de suas conclusões serem infalíveis. 
Este documentário muito interessante, sobre a fauna do Câmbrico, também é uma boa ilustração de como é fácil, nos domínios científicos, ser arrastado para falsas conclusões.

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

ESTAREMOS NA VÉSPERA DA EXTINÇÃO EM MASSA ... DO CAPITAL?



 Sim, o capital pode extinguir-se. Não apenas o capital fictício ou financeiro, também o capital que se traduz em empresas, edifícios públicos (1), etc...

A loucura, ou hubris, que atinge a oligarquia mundial, arrastando um número considerável de papalvos da classe média dos países ocidentais, vai ser «a mãe dos rebentamentos das bolhas». Lembram-se das empresas fictícias (as «dot.com»), colocadas nas bolsas mundiais, sob pretexto falacioso da Internet vir aí e mudar radicalmente, não apenas o mercado de trabalho, mas a própria vida? Onde estiver «dot.com» coloque-se «IA» e terá uma imagem, mas para esta ser calibrada, terá de multiplicar pelo menos por 100 os capitais investidos que irão evaporar-se no éter, quando a bolha estourar.

Não acredito que os super-oligarcas que dirigem esta operação sejam completamente estúpidos. Além do mais, terão - com certeza - engenheiros, cientistas, economistas e outros peritos, que os aconselham em  permanência. O entusiasmo dos governos em facilitar a instalação de data centers, ao ponto de fazer periclitar outros investimentos públicos, depredando as populações vizinhas destes monstros, duma rede eléctrica minimamente confiável, pior ainda, DE CORTES DE ÁGUA, como só experimentavam, até agora, as populações dos países ex-coloniais... 

Esse entusiasmo tem de ter uma explicação racional. Ora, dizer que são estúpidos, ou que não se importam nada com os seus súbditos, não é explicação nenhuma. 

Claro que os grandes centros ditos «Data Centers» são óptimos para recolher, armazenar, catalogar e processar dados. Numa sociedade em que os súbditos estão (legitimamente) revoltados com a descida vertiginosa do nível de vida, será previsível que os «democráticos» governos do ocidente utilizem todo o arsenal de polícias-robotcops, de meios repressivos a todos os níveis, sobretudo de vigilância global, constante... É para isso que servirão os «Data Centers»: O modelo do Estado totalitário do século XXI.  

No Ocidente, a possibilidade de recuperar o investimento em IA efetuado pelas empresas tecnológicas,  é remota. Isso significa que é o público que irá cobrir o défice com os seus impostos. Pelo contrário, na China, a «revolução da IA» está a ser pilotada a partir do centro do poder. Não há nenhum perigo de «descarrilar»; verifica-se a execução de uma  planificação.  No centro da hierarquia do PCCh, muitos são engenheiros, cientistas. Isto contrasta com os advogados e politólogos que enxameiam as administrações dos países do G7, em particular dos EUA.  

Não era preciso a bolha da IA para a economia ocidental descarrilar e colapsar. Bastavam as guerras causadas pelo imperialismo. A guerra de agressão contra o Irão, que retirou uma parte significativa dos combustíveis fósseis do mercado. Bastava o investimento demente em armas, que terão como única finalidade destruir pessoas e capital nos países considerados inimigos.

Mas, para qualquer problema, as luminárias que nos governam pensam sempre que a solução é «jogar a dobrar», ou seja, agravando ainda mais o que provocou o problema...

A Europa dos excluídos está a acordar. As «elites» do dinheiro e do poder, se julgam que a situação se resolve com «duplicar a dose» de repressão, estão realmente a acelerar a descida para o caos.

Não sei como nem quando, mas talvez a morte do sistema venha aí, sem que a maior parte das pessoas se aperceba, pelo menos, no princípio. Quando a ilusão se desfaz, não há maneira de a reconstituir.  Que seja o início do fim deste sistema iníquo.

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(1) A destruição do capital físico ocorre sobretudo nas guerras: Os detentores dos meios de produção preferem isso, porque depois da fase de destruição, eles conseguem arrancar para novo ciclo, onde obtêm taxas de crescimento e de lucro muito mais elevadas...

OS PONTOS DO GLOBO ONDE É MAIS PROVÁVEL QUE REBENTEM GUERRAS


 

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

A MENTIRA DOS "VALORES OCIDENTAIS"

 


autor do best-seller 

«One Day, Everyone Will Have Always Been Against This. »

terça-feira, 20 de outubro de 2026

PROTESTOS CONTRA AUSTERIDADE EM FRANÇA. (por Ana Vračar)

 


Transcrevo o artigo de Ana Vracar, que nos dá uma perspectiva sobre os acontecimentos, que reforça a ideia de provocação da própria atuação policial de extrema rudeza e indiscriminada, a receita exata para atiçar mais os manifestantes. Este comportamento dos corpos policiais é de tal maneira «desastrado» que vários elementos da polícia contestaram as directivas «dúbias» dos seus superiores. 

Não seria impossível  que o impopularíssimo presidente Macron faça uso dos seus poderes em decretar o estado de sítio, para anular as eleições, sob pretexto de clima de guerra civil. Na realidade, a «guerra civil» tem sido o que o próprio poder presidencial e a máquina que o apoia têm usado com frequência. É uma tática bem conhecida; os poderes autocráticos usam-na como pretexto para desencadear uma repressão feroz. 

Manuel Banet

A protester dressed as Jesus Christ and holding a mock gas station dispenser walks past a burning car at the Place de Republique in Paris on 17 October. Photo credit: Jack Taylor

Mass mobilisations against austerity policies and their effects are not winding down in France. On Saturday, 17 October, roughly 800,000 people joined protests across more than 1,700 assembly points, according to union figures—amplifying demands tabled over a month of student protests and demanding urgent action on the cost of living crisis.

In the aftermath of the protests, the government expanded local authorities’ powers to introduce curfews. This led to overnight movement limitation orders introduced in several cities, including central parts of Paris, Lille, Lyon, and Nice. Many of the curfews target young people in particular, reflecting institutional concern about the success of their recent mobilisations.

Over the past weeks, students launched a wave of school strikes and occupations, resisting the erosion of education services under successive neoliberal governments. Their movement drew support from trade unions and progressive political forces, who joined students on the streets to pressure the Lecornu administration to change course and prioritise public services and labour rights over armament.

Rallies and marches reinforced the student movement’s demands for accessible, equitable higher education, alongside trade unions’ calls for higher wages.

They also drew links to other historic moments of mobilisation, including the struggle for Algeria’s liberation. Many groups taking part echoed the anniversary of the 1961 demonstration that ended in the massacre of hundreds of people protesting for independence.

Police violence continues.

Teachers, families, and elected officials also joined, for a practical reason: to shield students from the law enforcement violence unleashed on their mobilisation.

Saturday’s protests were again met with police violence, with officers relying—unsuccessfully—on tear gas and water cannons to disperse crowds. Serious injuries and cases of severe police brutality were reported throughout the day.

After repeated repression, and with neither the government nor President Emmanuel Macron offering credible solutions to protesters’ grievances, protests turned into riots. While those close to social movements emphasised the events were triggered by years of cuts and unimpeded attacks on workers’ rights, the middle and upper classes were indignant.

Macron channelled their reaction in his post-protest speech. He declared those responsible for the looting must be punished, while promising more “dialogue” and offering a mild acknowledgement of people’s concerns over fuel, food, and other essentials.

“There are people out there who rightfully feel that the price of fuel is too high,” the president said—before shifting responsibility elsewhere. He said rising prices were the result “of what is happening in the Persian Gulf—a war that France was not part of.”

The speech landed poorly at home and abroad. The Iranian government, for one, has repeatedly called out Macron for applying double standards between protests in West Asia and France, emphasising that the French president had expressed support for US plans in Iran and that ongoing mobilisations were a logical outcome of the policies he endorsed.

Protesters hold the French flag and the Palestinian flag as they stand on the statue of the Place de la République in Paris as part of nationwide protests on 17 October. Photo credit: Jack Taylor

Students reject Macron’s response.

In France, protesters called out Macron for failing—yet again—to identify a concrete way out of the situation facing the country.

“Since the beginning of this movement, high school and university students have been met with nothing but contempt and police batons in response to their demands,” the university students’ union Union Étudiante wrote. “Yet we have put forward a clear set of demands, widely supported by everyone who took to the streets on 17 October.”

“He did not utter a single word about the high school and university students maimed in the crackdown,” the organisation added. “He said nothing at all about the real violence committed on Saturday,” referring to approximately 2,300 arrests made on that day alone—and dozens of young people who were seriously injured over the past weeks.

“It is not a matter of engaging in endless dialogue but of responding concretely to the needs of high school and university students: income, housing, food services, healthcare, study conditions, access to degrees, and an end to repression.”

Lecornu attempts to blame left for chaos.

Prime Minister Sébastien Lecornu’s reaction to the protests drew an equally negative response from progressive forces, especially after he suggested left movements were responsible for chaos and violence.

“What a pathetic politician,” wrote presidential candidate Jean-Luc Mélenchon. “He is responsible for the chaos—chaos he methodically prepared, whether through sheer incompetence or a deliberate ‘strategy of the worst’ aimed at conjuring up a ‘party of order’ that would make people forget his failure on the public finances.”


domingo, 18 de outubro de 2026

CONFIRMA-SE: A BOLHA DA «IA» JÁ COMEÇOU A REBENTAR









A indústria de IA atingiu um ponto de não-retorno. É como um esquema de Ponzi «ao contrário». No esquema de Ponzi clássico, a atração constante de novos investidores vai permitir que os juros altos se sustentem, enquanto as pessoas acreditarem no esquema. Mas, no caso da IA, não existem retornos, não há lucros gerados das somas colossais investidas. As pessoas acabaram por duvidar seriamente das promessas de grandes retornos quando, mesmo os iniciadores desta indústria são incapazes de obter lucros a partir de seus investimentos maciços. 
A ilusão ou hipnose da IA pode estar a desaparecer, mas algo vai ficar: Os monstruosos 'Data Centers", que servirão aos Estados para organizarem uma sociedade de vigilância total, como novo sistema "panóptico".
 
Algo de muito assustador se perfila: A aliança íntima do poder de Estado, com os grandes magnates. Neste caso, o Estado estaria disponível para financiar e mesmo até  nacionalizar empresas de IA, para que estas se tornem um novo «braço armado tecnológico» ao serviço do Estado e do capital. 
Os oligarcas das tecnológicas serão indemnizados dos investimentos não lucrativos; os pequenos e médios investidores, que apostaram na miragem da IA, ficam com as perdas. E os contribuintes também, claro: A estes, o Estado vai buscar uma grossa fatia dos impostos, para cobrir as despesas com a IA, para financiar o dispositivo de vigilância generalizado ... ironia macabra!

Na media corporativa, ninguém vos esclarece sobre isto. As grandes cadeias de media estão ao serviço das grandes corporações e da «big tech». Estes gigantes da tecnologia aliaram-se aos governos mais poderosos, nomeadamente ao governo de Trump, para ajudar a instalar o «Technate».


 ... ou seja, o tecno-feudalismo(*): Obtêm assim o controlo do hemisfério Ocidental, monopolizando recursos, população e mercados. Tudo isto em exclusivo. 

Mas, para tal, têm de inflar a grande bolha da IA. Têm de hipertrofiar a imagem do poderio e do alcance da IA, para que as pessoas se convençam de que seria fútil tentar escapar, por qualquer meio.

Por outro lado, a IA ao receber uma enorme fatia dos capitais disponíveis para investimento, tem estado a provocar a agudização das contradições internas, o que está a intensificar a crise do capital. Os interesses colectivos - incluindo vários sectores capitalistas - são preteridos pelos interesses individuais dos bilionários de IA e tecnologias associadas. Concretamente, verifica-se que sectores indispensáveis ao funcionamento da sociedade capitalista  estão a ser afetados seriamente, porque deixaram de ter acesso - ou com acesso mais difícil, ou mais caro - a energia, água e financiamento.

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(*) O tecno-feudalismo não é mais, na essência,  que um capitalismo que atingiu a máxima concentração monopolística. Neste regime, não apenas deixa de existir concorrência entre empresas, como o Estado fica inteiramente submetido aos grandes grupos privados. Deixou de ser um sistema capitalista clássico,  onde as empresas se digladiam no mercado, em concorrência para captar a clientela. No tecno-feudalismo não há  mercado, não  há concorrência e não há escolha para os servos. 

É uma nova distopia, porém muito semelhante ao mais sombrio do período soviético. A transformação acima descrita, vai se aproximando de regimes totalitários passados, com a diferença de que agora, a casta do topo é exclusivamente formada por bilionários .


RELACIONADO:


https://youtu.be/DB6aIqDyLms?si=-FYQPHS4CXLhQGs1


https://youtu.be/4xvn_NuiiXs?si=SbAd9ssLZEZoxENn


https://youtu.be/tuEznqo8Ltw?si=7YOGamvOIuC-VCH0


https://youtu.be/Lf5oqGOCRCM?si=ZlB7DOFOIbGOmG_q


https://youtu.be/oGCb9gGBBrw?is=F5HQ9KZNrb42aAHw


https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2026/04/bolha-de-ia-prestes-rebentar.html


https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2025/01/a-revolucao-tecnologica-de-deepseek-o.html