- Estamos em guerra, é a IIIª Guerra Mundial.
- Esta evidência, infelizmente, toda a gente a tem, hoje. Porém, eu já tinha esta noção de que estávamos numa IIIª Guerra Mundial, desde 1999 e do ataque da OTAN (ilegal face a Lei Internacional), à Sérvia; a chamada guerra do Kosovo.
A quantidade de «palcos» de confronto violento multiplicaram-se, é impressionante. A maioria concentra-se no Médio Oriente. Muitas guerras atuais estão no prolongamento de guerras que já vêm do século XX (e algumas, desde o final da 1ª Guerra Mundial).
O que os ocidentais têm tido como «desenvolvimento», não é senão a continuidade da exploração colonial, e depois ex-colonial. Claro que as pessoas que beneficiam de uma situação de abundância e privilégio vão dizer que se deve ao seu mérito próprio. Os ocidentais pensam-se como civilização superior, com um nível de desenvolvimento maior que as outras partes do globo. Mas isto é falso, duplamente:
- A maneira como podemos medir o grau de civilização, é antes de mais, o modo como os cidadãos de um determinado espaço civilizacional reagem em defesa dos valores da civilização onde estão banhados. Os ocidentais pretendem ser democráticos e viver em democracias, mas logo que algo se torne menos confortável para eles, abandonam na prática os princípios democráticos. Logo que se verifica uma corrente emancipatória dos oprimidos doutras partes do globo ou mesmo, de seu próprio país, deixa de haver democracia.
A repressão feroz a movimentos emancipatórios de ex-colónias, em África, na Ásia e na América Central e do Sul, mostrou a «democracia» deles. Igualmente, em relação à classe operária, às pessoas em rutura política nos sistemas ditos democráticos, verificaram-se episódios de uma violência inultrapassável.
Os sucessivos crimes contra a humanidade da parte do governo sionista de Israel tiveram o aplauso de muitos e o silêncio envergonhado de outros. O mesmo se está a passar hoje, com o Líbano e com o Irão.
Outra medida do estádio civilizacional é a procura do entendimento em relação às ideias, aos costumes, ao modo de ser e pensar dos outros. Porém, na sociedade ocidental atual, não existe qualquer tolerância para outras etnias, outras culturas, outros modos de estar. Quanto muito, existe um modo de condescendência em relação às formas de cultura dos «não-ocidentais», um reflexo do colonialismo: O civilizado ignora as formas artísticas, filosóficas e científicas de outras culturas, não as percebe nem tenta, ele ignora as histórias das sociedades respectivas.
O nacionalismo tornou-se a forma estereotipada de rejeição do outro. Esta visão foi incutida pelos elementos mais retrógados e opressores das classes oligáriquias ocidentais, como forma de impedir qualquer solidariedade entre povos coloniais ou ex-coloniais e os povos que foram, num certo momento histórico, seus colonizadores. Este racismo e colonialismo das mentalidades ocidentais, permite que a oligarquia desvie de si própria a raiva e frustração dos explorados. Canaliza esse ódio em direção a outros povos, sobretudo aos emigrantes.
A natureza da guerra mundial é um processo contínuo de aumento de tensões, provocações e das várias formas de guerra : Económica, com as sanções, ou a subversão dos países inimigos ou ainda, o isolamento diplomático, o bloqueio e, por fim, guerra dita «cinética»
A lenta mas inexorável erosão das liberdades dentro dos países que se afirmam como «democracias» acompanha a marcha em direção à guerra. O empobrecimento das populações, a diminuição drástica dos orçamentos sociais dos Estados, vai de par com o reforço - em efetivos e em equipamentos - das forças policiais, em prevenção de prováveis insurreições.
Tudo é feito para intimidar as pessoas. São arbitrariamente perseguidas pessoas que tiveram a coragem de denunciar as derivas autoritárias, sem terem no entanto feito nada contra as leis, apenas exercendo seus direitos à livre palavra, ao pensamento crítico. As leis e comportamentos dos Estados também vão sendo transformadas com vista a obter um controlo social total.
O totalitarismo não se instaura, necessariamente, num golpe de Estado, numa subversão brusca da ordem constitucional. Existem bastantes exemplos que mostram o deslisar de Estados, que aparentam ser democráticos, em Estados onde a democracia verdadeira desapareceu, ou seja, restam leis e constituições democráticas, sem qualquer relação com a realidade, pois estão constantemente a ser pisadas pelas próprias entidades que tinham como dever defendê-las.
A inadequação das pessoas e organizações para enfrentar e combater este «fascismo deslizante» é trágica: Ela configura uma incapacidade dos líderes em verem o presente tal como ele é. Alguns estarão imbuídos de modelos históricos que os impedem de captar o que a situação tem de inédito.
É preciso e urgente uma viragem, para uma nova visão da política e construir uma organização flexível, para combater o autoritarismo que abafa e acaba por estrangular os elementos de democracia ainda presentes nas nossas sociedades. Sem auto-censura, nem anátemas, deve-se agrupar, de forma ampla, as pessoas, as forças sociais e políticas, realmente interessadas em impedir que um regime autoritário se instale.