TATYANA RYZHKOVA interpreta na guitarra «Libertango» de Astor Piazzolla
OUTRA OBRA-PRIMA DE ASTOR PIAZZOLLA: Soledad
Reflexão pessoal, com ênfase na criação e crítica
TATYANA RYZHKOVA interpreta na guitarra «Libertango» de Astor Piazzolla
OUTRA OBRA-PRIMA DE ASTOR PIAZZOLLA: Soledad
...E por falar em maresia
Veio-me à memória
Uma melodia
Do noctívago fado
Era outro o tempo
Outras as esperanças
Corações em sincronia
Batiam o ritmo
Mas o que resta agora
A memória esvai-se
Como quem, caído
Na praia morre
Foram brilhantes
Os anos de vida
Que vivi contigo
São meu tesouro
As recordações
Ajudam a viver
E a morrer
Com dignidade
São o teu rosto
A tua voz suave
A companheira
No naufrágio
Este barco da vida
Seria uma jangada
Desconjuntada
Sem o teu amor
É eternidade
O instante
Em que estamos
Nunca se desfaz
És tu que dás cor
À Natureza; tu que
Desfias palavras
Música ao meu ouvido
Tenho de dar graças
A Deus por tudo
O que aconteceu
Se foi para te encontrar
Tranquilo, posso
Morrer no instante
Em que for chamado
Para o novo viver
Porque me deste
Tua alegria tranquila
De ser por ti amado
E todo eu te amar
UM SÉRIO AVISO ...
Este é o volume II da recolha de proso-poemas e música «NO PAÍS DOS SONHOS»
Consultar o volume I em :
Este é um sonho que preferia não ter. Preferia um vazio, um manto branco, ocultando todas as imagens terríveis que passam diante dos meus olhos fechados.
Estas imagens, não as podemos ocultar, porque são o cinema interior que o nosso cérebro produz. De tal maneira nos implica, que ficamos exaustos, esgotados, trementes e gélidos, mas nada podemos fazer.
Nada nos pode afastar daquela caminhada rítmica, compassada, obsessiva, dos Montagus e Capuletos. Vejo que se dispõem numa dança hierática, macabra, pois já se sabe que não haverá quartel; será que irei presenciar o desencadear do ódio hereditário, da «vendetta», entre as duas casas aristocráticas?
Não, a música é essa mesma, da Suite de Prokofiev, porém o contexto é outro. É bem mais real, mais assustador, por isso mesmo. Aqui, neste sonho, não estamos no teatro, estamos numa rua qualquer duma cidade banal, no Século XXI.
A civilização ruiu, só restam bandos de assassinos desapiedados, que ditam a sua lei. Não há lugar para o amor, ou para qualquer sentimento humano. Em breve, será a matança. Os olhos, de ambos os lados, estão injetados de sangue. Se não estás num dos campos, então, és inimigo a abater; este é o cálculo feito por qualquer um dos lados.
Na vida do sonho, como na vida real, não me alinharei jamais com um dos campos de bandidos que se digladiam, para impor a sua lei às gentes. As pessoas comuns são como as presas das aves de rapina: Movem-se, sem saber que, dentro de instantes, vão ser atacadas, feridas, liquidadas e devoradas.
Esta dança obsessiva tem a altivez brutal da fatalidade que avança. Tem o peso inexorável do destino em cada nota. Depois de acordar, interpretei este sonho como premonitório da nova era trágica em que estamos a entrar; como em 1940, o ano da estreia da obra-prima de Prokofiev.
Posted by Manuel Baptista at 29.7.22
Algures numa planície, caminhava no meio de prados e de campos de trigo. O coração como que lhe saltava da caixa - de emoção - mas não sabia porquê.
A pouco e pouco, foi vendo a linha diáfana do horizonte e do dia a nascer. Parecia que tudo se ia tornar claro.
Porém, a claridade tão desejada não lhe trouxe senão os silvos das balas e o estrondo dos canhões.
A mortífera guerra civil era o cenário no qual estava marchando novamente, com os seus companheiros. Marchavam ao encontro dos do outro lado, que faziam exactamente como ele.
Sentiriam eles o mesmo que ele? Certamente!
Todos sabiam que este morticínio entre irmãos era a maior estupidez e acto criminoso, que se podia conceber. Mas, ele não tinha coragem para desertar. A probabilidade de ser apanhado era alta. Isso equivalia a morrer e da pior forma.
Mas, depois de ter visto o que a guerra realmente era, a única vitória que almejava era a da Paz. Era essa, somente, a esperança de sobreviver, de regressar para junto dos seus, de participar na reconstrução da casa, longe dos campos de batalha, para onde o arrastaram.
Acabou por acordar, rememorando o que sonhara antes: então, inventou nova versão do «Battle Hymn Of The Republic», com flauta e tantos outros instrumentos, mas sem letra: um Novo Hino... um hino à Paz e ao que nos une, humanos de todas as raças e crenças.