terça-feira, 29 de setembro de 2026

JEAN BRICMONT : PERMANECER EM SILÊNCIO

Se não conseguimos inflectir as violências dos nossos próprios governos, que sentido tem condenarmos as reacções violentas dos Estados ou movimentos que foram atacados por eles? pergunta Jean Bricmont.

Na fronteira Tunísia-Líbia, milhares de pessoas tentam fugir da Líbia, momentos antes da 'intervenção humanitária' da OTAN, a 2 de Março 2011. (U.N. Photo/UNHCR/Alexis Duclos)

By Jean Bricmont
Special to Consortium News 

https://consortiumnews.com/2026/09/25/remaining-silent/






Não sou palestino, libanês ou iraniano; não falo árabe, nem sou muçulmano.

Vivi toda a minha vida na Europa e nos Estados Unidos, onde sei que quase todos — mesmo aqueles que afirmam estar em “solidariedade com a Palestina” — começam qualquer crítica a Israel ou ao seu governo “condenando” o Hamas, o Hezbollah ou o “regime dos aiatolás”.

Pretendo explicar por que nunca concordo com tais condenações.

Não é porque eu apoie esses movimentos ou seus métodos; considero a retórica de apoio quase tão fútil quanto a de condenação. A única posição moral válida — que vai além da mera demonstração de virtude — deve derivar de uma análise lúcida da nossa posição (como ocidentais) no mundo e da dinâmica de poder real em jogo.

Nossa posição é simples de descrever: os Estados Unidos, juntamente com seus "aliados" europeus, têm enorme responsabilidade pelos desastres no Oriente Médio — desde a criação do Estado de Israel no pós-guerra e a expulsão em massa de palestinos até a derrubada de Mossadegh, no Irã, em 1953; duas guerras contra o Iraque; décadas de sanções contra o Iraque, a Síria e o Irã; apoio aos massacres sauditas no Iêmen e aos perpetrados por Israel em Gaza, na Cisjordânia e no Líbano; bem como múltiplas intervenções no Líbano e, hoje, um ataque maciço e não provocado contra o Irã.


Palestinos deslocados retornando à Gaza bombardeada e ao norte pela Rua Al-Rasheed, atravessando a ponte sobre o estuário do Wadi Gaza, 28 de janeiro de 2025. (Ashraf Amra – Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo/ Wikimedia Commons/ CC BY-SA 3.0)

É claro que os cidadãos ocidentais comuns não precisam se sentir culpados por políticas que não escolheram — visto que a política externa raramente é debatida em democracias e tem pouco peso nas eleições —, mas as atitudes políticas dos cidadãos ocidentais não podem simplesmente ignorar essas realidades históricas.

Se somos incapazes de conter a violência de nossos próprios governos — sobre os quais poderíamos, em princípio, exercer influência — que sentido faz condenar as reações violentas dos estados ou movimentos que eles atacam?

Os líderes desses estados ou movimentos mal sabem que nossos movimentos cidadãos “críticos” sequer existem; e se soubessem, não se importariam minimamente com nossas opiniões ou críticas, por mais moral ou taticamente corretas que sejam.

Tudo o que esperam de nós é que contenhamos a violência de nossos governos — e se não conseguirmos fazer isso, devemos simplesmente ficar em silêncio.

Na verdade, essa obsessão em denunciar os crimes de inimigos oficiais sempre existiu, mas intensificou-se enormemente no final da Guerra do Vietnã. Essa guerra terminou com uma derrota militar espetacular para os Estados Unidos e uma perda de prestígio moral devido às atrocidades cometidas durante o conflito.

Contudo, as tragédias envolvendo os "refugiados em barcos" — e, ainda mais, as atrocidades cometidas pelo Khmer Vermelho no vizinho Camboja — proporcionaram uma oportunidade de ouro para os defensores do imperialismo americano.

Eles se concentraram nessas tragédias para culpar o movimento pacifista estadunidense, agindo como se este fosse responsável pela situação, embora a repressão no Vietnã que levou os "refugiados em barcos" a fugir fosse inevitável — tal repressão contra colaboradores ocorre no final de todas as guerras.

Além disso, era perfeitamente racional que alguns fugissem como refugiados políticos do que era, na realidade, uma catástrofe econômica causada pela guerra.

Quanto ao Camboja, foram os Estados Unidos que arrastaram o país para o conflito em primeiro lugar, ao substituir o rei Sihanouk, em grande parte neutralista, pelo ditador Lon Nol — uma medida que, combinada com as campanhas maciças de bombardeio americanas, apenas fortaleceu o Khmer Vermelho.

Ademais, durante o colapso final, os EUA cortaram toda a ajuda alimentar ao Camboja; a capital estava repleta de camponeses que haviam fugido dos bombardeios e dependiam dessa ajuda para sua própria sobrevivência. 


Crânios das vítimas da ocupação do Camboja pelo Khmer Vermelho no memorial do Campo de Extermínio de Choeung Ek, Phnom Penh, Camboja, 2012 (istolethetv, Creative Commons Attribution 2.0). 

Isso deu origem à ideologia do “direito à intervenção humanitária” — a noção de que as nações ocidentais têm o direito, ou mesmo o dever, de intervir (inclusive militarmente e em desafio ao direito internacional) em países que “violam os direitos humanos”. Essa ideologia substituiu em parte a luta contra o comunismo — muitas vezes apoiando ditadores — que anteriormente justificava as ações dos EUA, mas que levou ao desastre no Vietnã. Essa ideologia desencadeou um verdadeiro tsunami no pensamento ocidental — particularmente na esquerda, pois permitiu que esta adotasse uma postura aparentemente dissidente (sempre se pode acusar os que detêm o poder de não fazerem o suficiente pelos direitos humanos se demonstrarem cautela ou realismo), que, no entanto, era perfeitamente compatível com os objetivos gerais do imperialismo: enfraquecer os países que resistem à hegemonia americana por meio de subversão interna e sanções externas. A completa hipocrisia dessa ideologia foi rapidamente exposta quando os vietnamitas derrubaram o Khmer Vermelho em 1979, em uma operação que foi verdadeiramente humanitária — em seus efeitos, se não em suas intenções. Essa intervenção foi imediata e unanimemente condenada pelos mesmos países que viriam a se autoproclamar a “comunidade internacional” e que acabavam de arrogar para si — e somente para si — o direito à intervenção humanitária.
Contudo, isso não impediu que a ideologia se tornasse dominante, abrindo caminho para justificar a guerra flagrantemente ilegal contra a Iugoslávia em 1999, bem como a guerra contra a Líbia em 2011.

Este último conflito foi desencadeado depois que o desastre da Guerra do Iraque se tornou flagrantemente óbvio; tal como a guerra no Iraque, a intervenção na Líbia causou estragos dentro do país e em toda a região vizinha do Sahel.

Mesmo em conflitos não travados por razões humanitárias — como as guerras no Afeganistão (2001) e no Iraque (2003) — a ideologia do “direito de intervenção” manifestou-se na esquerda ocidental (mesmo entre autoproclamados pacifistas) através de slogans do tipo “nem Bush nem o Talibã, nem Bush nem Saddam”.

Depois veio a Ucrânia: enquanto houve apoio quase total a uma intervenção da OTAN para proteger a população kosovar que buscava a independência da Sérvia em 1999, a intervenção da Rússia em 2022 para proteger as populações russas no leste da Ucrânia foi universalmente condenada.

Contudo, as situações não são tão diferentes: os ucranianos do Donbas se insurgiram contra um governo em Kiev que emergiu de um golpe de Estado em 2014 apoiado pelos Estados Unidos e pela Alemanha — um governo profundamente anti-Rússia, ou seja, hostil à parcela russa da população no leste do país, região que fora arbitrariamente anexada à Ucrânia durante a criação da URSS em 1922.

A principal diferença entre essas duas situações é que, ao longo de oito anos (de 2014 a 2022), a Rússia esperava — em vão — garantir um acordo negociado, enquanto a OTAN bombardeou a Sérvia após um processo de negociação fraudulento em Rambouillet, que, na prática, exigia a capitulação da Iugoslávia.

O cenário líbio se repetiu — embora por um período mais longo — na Síria, onde, sem intervenção direta do Ocidente, o apoio maciço aos “rebeldes” por parte dos Estados Unidos, das nações europeias e dos estados do Golfo permitiu que eles tomassem o poder no final de 2024.

A história dirá se isso foi bom ou ruim para o povo sírio, mas o que é certo é que essa mudança de regime foi aplaudida no Ocidente (mesmo que o atual líder sírio tivesse sido previamente designado terrorista pelos Estados Unidos) e particularmente em um estado vizinho, Israel, que aproveitou a oportunidade para expandir sua ocupação ilegal do país.

Em seguida, veio Gaza.


Ruínas de Beit Lahia na Faixa de Gaza, destruídas por bombardeios israelenses, 23 de fevereiro de 2025. (Jaber Jehad Badwan / Wikimedia Commons/ CC BY-SA 4.0)

Inicialmente, a “única democracia no Oriente Médio” desfrutou do mesmo tipo de apoio que os Estados Unidos receberam após o 11 de setembro — simpatia pelas vítimas inocentes de terroristas bárbaros.

A história, os abusos passados, os bloqueios e outros eventos semelhantes foram completamente esquecidos. O Hamas foi retratado como um demônio maligno surgido de uma caixa — um efeito sem causa — e a simples menção da história da Faixa de Gaza ou da Palestina rotulava alguém como apologista do terrorismo, uma posição frequentemente sujeita a processos criminais na Europa.

A mensagem transmitida por essa simpatia a Israel — muito semelhante à enviada aos Estados Unidos em 2001 — era de que “vale tudo”.

Contudo, assim como a interpretação quase literal dessa mensagem pelos Estados Unidos no Afeganistão e no Iraque acabou levando à sua perda de credibilidade, a pura barbárie do ataque israelense a Gaza provocou uma onda de indignação global. Sem se deixar intimidar por essa reação, Israel intensificou sua agressão no Líbano e na Cisjordânia.

Para piorar a situação, veio o ataque ao Irã.

A Insensatez da Aventura Iraniana:


O funeral, em 3 de março de 2026, das vítimas do ataque americano-israelense à escola primária Shajareh Tayyebeh, em Minab, Irã. (Agência de Notícias Tasnim/ Wikimedia Commons/ CC BY 4.0)

Após os protestos de janeiro (que estavam longe de ser espontâneos), a expectativa era de que, ao decapitar a liderança do país — e matar muitas crianças no processo — o “regime” (como o Ocidente o chama) entraria em colapso.

Aqui, porém, a aliança EUA-Israel cometeu um erro semelhante ao de Hitler em junho de 1941. Tendo conquistado quase toda a Europa, ele estava convencido de que a URSS ruiria como um castelo de cartas.

Afinal, era exatamente isso que a propaganda anticomunista que ele e seu círculo íntimo haviam escutado ao longo dos anos o levara a acreditar. Quando a guerra não saiu como planejado, ele explicou a seu aliado Carl Gustav Mannerheim — o líder finlandês da época — o quão surpreso estava com a capacidade de resistência soviética.

Não sei o que se diz no Pentágono, mas é provável que sentimentos semelhantes prevaleçam lá em relação ao resultado do ataque ao Irã. E, dado que este ataque foi claramente motivado pela pressão israelense e pelas ilusões que propagaram, é também provável que — mesmo que não o digam publicamente — muitos generais americanos estejam amaldiçoando seu “aliado indispensável”.

Como se isso não bastasse, a crescente influência da China e dos BRICS, as dificuldades enfrentadas pelos sauditas contra os iemenitas — juntamente com a resistência iraniana, libanesa e palestina — sugerem que a era do “imperialismo humanitário”, do direito à intervenção unilateral e do desrespeito ao direito internacional (que surgiu após a Guerra do Vietnã) está chegando ao fim.

O custo humano deste período de imperialismo humanitário fora do Ocidente é assustador: segundo a revista médica britânica The Lancet, 38 milhões de pessoas morreram em consequência das políticas de sanções impostas pelos Estados Unidos e seus aliados ao resto do mundo — muitas vezes por razões “humanitárias”.

O Ocidente encontra-se numa encruzilhada: ou tenta manter a hegemonia a todo custo, ou aceita a realidade de um mundo baseado não em regras autodefinidas, mas nos princípios do direito internacional — ou seja, a igualdade soberana de todos os Estados e a não interferência nos assuntos internos de outras nações.

Se optarmos pela segunda opção (a única viável a longo prazo), então — longe de a condenarmos — devemos agradecer a resistência dos povos do Médio Oriente, que se mantiveram firmes contra um imperialismo que a nossa “esquerda” tentou, em grande medida, justificar apenas com sofismas humanitários.

Jean Bricmont é professor de física teórica na Universidade Católica de Lovaina (Bélgica) e autor de inúmeros artigos e livros, incluindo "Imperialismo Humanitário", "A República dos Censores" e "Absurdos da Moda" (com Alan Sokal).

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

MÚSICA & POESIA EM PARIS [Segundas-f. Musicais, nº77]



A poesia é música, celebremos pois os poetas que enobreceram a língua francesa e estão associados, em muitos aspectos, à cidade de Paris. 
Muitas outras cidades de França e do Mundo têm suas histórias entrelaçadas com personagens literárias e poéticas. Nisso, Paris não é excepção. 
O que a caracteriza como excepcional, é ligação dos poetas a Paris, através do universo da canção.


A CANÇÃO PARISIENSE

 Desde François Villon (c. 1431 - após 1463), até aos cantores-autores dos séculos XX e XXI, foram postos em música inúmeros poemas que, de forma directa ou indirecta, evocam Paris. Mesmo quando não seja de modo explícito, a canção parisiense tem o jeito de nos evocar locais e cenas parisienses.
Por isso, Paris estará sempre entre as mais belas e musicais metrópoles do planeta.



                         https://www.youtube.com/watch?v=GG-n8fd2kWk&t=122s


OS POETAS MALDITOS 

Estamos «programados» para celebrar poetas dos séculos anteriores, mesmo conhecendo os lados menos luzentes dos mesmos. 
Baudelaire, Verlaine, Rimbaud... Não eram famosos no seu tempo. A sociedade não lhes dava valor. As pessoas «decentes» julgavam-nos obscenos, dissolutos e decadentes. Praticamente, foram descobertos, editados e apreciados, somente decénios após sua morte.
Quanto aos poetas malditos de hoje: Quais serão os reconhecidos como «poetas geniais», no próximo século?


CANÇÕES E POEMAS DE QUALIDADE

Entretanto, podemos ouvir versões musicadas de alguns poemas, compostas por Léo Ferré, Jean Ferrat e Georges Brassens. Mas, além destes, Charles Trenet e muitos outros puseram em música as poesias do passado. 
A composição de música sobre poemas é bastante exigente. Somente os criadores de talento conseguem fazer sobressair a música implícita nas poesias.

(Antologia poética e musical:)








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Titre : Le Pont Mirabeau
Poète : Guillaume Apollinaire (1880-1918)
Recueil : Alcools (1913).

Sous le pont Mirabeau coule la Seine
Et nos amours
Faut-il qu'il m'en souvienne
La joie venait toujours après la peine.

Vienne la nuit sonne l'heure
Les jours s'en vont je demeure.

Les mains dans les mains restons face à face
Tandis que sous
Le pont de nos bras passe
Des éternels regards l'onde si lasse.

Vienne la nuit sonne l'heure
Les jours s'en vont je demeure.

L'amour s'en va comme cette eau courante
L'amour s'en va
Comme la vie est lente
Et comme l'Espérance est violente.

Vienne la nuit sonne l'heure
Les jours s'en vont je demeure.

Passent les jours et passent les semaines
Ni temps passé
Ni les amours reviennent
Sous le pont Mirabeau coule la Seine.

Vienne la nuit sonne l'heure
Les jours s'en vont je demeure 

sábado, 26 de setembro de 2026

ANTES, DURANTE E DEPOIS DA «SAÍDA DE ÁFRICA»


 A tese da emergência da espécie humana «moderna», pelo cruzamento de precursores de várias origens (africana, asiática, europeia) não está de todo arredada. A apresentadora descreve uma imagem simplista da tese «policêntrica», que teve algum sucesso no século XIX, mas foi descartada, pois foi utilizada como suposto fundamento para as «raças» humanas e teorias de superioridade (e inferioridade) «racial». 
Mas, aquilo que se está a pôr em causa, hoje em dia, não respeita à(s) saída(s) de África, isso são factos. O que está em causa é que um grupo de humanos «modernos» tenha saído de África e colonizado o Médio Oriente e a Europa, apenas de uma vez. 
Há evidências de que houve um certo grau de hibridação com neandertais, nas supostamente «falhadas» colonizações pelos H. sapiens: existem sequências de Homo sapiens, no ADN de Neandertais datados de antes da chegada definitiva do H. sapiens. 
É notável a capacidade ubíqua de adaptação a vários habitats, mostrada não apenas pelo H. sapiens antigo, como também outros membros do género Homo, como os Neandertais ou os Denisovanos. 
Aquilo que o breve documentário deixa de fora é o papel que tiveram as introgressões, ou seja, inserção de ADN de uma espécie, no ADN de outra. Este papel foi (e ainda é) importante, pois trouxe maior capacidade de enfrentar desafios ambientais, desde a resistência ao frio e aos patogénicos (genes Neandertais), até à capacidade de sobrevivência em locais de muito elevada altitude, como nos Himalaias (genes Denisovanos) além dos caracteres morfológicos (aliás, estes também podem ter carácter adaptativo...). 
Sabemos que a espécie humana de hoje, não resulta dum «apuramento da raça», produzindo humanos «superiores» às restantes espécies, com as quais competiu:  Este era o estereótipo do século XIX e muito do séc. XX. 
As provas físicas mostram que a espécie humana «moderna» foi sendo construída com participação doutras espécies, com as quais havia certo grau de compatibilidade genética. Processo que também ocorreu em cruzamentos com algumas espécies africanas e de que só temos conhecimento através de sequências de ADN presentes no genoma de africanos contemporâneos. 
Em definitivo, houve várias «saídas de África» e parece-me muito arriscado presumir que os humanos, Homo sapiens, encontrados em certos pontos da Europa, com mais de 210 mil anos, possam representar necessariamente «uma tentativa falhada». Esta interpretação parece-me tanto mais surpreendente que não se pode ignorar o facto de ADN de Neandertais ser portador de sequência de Homo sapiens «moderno». Estes Neandertais antecedem de centenas de milhares de anos os H. sapiens, na ocupação da Eurásia. Tendo havido cruzamento e fixação de genes, num período indeterminado, mas provavelmente anterior a 210 mil anos, podemos dizer que os primeiros colonizadores humanos «modernos» participaram no conjunto genético dos Neandertais. Não se pode dizer que a colonização falhou, pois deixaram uma marca genética, além dos fósseis de ossos e os artefactos. 
Creio que a ideia de que a África paleolítica era semelhante do ponto de vista climático com a de hoje, é insustentável. No deserto do Sahara tem-se encontrado restos fósseis de fauna e flora, cuja presença denota, em certos estratos, um clima muito mais húmido, mais diversificado, com rios, lagos, etc. Neste espaço imenso, os homens «modernos», desenvolveram culturas e atravessaram o Mediterrâneo, em sítios que estavam a seco devido a um nível dos mares muito mais baixo, devido a acumulação de água em glaciares, em consequência do arrefecimento cíclico do planeta (eras glaciares). 
Só uma integração de várias disciplinas, pode fornecer uma narração credível das várias migrações da espécie humana e das suas antecessoras.


quinta-feira, 24 de setembro de 2026

JÚLIA MENDEL - ENTREVISTA-BOMBA [Censurada no Parlamento Europeu]


 Júlia Mendel foi secretária de Zelensky durante vários anos. Decepcionada profundamente pelo desempenho de Zelensky enquanto presidente, consciente de que a salvação da Ucrânia e dos ucranianos passa por trazer a paz, diz tudo o que sabe e tem sido escondido pela media do Ocidente. Entrevista conduzida pelo grande jornalista Patrick Baab, trata-se de um importante documento, duma entrevista memorável. 
O seu conteúdo está relacionado com a sobrevivência deste povo; é isto que está em jogo.

[Júlia Mendel iria falar no Parlamento Europeu, a convite dum grupo parlamentar, como é costume; mas a maioria, ou o secretariado do PE, terá recusado ouvi-la. Isto ilustra bem o fechamento sectário e insegurança de certos deputados do Parlamento Europeu. Quem está tranquilo em relação às suas posições, não vai interditar que uma pessoa como ela fale!]

Dmitri Orlov: AUTÓPSIA do Estado Profundo


 O  intelectual herege - em relação a todas as igrejas e ideologias - faz a sua original análise  do que é  e de como funciona o chamado "Estado Profundo". A sua análise assenta sobre observações colhidas tanto na ex-URSS  como nos EUA e aplicável em  muitos outros países,  pois praticamente se encontra em todo o lado tal conglomerado de burocracia e de poder exercido desde os bastidores.

A NÃO PERDER!

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Consultar episódios anteriores em:

https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2026/09/questoes-sem-resposta-dmitri-orlov.html

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

ANTÓNIO GUTERRES DIRIGE DISCURSO À ASSEMBLEIA GERAL DAS NAÇÕES UNIDAS

 



Um discurso bem construído, com conteúdo significativo. Porém, dá para pensar por que motivo a capacidade de intervenção da ONU nos conflitos se tem mantido muito abaixo das necessidades? Não culpo o atual secretário-geral, nem seus antecessores, mas gostava de ler uma análise aprofundada sobre as raízes desta paralisia.

terça-feira, 22 de setembro de 2026

DESASTRES NATURAIS [OPUS, VOL. IV; MANUEL BANET]



Por aqui passou como vento primaveril num céu  outonal e senti estremecer até  às raízes das árvores.  

Mas, tais coisas não  são notícia e deixam incrédulos os meus cidadãos.

 Então, dialoguei longamente com meus confidentes, os cães e gatos da vizinhança. 

Eles confirmaram  e forneceram detalhes sobre tal fenómeno.

Vislumbrei que este sopro fora de estação era um aviso da Deusa-Natureza.

Aos homens que procuram a guerra, tresloucados pelo desejo de poder, a Natureza Divina responderá: 

Fará ruir os seus planos assassinos, criará o caos com tempestades  magnéticas, porá em debandada  poderosas armadas e nuvens de aves irão levantar voo sincronizadas, escurecendo o céu. 

 Os humanos começarão a  desobedecer aos chefes políticos e militares que insistirem em ações  bélicas, contra todo o bom-senso. 

Porém, alguns fanáticos estarão ainda mais determinados. Mãe Natureza enviará contra eles  estirpes de bactérias e vírus infetando os humanos recalcitrantes.

 Talvez a loucura criminosa seja aplacada, talvez não.  Neste caso, serão necessárias medidas infelizmente mais destrutivas e menos selectivas.

 A fusão das calotas glaciares e a inundação das costas onde estão muitos dos orgulhosos conjuntos urbanos, contendo riquezas e vastos arsenais,  vai obrigar a uma paragem da guerra.

Os humanos, hipnotizados,  não conseguem ver o que se passa. 

Encontram sempre motivos exteriores à sua própria imbecilidade para as catástrofes que se vão sucedendo. 

Não se sabe quem são os mais estúpidos, se os que decretam as guerras,  se os que correm a faze-las como se cumprissem um dever!

As criaturas que nós chamamos "irracionais," afinal são animais que obedecem à lei da Natureza, Toda- Poderosa. 

Os humanos, querendo colocar-se à parte, são eles os irracionais, incapazes de fazer uso do seu juízo,  causando guerras, fomes, epidemias e a destruição dos ecossistemas. 

Por isso, se desaparecesse a espécie  humana,  a restante vida do planeta seria favorecida!


Lisboa, 22 de setembro 2026


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NB: Este belíssimo documentário sobre a fauna de Chernobyl após o acidente da central nuclear é uma prova do que afirmo no texto. Há muitas outras...