domingo, 19 de julho de 2026

China fecha mercado do ouro aos especuladores

 

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Na semana de 20-24 de Julho, vai desenrolar-se uma enorme mudança, se eu bem entendi:
 - O mercado do ouro de Xangai vai abrir uma sucursal em Hong-Kong  (HK) com o objetivo explícito de internacionalizar o mercado chinês do ouro. Porém,  o ouro será negociado em termos diferentes do COMEX e do LBMA.  No mercado de HK os futuros não  poderão ser jogados como forma de alavancagem. Isto significa que, se uma entidade coloca para venda uma quantidade de ouro, por exemplo 100 quilos, ela tem de os ter depositados, com garantia e controlo, num cofre certificado da própria bolsa de HK, ou de entidade por ela reconhecida. Não serão possíveis, de ora em diante, vendas a descoberto. Estas, eram um processo usual de grandes bancos (cumprindo instruções dos bancos centrais ocidentais) fazerem baixar artificialmente o preço  do ouro, oferecendo grandes quantidades de "ouro-papel" e não possuindo , muitas vezes, senão o equivalente a um centésimo (ou menos) desse ouro-papel, sob forma de ouro físico na sua posse. 
Os videos acima retraçam todo o esquema e explicam porque razão  o governo chinês decidiu pôr  cobro a isso. 
Note-se que tem sido divulgado que o governo  chinês vai proibir a transacção  de ouro aos seus cidadãos,  o que é falso. As regras de compra e venda do ouro físico não mudaram em nada. Apenas se proibe a alavancagem com contratos de futuros. 
Se o novo mercado de metais atrair muitos clientes ocidentais, vai inviabilizar o esquema fraudulento que, durante décadas,  permitiu que os bancos centrais ocidentais, através  dum pequeno número de bancos comerciais, mantivessem a referida supressão  do valor do ouro e da prata.
No momento em que o ocidente não conseguir mais manobrar como dantes o preço dos metais preciosos, tudo indica  que estes terão uma cotação mais próxima das condições de mercado, resultantes da oferta e procura.

sexta-feira, 17 de julho de 2026

POR DENTRO ... (Obras de Manuel Banet)

 

Quando digo, eu - não sou eu

Quando digo nós - também  não somos

Se sou ou não sou, serei ou não, 

Pouco importa: 

Já a noite cai sobre o terreiro

Menos distingo, mais me afundo

Neste mar de absinto, neste mar que me mata

Das coisas belas existe a conjura

 de me moerem o  juízo 

Eu sei. E que posso fazer, senão 

Gritar, à  minha maneira?

Como um estranho que acorda

Num mundo incompreensível

Dentro de uma peça teatral 

Para onde não foi chamado

 e no entanto...

Se vê  compelido a representar um papel

- Diga-me, meu caro senhor, que sabe fazer?

- Sou contador de histórias, com certificado 

da associação nacional do mesmo nome.

- Muito bem, diz a voz,

 Faz favor de se dirigir à direita, ao fundo do palco...

Mas, como nada acontece e sempre me vejo

Na situação absurda acima descrita,

O primeiro impulso é  pegar no chapéu 

E sair de cena, como quem muito bem percebe

Estar no lugar errado, no momento errado, 

Sem que possa ajuizar do significado

Do que aconteceu. 

Não vamos fazer uma teoria disso,

Como se o acaso tivesse uma lei, 

Ou como se a minha pessoa fosse

Escrava do destino.

 Afinal, tanto faz.

Porque, apesar do que congeminei

Caí na armadilha a mim próprio tecida

No enredo que eu sozinho fabriquei

Não de forma pensada, mas de modo

Deliberado, como a lagarta se envolve 

No casulo...

Simples facto de entomologia 

Espectral e obsessiva.

...

Uma voz de galináceo:

" Não tens qualquer outro, 

Que não seja o teu ADN , a comandar!

E tão bem, que tens a impressão 

De seres livre, de fazer porque queres

Mas quem manda é o teu ADN, 

Nem o teu cérebro, nem outro conjunto

de neurónios, tem autonomia em  face 

Do codificado no genoma."

...

Outro galináceo:

"A espécie humana é formada por sub-espécies 

Não se pode fazer rigorosa classificação 

 Apenas  pela anatomia ou fisionomia

Ou por qualquer outro parâmetro físico. 

Só observando o comportamento do espécime 

Se pode arriscar uma tentativa de classificação"

 ....


 Este discurso, dito de " ciência "

É a enésima regurgitação de galináceos 

Poisados nos galinheiros-poltronas, 

Conspurcando as cabeças jovens. 

Perante o discurso galináceo, só restam 

Duas opções:  Ou dizes que sim 

e continuas a falar com os teus botões;

Ou dizes que não 

e expulsas a verborreia exatamente

 como quando vais 

Ao wc e descarregas o autoclismo. 

 Saibam, galináceos: Vosso cacarejar terá

O destino que lhe dá o autoclismo.

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Não irei adiantar mais, por hoje.

Acima, transcrevi o acontecido na cabeça, 

 Não pretendo que seja mais do que isso.



quarta-feira, 15 de julho de 2026

DURO COMO O DIAMANTE

 


Diziam que o diamante «é para a vida inteira». Subentendido: Oferecer um anel de noivado com um diamante, significa compromisso «para a vida inteira». Mas, agora, existe processo industrial de fabricar diamantes, sem defeitos, totalmente indistinguíveis dos diamantes lapidados a partir de cristais extraídos das minas... 
Os preços  do diamante sintético e do obtido das minas vão ser iguais? Será impossível distingui-los? Neste caso, eu acredito que seus preços vão ser praticamente idênticos. A indústria de mineração e processamento dos diamantes vai sofrer um enorme abanão.
Lembro-me que a De Beers e a indústria soviética do diamante fizeram um acordo há bastantes anos, para auto-limitarem a extração e refinação dos diamantes, por forma a manter estas pedras preciosas, raras e caras. 
Seja como jóia, ou como material industrial, o diamante pode continuar a ser «para a vida inteira». Será, portanto, o contrário dos objetos produzidos pela civilização industrial, cientificamente calculados para se avariarem ou se degradarem após tempo determinado: Chama-se a isto «obsolescência programada». 

terça-feira, 14 de julho de 2026

ALBÂNIA - O QUE MOTIVA «A REVOLTA DOS FLAMINGOS»?


 «Na Albânia, o genro de Trump, Jared Kushner, deseja construir um hotel de luxo na ilha de Sazan, ao largo da cidade de Valona. O problema é que - até há pouco tempo - a ilha de Sazan era considerada, pelo governo de Tirana, uma reserva natural. Porque isto mudou? Porque o primeiro-ministro albanês Rama e Kushner parecem ser grandes amigos? E qual é o verdadeiro objetivo do resort de luxo?»

vídeo falado em italiano, com legendas em francês


Esta história está relacionada com grandes projetos de gasodutos financiados pelo Quatar e Arábia Saudita e com participação de Israel. Tal projeto - do lado do governo albanês - pretende ser «a porta de entrada» deste pequeno e pobre país balcânico na U. E.

A revolta popular dos últimos dias justifica-se pela série de intrigas em detrimento da soberania da Albânia e pela destruição anunciada do ecossistema que inclui a ilha de Sazan, onde habita uma colónia de flamingos selvagens.


segunda-feira, 13 de julho de 2026

HOJE, VOU ESCREVER UMA CARTA [OBRAS DE MANUEL BANET]

 

Sim, uma  carta em papel; com envelope

Ainda não decidi se escreverei com caneta

De tinta permanente, esferográfica, ou feltro

Mas tem de ser realmente desenhada pela

Minha mão, cada letra exprimindo um instante

O instante das minhas emoções 

Em relação ao conteúdo, também

Irei inovar - no que me toca - no estilo

Serei sincero, sem ser grotesco,

Sem artifício, abrirei o coração

Não preciso de fazer teatro

Com sinceridade, basta escrever

Ao correr da pena, é como estar

contigo, um gesto, um murmúrio,

Leve ruído do aparo ao contacto

Com o papel.


Podia pensar mais solene

Enfático ou espirituoso

Não! Minha razão de escrever

É natural e não fabricada

É o pensamento quando falo

É um sopro ao teu ouvido


Quanto ao conteúdo,

Tenho andado a refletir

No que a ele diz respeito

Ao entregar-te a carta

Entrego-te meu pensar

E sentir, sem floreados


Ainda tenho de a começar

Pois uma carta assim

Não se escreve por capricho


Uma carta assim é leve

E pesada, pelo que diz

E pelo que cala; pelo que 

sai do aparo e pelo que fica

no tinteiro. 


Até breve, pois...




GABRIEL FAURÉ; NA CHARNEIRA DOS SÉCULOS XIX E XX [Segundas-f. musicais, nº66)

Siciliana, Op.78

        [Ver catálogo das obras de Gabriel Fauré, AQUI]


Abaixo, uma peça das «romances sans paroles» (Op. 17/ nº3)




Fauré «estava no ouvido» de toda a sua geração. Embora não tenha rompido totalmente com o romantismo, abordou a matéria-prima musical com uma originalidade que contrasta com os autores do romantismo tardio, que se limitavam à reprodução de fórmulas, repetindo o que foi um sucesso, no passado. 

Muitas pessoas ouviram a «Pavane», op.50 sem saber o nome do autor:


Esta Pavane tem uma ressonância renacentista e mesmo medieval. Porém, Fauré teve o bom gosto de não pretender imitar a música dessas épocas. A versão orquestral, que ouvimos aqui, foi elaborada pelo próprio compositor a partir da versão para piano.

A Élégie para violoncelo e piano, é porventura uma das peças instrumentais mais conhecidas de Gabriel Fauré. Aqui, na gravação histórica (1962) de Jacqueline du Pré ( violoncelo) e Gerald Moore (piano).



O Requiem Op. 48, de Fauré, é uma obra que continua a suscitar o interesse do público e dos músicos profissionais. Uma das peças extraídas do Requiem, é «In Paradisum»


Pode aceder ao Requiem na íntegra, AQUI.


Uma biografia:


Se Fauré soa, no século XXI, como moderno e clássico ao mesmo tempo, é - por um lado - que as suas composições são mesmo originais, resultam de procura formal muito exigente. Por outro lado, assume a herança da música europeia, inserindo-se nela - como elemento charneira - entre o século XIX e o século XX. 


PS1: Adaptações para violoncelo e piano:

Gautier Capuçon, a siciliana em versão para violoncelo e piano
«Après un Rève», obra originalmente para voz e piano. Aqui, com Capuçon no violoncelo e Samuel Parent no piano.