Noutra vida, quando eu fui jovem
Todas as experiências descarrilaram
Por mais que eu me empenhasse
Estava condenado a viver em sonho
E a sonhar a vida; e os anos passando
Mas as experiências ficaram e pesaram
De nada serve lamentar os percursos
Eles foram condicionar quem eu sou
Em vão me revolto, quando recordo
Não serve de nada leccionar o passado
Pelo menos, ficou-me algo desses anos
Ao certo, não sei o quê; uma condenação
Sem apelo, que arrasto: É como a marca
Vincada no corpo e nada a pode apagar.
Na segunda metade da minha vida,
Tenho-me dedicado a viver o destino
Sem demasiado sofrer. Nem alegre nem triste.
Sou o conglomerado de demasiados eus
Não os consigo distinguir nem avaliar
São uma multidão sempre à espera que eu
Lhes abra a porta, por vezes conseguindo
Ultrapassá-la, mas não lhes dou refúgio
Seria demasiado estúpido!
Felizmente, o mundo exterior chama sempre
De sua voz imperativa, quando esboço
Uma absurda procura dentro das casas
Obscuras do passado.
Tenho a luz do Sol
Ou luzes interiores que me indicam
Os caminhos; por mais estranhos que
Sejam, sempre me conduzem
A algum lado.
Não irei medir os passos
Mas sou capaz de , num olhar, ver
O que já foi percorrido.
E, nem orgulhoso, nem insatisfeito,
Vou continuando por serras e planícies
Até encontrar aquele portal , sem medo
Atravessando
E tudo o que foram preocupações
E afetos de vivente, depositarei
À entrada...