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segunda-feira, 29 de junho de 2026

«PRÉLUDES NON MESURÉS» DE LOUIS COUPERIN [Segundas-f. musicais Nº64]



Françoise Lengellé interpreta 16 prelúdios «non mesurés»* de Louis Couperin.
Uma gravação ao vivo, em Julho de 2023, num cravo francês construído por William Dowd, em 1973.



 https://www.youtube.com/watch?v=XNpu5-BGQeI&list=PLs9hz35Qywg7DNLUANn9ZtIdscl3yAvmP

Embora tenha bastantes peças para órgão e algumas para viola da gamba, foram as peças para cravo que fizeram passar à posteridade Louis Couperin. 
Estas peças para cravo (cerca de 130), não foram editadas em vida do compositor e estão dispersas por vários manuscritos. Os movimentos e as tonalidades indicam que elas se destinavam a ser executadas agrupadas em suites. Porém, a composição das mesmas é - nalguns casos - difícil de determinar. Por outro lado, tem-se indicações de que em França, nessa época a música para cravo não especificava rigorosamente quais as peças de uma Suite, deixando uma certa margem de escolha ao interprete, para incluir - ou não - determinada dança, encurtar ou alargar o conjunto da Suite, etc. 
Quanto ao prelúdio, este era praticamente obrigatório, pois desempenhava uma dupla função: Por um lado,  permitia o executante certificar-se que o instrumento estava bem afinado para a tonalidade na qual se iriam desenrolar as sucessivas peças da suite; por outro lado, ajudava a criar o ambiente sonoro adequado para os auditores poderem melhor apreciar as subtilezas das diferentes peças da suite, todas no mesmo tom (ou no tom relativo) do prelúdio.
Em todo o caso, o grau de latitude improvisatória que exprimem estes prelúdios «non-mesurés», não nos deveria surpreender. A música barroca em geral - quer na França ou noutro país participante no grande movimento estético, que se estendeu, pelo menos, durante um século e meio - era música com elevado um grau de improviso. Improvisar era não só admitido, como encorajado. Mas, o improviso obedecia a regras gerais e específicas aos instrumentos utilizados e ao carácter das peças.
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* Os préludes non-mesurés são peças onde as notas não têm os seus valores relativos (colcheias, semínimas, etc), onde apenas estão registadas as alturas relativas dos sons. Não têm compasso ("non-mesurés"), pelo que nestas incertezas de tempo e de rítmo, a sensibilidade e perícia do intérprete contavam mais ainda do que numa peça «vulgar». Pode dizer-se que é uma particularidade da Escola Francesa de cravo. Não conheço exemplos não-franceses de peças «non-mesurées»