Mostrar mensagens com a etiqueta romantismo tardio. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta romantismo tardio. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Tschaikovsky: concerto para piano e orquestra n°1 [Segundas-f. musicais n°74]



                                             


 Olga Scheps tem uma larga carreira, onde sobressai o seu rigoroso fraseado, como já se tinha afirmado na interpretação das "Estações " de Tschaikovsky.

Este concerto para piano é justamente um ponto alto na criatividade do compositor russo.

Tudo nele soa grandioso, como um sopro de heroísmo que estivesse presente inspirando a composição.  

A orquestra realiza um verdadeiro diálogo com o piano. Este, por sua vez, aborda a matéria sonora com um sentido orquestral, preenchendo o espectro sonoro com os seus acordes. Mas, existe o contraste com passagens mais subtis, que não nos deixam um instante desatentos.  É  tão forte esta energia telúrica, que nos prende do princípio ao fim. Mesmo quando conhecemos muito bem a obra, somos atraídos pela sucessão  de melodias e pelas surpresas que ligam entre si os diversos momentos: uns temas apresentam-se num naipe de instrumentos, para logo depois serem base de variação ao piano. 

Há  passagens que me soam muito atuais.  Têm  qualquer coisa de "jazzístico", muito antes da existência do próprio jazz. 

Talvez nos pareça muito «clássico» aos nossos ouvidos: Porém, neste concerto, Tschaikovski rompe com o molde clássico da «forma sonata» e deixa fluir vibrante uma música animicamente romântica, mas já pós-romântica no tratamento dos temas e na orquestração.

A força que se desprende de todo este aparato musical, coloca este concerto entre os melhores que foram escritos em três séculos de literatura para o piano.

...................

PATRICK HAHN E A ORQUESTRA FILARMÓNICA DE ISTAMBUL COM OLGA SCHEPS, SOLISTA, NUM FANTÁSTICO ESPECTÁCULO AO VIVO, EM 2022.


PS: Música religiosa a capella: Salmos e Vésperas


segunda-feira, 13 de julho de 2026

GABRIEL FAURÉ; NA CHARNEIRA DOS SÉCULOS XIX E XX [Segundas-f. musicais, nº66)

Siciliana, Op.78

        [Ver catálogo das obras de Gabriel Fauré, AQUI]


Abaixo, uma peça das «romances sans paroles» (Op. 17/ nº3)




Fauré «estava no ouvido» de toda a sua geração. Embora não tenha rompido totalmente com o romantismo, abordou a matéria-prima musical com uma originalidade que contrasta com os autores do romantismo tardio, que se limitavam à reprodução de fórmulas, repetindo o que foi um sucesso, no passado. 

Muitas pessoas ouviram a «Pavane», op.50 sem saber o nome do autor:


Esta Pavane tem uma ressonância renascentista e mesmo medieval. Porém, Fauré teve o bom gosto de não pretender imitar a música dessas épocas. A versão orquestral, que ouvimos aqui, foi elaborada pelo próprio compositor a partir da versão para piano.

A Élégie para violoncelo e piano, é porventura uma das peças instrumentais mais conhecidas de Gabriel Fauré. Aqui, na gravação histórica (1969) de Jacqueline du Pré ( violoncelo) e Gerald Moore (piano).



O Requiem Op. 48, de Fauré, é uma obra que continua a suscitar o interesse do público e dos músicos profissionais. Uma das peças extraídas do Requiem, é «In Paradisum»


Pode aceder ao Requiem na íntegra, AQUI.


Uma biografia:


Se Fauré soa, no século XXI, como moderno e clássico ao mesmo tempo, é - por um lado - que as suas composições são mesmo originais, resultam de procura formal muito exigente. Por outro lado, assume a herança da música europeia, inserindo-se nela - como elemento charneira - entre o século XIX e o século XX. 


PS1: Adaptações para violoncelo e piano:

Gautier Capuçon, a siciliana em versão para violoncelo e piano (Michel Dalberto, piano)
«Après un Rève», obra originalmente para voz e piano. Aqui, com Capuçon no violoncelo e Samuel Parent no piano.