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domingo, 12 de julho de 2026

Prof. JEFFREY SACHS AVALIA A CIMEIRA DA OTAN


 Muito se falou de despesas militares e sobre a guerra. 
Mas, as questões realmente pertinentes, estão a ser abordadas com imensa irresponsabilidade. 
O desempenho de Trump, neste encontro, mostra que o Mundo Ocidental está completamente destituído de orientação. 
Os membros são incapazes de avaliar os riscos com um mínimo de seriedade. A banalização de tais comportamentos não significa que esteja tudo «bem». Atualmente, existem guerras que causam mortes e isso não é brincadeira, por mais que os dirigentes iludam os factos. 
Chegámos ao ponto absurdo de considerar que o ataque à Rússia irá gerar desenvolvimento. Só haverá «desenvolvimento» nas empresas de armamento e de vigilância digital. 
Quanto ao resto, será o alastrar de austeridade fabricada, o desvio das componentes sociais (segurança social, subsídios desemprego, de apoio a pessoas com deficiências, etc.) e o empobrecimento geral da população.
Para cobrir a enorme gatunagem em curso, usam a falsa capa da «proteção social»: Pensam criar um «rendimento básico universal», independente dos receptores contribuírem, ou não, com trabalho (o trabalho assalariado será, portanto, ainda mais desvalorizado). 

Mas, entretanto, estão empenhados em desviar - desde já -  partes importantes dos orçamentos nacionais para a indústria de armamento e vigilância!

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Reflexão de Manuel Banet: 

De forma quase automática, os que presidem agora aos destinos dos povos, estão a copiar o comportamento dos seus antecessores, nas vésperas da Iª Guerra Mundial. Tal como nessa altura, os partidos que antes se consideravam representando a vontade dos trabalhadores, os partidos social-democratas, «votaram os orçamentos de guerra». Agora também o fazem, mas com antecipação, «programando» desde já o início da guerra total com a Rússia para 2030. Note-se que a guerra não declarada, com «autorização» aos ucranianos de alcançar com ogivas de longo alcance alvos bem no interior da Rússia, foi intensificando-se, com o objetivo claro de provocar na Rússia uma contra-ofensiva aos territórios onde são fabricados os drones e outros armamentos usados pelos ucranianos. Igualmente, os sistemas de satélites e de «inteligência» ocidentais, têm guiado a par e passo as ofensivas das forças ucranianas, sendo certo que sem essa peritagem, seriam incapazes de atingir alvos na Rússia com um mínimo de precisão.

Também, quanto às provocações, sabemos bem que várias potências, nomeadamente a Inglaterra e outras, em vésperas de 1914, tinham todo o interesse em multiplicar os assassinatos na classe política e militar, causando instabilidade e provocando os poderes - empurrados pela opinião pública - a reagir. Temos assistido a uma multiplicação das intervenções terroristas, com a OTAN na origem, mas supostamente realizadas por serviços secretos ucranianos.  

Finalmente, a campanha distorcendo grosseiramente a natureza do «inimigo», dando a entender que se trata dum ditador sanguinário, tem sido «o pão nosso de cada dia» de uma série de media em todo o Ocidente, sinal da campanha de condicionamento das mentes, por forma a amedrontar os cidadãos e impedi-los de considerar argumentos racionais, que poriam de rastos os elementos de propaganda raivosa anti-russa e anti-Putin.

A enorme sucção de capitais para a máquina de guerra, acompanha-se por uma militarização da sociedade civil.  As leis celeradas (completamente anti-constitucionais) são aprovadas à pressa; servem para criminalizar demonstrações pacifistas. A «rédea livre» é dada a uma extrema-direita cada vez mais arrogante, promovida para intimidar os que à esquerda pudessem ajudar a formar uma resistência popular e de massas. 

Tem-se o equivalente de há cerca de 120 anos atrás. É provável que os manuais de guerra psicológica, atualmente usados na OTAN e noutras instâncias, sejam atualizações de manuais descrevendo as técnicas ensaiadas antes e durante a Iª Guerra Mundial.


Consultar também:

Douglas Macgregor: Disastrous NATO Summit - Renewed War on Iran & Russia



PS1: Um importante artigo de John Helmer, descrevendo a situação sem concessões nem rodeios, quer para os dirigentes da OTAN, quer para Putin:

terça-feira, 2 de setembro de 2025

ÍNDIA E CHINA RECONCILIADAS. CONFIRMADO NA CIMEIRA DA OCX

 Andrew Korybko explica como o "elefante e o dragão" voltam a dançar juntos:

The SCO Finally Condemned The Pahalgam Terrorist Attack


COMENTÁRIO DE MANUEL BANET:

Quando, em Janeiro deste ano, Trump e a sua equipa tomaram conta das rédeas da Casa Branca, parecia ser um momento favorável às relações bilaterais Indo-Americanas. Havia, pelo menos do lado de Nova Delhi, a esperança de que a atitude «equidistante» dos indianos em relação a disputas asiáticas, mormente com a China, valeriam à Índia  uma atitude mais condescendente da potência hegemónica. 

Mas, qual quê? 

Os indianos estão muito dependentes do petróleo russo para a sua economia, eles não podiam sancionar o principal fornecedor de energia para as suas atividades industriais e agrícolas, sem provocar imediatamente um colapso. 

Pensaram que os americanos teriam o bom senso de fechar os olhos em relação à aplicação das sanções contra a Rússia, pela Índia. Tanto mais que estes dois últimos países têm sido, ao longo de décadas, excelentes parceiros estratégicos, não apenas no petróleo, como em relação a centrais nucleares (de tecnologia russa), a armas e dispositivos (grande parte de origem russa) e ao grande volume de trocas comerciais. 

Mas os EUA, viam a situação de maneira totalmente diferente: Viam-na ao «modo imperial», ou seja, eles decretaram as tais sanções às exportações de petróleo russo e todos tinham de as aplicar, sob pena de ficarem eles próprios sujeitos a sanções «secundárias», apenas pelo facto de terem desrespeitado o «decreto» do Império (note-se que este é que é ilegal, face à lei internacional, pois sanções só podem ser válidas se sancionadas pelo Conselho de Segurança da ONU, o que - obviamente - não é o caso).

Assim, de uma penada, os americanos ficaram sem um país neutro, mas com possibilidade de se tornar aliado, integrando a «OTAN do Indo-Pacífico», a aliança militar (QUAD), destinada a bloquear a «progressão» chinesa no continente asiático. 

Pelo contrário, os indianos perceberam que - para eles - era vital sanarem as divergências com a China, cujo inimigo comum estava realmente disposto a intensificar a guerra económica (taxas de 50% nas tarifas alfandegárias para exportações indianas destinadas aos EUA) e, de provocação em provocação, ir até ao ponto de guerra «física», para manter a sua suzerania naquela parte do mundo.

Os chineses perceberam perfeitamente a situação da Índia. Devem ter aplanado o terreno o mais possível, para que os acordos em múltiplas áreas económicas e de defesa fossem firmados, enquanto as disputas territoriais - causas de fricção do passado - eram discretamente remetidas para resolução por via diplomática, excluíndo a repetição de episódios bélicos nos Himalaias.

Razão têm os chineses, nas redes sociais, em chamar o presidente dos EUA, «camarada Trump»! Quem mais tem feito pelos interesses geoestratégicos da República Popular da China, senão o «camarada» e sua Administração?