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terça-feira, 30 de dezembro de 2025

China lança sanções perante armamento de Taiwan pelos EUA





 O prof. Jeffrey Sachs detalha as sanções aplicadas por Pequim em retorsão pelo fornecimento de armamento sofisticado no valor de 11 mil milhões (11 «billions» em inglês) de dólares, que serão aprovados em breve pelo congresso dos EUA. 
Taiwan é um assunto de importância vital para a China. É parte integrante da China, mas alberga - desde 1949 - um regime protegido, em grande medida, pela intervenção americana, desde a guerra civil chinesa, do lado de Chian Kai-shek, o líder dos nacionalistas chineses. 
As tropas nacionalistas foram derrotadas na China continental. A Marinha americana ( que tinha então uma força hegemónica nos mares da China) transportou-as para Taiwan. O Kuomintang ocupou a ilha e durante dezenas de anos foram considerados os representantes legais de toda a China, a «República da China», enquanto a China Popular de Mao Tse Tung, não tinha representação nos foros internacionais, dominados pelos americanos e países ocidentais. Em população e em área, a China continental equivalia - pelo menos - a 800 milhões de pessoas, numa área semelhante à dos EUA. 

A viragem estratégica dos EUA data das negociações de Kissinger, ao serviço do Presidente Nixon, com o regime de Pequim, que foi reconhecido em troca da abertura do mercado da China continental ao comércio e investimento estrangeiro. Desta negociação, resultou que os EUA (seguidos, pouco depois, por quase todos os seus aliados), reconheciam Taiwan como fazendo parte da China e  o regime em Pequim, como representação legítima da nação chinesa, no seu todo. 
Os esforços, desde a presidência de Obama, para desestabilizar a situação, foram acentuados por sucessivas provocações:  Por exemplo, a visita a Taiwan de Nancy Pelosi, presidente do Congresso dos EUA, a figura nº2 da hierarquia do Estado americano. Esta visita foi orquestrada com honras de protocolo de Estado e sem - evidentemente - pedir autorização a Pequim para visitar este pedaço de território chinês. 

Os neocons, que dominam as instituições políticas principais dos EUA, fizeram «um mantra» da desestabilização da China, que vão recitando constantemente, enquanto a parte mais pragmática do establishment, que inclui empresários e seus representantes políticos, pelo contrário, preferiam manter um nível de relações «cordial» com as autoridades de Pequim, pois têm avultados interesses a proteger (fábricas de automóveis, de telemóveis, extração e refinação de matérias-primas para indústrias dos EUA, incluindo as «Terras Raras», etc).
Eu penso que esta gigantesca entrega de armas e material bélico sofisticado a Taiwan foi «a gota que fez transbordar o vaso». Os responsáveis de Pequim devem ter considerado que esta era a ocasião adequada para mostrar ao governo dos EUA, como era doloroso para eles, americanos, continuarem as suas provocações envolvendo Taiwan, com acumulação de material bélico na ilha. 
A paciência dos chineses, especialmente do governo de Pequim, esgotou-se; quando isso aconteceu, deu um golpe certeiro e com efeitos de longo prazo. As empresas sancionadas incluem gigantes construtores e fornecedores da força aérea BOING e Northtrup, mas também «start ups» envolvidas na construção de «drones»; além disso, vários CEOs de empresas americanas foram sancionados inviabilizando a sua deslocação à China em negócios...  
O que caracteriza o pacote de sanções chinesas contra os EUA é o debilitar da capacidade - presente e futura - das indústrias dos EUA em construir armas sofisticadas, além de computadores e material de uso civil.


Veja também:


quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

UE CONFISCA ATIVOS RUSSOS PARA COBRIR AVULTADOS EMPRÉSTIMOS

A EUROPA NÃO PODE CONFISCAR OS ATIVOS RUSSOS. VEJA O VÍDEO DE PEPE ESCOBAR





ATUALIZAÇÃO. 
PARA QUE SERVEM E COMO VÃO SER OBTIDOS OS 90 000 000 €
UM ARTIGO de ANA VRACAR




Os líderes das nações da UE, que já gastaram mais de 100 mil milhões de € com a Ucrânia, esperam agora poder confiscar os ativos russos presentes na Bélgica, no Euroclear, assim como nas contas do Estado russo em vários bancos da U.E.
Num primeiro movimento em direção a tal confisco, foram congelados ativos do Banco Central da Rússia, no valor de cerca de 230 000 0000 $. Eles invocam o Artigo 122 e procedem à modificação da própria legalidade da UE, alegando emergência, para autorizar a realização de tal ato por uma maioria qualificada, em vez de unanimidade. 
Este congelamento é considerado ilegal e qualquer uso destes fundos é simplesmente visto como roubo, pelas autoridades russas. Esta posição de Moscovo surge em resposta às afirmações da Presidente da Comissão Europeia, Ursula Van der Leyen, propondo que este dinheiro fosse usado como garantia de um empréstimo à Ucrânia.



Num evento on-line, o Primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban afirmou que eles «estão a querer captar este dinheiro depois de terem gasto pesadamente no conflito Russo-Ucraniano e depois de terem garantido aos votantes de isso não lhes custaria sequer um cêntimo, porque o apoio para a Ucrânia iria ser financiado com os ativos russos, e não com o dinheiro dos impostos.»
Se os contribuíntes acabarem por pagar o custo desta ajuda à Ucrânia, isso pode desencadear «uma tomada de consciência explosiva na U.E», seguida de «queda imediata de muitos dos governos». Por isso, eles estão tentando financiar o apoio a Kiev com os ativos russos congelados, sabendo de antemão que terão grande agitação política, no caso de não conseguirem isso.
O dirigente húngaro acusou os responsáveis da UE de «violarem a Lei Europeia em plena luz do dia», ao servirem-se do Artigo 122 para escaparem ao veto potencial da Hungria, sendo que Budapest iria submeter uma queixa ao Supremo Tribunal da União. Quanto a Washington, opõe-se ao confisco e considera que o problema deve ser resolvido como parte dum acordo mais vasto com Moscovo.
O Banco Central da Rússia já iniciou um processo contra Euroclear, que detém a maioria dos ativos. A UE insiste em que o congelamento dos fundos está de acordo com a Lei Internacional, mas o primeiro-ministro belga Bart De Wever avisou que usar esse dinheiro para garantir empréstimo a Kiev, levanta riscos legais para o seu país.
Instituições financeiras internacionais como o Banco Central Europeu e o FMI, também chamaram a atenção de que, usar os ativos soberanos imobilizados, poderia destruir a confiança no Euro.


Relacionado: 

Rússia congelados 




A presidente da comissão europeia foi acusada de ter desviado 420 000 000 €, por Victor Orban na Assembleia Parlamentar de Bruxelas.  


quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

SOBRE A GUERRA DAS TARIFAS

 

O prof. John Mearsheimer calmo e racional, desfia o rol dos erros estratégicos dos EUA nestes trinta anos de política hegemónica.  Como ele relembrou, a dominância dos EUA existiu durante algum tempo. Durante menos de duas décadas, parecia que nenhuma força poderia enfrentar o seu poderio.

 Entretanto, foi desenvolendo uma política de sanções, de instrumentalização do dólar e dos sistemas de pagamento e punindo com tarifas "amigos e inimigos". 

O prof. Mersheimer delineou neste vídeo a reposta da China. Esta foi paciente, dirigida para novas relações comerciais, oferecendo oportunidades de negócios, não colocando condições, nem influindo na política interna dos Estados, até que chegou o momento em que o mundo inteiro pôde comparar as duas abordagens do comércio internacional e tirar as óbvias conclusões: 

- Por um lado, um império decadente, agressivo, caprichoso, que só promete revoluções coloridas ou invasões, aos recalcitrantes; 

- Por outro, uma potência que aposta nas relações "win-win", que respeita a soberania e oferece estradas, caminhos de ferro, portos, aeroportos e mais infraestruturas, que os países do Sul Global tanto pecisam. A China ajuda-os  sair do ciclo de dependência neo-colonial. Este ano, a China teve um excedente comercial de 1 Trilião de dólares.





Paulo Nogueira Batista descreve o contexto  
 

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

A VENEZUELA OFERECEU A EXPLORAÇÃO DO SEU PETRÓLEO A EMPRESAS AMERICANAS; OS EUA RECUSARAM

 


PAULO NOGUEIRA BATISTA:



NOTA: Segundo Alfredo Jalife-Rahme, a proteção de paraísos fiscais estaria por detrás da manobra de Trump de colocar uma esquadra no mar das Caraíbas, sob pretexto de bloquear atividades de «tráfico de droga» do regime de Maduro, na Venezuela. 
Um objetivo mais discreto e premente seria o de proteger as ilhas Caimão e a Ilhas Vírgens, que guardariam cinco mil biliões de dólares em ativos financeiros de toda a espécie, desde os que «apenas» fogem ao imposto no seu país de origem, aos que resultam de criminalidade mais grave, como tráfico de drogas, e outros, orquestrados pela cleptocracia política.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

JÁ NÃO HÁ COMO DISFARÇAR...

 (debaixo das imagens clica nos URL  para visualizar os vídeos)



https://www.youtube.com/watch?v=JcRPHORpaRg&t=150s

PS1: Dois vídeos com origem no Brasil, com uma qualidade e profundidade de análise notáveis. Não se trata aqui de propaganda, nem de especulações. Trata-se de pôr em perspectiva a fragilidade insuspeitada por muitos, do Império USA. As pessoas, não tendo este conhecimento, podem ainda estar na ilusão da omnipotência do Império. No entanto, as manifestações de resistência do resto do mundo, por um lado e a crescente incoerência das respostas americanas aos desafios que lhe são colocados, por outro, são prova de que a estrutura hegemónica dos EUA, com os seus capitais, as suas forças armadas e com as agências encarregues da «guerra suja», já não são mais do que um pálido reflexo do passado. De um passado em que a hegemonia dos EUA permitia que eles ditassem quem pode comerciar com quem, visto que dispunham da divisa indispensável para efetuar as trocas comerciais internacionais. Quem não se conformasse, era sancionado. 
Mas, hoje as coisas mudaram: A Venezuela, com as suas fragilidades e contradições, tem sabido evitar o colapso deliberadamente provocado pelos EUA e mostra que é possível vender o seu petróleo, recebendo Yuan e outras divisas, mas não o dólar, tornando as sanções dos EUA muito menos eficazes. 

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Um em cada oito estudantes nos EUA incapaz de compreensão de matemática elementar

          Foto: Educação «on-line»

Retirado e traduzido a partir de Armstrong Economics

A Universidade UC San Diego divulgou um estudo preocupante que mostrava que 1 em cada 8 alunos candidatos ao curso da faculdade (college) tem uma competência de apenas escola média em matemática. A instituição viu-se forçada a introduzir cursos de recuperação em matemática para os alunos dos primeiros anos da faculdade, que colmatassem as carências que vinham desde a escola elementar, até ao liceu. O denominador comum tem sido o COVID, pois as notas caíram rapidamente desde 2020.

O número de estudantes que precisavam de aulas de recuperação em matemática amplificou-se de 1 em 100, para 1 em 8.  Os estudantes têm dificuldade em resolver equações básicas. “Preencha o valor de X correspondente: 7 + 2 = X + 6.” Uma assustadora percentagem de 25%  de estudantes não conseguia responder a esta pergunta. Cerca de 37% dos estudantes eram incapazes de subtraír fracções e 61% tinham dificuldade em fazer um arredondamento com números elevados, até à centena mais próxima. A UCSD está classificada atualmente como a 5ª melhor universidade pública americana e tem 24% de aceitação. A situação na generalidade dos estudantes americanos é muito pior. 

O estudo não atribuia o problema à política de «Nenhuma Criança Fica Para Trás» implementada pelo ex-presidente George W. Bush em 2001. O estudo da UCSD atribui o declínio acentuado a factores mais recentes, como a paragem educativa devida ao COVID-19, a eliminação de testes estandardizados nas admissões, a inflação das notas e o crescente recrutamento a partir de liceus sub-financiados.

Estes estudantes estavam nos 8º ou 9º anos quando os «lockdowns» fizeram a educação parar. O que acontecerá aos estudantes mais jovens que viveram interrupções quando estes conceitos básicos foram indroduzidos pela primeira vez no curriculum?

O Programa para Avaliação Internacional dos Estudantes (PISA) é efetuado cada três anos, para avaliar a educação entre as nações da OCDE. O teste é dado a cerca de 600 mil estudantes de 15 e 16 anos, nos vários países, para avaliar o seu nível de compreensão de matemática, ciências e leitura. Em relação a 2022, estas são as dez nações com melhores resultados em matemática: Singapura (575), China (552), Taiwan (547), Hong Kong (540), Japão (536), Coreia do Sul (527), Estónia (510), Suíça (508), Canadá (497), Países Baixos (493). Os estudantes dos EUA têm um score de 465, ficando 90 pontos abaixo da China.

Os lockdowns do COVID apenas exacerbaram a crise educacional nos EUA; a próxima geração de trabalhadores estará numa desvantagem extrema.

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

BEN NORTON: O motivo real para o apoio dos EUA a Israel e o falso «cessar-fogo»



Donald Trump prometeu «tomar conta» e «possuir» Gaza. O governo dos EUA planeia dividir o Território Palestiniano numa «zona verde» administrada, por aliados ocidentais, enquanto os cidadãos de Gaza ficarão entalados uma «zona vermelha», que não será reconstruída. Os EUA esperam que os investidores ganhem centenas de milhares de milhões de dólares.
Ben Norton noticia sobre a o esquema colonial.


Topics 0:00 Colonial US-Israeli plan for Gaza 1:29 Israel's fake Gaza "ceasefire" 4:27 Trump vows to "take over" Gaza 4:49 (CLIP) Trump: USA will "own" Gaza 5:04 Plan to divide Gaza 6:00 Map of Gaza divisions 6:50 European troops will occupy Gaza 8:04 "Green Zone" in Iraq War 9:38 Leaked blueprint for Gaza 10:38 Benjamin Netanyahu 11:34 Colonial plan for Gaza 12:32 IMEC: India-Middle East-Europe Corridor 13:07 China's Belt and Road Initiative (BRI) 14:21 Gaza plan 14:54 "Investment" in Gaza 16:05 Colonialism 16:29 Geopolitical strategy 17:33 US vision of West Asia (Middle East) 18:18 Trump Gaza Riviera & Elon Musk zone 19:02 Corporations exploit low-paid Palestinian workers 19:57 Gaza's offshore natural gas fields 20:43 Colonial-style land leases 22:27 Tokenization scheme 23:07 "Voluntary relocation" of Palestinians 25:22 Jared Kushner is US "mediator" with Israel 26:10 (CLIP) Kushner on Gaza "waterfront property" 26:22 Western colonialism in Palestine 28:04 Outro || Geopolitical Economy Report ||
 

terça-feira, 18 de novembro de 2025

KEYU JIN: "ESTAMOS TODOS ENGANADOS SOBRE A CHINA"


 Trata-se de olhar a realidade sob outro prisma.


É PRECISO OLHAR PARA QUEM PROMOVE A OFERTA DE IMOBILIÁRIO.  CONTRARIAMENTE AO OCIDENTE, O CRESCIMENTO NESTE SECTOR É promovido PELOS PRESIDENTES DAS CÂMARAS...

VEJA TAMBÉM A NÃO-CORRELAÇÃO ENTRE O MERCADO DE AÇÕES E O CRESCIMENTO DA ECONOMIA GERAL.

sábado, 1 de novembro de 2025

O NOVO SISTEMA OPERATIVO DO OCIDENTE GLOBAL [CRÓNICA DA IIIªGUERRA MUNDIAL, Nº51]


 


Estamos todos inseridos, quer queiramos, quer não; quer o saibamos, quer não, na NOVA  matriz que define ao nível estratégico a condução desta IIIº Guerra Mundial. 

Esta nova estratégia, vai transparecendo em reflexões e artigos teóricos, produzidos no âmbito da OTAN e das diversas academias militares de países do Ocidente. 

Desde 2016, que tenho acompanhado esta mudança não somente semântica, mas também substancial. Uma destas mudanças, consiste em colocar como recipientes da guerra psicológica, a população em geral. Não somente os combatentes inimigos; também são alvos desta guerra psicológicas populações civis dos países hostis (embora sem se estar em guerra formal com muitos deles), mas também a população dos países «amigos» e as populações do núcleo central do Império.

 Com efeito, temos vivido todos debaixo de campanhas sucessivas, massivas e permanentes de propaganda. 

No início do novo milénio, as campanhas destinavam-se a nos convencer que tínhamos de sacrificar as liberdades para combater o «terrorismo». Pouco depois, em 2020, tratava-se de fazer guerra a um vírus, uma epidemia que foi pretexto para operações financeiras muito lucrativas para a oligarquia. Foi com condicionamento massivo que forçaram a população a tomar «vacinas» que, de facto, eram não-testadas em ensaios clínicos prévios. Pouco tempo depois e até hoje, a média ocidental dedicou-se a diabolizar a Rússia e Putin, como se a intervenção russa na Ucrânia iniciada em Fevereiro de 2022, fosse uma decisão caprichosa  («sem provocação»!) dum dirigente autoritário; como se esta não tivesse sido antecedida por inúmeras provocações; entre outras, a postulada adesão à OTAN do regime neo-nazi, de Kiev, furiosamente anti-russo!

A continuação desta deriva em direção à guerra total, fez-se  com a encenação de 7 de Outubro de 2023 em Gaza. Hoje, está provado que a operação tinha sido «permitida»* pelo governo de Netanyahu: 

- As comunicações internas do Hamas e da população da Faixa de Gaza eram constantemente interceptadas e monitorizadas

- Os serviços de segurança do Egipto enviaram alertas muito sérios e detalhados da preparação de algo no referido Território. 

- A somar a estes factos, houve uma retirada de muitas tropas israelitas, que faziam o cerco a Gaza, alguns dias antes da referida sortida de 07-10-2023.

A campanha mediática governamental, imediatamente a seguir, foi construída com base em falsidades enormes, óbvias, fabricadas para horrorizar a opinião pública mundial, com o objectivo desta se dessolidarizar da população de Gaza, perante a campanha de «limpeza étnica» e de genocídio que imediatamente foi lançada. A mentira maior de todas é de que a operação da resistência palestiniana apanhou de surpresa as autoridades civis e militares israelitas. 

Procurei dar conta disto em muitos artigos deste blog, apontando as efabulações e explicando como as coisas realmente se passaram. Lembremos, entre outras, as declarações dos altos responsáveis de Israel: 

- O ministro da defesa de Israel (Galant) disse que todas as pessoas em Gaza «eram do Hamas», como pseudo-justificação do morticínio indiscriminado, 

- Netanyahu usou citações do Antigo Testamento para «justificar» a erradicação total dum povo.

 Declarações tão cínicas, no príncípio da campanha de genocídio em Gaza, deveriam ter feito reagir, no Ocidente, os defensores dos direitos humanos. Porém, muitos calaram-se, por cobardia ou porque terão aceite «argumentos» sionistas, para «justificar» a barbárie.

Todas as ações dirigidas contra civis inocentes, num contexto de guerra, são violações dos Direitos Humanos. Quando são toleradas por certos governos, é a própria arquitetura dos Direitos Humanos da ONU, que eles estão a pôr em causa. Porém, qualquer país aderente à ONU é suposto respeitar e fazer respeitar esses mesmos Direitos. Os Estados que se apresentavam como os grandes defensores dos Direitos Humanos, têm desrespeitado - por ação ou omissão - a substância dos referidos Direitos de forma mais notória, em relação à população palestiniana dos Territórios Ocupados por Israel.

Um outro exemplo recente: Os EUA e seus dirigentes preparam uma invasão da Venezuela, colocando uma esquadra e meios aéreos nas Caraíbas. Esta é «justificada» com a pretensa participação do presidente Maduro no tráfico de droga, dirigido às costas dos EUA. Tal acusação é desmentida por muitas entidades, incluindo agências especializadas no combate ao tráfico de estupefacientes. No entanto, a marinha dos EUA tem atacado lanchas, matando os seus tripulantes, supostamente por estas transportarem cocaína para a Flórida. Acontece que...

 (a) tais lanchas nunca poderiam alcançar as costas da Flórida, pois teriam de encher várias vezes os depósitos de combustível, para lá chegar.

(b) os tripulantes não foram minimamente identificados,

(c) são execuções extra-judiciais, em águas internacionais e com base em suposições vagas. 

Tudo isto para desencadear uma reação do governo da Venezuela, que serviria como pretexto para uma invasão pelos EUA. 

O pano de fundo, todos o conhecem: É a estratégia imperial dos EUA e ao serviço das grandes empresas de petróleo, para controlar, acaparar e explorar os recursos energéticos da Venezuela. Este país possui a maior reserva terrestre comprovada de combustíveis fósseis.


A guerra psicológica destina-se sobretudo às pessoas comuns, tanto dos países «a conquistar»**, como dos países-sede do Império. Nestes, a mídia de massas é especializada na lavagem ao cérebro.

As pessoas, sujeitas a campanhas permanentes de condicionamento, acabam por não distinguir os factos, da propaganda. Muitas ficam aterradas ou dessensibilizadas e incapazes de reagir. Não conseguem defender o que têm de mais valioso - a própria vida e a dos seus filhos. 

Os serviços de guerra psicológica conseguem estes resultados através da combinação de meios, recorrendo ao medo, à ignorância, ao black-out informativo, à desinformação, à alienação, etc.

Este comportamento não é exclusivo das agências, governos e instituições ocidentais. Porém, têm sido estes que têm levado a cabo a guerra psicológica aos maiores extremos. Combinam estas operações psicológicas  com a guerra cinética, de desgaste ou de baixa intensidade e - por vezes - de agressão brutal, para submeter países que não se vergaram ao seu domínio. 

Muitos países pequenos, que não constituem ameaça para o Ocidente, também estão sujeitos a ataques desestabilizadores: Geralmente, são países que se libertaram do jugo neocolonial. Esta dependência neocolonial fazia com que um país africano, rico em minério de urânio, recebesse apenas cêntimos por cada quilo de urânio extraído das suas minas, por exemplo. Outro, era forçado a aceitar a presença no seu território de forças militares das ex-potências coloniais, sob pretexto de combater o «terrorismo islamista». Na realidade, elas estavam lá para defender as empresas, fábricas, minas, etc. dos referidos antigos poderes coloniais. 

As pessoas, nos países-sede do Império,  estão a começar a acordar. A viragem para o militarismo, nestes países (EUA, Reino Unido, países da UE e da OTAN) é feita com o pretexto de combater a superioridade da tecnologia bélica dos seus adversários (China e Rússia, sobretudo). Mas, este rearmamento é realizado à custa da destruição das condições de vida das classes laboriosas dos países europeus, através da redução drástica dos financiamentos da Segurança Social, dos Serviços de Saúde Pública, da Educação Pública, etc. Os governos, prevendo a possibilidade de revoltas, reforçam as forças policiais, tanto em efetivos, como equipamentos. Estas forças têm «luz-verde» para usar toda a brutalidade para coagir, prender e maltratar os manifestantes.

Agora, os governos do Ocidente estão apostados em se equiparem com múltiplos instrumentos de vigilância e controlo permanentes. O foco principal dos sistemas digitais de IA incide sobre o comportamento «previsível», ou seja, de «prevenção de crimes»... Mas, para os governantes, será considerado crime «o não-respeito pela autoridade». 

As pessoas, individual e coletivamente, SERÃO O INIMIGO a  controlar e reprimir quando necessário, tanto nos países centrais do Império, como nos periféricos. 


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*) Foi mesmo desejada como um «Novo Pearl Harbour»

**) Veja-se, de novo, a Venezuela (durante mais de um quarto de século), com apoio dos EUA aos oponentes, financiados com milhões de dólares e apoio de agentes da CIA.




RELACIONADO:



Weaponizing Time – Part II: The Global Operating System of Western Power



Transnational Elites Are Engineering World War 3 | Nel Bonilla






PS1: Considere-se que, no intervalo entre as duas Guerras Mundiais (de 1918 a 1939), houve imensas guerras parciais, revoluções, guerras civis, golpes de Estado, de tal maneira que estes vinte anos foram tudo menos pacíficos....

Também é lícito considerar que, após a Guerra Fria que terminou em 1991, com a implosão da URSS, não tivemos um período de paz verdadeira: Pensem nas guerras do Iraque, da ex- Jugoslávia , nas invasões do Líbano por Israel, nas guerras étnicas em África que levaram a genocídios, Rwanda, Darfur, etc...

A partir de 2001, no novo milénio, sucedem-se as guerras desencadeadas pelo poder imperial americano, Somália, Afeganistão, Iraque, Líbia, Ucrânia, Síria,Gaza, Irão... Em todas elas se nota que não existe um fim, apenas se deixou de falar nelas na comunição social "mainstream": Elas continuaram a ser mortíferas e a produzir destruição de infraestruturas, sendo a causa das ondas de refugiados, etc.

Podemos considerar que - após o final da «Guerra Fria» e até hoje - nunca deixaram de existir focos de tensão, guerras locais e regionais, causando sofrimento para as populações e impedindo que os países atingidos arrancassem para o desenvolvimento. Estamos, desde 1991, no que eu designo como a «Época da Guerra Híbrida». Penso que deve ser vista como uma modalidade de Guerra Mundial (da IIIª).

As partes em conflito, são (esquematicamente) por um lado, o mundo ocidental, encabeçado pelos EUA e por outro, grandes atores globais (China, Rússia e outros), aos quais se agregam países produtores de matérias-primas. Esta partição não é linear, nem estática. Além disso, os focos de instabilidade e conflito estão espalhados por todos os continentes.

O Império luta para conservar a sua hegemonia; as outras potências procuram uma multipolaridade que possa dar-lhes assento «à mesa dos grandes».

Se os «radicais» dum lado e doutro prevalecerem, podemos passar da fase de Guerra Híbrida, à fase de Guerra de Destruição Final. A probabilidade de ser desencadeada uma guerra nuclear é bem maior do que muitas pessoas pensam. Este risco tem vindo a aumentar, perigosamente. Os líderes dos países ocidentais não parecem dar-se conta da seriedade dos riscos. Eles têm causado a sistemática destruição de acordos e tratados, firmados pela ex-URSS e seus aliados com os EUA e os seus aliados da OTAN. Os referidos tratados procuravam assegurar que uma guerra nuclear não fosse desencadeada, por um ou outro lado. Um cenário que se tem considerado agora muito mais provável, é o da guerra «por engano», ou «não desejada por qualquer dos lados». Se os canais de diálogo e da diplomacia não existirem ou não estiverem capazes de funcionar eficazmente, poderão não se desfazer os equívocos. Uma guerra nuclear pode acontecer !