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quinta-feira, 9 de julho de 2026

Documentário: OS NEANDERTAIS, NOSSOS PRIMOS

 


https://www.youtube.com/watch?v=Wq6CA6Q3Vyg

A imagem de neandertais com aspecto de brutos que realmente prevaleceu, não apenas na «ciência popular» mas mesmo na paleoantropologia dos séculos XIX e XX, tem sido finalmente posta em causa por avaliações das suas capacidades físicas e mentais, assim como por subsistirem durante longos períodos de clima glaciar na Eurásia. Também se verifica que os Denisovanos e os Neandertais tiveram uma larga interação, houve formação de híbridos antes de terem tido oportunidade de se cruzarem com os - nessa época - emigrantes mais recentes, vindos deÁfrica, os Homo sapiens. 
A interação de populações destas três sub-espécies - Neandertais, Denisovanos, Homo sapiens - formou o tronco comum que deu origem ao que é  a espécie humana única de hoje. 
Esta unicidade tem base objectiva, pois a interfecundidade entre todas as etnias (chamadas incorretamente «raças»), produz híbridos plenamente funcionais e férteis. 
Nas várias centenas de milhares de anos, assiste-se a um processo de especiação por introgressão. Isto significa que os traços favoráveis ou adaptativos, nestas espécies, foram conservados na sua descendência híbrida, sendo incorporados os genes e regulações dos mesmos, de acordo com os desafios que a humanidade teve de enfrentar. 
A propósito disso, verifica-se uma anómala homogeneidade dos genomas na espécie Humana, se comparada com os outros animais, em especial com os símios. Com efeito, por exemplo, os naturais da Papuásia-Nova Guiné - que não tiveram nenhuma hibridação com outro grupo - estão muito mais próximos, em termos genéticos, das  populações doutros continentes, do que seria de esperar. As diferenças genéticas existem, mas são fracas quando comparadas às que existem entre populações da mesma espécie, nos símios antropóides atuais. 
Várias populações de chimpanzés das florestas tropicais/equatoriais de África, foram  testadas para o seu ADN: A diversidade genética intra-específica, entre grupos distintos, é maior que a diversidade genética entre os grupos mais afastados nos humanos.
Esta anomalia da fraca diversidade genética dos grupos humanos etnica e geograficamente separados, levou a postular-se ter havido uma quase extinção global da humanidade. Nessa altura, os indivíduos que contribuíram para a perpetuação da espécie, seriam da ordem de poucos milhares. Por outras palavras, deu-se um estreitamento brusco da população reprodutora total. É difícil de provar exatamente quais os factos que estiveram na origem de tal perda da diversidade genética dos humanos. Sabemos que existiram cataclísmos suficientes e de extensão vasta, durante o intervalo de tempo considerado, que poderiam ser a causa dessa quase extinção. 
Entretanto, ainda há muito por descobrir, quanto aos antecedentes imediatos que deram origem à espécie humana dita «moderna», há cerca de 300 mil anos, provavelmente em África. 
De qualquer maneira, está fora de dúvida que nós, humanos modernos, somos primos dos neandertais e dos denisovanos. Não restam dúvidas de que estes três grupos da humanidade interagiram, trocando genes e tecnologias. 
Esta visão, muito diferente da teoria anterior, de que a nossa espécie foi causadora da extinção dos neandertais, obriga a considerar um novo modelo de evolução e de especiação para a humanidade. 
Neste modelo, desempenham largo papel as introgressões (hibridações entre espécies próximas, mas diferentes) e a selecção subsequente dos genes importados de outras espécies. Caso tais genes conferissem um coeficiente de selecção positivo, perante os desafios ambientais, eles eram conservados. Existem genes de origem neandertal nos euroasiáticos contemporâneos e não são «relíquias» do passado; funcionam normalmente e conferem características fenotípicas próprias. Eles foram perpetuados ao longo de inúmeras gerações. Pelo contrário, outros genes oriundos dos neandertais foram excluídos, embora estivessem presentes nas populações híbridas iniciais. Neste último caso, jogaram incompatibilidades intra-genómicas,  entre genes ou conjuntos de genes, provenientes de Homo sapiens e de Neandertais.   


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PS: Temos acompanhado as descobertas em paleoantropologia, em relação aos neandertais, especialmente. Consulte o artigo seguinte:

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

PSICÓLOGO EVOLUCIONISTA ANALISA «A Empatia Suicidária» e «A Mente Parasitada»

 


Para ver a entrevista, clicar no link abaixo:

https://glenndiesen.substack.com/p/gad-saad-the-parasitic-mind-how-bad


O Dr. Saad  é um académico do «Declaration of Independence Center for the Study of American Freedom at the University of Mississippi». É autor de muitos livros, incluindo «A Mente Parasitada» e o seu novo livro, «A Empatia Suicidária».

The Parasitic Mind:

https://www.amazon.com/Parasitic-Mind-Infectious-Killing-Common/dp/162157959X


Books by Prof. Glenn Diesen:


https://www.amazon.com/stores/author/B09FPQ4MDL

terça-feira, 19 de novembro de 2024

ATÉ QUE PONTO CONTROLAMOS AS NOSSAS MENTES? [DOCUMENTÁRIO]

 

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COMENTÁRIO DE MANUEL BANET:


Um documentário extenso e com conteúdo. Polémico, pois aborda aspetos da ciência nas fronteiras do saber.


Em relação aos conceitos de «livre-arbítrio» e de «determinismo», quer me parecer que são conceitos polissémicos, como os conceitos de «liberdade» e «destino».
São conceitos importados da teologia ou da filosofia moral, pelo que não me parecem apropriados numa discussão científica.
O debate científico, para não cair na ideologia, deverá previamente definir, com o rigor possível, os termos do seu vocabulário e os âmbitos de aplicação dos mesmos.
Quanto à célebre experiência em que o sujeito tinha de primir um botão quando lhe apetecesse, sendo monitorizadas suas ondas cerebrais:
Verificou-se que eram detetadas ondas indicando o impulso para efetuar este ato, algumas frações de segundo antes do sujeito da experiência ter efetiva consciência de que iria premir o botão.
Se a experiência se destinava a determinar se a ordem cerebral antecedia, ou era simultânea à consciência do sujeito ter decidido efetuar o referido ato, ela era adequada. Mas, a dita experiência não  nos pode esclarecer realmente sobre a génese  da tomada de decisão. 
O «livre-arbítrio» é algo muito distinto disso. Penso que - na realidade - a experiência citada não permite inferir nada em relação à existência, ou inexistência, do «livre-arbítrio». Sabe-se que a consciência das nossas decisões e dos nossos atos é do domínio do córtex frontal. Esta parte do cérebro é a racionalizadora dos impulsos mais profundos.
Mas, o facto da tomada de decisão em fazer determinado gesto, preceder de frações de segundo o ato em si, é algo perfeitamente lógico, como é lógico que esta decisão demore alguns milissegundos a ser processada pelo "cérebro racional". Note-se que, só  então poderá o indivíduo tomar consciência da mesma.
Estes problemas surgem também quando outras experiências, noutras áreas científicas,  como a física quântica, são  interpretadas ou vulgarizadas. É frequente, apesar do processo experimental ser rigoroso e as conclusões dos investigadores serem adequadas aos resultados, algumas pessoas se  "apropriarem" e distorcerem os resultados destas experiências, para «validação» das suas próprias teorias.
Fala-se no vídeo sobre o dualismo cartesiano: Este tem muitas vidas, que se manifestam sob variadas formas, na História da Ciência. De facto, a filosofia e as ciências humanas são influenciadas frequentemente, ora pelo dualismo cartesiano (separação radical da mente e do corpo), ora pelo materialismo mecanicista (somente o corpo é real, a mente é apenas uma emanação do mesmo).
Para que nosso pensamento seja um guia válido na investigação do Homem, temos de sair deste «maniqueísmo» (= radical separação do bem e do mal), que instaura dicotomias e postula que somente é legítimo raciocinar dentro delas.
Temos, ao invés, de analisar as nossas próprias convicções de um modo crítico: Os próprios factos (ou que consideramos serem factos) são construções, muitas vezes; eles são reconhecidos como «factos», somente se forem vistos  como interessantes e merecendo ser investigados, no contexto de uma teoria. 

A polémica do determinismo versus livre-arbítrio, não faz sentido: Em muitos casos, considera-se uma interpretação como sendo a correta, não porque mais se aproxima da realidade observada, mas porque vem reforçar os nossos preconceitos. Por outras palavras, não é nem boa ciência, nem boa filosofia; é somente confusão terminológica e metodológica.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

NINGUÉM É NORMAL ... pensem nisto

Será verdade? Será uma brincadeira?
Ou será algo mais profundo?
O que é normalidade? O que significa «normal»?
Já escavaram o conceito de normal?
Já viram que é um conceito da matemática e estatística?
Não são os termos «doente», ou «patológico», os contrários de «normal»!

Estar dentro da norma (estatística, subentende-se) tem um significado matemático; a este sentido, adicionam ou sobrepõem o significado moral e jurídico de «norma», de lei, de coisa que as pessoas devem fazer ou evitar, para cumprirem a lei.
Mas nem um, nem outro dos sentidos, se coaduna com a complexidade do indivíduo, pois são...
- ou uma deliberada simplificação do ser, reduzindo toda a sua existência a um único parâmetro (para depois o medirem!),
- ou a imposição de lei não consentida, mas decretada do alto do poder, cuja não observância pode ter consequências bem pesadas. Podem ir até ... uma condenação à morte, ou a «morte cívica», numa prisão ou numa instituição para alienados.

Somos infinitamente complexos; é impossível qualquer «medição» da normalidade estatística, em relação ao que é a nossa personalidade, o nosso comportamento. Ambos são demasiado complexos para serem definidos e determinados por meia-dúzia de parâmetros.
Quanto à norma como lei, somos livres de cumpri-la ou não (conceito de livre-arbítrio): Temos consciência, logo podemos decidir que vamos cumprir determinadas normas sociais; ou, pelo contrário, a nossa consciência pode levar-nos a infringir certas normas, porque as consideramos não compatíveis com a nossa ética.

Em nenhum caso, faz sentido dizer-se que somos, ou não somos, «normais». O conceito, qualquer que seja a conotação dada, não é apropriado ao que nos define enquanto seres humanos.

«Normalizados» é porém o que os totalitarismos (soft ou hard) pretendem fazer de nós, humanos!

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

DEFINIÇÃO DE IDIOTA ABSOLUTO

Podemos ter, num ou noutro momento, tomadas de posição pouco consentâneas com a racionalidade e o bom-senso; não estou a referir-me a essas situações pontuais, que - de facto- acontecem aos melhores, aos mais inteligentes! Refiro-me a casos persistentes, constantes, previsíveis:

- Um idiota absoluto é aquele que persiste com a sua própria narrativa, com as suas teorias, seja qual for o desenlace dos acontecimentos. 

- Aquele que não examina os factos, a realidade, no sentido de corrigir aquilo que tem de ser corrigido na sua posição. 

- Aquele que recusa a sentença da realidade: se a realidade contradiz a sua teoria, é a realidade que está errada e que tem de ser modificada.

- Aquele que se julga forte por manter a sua leitura dos acontecimentos, apesar de todas as evidências, porque a «maioria» adoptou essa mesma postura.

Muita gente confunde «ter convicções», ter «determinação», com estas posturas típicas de idiota absoluto. 

- Uma pessoa inteligente e que tem convicções, não teme que alguém venha  examiná-las, pô-las à prova, ou pô-las em causa. 
- Alguém inteligente sabe que uma teoria não é mais do que uma hipótese que ainda não foi destronada por factos concretos e que deverá dar prioridade aos factos, se estes contradizem essa tal teoria, no todo ou em parte. 
- Finalmente, uma pessoa inteligente não tem receio de confessar que errou e está, por isso mesmo, em condições de corrigir-se.