terça-feira, 28 de abril de 2026

AS PENSÕES DE REFORMA SÃO UMA ARMADILHA (PROF. JIANG)



 Uma das mais concretas e bem fundamentadas discussões sobre as pensões versus ativos gerando rendimentos.



Eu sei, por experiência própria, que as quantias descontadas mensalmente do ordenado parecem irrisórias, para acumular uma soma capaz de fornecer uma pensão de reforma durante largos anos, quando atingimos a idade da aposentação. Mas, de facto, se aplicarmos a lei dos juros compostos, em que os juros se vão adicionar ao principal e portanto originando juros cada vez maiores, ao longo de um intervalo de tempo de 35 anos, verificamos que as somas que recebemos como pensão são bem menores do que aquilo a que teríamos direito, se o Estado aplicasse às pensões um cálculo de juros compostos. Na realidade, este cálculo é aplicado em situações em que o cidadão é  devedor ao Estado: a aplicação de "juros de mora" quando não paga uma multa, ou uma soma devida por sentença em tribunal.
Quando o Estado é  devedor a um cidadão,  paga pouco em juros  da dívida  acumulada. O cálculo das obrigações do Estado para o cidadão é muito claramente em desfavor deste.

segunda-feira, 27 de abril de 2026

A CANÇÃO DE ABRIL DE 74 [Segundas-f. Musicais nº57]



«Maré Alta» (Letra/Música: Sérgio Godinho)

                                          https://www.youtube.com/watch?v=vTJQmkcoCdA
 

                                   Grândola, Vila Morena (canção alentejana - Zeca Afonso)


                                 Porque (Poema: Sophia Mello Breyner, música: Francisco Fanhais)


Todo o mundo é composto de mudança (José Mário Branco; adaptação de Camões)
 
                                          https://www.youtube.com/watch?v=0hZ8ygJoCPM

Tango dos pequenos burgueses (Letra/Música de José Joerge Letria)

                                          https://www.youtube.com/watch?v=02VWuSxKrJU


Pedra Filosofal (Manuel Freire música, poema António Gedeão)*






Pouco depois do 25 de Abril de 74, no Pavilhão dos Desportos de Lisboa, o palco encheu-se com cantores da resistência ao fascismo. Muitos nomes eram nossos conhecidos. Muitos deles tinham sido ou silenciados pela censura, ou obrigados ao exílio.
Foi um momento único; assinalou a libertação da criatividade musical e poética. Foi um dos momentos mais altos do 25 de Abril. Não me lembro exactamente quais foram os cantores/autores que se apresentaram em palco nesse dia, mas foram muitos e diversos.
Tenho nostalgia de momentos como este, em que a juventude vibrou com a alegria vital destas canções, algumas por nós já conhecidas e que cantámos, num imenso coro.
Seria impossível neste curto artigo, dar a conhecer todos os cantores/as que participaram com a sua música e alma, na gesta - mal compreendida - da libertação de um povo.
A minha amostra é pequena, mas parece-me eloquente, tanto na qualidade musical, como no conteúdo das letras.
Queria ouvir criadores de novas melodias e textos, como os que vos deixo aqui: inspirados e populares.

RELACIONADO:

Amália Rodrigues, é a voz do fado e da poesia portuguesa ao longo dos séculos. Já era um ícone do fado, muito antes de 1974. Ela continou a sua carreira depois do 25 de Abril de 74, homenageada, apreciada por quase todos: 


(*) A letra de «Pedra Filosofal», poema de António Gedeão (Rómulo de Carvalho):


Eles não sabem que o sonho
É uma constante da vida
Tão concreta e definida
Como outra coisa qualquer

Como esta pedra cinzenta
Em que me sento e descanso
Como este ribeiro manso
Em serenos sobressaltos

Como estes pinheiros altos
Que em verde e oiro se agitam
Como estas aves que gritam
Em bebedeiras de azul

Eles não sabem que sonho
É vinho, é espuma, é fermento
Bichinho alacre e sedento
De focinho pontiagudo
Em perpétuo movimento

Eles não sabem que o sonho
É tela, é cor, é pincel
Base, fuste ou capitel
Arco em ogiva, vitral,
Pináculo de catedral,
Contraponto, sinfonia,
Máscara grega, magia,
Que é retorta de alquimista

Mapa do mundo distante
Rosa dos ventos, infante
Caravela quinhentista
Que é cabo da boa-esperança

Ouro, canela, marfim
Florete de espadachim
Bastidor, passo de dança
Columbina e arlequim

Passarola voadora
Pára-raios, locomotiva
Barco de proa festiva
Alto-forno, geradora

Cisão do átomo, radar
Ultra-som, televisão
Desembarque em foguetão
Na superfície lunar

Eles não sabem nem sonham
Que o sonho comanda a vida
E que sempre que um homem sonha
O mundo pula e avança
Como bola colorida
Entre as mãos duma criança




sábado, 25 de abril de 2026

ARMAGEDÃO DA ECONOMIA MUNDIAL, SE DEIXARMOS [MICHAEL HUDSON]


Michael Hudson mostra que o «liberalismo» não é sinónimo de abertura, mas de controlo da economia pelos monopólios e oligopólios.
A aposta do Donald é de que eles - americanos - ficarão com o petróleo e gás, que os outros não terão e que, portanto, os EUA ganharão. Somente ele esquece que os EUA já não têm indústria que lhes permita refazer infraestruturas e produzir bens de consumo em quantidade e diversidade para a população.
Projetos de fábricas de alta tecnologias nos EUA, provenientes de Taiwan e da Coreia do Sul, tiveram de ser reestruturados, porque não havia pessoal americano qualificado a candidatar-se para os empregos. Têm de satisfazer as necesssidades em pessoal, recrutando trabalhadores de Taiwan e da Coreia do Sul.
O poder hegemónico em declínio dos EUA, em vez de trazer segurança aos seus aliados, vai torná-los um alvo; foi o caso dos países do Golfo.
Os EUA querem extorquir a produção de petróleo dos países seus aliados no Médio-Oriente, sob pretexto de pagar as despesas militares e de segurança das bases americanas no seu solo. 

                                   https://www.youtube.com/watch?v=pPvP9ojKmpY&t=4s



 Para tornar a situação ainda mais complicada, Trump e a sua equipa têm conceitos completamente dementes, como o de estarmos perante a segunda vinda de Cristo. Eles são tomados a sério por uma fatia do eleitorado americano. 
Creio que a probabilidade dos americanos usarem a bomba atómica no Irão, nunca esteve tão alta.

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Mais um Abril que passou por aqui...[OBRAS DE MANUEL BANET]



 Um Abril que não rima

É promessa sem cumprir

É vaso bonito com vinho rasca

É tudo aquilo de que fujo


Um Abril que não rima

Não nos promete Maio

Pode ser quente ou frio

Mas não aquece o coração


Dizem que sou sentimental,

Verdade, por que me aflijo

Com um povo de poetas

Que vive de ilusões


Impossível o meu amor

Porque caí eu neste cantinho

Malfadado e maravilhoso

Que não dá, só promete?


Este povo enluarado

É como menino que cresceu

Vadio, ao acaso das ruas

Sem carinho ou educação


Olhem para vocês próprias,

Pessoas enluaradas

E acordem dos sonhos 


Verei então um Abril novo 

No brilho do vosso olhar

E dançaremos na rua



David Stockman: A grande mentira sobre o Irão e a catástrofe no Golfo Pérsico

 [Copiado da página de Doug Casey: ]





By David Stockman

What is going on in the Persian Gulf is rotten beyond words.

The rogue madman in the Oval Office has detonated a conflagration there that could send the entire global economy and financial system spiraling into a catastrophe—and not just because or even mainly due to the 23 million barrels of oil per day at risk out of 105 million needed worldwide.

What’s really at risk is the underlying global financial system. The latter is a veritable house of cards sitting upon a mountain of debt, leverage, and speculative excess. So it may not have the capacity or resilience to withstand a sudden $200 per barrel oil shock.

Yet and yet. The whole insanely reckless act of launching a sweeping military attack on a nation of 90 million people that had zero capacity to impose military harm on the home territory of the United States is predicated on one of the Great Big Stinking Lies of History—namely, that the Iranian regime is a uniquely evil stain on the face of the earth and has spent 47 years bringing injury, mayhem, and death to America and much of the region around it.

The truth, however, is that there’s nothing especially unique about Iran’s manifold sins at all. It’s just another run-of-the-mill authoritarian state run by a medieval theocracy that has imposed one of the most benighted tyrannies of modern times. Accordingly, it has brought untold hardships and miseries to its people, especially via the brutal ruffians of the IRGC.

But that’s mainly the unfortunate work of the clerics and their IRGC allies ruling inside its borders. When it comes to the outside world, Iran has invaded not a single neighboring country since 1979, and indeed not in the last 300 years before the mullahs.

At the same time, Iran was savagely attacked by Saddam Hussein with U.S. and European arms during the 1980s; it has been brutally sanctioned by Washington trade embargoes and economic warfare for the past 30 years; and for decades, it has also been relentlessly assaulted via Israeli assassination squads, saboteurs, and periodic missiles and bombs.

In fact, the whole "leading state sponsor of terror" slogan has more validity as a Bibi Netanyahu campaign theme than it does as an accurate description of the real world.

And, no, the "whadabout the proxies" canard doesn’t cut it, either. Not a single one of Iran’s so-called "proxies" in the region was concocted out of whole cloth by the mullahs as some kind of mercenary force recruited, trained, and financed by Tehran and artificially implanted in the soil of Lebanon, Syria, Yemen, and Gaza.

To the contrary, the first three of these represented Shiite populations, which aligned with their Shiite brethren in Iran out of confessional ties and due to the fact that they were imperiled in their home countries. After all, there was no Hezbollah until Israel invaded southern Lebanon in the early 1980s and imposed a harsh occupation that left tens of thousands dead, culminating in the genocidal atrocities at Sabra and Shatila.

Likewise, the late Assad government in Syria was Alawite, which is a Shiite branch, and had been at war with Israel off and on since 1967 under Bashar Assad and his father before him. Whatever the merits of its half-century-long struggle with the Israelis, the Assad regime didn’t need any new marching orders from Tehran to become a "proxy."

Even in the case of Yemen, the country has been divided and wracked by civil war conditions since the 1960s as regionally based Shiite and Sunni factions battled for power.

The Houthis, domiciled in the north and west of Yemen, of course, are Shiite and made an alliance with Tehran. Not surprisingly, the southern and eastern Sunni areas of the country were aligned with the Sunni monarchy of Saudi Arabia, which has waged war against the Houthis much of the time since 2015.

Finally, however evil the Hamas forces surely are, they were not born, bred, and raised by the mullahs. If anything, the Israeli-sponsored open-air prison in Gaza and five brutal episodes of "mowing the lawn" via vicious bombing campaigns since 2007 were more than enough to explain the rise of Hamas.

In fact, Hamas was mainly Sunni, not Shiite, and was aligned with Iran only out of having a common enemy. Even then, most of the suitcases full of cash that Netanyahu permitted to come into Gaza year after year before October 7th were Sunni money from the Gulf states, not Iranian proxy finance.

 

So, yes, there has been a goodly amount of conflict and violence in the region, but it was not robotically commanded by the Ayatollahs. It was deeply rooted in the indigenous conflicts of the region that long pre-dated the 1979 Islamic Revolution.

The common thread, of course, is that all four of these forces were indigenous to the region and had a beef with Israel, separate and apart from anything happening in Tehran. That’s mainly because each of these groups was directly attacked or demonized by Bibi Netanyahu for deep reasons of Israeli politics.

For instance, the only reason Hamas thrived as long as it did is that Bibi Netanyahu financed it via Qatar in order to weaken the Palestinian Authority. In turn, that cynical ploy was aimed at scuttling any eventual implementation of the Oslo Accords and a two-state solution on the grounds that the Palestinians were so divided and violent that there was "no one to negotiate with."

In any event, the gist of the 47-Year War on America Lie stems almost entirely from Israel’s ongoing battle with the four mislabeled "proxies" and Washington’s repeated interventions, funding, and international political and diplomatic support for Israel. And even then, taking sides in this manner had no benefit whatsoever for the homeland security of America.

Yet it was the unnecessary and avoidable fallout from consistently taking sides with Israel against these regional foes that gave rise to the hoary myth that Iran has murdered more than 1,000 Americans over the 47 years since the Revolution. Yet a simple fact check conducted by Grok 4 at our request debunks this endlessly chanted claim lock, stock, and barrel.

Here are the key realities:

  • Not one of the 1,050 American deaths during this period occurred on American soil.
  • Exactly 1,041 of these deaths occurred at the hands of alleged Iranian proxies versus only 9 attributable to the Iranian military or other government agencies.
  • Fully 1,000 or 96% of the American deaths happened in the context of U.S. military deployments to the region and the resulting active wars and peacekeeping activities in Lebanon, Iraq, Syria, Yemen, and adjacent territories and coastal waters.

That’s right. Not one of these U.S. military deployments from the Beirut Marine barracks forward was necessary for America’s homeland security. To the contrary, all were elective wars undertaken in pursuit of the imperatives of Empire.

Accordingly, the resulting deaths are due to putting American military and civilian personnel wrongfully in harm’s way—and most especially from taking sides in local and regional military conflicts that were none of Washington’s business.

In short, the 1,000 American deaths chant is completely and hideously wrong because these figures resulted from Washington-initiated military actions in the Mideast that were wholly unjustified and, consequently, put American lives in harm’s way against local people who had reason to defend themselves from actual or potential U.S. military assault.

Thus, while all of these deaths were tragic and unnecessary, the neocon exploitation and lies about them need to be subject to withering ridicule. That is to say, things that didn’t need to happen owing to Washington’s fault over nearly a half-century do not remotely amount to a casus belli in any rational world.

Indeed, even if you consider these unfortunate deaths as abstract statistics without context or blame, there is absolutely no cause to start a quasi-world war in the Persian Gulf, which supplies a crucial share of the world’s crude oil, refined petroleum, LPGs, liquefied natural gas, industrial sulfur, and helium crucial to semiconductor chip production, among others.

To the contrary, the unhinged madman domiciled in the all-powerful Oval Office has the region, the U.S., and the global economy on the edge of catastrophic upheaval based on an utterly untruthful narrative about 1,050 American deaths during the last 47 years that were far exceeded by the ordinary course accidents and hazards of daily life in America during that same period, such as fatalities from:

  • Powered lawnmower accidents: 3,200 deaths.
  • Bee stings: 3,900 deaths.
  • Falling out of bed: 10,300 deaths.
  • Visiting Mexico: 4,000 Americans murdered there.
  • Lightning strikes: 2,000 deaths.
  • Cardiac arrest during sex: 8,000 deaths.


quinta-feira, 23 de abril de 2026

NEANDERTAIS E HUMANOS «MODERNOS» UMA SEPARAÇÃO ARTIFICIAL?

 


O vídeo acima apresenta uma tese, segundo a qual não existe real separação entre os primeiros «homens modernos» e os neandertais. Seriam apenas diferenças superficiais, isto é, de traços secundários que permitem caracterizar os fósseis como mais sapiens, ou mais neandertais, mas não afetaram a interfecundidade das duas populações.
A existência comprovada de cruzamentos férteis, evidenciada por híbridos fósseis, sobretudo a presença no genoma dos humanos contemporâneos de genes provenientes dos neandertais (1 a 4 % do genoma dos indivíduos «caucasianos»), mostram que a barreira reprodutora (biológica) não existiu, ou foi muito fraca, entre as duas espécies ou sub-espécies.
O documentário mostra até que ponto as classificações são falseadas pelo subjectivismo dos investigadores e do ambiente geral, favorecendo determinadas teorias.
Quando eu era estudante de biologia, nos anos 1976-79, os neandertais tinham como desiganação científica Homo sapiens neanderthalensis e os homens modernos eram Homo sapiens sapiens. Isto significava que os neandertais eram classificados como sub-espécie de uma espécie, que também era a nossa. Logo a seguir, prevaleceu a tese de que se tratava de duas espécies separadas, pertencentes ao mesmo género: Homo neanderthalensis e H. sapiens.


A engenharia genética, a sequenciação dos genes, a sequenciação do genoma humano, o desenvolvimento de métodos de extração e sequenciação de ADN de fósseis, vieram transformar completamente os dados do problema: O primeiro genoma neandertal completo foi apresentado em 2010, salvo erro. A partir desta data, têm sido publicados outros genomas completos.
Também foi possivel fazer o mesmo com os denisovanos. Não vou aqui desenvolver o significado das descobertas, senão num ponto:
- Sim, tanto os denisovanos como os neandertais deixaram porções de ADN significativas no genoma dos humanos contemporâneos. Porém, nota-se também que estas sequências contêm apenas alguns grupos de genes; os outros grupos estão ausentes.
A hibridação produziu descendentes com 50% de genes sapiens e 50% genes neandertais, segundo leis matemáticas da genética. As sucessivas gerações descendentes desses híbridos deveriam ter conservado uma certa proporção de genes neandertais. Mais importante para este caso, é que -havendo total compatibilidade dos genomas - deveriam ser representados os genes codificando as diversas características, exatamente como acontece para quaisquer «híbridos intra-espécie». Mas, ao longo do tempo, houve genes neandertais que se perderam, correspondentes a funções determinadas dos organismos. Porém, outros genes foram conservados e produzem fenótipos na população atual. Portanto, houve uma exclusão selectiva de certos genes e uma conservação selectiva de outros. Nas populações em que houve hibridação entre neandertais e sapiens, as gerações subsequentes experimentaram tal processo (selecção biológica excluindo determinados genes). Note-se que as percentagens de 1-4%, acima referidas, correspondem a genes de origem neandertal nos indivíduos. Se tomarmos a população «caucasiana» como um todo, estão representados cerca de 60% do genoma completo neandertal. Se não tivesse havido discriminação em relação aos genes neandertais, teoricamente deveriam estar representadas nos humanos de hoje, 100% dos genes neandertais, embora distribuidos em pequenas porções, nos indivíduos contemporâneos mais diversos. Os 40% que não estão representados nas populações humanas atuais, correspondem a genes perdidos por deriva genética, mas sobretudo, por incompatibilidade com o restante genoma de origem sapiens. Genes que conferem um grau inferior de adequação fenotípica acabam por ser excluídos da população, mesmo os genes que conferem aos indivíduos somente uma desvantagem muito ligeira.
Uma hipótese que se pode avançar como fator para a extinção dos neandertais, é a diminuição de fertilidade dos híbridos:
- A incompatibilidade parcial de certos genes sapiens no contexto de indivíduos neandertais, pode imaginar-se por analogia com aquilo que acontece hoje com populações humanas contemporâneas e com o factor RH-.
As mulheres com o fator Rh- mas cujo feto é Rh+ podem sofrer uma reação imunológica de rejeição do feto. Pode imaginar-se mecanismos deste género que causariam mortalidade dos fetos e/ou esterilidade (ou diminuição de fertilidade) nas mulheres.
Os Neandertais e os sapiens seriam duas sub-espécies da espécie Homo sapiens, como intuíram corretamente paleoantropólogos da era pré-tecnologias do ADN. É adequado pensar-se em espécies em vias de formação, mas ainda não totalmente separadas.
Espécies isoladas segundo a definição de Ernst Mayr, com certeza não o eram, pois há imensas provas de interfecundidade e de fecundidade dos híbridos nos dois grupos.
Estes fenómenos de hibridação ocorreram em várias ocasiões e em diversas zonas geográficas: Os asiáticos e os povos originários da Oceania têm significativa percentagem de ADN de origem denisovana no seu genoma (cerca de 6% na Papuásia). 
As populações africanas sub-saharianas também possuem sequências doutras populações extintas (ainda não esclarecidas). 
As populações originárias da América (ameríndias) são oriundas de migrações vindas da estepe siberiana, portadoras das sequências denisovanas.
Existem evidências de que se iniciou um processo de especiação, durante as épocas glaciares. Os rigores das eras glaciares isolaram as populações humanas, sujeitas a condições ambientais diferentes umas das outras. Depois, houve expansão das várias populações e sobreposição parcial de sua distribuição geográfica. Assim se proporcionaram encontros, hibridações, trocas e influências culturais(1).






----------------------------------------------------
(1) Alguns autores consideram que na cultura Chatelperronense, de neandertais, se observam influências culturais de H. sapiens.

O RESET NÃO SERÁ UM ACONTECIMENTO DE MERCADOS, MAS MONETÁRIO

 


Neste vídeo, estão condensadas informações não confidenciais, que foram publicadas pelos Bancos de investimento, J P Morgan, Goldman Sachs e UBS. 
Na verdade, o falatório de «conselheiros» económicos e «tutti quanti», destina-se a conduzir o público iludido para investir nos «mercados», ou seja, nas bolsas e nos ativos financeiros. 
Numa grande crise sistémica, como é o caso presente, o colapso não tem lugar do dia para a noite. É antes uma erosão progressiva do valor do dinheiro (divisas «fiat») e portanto - por arrastamento - de todos os ativos que são cotados nessas divisas. 
A volatilidade do ambiente, tanto geopolítico como económico, aconselha que não se façam investimentos que dependem muito da confiança. 
Contrariamente ao que dizem os seus propagandistas, o bitcoin e outras cripto-divisas, comportam-se exatamente como as ações tecnológicas no NASDAQ; quando essas ações sobem, as criptodivisas também sobem; e inversamente, quando aquelas descem, também as criptodivisas descem.
Num clima bolsista muito instável, pode ser necessário cobrir perdas nos mercados bolsistas: o «cash», divisa em numerário, pode servir, mas guardá-lo durante muito tempo, num ambiente inflacionário, equivale a uma perda de valor considerável: Se a inflação real for de 10% ao ano, o valor real de 100 dólares, em numerário, ao fim dum ano... será de 90 dólares.
Existe a possibilidade de salvaguardar o valor intrínseco do que se possui, investindo em bens não perecíveis e com reconhecido valor em qualquer país, em qualquer circunstância. É o caso do ouro e da prata. Diz-se que o preço destes metais está a subir nas plataformas que negoceiam matérias-primas; mas, na realidade, o ouro e a prata não sobem nem descem: Porque, aquilo que sobe ou desce é o valor das divisas, em relação aos metais preciosos.
Outros, seriam os investimentos imobiliários e em terrenos: Podem conservar, no longo prazo o seu valor real, mas, antes da aquisição deverão ser avaliados com cuidado e conhecimento objetivo do mercado imobiliário. Mas, estes são investimentos difíceis de ser vendidos no decurso de crise prolongada. 

O vídeo é muito rico em informação, que não posso resumir aqui. A dicção é boa e podemos acompanhar o que é dito lendo as legendas em inglês. 
Poucas vezes tenho deparado com informação como esta, muito útil para quem precisa de preservar seu futuro económico e o da sua família.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

ESTRATÉGIA DO IMPÉRIO USA, DESCRITA EM PORMENOR (Crónica da IIIª Guerra Mundial nº61)

OIÇA AS PALAVRAS ESCLARECEDORAS DO PROF. JIANG NO JIMMY DORE SHOW!



 JIMMY DORE CONCLUI - COM RAZÃO - QUE ESTAMOS NA IIIª GUERRA MUNDIAL, AGORA


Tenho acompanhado os sucessivos vídeos de Jiang Xueqin. O que me impressiona nestes é que seu conteúdo decorre de uma análise e reflexão pessoais. Está realmente preocupado em dar boas pistas aos seus alunos e auditores, para melhor compreenderem o Mundo em que todos nos movemos. 
O seu conhecimento é aprofundado, nas matérias sobre as quais fala. 
Não recua perante o desafio de fazer previsões, mas tem o cuidado de assinalar que são apenas hipóteses, que podem realizar-se ou não, no todo ou em parte. 
Não estou de acordo com tudo o que diz. Mas, as suas intervenções são - para mim - um excelente estímulo para o meu próprio raciocínio. 
Quanto a Jimmy Dore, autor do «show» político mais famoso dos EUA, tem a capacidade de dialogar com o seu hóspede de maneira espontânea, desinibida, mas sempre com o maior respeito.
 Em Portugal, os entrevistadores da  TV, eram, em geral, o oposto de Jimmy Dore: má criação, ignorância e arrogância. Foi este o principal motivo para eu ter deixado de assistir a entrevistas em canais da TV portuguesa.

terça-feira, 21 de abril de 2026

PARA QUE SERVEM AS CONSTITUIÇÕES?

 

 Os 50 anos do golpe da contra-revolução no 25 de Nov. de 1975 comemorados no Parlamento.






Recebi, há umas semanas, um convite para assistir a um colóquio em comemoração do 50º aniversário da Constituição da República Portuguesa, após a revolução de Abril. Nesta ocasião não pude participar, por motivos de ordem pessoal. Porém, refleti, uma vez mais sobre o assunto.

O essencial dessas reflexões é o que vos apresento a seguir.

Dizem que as constituições são as fundações jurídicas e ideológicas de uma estrutura política chamada Estado. Consoante a constituição em vigor, determinadas leis são compatíveis com ela e podem tornar-se leis do mesmo Estado, ou não. Logo neste aspeto, vemos que existe uma enorme latitude para um grupo de pessoas, juízes, políticos no ativo ou 'reformados', etc. decidirem sempre «em nome do povo», apesar de não terem sido eleitos para tal mandato, se tal ou tal projeto de lei se conforma, ou é compatível com a constituição em vigor.

Depois, vêm os acrescentos ou cortes, que são feitos ao longo dos anos, para adequar uma constituição aos tempos presentes. Note-se que a constituição do Estado mais poderoso da Terra, os EUA, continua não modificada, após quase 250 anos de existência (aprovada em Filadélfia pelos delegados à convenção, em 1787).
As adendas à Lei fundamental dos EUA são entendidas como necessárias para clarificar o sentido geral pré-existente, não como «subversão» ou desqualificação do texto original.

Em Portugal, porém, alguns anos após a promulgação da constituição do 25 de Abril, o poder legislativo da altura, socorrendo-se da possibilidade de efetuar uma revisão da constituição, decidiu apagar cláusulas e formulações que desagradavam aos burocratas e tecnocratas da então CEE de Bruxelas, para que Portugal tivesse acesso ao «maná» da Europa dos ricos.

Todas as modificações posteriores vieram acentuar o padrão clássico da democracia parlamentar, minimizando a possibilidade de formas de democracia direta, cuja existência, prevista na versão inicial, mostrava que a revolução dos cravos tinha «no bojo» a possibilidade de tomada em mãos da orientação da sociedade pelo povo, pelo próprio povo, coisa que assustava demasiado os «democratas engravatados» .

Bem, a democracia precisa sobretudo de uma coerência entre um projeto político, referendado pelo povo e a realização prática do mesmo, pelos políticos que entretanto se sentam nas cadeiras do poder, nos sucessivos ciclos eleitorais. Ora, na realidade, as distorções e interpretações vesgas de certos preceitos da nossa lei fundamental, são como pegadas fósseis que marcam a transformação do projeto de democracia caminhando para o socialismo, numa democracia exclusivamente virada para proteger os privilégios dos privilegiados.

Como foi isto possível? Há que fazer a história destes cinquenta anos, o que obviamente deverá ser levado a cabo por historiadores credenciados, não por mim. Mas, eu penso que essa história estará presente na memória de muitas pessoas que - como eu - já eram adultas quando se deu a promulgação da Lei fundamental em 1976.

Porque, se nós virmos as realidades sociais decorrentes, constatamos que o programa social - vasto e ambicioso - da constituição inicial, ou foi apagado no próprio texto, ou deturpado por leis que, afinal, «não estavam em contradição» com o referido texto, porque assim o decidiu um conselho constitucional fortemente partidarizado, ou porque a política dominante decidiu não «ligar» a certos artigos constitucionais, pondo-os entre parêntisis, para agradar ao poder da burguesia. Quando falo desta classe, estou a referir-me sobretudo à burguesia que domina a Europa da U.E. Tal é o seu poder, que tem influído, sem que os cidadãos respectivos se apercebam, nas políticas internas dos estados-membros, para que estes se conformem ao modelo neoliberal que subjaz todo o edifício da U.E.

O chamado tratado de Lisboa não é um tratado, mas sim uma versão da constituição rejeitada pelos votantes da França e da Holanda. O nome de «tratado» foi uma esperteza dos políticos da Comissão Europeia e dos governos, para poderem construir uma Europa supra nações, supra vontade dos povos e, sobretudo, que nunca tivesse a veleidade de rejeitar o capitalismo e encetar o caminho para o socialismo.

E assim, passo a passo, a constituição da República portuguesa deixou de estar em vigor, na prática. Existem umas palavras impressas, mas que deixaram de ser o fundamento do regime atual, teoricamente na continuidade da revolução de Abril.

Curiosamente, as forças políticas que aprovaram a constituição de 1976 incluem dois partidos que tinham e têm uma fatia muito grande do eleitorado, o então PPD (que mudou para PSD, pouco depois) e o PS.

Estes dois partidos, que se alternaram no poder, em quase todos os 50 anos passados, os seus chefes, os deputados, os membros destacados... todos eles juraram defender a constituição. Isso faz parte da fórmula-juramento que têm de pronunciar para «tomar posse» dos cargos políticos.

Todos nós sabemos que não estavam a jurar com sinceridade. Entre eles, o afã de progredir na carreira política era tal, que se mostravam capazes de dar «umas facadas» na constituição. Senão em termos literais, pelo menos em termos factuais, pois as políticas que implementavam chocavam muito claramente com os ideais de justiça social da consituição de Abril.

É assim que se desfaz uma revolução que foi dos cravos, mas que afinal, trouxe a continuidade no poder à mesma classe.

Desde o período dito «revolucionário» (1974-75) diversas fações da burguesia portuguesa, aconselhadas por entidades exteriores, souberam superar suas rivalidades para reinstalar gradualmente, sem dramas, o domínio dos empresários sobre os «não-ricos», os trabalhadores. Estes, ficaram destituídos de qualquer poder efetivo.

Mesmo quando se conservam na legislação aspectos como a lei da greve, a constituição de sindicatos, das comissões de trabalhadores, etc. estas eram emasculadas por dirigentes sindicais e políticos, especializados em canalizar a revolta e a indignação dos excluídos para formas civilizadas, cordatas, de contestação, que não ponham em causa, nem o poder do patronato, nem dos partidos do sistema.

Os últimos 50 anos em Portugal, foram de longa caminhada para a neutralização do potencial que esteve presente nas leis e na sociedade, que assustaram a burguesia portuguesa e europeia.

Uma revolução impossível, ou não? Significará este fracasso, que os frutos vislumbrados dum verdadeiro socialismo são utópicos e - quanto muito - só possam ser aproximados através de movimentos reivindicativos e lutas cívicas?

Não: A minha resposta é que Portugal e muitos outros exemplos no Mundo, mostram que, se uma revolução não triunfar, ela irá involuir duma forma ou de outra, até que não reste mais que a vaga memória do sucedido, ou que se erga um regime contra-revolucionário, disposto a esmagar, com a brutalidade necessária, as veleidades de justiça e liberdade dos oprimidos.




Cabe às pessoas fazerem, da «Revolução de Abril» em Portugal, uma leitura lúcida, pessoalizada, sem «auto-desculpas» para si próprias e para a facção sua preferida. Não serei simpático e popular em certos meios de esquerda, por dizer-lhes aquilo que estes não gostam de ouvir. Mas, não me importo muito. Porque o conhecimento aprofundado dum processo político não aliena; pelo contrário, é um conhecimento que nos emancipa.




O IRÃO DETÉM TODAS AS CARTAS, NÃO ISRAEL NEM OS EUA...

...numa guerra prolongada, como está a ocorrer agora.



 John Mersheimer apresenta o modo como Trump e administração têm  atuado,  como a mais prejudicial para a capacidade de projeção de poder e influência dos EUA.

 https://open.substack.com/pub/savageminds/p/iranus-tensions-escalate-after-ship?utm_source=share&utm_medium=android&r=9hbco

Ver o link acima de Abdul Rahman, que esclarece as condições em que foi capturado  um navio tanque iraniano pela marinha dos EUA.

NEANDERTAIS: GENÉTICA DAS POPULAÇÕES PODE ESCLARECER SEU DESAPARECIMENTO


 A genética das populações está vocacionada para avaliar a frequência dos genes numa população, não tendo vocação para o detalhe da transmissão de genes, de indivíduo a indivíduo.  Também não investiga sobre as formas fenotípicas em si, decorrentes da expressão desses genes. A não ser que esta transmissão e estas formas fenotípicas sejam relevantes na distribuição ou frequência dos referidos genes na população. 

No campo da paleoantropologia, a possibilidade duma «genética das populações» extintas há cerca de 30 mil anos, como os neandertais, era considerada "ficção científica", até há bem pouco tempo. 
Com o desenvolvimento de técnicas de extracção e sequenciação de ADN de fósseis (ADN antigo), a situação alterou-se radicalmente: Agora, com os dados que se dispõe, é possível emitir hipóteses pertinentes e testá-las com as sequências genéticas de neandertais (e outras) que se vão acumulando. 
Parece-me relevante (aliás, já o tinha apontado em artigo anterior) o seguinte: O fraccionamento dum grupo em pequenos bandos separados não vai originar, por endogamia mais intensa, uma descendência enfraquecida geneticamente, mas antes contribui para a diferenciação mais rápida de certas características. 
Cada pequeno grupo isolado seria como um "laboratório de experiências genéticas"
Dentro de cada sub-população, a selecção darwiniana continua a exercer-se, só podendo viver e reproduzir-se aqueles indivíduos com boas condições para enfrentar as agruras do ambiente e excluindo os inadaptados. Neste contexto particular, a frequência de genes nocivos ou desfavoráveis seria muito baixa e apenas reflectiria a taxa intríseca das mutações produzindo os traços desfavoráveis. 
Por outras palavras, as populações - em condições ambientais severas - estavam sujeitas a uma selecção tal, que os genes causando handicap,  caso surgissem, teriam uma frequência muito baixa; a capacidade de sobrevivência do grupo, enquanto tal, não era posta em causa.

Mas, cabe aos especialistas na matéria exercer sua análise crítica sobre a hipótese apresentada no vídeo: Nos ambientes diferenciados,  as populações fragmentadas sofrem uma deriva genética*  e uma rápida diferenciação anatómica. 
Mesmo que dados futuros revelem outros aspectos diferentes, vale a pena emitir hipóteses compatíveis com os dados já conhecidos e com o saber acumulado em genética das populações. 
Será este o caminho para se encontrar a explicação do mistério do desaparecimento dos neandertais.


------------------------
* deriva genética: os  genes são seleccionados ou perdidos devido ao acaso, pela composição dos indivíduos na pequena população.



                                   Relacionado:

segunda-feira, 20 de abril de 2026

A DECISÃO MAIS ESTÚPIDA DA HISTÓRIA AMERICANA


Atribui-se a Napoleão,  mas realmente o original é  de Sun Zu:
«Quando o inimigo está a fazer um disparate, como meter-se numa "ratoeira", deixa-o fazer, não interfiras...»


 Uma excelente análise jornalística em profundidade partindo da intuição premonitória de Whitney Webb.

A não perder!

STEPHANIE TRICK & PAOLO ALDERIGHI : STRIDE PIANO [Segundas-f. musicais nº56]



No jazz convergiram vários tipos de música vindos de várias origens: Não só o cantado, dançado e tocado nas roças do Sul por jornaleiros que faziam trabalho duro e mal pago (nesse meio nasceram os blues). Também a música urbana do Sul, de Nova Orleans em particular, abundante em lupanares e cabarets, onde nasceram o ragtime e o stride.
Não podia encetar este programa melhor do que com a versão a dois pianos do sucesso da Broadway, depois vertido em filme, de «Cabaret», com o desempenho de Liza Minnelli (filha de Judy Garland e de Vincent Minnelli).  
O programa segue com duas obras que ilustram a criatividade  de James P. Johnson, um dos criadores do estilo «stride». 
Muitas enciclopédias e dicionários dão uma panorâmica das origens e evolução do jazz. 
Poucos, no entanto, enfatizam o enorme papel do «stride» na sua história. No entanto, os maiores pianistas de jazz utilizaram* este estilo, pelo menos numa fase da sua carreira.
Para mais esclarecimento sobre o stride, pode consultar: 

-------------------------------------
*Nomes de alguns pianistas célebres do jazz que utilizaram o estilo «stride»:
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------




STEPHANIE TRICK & PAOLO ALDERIGHI

 


 







Música alegre, viruosística sem o parecer, ganha todo o seu brilho nas mãos do casal Stephanie e Paolo. Deliciem-se com o «stride», correspondente às primeiras formas do jazz.

domingo, 19 de abril de 2026

Fragilidades demográficas e económicas da China


                           https://www.youtube.com/watch?v=OsNb5_BpGIg&t=165s



COMENTÁRIO POR MANUEL BANET

A China é muito vasta. O território consiste numa orla costeira sobrepovoada e uma imensidão de zonas interiores, umas devotadas à agricultura, outras montanhosas e impróprias para a agricultura. Nestas zonas interiores menos favorecidas, uma parte da população tem migrado para as grandes cidades,  para realizar as terefas humildes, que os citadinos agora desprezam: limpeza municipal, operários de construção, operários industriais em atividades penosas e pouco salubres, etc. 
O «hinterland» da China é imenso e tem fornecido muita mão-de-obra para as regiões mais desenvolvidas. A média de fertilidade global na China tem algum significado, porém, o que conta também é saber se continua a haver uma elevada fecundidade em zonas pouco desenvolvidas ou essencialmente agrícolas.  Se assim acontecer, então o problema demográfico será outro; já não a baixa fertilidade, em absoluto. Mas um baixo índice em zonas urbanas, causando um forte apelo para o emprego de baixo índice remuneratório mas, suficiente para estimular os jóvens a abandonar os seus distritos rurais nativos. Isto provoca um esvaziamento de adultos jovens nas zonas periféricas.

Quanto ao excesso de oferta de andares, também a questão deve ser vista de maneira diferenciada. Nos últimos 20 anos, foi necessário alojar milhões em novas aglomerações industriais. Por exemplo, Shenzen, onde se concentra uma parte da indústria de elecrónica e informática, era uma pequena cidade provincial que, num espaço de tempo curto - cerca de 30 anos - se transformou num grande centro. Logicamente, os operários que foram trabalhar para Shenzen e para outras cidades inteiramente novas, precisavam de alojamento. 
É verdade que muitas famílias depositaram as suas poupanças em apartamentos, destinados a ser vendidos com lucro, ou a serem alugados. Na verdade, nem a bolsa, nem as contas bancárias são muito atraentes na China. As bolsas estão sujeitas a altos e baixos muito mais acentuados do que nas bolsas europeias. As contas bancárias são fracamente remuneradas (abaixo do valor real da inflação), tal como acontece nos países ocidentais. O excesso de construção deixou em perigo de falência as empresas gigantes, tais como a Evergrande, que vendiam as habitações quando elas somente estavam projetadas. O lucro que faziam, permitia expandirem-se por muitos outros setores. Tiveram um sério travão pelo governo de Xi Jing Pin, que traçou os princípios pelos quais era lícito construir: Não haverá casas à venda «no papel»; as casas têm como função serem habitadas, não devem servir como veículo de especulação; os créditos à habitação por parte dos bancos devem obedecer a regras claras e controláveis, as pessoas que foram ludibriadas devem ser indemnizadas pelos infractores...
Um aspecto do problema tem a ver com a gestão dos terrenos pelos governos provinciais, que puderam assim levantar somas importantes e desenvolver suas regiões, antes pouco desenvolvidas, graças à cedência de terrenos para o imobiliário. 

Outra fragilidade da China é a que se prende com a autossuficência alimentar e energética. O vasto território da China daria para alimentar adequadamente toda a população. Porém, em consequência do êxodo rural, muitas zonas do interior não fornecem ao conjunto da China os géneros agrícolas que potencialmente poderiam produzir. 
O desenvolvimento das energias ditas «renováveis», embora tenha feito progressos notáveis, não impede que continue a ser dependente do petróleo numa extensão considerável (como vemos na atualidade). Quanto à energia nuclear e os reactores a tório, parecem ser uma aposta forte do governo. 
Um país tão vasto, que conseguiu fazer sair da pobreza absoluta 800 milhões, em menos de 30 anos, terá muitos problemas e contradições, inevitavelmente. 
A política agressiva de sanções do Ocidente e dos EUA, em particular, com o objetivo de limitar ou reduzir as capacidades tecnológicas avançadas da China, saldou-se por um fracasso. Estimulou o desenvolvimento endógeno das tecnologias de ponta tornando a China ainda mais competitiva nesse domínio. Porém,  terá havido situações de desemprego causado por fábricas que fecharam, sucursais ou concessionárias de grandes empresas ocidentais que decidiram retirar-se da China (algumas, pressionadas pelos governos de origem, com certeza).

No conjunto, o que pode acontecer de menos favorável às indústrias chinesas, terá a ver com a profunda crise que se desenvolve internacionalmente e em particular nos países ocidentais, que eram os principais clientes dos produtos chineses. É previsível que a descida da capacidade económica de muitas pessoas no ocidente, provoque um retraímento das compras de produtos chineses. Mas, apesar do ambiente internacional desfavorável, o certo é que agora o Ocidente e particularmente os países europeus, vêm que a China é indispensável como parceiro para trocas comerciais: Cortar ou restringir os laços comerciais com a China iria originar muito mais dano para as economias destes países, do que para a China.


ORIGENS DO POVO BASCO (finalmente) DESVENDADAS


 Excelente documentário que nos permite compreender a enorme relevância do ADN antigo, para  esclarecer o passado de cada povo, mas também as susceptibilidades genéticas a várias doenças. 

sexta-feira, 17 de abril de 2026

REVIVER O ECOSSISTEMA ATRAVÉS DE (RE)INTRODUÇÃO DE ESPÉCIES SELVAGENS

 NA SERRA DE GUADALAJARA, EM ESPANHA



                                        https://www.youtube.com/watch?v=2puOUHPivH8


Nunca tendo renunciado à ideia de que «natural é o melhor», fico entusiasmado pelas tentativas de reinvestir os sítios mais flagelados por fogos e por brutal invasão do espaço de floresta (ou agrícola) com espécies exógenas e agressivas, como o eucalípto. Tais iniciativas são para aplaudir, apoiar e tomar como exemplo de transição ecológica.
Porque o futuro, contrariamente à propaganda dos tecnocratas, não significa robots, mas humanos em interacção criativa e respeitosa com as outras espécies animais. 
O conteúdo do vídeo é a melhor forma de mostrar quão idiota é a dominação/destruição da Natureza, para subjugar o espaço rural ou silvícola aos interesses depredadores de alguns capitalistas. 
Já é tempo do público não especializado começar a diferenciar o que é realmente agricultura sustentável e o que são apenas slogans para enganar.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

quarta-feira, 15 de abril de 2026

LÍDER DA OPOSIÇÃO DE TAIWAN EM VISITA À CHINA + «blackout» mediático sobre BRI


 https://www.youtube.com/watch?v=fiDtfdBYHBQ

A líder do KMT (Kuomintang) de Taiwan é favorável a uma unificação com a China. Este é o partido dos nacionalistas históricos, fundado por Chan Kai Tchek. 
O DPP, que está no poder, tem uma postura de separatismo, além de ter uma ligação muito subserviente a Washington. Os falcões da Administração Americana  e do Pentagono estão apostados em provocar uma guerra. O complexo militar-industrial dos EUA tem vendido a Taiwan uma quantidade de armamento e têm sido enviados militares americanos para instruir na utilização das armas sofisticadas. 
Segundo a líder do KMT, um conflito com a China continental seria pior que a situação da Ucrânia em relação à Rússia. Ela questiona, num vídeo transcrito por Ben Norton, «se os taiwaneses querem ser os próximos ucranianos» isto é, serem aqueles que são cilindrados numa guerra, que não têm hipótese de ganhar, para conveniência dos EUA.

RELACIONADO:

Os media ocidentais estão sempre a veícular uma imagem negativa de fracasso, das Novas Rotas da Seda. Porém, nada se sabe, porque há um écran de contra-informação e os dados económicos objetivos são claramente suprimidos. Tudo o que seja bem sucedido do lado da China, é para difamar; se não for possível - por distorcer a realidade de forma evidente, expondo a fabricação - então a media faz «black-out» destas notícias. Assim, o público é desinformado, pois a media ocidental não lhe dá a possibilidade de conhecer os factos.