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segunda-feira, 12 de outubro de 2026

HEGEMÓNICOS EM DERROCADA ALARGAM A GUERRA [Crónica da IIIª Guerra Mundial, nº73]



O interesse dos EUA é muito claro. A sua estratégia é a mesma que a do Império  Britânico, nos seus dias de glória: Colocar os adversários do Império uns contra os outros. Não permitir que qualquer potência venha «fazer sombra» à potência hegemónica. Como dizia Lord Palmerston: «o Império não tem nem amigos, nem inimigos; tem interesses». Os EUA não estão interessados em entrar diretamente em guerra com a Rússia, ou com a China. Sabem bem que não poderiam sustentar uma guerra convencional, quer com um, ou com outro dos super-poderes seus rivais. Pelo menos, de momento seria impossível, pois estão em reais dificuldades no Médio-Oriente. 

Os iranianos e os iemenitas tornaram-se mestres em guerra asimétrica. Os próprios Estados Unidos e os seus aliados na região (Israel e as monarquias do Golfo Pérsico), estão envolvidos numa guerra prolongada, que  têm muito pouca probabilidade de ganhar. Aliás, está à vista que o campo imperialista já sofreu tremendas derrotas, apenas insistindo na continuação da destruição criminosa, porque o seu orgulho ferido não aceita negociar uma paz, em condições de fraqueza. 

Neste contexto mundial, os «reinos satrapas» da Europa da OTAN, desempenham o papel que tinham tradicionalmente, ao lado dos EUA, potências bem menores, nas guerras por  procuração que aconteceram ao longo da «Guerra Fria» e mais além, no período em que os EUA se sentiram como força mundial hegemónica, após a implosão da URSS e dissolução do Pacto de Varsóvia.

Como «reinos satrapas», os europeus da OTAN não têm independência em política, ou noutros aspectos. Trata-se de nações falsamente soberanas. Continuam a ter seus territórios ocupados com bases dos EUA, nominalmente da OTAN, mas geridas e guarnecidas essencialmente por militares dos EUA. 

Ficam muito contentes, esses fantoches europeus, em mostrar protagonismo numa guerra contra a Rússia, para a qual, desde 2014 (data do golpe americano-europeu ocidental) fornecem armas, munições, tropas especializadas, vigilância electrónica e por satélite, ao governo neo-nazi, claramente opressor do seu próprio povo. Mas esta junta de nazis é acolhida em Bruxelas e nos centros ocidentais, como «heroís democráticos, que lutam pela independência do seu país face à bárbara invasão de Putin».

Acontece que, na realidade, a Ucrânia, fosse qual fosse sua realidade política interna, não poderia vencer o gigante russo. Os seus governantes sabiam-no e também o sabiam os dirigentes dos países da OTAN. Desde o príncipio, o interesse da nação ucraniana era entrar em negociações e obter um acordo, para um novo equilíbrio de coexistência, quer com os países da OTAN, quer com a Rússia. 

Os políticos e diplomatas de ambos os lados sabiam isso. Porém, o governo ucraniano foi forçado a recuar (pela pressão ocidental e britânica, principalmente), quando tinha praticamente concluído um acordo de paz com a Rússia, em Março-Abril de 2022. 

Eu não irei retraçar aqui as peripécias da guerra que continuou desde então. Tenho escrito desenvolvidamente sobre ela, mas sem pretender fazer um relato de cada desenvolvimento no campo de batalha. Porém, é claro para mim, desde o princípio, que se estava a sacrificar o povo ucraniano e a castigar o povo russo, sem nenhum respeito pelas vidas de centenas de milhares, agora de milhões, e sem querer resolver a guerra. Quanto mais durasse esta guerra, mais seriam favorecidos os interesses da casta militarista, do complexo militar-industrial e outros interesses inconfessáveis, nos países da OTAN.

Lamento dizer que a esquerda europeia, numa percentagem muito elevada, agiu como se se tratasse duma  luta «da liberdade contra a tirania», sabendo nós que aquilo que se passou, desde o princípio, não foi nada assim. Como de costume, os elementos de esquerda na base, militantes e simpatizantes, foram enganados e muitos deram o apoio à política dos seus inimigos. Muito se deveu a esta miopia induzida, quer pela media corporativa, comprada pelos grandes capitais, quer também pelos estados-maiores de partidos e agrupamentos, incluindo alguns, ditos de esquerda. 

Uma situação análoga a isso, foi a que ocorreu com o volte-face da esquerda parlamentar nas vésperas de 1914, que antes se apresentava como pacifista e anti-militarista e se deixou envolver no nacionalismo prevalecente, votando os créditos de guerra. Agora, a situação não é idêntica, mas é estruturalmente a mesma. 

Porque os sectores de esquerda (as cúpulas) tinham a possibilidade de pressionar os governos da UE e da OTAN, para inflectir a sua política em direção a uma paz. Uma negociação, que implicasse as potências todas, para restaurar a paz e a confiança, refazer os laços económicos e culturais... Seria isto que se esperaria duma esquerda não vendida ao grande capital. Mas o que aconteceu, em relação a várias forças, foi o oposto. Assim, foi possível as forças mais retrógadas, militaristas, anti-trabalhadores, incluindo da extrema-direita a roçar o fascismo, tomarem um grande papel nestes países. 

Haveria muito mais a dizer, mas prefiro apelar ao sentido crítico dos leitores. É necessário ter cuidado em não embarcar numa ou noutra explicação, aquando de episódios espectaculares, em especial, porque esta guerra se trava tanto ao nível das ações bélicas propriamente ditas, como de ações psicológicas. Ora estas desenvolvem-se para modificar a percepção da realidade, não apenas do inimigo, mas também dos próprios cidadãos dos países envolvidos. Estes não são apenas a Rússia e a Ucrânia, mas todos os países da OTAN, num grau maior ou menor e os países dos BRICS, quer como membros, quer como associados. 

Trata-se portanto de uma guerra mundial, como tenho dito desde o príncípio. Continuada em todos os teatros bélicos, com confrontos de imperialistas ou de seus «próxis», com os países ou grupos que ofereciam resistência. Mas, como guerra híbrida mundial, envolveu muitos outros países, devido aos efeitos directos ou indirectos de sanções, mormente da iniciativa dos EUA e seus aliados. Um jornal médico muito prestigiado, «The Lancet», estimava num editorial, que o efeito cumulativo de sanções e embargos (ações ilegais, segundo a lei internacional), embora aparentando ser de âmbito económico, tinham causado 35 milhões de mortes desde há 40 anos. A maior parte das pessoas não tem ideia dos efeitos, quando os sistemas de saúde, de saneamento, de abastecimento alimentar ou em água, ficam parcial ou totalmente afetados. Por exemplo, uma epidemia de disenteria pode matar mais gente do que bombardeamentos (os dirigentes que decretam essas sanções sabem-no muito bem). Trata-se portanto de métodos de guerra, dos mais cruéis e eficazes, além de ilegais, face à lei internacional. Eles dirigem-se claramente à matança de inocentes. É esta política de sanções que o orgulhoso Ocidente tem para «oferecer» aos outros, especialmente aos países mais frágeis. 

 


quinta-feira, 5 de março de 2026

A GLOBALIZAÇÃO NÃO MORREU; ELA APENAS MUDOU DE ROUPAGENS



A consolidação do poder globalista avança em silêncio, enquanto a guerra lavra no Irão e noutras nações do Médio-Oriente. Os Estados estão a ficar endividados como nunca.
O dinheiro serve para comprar armamentos aos grandes consórcios e a desenvolver programas de Inteligência Artificial : Estes significam uma transferência massiva de capital para os grandes empresários, não para os cidadãos comuns, pois somente  empobrece estes últimos. A dívida tem sido assumida pelos Estados. Estes vão extorquir mais em impostos (instalam-se dispositivos de vigilância autoritários).
A disponibilidade deste montão de capital será para os bilionários das indústrias bélicas e tecnológicas. Assim,  eles irão enriquecer ainda mais!



As pessoas são de uma ingenuidade atroz! As atoardas nacionalistas e retrógadas de um Trump e de seus acólitos, são tomadas como significando que eles querem aquilo que declaram. Declaram o fim da globalização, um retorno a que o interesse nacional anteceda o do estrangeiro e toda uma série de atoardas contra a OTAN, a UE e a ONU. Curiosamente, foi por vontade explícita dos EUA e sua casta dirigente que estas instituições globalistas (tal como o FMI e Banco Mundial) foram erguidas e têm dominado, ao nível mundial, a política, as trocas comerciais, a finança etc. O grande capital financeiro e industrial é quem tem decidido, nos EUA, quais os presidentes e a política que eles devem tomar, desde o primeiro quartel do Séc. XX (do presidente Woodrow Wilson ... em diante). Nos países da Europa Ocidental, as intrigas e golpes tiveram como protagonistas ocultos, os grandes magnates. São eles quem escolhe os dirigentes e o programa que devem aplicar. Basta pensarmos nos ditadores Salazar e Franco: Eles nunca teriam conseguido manter-se, sem o apoio de industriais e financeiros, que foram decisivos para sua subida ao poder; ou ainda, em França, G. Pompidou (um funcionário da banca Rothschild) etc.

Muitas pessoas ignorantes pensam que estou a exagerar; que tais conexões são falseadas; que relaciono várias coisas desconexas, apenas pela minha ideologia. A eles só lhes digo: Vão estudar a sério a História dos últimos 100 ou 150 anos e verão que há muitas evidências que reforçam aquilo que afirmo.

O «anti-capitalismo» do discurso de extrema-direita, também não é novidade, não surgiu na onda «MAGA», nem nos políticos de direita conservadora, ou de extrema-direita, que disputam o poder em muitos países da UE, incluíndo Portugal. Também o fascismo de Mussolini e o nazismo de Hitler se apresentavam com uma faceta anti-capitalista, mas apenas discursiva, para melhor enganar uma classe trabalhadora pouco instruída e sujeita a ser arrastada pela demagogia. Aliás, estes discursos nunca impediram os grandes capitalistas de «apoiar com a carteira» aqueles candidatos ao poder absoluto.
A ideologia não se destina a esclarecer as massas sobre as intenções profundas dos dirigentes: Bem pelo contrário, destina-se a ocultar o verdadeiro programa; aquele que só é conhecido pela hierarquia mais elevada desses partidos e pelos seus financiadores.

A grande transferência massiva do capital público para o privado, faz-se com manobras óbvias, mas que têm sido obscurecidas de forma a que se continue a fazer esta transferência.
1ª Os Estados vão-se endividando ao longo do tempo, supostamente para fazer face a despesas urgentes e não orçamentadas, num primeiro tempo. Num segundo tempo, a finalidade real deste endividamento nem sequer é ocultada. Por exemplo, para dotar os países da U.E. de uma indústria bélica capaz de - a prazo - «derrotar a Rússia». Ou ainda, gastar o que for preciso em desenvolvimento da IA (Inteligência Artificial) para construir sistemas - civis ou militares - que multipliquem as capacidades presentes, tendo em conta que a China está num patamar tão ou mais avançado que os ocidentais, a este respeito.
2ª As transferências do capital levantado pelos Estados, para indústrias que se quer privilegiar, dão-se de várias maneiras: Doações para «desenvolvimento», empréstimos a juros muito baixos, encomendas de equipamentos para o Estado, parcerias do Estado com grandes empresas privadas, etc.
3º A dívida pública é a prazos largos, de 20 ou mais anos, quando se destina a financiar um projeto de longo prazo. Os juros dessa dívida são - por norma - baixos, o que torna esta aplicação de capital «pouco apetitosa» para o público. Então, o Estado obriga por lei uma série de instituições a terem uma certa quantia em obrigações do Estado nas suas reservas. São os casos de Bancos, Companhias de Seguros e Fundos de Pensões. A norma aplica-se com o argumento falacioso de que um Estado nunca entra em falência, logo tal reserva seria para «proteger» os clientes destas instituições. Ora, os juros tendem a ser muito baixos e a não acompanhar a inflação real, que se verifica ao longo de muitos anos. Estes juros fixos custam cada vez menos, em termos reais, a pagar. O principal em dívida, também vai perdendo valor, consoante os episódios de inflação no tempo decorrido. Deste modo, o Estado vai buscar o capital a juro muito baixo, emprestado por investidores (sobretudo) institucionais.
4º O Estado está nas mãos dos grupos de interesses mais poderosos, que controlam a política, através de doações chorudas a cada campanha eleitoral. Estas doações permitem que tal ou tal partido tenha muito mais dinheiro (que os outros) para gastar em publicidade, em comícios, em materiais de propaganda, etc... Assim, o partido tem a eleição quase assegurada. Mas, o consórcio de capitalistas financiadores tem os dirigentes desse partido na mão. Se estes se afastarem do programa (o verdadeiro, não o que apresentaram a eleição) serão castigados, não havendo dinheiro para financiar as suas campanhas futuras; podem até desviar os subsídos para outros canditados, adversários do partido «rebelde». Uma das coisas mais decisivas no pós-eleições, é saber-se para que projetos e investimentos o novo governo canaliza os capitais de que dispõe.

5º A «necessidade» de criar ou de reforçar fábricas de armamento, pode até ser um disparate de todo o tamanho, mas o público nunca será autorizado a examinar a questão com toda a transparência. Os apoios eleitorais foram efetivados; as somas  prometidas foram entregues e seria impensável que o partido que beneficiou de tais apoios, fosse descartar este aspecto do seu programa. Por isso, as questões relacionadas com a defesa, a guerra, ou  as ameaças à segurança do nosso país, nunca são tratadas na media de massas, com um mínimo de seriedade. O poder encarrega-se de fazer com que a média "mainstream " diga aquilo que é preciso, para defender o rearmamento e que desqualifique os críticos, pelos processos habituais da calúnia, de distorcer  afirmações, ou de black-out...

Isto acontece também nos países mais poderosos, que possuem indústrias de ponta, capazes de produzir e de melhorar microprocessadores, programas de software para IA, etc. Estes produtos da indústria são de aplicação dúplice, ou seja, tanto podem ser aplicados para fins pacíficos, como bélicos. O desenvolvimento da IA tem  potenciado as armas sofisticadas, os robots, os drones, os aviões de combate e os mísseis. Pode dizer-se que um investimento em IA será como na indústria bélica, somente ligeiramente disfarçado.

Temos aqui, nos 5 passos acima, a essência do que os governos dos Estados capitalistas mais poderosos fazem para desviar somas bilionárias para fins bélicos. Esta escolha vai submeter a sociedade, as pessoas, os tralhadores, a uma política de austeridade (mais uma vez!). Daí que os regimes se tenham vindo a transformar em «democracias musculadas», com polícia de intervenção, pressões sobre toda a resistência social e pacífica (sindicatos, associações diversas). Neste exercício de «democracia» apenas formal, não haverá real oportunidade para se afirmarem, e muito menos ganhar eleições, as forças que permitiriam uma alternativa real ao sistema.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

A GUERRA NÃO DECLARADA JÁ ESTÁ AQUI HÁ BASTANTE TEMPO [Crónica da IIIª Guerra Mundial nº53]



Quando os dirigentes da Europa ocidental, quer na UE, quer na OTAN, ameaçam a Rússia com uma guerra devastadora, o que é que têm estes 'valentes' (que mandam os outros combater)?
Não me estou a referir a patologias; certamente, as têm e do foro psicológico. Não; estou a referir-me ao que têm em termos de meios quer humanos, quer logísticos, quer armamentos.
Quanto a economia, já estamos conversados; eles próprios «lamentam» que nestes três anos de guerra na Ucrânia, não conseguiram (dizem eles) evitar a compra do petróleo russo. Quanto ao gás, a auto-sabotagem do gazoduto Nordstream, foi encarecer a produção industrial não só na Alemanha, como noutras nações da UE. A sua dependência em relação aos produtos russos é maior do que muita gente pensa: Eles precisam dos adubos sintéticos feitos na Rússia, para que a sua agricultura não baixe dramaticamente de rendimento.
Também precisam de metais estratégicos e «Terras Raras» e não têm escolha senão ir buscar à China ou a outros países dos BRICS, pois eles próprios (tal como os EUA) deslocalizaram há muito a refinação destes minerais, deixando para o Terceiro Mundo a tarefa poluente de transformar minério em metal purificado. Estas Terras Raras são indispensáveis, não apenas em aplicações de eletrónica e microinformática civil, como também militar. Quanto aos metais estratégicos: Sem o titânio e outros, não se podem produzir ligas metálicas para aviões militares, tanques, etc.
Além disso, estão mergulhados numa crise política profunda; por mais que ocultem, os povos estão descontentes, dissociados e mesmo hostis aos projetos militaristas. Estes, são acompanhados por maior vigilância e repressão contra a dissidência, numa postura autoritária que já não se disfarça (veja-se o caso de Palestine Action, no Reino Unido, e repressão massiva e indiscriminada contra os que protestam contra o genocídio em Gaza). - A impopularidade destes governos é inédita. Por exemplo, um partido nacionalista conservador, a AfD, na Alemanha cresce nas sondagens, como sendo o primeiro partido na escolha dos alemães.
Todas as reuniões e declarações dos chefes de Estado e de Governo dos países da Europa ocidental, são atoardas de quem pode vozear em relação ao «inimigo» declarado, mas não tem meios próprios para sustentar uma guerra direta.
A estratégia, simultaneamente cobarde e suicidária (para os povos) é de multiplicar as provocações, lançamento de mísseis para território bem no interior da Rússia, atos de sabotagem, etc. 
Estes ataques são declarados como «façanhas» do exército ucraniano, quando todos sabemos que eles não fabricam estas armas; recebem-nas dos EUA países europeus da OTAN . Além disso, está comprovado que os sistemas atuais de mísseis são demasiado sofisticados e implicam pessoal treinado. O treino de especialistas ucranianos é demasiado longo para atender às necessidades: Logo, muitos dos que servem estes sistemas de mísseis são militares dos países ocidentais.
Apesar do black-out informativo, sabe-se que têm morrido ou ficado gravemente feridos membros das forças armadas de vários países da OTAN (EUA, Polónia, Reino Unido, França, Alemanha e outros), pois estes mísseis, estacionados em solo ucraniano, são obviamente um alvo para as forças aéreas russas.
A perversidade dos maquiavélicos, faz que estejam prontos a arriscar um confronto nuclear com a Rússia, confiantes de que será ela a vítima principal. Mesmo que tal fosse verdade, o que eu duvido muito, o sofrimento humano seria indicível, impossível de quantificar e recairia também sobre o ocidente, inevitavelmente.
Seria o fim da civilização ocidental. Significaria a destruição de centenas de milhares ou de milhões de vidas inocentes, a destruição dos ecossistemas, o seu envenenamento radioactivo durante inúmeras gerações, o que tornaria as cidades e os campos impossíveis de habitar.
Tudo isto é considerado um risco aceitável pelos que estão à frente das principais nações da UE e dos órgãos próprios deste super-Estado em construção.
O afastamento dos EUA em relação aos planos mais belicosos dos governos europeus da OTAN é uma boa coisa, pois sem o «guarda-chuva» nuclear dos EUA, a possibilidade de guerra total contra a Rússia fica mais remota, para não dizer inviável. Mesmo loucos fanáticos reconhecem isso, pelo que as atoardas de alguns políticos europeus vão somente contribuir para complicar os esforços de paz. 
Mas, sobretudo, destinam-se à política interna, a cercear as liberdades, perseguir os oponentes à guerra, intensificar a exploração para maior lucro das empresas, sobretudo das que se reconverteram a fabricar armamentos e munições.

Por todas estas razões, é fundamental que as pessoas tomem consciência e que ajam, dentro das suas competências, com os meios de que dispõem, para fazer obstáculo a esta onda de militarismo despudorado.
 A guerra na Europa ocidental (países da UE + Reino Unido) é - cada vez mais - uma guerra contra os seus próprios povos, contra os trabalhadores, os jovens, os empresários e todos os que têm contribuído para a riqueza e grandeza das suas nações respectivas.

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RELACIONADO:

 https://substack.com/@nelbonilla/note/c-180757735?r=9hbco


https://open.substack.com/pub/jonathancook/p/its-antisemitic-to-call-out-israels?utm_source=share&utm_medium=android&r=9hbco


Bruxelas decidiu no sentido de expropriar os bens financeiros russos congelados na UE:  

https://www.moonofalabama.org/2025/12/russia-counters-eu-shenanigans-to-steal-its-frozen-assets.html

Veja a seguinte entrevista com Alastair Crook:

https://youtu.be/gkJD1qHlHhw?si=kwa_bwVfIxvSeN2M

Excelente análise de Prof. Mersheimer:

https://www.youtube.com/watch?v=GOJerDDCnes

Conheça a avaliação por Martin Armstrong, de Zelensky e seu regime.

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

COMO A MÉDIA MAINSTREAM SE CONVERTEU EM PROPAGANDA DOS ESTADOS

 

https://www.youtube.com/watch?v=X1l4c5fWn8M




Um artigo circunstanciado, em como as «elites» ocidentais e o jornalismo mainstream apagaram das notícias as referências à ideologia nazi e aos atos criminosos contra os russo-falantes ucranianos, após o golpe de Maidan em 2014:
«Ucrânia : as provas apagadas» por Manlio Dinucci

PS1: Na minha opinião, a crise do COVID foi pretexto para alcançar um novo patamar de censura e discriminação contra tudo o que não se conformasse com a ditadura globalista.

PS2: 

Documentário Censurado Expõe Como o Governo dos EUA Difunde Propaganda Como Sendo «Jornalismo Independente», por The Dissident


quarta-feira, 12 de novembro de 2025

GOVERNOS EUROPEUS INIMIGOS DA PAZ NA UCRÂNIA


 Zelensky não é mais do que o ditador megalómano que não se importa de afundar o seu país e o seu povo, desde que eles - Zelensky e sua família - se safem. Mas, isto não é uma revelação de agora. Desde o momento em que foi eleito (antes da guerra), que se dedicou a fazer o oposto do que prometera ao povo ucraniano. Este, acreditou que o candidato Zelensky era o que melhor interpretava o desejo de paz e de procurar um acordo negociado com a Rússia. Foi enganado. 
Mesmo assim, os dirigentes europeus propulsionaram-no e ao seu regime cada vez mais autoritário, à medida que o tempo passava. Foi levado em braços, apoiado entusiasticamente, ovacionado de pé por parlamentares ocidentais. 
Porém, este mesmo Zelensky tornou-se uma espécie de bola de chumbo amarrada aos pés dos políticos ocidentais. Eles não sabem o que fazer; não sabem como se livrar de ir para o fundo. 
Com efeito, estão totalmente derrotados e desmascarados pelos próprios factos e suas políticas desastrosas, militaristas e anti-populares, adoptadas contra os interesses fundamentais dos seus povos. 
Teimosamente, continuam a propor «soluções» que não o são, de facto. Estas posições somente ajudam a prolongar a guerra cruel, causando mais uns milhares de mortos (inutilmente!). 
O povo de toda a Europa vai pagar caro a sua indiferença e credulidade. Não é perdoável que se deixe dominar pela propaganda, pelos reflexos pavlovianos de medo e ódio contra os russos. Quem cai no logro da propaganda, experimenta fatalmente as consequência deste erro! 

quinta-feira, 28 de agosto de 2025

CRÓNICA DA IIIª GUERRA MUNDIAL, Nº 48: Como os governos nos conduzem ao matadouro





A oligarquia que nos desgoverna, possui dois discursos, duas narrativas: - Uma, dirigida às massas, que se pode considerar obra de propaganda; é apenas o discurso conveniente para forçar a plebe a se curvar e aceitar os sacrifícios em nome da "paz, da democracia e da civilização ".

Claro que este discurso não tem nenhuma coerência com a acção política e governativa por eles realizadas. Nem tem que ter. Tal discurso destina-se a distorcer a realidade, a encurralar o espírito das pessoas num misto de afirmações falaciosas, que se substituem aos factos e de emoções que têm a sua raiz no medo resultante de representações fantasmagóricas do inimigo. Estas representações são, na maioria das vezes, projecções disfarçadas das intenções da oligarquia, mas atribuídas ao outro campo, aos inimigos.

- Mas, existe um outro discurso, que não consta nos media controlados pelo poder. Um discurso interno aos círculos da oligarquia. Este não se pode ler no sentido próprio. Ele nunca é explicito, nunca se traduz em palavras claras. Ele mantém-se restricto ao círculo fechado dos poderosos, nunca dai extravasa. Porém ele é legível para os analistas que não se deixam enredar em palavras, mas dedicam o seu tempo a analisar os factos; as acções concretas, não o palavreado que os criados do poder atiram como um manto, para encobrir as acções.

Laura Ruggeri avança com o conceito de «Thatcherismo de Guerra»; ela desmente que estejamos a regressar a um "Keynesianismo de Guerra " , como muitos têm afirmado de forma pouco rigorosa.

Penso que é um conceito com capacidade de nos revelar o verdadeiro intuito da classe dirigente, qual o seu verdadeiro objectivo em forçar a sociedade e a ecomia a se reconverterem, com explícita vontade de levar a guerra às fronteiras da Rússia.

Não irei adiantar mais, aqui, pois aconselho vivamente a leitura do artigo de Laura Ruggieri.




What we are witnessing in the West is not "Military Keynesianism", which was rooted in the post-World War II economic boom, but "War Thatcherism" — governments hype national security concerns to implement far-reaching neoliberal restructuring and fiscal austerity that would otherwise encounter significant resistance. This approach entails a deliberate reallocation of resources, shifting budget priorities from social welfare programs to military and defense-related expenditures — a reconfiguration of the economic landscape.

War Thatcherism involves more deregulation, privatization, and labour market flexibility (i.e. labour precarity and worker exploitation) under the pretext of national security threats while governments reduce their social obligations.

Take Germany as an example. Berlin is touting investment in defense R&D and manufacturing as a path to economic growth and competitiveness. It may promote growth in countries that have access to affordable energy resources, but this is definitely not the case of Germany, and the majority of EU countries, after losing Russian gas (“thank you, USA”)

Cuts to welfare programs will only exacerbate socioeconomic inequalities and undermine the foundations of societal cohesion, fostering alienation, resentment and dissent.

Dissent, whether expressed through protests, strikes, or other forms of collective action, provides authorities with a convenient justification for imposing draconian measures to curb political freedoms.

In the name of maintaining public order, EU countries will continue to expand surveillance, restrict the freedom of assembly, limit free speech, and enhance their repressive powers. These measures, invariably framed as ‘necessary to restore stability’, serve to bolster authority in the absence of true sovereignty and further erode whatever is left (very little!) of democratic norms and accountability.

▪️War Thatcherism is a fraudulent scheme that benefits transnational elites, impoverishes and enslaves Europeans. Once they are destitute, powerless and fully zombified, they can be turned into cannon fodder.

PS1 : VER TAMBÉM  ENTREVISTA DE SAHRA WAGENKNECHT:


sexta-feira, 16 de maio de 2025

MARTIN ARMSTRONG: OS LÍDERES EUROPEUS PROCURAM DESENCADEAR A 3ª GUERRA MUNDIAL


 Martin Armstrong coloca a questão: 

ESTARÃO OS LÍDERES COCAINÓMANOS?  & Será Por Essa Razão Que  Querem Desencadear a IIIª Guerra Mundial??? (*) 

Este vídeo circula por todo o lado. Eu até conversei sobre isto com a minha médica, que é da Sérvia. Ela abordou logo o assunto. Sobre isso, direi o seguinte: Uma das minhas fontes da Ucrânia, que estou convicto que Zelensky assassinou para o calar, era Gonzalo Lira. Ele disse-me há alguns anos, que Zelensky era consumidor de cocaína. Tenho também histórias semelhantes sobre Macron, mas nunca fui capaz de chegar a encontrar uma prova. Tendia a evitar estas  histórias, pois qualquer que fosse a prova que desenterrasse, iriam chamar-te conspiracionista, ou propagandista de Putin, tal como fizeram a propósito do computador de Hunter Biden. Terá sido o Putin quem meteu a cocaína na Casa Branca, algo que eles nunca se incomodaram em investigar...

Zelensky Pants on Backwards

Aqui, Zelensky com as suas calças vestidas ao contrário. Tem de se estar com pedrada de cocaína para fazer isto. Eu, em toda a minha vida, jamais vesti as calças ao contrário. Não há maneira de não se notar isso, a não ser que se esteja «numa transe».  Como é que o Starmer não lhe disse nada, também põe em questão o próprio Starmer.

ECM Ukraine 8.6 R

Zelensky disse, na Terça-feira, que «se Putin não vier e inventar desculpas, é a prova final de que não quer pôr fim à guerra». A Europa deseja muito esta guerra e estes três líderes estão provavelmente a usar cocaína, o que explicaria o seu desprezo pela vida humana. Acho notável que este encontro de «paz» na Turquia tenha lugar a 15, precisamente no ponto de viragem do ECM (o modelo computorizado de Martin Armstrong) baseado sobre a guerra.

Olhando para os nossos modelos computacionais e o número incrível de mercados que têm Ciclos de Pânico em 2026, não vejo como a paz possa daí resultar. Putin não é estúpido. Qualquer cessar-fogo seria uma repetição de Minsk. A Europa está muito empenhada em preparar-se para a guerra. 

Leyen Ursula von der

Em 2005 Ursula von der Leyen foi nomeada Ministra Federal dos Assuntos da Família e Juventude do governo de Angela Merkel. Depois tornou-se Ministra do Trabalho e Assuntos Sociais, 2009–2013, depois Ministra da Defesa, 2013–2019. Ela foi escolhida depois como Presidente da Comissão Europeia, em 2019.  Isto é política de influência ("crony politics"). As qualificações de Ursula são ZERO e ela move-se de um para outro posto, confirmando o que se diz, de que os jovens precisam dum diploma de ensino superior, a não ser que sejam políticos. Neste caso, já se está qualificada para fazer qualquer coisa, visto que a experiência não é necessária. Se precisas de uma cirurgia, basta pedires a um condutor de Uber, se ele for simpático e se estiver livre no fim-de-semana. 

Ursula to Steal Russian Assets

Agora, a Ursula está a roubar a Rússia e a violar todos os princípios fundamentais da Lei Internacional. Esta é a razão por que o Japão, a China e outras nações não-europeias, estão a desfazer-se da dívida europeia. Não existe qualquer princípio de legalidade na Europa. Cinco especialistas foram inquiridos sobre as discussões em curso e disseram ao Financial Times que o capital que a Comissão Europeia tinha confiscado, uma proporção grande das sanções, incluindo 200.000 milhões de € em ativos russos congelados, podiam ser colocados numa base legal diferente para tornear o veto de Budapeste, do mesmo modo como enviam tropas para a Ucrânia, chamando-as «conselheiros» ou «forças de paz», em vez  de tropas de combate, ou de auxiliares militares.

 A UE não tem intenção de contribuir para a paz na Europa. Eles usaram a Ucrânia como sua vanguarda e não querem saber das baixas ucranianas, desde que elas tenham levado consigo o equivalente em baixas russas.  A UE está envolvida numa guerra de conquista. Acusam a Rússia de querer invadir a Europa, mas esta não tem nada. Não existem recursos naturais, nem qualquer vantagem material que valha a pena. No entanto, a Europa  vê na Rússia sua oportunidade de oiro. Se conquistarem a Rússia, terão acesso a 75 triliões de dólares em recursos valiosos, o equivalente a duas vezes os EUA e serão eles, os europeus, os líderes do mundo. Deve ser a cocaína que alimenta esta miragem.

Cokehead

Continuamos com a previsão duma guerra em grande escala, cerca de 2027. Com os coca-adictos  governando os destinos da Europa e  com o seu empurrar doentio para a guerra, as coisas não se apresentam bem para a Europa. Continuamos a ver 2027 como o período crítico em que poderá rebentar a Terceira Guerra Mundial.  O único meio de parar a Europa é de que todas as instituições CESSEM EFETIVAMENTE DE COMPRAR A SUA DÍVIDA. Só assim, talvez, eles acordem. Mas já se estão a preparar para  tomar as poupanças dos seus cidadãos, os fundos de pensões e outros capitais privados, que eles chamam de capitais «não usados», para assim financiarem a sua invasão da Rússia.

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(*) Nota: Cocainómanos ou não, estes líderes europeus são completamente ignorantes da História. Nem sequer têm em conta os desastres que foram as invasões hitleriana e napoleónica







sábado, 26 de abril de 2025

O MUNDO FRACCIONADO... E SUAS CONSEQUÊNCIAS


LEITURA POLÍTICA NÃO-PARTIDÁRIA DO PRESENTE

 Sem dúvida que os últimos 5 anos foram acelerar o fraccionamento, a divisão artificial entre os povos e entre pessoas, dentro de cada povo. 

Devemos nos perguntar até que ponto devemos atribuir a responsabilidade exclusiva aos decisores políticos e/ou económicos. Sem dúvida, o seu poder sobre a vida das gentes comuns é grande. Mas, este poder é-lhes dado (e reforçado) pela passividade, pelo indiferentismo de muitos.

 Curiosamente, são aqueles que mais podem intervir devido à sua cultura, à sua posição económica, ou à sua fama e popularidade, que menos intervêem. 

Os pobres podem multiplicar protestos, manifestações, ou outros atos simbólicos. Porém, os atos em causa são como «perante o muro das lamentações». 

Ou seja, os protestos só têm alguma eficácia nas raras ocasiões em que implicam consideráveis riscos para a plutocracia, para os detentores do poder real. Mas, no caso de ser assim, quem se manifesta está sujeito a uma repressão selvagem, desproporcionada, pelas «forças da ordem».

 Mesmo quando se trata de protestos simbólicos, perfeitamente legais e sem violência, a polícia reprime à bastonada, prende e levanta processos aos manifestantes, por eles gritarem slogans, por exprimirem seu desespero, sua raiva pela ausência de justiça para os despossuídos. 

A que distância as ditas «democracias ocidentais» estão de uma efetiva democracia, mesmo relativamente ao conceito de democracia mais consensual, o que está consignado nas constituições dos respectivos países? 

Eu diria que estão cada vez mais distantes. Não apenas no comportamento da polícia e doutros órgãos do Estado, como também ao nível das leis iníquas, publicadas ultimamente, que violam ou esvaziam de substância as liberdades e garantias dos cidadãos. Nos textos constitucionais ainda estas se mantêm; porém, a sua tradução no comportamento dos corpos do Estado, desde o governo à administração e aos tribunais, é nula! 

Estamos perante uma deriva autoritária total e transnacional, a mais brutal das nossas vidas, para a qual não houve - até ao momento - contra-ofensiva à altura, por parte dos de baixo. 

De facto, uma parte dos que têm protagonismo e protestam, fazem-no por dever de ofício, por serem «militantes a tempo inteiro», ou por ambições de carreira política. Não existe verdadeiro contrapoder, que dê expressão ao descontentamento e -sobretudo - desencadeie a contra-ofensiva, perante os desmandos do poder. 

O arbítrio dos poderes atuais não tem limites. Aliás, no seio das forças policiais e militares, há muitos que defendem uma ou outra versão de fascismo ou de militarismo. Somente não tiveram ainda oportunidade de agir a descoberto. Estão à espera - provavelmente - que surjam provocações, atentados de falsa bandeira, ou falsas ameaças de ruptura da ordem burguesa, para avançarem com a imposição da «Ordem Nova», ou seja, da ditadura fascista.  

No resto do aparelho de Estado e no próprio seio de partidos e associações que se declaram democratas, existem numerosos indivíduos que estão disponíveis para apoiar uma tal tomada de poder. 

Esta tomada de poder pode assumir muitas modalidades; desde o golpe de Estado violento, como no Chile, até ao «golpe de Estado deslizante», como está em curso no Reino Unido, na França, na Alemanha, na Polónia, na Roménia e em Portugal. Estes países têm uma tradição democrática, mas também uma tradição fascista. 

Todos eles têm governos incapazes de fabricar «consensos», como se verifica pelas sucessivas sondagens, mostrando a sua impopularidade. Eles, políticos dos «partidos de governo», têm uma impossibilidade prática de satisfazer, ao mesmo tempo, as aspirações do povo a uma vida decente e às proteções sociais conquistadas há cerca de meio-século, por um lado; e por outro, as exigências das oligarquias nacionais e globais. Estando os políticos dependentes das doações generosas dos oligarcas as campanhas eleitorais, já se sabe quem eles irão procurar satisfazer.

O divórcio entre a oligarquia governante e os cidadãos comuns nunca esteve tão patente. Os resultados eleitorais refletem esta desconfiança dos partidos tradicionais. Porém, a saída que os governos estão a implementar não é original, nem gloriosa: Consiste em tentar provocar uma guerra direta contra a Rússia. Não lhes importam as desgraças de toda a ordem que a população possa sofrer. Nem mesmo parecem temer uma deriva com uso de armas nucleares, que uma tal guerra fatalmente tornaria mais provável.   

A lógica deles é a de se manterem no poder, a todo o custo. Porque os gastos com rearmamento, as sucessivas declarações belicistas e tudo o mais, são afinal pretextos, «justificações» para a destruição definitiva do «Welfare State» (Estado de Bem-estar) que foi construído ao longo das três primeiras décadas do pós IIª Guerra Mundial. 

É com vista à entrada dos seus países numa aventura bélica, que têm vindo a promulgar leis que criminalizam e permitem «legalmente» prender pessoas por elas protestarem, por exercerem seus direitos de opinião, de manifestação e de organização. 

Mais uma vez, constato que o episódio do COVID foi o balão de ensaio, o teste à escala real, que permitiu à oligarquia afinar a estratégia de domínio da «plebe» e transformar a «democracia liberal» através dum golpe de Estado interior, num regime mais autoritário, que poderá transformar-se em totalitário. 

Não esqueçamos que os nazis e o seu Führer não precisaram de abolir a Constituição democrática da República de Weimar. Como agiram os nazis? Ignoraram esta constituição: Deliberadamente, não a aboliram, mas ignoraram-na. A «Ordem Nova» reinava e quem fazia as leis eram eles, os Nazis. Foi assim até à queda final do regime. A constituição de Weimar, teoricamente, manteve-se em vigor durante todo o período do regime Nazi. Na prática, era como se não existisse.

A traição dos «partidos de governo», nas democracias ditas liberais do Ocidente, em particular da Europa, começou há muito tempo, quando decidiram que certas partes das constituições nacionais «não eram para tomar à letra». 

Agora, o que fazem - quer em termos práticos, quer legislativos - é uma constante violação destas mesmas constituições: 

- A instrumentalização do funcionamento da justiça.

- A repressão violenta de manifestações não-violentas.

- A perseguição de pessoas e organizações pelas suas opiniões, seus escritos, violando claramente o direito à livre opinião. 

- Destruição das leis de protecção dos trabalhadores, dos seus direitos. 

- Cancelamentos de apoios do Estado a pessoas carenciadas. 

- Os abusos securitários das polícias secretas, espiando certos indivíduos e organizações, porque não capitularam perante o sistema.

... Etc, etc.

A paralisia de forças «anti-sistema» ou «alternativas», é confrangedora; mostra que as pessoas não foram educadas, nem sobre direitos e deveres (educação cívica), nem sobre como construir organizações, com base na solidariedade de classe. As pessoas mais «ativistas» podem subjetivamente estar contra a situação criada pelas elites no poder, mas não conseguem fazer nada de construtivo para as combater.


Neste país - Portugal - a solidariedade de classe foi confundida demasiadas vezes com sectarismo de partidos políticos, que tomaram o controlo e abafaram a combatividade dos sindicatos e das outras organizações de classe. Agora, seria o momento de sindicatos, organizações populares, cooperativas e movimentos populares amplos, se erguerem e resistirem à destruição de todos os avanços sociais, pela oligarquia no poder. Porém, observa-se uma paralisia geral; a sua combatividade está demasiado áquem dos desafios que se colocam!
O que prevejo, é penoso de pensar, mas é realista: Estamos a descer, coletivamente, para uma era de obscurantismo, onde as liberdades, os direitos sociais e a cultura vão ser substituídos pelo fascismo de novo tipo, uma receita velha com roupagens novas. Muita gente só irá despertar, quando já for demasiado tarde.