sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026
O TOMBO FABRICADO DA COTAÇÃO DA PRATA - UMA ANÁLISE
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026
Lena Petrova: "EXPLOSÃO do DÉFICE dos EUA"
sábado, 24 de janeiro de 2026
UM ÍNDICE MAIS SIGNIFICATIVO QUE TODOS OS ÍNDICES BOLSISTAS
quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
[Crónica da IIIª Guerra Mundial Nº 55] A «ELITE» EUROPEIA e «Síndrome de Estocolmo»
A síndrome de Estocolmo designa um complexo, a que estão sujeitas as pessoas, perante um perigo extremo:
- Quando estão nas mãos de alguém (ou grupo) que tem poder de vida ou morte sobre essas mesmas pessoas. Foi primeiro identificado tal complexo em Estocolmo, aquando de uma assalto a um banco, com tomada de reféns; depois constatou-se que o mesmo fenómeno psicológico ocorria em numerosos outros casos. Pelo facto de ter sido reconhecido e descrito primeiro no assalto em Estocolmo, ficou conhecido com esse nome, embora nenhum caso posterior tenha que ver com a capital sueca, nem com tomada de reféns num banco sueco.
As vítimas tomam a defesa dos sequestradores ou opressores, aparentemente sem lógica nenhuma e sem que fossem forçadas a falar em termos elogiosos. Os psicólogos sociais explicam o fenómeno em duas fases:
- 1ª Um mecanismo de sobrevivência; incapazes de fazer frente aos raptores, adoptam a sua defesa, o que torna mais provável para eles (reféns) serem poupados;
- 2º A afirmação dos reféns, sobre supostas qualidades positivas dos sequestradores, mesmo depois de serem libertados, é um mecanismo de auto-convencimento e desejo de justificação, do seu comportamento, enquanto estiveram nas mãos dos criminosos.
No caso da Europa, nota-se que as lideranças políticas adoptaram uma postura agressiva, inicialmente, em relação à Rússia, sobretudo para agradar ao seu senhor feudal (os EUA). Também estavam convencidos que seria uma vitória fácil, um desmoronar da Rússia como se fosse um gigantesco castelo de cartas. Mas, a Rússia não era, de modo nenhum, a preza fácil que os ocidentais imaginaram. Mais uma vez, recorreram à guerra por procuração, usando os ucranianos como carne para canhão. A evolução da guerra russo-ucraninana surpreendeu «toda a gente», ou seja, aqueles que estavam convencidos da veracidade da propaganda ocidental.
O medo artificial existente na Europa, nutrido pelas narrativas de propaganda ocidental sobre a Guerra-Fria e pela confusão permanente (induzida pelos poderes e a midia) entre o período soviético e o regime atual na Rússia, de cunho liberal democrático, convenceu muitos de que perante uma derrota da Ucrânia, os russos iriam descer por aí abaixo e só parariam, no mínimo, perante as ondas do Atlântico. Esta construção foi cuidadosamente nutrida pelas oligarquias do Ocidente e seus homens e mulheres de mão, no aparelho político europeu. Estes estavam conscientes que se tratava de um exagero e, mesmo, de impossibilidade técnica, dado o número de tropas e a força militar global necessárias para os russos poderem (se quizessem) levar a cabo uma tal conquista.
Os imperialistas americanos foram os que prinicpalmente beneficiaram desta charada sangrenta com os seus milhões de mortos e feridos:
A destruição das indústrias mais competitivas na Europa, a imposição dos 5% em gastos militares dos países da OTAN, e o controlo nos planos militar e político. A venda de gás americano à Europa Ocidental 5 vezes mais caro, que o gás antes comprado à Rússia através de gasodutos, foi causa da perda súbita de competitividade das indústrias europeias, mesmo as mais robustas, porque os custos de energia são uma fatia importante dos custos de produção.
Mas, a trajectória dos EUA, sob Trump, especialmente no segundo mandato, foi uma surpresa de todo o tamanho. Lembro-me das lágrimas de espanto e consternação, na plateia de líderes europeus da conferência de defesa de Munique (em 2025, salvo erro) ao ouvirem Vance, vice-presidente dos EUA, falar com enorme desprezo face à elite política europeia.
Não nos devemos espantar de que Trump e próximos, tenham decidido dar um estatuto de «protectorato» americano ao que antes era território autónomo da Dinamarca. Os neo-cons que o aconselham, viram que o objetivo deles em manter a hegemonia mundial era irrealista. Decidiram que a melhor opção seria de dominar o continente americano, de Norte a Sul, Groenlândia incluída, pois assim ficavam com possibilidade de controlar as novas rotas do Ártico, que russos e chineses já começaram a explorar e que encurtam o tempo das viagens de 40%, das costas da China às da Europa do Norte .
A economia, o controlo das rotas, os meios militares ou outros, para submeter vassalos e dissuadir inimigos; tudo isso, são planos megalómanos, mas que não se podem conseguir pela força. A primeira Rota da Seda, que partia de Xi'En na China, chegava a Veneza e a outros portos. Ao contrário das rotas marítimas iniciadas pelos portugueses e outros, no século XVI, não era uma rota imperialista, aberta e mantida à custa de força militar. Era uma rota servindo de ponte para o comércio entre reinos vizinhos ou distantes. O comércio era e continua a ser mais forte que os exércitos, que a força. Por isso, os que se escondem por detrás de Trump, vão ter que recuar, pois existem constantes no mundo, apesar das enormes diferenças técnológicas das sociedades, ao longo da História.
--------------------------
RELACIONADO:
https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2026/01/america-e-uniao-europeia-em-processo-de.html
quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
COMO QUER O OCIDENTE AJUDAR O POVO IRANIANO?
quarta-feira, 14 de janeiro de 2026
América e União Europeia em "processo de divórcio "[Crónica da IIIª Guerra Mundial nº54]
A crónica de Pepe Escobar é autêntica ou fake? « A Europa Pode Sobreviver Sem a América? O Fim de 80 Anos de Aliança»: é um vídeo que tem um texto que não me convence de todo. Começa com algumas evidências, para não dizer lugares comuns. Depois, faz conjecturas, demasiadas, para um verdadeiro jornalista, como é Escobar. A qualidade de um jornalista especializado em geopolítica deve ou deveria ser de focalizar o discurso naquilo que é, não especulando sobre os comportamentos futuros de A, B ou C. Além disso, sujere que a Polónia e os Estados Bálticos foram «vítimas» do Estado Soviético... Eu sei que os referidos povos viviam em condições materiais melhores que os cidadãos da Rússia, no período do pós-guerra até 1990. Isto pode parecer estranho para os ocidentais, que estavam sempre (e continuam) inundados por narrativas anti-soviéticas e anti-comunistas.
De qualquer maneira, eu acredito na inevitabilidade de um divórcio entre os EUA e a Europa, se Trump e a sua equipa continuarem no rumo traçado desde o princípio do mandato nº2 de Trump (e mesmo antes). Em poucos meses a Europa foi humilhada em várias frentes:
-Diplomática: as conversões diretas entre Trump e Putin em Anchorage, no Alasca (europeus completamente afastados de negociações no que respeita a um eventual acordo de paz com a Rússia)
- Comercial: o forçar de um «acordo», que mais parece uma capitulação, quando os «aliados» (vassalos) europeus tiveram de «engolir» taxas alfandegárias de 15% e sob ameaça destas duplicarem, se as relações dos europeus com Rússia e China não agradarem ao «bully» na Casa Branca.
- Militar: A obrigação de subir para o nível de 5% as despesas orçamentadas com as forças militares, o equivalente a um imposto brutal e insustentável, mas que os governos tiveram de aceitar. Trump ameaçou com a saída das forças americanas estacionadas na Europa. Os governos europeus, sentiram-se de facto ameaçados, porque se viam de repente sem o aliado mais poderoso, com o arsenal nuclear capaz de colocar em xeque a Rússia.
- Económica: As sanções europeias contra a Rússia após a invasão da Ucrânia, em Fevereiro de 2022, mais pareciam auto-sanções. Quem mais sofreu, foram empresas agrícolas e industriais da U.E. que ficaram - de repente- sem uma boa fatia do seu mercado.
- Energética: Num episódio grotesco, Biden ordenou a sabotagem dos gasodutos Nordstream 1 & 2. Cobardemente, a Alemanha e outros países da UE, que beneficiavam com o gás russo, fizeram como se não soubessem quem ordenara a sabotagem e porquê.
Daí resultou:
a) Colapso industrial: O gás americano, 5 vezes mais caro que o russo, é transportado por navio desde os EUA e obriga a dispendiosas instalações portuárias para ser distribuído localmente. Foi a sentença de morte de muitas empresas industriais, que tinham uma alta fatura em energia. As empresas que sobraram, em geral mega empresas, como a Volkswagen ou a BASF, foram para a China ou para os EUA. As condições eram melhores nestes países, tanto em custos de energia, como em impostos, regulamentações ambientais, encargos salariais... A Alemanha e outros países do centro e norte europeu experimentaram uma desindustrialização severa e súbita.
b) Na realidade, o poder hegemónico estava a obrigar os seus vassalos europeus a um regime incompatível com a manutenção do nível de salários, de pensões, de apoios sociais, na maioria da U.E., que tinha vigorado desde há mais de 50 anos. Estava a obrigá-los a submeterem-se, a ficarem «pés e mãos» atados ao poder Imperial, quer pela despesa militar acrescida (que vai enriquecer empresas americanas do complexo militar-industrial), quer pela dependência quase total em energia (escoamento do gás e petróleo de xisto americano).
c) A humilhação máxima aos europeus, ocorreu quando Trump ameaçou ocupar (militarmente) a Groenlândia, um território autónomo associado à Dinamarca. Isto deveria ter causado um corte na OTAN, com os EUA, pelos «aliados». Mas, os governos europeus não tiveram coragem de dizer -«olhos nos olhos»- a Trump, que ele estava enganado, que a Europa não era «colónia» dos EUA. Perante esta atitude de encolhimento, a intenção do bully máximo será de redobrar a chantagem com suas vítimas, para que estas cedam ainda mais.
Não é obrigatório, aliás, que aquilo que Trump procura, seja o território da Gronelândia. Os EUA já tinham obtido da Gronelândia, tudo aquilo que queriam: Desde a «Guerra Fria nº1» que tinham uma importante base militar em Thulé. Tinham todo o controlo do espaço aéreo. A soberania da Dinamarca sobre o território, já era apenas nominal.
Aliás, seria totalmente impensável que a Dinamarca, ou o governo autónomo da Gronelândia, dissessem «não» ao reforço dos dispositivos da OTAN nesta ilha setentrional ... A insistência em adquirir ou ocupar a Gronelândia pode ser lida de várias maneiras: Uma delas, é de se tratar de um bluff... Trump obteria, em compensação de sua renúncia a ocupar a Gronelândia, acordos vantajosos, que dinamarqueses e a Comissão de Bruxelas aceitariam, como meio de «salvarem a face».
Conclusão: De qualquer maneira, os co-autores de tudo isto são os políticos no poder, na Europa (ao longo de décadas). A ideia de que a Europa não pode ser um espaço de paz e liberdade, se os diversos Estados não estiverem reunidos numa estrutura supra-nacional, cada vez mais autoritária, é uma enorme falácia. Na realidade, esta falácia tem servido aos Estados mais fortes, em detrimento dos mais pequenos, ou mais frágeis.
Na realidade, os satrapas que passam por ser nossos dirigentes nos países europeus, integrados na OTAN, são os responsáveis. Mas nós, povos europeus, somos as vítimas. A ex-Jugoslávia e a Ucrânia contam às dezenas ou centenas de milhares, os seus mortos nas guerras diretamente protagonizadas (ex-Jugoslávia) ou incentivadas e apoiadas (Ucrânia) pela OTAN e pelos seus Estados mais poderosos. Muitos povos europeus do Leste, Oeste, do Sul e do Norte, têm sofrido os programas de austeridade e agora vão decuplicar tal austeridade. O nível do apoio social prestado (Estado de bem-estar ou Welfare-state) nos países da Europa ocidental degradou-se, desde que se deu a implosão da URSS e do Pacto de Varsóvia. Agora, caminha-se para algo pior; a generalização da guerra, o que traz sempre miséria.
Será uma guerra pior que a IIª Guerra Mundial, mesmo que não sejam usadas armas nucleares estratégicas ou tácticas. Basta ver o estado de destruição na Ucrânia.
Os políticos europeus ocidentais insistem em «continuar a guerra até à derrota final da Rússia». Seria cómico, se não fosse mortífero para milhares de militares e civis (de ambos os lados), que se batem e sofrem com uma das guerras mais cruéis em todo o mundo, desde a guerra da Coreia!
terça-feira, 13 de janeiro de 2026
Guerras do século XIX e a atualidade
A Ironia da História
Toda a gente fala - hoje - da doutrina Monroe (1823). Mas, devia-se falar também da «estratégia de Leipzig». Ela foi posta em prática uma década antes da declaração do presidente Monroe: Em 1813 Napoleão foi decisivamente derrotado em Leipzig, pelos exércitos aliados dos reinos europeus (Austria, Prússia, Suécia e Rússia).
- Confrontariam forças francesas quando estas eram comandadas por um dos Marechais ou Generais de Napoleão.
- Mas, perante um contingente chefiado pelo próprio Imperador dos franceses, não dariam combate, recuariam.
Esta estratégia resultou; as forças totais de Napoleão foram sendo enfraquecidas - mas não derrotadas - em combates e batalhas parciais.
Napoleão tomou a decisão audaciosa de colocar as suas tropas dentro de Leipzig e nos seus arredores, esperando assim enfrentar e derrotar, separadamente, cada um dos exércitos aliados.
Ele já tinha usado esta táctica - com sucesso - no passado, perante forças numericamente superiores, mas fraccionadas. Só que - desta vez - a conjugação dos exércitos inimigos equivalia a cerca de três vezes o número total de tropas francesas.
Aconteceu o que sabemos: Uma derrota humilhante para Napoleão. Após três dias de combates, o exército francês teve de fugir para não ficar cercado.
No caminho de regresso a França, o que restava das tropas francesas teve de combater contra tropas da Baviera (auxiliadas por tropas austríacas), em Hanau. O reino da Baviera foi um dos primeiros membros da Confederação do Reno. O exército bávaro participou em muitas campanhas, junto com franceses e povos de várias nacionalidades, na «Grande Armée».
Leipzig foi considerada uma vitória dos povos europeus: A partir de Leipzig, tudo mudou. A própria França foi invadida pelos exércitos aliados. Então, o mito da invencibilidade das tropas napoleónicas desmoronou-se por completo. Já na Península Ibérica muitos marechais e generais de Napoleão tinham sofrido derrotas, às mãos do exército anglo-português, aos quais se juntaram tropas espanholas, que se tinham rebelado contra o rei Joseph, irmão de Napoleão.
Consulte-se a cronologia das ações militares no ano de 1813, no Portal da História.
Eu sei que «a História não se repete, quanto muito rima...»: Seria uma imbecilidade da minha parte, tentar plasmar o presente, nos episódios da decadência e colapso do império de Napoleão I. Porém, sem recorrer a analogias artificiais, há certos traços atuais do imperialismo dos EUA, que me evocam a era napoleónica.
Primeiro, a arrogância do poder. A húbris dos gregos. Estes sabiam que, um general tomado pela húbris, ou embriaguês da vitória, podia cometer atos imprudentes e encaminhar seu exército para a aniquilação. Foi isso mesmo que se passou com Napoleão, ao juntar - contra a Rússia - a força militar mais formidável que até então se vira. Foram uns 600 mil homens da «Grande Armée», mortos em combate, ou de frio, ou de doença....Note-se que somente cerca de um terço, era francês de França. Muitos eram súbditos de Estados dominados pelo Império, obrigados a enviar um contingente para a aventura russa.
- A um nível global, hoje em dia, como no tempo de Napoleão, a multiplicidade de frentes equivalia a fraccionar os esforços, não se podendo assegurar - em simultâneo - a «pacificação» do Hanover, no Norte da Alemanha e da Andalusia, no Sul de Espanha.
Em várias zonas mediterrânicas e noutras, a frota inglesa tinha bases recuadas seguras. Aliás, a grande vantagem estratégica da Inglaterra foi o seu controlo dos mares: Podia fazer «razzias», incendiando portos (como o de Copenhaga...). Depois da marinha britânica ter destruído a armada franco-espanhola na batalha de Trafalgar, as forças navais francesas e seus aliados já não podiam contribuir eficazmente para a vigilância das costas. Era uma limitação muito séria, para combater o contrabando que furava o bloqueio continental, decretado por Napoleão.
A Inglaterra, como potência industrial ascendente, inventou rifles muito mais eficientes que os equivalentes inimigos, tendo também importantes inovações em artilharia. Muito importante, foi a tática de Wellington, de colocar suas tropas em posições aproveitando os acidentes do terreno, o menos possível expostas aos tiros do inimigo e capazes duma linha de tiro agrupado e certeiro, mortífero. Quando as divisões francesas se lançavam ao ataque, eram ceifadas por infantaria e artilharia britânicas. Isto aconteceu na batalha do Bussaco* e em muitas outras. Os soldados franceses sofriam pesadas baixas, ainda antes de entrar em contacto com as linhas inimigas.
Em termos financeiros, a guerra sempre foi a maior devoradora de recursos. Napoleão vendeu a colónia da Louisiana, aos recém- independentes EUA. Não sei se isto foi considerado um «bom negócio», ou não. O que sei é que as quantias obtidas com essa venda, foram gastas nas campanhas incessantes de Napoleão. Não serviram para o desenvolvimento industrial, nem para renovar as infraestruturas, nem para melhorar as condições de vida do povo.
Podem imaginar os rios de dinheiro gastos no presente século XXI, com armas sofisticadas, quer do lado da OTAN, quer dos seus inimigos? Podeis ter a certeza de que tais somas, investidas em melhoramentos, em cultura, em saúde e nas condições de vida dos povos, fariam recuar muito a pobreza e os desequilíbrios no Mundo.
- Só me resta chamar a atenção para certas falsificações da História. Por exemplo, em relação à chamada doutrina Monroe:
Esta doutrina, quando foi enunciada, aparecia aos latino-americanos como um contributo para consolidar a sua independência, face aos antigos colonizadores. Eles não tinham força suficiente, contra Inglaterra, Espanha ou França, para resistir isoladamente aos ex-poderes coloniais, se estes procurassem invadir e recolonizar as novas repúblicas da América do Sul e Central.
A doutrina Monroe colocava um travão à agressividade dos poderes coloniais europeus. Se eles atacassem uma das novas repúblicas, era provável terem de se bater também contra os EUA. Pelo menos no início, a doutrina Monroe não foi instrumentalizada pelos EUA, como «justificação» de aventuras coloniais ou imperiais.
Mas, não podemos esquecer que, nessa época, a burguesia dos EUA, como a de outras nações, tinha um discurso ideológico de liberdade e, ao mesmo tempo, cometia os piores crimes: Genocídio, escravatura, exploração impiedosa dos indígenas...
PS1: NAPOLEÃO E OS FINANCEIROS QUE O SUSTENTARAM
https://youtu.be/BKLO5E67RkE?si=NC2I029FgkObtBtA
....................................
* Batalha do Bussaco (1810)
- Terceira Invasão Francesa: Napoleão envia o Marechal Massena com um grande exército para invadir Portugal, após as invasões anteriores terem falhado.
- Defesa de Wellington: Wellington posiciona as suas tropas (cerca de 50.000 homens, incluindo portugueses) na estratégica Serra do Buçaco para bloquear o avanço francês.
- Ataque Francês: As tropas francesas, em maior número, atacaram a serra várias vezes, mas foram recebidas com forte resistência.
- Resistência Anglo-Lusa: O terreno difícil e a disciplina das tropas aliadas dificultaram o avanço francês, que sofreu pesadas baixas (cerca de 25.000 homens).
- Primeira Derrota Francesa: Foi a primeira vez que Massena sofreu uma derrota tão significativa, mas ele continuou em direção a Lisboa, sendo detido nas Linhas de Torres Vedras.
- Retirada Francesa: A derrota no Buçaco, seguida pelo impasse nas Linhas de Torres, forçou Massena a retirar-se de Portugal em outubro de 1811, pondo fim às invasões napoleónicas e assegurando a independência do país.
- Legado: A batalha é lembrada como um momento decisivo da história portuguesa e europeia, com celebrações anuais e projetos de valorização do património, como a Rota Mondego Bussaco.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
O GÉNIO BARROCO de TOMASO ALBINONI [Segundas-f. musicais nº45]
Há muito mais a apreciar em Albinoni, além do «seu» Adágio.
Remo Giazotto (1910- 1998) foi um musicólogo italiano que estudou e editou obras de compositores italianos do barroco e teve a sorte de ter encontrado um manuscrito com fragmentos de um Adagio de Albinoni. Este manuscrito continha a linha do baixo e alguns compassos, escritos para o violino. O célebre adagio não se pode - na realidade - designar como obra de Albinoni; nem sequer se deve considerar que Giazotto efetuou um "restauro" de tal peça. Seria mais correcto considerar a composição como sendo sua, de Giazotto, embora utilizando elementos do manuscrito de Albinoni, acima referido.
Porém, Albinoni não tem culpa deste equívoco. Sua obra (abundante, mas parcialmente destruída em incêndio, no bombardeamento de Dresden, no final da IIª Guerra Mundial pelos aliados) é de qualidade cimeira, a julgar pelo que nos resta. São peças muito perfeitas do ponto de vista formal. Tal legado não deve ser visto à luz de uma só peça, de atribuição questionável. Com efeito, o famoso Adagio, tem muito pouco do compositor veneziano do século XVIII.
De qualquer maneira, a qualidade de Albinoni, enquanto compositor, está claramente ao nível dos melhores de Itália, da primeira metade do Século XVIII.
J. S. Bach tinha acesso à biblioteca de manuscritos e edições coleccionadas pelo seu patrão, o Príncipe de Köthen. Bach conheceu e apreciou obras de Albinoni, tal como em relação a Vivaldi, Marcello e vários outros. Bach fez transcrições de obras destes mestres italianos. Alguns concertos foram adaptados para o órgão; a maioria, no entanto, destinava-se ao cravo.
Igualmente notável, é o conhecimento aprofundado de Haendel em relação à música italiana: Ele tirou imenso partido da estadia em Roma, na sua juventude. Compôs óperas italianas, oratórias em latim segundo o rito católico e música instrumental ao gosto italiano. Várias obras instrumentais, que compôs estando já em Inglaterra, evocam concertos de Corelli, de Locatelli, de Vivaldi e de outros italianos. Estava na moda a música italiana. Esta atingiu o auge de popularidade em meados do século XVIII. Durante muito tempo, foi «obrigatório» os músicos das diversas nacionalidades europeias comporem óperas ao estilo italiano e utilizando a língua italiana. Mozart (entre outros) compôs algumas das suas melhores óperas em italiano.
Nas cortes europeias, abundavam os italianos. Muitos deles eram músicos instrumentistas, outros cantores; os mais célebres eram mestres-de-capela, ou músicos ao serviço exclusivo de monarcas e príncipes (ex.: Domenico Scarlatti).
As melodias, nos concertos de Albinoni, que se podem ouvir no vídeo abaixo (concertos para oboé ou violino), possuem grande qualidade expressiva. Os «tutti» são vigorosos e as partes de orquestra são discretas, ao acompanhar os solistas. Os movimentos são quase sempre Allegro-Adagio-Allegro, o que não é monótono devido à variedade de tratamento dos temas (variações, modulações...) e aos diversos acompanhamentos utilizados.
A arquitetura sonora geral é muito equilibrada, o que permite ao(s) solista(s) desenrolar o discurso "cantabile" e personalizado: Uma panóplia de ornamentos não escritos, permitia aos solistas enriquecer a melodia. Os melhores executantes não sobrecarregavam as melodias com adornos; tratava-se antes de adornar, sem adulterar a linha melódica.
Esta música, aparentemente «fácil», é possuidora de grande subtileza. Tal como, nos séculos XVI e XVII, as igrejas e basílicas em estilo barroco, tinham um traçado exterior austero e um interior cheio de ricas decorações requintadas.
Estes concertos de Albinoni não nos deixam de impressionar, ainda hoje, passados mais de três séculos.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2026
É TEMPO DE TRUMP PRESTAR CONTAS
quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
O EFÉMERO do PODERIO IMPERIAL; EXEMPLO PORTUGUÊS
No ensino português, é dada com grande pormenor, mas com muito pouco senso crítico, a «gesta dos portugueses», nos séculos XV-XVI, na conquista de terras do ultramar.
Mas, na verdade, se esta história tem alguma coisa de edificante, não será o «heroísmo» de soldados e marinheiros e ainda menos dos chefes que os comandavam.
Muita coisa seria necessária dizer, para se ter uma ideia do que foi a tal «conquista» de terras em vastas zonas geográficas, que se estenderam rapidamente por três continentes, além do continente europeu.
Deveria ser motivo de reflexão, não pelos tais actos de heroísmo, reais ou forjados, mas antes, uma lição de sabedoria, a observação do destino do império colonial português.
Com efeito, o colonialismo marítimo, pelo controlo das rotas e portos estratégicos na Índia, Ásia do Sul e Extremo-Oriente, foi seguido por um colonialismo territorial (África e Brasil, sobretudo). Este, teve como corolário a reação, quer dos povos colonizados, quer de potências em rápida ascensão (Inglaterra, Holanda...).
Assim, o Império Português, que iniciou suas conquistas no século XV e se consolidou no século XVI, logo sucumbiu em 1580, perante as forças militares invasoras de Espanha e da subsequente perda da independência de Portugal. Durante 60 anos, os Filipes de Espanha foram os soberanos do reino de Portugal, sem que houvesse, no entanto, unificação dos dois reinos ibéricos.
Foi o golpe de Estado de 1° de Dezembro de 1640 em Portugal e subsequentes anos de guerras (mais de meio século), que restauraram e consolidaram a independência de Portugal. Mas, com perda de possessões coloniais, sobretudo, asiáticas. Havia de novo um reino independente, com territórios em vastas áreas da América e de África, mas sem capacidade de os desenvolver e explorar. Não somente no período de domínio da coroa Espanhola como mesmo antes, já muitas potências europeias cobiçavam e não perdiam a oportunidade de conquistar praças-fortes portuguesas e respectivos territórios adjacentes, em três continentes: Na América do Sul, na África e na Ásia.
A Inglaterra dominava no final do século XVI, as vias marítimas. Apesar dela ter sido aliada de Portugal nos dois séculos anteriores, agora estava em guerra com os portugueses: Estes pertenciam - desde a perda da independência - ao império dos Habsburgos, no qual Portugal tinha sido incorporado, tendo de fornecer, entre outras coisas, navios de guerra para a "Invencível Armada". Esta - como é sabido - sofreu uma derrota tremenda no Canal da Mancha, ao largo das costas Inglesas, em 1588.
As potências europeias faziam guerra entre si, na Europa e também se guerreavam nos domínios coloniais respectivos. Por exemplo, os Holandeses tomaram aos portugueses pedaços substanciais de territórios no Brasil e na Ásia do Suleste, pontos nevrálgicos para o império marítimo português.
Os piratas e corsários interceptavam navios nas rotas comerciais, atacando navios mercantes carregados de bens valiosos, desde ouro e prata, até às especiarias. Os sobreviventes destes ataques eram vendidos como escravos, no Norte de África, principalmente. Este era, geralmente, um comércio muito lucrativo. Os piratas libertavam os cativos, mediante o pagamento de avultado resgate. Mesmo países com poderosas armadas e soldados embarcados, para proteger os navios de comércio, sofriam grandes perdas.
O comércio trans-oceânico, por mais lucrativo que parecesse, à primeira vista, não o era, por causa de numerosos fatores de risco: Além da pirataria, havia quantidade de naufrágios. Os países europeus gastavam somas colossais para manter o seu império: Tinham de construir e manter a frota de guerra, construir fortalezas e as guarnecer com forças militares, em pontos estratégicos costeiros. Tinham frequentes perdas de mercadorias.
Sobretudo, tinham grandes perdas humanas, na altura em que a população era um décimo da de hoje: Portugal continental hoje, tem cerca de 10 milhões de habitantes; nos finais do século XV e durante todo o século XVI, teria cerca de 1 milhão, apenas.
Por todos estes motivos, a colonização, não apenas portuguesa, como de todos os poderes marítimos, nos séculos XV, XVI e XVII, não foi a operação lucrativa tão grande que se imagina. Embora as metrópoles beneficiassem do afluxo do ouro, da prata, ou de produtos de luxo (pedras preciosas, sedas e tecidos caros, marfim, especiarias), as suas despesas cresceram exponencialmente. Em Espanha e Portugal, por outro lado, deu-se o abandono dos campos e a consequente falta de braços para trabalhar a terra, originando a incapacidade duma auto-suficiência agrícola, além de inflação severa e persistente. Terão sido estes, os principais factores que levaram à decadência as estruturas económicas e sociais dos reinos ibéricos.
Pelo contrário, os países do Norte da Europa viveram a sua época de ouro, ao receberem e transformarem o que vinha dos reinos de Portugal e Espanha. O nascimento e desenvolvimento das indústrias do Norte da Europa, aconteceu em paralelo com a contração das economias portuguesa e espanhola.
O resultado foi que os países ibéricos gastavam o maná proveniente das suas possessões do ultramar para pagar a importação de muitos produtos, incluindo alimentares. Foram ficando cada vez mais endividados, porque tinham deixado de produzir o essencial. Nem tinham já o dinamismo económico necessário para tirar partido das matérias-primas que lhes chegavam das suas colonias. Tinham de fazer despesas avultadas para manter sua frota militar e seu exército, para o controlo de terras distantes. O declínio demográfico acentuou-se numa espiral descendente.
A importação maciça de escravos africanos para trabalhar nas fazendas das Américas (os dois sub-continentes americanos e as Caraíbas), foi uma consequência do genocídio dos ameríndios, como um contemporâneo destes horrores, Frei Bartolomeu de las Casas, descreveu. Assim, o tráfico de africanos - durante séculos - enriqueceu os donos dos navios negreiros que faziam a travessia do Atlântico e os fazendeiros do Novo Mundo, que exploravam o trabalho escravo, quase gratuito e abundante. A famosa «acumulação primitiva», do capitalismo nascente foi - sobretudo - uma acumulação de riqueza obtida pelo trabalho escravo. O sistema da escravatura só começou a ser desmantelado nas Américas, na segunda metade do século XIX. Depois disso, ela ainda continuou em muitas colónias de África.
Sem dúvida, a história dos impérios coloniais não é algo de que os povos colonizadores se possam orgulhar. Porém, a forma como estes impérios se desmoronaram é (ou devia ser) motivo de aprofundado estudo, político e económico.
Eu não sou competente para fazer a História dos imperialismos. Porém, devo salientar o facto dos cidadãos meus contemporâneos estarem, de novo, a ser alimentados com narrativas falsas, que branqueiam as eras coloniais passadas. Serve tal branqueamento para sustentar ideologias reaccionárias e racistas. A ignorância que está na sua origem, vem ao de cima, quando se manifesta o desprezo pelos povos das ex-colónias.
Nota-se hoje, que estas ideologias são de novo propagadas por sectores de extrema-direita, em países europeus. Assim, os povos são mantidos no medo «do outro» e condicionados para uma nova guerra mundial.

