Quanto menos dívida tivermos e quanto mais possuírmos e controlarmos e baixarmos nossos custos fixos e exposição aos riscos que não podemos controlar, tanto maior será a nossa autonomia. (Charles Hugh Smith)
Mostrar mensagens com a etiqueta Holanda. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Holanda. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

O EFÉMERO do PODERIO IMPERIAL; EXEMPLO PORTUGUÊS

 


No ensino português, é dada com grande pormenor, mas com muito pouco senso crítico, a «gesta dos portugueses», nos séculos XV-XVI, na conquista de terras do ultramar. 

Mas, na verdade, se esta história tem alguma coisa de edificante, não será o «heroísmo» de soldados e marinheiros e ainda menos dos chefes que os comandavam.

Muita coisa seria necessária dizer, para se ter uma ideia do que foi a tal «conquista» de terras em vastas zonas geográficas, que se estenderam rapidamente por três continentes, além do continente europeu.

Deveria ser motivo de reflexão, não pelos tais actos de heroísmo, reais ou forjados, mas antes, uma lição de sabedoria, a observação do destino do  império colonial português. 

Com efeito, o colonialismo marítimo, pelo controlo das rotas e portos estratégicos na Índia, Ásia do Sul e Extremo-Oriente, foi seguido por um colonialismo territorial (África e Brasil, sobretudo). Este, teve como corolário a reação, quer dos povos colonizados, quer de potências em rápida ascensão  (Inglaterra, Holanda...).

Assim, o Império Português, que iniciou suas conquistas no século XV e se consolidou no século XVI, logo sucumbiu em 1580, perante as forças militares invasoras de Espanha e da subsequente perda da independência de Portugal.  Durante 60 anos, os Filipes de Espanha foram os soberanos do reino de Portugal, sem que houvesse, no entanto, unificação dos dois reinos ibéricos. 

Foi o golpe de Estado de 1° de Dezembro de 1640 em Portugal e subsequentes  anos de guerras (mais de meio século), que restauraram e consolidaram a independência de Portugal. Mas, com perda de possessões coloniais, sobretudo, asiáticas. Havia de novo um reino independente, com territórios em vastas áreas  da América e de África, mas sem capacidade de os desenvolver e explorar. Não somente no período de domínio da coroa Espanhola como mesmo antes, já muitas potências europeias cobiçavam e não perdiam a oportunidade de conquistar praças-fortes portuguesas e respectivos territórios adjacentes, em três continentes: Na América do Sul, na África e na Ásia.

A Inglaterra dominava no final do século XVI, as vias marítimas. Apesar dela ter sido aliada de Portugal nos dois séculos  anteriores, agora estava em guerra com os portugueses: Estes pertenciam - desde a perda da independência - ao império dos Habsburgos, no qual Portugal tinha sido incorporado, tendo de fornecer, entre outras coisas, navios de guerra para a "Invencível Armada". Esta - como é sabido - sofreu uma derrota tremenda no Canal da Mancha, ao largo das costas Inglesas, em  1588.

As potências europeias faziam guerra entre si, na Europa e também  se guerreavam nos domínios coloniais respectivos. Por exemplo, os Holandeses tomaram aos portugueses pedaços substanciais de territórios no Brasil e na Ásia do Suleste, pontos nevrálgicos para o império marítimo português. 

Os piratas e corsários interceptavam navios nas rotas comerciais, atacando navios mercantes carregados de bens valiosos, desde ouro e prata, até às especiarias. Os sobreviventes destes ataques eram vendidos como escravos, no Norte de África, principalmente. Este era, geralmente, um comércio muito lucrativo.  Os piratas libertavam os cativos, mediante o pagamento de avultado resgate. Mesmo países com poderosas armadas e soldados embarcados, para proteger os navios de comércio, sofriam grandes perdas.

O comércio trans-oceânico, por mais lucrativo que parecesse, à primeira vista, não o era, por causa de numerosos fatores de risco: Além da pirataria, havia  quantidade de naufrágios. Os países europeus gastavam somas colossais para manter o seu império: Tinham de construir e manter a frota de guerra,  construir fortalezas e as guarnecer com forças militares, em pontos estratégicos costeiros. Tinham frequentes perdas de mercadorias. 

Sobretudo, tinham grandes perdas humanas, na altura em que a população era um décimo da de hoje: Portugal continental hoje, tem cerca de 10 milhões de habitantes; nos finais do século XV e durante todo o século XVI, teria cerca de 1 milhão, apenas. 

Por todos estes motivos, a colonização, não apenas portuguesa, como de todos os poderes marítimos, nos séculos XV, XVI e XVII, não foi a operação lucrativa tão grande que se imagina. Embora as metrópoles beneficiassem do afluxo do ouro, da prata, ou de produtos de luxo (pedras preciosas, sedas e tecidos caros, marfim, especiarias), as suas despesas cresceram exponencialmente. Em Espanha e Portugal, por outro lado, deu-se o abandono dos campos e a consequente falta de braços para trabalhar a terra, originando a incapacidade duma auto-suficiência  agrícola, além de inflação severa e persistente. Terão  sido estes, os principais factores que levaram à decadência as estruturas económicas e sociais dos reinos ibéricos. 

Pelo contrário, os países do Norte da Europa viveram a sua época de ouro, ao receberem e transformarem o que vinha dos reinos de Portugal e Espanha. O nascimento e desenvolvimento das indústrias do Norte da Europa, aconteceu  em paralelo com a contração das economias portuguesa e espanhola. 

O resultado foi que os países ibéricos gastavam o maná proveniente das suas possessões do ultramar para pagar a importação de muitos produtos, incluindo alimentares. Foram ficando cada vez mais endividados,  porque tinham deixado de produzir o essencial. Nem tinham já o dinamismo económico necessário para tirar partido das matérias-primas que lhes chegavam das suas colonias. Tinham de fazer despesas avultadas para manter sua frota militar e seu exército, para o controlo de terras distantes. O declínio demográfico acentuou-se numa espiral descendente.

A importação maciça de escravos africanos para trabalhar nas fazendas das Américas (os dois sub-continentes americanos e as Caraíbas), foi uma consequência do genocídio dos ameríndios, como um contemporâneo destes horrores, Frei Bartolomeu de las Casas, descreveu. Assim, o tráfico de africanos - durante séculos - enriqueceu os donos dos navios negreiros que faziam a travessia do Atlântico e os fazendeiros do Novo Mundo, que exploravam o trabalho escravo,  quase gratuito e abundante. A famosa «acumulação primitiva», do capitalismo nascente foi - sobretudo -  uma acumulação de riqueza obtida pelo trabalho escravo. O sistema da escravatura só começou a ser desmantelado nas Américas, na segunda metade do século XIX. Depois disso, ela ainda continuou em muitas colónias de África.

Sem dúvida, a história dos impérios coloniais não é algo de que os povos colonizadores se possam orgulhar. Porém, a forma como estes impérios se desmoronaram é (ou devia ser) motivo de aprofundado estudo, político e económico. 

Eu não sou competente para fazer a História dos imperialismos. Porém, devo salientar o facto dos cidadãos meus contemporâneos estarem, de novo, a ser alimentados com narrativas falsas,  que branqueiam as eras coloniais passadas. Serve tal branqueamento para sustentar ideologias reaccionárias e racistas. A  ignorância que está  na sua origem, vem ao de cima, quando se  manifesta o desprezo pelos povos das ex-colónias

Nota-se hoje, que estas ideologias são de novo propagadas por sectores de extrema-direita, em países europeus. Assim, os povos são mantidos no medo «do outro» e condicionados para uma nova guerra mundial.

terça-feira, 11 de novembro de 2025

A guerra dos chips & o caso Nexperia

Esta guerra comercial/industrial foi desencadeada pela Holanda, que decidiu sob pretextos muito pouco sustentáveis, apropriar-se da sucursal na Holanda da empresa chinesa, fabricante de chips (especialmente para a indústria automóvel). Acontece que a China reagiu imediatamente, proíbindo que a fábrica chinesa da Nexperia, na qual se concentram as atividades industriais, exportasse para a Holanda os seus chips. 
A indústria automóvel alemã entrou em crise, quase de imediato, quando três marcas diferentes suspenderam a produção, enquanto não fosse restaurado o fornecimento dos chips da Nexperia.

- Recentemente, a China apresentou isenções, aliviando os importadores, para usos civis de chips da Nexperia. 

EPÍLOGO: Os holandeses foram obrigados a recuar. Tiveram que conceder à China, de novo, a exportação dos seus chips, sobretudo perante o risco de paralisia da indústria automóvel europeia, que depende destes. 

Veja:



Aquilo que ninguém lhe disse sobre a guerra dos «chips»



Veja a mais estúpida tentativa de barrar a China de vender os seus chips... e o resultado.



quinta-feira, 14 de novembro de 2024

FUTEBOL EM AMSTERDAM & ENCOBRIMENTO DO GENOCÍDIO DE GAZA

 PROPAGANDA 21 (nº23)



Nós já sabíamos que os «nossos» governos ocidentais estavam completamente alinhados com o imperialismo americano.

Sabíamos que - por ordem deste - os governos ocidentais tinham imolado as suas próprias nações no altar da "pátria banderita", para levar a guerra à Rússia como «cruzados» que, mentalmente, permanecem cerca do ano 1100 AD.

Agora, a média corporativa, propagandista do «status quo ocidental», entusiasma-se na defesa dos sionistas fanáticos, disfarçados em «claque» da equipa israelita de futebol que foi disputar, na semana passada, uma partida em Amsterdam.

O comportamento dos governos europeus ocidentais é a expressão mais acabada do ruir daquilo que os próprios (ou seus antepassados) consideravam uma das marcas da civilização: "A lei é igual para todos, quem infringir a lei tem de ser sancionado". Princípio integrante do Estado de Direito e cerne da chamada «democracia liberal».

Neste apêndice do vasto continente euroasiático, que é a Europa Ocidental, só resta a casca vazia da «democracia liberal». Ou... nem sequer isso: Pois até esta capa, os próprios governantes não se importam de rasgá-la.

Deveria eu ficar feliz, perante um erro tão grande e revelador dos que ocupam as cadeiras do poder? Mas, não; afinal, eles têm podido fazer isto e muito mais, porque a cidadania não reage, ou reage segundo o modelo de reflexos pavlovianos mais caninos que se possa imaginar (peço desculpa aos cães, são mais inteligentes que isso, na verdade). Fico, por isso, profundamente triste e preocupado.

O artigo de Jonathan Cook, jornalista independente que vive em Nazareth, na Palestina ocupada, é suficientemente claro e detalhado para que eu me limite ao curto texto acima e passe logo a palavra ao autor:

 https://www.jonathan-cook.net/2024-11-11/genocide-victims-israel-football-thugs/


NOTA: ESTE VÍDEO DESMASCARA O FACTO DAS NOTÍCIAS DA MEDIA CORPORATIVA ASSUMIREM QUE OS AGRESSORES ERAM MUÇULMANOS, E OS ADEPTOS DA EQUIPA MAKABI FORAM OS AGREDIDOS. FOI EXATAMENTE O CONTRÁRIO. CONFIRMA A FOTÓGRAFA E JORNALISTA QUE FILMOU AS CENAS. OS AGRESSORES TINHAM AS CORES DA EQUIPA ISRAELITA (AMARELO, AZUL CLARO E AZUL ESCURO). VEJAM:


PS1: NOVOS INCIDENTES ENVOLVENDO CLAQUE SIONISTA NUM JOGO DE FUTEBOL EM PARIS, UMA SEMANA APÓS OS INCIDENTES DE AMSTERDAM. LEIA ARTIGO DE MIKE WHITNEY, AQUI.

.............................................................

Relacionado:


https://www.jornalmudardevida.net/2024/11/18/amesterdao-fascismo-e-sionismo-de-maos-dadas/#comment-6898

https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2024/11/apelo-internacional-de-1100-escritores.html

https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2024/10/israel-ataca-as-nacoes-unidas-thierry.html

segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

HOLANDA: MODELO DE ECOMODERNISMO E UTOPIA TECNOCRÁTICA? [por Colin Todhunter]




O capitalismo de desastre e as narrativas da crise são presentemente usadas para manipular o sentimento popular e empurrá-lo para uma série de políticas desagradáveis que - de outro modo - não teriam aceitação política suficiente.


Tais políticas são promovidas por opulentos interesses que decidiram fazer biliões graças ao que está sendo proposto. Eles procuram obter controlo total da alimentação e de como esta é produzida. A sua visão relaciona-se com uma agenda mais vasta, que pretende moldar como a humanidade vive, pensa e atua.

Ao longo de grande parte de 2022, as manifestações dos agricultores holandeses estiveram presentes nos cabeçalhos. Os planos para diminuir para metade a produção de azoto na Holanda pelo ano de 2030, originaram os protestos de massa. O governo fala de que é preciso abandonar a agricultura baseada na produção animal e suas emissões com impacto no clima. 

Esta «transição nos alimentos» está frequentemente associada com a promoção da agricultura de «precisão», da engenharia genética, de um menor número de agricultores e explorações agrícolas e dos alimentos sintéticos. Esta transição é promovida sob a bandeira de ser «amiga do clima» e entronca na narrativa da «emergência climática».

 Willem Engel, que defende a agricultura tradicional, considera que o governo holandês não  procura eliminar os agricultores da paisagem por razões ambientais. Trata-se antes do projeto da «Cidade dos Três Estados», uma megapolis com uma população de cerca de 45 milhões, estendendo-se por áreas da Bélgica e da Alemanha.

Engel sugere que a «crise do azoto» está a ser manipulada para levar a cabo políticas que irão resultar numa reconfiguração da paisagem do país. Ele faz notar que o principal emissor de azoto na Holanda não é a agricultura, mas a indústria. No entanto, a terra atualmente ocupada com explorações agrícolas é estrategicamente importante para industrias e para habitação.

O conceito de uma megapolis dos três Estados, baseia-se numa região «verde» urbana gigantesca, conectada por «tecnologias inteligentes» que podem competir de forma rentável com as metrópoles gigantes que existem na Ásia, em especial na China. 

O governo holandês anunciou recentemente planos para compra de até 3 000 explorações agrícolas num lance destinado a satisfazer os objetivos controversos de reduzir a emissão de substâncias azotadas dos adubos sintéticos. A ministra holandesa do azoto Christianne van der Wal diz que serão oferecidos aos agricultores mais de 100 % do valor das suas explorações. Mas existem planos para expropriações em 2023, caso as medidas voluntárias falharem.

O que vemos agora na Holanda, será o passo inicial para tentar fazer o público aceitar cultivos GM (Geneticamente Modificados), «alimentos» feitos em laboratório e 90 % da humanidade ser enlatada em megacidades?

E será só coincidência que a seguinte visião do futuro eco-modernista surja em holandês no site baseado na Holanda, RePlanet.nl?

Diz que por volta de 2100 haverá dez milhares de milhões de pessoas no planeta:

"Mais de 90 %  destas viverão e trabalharão na cidade, comparados com 50 % em 2000. Em volta da cidade há grandes quintas cheias de culturas geneticamente modificadas que dão um rendimento quatro vezes maior em relação ao do início do século 21. ”

Também assinala que - para além das terras cultivadas - começa  a natureza, que então ocupará a maior parte da superfície do nosso planeta. Enquanto em 2000, metade da superfície terrestre era usada pelos humanos, em 2100 será somente um quarto.  O resto será devolvido à natureza, à biodiversidade e as emissões de CO2 regressarão ao nível anterior a 1850, enquanto quase ninguém sofrerará de pobreza extrema.

Aqui está o plano: Expulsai dos agricultores das atividades agrícolas, tomai suas terras para urbanização e reservas naturais; viveremos felizes para sempre, alimentados por culturas geneticamente transformadas e alimentação sintética produzida em fermentadores gigantes. Nesta terra tecno maravilha, ninguém será pobre, todos serão alimentados.

É a visão tecnocrática, onde o domínio dos atuais conglomerados da indústria alimentar permanece intacto e fica mais solidamente enraizado. As políticas são reduzidas a decidir-se como melhor manipular o sistema, de modo a obter ganhos (lucros) otimizados.

Neste futuro, as plataformas digitais irão controlar tudo, serão o cérebro da economia. A plataformas de e-comércio estarão embebidas no sistema, quando a Inteligência Artificial (AI) e os algoritmos planearem e determinarem o que vai ser produzido e distribuído, e como vai ser.

Seremos reduzidos a pouco mais que o estatuto de servos, enquanto uma mão-cheia de megacorporações controla tudo. Conglomerados como a Bayer, Corteva, Syngenta, Cargill e outros, trabalharão com a Microsoft, Google e as grandes tecnológicas que irão gerir as culturas dirigidas por AI, sem agricultores; o comércio será dominado por gigantes do retalho, do género de Amazon e Walmart. Um cartel de donos dos dados, de fornecedores de elementos com copyright e megagrupos de retalhistas, estarão ao comando supremo da economia, regurgitando alimentos industriais tóxicos. 

E quanto a representantes eleitos (se é que ainda existam em tal visão distópica)? O seu papel será fortemente limitado enquanto vigilantes tecnocráticos destas plataformas.

Esta é a visão para onde nos quer conduzir a classe hegemónica do tipo da Gates Foundation, da Grande Agritec, da Grande Finança (digital), da Grande Farma e de «ambientalistas» do género do jornalista George Monbiot.

Ele dirão que é para o vosso bem. Para evitar a fome e carências e para garantir que a vida selvagem será protegida, que o planeta será «salvo», que pandemias devidas a zoonoses serão evitadas; qualquer cenário apocalíptico será impossível.

O sistema de produção alimentar atual está em crise. Mas, muitos dos seus problemas foram trazidos pelos mesmos interesses corporativos que estão por detrás do que foi delineado acima. Eles são responsáveis pelo regime alimentar fundamentalmente injusto, conduzido pelo Banco Mundial, Organização Mundial do Comércio e pelo Fundo Monetário Internacional, cujas políticas são implementadas em benefício daqueles interesses corporativos.

Estas corporações são responsáveis pela degradação do solo, pela contaminação devida ao escorrimento de fertilizantes nas redes hídricas, pelo deslocamento das populações rurais e pela tomada de suas terras, a sua fuga para urbes sobrepovoadas e a proletarização (ex- produtores independentes, reduzidos a trabalho assalariado ou desemprego), a redução massiva do número de aves e de insetos, a menor diversidade nas dietas, a crise de saúde pública, em espiral crescente, devido à utilização intensiva de produtos químicos na agricultura, etc.

Porém, apesar dos problemas enormes causados por este modelo de agricultura, é uma verdade inconveniente que a agricultura dos camponeses (com baixo consumo de energia) – não a agricultura industrializada – continua a alimentar a maioria do mundo embora o modo industrial seja o principal devorador de subsídios e recursos.

Os que promovem a visão eco-modernista estão a usar preocupações genuínas em relação ao ambiente, para avançar sua agenda. Mas onde começa, então, o ambientalismo genuíno?

Ele não começa com a democracia sendo comprada (ver artigo How big business gets control over our food) ou coerção estatal (veja WikiLeaks: US targets EU over GM crops) para obter culturas GM e a sua comercialização.

Não começa com agricultura «de precisão», onde a técnica de «correção genética» e outras do género, são análogas a usar um enorme cutelo e constitui vandalismo genómico (segundo o professor de Harvard, George Church).

Não começa nem acaba com culturas geneticamente modificadas, que falharam em satisfazer suas promessas e plantas quimicamente nutridas, que são usadas como «fonte de alimento» para fermentadores consumidores de energia, onde tal matéria é transformada m alimentos.

Nem começa nem acaba com o Banco Mundial/ FMI a usarem a dívida (veja artigo Modi’s Farm Produce Act Was Authored Thirty Years Ago)  para provocar  dependência, para deslocar populações, para juntar as pessoas em cidades sobrepovoadas e retirar a humanidade da sua tradicional conexão com a terra.

Muitos dos problemas acima mencionados poderiam ser ultrapassados no longo termo, dando prioridade à soberania alimentar e de sementes, à produção localizada, às economias locais e aos cultivos agroecológicos. Mas isto não é do interesse da Bayer, Microsoft, Cargill e outras porque nada disso se encaixa no seu modelo de negócio - pois, é mesmo uma séria ameaça para ele.

Em vez de forçar os agricultores a abandonar a sua atividade, o governo holandês deveria encorajá-los a cultivar diferentemente.

Mas isso requer uma outra mentalidade dos que descrevem a agricultura como um problema em ordem  fazer avançar a todo o vapor uma agenda baseada em contos de fada tecno utópicos sobre o futuro.

O sistema de produção alimentar baseado em modelo industrializado, de elevado input, químico-dependente e corporativo, que está viciado por interesses geopolíticos, esse é o problema real.

Hans Herren, Premiado com o Prémio da Alimentação do Mundo diz:

«Temos de arredar os interesses ocultos que bloqueiam a transformação com argumentos vazios de “o mundo precisa de mais alimentos” e conceber e implementar políticas que olhem para diante...Possuímos todas as evidências científicas e práticas de que as abordagens agroecológicas à produção alimentar e à segurança na nutrição funcionam com sucesso.”

Estas políticas iriam facilitar os sistemas produtores localizados, democráticos e o conceito de soberania alimentar, baseado em otimização da autossuficiência, em princípios agroecológicos e no direito à propriedade cultural dos produtos alimentares e que as comunidades possuam e tenham a gestão comum dos recursos, nomeadamente, da terra, água, solo e sementes.»

Porque, quando se discutem alimentos e agricultura, aqui é que o ambientalismo genuíno começa.

Colin Todhunter é especialista em alimentação e agricultura e é Investigador Associado do «Centre for Research on Globalization» em Montreal. Pode ler o seu minilivro "Food, Dependency and Dispossession: Cultivating Resistance", aqui.

terça-feira, 2 de agosto de 2022

REFLEXÕES ESTIVAIS



Escrevo, impulsionado pelo louco sentimento - louco, porque sei que não responde a expectativa racional - de que as minhas meditações encontrão algum eco nos leitores, que eu estimo, embora não os conheça pessoalmente, salvo raras exceções.
Pois, o que me apetece escrever no calor deste Verão perto do mar, é que realmente não encontro motivos para serenamente usufruir da calma estival, para aproveitar o remanso à sombra, na sesta depois do almoço, ou para passear ao fim da tarde nas falésias com a minha cadela.
Não, realmente, estou demasiado inquieto, indisposto mesmo, com as notícias que vejo, oiço e leio.

- O braço-de-ferro entre os EUA e a China, a propósito de Taiwan continua. É inacreditável mas verdade, os EUA provocarem a China para algo que pode degenerar em guerra global, portanto com perigo de se tornar nuclear? Não será isto uma prova da loucura e desorientação estratégica dos dirigentes, dos verdadeiros, os que mexem os cordelinhos discretamente, em Washington?
- A guerra na Ucrânia está muito acesa e nenhuma perspetiva concreta de paz se apresenta, de momento. Continuam a morrer soldados e civis dos dois lados, sem qualquer razão, apenas adensando a tragédia.
- Os governos europeus foram lançados na aventura de sanções suicidárias contra a Rússia, a qual não tem de mexer um dedo, apenas deixar as coisas correr o seu curso, para a Europa ficar sem os recursos energéticos necessários à população e à indústria, sem fertilizantes para sua agricultura, sem matérias-primas e bens industriais, que eram fornecidos pela Rússia, muitas vezes a preços vantajosos porque envolviam contratos de longo prazo.
- A «resposta» europeia à situação de catástrofe, no plano militar e humanitário, ainda é mais irresponsável, tendo eles e os americanos incentivado esta situação, espicaçado os russos a encetarem esta campanha militar. Ainda por cima, encorajam o lado ucraniano a não procurar uma saída negociada, a bater-se com armamentos sofisticados por eles oferecidos, mas inadequados ao terreno e sem que as tropas estivessem treinadas para os utilizar.
- Eu não culpo inteiramente os poderes da Ucrânia; eles não têm alternativa, senão obedecer às ordens dos americanos, dos europeus, ou de serem sujeitos a «suicídio», ou «acidente trágico», ou golpe derrubando o poder atual, a favor de outro, mais dócil para os verdadeiros patrões.
No plano dos media, verifico que estão demasiado subservientes, que as pessoas são mantidas numa bolha de desinformação, sendo ocultadas todas as notícias que possam pôr em dúvida a narrativa oficial dos Estados ocidentais, pelo contrário, inundando o espaço informativo com as campanhas mais sujas e falsas que jamais vi, contra o outro lado, que não é apenas Putin, mas todo o governo russo, e também o povo. A adesão do povo russo (com ou sem razão) às decisões dos seus líderes nunca foi tão elevada.
Enquanto Putin é pintado com as cores de ditador cruel e sanguinário, o que verifico é que os «pacifistas» do ocidente agitam histericamente bandeiras ucranianas, não tendo vergonha de apoiar explicita e com pleno conhecimento de causa, um governo dominado por nazis, banderistas, que instauraram uma espécie de culto nacional a Stepan Bandera, figura desprezível de traidor, criminoso de guerra, colaborador das SS nazis, nos massacres de judeus, polacos, ucranianos antifascistas.
- Sabendo-se perfeitamente qual o substrato ideológico do governo resultante do golpe de «Euro-Maidan» de 2014, ele teve apoios, de toda a ordem, dos países da NATO: Durante 8 anos, treinaram as forças armadas ucranianas (incluindo os batalhões de forças «especiais» Azov e outros) para estas atingirem o nível de forças operacionais de um membro da NATO. Sabia-se que a população etnicamente russa do Don estava a ser flagelada por incursões e bombardeamentos constantes, das forças regulares e dos batalhões «especiais», durante os oito anos em que nominalmente existiram os «Acordos de Minsk».
- Os acordos de Minsk, firmados entre os representantes do governo ucraniano e das forças das repúblicas separatistas, apenas incluíam a Rússia, a Alemanha e a França, como garantes do seu cumprimento. Nestes oito anos, os ocidentais nada fizeram para estimular o seu cumprimento. Essa inação dos ocidentais permitiu (convidou) as violações frequentes dos acordos, do lado do governo ucraniano.
- A 20 de Fevereiro, quando a Rússia reconheceu formalmente as duas repúblicas separatistas, estava em preparação uma operação massiva de ataque e invasão das Repúblicas de Lugansk e Donetsk: se os russos não se tivessem interposto entre a força de 75 mil homens (os que tinham melhor treino e equipamento) e as referidas repúblicas, teria sido um banho de sangue.
- É realmente muito sujo o jogo de todos os que, de forma vesga, nada fazem para prevenir uma situação de genocídio, mas depois vêm carpir lágrimas de crocodilo, perante a invasão russa.
- Entendamo-nos: é uma tragédia, eu disse isso logo, e que esta invasão devia parar. Porém, esta decorre de uma situação muito delicada, em que Putin e o Estado russo tinham jurado defender os povos das duas repúblicas, seus irmãos russos. O restante povo russo (da Federação das Repúblicas da Rússia) nunca perdoaria, caso não fosse cumprida a promessa de proteção, perante a situação de genocídio lento (8 anos!) e a iminência duma Blizt Krieg, preparada por Kiev, às fronteiras dos dois territórios.
- Realmente, todos os intervenientes nos governos ocidentais têm as mãos manchadas do sangue ucraniano e russo, pois são cúmplices principais, através das suas políticas e através da NATO, no desencadear desta guerra, que não era uma fatalidade. Bastava, no Outono de 2021, as chancelarias ocidentais (incluindo a dos EUA) tomarem a sério os insistentes pedidos da diplomacia russa para conversações relativas à segurança europeia global.
- Mais ainda que os atos criminosos do governo ucraniano, ou que a revelação de que a Ucrânia se dispunha a rasgar o acordo internacional firmado, que garantia que ela nunca possuiria armas nucleares, foi o seguinte, o ato decisivo:
- O ato de negação de diálogo diplomático fez mudar a perspetiva de Moscovo, sendo certo que estavam demasiados fatores vitais em jogo para que Putin tomasse de modo ligeiro a recusa ocidental. Estou certo que os diplomatas russos explicaram aos ocidentais porque razão era vital, para a estabilidade e a convivência pacífica na Europa, que não houvesse alargamento da NATO à Ucrânia. De facto, o objetivo dos ocidentais era de acirrar o conflito, exercer pressão até o governo russo ser forçado a ceder. Mas ele não cedeu, nem podia fazê-lo, porque o que estava em causa era a Rússia, enquanto país independente, soberano, não transformado num amontoado de repúblicas autónomas, incapazes de resistir à investida neoliberal. Como todos sabemos, foi isto que tentaram fazer da Rússia, nos anos 90, no tempo de Yelstin.
- A cidadania - atualmente - está sujeita à completa dominação pela oligarquia. A oligarquia que nos governa, em Washington ou em quaisquer outras capitais Ocidentais, está totalmente identificada com a cabala de Davos.
- A pretexto de uma (falsa) transição ecológica, querem matar à fome três quartos da humanidade. Pode parecer exagero, mas infelizmente, isto pode ser corroborado por demasiados indícios:
- A autêntica guerra contra os agricultores, na Holanda, na Itália e em todos os sistemas agrícolas com elevado rendimento, que permitiam colmatar as falhas alimentares crónicas no Terceiro Mundo.
- O prolongar da guerra na Ucrânia e das sanções ocidentais contra produtos russos, nomeadamente agrícolas, incluindo a impossibilidade dos navios russos terem a sua carga segurada, devido à proibição dos ocidentais de que as companhias seguradoras dos navios aceitassem fazer tais seguros.
- Muito do que se passa, tem como efeito uma realmente terrível recessão ao nível mundial. Os países vão sofrer de fome, frio e escassez. Vai haver, numa escala ainda maior que no presente (veja-se o caso do Sri Lanka) insurreições, revoltas da fome.
- Os poderosos têm estado a reforçar as polícias de choque e os dispositivos para controlo das multidões. Em breve, o modelo de vigilância eletrónica generalizada, ensaiado com o COVID-19, vai funcionar de forma ainda mais massiva e mais coerciva.
- Vão chamar as «Alterações Climáticas» a torto e a direito, como justificação. Não apenas haverá políticas de austeridade (para os pobres), acompanhadas da perda das liberdades e garantias fundamentais. Irão aproveitar muitos vírus (como «monkeypox» ou varíola símia) que existem no estado endémico e que, esporadicamente, causam um surto local, como pretexto para medidas de ditadura vacinal, com um caráter mais ou menos permanente.
- Vai ser impossível viajar, em circunstâncias normais: Haverá uma polícia que decidirá se tal ou tal viagem, por tal ou tal pessoa, é ou não, «legítima» ou «segura». O turismo, uma das maiores fontes de receita de Portugal e dos países   mediterrânicos, vai colapsar.
- Mas, para o governo dos senhores, é tempo da «ralé» se convencer que tem de viver na maior  «simplicidade»; terá de renunciar ao automóvel e a muitas outras coisas - aquecimento, ar climatizado, alimentos não sintéticos, etc. - para que a «elite» e as forças armadas continuem a usar os seus «jets».

Tudo o que escrevi acima, está em fontes fidedignas, que tenho citado neste blog. A ignorância não é desculpa para as pessoas não se informarem. Só quem o fizer, pode ajuizar até que ponto o que enunciei acima, tem cabimento, ou não. As questões que levanto são de tal modo graves, que o simples facto de serem omitidas pelos media, ou tratadas de uma maneira parcial, facciosa, deveria despertar as pessoas, que ainda não estejam plenamente alertadas. As que estão plenamente conscientes destes perigos, devem fazer um esforço, junto de outras nas quais tenham confiança, para que algo comece a mudar.

- Será que as pessoas só irão acordar, quando já for tarde demais? Um grande paradoxo da nossa época é que não é assim tão difícil saber quais os planos da oligarquia. Podemos ficar amplamente informados, se nos dermos ao trabalho de pesquisar, de consultar fontes e de as confrontar com os dados. Porém, o adormecimento é de tal ordem, que os privilegiados podem atuar com impunidade e arrogância... Até ver; pois revoluções despontam já, nos países do Terceiro Mundo.

quarta-feira, 21 de julho de 2021

PROPAGANDA 21 [Nº2] a realidade conveniente e a gestão da perceção

Dois exemplos de manipulação da perceção: 

1/ Os pais de crianças com mais de dois anos são, agora, obrigados a aceitar que no jardim de infância, suas filhas e filhos usem máscara. Sabe-se que as crianças - sobretudo as pequenas - precisam muito de uma interação entre si e com os adultos, que passa pelas expressões do rosto. É também conhecido o efeito, na oxigenação do cérebro, de estar-se longas horas com a máscara colocada. A associação médica pediátrica americana, teve inicialmente uma posição de rejeição do uso de máscara pelas crianças pequenas, tanto mais que elas não são suscetíveis de apanhar covid, têm uma forte proteção natural, nem de serem transmissoras assintomáticas (como foi demonstrado por vários estudos, a ideia de transmissão assintomática é simplesmente falsa). 


Mas, subitamente a associação passou a advogar uso de máscara para crianças acima dos dois anos. Então qual é a causa da mudança brusca, da viragem de 180º? A resposta está na página dos «sponsors» da referida associação. Em destacado lugar vem a Pfizer. Vejam a notícia AQUI.

 

------------------------------


2/ Um célebre e respeitado patologista holandês, Frank van der Goot está convicto que os números de óbitos relacionados com Covid estão incorretos. A razão é que os médicos que passam as certidões de óbito quase nunca o fazem com base numa autópsia. Eles apenas preenchem o formulário e têm de registar uma cadeia de causalidade que, na prática, corresponde a perjúrio. De facto, assinam uma certidão das pessoas como tendo sido falecidas do Covid, quando apenas terão um teste PCR que indica positivo. Ora, este meio não é diagnóstico, isso está mais que provado.
Tal como este médico neerlandês, os médicos de toda a Europa poderão constatar que também é assim em todos os países da UE. Com efeito, nestes países, uma normativa emitida pelas entidades de coordenação sanitária ao nível da EU, estipula que os médicos legistas deverão colocar como causa imediata de morte Covid, se um paciente possuía um teste positivo, até 28 dias antes do óbito. Ora, existem muitas razões para suspeitar das «mortes por covid»:

a) Segundo relatório de médicos italianos (que fizeram autópsias, apesar de «desaconselhadas» pela OMS) era superior a 90% a existência de co-morbilidades (uma, duas ou mais doenças, ao mesmo tempo que a infeção com coronavírus). Mais pessoas morreram com coronavirus do que de coronavírus, segundo eles.
b) O teste de PCR, tal como foi inicialmente usado com 35 (ou mais) ciclos foi considerado pela própria OMS, mais tarde, como inapropriado, por permitir um número demasiado elevado de falsos positivos (ou seja, pessoas que não tinham realmente coronavírus, mas o teste dizia que sim), sendo agora proposto para este teste um número muito menor (25 ciclos).
c) A forma como os médicos foram forçados a preencher as certidões de óbito tornava completamente irrisória a validade destas. Os médicos foram instruídos pelas autoridades de saúde, nos vários países da Europa, a declararem um doente «morto de Covid», com um teste positivo ou até com sintomas muito vagos e que podiam ser de uma pneumonia, de uma gripe, etc. Isto pode ser comprovado pelo protesto da Associação de Médicos Clínicos Britânicos, que denunciou esta grosseira ingerência nas competências individuais dos médicos, por parte dos burocratas da saúde e do governo. Outros protestos de organismos médicos poderão ter existido noutros países europeus.
d) Após a introdução das vacinas, as ordens modificaram-se, de tal maneira que houve uma descida «administrativa» das mortes por Covid (supostamente) logo a seguir a esta introdução. Isto tinha o objetivo de fazer com que as pessoas aceitassem que a campanha de vacinação estava a trazer frutos imediatos. Só que que, primeiro, as pessoas não se infetam e imediatamente morrem; o processo leva tempo; a taxa de morbilidade e de mortalidade não deveria, em situação normal, baixar tão cedo e tão repentinamente.
 Então, o que sucedeu? As modalidades de deteção do Covid com teste PRC tornaram-se muito mais «sensatas»; muitas pessoas - que antes teriam tido um teste (falsamente) positivo - passaram a teste negativo. Por outro lado, o número (real) de pacientes com Covid nos hospitais nunca foi tão elevado como nos quiseram fazer crer, nunca houve risco de avalanche nas urgências com doentes de Covid. 
Finalmente, tal como os positivos saudáveis (falsos positivos) desapareceram, também os testes a doentes hospitalizados acusando presença de SAR-Cov-2, diminuíram na mesma proporção, ou seja, tornaram-se mais próximos da realidade. O preenchimento das certidões de óbito, já não iria dar -tão frequentemente - como causa de morte «covid», visto muitos mais testes serem negativos. Eis como se deu a mágica e súbita descida da morbilidade e mortandade por «covid» na UE. Tudo isto, devido às vacinas, ao efeito mágico, milagroso das vacinas! 

Portanto, a manipulação das estatísticas, a indução duma psicose de medo, a falsificação dos testes de deteção, a indução (pelos burocratas) à fraude nas certidões de óbito, são factos suficientemente estabelecidos, por inúmeros testemunhos e pelas próprias estatísticas oficiais, que não deixam margem para dúvida; existe um enorme número de indícios («smoking guns»), apesar das manobras de ocultação.

--------------------------

*Pathologist speaks out; "Death figures RIVM are not correct!"

Doctor and Pathologist Frank van der Goot is convinced; “I am not impressed by the figures that Statistics Netherlands and RIVM communicate. The Covid-19 death figures are also incorrect. Simply because there are hardly any autopsies in the Netherlands and therefore the cause of death by the doctor is highly careless. After all, you cannot determine the cause of death from the outside and that makes the registration a legal obligation for perjury”.

Strong language but Dr. Van der Goot substantiates his views well. “Physicians are, of course, loyal and have to fill in something on the A / B form and then associate by recording the chain of causality. They do this in good faith, but at the same time they also know that they are not sure. From a legal point of view, that makes it perjury and puts doctors in an ethical dilemma.”

Pathologist Frank van der Goot, together with program maker Flavio Pasquino, goes through a video from CBS, which explains how the cause of death is determined. The case used in the video is already debatable and makes for a fascinating conversation about causality and underlying suffering. In the corona crisis this is super relevant because the number of Covid-19 deaths is of great importance to determine the IFR, the Infection Fatality Rate. How many people actually die after infection? But what if the people who died are mislabeled and died of something else?

dr. Frank van der Goot is no stranger to TV. For example, he made an NPO series "Doden Liegen Niet" about determining the cause of death, where he - just like in this broadcast - argued and even showed that the cause of death is often incorrect.

Van der Goot is in both Clinical and Forensic Pathologist and is affiliated with the National Forensic Research Office . He also works in a hospital where he mainly researches biopsies and does not so much perform autopsies.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

MUNDO PERDIDO REVELADO EM ARTEFACTOS E RESTOS HUMANOS NAS COSTAS DO MAR DO NORTE






A imagem mostra uma lâmina translúcida de sílex, fabricada por caçadores recolectores de há cerca de 8 000 anos, recolhida numa praia da Holanda. 

Esta zona «Zandmotor» da costa holandesa não é um sítio banal, na medida em que a investigadora  Willy Van Wingerden já aí recolheu mais de 500 artefactos e mesmo ossos humanos fossilizados de há muitos milhares de anos. 



Com cerca de meio quilómetro de largura, esta praia foi originada pela dragagem do fundo marinho e despejada sobre a costa em 2012. Esta obra tem como finalidade proteger a costa holandesa da subida do mar. 
Esta rica mina de artefactos paleolíticos surgiu a partir de um mundo perdido, que se estendia desde as costas de Inglaterra, Holanda, até às da Escandinávia. No auge da idade do gelo, em que os neandertais eram os únicos humanos presentes, eles foram capazes de atravessar por o que é hoje o canal da Mancha (que não existia) ou outros pontos e alcançar o território do que se tornou depois as Ilhas Britânicas.
Nesta época, o nível do mar estava, em média, 70 metros abaixo do actual. O que é agora o Mar do Norte, foi território de homens modernos ancestrais, neandertais e mesmo de homininos mais antigos. Todo esse território ficou submerso, quando os glaciares se fundiram e fizeram subir o nível do mar, há cerca de 8500 anos.

Hoje em dia é possível datar artefactos com novas técnicas, o que ajuda a classificar os achados que têm sido feitos, na orla desse vasto território submerso.
Os achados permitem reconstituir uma paisagem de floresta e rios, rica em caça. Não era uma área desértica, era talvez a melhor área para caçadas no continente europeu. 
As técnicas de recuperação e sequenciação de ADN antigo podem ser utilizadas, pois as águas frias preservam melhor o ADN que quando ele está exposto ao ar. Outros territórios submersos, como a Beríngia (que ligava o norte da Sibéria ao Alaska) poderão ser também sondados desta maneira, no futuro. Lembremos que a Beríngia foi o território originário das primeiras populações da América. 

As terras submersas, Doggerlands, foram baptizadas segundo a designação duma zona do mar do Norte rica em peixe (Dogger Banks). Há 50 mil anos atrás, a paisagem era bem diversa. 
Esta região estendia-se desde Amesterdão até à Escócia e ao sul da Noruega. Abrangia, pelo menos, 180 mil quilómetros quadrados de terra emersa, quatro vezes maior que a Holanda de hoje. 

                          Picture of Doggerland

Muitas informações estão disponíveis no site do magazine Science, no artigo «Lost world revealed by human, Neandethal relics washed up on North Sea  beaches» (O mundo perdido revelado pelos restos humanos e neandertais encontrados em praias do Mar do Norte) 


 
Arqueólogo Luc segura um artefacto neandertal em sílex, com parte envolvida em «cola» de bétula. 

O pedaço de sílex talhado, encontrado nas praias do Mar do Norte, tem pelo menos 50 mil anos, sendo portanto tecnologia neandertal. Segundo a análise química, esta ponta de sílex era mantida (na ponta de uma lança ou seta) através de uma «cola» feita da resina de bétula. Isto implica tecnologia sofisticada para extrair e processar esta «cola».
Pode-se esperar encontrar restos do Homo antecessor (800 mil anos), cujas pegadas no Reino Unido, datadas no seu contexto geológico, permitem afirmar que estes deambularam aí. 

Os neandertais, há cem mil anos, eram caçadores especializados, adaptados a viver numa região fria como o norte siberiano, de hoje em dia. 
Há 45 mil anos, os homens anatomicamente modernos entraram na Europa (vindos de África) e as áreas de ocupação dos neandertais começaram lentamente a diminuir. Pensa-se que as Doggerlands foram local de ocupação do homem moderno, há cerca de 40 mil anos, quando esta  zona se apresentava como uma estepe gelada. 
Por volta de 20 mil anos, uma vaga de frio trouxe um severo arrefecimento a toda a região, que a tornou demasiado fria para ser habitável. Mas, há 15 mil anos, o reaquecimento trouxe um breve período de abundância, como se pode comprovar por amostras de pólen, de ADN antigo, de madeira fossilizada,  que permitem reconstituir uma paisagem de florestas e de rios, cheia de vida selvagem e de humanos, cujos restos incluem artefactos finamente trabalhados em pedra, em osso e em marfim de rena. 


               
     Maxilar de um adolescente que habitava em zona agora submersa do Mar do Norte.

              
     Calote craniana com 13 mil anos de H. sapiens, «pescada» ao largo de Roterdão

Vale a pena analisar em detalhe o artigo supra-citado, do qual extraí as imagens anteriores.

Nestas costas do Mar do Norte há um manancial de restos arqueológicos por descobrir, que nos permitem traçar uma parte literalmente submersa da aventura humana.

sexta-feira, 19 de julho de 2019

LOCALIZAÇÕES SECRETAS DE BOMBAS NUCLEARES NA EUROPA REVELADAS POR ENGANO



                  




Uma «gaffe» embaraçosa comprometeu seriamente a segurança das defesas da NATO e a sua eficácia, depois de um documento público, inadvertidamente, ter revelado demasiado. 

Um organismo pertencente à NATO, chamado o Comité de Defesa e Segurança da Assembleia Parlamentar da NATO, publicou um rascunho de relatório em Abril passado sob o título «Uma nova era para a dissuasão nuclear? Modernização, controlo de armamento e forças nucleares aliadas», especificamente atribuído a um senador canadiano. Numa monumental fuga de informação acidental, o documento realmente identificava as localizações das armas nucleares americanas estacionadas em toda a Europa, o que é considerado informação altamente classificada. Via The Sun (UK)

Embora a informação divulgada acidentalmente tenha sido rapidamente suprimida, depois de ter chamado a atenção de funcionários da NATO, o quotidiano belga De Morgen reportou a falha, após o que esta notícia se tornou viral. O título da notícia no quotidiano belga De Morgen afirmava: “Finalmente, preto no branco: existem armas nucleares americanas na Bélgica.”

O documento revelava a localização secreta de 150 engenhos nucleares em várias bases «especificamente, bombas de gravidade B-61»

O relatório identificava, na secção entitulada “A postura nuclear da NATO”, subsequentemente republicada pelo De Morgen, a seguinte informação classificada:

“Estas bombas estão armazenadas em seis bases europeias e dos EUA— Kleine Brogel na Bélgica, Büchel na Alemanha, Aviano e Ghedi-Torre em Itália, Volkel nos Países Baixos e Incirlik na Turquia.”


A versão corrigida da edição final do documento foi republicada na semana passada, com as localizações dos armamentos nucleares eliminadas.

Facto interessante, a Itália é que mantém a maior quantidade de bombas nucleares dos EUA – entre 60 e 70 – com a Turquia e Alemanha também a guardarem um número elevado, o que é preocupante, no caso da Turquia, dadas as tensões sobre o negócio com os mísseis russos S-400. 

Tal quantidade de arsenal nuclear no solo europeu é herança e continuação da acumulação histórica durante a Guerra-Fria, quando Washington estava envolvida na batalha para contrariar a expansão soviética na Europa, o que também permitiu que os aliados não tivessem de se equipar com suas armas nucleares próprias.


Via Statista: “O B61 é uma bomba termonuclear, estratégica e táctica, de gravidade, que se desintegra numa implosão em dois estádios. Pode de ser utilizada em vários aviões, F-15E, F-16 e Tornado. Pode ser lançada a velocidades até Mach 2 e a altitudes tão baixas como 50 pés, neste caso tendo um lapso de 31 segundos antes de explodir, permitindo que o avião tenha tempo de escapar da onda de choque da explosão.”

Os jornais europeus desta semana publicavam títulos chocantes e alarmantes acerca desta revelação. Sem dúvida, ela revela uma situação perigosa, dado o recente colapso de um tratado do tempo da Guerra-Fria, que mantinha os sistemas de lançamento de mísseis fora da Europa, o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermédio (INF).

Segundo uma declaração oficial da NATO, publicado no The Washington Post, o documento não foi originado no seio da própria NATO, mas pelo grupo parlamentar da assembleia da NATO, especificamente, dum dos membros da aliança, o Canada. Na declaração da NATO no Post diziam: “Não tecemos comentários sobre a postura nuclear da NATO.”

segunda-feira, 3 de junho de 2019

REINO UNIDO RESPONSÁVEL PELA MAIORIA DOS PARAÍSOS FISCAIS


                      

Segundo o gráfico abaixo do site Statista, os Territórios Ultramarinos Britânicos e as dependências da Coroa dominam a lista de locais onde as multinacionais podem fugir ao fisco e esconder os seus lucros.


                        Infographic: The UK dominates the most damaging tax havens | Statista

Somando tudo, o Reino Unido é responsável por um terço da fuga aos impostos mundial. A Holanda vem em segundo lugar, correspondente a cerca de um quarto do volume do Reino Unido.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

DEMONSTRADO: EURO BENEFICIOU SOMENTE ALEMANHA E HOLANDA

                     'Euro was flawed at birth and destined to collapse' - Nobel economist

Um estudo do CEP publicado em Fevereiro de 2019, mostra que o euro beneficiou muito a Alemanha e os Países Baixos, tendo um efeito nefasto nas economias dos países do Sul, Portugal*, Espanha, Grécia e Itália. 



Esta conclusão não é inédita, mas tem o mérito de provar com dados precisos e quantificar o que cada pessoa destes países, em média, beneficiou - ou não  -desde a introdução do euro, em 1999.
Lembro que nos meus escritos sobre o euro - podem encontrá-los neste blog, ver aqui, aqui e aqui - já estava bem claro o papel inibidor do euro nas economias que deixavam de poder desvalorizar suas divisas para manterem a competitividade das exportações. O superávit sistemático de certos países e o déficit sistemático de outros, o desequilíbrio sistemático da balança comercial entre Norte e Sul, o seu claro efeito no desemprego, no endividamento externo, etc. são sinais muito claros de que algo estava e está mal, no desenho da «união monetária». 
O que está mal? 

- Em primeiro lugar, não existindo semelhança de grau de desenvolvimento industrial e tecnológico entre várias zonas do Euro, a criação de uma zona monetária única vai reforçar a penetração dos produtos das zonas mais fortes, em detrimento das mais fracas, visto não existirem barreiras alfandegárias.

- Em segundo lugar, a existência de um mercado único, com uma moeda única implicaria, para ser «fair play», que as regras do mesmo mercado fossem o mais uniformes possível de país para país; ou seja, com as mesmas exigências em relação às condições em que operam os agentes económicos; o mesmo nível de impostos, as mesmas regras nas relações laborais, as mesmas condições de acesso ao crédito, etc, etc. 

- Em terceiro lugar, seria necessário introduzir um mecanismo de garantia de obrigações do tesouro de cada país emissor, uma efectiva garantia solidária do conjunto da zona euro. Isto significaria que, tanto os países ricos, como os pobres, teriam capacidade para pedir empréstimos em condições semelhantes, não haveria o enorme diferencial das taxas de juro; taxas ao nível da inflação ou mesmo menores, para os países mais ricos e taxas altíssimas, um crédito «punitivo», para os pobres. 

As disfunções e anomalias resultantes da introdução da moeda única, nas condições em que tal foi feito, eram absolutamente previsíveis, mas os políticos que fizeram Maastricht tinham uma agenda essencialmente política, não económica. Depois, entronizaram as «regras de Maastricht» como se fossem absolutas, reforçando-as com uma «disciplina» que não tem qualquer significado económico. 

Na verdade, o projecto da UE, especialmente com o tratado de Lisboa e o Euro, é um projecto de construção dum império continental, não duma verdadeira federação de Estados livres e conservando uma parte significativa da sua soberania. Num projecto imperial, como este, as regras são ditadas pelos mais fortes. 

--------------
* Consultar os gráficos da página 12 do referido relatório, para a evolução da situação de Portugal.