quinta-feira, 15 de outubro de 2026
MIL ANOS DE CRUZADAS, ATÉ HOJE
quarta-feira, 7 de outubro de 2026
CLARO QUE O SIONISMO É UM RACISMO!
Excerto de artigo de Natan Bear. Original em:
Em primeiro lugar, acreditar no sionismo, que defende o direito dos judeus a um Estado judaico, não é uma crença "pragmática" que exista fora de alguma ideologia supremacista racial, como sugerem alguns. É uma ideologia supremacista racial. Não se trata simplesmente da crença de que os judeus podem mudar-se para um lugar seguro e integrar-se nele, respeitando os seus costumes, práticas e instituições governativas. É a crença no estabelecimento de um Estado judaico com costumes, práticas e instituições próprias. Fundamentalmente, porém, é a crença de que os judeus deveriam poder criar um novo etno-estado com novas instituições onde JÁ EXISTEM pessoas. E, obviamente, isto não pode ser feito sem acreditar que as pessoas existentes são inferiores e, portanto, que os judeus têm o direito divino de as substituir, às suas culturas, práticas e instituições. O racismo está intrínseco à própria lógica disto! Não se pode deslocar e promover a limpeza étnica de um povo já existente numa área geográfica, de forma não racista! Isto seria verdade tanto se um Estado judaico fosse criado na Palestina, como na Mongólia Exterior. Não se pode, como O. parece acreditar, ter um sionismo, que não seja à custa de outro povo. A não ser que se pretenda estabelecer um Estado judaico na Lua, o sionismo, por necessidade e definição, exige limpeza étnica. Portanto, é patentemente racista. Os líderes do Partido Verde (no Reino Unido) deveriam estar a defender estes pontos e a exigir que os opositores expliquem como a limpeza étnica não é racismo, em vez de se submeterem pateticamente a uma indignação fabricada, criada para proteger um projecto colonial genocida.
J. aplica também uma teoria de "autodeterminação" ao sionismo, ligando-o mais directamente às lutas gerais pela independência empreendidas por outros grupos étnicos ou religiosos. Outros sionistas, nos últimos dias, usaram exactamente esta palavra para defender e justificar o sionismo e Israel, tal como o deputado do Partido Verde, Adrian Ramsey, que disse opor-se à moção por esta contrariar sua crença na autodeterminação judaica.
Consciente ou inconscientemente, o conceito de “autodeterminação”, no contexto de um Estado judaico, está a ser totalmente mal utilizado. Historicamente, o conceito de autodeterminação tem sido aplicado a grupos minoritários, que vivem sob o domínio violento e opressor de uma maioria e que insistem na sua independência, em relação a esse domínio. Fundamenta-se e é delimitado por imperativos morais claros relativos ao sofrimento dos oprimidos sob o jugo dos seus opressores. Os judeus nunca viveram sob o domínio opressor da maioria palestiniana! Viveram, em diferentes épocas, sob regimes opressivos e discriminatórios a milhares de quilómetros de distância, na Europa Ocidental e Oriental. E, obviamente, foram os europeus que cometeram assassinatos em massa contra judeus, não foram os palestinianos. Não existe o direito à “autodeterminação” em território alheio e contra pessoas que não lhes fizeram qualquer mal. Não é apenas ilógica, é uma noção obscena que justificaria qualquer grupo oprimido a deslocar-se para qualquer parte do mundo e a promover a limpeza étnica de quem quisesse, sob a justificação de que, algures, em algum momento, sofreram discriminação. A autodeterminação em terras alheias, é uma perversão moral de uma ideia fundamentalmente justa e digna.
O povo a quem a ideia de autodeterminação se aplica da forma mais óbvia e lógica são os palestinianos. São discriminados, abusados e assassinados em massa com base na sua etnia, nas suas próprias terras, pelo domínio injusto da maioria de um grupo étnico diferente. As suas terras foram roubadas e as suas instituições destruídas e substituídas por invasores coloniais. Estes invasores coloniais cometeram genocídio contra eles.
É difícil saber se o debate em torno do sionismo é conduzido como uma farsa deliberada ou se é reproduzido como resultado de ignorância aprendida. Grande parte dele é certamente oportunista. Ou seja, as pessoas que conhecem as origens supremacistas (racistas) do sionismo fingem que se trata de um projecto nobre de autodeterminação, porque são sionistas que procuram manter o status quo. E as pessoas que desconhecem as origens supremacistas (racistas) do sionismo não querem saber, porque não desejam destruir a sua mundividência supremacista judaico-cêntrica. De qualquer modo, seja por ignorância deliberada ou aprendida, existem fortes motivações para sustentar ficções sobre o que o sionismo realmente é e representa.
Outra complicação significativa é que muitas pessoas acreditam, inocentemente, como resultado de uma lavagem cerebral cultural e educacional, que o sionismo surgiu completamente formado a partir do Holocausto. Que os judeus, procurando segurança após a Segunda Guerra Mundial, exigiram um Estado e a ONU prontamente o concedeu em 1948. Poucos sabem que o sionismo emergiu como uma ideologia etno-nacionalista, quase cem anos antes disso e foi concebido como uma ideologia explicitamente colonialista de povoamento.
Sionismo Primitivo
Um dos primeiros pensadores nacionalistas judeus, Moses Hess, publicou "Roma e Jerusalém" em 1862, obra na qual defendeu o colonato judaico na Palestina. Em 1896, o organizador e teórico sionista Theodor Herzl escreveu "O Estado Judeu", de que uma secção inteira se intitulava "A Ocupação da Terra". Herzl declarou que "os judeus conquistarão a Palestina", prevendo que "a infiltração judaica acabará certamente mal" devido à resistência palestiniana. Outro proeminente sionista judeu do século XIX, Ben-Yehuda, escreveu que "existem agora apenas quinhentos mil árabes, que não são muito fortes e dos quais tomaremos facilmente o país". O sionista do início do século XX, Vladimir Jabotinsky é frequentemente considerado um dos pais do sionismo. Chamou repetidamente ao colonato judaico na Palestina “colonização”, enquanto o primeiro-ministro de Israel, David Ben-Gurion, em 1937 descrevia a Palestina como “contendo um vasto potencial de colonização que os árabes não precisam, nem estão qualificados para explorar”. Disse que os judeus se estabeleceriam na Palestina “através do acordo e entendimento com os árabes, ou por outros meios”. O outro meio a que se referia, era a violenta limpeza étnica que ele próprio acabou por dirigir. O sionismo surgiu muito antes de 1945 e foi explicitamente descrito pelos judeus sionistas como um projecto de colonização. Não é preciso grande esforço para conhecer estes factos, pelo que é necessário concluir que são simplesmente ignorados, tanto por supostos aliados como por inimigos da Palestina, por conveniência dos interesses e sensibilidades sionistas.
E agora, 150 anos depois de o sionismo ter surgido como uma ideologia explicitamente colonizadora, o Estado judaico cometeu um genocídio e devemos acreditar que o genocídio pode, de alguma forma, surgir materialmente de um Estado não racista. Outro absurdo. Só o racismo produz genocídio. Só o racismo produz uma sociedade de apartheid que deseja realizar uma limpeza étnica de dois milhões de pessoas. As ruínas de Gaza são a descrição visual perfeita do que o sionismo, enquanto ideologia, sempre representou.
Imagem: Como tudo está mais claro do que nunca, o que começamos a ver é um esforço para reabilitar o sionismo. Começamos a assistir a um esforço para separar Israel da sua ideologia subjacente, de modo a reintegrá-lo discretamente na sociedade imperial polida. Os liberais detestam que os direitos palestinianos, o genocídio, o apartheid e o sionismo se tenham tornado temas eleitorais. Daí esta indignação com a moção dos Verdes, que será utilizada para tentar destruir o partido, tal como Corbyn e o seu movimento foram destruídos por uma falsa histeria anti-semita. Daí Mamdani e as suas traições e as reacções de raiva, mesmo entre os chamados esquerdistas, às pessoas que denunciam esta reabilitação. No outro dia, estava no centro disto quando Hasan Piker, uma personalidade multimilionária das redes sociais com a capacidade intelectual de uma esponja marinha, me atacou e tomou o partido de um sionista israelita por causa das minhas críticas a Mamdani. Na sua transmissão em direto, Piker, que há poucos meses era um crítico acérrimo dos sionistas, disse estar feliz por ter fãs nas Forças de Defesa de Israel (IDF). Piker tem mais de 5 milhões de seguidores nas suas plataformas de redes sociais e agora eles estão a ouvir que os soldados que cometeram genocídio, não só podem ser reabilitados, como também podem ser incluídos num movimento de esquerda.
Piker está a promover um liberalismo intransigente, sem princípios e falhado.
Está a promover o liberalismo social-democrata falhado que, em primeiro lugar, produziu um genocídio.
Ele está a promover um liberalismo genocida.
Intelectualmente, tanto Piker como os dirigentes do Partido Verde estão a demonstrar na prática, o que significa ter a mente aberta como uma ferida aberta. A confusão e o sangramento de posições contraditórias na vã busca de legitimidade num sistema democrático liberal.
Mais uma vez, vemos porque é que o progresso genuíno e a justiça são impossíveis dentro dos limites da democracia liberal.
Isto não significa que a moção dos Verdes tenha sido má. Longe disso. Ajuda a aguçar as contradições, expõe as fraudes performativas e cria uma tensão útil ou mesmo destrutiva, que abre novos caminhos para a mudança.
Mas, enquanto sistema para a mudança material, a democracia liberal, se não esmaga as melhores intenções e as vozes mais íntegras, subjuga-as e redirecciona-as para os seus próprios fins.
Na maioria das vezes, porém, como sistema concebido para sustentar o imperialismo capitalista, simplesmente promove sionistas, capitalistas e neofascistas ou fascistas de facto.
É por isso que só os futuros revolucionários permitirão que uma verdade evidente seja orgulhosamente declarada por todos: o sionismo é racismo.
E só em futuros revolucionários a Palestina será livre.
PS: ler o artigo de Jonathan Cook
https://jonathancook.substack.com/p/no-state-has-a-right-to-exist-least?utm_source=share&utm_medium=android&r=9hbco
domingo, 23 de agosto de 2026
Corbyn & Finkelstein: Gaza e a cumplicidade ocidental [Crónica da IIIª Guerra Mundial, nº 70]
terça-feira, 4 de agosto de 2026
GIDEON LEVY , FAMOSO JORNALISTA DE HAARETZ, ENTREVISTADO POR JORNALISTA BRASILEIRO
https://www.youtube.com/live/2nzHF13cDJ0?si=EuOT8Fc8K-fChists5S8
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026
terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
PHILIP GIRALDI «O CORAÇÃO DAS TREVAS»
Philip Giraldi é um ex-analista da CIA, que se apercebeu há bastante tempo da letalidade do Império e tem desmascarado as narrativas da média dos EUA e internacional para desculpar o que é indesculpável. Os EUA são a nação que mais vezes esteve envolvida em invasões, golpes de Estado, subversões, bloqueios e toda a espécie de atos contrários aos direitos Humanos. É de saudar a coragem de homens como Giraldi, que melhor compreendem as manobras do poder dos EUA e nos explicam o que está em causa, pois viram por dentro o funcionamento da CIA e do Governo.
The Heart of Darkness

It is not for nothing that most of the world both abhors and condemns Israeli behavior, whether it be measured by the never-ending genocide in Gaza or the similarly driven terrorizing and deportation of the Palestinian population on the West Bank. Israel is intent on taking full control of historic Palestine and is willing to do whatever it takes to bring that about and unfortunately the United States has been its all too often enthusiastic accomplice in that effort. Beyond that, Israel has bombed and otherwise killed its neighbors in Lebanon and Syria while also enticing Washington to join in the effort to attack Iran and bring about regime change in Tehran. Apartheid Israel, which has declared itself legally and ethnically a Jewish state, intends to become that in reality by eliminating all non-Jews from its ever expanding territory and it is willing to do whatever it takes to bring that about.
There is something that is a tad peculiar about the Jewish state’s sense of identity in that it does not regard killing those who are non-Jews by any means possible as either a crime, or, more to the point, as a sin in spite of the prohibition included in its own Ten Commandments. Nor does Israel consider any agreements it enters into with other countries to be in any way binding on it and its leaders, witness the regular violation of the two ceasefires that Tel Aviv has entered into over Gaza, or its behavior regarding similar arrangements with neighbors Lebanon and Syria. In Lebanon and Syria, Israel is currently spraying “unidentified” though apparently toxic chemicals on farmland near the border to drive away local residents through destruction of their livelihoods. Israel does what Israel does and the United States, which was a guarantor of all the ceasefires as well as of the ongoing peace process, never says a word when Israel breaks the agreements and goes about killing more local inhabitants.
Israel’s latest ploy is to bring about a United States attack on Iran to destroy that country’s ability to strike Israel, making the Jewish state by default the regional dominant military and political power. Israel reportedly convinced Donald Trump not to attack Iran several weeks ago because there was concern that Iran would, as part of its defense, attack targets inside Israel that had the ability to support the American effort. In other words, Israel was seeking a solution to Iran that would not put itself at risk and would instead put the onus on the United States. One might point out that this is hardly the appropriate behavior for a country that is repeatedly praised as Washington’s “best friend and closest ally.” It is anything but that while Trump and the politicians are either too stupid or corrupted to realize that, or too intimidated by the Lobby, to respond as they should if the US interest were truly their priority in relationship to an Iran which does not threaten America in any way.
Israeli Prime Minister Benjamin Netanyahu has now called for a meeting with Donald Trump for later this week, which would be the ninth meeting between the two since Trump’s inauguration, far more than with any other foreign politician. Netanyahu has asked to meet with Trump to discuss options for the ongoing indirect discussions with the Iranians. Netanyahu’s office released a statement that “The prime minister believes that all negotiations must include limiting the Iranian ballistic missiles, and ending support for the Iranian axis” of Hamas, Hezbollah and the Houthis, which Israel perceives at the principal threats against it.
In any event, it is generally conceded that Trump will do what Israel wants. Netanyahu will also be seeking a plan of action whereby the US will attack and bring about regime change in Iran while also neutralizing its offensive capabilities. Israel meanwhile will stay out of the fight to avoid any damage from the Iranian arsenal. Neat, and any dead Americans resulting from that formula, most probably on US bases in the Persian Gulf region, will just be the cost of doing business with Netanyahu who will be leaving from his sessions with Trump with a smile.
Netanyahu is smiling because he always wins when dealing with American presidents while simultaneously treating the United States like a bit of dirty laundry that can easily be discarded or ignored whenever it is is not useful as a source of money, weapons and protection. Note the disregard for the damage done to the United States by the Jeffrey Epstein conspiracy which was without question a major blackmail operation up to the US presidential level run by Mossad to favorably influence policies towards the Jewish state. Even now with many incriminating documents revealed there is total resistance on the part of the Trump regime and the opposition Democrats to honestly expose what was done by our “good friends” in Israel.
But I have described Israel as uniquely evil and there is plenty of evidence for that outside of its treatment of the United States of America as some kind of vassal state that is a source of money and political and military support. As observed above, Israel has never complied with any agreement that it makes with foreign countries. During the course of the current ceasefire it has blocked the entry of food or medicines while also continuing to bomb and shoot Gazans, killing close of 600, including many children. Meanwhile, far from withdrawing its army from Gaza it has increased its foothold in the Strip, occupying close to 60% of the total area as a “Yellow” security zone, presumably leaving the rest as eventually intended for the Trump Gaza Resort or for Israeli settlers who have been appearing in the area in increasing numbers and even staking out new settlements.
As a gesture to indicate some measure of compliance with the ceasefire, last week Israel agree to partially open the Rafah Crossing from Gaza to Egypt which it controls, and the first to pass through were supposed to be those Gazans suffering from injuries and wounds requiring advanced medical treatment. Something like 22,000 Gazans were registered or lined up seeking passage and a long line of ambulances from the Egyptian side were waiting to help. Israel then closed the Crossing in spite of its commitment to open it and reportedly only let 150 injured Gazans pass through it with 50 Gazans who were already in Egypt allowed to return home from the other side.
Another story making the rounds is how the Israeli military has now conceded that its multi year offensive in Gaza has killed approximately 70,000 Gazans, a number that is being praised in some circles because it is considered an honest, though unfortunately brutal, appraisal. Some believe, however, it is meant to throw out a lower number so the real number will never be revealed. The 70,000 number is much higher than what has appeared in the Zionist controlled western media up until now but it is far below other estimates from reliable sources like the British medical journal The Lancet that place the deaths at 186,000, with most of the bodies still buried under the rubble. Some other conservative estimates believe that fully 12% of the original 2 million Gazan population has been killed, meaning close to 240,000.
And when one speaks of how evil Israel is, there is another issue which might be considered. Israel is sometimes described as the leading country in providing resources for organ replacements, a procedure sometimes euphemized as “organ harvesting.” That appears to be true because the thousands of Palestinians who are held without charges in Israeli prisons are treated abominably, to include having their organs removed for marketing purposes if they die and even when they are still living. The evidence for that horrific behavior consists of the bodies of Palestinians that are released from prisons and given to their families for burial. Those bodies frequently have what are presumed to be their viable body organs as well as corneas or even skin removed prior to being returned. The organs are then marketed worldwide. The result is that organ donation in “Israel” is among the highest in the world, despite some religious restrictions and a relatively small population.
So I rest my case. These are not the sorts of things that countries with any sense of morality or respectability embrace. And unfortunately Israel is able to drag Donald Trump and the US Congress along with it, even making Washington do the real dirty work when it comes to confronting nations like Iran. But there are signs that the American public has become tired of the whole charade and Israel’s role in it. The litmus test will come with the handling of the situation with Iran and we should be seeing what will happen there in the next week or two.
Philip M. Giraldi, Ph.D., is Executive Director of the Council for the National Interest, a 501(c)3 tax deductible educational foundation (Federal ID Number #52-1739023) that seeks a more interests-based U.S. foreign policy in the Middle East. Website is https://councilforthenationalinterest.org address is P.O. Box 2157, Purcellville VA 20134 and its email is inform@cnionline.org
---------------------------------------
RELACIONADO:
https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2026/02/crimes-terroristas-dos-estados-sempre.html
sábado, 15 de novembro de 2025
O «9/11 2001» E A PROPAGANDA NO SÉC. XXI
[PROPAGANDA 21, Nº 29]
da SÉRIE: PROPAGANDA 21 - condicionamento de massas no séc. XXI
segunda-feira, 20 de outubro de 2025
UM RABI EXPLICA O QUE É E COMO NASCEU O SIONISMO
terça-feira, 7 de outubro de 2025
GAZA: AS MENTIRAS PROPALADAS PARA ENCOBRIR O CRIME DE GENOCÍDIO
Quando se faz a apologia da ação militar de Israel em Gaza, está-se a criar clima favorável a todos os atos que depois cometeu. Seus apoiantes, chefes de Estado e governo, de vários países ocidentais deveriam também ter um lugar reservado no banco dos reús, no Tribunal Penal Internacional.
Quando a media corporativa perpetua as mentiras típicas da propaganda de guerra e não faz nenhum esforço para desfazer aquilo que propalou, sabemos que a sua missão deixou de ser (há muito tempo, na verdade) de divulgar as notícias o mais próximo possível da realidade e de modo objetivo, neutral, não enviesado.
Ás numerosas pessoas que há dois anos me diziam que o Hamas tinha cometido atrocidades, eu respondia que a saída de 7 de Outubro para fora da prisão de Gaza, FOI UM ATO MILITAR e que numa circunstância assim, os militantes palestinianos tinham que se preocupar - em exclusivo - em neutralizar as forças inimigas da IDF (forças armadas de Israel) que mantinham o cerco da Faixa de Gaza.
As barbaridades atribuídas aos gerrilheiros palestinianos eram construções da propaganda sionista, destinada a virar a opinião pública mundial contra os palestinianos. Compreendi logo isso e depois veio a ser confirmado plenamente, com provas irrefutáveis.
De facto, os objetivos mais importantes da operação da resistência palestiniana foram alcançados. Mostraram que Israel (o seu governo, as suas forças armadas) era opressor, sem qualquer preocupação com os aspectos humanitários, com prazer sádico em matar e humilhar uma população indefesa.
O objetivo declarado pelo governo de Netanyahu de «liquidar o Hamas», não apenas não foi conseguido, como a posição do Hamas se fortificou no seio do povo palestiniano, como também a nível internacional. Além disso, a questão do estatuto da Palestina enquanto Estado independente, nunca se colocou com tanta força como agora.
Não sei, evidentemente, o que o futuro trará, mas creio que é importante que Gaza fique como símbolo da barbárie contra um povo indefeso e que resiste desde 1948.
Com efeito, foi vítima da histórica injustiça que lhe foi feita, quando a ONU reconheceu o Estado de Israel e deixou «no vácuo» a questão do reconhecimento dos territórios palestinanos, conforme prometido, enquanto território nacional dos palestinianos.
O 7 de Outubro de 2023 será lembrado como um gesto de libertação, de coragem dos resistentes, não apenas do Hamas, como doutras organizações da Resistência palestiniana.
A resistência de todo um povo - os palestinianos de Gaza e dos restantes territórios - ficou demonstrada. Os habitantes de Gaza recusaram abandonar a cidade que tinha sido transformada em ruínas, assim como todas as infraestruturas e recursos (hospitais, escolas, mesquitas, igrejas cristãs, etc), intencionalmente bombardeadas e demolidas pelos israelitas.
É terrível o peso que devem sentir muitos judeus, pelo mundo fora, perante a perpetuação de crimes em massa, que só têm paralelo no horror e desumanização que os nazis fizeram ao povo judeu, logo em 1933, mas que se foi intensificando como morticínio em massa, nos finais da IIª Guerra Mundial.
Mas, o sofrimento da população palestiniana durante estes anos todos, desde antes da implantação do Estado de Israel, deveria ensinar a todos que não se pode aceitar um Estado étnico (um Estado que apenas reconheça como cidadãos de pleno direito os de uma dada etnia) e/ou um Estado com religião oficial (em que é crime criticar a religião e onde as leis são moldadas para se conformar com um credo religioso), nem um Estado que discrimine como não-cidadãos quem aí vive desde há séculos e séculos. Chama-se neste último caso, «apartheid», nome dado ao regime de segregação racial promovido pelos brancos na África do Sul, que só acabou na década de 1980.
Não tenho nenhuma compaixão pelos sionistas e seus comparsas: andaram a atear campanhas de ódio, de propaganda do mais vil conteúdo, para «justificar» os horrores cometidos quotidianamente, nestes dois anos de matança. Não chamo a isto «guerra», pois os alvos principais dos sionistas eram civis e os palestinianos resistentes armados, não tinham meios para contrariar, de modo eficaz, os atos do exército inimigo.
O meu horror e tristeza não ficam confinados ao regime monstruoso de Netanyahu e seus apoiantes internos e externos:
É que nós temos vivido numa bolha de ilusões, nos regimes ocidentais, de «democracia liberal»; de que estes tinham valores e que os assumiam. Não! Apenas usaram, durante mais de um século, uma «indignação» fabricada, para lançar campanhas contra seus opositores, encobrindo os crimes deles próprios contra forças anti-coloniais, anti-capitalistas, pró-socialismo, pró-autodeterminação, que surgiram neste século e meio, em todos os continentes e nos países-sedes coloniais e imperiais.
segunda-feira, 22 de setembro de 2025
A NOVA DESORDEM MUNDIAL [CRÓNICA DA IIIª GUERRA MUNDIAL, Nº 49 ]
Não sei se algum título como este já existe, é provável - mas no caso deste escrito - entendo que se trata do título mais apropriado.
Senão vejamos; a liberdade é proclamada e negada, na prática. Não se pode defender um determinado ponto de vista perfeitamente legítimo e racional, sem se ter consequências gravosas, se este ponto de vista se traduz numa desacralização do poder.
Pelo contrário, podem cometer-se atrocidades, violações sistemáticas dos direitos humanos, impunemente, se forem cometidas sob a tutela e seguindo o guião da potência hegemónica. As coisas não mudaram, desde há cerca de 75 anos. Um adjunto do presidente dos EUA, Truman, fez-lhe notar que se estava a apoiar uns «bastardos» (já não sei de que país latino-americano); ao que Truman respondeu...«Sim; mas são os NOSSOS bastardos».
Hoje em dia, a ditadura totalitária de Zelensky tem as honras de governos ocidentais, enquanto vai prendendo os opositores, que «desaparacem», ou vai colocando para sacrifício inútil, centenas de milhares de soldados na mira de fogo das tropas russas, sobretudo vai construíndo - ele e seus associados - fortunas colossais, à custa do erário público ucraniano (e nosso). Mas ninguém se preocupa, nas administrações que têm doado sucessivos biliões, para onde vão estas somas.
Os manifestantes que protestam contra o genocídio dos palestinianos, são dispersos à bastonada, são presos às centenas; isto tem lugar no suposto «modelo» da democracia e dos direitos civis, a Grã Bretanha.
Em simultâneo, a indústria armamentista, nomeadamente, na UE, no Reino Unido e nos EUA, envia para Israel o que este precisa para efetuar o referido genocídio. Como podem os políticos se apresentar como «observadores impotentes», durante estes quase três anos de genocídio, sabendo-se que um embargo de armas a Israel iria fazer parar rapidamente o Holocausto Palestiniano?
Claro que jogam os interesses económicos e a importância dos lobis pró-sionistas. Aliás, não devemos confundir estes com as comunidades judaicas: Estas podem estar completamente dissociadas da mentalidade suprematista e colonialista do governo de Israel.
Em todo o lado, a igualdade dos seres humanos perante a lei, a sua dignidade fundamental, estão postas em causa. Um assassinato irá fazer a primeira página dos noticiários, consoante a vítima seja judeu (sionista ou não) ou um arauto «cristão», em associação com o sionismo, ou consoante se trate de um árabe, que pode ser muçulmano, cristão, de outra religião ou mesmo, ateu. No caso do árabe, nem será referido na maior parte dos noticiários; se o for, será classificado de «terrorista» ou de membro do Hamas, para desencadear repúdio e não qualquer sentimento de compaixão no público.
A ordem moral é a primeira a desfazer-se, quando se inicia a derrocada da ordem política-económica-jurídica.
Aquilo que se chama «civilização» é um estado de imposição duma falsa ordem, porque baseada na repressão: É isso que significam expressões como «Pax Romana», ou «Pax Americana».
A ordem moral não pode subsistir quando os do topo da hierarquia são impunes, face às regras aplicadas ao comum dos mortais. Vejam-se os casos (abafados) dos escândalos sexuais em torno da figura de Jeffrey Epstein, ou a total impunidade dos criminosos que lançaram a operação COVID («vacina anti-COVID») para benefício das multinacionais farmacêuticas Pfizer, Moderna, Astra-Zeneca...
Apenas dois exemplos acima citados, mas haveria muitos mais, se contabilizarmos os que no establishment se especializaram em lançar guerras (Afeganistão, Iraque, Líbano, Líbia, Palestina, Irão...) que têm causado milhões de mortes, incontáveis feridos e deslocados. Mas, a media corporativa reserva sempre o melhor acolhimento para estes senhores e senhoras.
Em desespero, os antigos aliados de ontém do Ocidente, estão em massa a aderir aos BRICS ou, pelo menos, a estabelecer acordos comerciais frutuosos com estes países, pois vêm que do lado Ocidental e Americano, só há a perspectiva de manter os países mais fracos sob o seu domínio, por todos os meios, incluindo militares.
Mas, o comércio precisa de liberdade. Sobretudo, de liberdade de escolha; em dado país participar ou não num dado acordo. Também precisa de um conjunto de regras. Porém, estas regras (acordadas e ratificadas na OMC) são sistematicamente ignoradas ou violadas pelos mesmos que clamam pelo seu respeito.
A utilização do dólar como arma, abusando do privilégio de ser a principal moeda de reserva mundial (uma herança do acordo de Bretton Woods, 1944), levou a que mais trocas sejam efetuadas nas divisas dos respetivos países, não envolvendo o dólar. O dólar deixou de ser visto como «porto seguro», como reserva nos Bancos Centrais, em muitos países: Estes passaram a acumular ouro, o qual não pode ser instrumentalizado. Quanto muito, poderá ser expropriado ou roubado, num contexto de guerra, com invasão e tomada do ouro do banco central (como aconteceu na Líbia e noutros casos).
A «lei» da força, ela própria, está posta em causa quando os rivais dos EUA e dos países da OTAN, possuem armas ao mesmo nível, ou que ultrapassam as ocidentais. Em relação à guerra assimétrica, temos assistido aos danos severos causados por mísseis e drones das milícias Houthis (Iemene), a instalações militares e civis israelitas, assim como mantêm o bloqueio no Mar Vermelho, para a navegação destinada a Israel, incluindo porta-aviões dos EUA. Podíamos também descrever o efeito do uso maciço dos drones que - com uma tecnologia relativamente simples - conseguem ultrapassar defesas anti-aéreas de uns e de outros, no teatro da guerra Russo-Ucraniana.
O mundo está cada vez mais complexo e as armas mais perigosas (armas nucleares) estão sob controlo de psicopatas, nalguns casos. A determinação de Netanyahu, ou do seu sucessor, em fazer explodir bombas nucleares contra inimigos (Irão, principalmente) pode configurar a «alternativa Sansão». Ou seja, tal como na narrativa bíblica, trata-se de deitar abaixo todo o edifício (Israel), de modo que os seus inimigos também morram. É uma loucura completa, mas que está consignada em manuais de estratégia militar israelitas, pelo que não pode ser tomada ao de leve.
‐------------------------
Ps1: Jeffrey Sachs e a nova ordem mundial
https://youtu.be/97pxh5BifVU?si=H58F_pxUbI0pYdi_
PS2: ANGELA MERKEL atribui a países da OTAN a responsabilidade pelo rebentar da guerra na Ucrânia:
sexta-feira, 6 de junho de 2025
A FALSIFICAÇÃO DA HISTÓRIA DOS HEBREUS COM OBJETIVOS POLÍTICOS
quinta-feira, 22 de maio de 2025
O MAIOR CRIME CONTRA A HUMANIDADE
É bastante preocupante o processo psicológico que leva grande número (não sei as percentagens) de cidadãos de Israel a desprezar a vida humana, quando se trata de palestinianos, fazendo afirmações públicas (na televisão, em sites do YouTube, em jornais, etc) de uma enorme brutalidade e indiferença, face ao sofrimento de um povo, especialmente exibindo total indiferença ao sofrimento e morte de milhares de crianças, em Gaza e noutros pontos da Palestina. Quando vimos estas manifestações de racismo descarado, ficámos incrédulos no primeiro instante, para depois nos convencermos, dadas as abundantes provas - fornecidas pelos próprios - de ódio visceral em relação aos palestinianos e, em especial, à resistência palestiniana e ao Hamas.
