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quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

COMO QUER O OCIDENTE AJUDAR O POVO IRANIANO?


 O prof. Marandi e outros intelectuais e académicos iranianos são excluídos completamente da informação e do debate, nos media do Ocidente.

Só assim conseguem ocultar-nos os crimes envolendo esse tal Ocidente "liberal e democrático ", através  de sanções  mortíferas a regimes mas, na realidade, contra os povos que não lhes agradam. Mas, para alguém com um mínimo de senso de justiça, a crueldade e hipocrisia de governos como o britânico, ou dos EUA, ou de muitos da OTAN, estão completamente desmascaradas.
Vejam e oiçam o prof. Marandi que tem - no show de George Galloway - uma rara oportunidade para expor o que tem acontecido no Irão. 
Vivemos, nos últimos anos, sempre à  beira da generalização da 3° Guerra Mundial, que está há longos anos em curso .
As forças da guerra e da destruição  estão  sempre a insuflar desestabilização, a fazer golpes, operações de comandos e invasões, em países que não  lhes agradam.

Eu penso que é uma cobardia e um crime insuflar os ventos da guerra, tomando como pretexto os defeitos reais ou fictícios de governos estrangeiros. Essa indignação é  falsa - em muitos casos - porque essas mesmas pessoas ficam caladas, quando ocorrem graves entorses aos Direitos Humanos no seu próprio país, ou em países aliados. Porém, muitas pessoas sinceras são manipuladas e seus sentimentos  instrumentalizados, para servir o interesse de quem dirige campanhas mortíferas contra os países tomados como alvo. Quem induz esses comportamentos são especialistas da guerra psicológica, disfarçados com etiquetas de jornalistas, de académicos  ou de cientistas políticos  e sociais, etc.

  A jornalista chinesa Li Jing Jing e
   Seyed Marandi desmascaram 
   as mentiras de Washington e dos 
    governos alinhados.

sexta-feira, 10 de outubro de 2025

COMO É QUE PORTUGAL NÃO FOI ABSORVIDO PELA ESPANHA

 Na realidade, esta questão é um bocado misteriosa para mim, que não sou historiador e tenho ideias demasiado esquemáticas do que foi o Condado Portucalense e todas as relações entre famílias reinantes, de Portugal, Castela e restantes reinos ibéricos, que tanta influência tiveram na evolução da geografia política da Península Ibérica. 

O que me apraz sublinhar é que o estado de guerra não era de todo o mais comum entre os reinos vizinhos de Portugal e Castela. Antes pelo contrário, as casas reais estavam aparentadas por uma série de casamentos entre príncipes dos dois reinos, forma como eram seladas ou consolidadas as alianças, nessa época.  Apenas uma visão maniqueísta coloca os dois reinos ibéricos em contenda permanente. 

Lembremos que o grande período de hostilidade aconteceu no final do Séc. XVI, quando o rei D. Sebastião de Portugal morreu em combate na batalha de Alcãcer Quibir (Marrocos) e foi sucedido pelo Cardeal D. Henrique, o qual não possuía descendência. 

As cortes estabeleceram que o legítimo herdeiro do trono era Felipe IIº de Espanha, tendo os seus exércitos invadido Portugal e derrotado uma fraca resistência militar, fiel ao candidato português ao trono (D. António Prior do Crato, «bastardo» real) e durante 60 anos foi o domínio dos Felipes na coroa de Portugal, não fusionada com a de Espanha, mas mantidos os dois reinos separados, com à cabeça, o mesmo monarca. 

Esta situação agradava a uma parte da aristocracia portuguesa. Por isso não houve grande resistência em Portugal durante a maior parte do período. Foi devido a uma série de acasos felizes que a conjura de 1ª de Dezembro de 1640 teve sucesso. Um facto importante, foi que o exército castelhano estava ocupado - nesse preciso momento  - a reprimir uma insurreição na Catalunha. Esta foi um fracasso, mas o resultado foi que, entretanto, Portugal sob o novo monarca, D. João IV,  teve tempo de organizar um exército próprio e fazer face às incursões espanholas. A guerra «de baixa intensidade» que se seguiu, durou bem até ao reinado de D. João V. Só no  reinado deste monarca português se chegou a uma paz estável com Espanha, com os casamentos de príncipes herdeiros. Nesta ocasião, foi celebrado o casamento entre o monarca espanhol e D. Maria Bárbara de Bragança princesa real, que se tornou assim Rainha de Espanha. 

Porém, os interesses de Espanha e Portugal continuaram a entrechocar-se no continente Americano. Houve combates na América do Sul por causa da delimitação dos territórios das colónias pertencentes a Espanha e a Portugal. Posteriormente, em 1801, na «Guerra das Laranjas» Portugal foi invadido pelo exército espanhol, por iniciativa do primeiro-ministro Godoy e nas boas graças do Consul vitalício, Napoleão Bonaparte.  

Durante a terrível guerra civil espanhola (1936-39), participaram forças portuguesas, de um lado e do outro: são conhecidas participações diretas de comunistas e de anarquistas nas milícias republicanas; do lado falangista, também houve voluntários. Esta guerra ocorreu já durante a ditadura de Salazar (1932-1968). Ele e o seu regime eram totalmente favoráveis aos insurrectos comandados por Franco. Quando algum «rojo» atravessava a fronteira para Portugal, era quase certo que seria apanhado, entregue aos falangistas e executado.  

No período pós-25 de Abril de 74, houve grupos (ELP, MDLP) de portugueses contra-revolucionários (grupos armados, praticando atos terroristas)  que se acolheram em Espanha, onde ainda vigorava o regime falangista. 

Mais tarde, aquando da adesão de Portugal e Espanha à então CEE, havia um certo preconceito dos eurocratas e dos principais países membros formando então «o Mercado Comum», em colocar Portugal e Espanha «no mesmo barco». Isto porque viam maior vantagem na adesão da Espanha com a sua indústria, agricultura e relações com a América-Latina. 

Porém, acabaram por encontrar uma fórmula, em que as indústrias portuguesas com maior potencial foram entregues, como «prenda de casamento da CEE» ao país vizinho. Os espanhoís puderam desenvolver em Portugal uma estratégia agressiva de aquisições em vários sectores, na indústria, nas pescas, no imobiliário, etc. O resultado foi o acentuar da «neocolonização de facto» de Portugal, como se pode verificar até hoje. 

Nos períodos em que Portugal fez face a Espanha, em geral, tinha o apoio duma grande potência, como o Reino Unido ou a França. Também nestas circunstâncias, Portugal teve de ceder muito a seus aliados, não só no seu império colonial, como em relação ao comércio da metrópole: por exemplo, os britânicos conseguiram obter exportações em exclusivo de uma série de artigos para o Reino lusitano  e obtiveram o exclusivo do cultivo e exportação dos vinhos do Porto, da transformação das lãs da Covilhã, etc. 

Pode dizer-se que o Portugal do século XVIII já tinha características de neocolónia, embora fosse - ele próprio - um império colonial. Mas o colonialismo português foi, quase sempre, subordinado a interesses estrangeiros até ao final do período colonial. Com efeito, eram numerosos os empreendimentos agrícolas, industriais e mineiros, nas colónias portuguesas, entregues a parceiros da OTAN (EUA, Reino Unido, França, Bélgica...). Também na metrópole,  durante o período da ditadura de Salazar, as grandes empresas com lucros assegurados eram britânicas, alemãs, estado-unidenses, francesas e doutros países. 

O regime de Salazar e Caetano oferecia as bases estratégicas (as bases aéreas das Lajes, Açores e de Beja) às forças armadas de países da OTAN. Estas, tinham, graças a estas bases,  a possibilidade da sua aviação alcançar pontos estratégicos no Médio Oriente. Em contrapartida, Portugal recebia destes países apoio diplomático dentro  da ONU e noutras instâncias, assim como armamento.

As armas, aviões, carros de combate, etc. fornecidos, eram muitas vezes em segunda mão ou modelos que já não eram usados pelos países doadores (por exemplo, aviões da guerra da Coreia, dados pelos americanos). 

As guerras do período colonial foram guerras «proxi», em que os soldados eram portugueses, mas a grande maioria do equipamento provinha de aliados da OTAN. Quanto aos interesses defendidos, estes eram claramente os dos grandes empórios estrangeiros e da política hegemónica dos EUA, em confronto com o campo socialista e os movimentos anti-coloniais. 

Portugal, em conclusão, é um país muito dependente, quer dos seus parceiros da UE, quer dos seus aliados mais fortes da OTAN. Configura-se uma situação neo-colonial, em que é  mais vantajoso para os senhores feudais (o grande capital internacional) que Portugal permaneça como país nominalmente independente. 

terça-feira, 7 de outubro de 2025

GAZA: AS MENTIRAS PROPALADAS PARA ENCOBRIR O CRIME DE GENOCÍDIO


 Escutei várias vezes com atenção este vídeo do «Le Quotidien Global». No seu conteúdo, este relato é dos mais objetivos que tenho até agora ouvido sobre Gaza, a Palestina, Israel, o regime de Netanyahu. Também é notório que os poderes ocidentais, foram apoiantes ativos, sobretudo EUA e Reino Unido, da campanha de terror contra civis, desde o primeiro momento. 

Quando se faz a apologia da ação militar de Israel em Gaza, está-se a criar clima favorável a todos os atos que depois cometeu. Seus apoiantes, chefes de Estado e governo, de vários países ocidentais deveriam também ter um lugar reservado no banco dos reús, no Tribunal Penal Internacional.

Quando a media corporativa perpetua as mentiras típicas da propaganda de guerra e não faz nenhum esforço para desfazer aquilo que propalou, sabemos que a sua missão deixou de ser (há muito tempo, na verdade) de divulgar as notícias o mais próximo possível da realidade e de modo objetivo, neutral, não enviesado.

Ás numerosas pessoas que há dois anos me diziam que o Hamas tinha cometido atrocidades, eu respondia que a saída de 7 de Outubro para fora da prisão de Gaza, FOI UM ATO MILITAR  e que numa circunstância assim, os militantes palestinianos tinham que se preocupar - em exclusivo - em neutralizar as forças inimigas da IDF (forças armadas de Israel) que mantinham o cerco da Faixa de Gaza. 

As barbaridades atribuídas aos gerrilheiros palestinianos eram construções da propaganda sionista, destinada a virar a opinião pública mundial contra os palestinianos. Compreendi logo isso e depois veio a ser confirmado plenamente, com provas irrefutáveis. 

De facto, os objetivos mais importantes da operação da resistência palestiniana foram alcançados. Mostraram que Israel (o seu governo, as suas forças armadas) era opressor, sem qualquer preocupação com os aspectos humanitários, com prazer sádico em matar e humilhar uma população indefesa. 

O objetivo declarado pelo governo de Netanyahu de «liquidar o Hamas», não apenas não foi conseguido, como a posição do Hamas se fortificou no seio do povo palestiniano, como também a nível internacional. Além disso, a questão do estatuto da Palestina enquanto Estado independente, nunca se colocou com tanta força como agora. 

Não sei, evidentemente, o que o futuro trará, mas creio que é importante que Gaza fique como símbolo da barbárie contra um povo indefeso e que resiste desde 1948. 

Com efeito, foi vítima da histórica injustiça que lhe foi feita, quando a ONU reconheceu o Estado de Israel e deixou «no vácuo» a questão do reconhecimento dos territórios palestinanos, conforme prometido, enquanto território nacional dos palestinianos.

O 7 de Outubro de 2023 será lembrado como um gesto de libertação, de coragem dos resistentes, não apenas do Hamas, como doutras organizações da Resistência palestiniana. 

A resistência de todo um povo - os palestinianos de Gaza e dos restantes territórios - ficou demonstrada. Os habitantes de Gaza recusaram abandonar a cidade que tinha sido transformada em ruínas, assim como todas as infraestruturas e recursos (hospitais, escolas, mesquitas, igrejas cristãs, etc), intencionalmente bombardeadas e demolidas pelos  israelitas.

É terrível o peso que devem sentir muitos judeus, pelo mundo fora, perante a perpetuação de crimes em massa, que só têm paralelo no horror e desumanização que os nazis fizeram ao povo judeu, logo em 1933, mas que se foi intensificando como morticínio em massa, nos finais da IIª Guerra Mundial. 

Mas, o sofrimento da população palestiniana durante estes anos todos, desde antes da implantação do Estado de Israel, deveria ensinar a todos que não se pode aceitar um Estado étnico (um Estado que apenas reconheça como cidadãos de pleno direito os de uma dada etnia) e/ou um Estado com religião oficial (em que é crime criticar a religião e onde as leis são moldadas para se conformar com um credo religioso), nem um Estado que discrimine como não-cidadãos quem aí vive desde há séculos e séculos. Chama-se neste último caso, «apartheid», nome dado ao regime de segregação racial promovido pelos brancos na África do Sul, que só acabou na década de 1980.

Não tenho nenhuma compaixão pelos sionistas e seus comparsas: andaram a atear campanhas de ódio, de propaganda do mais vil conteúdo, para «justificar» os horrores cometidos quotidianamente, nestes dois anos de matança. Não chamo a isto «guerra», pois os alvos principais dos sionistas eram civis e os palestinianos resistentes armados, não tinham meios para contrariar, de modo eficaz, os atos do exército inimigo.

O meu horror e tristeza não ficam confinados ao regime monstruoso de Netanyahu e seus apoiantes internos e externos: 

É que nós temos vivido numa bolha de ilusões, nos regimes ocidentais, de «democracia liberal»; de que estes tinham valores e que os assumiam. Não! Apenas usaram, durante mais de um século, uma «indignação» fabricada, para lançar campanhas contra seus opositores, encobrindo os crimes deles próprios contra forças anti-coloniais, anti-capitalistas, pró-socialismo, pró-autodeterminação, que surgiram neste século e meio, em todos os continentes e nos países-sedes coloniais e imperiais. 



terça-feira, 27 de maio de 2025

REINO UNIDO: STARMER ESTARIA DE PARTIDA


Depois de dar um golpe mortal ao Brexit, Starmer - um político odiado pela base do seu próprio partido trabalhista - mostra-se incapaz de enfrentar o descontentamento gerado pelas condições económicas difíceis, em grande parte causadas pela viragem para uma política militarista, dirigida contra a Rússia.

 Veja e oiça (pode ler as legendas em inglês) esta conversa entre dois dos comentadores geopolíticos mais seguidos: 
Alex Christoforu e Alexander Mercouris, que mantêm o canal «The Duran».

sexta-feira, 11 de abril de 2025

PHYLLIS BENNIS: TRUMP, NETANYAHU E A LÓGICA GENOCIDA DE ISRAEL



Phyllis Bennis é uma lutadora, lúcida e assumidamente contra o imperialismo dos EUA.

A sua firmeza permite-nos distinguir as pessoas como ela, presentes na esfera anglo-americana, com o mais elevado sentido moral e intelectual, e que contrastam com o colonialismo dos poderes.

Na Palestina sob mandato britânico, foram autorizados pelos britânicos o massacre e a expulsão (Nakba) do povo autóctone da Palestina. Estes crimes horrendos, perpetrados antes e depois da independência de Israel, pela Irgun e outros grupos sionistas, foram seguidos por quase 80 anos de apartheid e atos genocidários do Estado de Israel.

Nos EUA, Austrália, África do Sul, entre outros, o poder colonial anglossaxónico também se apropriou violentamente dos territórios, escravizando, expulsando e massacrando as populações autóctones respectivas (limpeza étnica, genocídio).




quinta-feira, 27 de março de 2025

NEUTRALITY STUDIES: «ENCALHADOS NO REINO DA FANTASIA»

 

British MP, Lord Skidelsky


Pascal Lottaz de Neutrality Studies traz-nos  mais uma notável entrevista, de um membro da Câmara dos Lords, que exprime o hiato que se tem alargado nos últimos tempos, entre a realidade e as fantasias, daí o título desta peça: «Struck in Fantasyland» . 
Na minha opinião, o que diz Lord Skidelsky não é somente uma evidência que eu já tinha percebido, ao compulsar nestes últimos anos, materiais para as minhas crónicas neste blog; é sobretudo um apelo - implícito - à ação, das pessoas com sentido do real, para que retomem as coisas em mãos, para que acabe esta deriva «histérica» em relação à guerra Russo-Ucraniana, sobretudo na Europa da U.E. e no Reino Unido.

PS1 (28/03/2023): Martin Armstrong, no seu blog, mostra que os dirigentes dos principais países europeus da OTAN estão perfeitamente alinhados com o regime de Kiev. Estão dispostos a desencadear uma guerra directa OTAN - Rússia. Não hesitarão perante nada, desde ataques de «falsa bandeira», até à entrada em força de soldados da OTAN, combatendo ao lado da Ucrânia, a pretexto de serem «tropas de interposição», obrigando os russos a lutar contra eles. 
Segundo Martin Armstrong, vários dirigentes europeus da OTAN estão «na cama» com os neocons.

quarta-feira, 5 de março de 2025

UM CONTRATO QUE NÃO PASSA DE UM LOGRO ...

 Veja esta conversa com Krainer: Explica porque IMPLODIU o encontro entre Zelensky/Trump, a 28 de Fevereiro e destinado a negociar um acordo sobre as «terras raras» ucranianas:






PS1: Veja também 

Alex Krainer: Economic Collapse & the End of Europe

quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

O Dr Abu Safiya simbolizava a humanidade em Gaza. Israel e o Ocidente estão a destrui-la [Jonathan Cook]

 

El Dr. Abu Safiya simboliza la humanidad en Gaza. Israel y Occidente lo están destruyendo

Israel no está erradicando a "los terroristas". Está convirtiendo a Gaza en un páramo, un infierno, donde los médicos ya no existen, los trabajadores humanitarios son un recuerdo y la compasión un lastre.

Middle East Eye – 8 de enero de 2025

Si hubo una imagen de 2024 que capturó las noticias del año, fue esta:  el Dr. Hussam Abu Safiya , con una bata de laboratorio blanca, abriéndose camino entre los escombros del hospital Kamal Adwan que dirigía, el último centro médico importante superviviente en norte de Gaza, hacia dos tanques israelíes que le apuntaban con los cañones de sus armas.

El año pasado estuvo dominado por la muerte y la destrucción que Israel ha causado en todo el pequeño enclave.

Ha estado marcado por la matanza de decenas de miles de palestinos –las muertes que conocemos– y la  mutilación  de al menos 100.000 más; el  hambre  de toda la población; la nivelación del paisaje urbano y agrícola; y el borrado sistemático de los hospitales y el sector sanitario de Gaza, incluido el asesinato, el arresto masivo y la tortura de médicos palestinos.

El año 2024 también estuvo dominado por un creciente consenso de las autoridades jurídicas y de derechos humanos internacionales de que todo esto equivale a genocidio.

Aquí había una imagen, de los últimos días del año, que lo decía todo. Mostraba a un médico operativo solitario –uno que había arriesgado su vida para mantener su hospital mientras estaba asediado por las fuerzas israelíes, atacado por proyectiles y drones israelíes, y con su personal abatido por francotiradores israelíes– dirigiéndose valientemente hacia él y a los de su pueblo. , exterminadores.

Había pagado un precio personal, tanto como el de sus pacientes y su personal. En octubre, su hijo Ibrahim, de 15 años, fue  ejecutado  durante una incursión israelí en el hospital. Un mes después, él mismo resultó  herido  por la metralla de un ataque israelí contra el edificio.

El 27 de diciembre, el hospital ya no podía resistir el salvaje ataque de Israel. Cuando un altavoz exigió que Abu Safiya se acercara a los tanques, se puso en camino sombríamente entre los escombros.

Fue el momento en que la lucha del hospital Kamal Adwan por proteger la vida llegó a un final repentino; cuando la maquinaria de guerra genocida israelí constató una victoria inevitable contra el último puesto avanzado de la humanidad en el norte de Gaza.

Retenido en un campo de tortura

La imagen fue también la última conocida de Abu Safiya, tomada minutos antes de su llamado “arresto” –su secuestro– por soldados israelíes y su desaparición en el sistema de campos de tortura de Israel.

Después de días de afirmar que no sabían su paradero, el ejército israelí finalmente  confirmó  que lo mantenía incomunicado. La admisión parece deberse únicamente a una  petición presentada  ante los tribunales israelíes por un grupo local de derechos médicos.

Según un número creciente de informes, Abu Safiya se encuentra ahora en la más famosa de las instalaciones de tortura de Israel,  Sde Teiman , donde el año pasado unos soldados fueron captados en vídeo violando a un recluso palestino con una porra hasta que le reventaron las entrañas.

La esperanza es que Abu Safiya no corra la suerte de su colega, el doctor Adnan al-Bursh, ex jefe de ortopedia del hospital al-Shifa de Gaza. Después de cuatro meses de abuso en la prisión de Ofer, los guardias abandonaron a Bursh en su patio, desnudo de cintura para abajo, sangrando y sin poder mantenerse en pie.  Murió  poco tiempo después.

Informes  de agencias de derechos humanos y de las  Naciones Unidas  –así como  testimonios  de guardias de campos denunciantes– hablan de palizas sistemáticas, hambrunas, abusos sexuales y violaciones de prisioneros palestinos.

Israel ha acusado a Abu Safiya, el pediatra más conocido de Gaza, de ser un “terrorista” de Hamás. Ha secuestrado a otras 240 personas del Hospital Kamal Adwan que, según afirma, son “sospechosos de terrorismo” (presuntamente principalmente entre ellos pacientes y personal médico) y se encuentran  retenidas  en condiciones igualmente espantosas.

Lógica psicótica

Según la lógica psicótica de Israel, cualquiera que trabaje para el gobierno de Hamas en Gaza –es decir, cualquiera como Abu Safiya empleado en una de las principales instituciones del enclave, como un hospital– cuenta como terrorista.
 

Por extensión, cualquier hospital –porque cae bajo la autoridad del gobierno de Hamás– puede ser tratado como un “bastión terrorista de Hamás”, como Israel ha denominado a Kamal Adwan. Ergo, todas las instalaciones médicas deberían ser destruidas, todos los médicos deberían “arrestarse” y torturarse y todos los pacientes deberían ser “evacuados” por la fuerza.

En el caso de Kamal Adwan, a los heridos, los enfermos graves y los que estaban a punto de dar a luz se les permitió  15 minutos  para desenganchar sus goteros, salir de sus lechos de enfermos y dirigirse al patio destrozado. Luego el ejército israelí prendió  fuego al hospital .

Una “evacuación” de este tipo sólo significa una cosa: dejar que los pacientes mueran a causa de sus heridas, enfermedades o desnutrición, y cada vez más también de frío.

Un número creciente de bebés han estado muriendo de hipotermia mientras sus familias  se acurrucan durante  las noches de invierno bajo lonas, sin mantas ni ropa adecuada, en los campamentos de tiendas de campaña que se han convertido en el hogar de la mayor parte de la población de Gaza.

La fotografía de la rendición de Abu Safiya dejó muy claro quién es David y quién Goliat; quién es el humanitario y quién el terrorista.

Sobre todo, demostró cómo las clases políticas y mediáticas de Occidente han pasado los últimos 15 meses promoviendo una gran mentira sobre Gaza. No han buscado poner fin al derramamiento de sangre, sino encubrirlo, excusarlo.

Esto podría explicar por qué la imagen más definitoria de 2024 apenas fue visible en los medios de comunicación del establishment, y mucho menos en sus portadas, cuando Abu Safiya fue secuestrado por Israel y su hospital destruido.

La mayoría de los editores y editores de fotografías extranjeros, que dependen de los salarios de sus propietarios multimillonarios, parecían preferir pasar por alto la fotografía periodística del año. Las redes sociales, sin embargo, no lo hicieron. Los usuarios comunes lo difunden por todas partes. Entendieron  lo que mostraba  y lo que significaba.

'Guerra de la conciencia'

A fines del mes pasado, Israel anunció que el próximo año gastaría 150 millones de dólares adicionales en lo que denominó “guerra de conciencia”.

Es decir, Israel está aumentando su presupuesto 20 veces para mejorar sus campañas de desinformación en los medios,  para blanquear  su imagen mientras continúa la matanza en Gaza.

Israel ha matado a muchos de los periodistas de Gaza y ha prohibido a los corresponsales extranjeros la entrada a sus “zonas de exterminio” no declaradas. Pero en una era de transmisiones en vivo por teléfono, ocultar un genocidio está resultando mucho más difícil de lo que Israel imaginaba. Al parecer, no basta con que el establishment occidental venda su desinformación.

A Israel le preocupan especialmente los jóvenes –como los estudiantes en las universidades– que no consumen noticias filtradas a través de la BBC o la CNN y, por tanto, tienen una comprensión mucho más clara de lo que está sucediendo. Sus sentidos y sensibilidades no se han visto embotados por años de publicidad corporativa occidental.

Es mucho menos probable, por ejemplo, que caigan en las noticias falsas israelíes –recicladas y a las que los medios occidentales han dado crédito– que han justificado durante los últimos 15 meses la destrucción total de los hospitales de Gaza, o el tipo de desinformación que alberga la idea de que un médico estimado como Abu Safiya es secretamente un terrorista.

La génesis de la campaña de Israel para borrar el sector sanitario de Gaza  comenzó  pocos días después del ataque de Hamás del 7 de octubre de 2023. Menos de dos semanas después, Israel disparó un potente misil contra el patio del  hospital al-Ahli de la ciudad de Gaza ; Docenas de familias palestinas que habían huido allí en busca de protección del ataque militar de Israel quedaron atrapadas en la explosión.

Pero los medios blanquearon este primer disparo en la guerra contra los hospitales de Gaza haciéndose eco crédulamente de la absurda afirmación de Israel de que un cohete palestino fallido, y no un misil israelí, había causado el daño.

El ataque a Al Ahli estableció el plan de genocidio de Israel, un plan que Israel ha seguido de cerca durante los últimos 15 meses. Dejó claro a los palestinos que ningún lugar estaría a salvo del ataque de Israel, ni siquiera los lugares santuario establecidos como hospitales, mezquitas e iglesias. No habría  lugar para escapar de  su ira.

Y dejó claro a los líderes y medios occidentales que Israel estaba dispuesto a violar todos los preceptos conocidos del derecho internacional humanitario. No hubo atrocidad ni crimen de guerra que no cometiera, incluida la destrucción del sistema médico de Gaza. Se esperaba que los patrocinadores de Israel dieran su pleno respaldo a la guerra,  por muy lejos que  llegara Israel.

Y eso es exactamente lo que hicieron.

pistas falsas

Mirando hacia atrás, el breve  furor  sobre si Israel fue responsable del ataque a al-Ahli parece ahora espantosamente pintoresco. Al no haber respuesta alguna, Israel intensificó su “guerra de concientización”, creando una burbuja de noticias falsas para conectar los hospitales de Gaza con el terrorismo de Hamás.

En cuestión de semanas, Israel afirmaba haber descubierto una base terrorista de Hamas debajo del  hospital infantil Al-Rantisi de Gaza, con escondites de armas y una ruta de guardia en árabe para los rehenes israelíes, pero rápidamente se demostró que la ruta no era más que un calendario  inocuo  . .

El mayor objetivo de Israel era el hospital al-Shifa, el centro médico más importante de Gaza. Israel publicó un vídeo generado por CGI   que lo muestra sentado encima de un “centro de comando y control de Hamas” subterráneo. Las afirmaciones fueron una vez más crédulamente difundidas por los medios occidentales, aunque el búnker de Hamás nunca fue encontrado.

Sin embargo, estas mentiras cumplieron su propósito. Incluso cuando Israel destruyó los hospitales de Gaza y negó la entrada de ayuda médica, dejando a Gaza sin forma alguna de tratar a los hombres, mujeres y niños mutilados por los implacables bombardeos de Israel, los medios de comunicación desviaron su atención de estos crímenes demasiado obvios contra la humanidad.

En cambio, como esperaba Israel, los periodistas gastaron sus energías persiguiendo pistas falsas, tratando de verificar cada mentira individual.

La premisa de trabajo de los medios parecía ser que, si se confirmara el más mínimo indicio de complicidad entre Hamás y un solo hospital o médico en Gaza, la campaña de Israel para borrar todas las instalaciones médicas en el enclave y negar atención médica a 2,3 millones de personas atrapadas en su los campos de exterminio estarían justificados.

Masa severa

En particular, ninguno de los médicos occidentales de alto nivel que se ofrecieron como voluntarios en Gaza informó al regresar a casa haber visto  alguna señal  de los “terroristas de Hamas” armados que se arrastraban de manera prominente por todos los hospitales en los que habían trabajado.

Estos médicos occidentales rara vez fueron entrevistados por los medios de comunicación como contrapunto a la interminable desinformación de Israel, que creó la racionalización para que Israel arrasara los hospitales y centros médicos de Gaza con total abandono.

Los soldados invadieron los hospitales uno tras otro, destruyendo las salas, los quirófanos y las unidades de cuidados intensivos.

Cada “evacuación” forzosa creó su propio rastro de miseria. Los bebés prematuros   eran dejados morir de hambre o congelados dentro de sus incubadoras. Los enfermos críticos fueron obligados a levantarse de sus camas.  Las ambulancias  que intentaban recogerlos volaron por los aires. Y en cada ocasión, el personal médico de Gaza   fue detenido, despojado de sus ropas y desaparecido.

Los periodistas occidentales también mostraron poco interés en el descubrimiento de cadáveres no identificados en fosas comunes en terrenos hospitalarios después de que los soldados israelíes terminaron sus ataques:  cuerpos que habían sido  decapitados o mutilados, o que mostraban indicios de haber sido enterrados vivos.

Por estas razones y más, la Oficina de Derechos Humanos de la ONU  concluyó  la semana pasada que los hospitales de Gaza, “el único santuario donde los palestinos deberían haberse sentido seguros, de hecho se convirtieron en una trampa mortal”.

De manera similar, el funcionario de la Organización Mundial de la Salud, Rik Pepperkorn,  observó : “El sector de la salud está siendo desmantelado sistemáticamente”. La OMS está buscando en el extranjero tratamiento urgente que salve la vida de más de 12.000 personas, añadió. "Al ritmo actual, se necesitarían entre cinco y diez años para evacuar a todos estos pacientes críticos".

En otra  declaración  la semana pasada, dos expertos de la ONU advirtieron que la detención arbitraria de Abu Safiya era “parte de un patrón de Israel de bombardear, destruir y aniquilar por completo continuamente la realización del derecho a la salud en Gaza”.

Señalaron que, además de las redadas masivas, hasta el momento al menos 1.057 profesionales médicos y de salud palestinos habían sido asesinados.

Trayectoria hacia el genocidio

La verdad es que la nueva campaña de desinformación de Israel, mejor financiada, no resultará más eficaz que las existentes.

Avi Cohen-Scali, jefe del Ministerio de Israel para combatir el antisemitismo, dijo que una década de programas de este tipo contra lo que Israel llama su "deslegitimación" -es decir, la exposición de su apartheid y ahora carácter genocida-  había dado  "resultados casi nulos".

Dijo  a los medios israelíes : "Esta actividad ha fracasado en todos los parámetros imaginables".

Será imposible borrar la realidad de un genocidio. En los próximos meses, saldrán a la luz más atrocidades israelíes, nuevas e históricas. Más organizaciones y académicos legales y de derechos humanos concluirán que Israel ha cometido un genocidio en Gaza.

La Corte Penal Internacional (CPI) emitirá más  órdenes de arresto  por crímenes de guerra, tras las dictadas contra el primer ministro israelí, Benjamín Netanyahu, y su exministro de Defensa, Yoav Gallant.

El fin de semana, un soldado israelí que estaba de vacaciones en Brasil se vio obligado a huir del país después de que le advirtieran que estaba  bajo investigación .

Pero hay más. Las principales organizaciones y académicos de derechos humanos tendrán que reformular su comprensión histórica tanto de Israel como de su ideología fundadora, el sionismo. Tendrán que reconocer que este genocidio no surgió de la nada.

La trayectoria comenzó cuando el sionismo se estableció como un movimiento colonial hace más de un siglo. Continuó cuando se creó Israel mediante una operación de limpieza étnica masiva contra la población palestina nativa en 1948. Y cobró velocidad en 1967 cuando Israel formalizó su sistema de apartheid, diseñando derechos separados para judíos y palestinos y obligando a los palestinos a vivir en guetos cada vez más reducidos.

Si no se controlaba, el destino final de Israel siempre fue el genocidio. Es una compulsión ideológica arraigada en las nociones israelíes de supremacía étnica y de ser elegido.

Visión de Mad Max

Incluso después de que la CPI emitiera órdenes de arresto contra Netanyahu y Gallant en noviembre, los líderes israelíes continuaron con su incitación explícita al genocidio.
 

La semana pasada, ocho legisladores del comité de asuntos exteriores y defensa del parlamento israelí escribieron al nuevo ministro de defensa, Israel Katz,  exigiéndole  que ordenara la destrucción de las últimas fuentes de agua, alimentos y energía en el norte de Gaza.

Fue precisamente la actual hambruna de la población de Gaza por parte de Israel lo que llevó a que Netanyahu y Gallant fueran acusados ​​de crímenes contra la humanidad.

Mientras tanto, la destrucción del hospital Kamal Adwan despeja el terreno para una nueva política en el norte de Gaza: lo que Israel llama escalofriantemente “ chernobilización ”.

La política, que lleva el nombre del reactor nuclear soviético de Chernobyl, considera la presencia palestina en Gaza como una amenaza comparable a la fuga radiactiva de 1986. El objetivo del ejército es borrar toda la infraestructura palestina sobre y bajo tierra,  haciéndose eco de  los esfuerzos de emergencia soviéticos para contener la radiación de Chernobyl.

¿A dónde lleva esto?

Louise Wateridge, oficial superior de emergencias de la agencia de la ONU para los refugiados palestinos,  señaló  el fin de semana que Israel estaba acelerando el colapso social total de Gaza al expulsar a la Unrwa del enclave.

La legislación israelí que entrará en vigor a finales de este mes impedirá que la agencia para los refugiados opere en Gaza para proporcionar a las familias los pocos alimentos y refugio disponibles, dado el bloqueo de ayuda de Israel.

Además, ante la falta de hospitales, privará a Gaza de sus últimos servicios de salud significativos. Wateridge señaló: “La Unrwa realiza unas 17.000 consultas de salud al día en la Franja de Gaza. Es imposible que otra agencia reemplace eso”.

El peligro que ella subraya es que Gaza se vuelva completamente anárquica. Las familias se enfrentarán no sólo a las bombas, los drones asesinos y el programa de hambruna de Israel, sino también al gobierno distópico de las bandas criminales.

Esto es exactamente lo que Israel pretende para Gaza. Como reveló un  informe  publicado en Haaretz la semana pasada, tras la “Chernobilización” del norte de Gaza, Israel está reflexionando sobre planes para permitir que dos grandes familias criminales palestinas gobiernen el sur. Es probable que sean las mismas bandas que están saqueando los pocos  camiones de ayuda  que Israel permite entrar a Gaza, ayudando a Israel a privar a la población de alimentos y agua.

La visión de Israel para el futuro de Gaza es un cruce post-apocalíptico entre la franquicia cinematográfica Mad Max y la novela  The Road de Cormac McCarthy .

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La trayectoria hacia el genocidio podría haber estado integrada en la codificación del sionismo, pero ha sido tarea de los líderes occidentales, los medios de comunicación, el mundo académico, los grupos de expertos e incluso las organizaciones de derechos humanos pretender lo contrario.

Han pasado décadas manteniendo la línea en lo que hace mucho tiempo debería haber sido una narrativa occidental completamente desacreditada: que Israel fue siempre sólo un santuario para los judíos contra el antisemitismo, que es "la única democracia en el Medio Oriente", que su ocupación es en gran medida benigno y sus asentamientos ilegales una medida de seguridad necesaria, y que el ejército israelí es “el más moral del mundo”.

Esas ficciones se están deshaciendo más rápido de lo que la desinformación de Israel puede esperar para volver a unirlas.


Entonces, ¿por qué hacer más? Porque la “guerra de la conciencia” de Israel no está dirigida principalmente a usted y a mí. Está dirigido a los líderes occidentales. Esto no es para persuadirlos de nada; El primer ministro británico, Keir Starmer, sabe muy bien que se  está produciendo un genocidio  en Gaza, al igual que Donald Trump, el presidente entrante de Estados Unidos.

Simplemente no les importa, sobre todo porque no se puede alcanzar la cima de un sistema político occidental a menos que se esté preparado para pensar sociopáticamente sobre el mundo. Hay un complejo industrial militar occidental que se estanca y corporaciones occidentales a las que dar servicio y que esperan mantener su dominio sobre la extracción global de recursos.

Por eso, en los últimos días de su presidencia, sin votos que ganar, Joe Biden abandonó la intención de “trabajar incansablemente por un alto el fuego” o exigir que Israel envíe al menos 350 camiones de ayuda por día. En cambio, ha  anunciado  como regalo de despedida a Israel otros 8.000 millones de dólares en armas, incluidas municiones para aviones de combate y helicópteros de ataque.

No, el objetivo de la campaña de desinformación de Israel es proporcionar una tapadera. Es enturbiar las aguas lo suficiente como para oscurecer el apoyo de los líderes occidentales al genocidio; darles una excusa para seguir enviando armas y ayudarlos a evadir un juicio por crímenes de guerra en La Haya.

El objetivo es una “negación plausible”: poder afirmar que lo que era obvio no lo era demasiado, que lo que era conocido por los espectadores comunes no estaba claro para quienes participaban directamente.

Los líderes occidentales saben que Israel ha arrastrado a Abu Safiya –uno de los grandes curanderos de Gaza– a uno de sus campos de tortura, donde es casi seguro que lo matarán de hambre, lo golpearán intermitentemente, lo humillarán y lo aterrorizarán, como a los demás reclusos.

El trabajo de Israel ahora es debilitar y destruir su resiliencia física y mental, del mismo modo que ha desmantelado los hospitales de Gaza.

El objetivo de Israel no es erradicar a “los terroristas”. Es convertir Gaza en un páramo, en un infierno, en el que nadie bueno, nadie a quien le importe, nadie tratando de aferrarse para que su humanidad pueda sobrevivir. Un lugar donde los médicos no existen, los trabajadores humanitarios son un recuerdo y la compasión es una carga; un lugar donde gobiernan los tanques y las bandas criminales.

El trabajo de la clase política y mediática occidental es hacer que todo esto parezca lo más rutinario y normal posible. Su trabajo es adormecernos por dentro, vaciar nuestra capacidad de preocuparnos o resistir, dejarnos entumecidos. Debemos demostrar que están equivocados, por el bien del Dr. Abu Safiya y por el nuestro.