Há um Deus que está em ti; dá-lhe ouvidos; confia nele mas não te julgues «Deus». A tua consciência, o teu sentido do bem e do mal, não são seguros. Também a intuição pura te pode enganar. A tua alma anseia por Deus. Aprende a deixar-te guiar por Ele.

domingo, 22 de março de 2026

MOVIMENTAÇÃO ESTRATÉGICA DO IRÃO CONTRA OS EUA IRÁ MUDAR TUDO





COMPLEMENTO DE INFORMAÇÃO (EXTRAÍDO DE «MOON OF ALAMBAMA»)

 Former ambassador for the UK Chris Murray is onto something when he asserts that Trump’s plan is, and was all along, to utterly destroy and defeat Iran:

The attack on Iran was always planned by Trump. He was not “bounced into it” by Israel. It had been in gestation for months. That fact had been held within a very tight circle to avoid both political opposition and institutional opposition from the US military and intelligence community.

Trump’s naval blockade of Venezuela’s oil has secured a US monopoly of its sale and distribution. As with Iraq, only US-approved contractors can buy the oil and payments are made to a Trump-controlled account in Qatar, from which revenue is given to the Venezuelan government entirely at Trump’s discretion.

This audacious imperialist grab of the world’s largest oil reserve further insulated the USA against the effects of the forthcoming closure of the Strait of Hormuz.

Again, the narrative is being spun that Trump did not foresee the closure of the Strait by Iran. That is plainly a nonsense – every commentary on a potential Iran war for half a century has focused on the Strait of Hormuz. The only possible explanation is that Trump does not mind the closure.

Trump’s thrashing about to articulate objectives for the war in Iran is performative, a blind to cover his true and steadfast objective – simply the annihilation of Iran as a functioning state, the infliction of the maximum amount of death and infrastructural damage, the reduction of Iran to the condition of Libya.

Destruction of Iran on the scale envisaged will take years of hard pounding. Again, it is planned – you don’t ask Congress for an installment of $200 billion for a war you plan to wrap up in a month. Again, Trump’s taunts about having already won, objectives being achieved and about possibly finishing soon, are all just smoke and mirrors. The scale and horror of what is planned for Iran has to be obfuscated to limit a public revulsion that would be echoed in parts of the state apparatus.

Netanyahu yesterday revealed an interesting part of the endgame – construction of an oil pipeline that brings Iran’s oil out to be shipped from a Mediterranean terminal in Israel. That is a breathtakingly audacious plan, but absolutely aligns with Netanyahu’s and Trump’s actions.

Let me encourage you to read Murray’s full argument

quinta-feira, 19 de março de 2026

O MAIOR SACRILÉGIO

 https://substack.com/home/post/p-190389107 Trump sentado e os membros do seu governo, rodeiam-no, em adoração 



A característica principal das guerras que têm afligido o Planeta, desde o século XXI, é que estão relacionadas estreitamente com crenças religiosas. 

- Note-se a associação da retórica belicista dos dirigentes dos EUA com a ideologia de «Manifest Destiny», ou seja, da missão divina de que o povo dos EUA está incumbido, de ser o líder das nações e guiá-las para a Pax Americana, uma forma laicizada de «paraíso terreal». 

- Note-se também o elemento religioso da Jihad de povos islâmicos, sejam sunitas ou xiitas, de combater o «Grande Satã», que identificam com o Ocidente em geral (e os EUA, em particular), com a degradação moral, com a arrogância de ricos, etc. 

- O combate entre o Ocidente cristão (ou que se auto-intitula assim) e o ateísmo «diabólico» do comunismo foi outro dos grandes lemas das cruzadas anti-comunistas, durante a 2ª metade do século XX. 

O próprio comunismo (ou marxismo- leninismo) foi transformado em «religião sem Deus», uma ideologia pseudo-científica, como todas as ideologias.

 Podíamos continuar a descrever extensivamente a dimensão religiosa nos acontecimentos (nem todos com caráter bélico, aliás) que ocorreram neste último quarto de século. Quer para dar uma justificação falsa, ou devido à convicção verdadeira dum povo, o facto é que os Estados se têm apropriado de argumentos (pseudo-)teológicos. 

No plano estrictamente material, direi que a concorrência entre Estados supõe e é insuflada por concorrência entre grupos de interesses, principalmente económicos. Esta concorrência, perante a limitação drástica dos recursos disponíveis no planeta, assim como a extensão dos mercados a todas as regiões, faz com que se intensifique a concorrência entre grupos capitalistas oriundos de várias nações, «obrigando» a que se confrontem em guerras: pelo controlo das matérias-primas, pelo exclusivo ou privilegiado acesso aos mercados, pelo domínio sobre outras nações ou, mesmo, pela hegemonia mundial. Todas estas instâncias se verificam, senão em simultâneo, pelo menos numa combinação de várias motivações, nestes breves 26 anos do século presente. 

Mas, se nos debruçarmos um pouco mais atentamente, verificamos que as guerras - sejam elas de confronto total, sejam elas de âmbito confinado - têm um grau de destruição humano e ambiental muito superior às guerras que existiram desde a antiguidade até à 1ª Guerra Mundial, de 1914-18.  Poderíamos argumentar que, a partir   do século XIX, as potências e as oligarquias que as financiavam estavam em concorrência direta pelos recursos (tanto de matérias-primas, como humanos), capturados pelos países tendo maior número e extensão de colónias. 

- O continente africano era repartido sobretudo entre britânicos e franceses, com importantes extensões nas mãos de portugueses, belgas, alemães e espanhóis. O Oriente-Médio também estava talhado de modo semelhante, sobretudo entre britânicos e franceses. 

- O império russo estendia-se, sobretudo, intra-fronteiras, não era um império baseado em conquistas ultramarinas. As suas ambições no início do século XX, já eram semelhantes às que tem agora, ou seja, poder desenvolver o seu enorme potencial na Sibéria, no Ártico e noutras partes, que ainda têm imenso potencial por explorar. 

- A China estava subjugada, primeiro  pelos britânicos e depois por uma série de potências europeias e também pelos EUA e o Japão. O jugo neo-colonial era agravado pela guerra e invasão japonesa em 1931 e pela rivalidade entre facções na sociedade chinesa. Por fim, com a derrota das tropas nacionalistas (apoiadas pelos EUA), deu-se a proclamação da República Popular da China, sob direção do Partido comunista. A China era, em 1949, um país pauperizado, com uma situação de pobreza semelhante aos mais pobres do «Terceiro Mundo». O seu reerguer só teve início a partir da década de 80. Também a RPC, como a Rússia, tem internamente uma grande variedade de etnias, umas mais integradas, outras com maior resiliência à assimilação cultural. As comunidades que aceitam de bom grado a liderança do Partido Comunista não vivem numa situação de opressão, que se verifica no Tibete e no Xinjiang.

- A confrontação através de «proxi» - ou seja - de aliados dum ou doutro bloco económico/ideológico, caracterizou a segunda metade do século XX, assim como a libertação de muitos países sob tutela colonial, muitas vezes pela luta armada. 

- As guerrilhas também foram amplamente utilizadas pelos países ocidentais, em particular pelos EUA, que armavam, treinavam e alimentavam a contra-revolução em países da América central (ex. Nicarágua, El Salvador...) e muitos outros países ex-coloniais (África e Ásia). Também exerceram uma constante subversão no interior dos países do Bloco Soviético, em particular, infiltrando agentes e alimentando grupos de dissidentes internos, ou no exílio. Pode dizer-se que este confronto resultou num enfraquecimento do controlo sobre vários países do Pacto de Varsóvia: Houve revoltas com repercussão importante na Hungria, na Checoslováquia, na Polónia e na Roménia. Por fim, a situação na Alemanha de Leste tornou-se insustentável para o governo e resultou na «Queda do Muro de Berlim». 

- No entanto, as forças que eram apoiadas por americanos e seus aliados, sofreram muitos revezes em lutas pós-coloniais em África, na Ásia e na América Latina. Por exemplo, a derrota do exército do regime de Apartheid (junto com forças angolanas de Savimbi) que foram paradas e destroçadas,  por volta da declaração de independência desta ex-colónia portuguesa. Outro exemplo: os Sandinistas na Nicarágua derrotaram os Contras, ativamente apoiados e enquadrados por militares dos EUA. Ou ainda, a derrota do exército iraquiano nos anos 80, no tempo de Saddam Hussein, apoiado pelos EUA e por  países europeus, contra o Irão recém triunfante da revolução que depôs o Xá e instaurou o regime xiita.  

- No século XXI, a guerra por meio de aliados e apoios das grandes potências, continuou («proxi wars») mas houve - a partir do 11 de Setembro de 2001 - o envolvimento direto do exército dos EUA e de contingentes da OTAN. 

 - Os países oprimidos que são esmagados pela força militar muito superior de uma grande potência, têm de construir uma narrativa que os justifique a não  depor as armas e continuar a combater. Estas narrativas sintetizam traços de identidade nacional e crenças religiosas. Por isso, é comum haver nelas elementos apocalípticos, o que confere maior tenacidade à sua resistência armada. 

- Igualmente, os países opressores, na guerra desumana que levam a cabo contra a população civil inimiga, vão produzir narrativas para «inocentar» as tropas perante os seus cidadãos,  das atrocidades por eles cometidas. Estas - supostamente - são cometidas «somente» pelos inimigos. Não é raro haver uma componente racista e a utilização da religião para fins de propaganda, sobretudo, junto das suas tropas e da população civil. A dessensibilização da cidadania destes países agressores, vai amplificar o medo ressentido e o perigo imaginado, sobretudo.  

Segundo o Prof. Jiang, este confronto atual assume contornos escatológicos. Por outras palavras, trata-se de justificação pelos fins. Os combatentes e as populações civis são endoutrinadas de que esta guerra será a última, que  os sofrimentos presentes «abrirão os Céus», seja para a vinda do Messias, seja para um Reino Divino, seja para outras visões sobrenaturais. 

Assim, os constrangimentos que a guerra «somente militar» tinha explícitos (poupar as populações civis adversárias, não destruir recursos vitais para a subsistência da população, respeitar os prisioneiros de guerra, etc) vão ser «esquecidos», pelo fanatismo e os instintos de morte dos combatentes de ambos os lados. Se ambos se julgam «o Braço de Deus», concedem a si próprios o papel de «justiceiros»: Qualquer atrocidade que cometam, é vista pelos seus superiores hierárquicos com indiferença, senão mesmo, como digna de louvor .

A religião de qualquer povo, de qualquer etnia, não está aqui em causa. O que está em causa, é o que chamo o «maior sacrilégio»: O de utilizar a mensagem fundamental de cada religião, de sábios e válidos ensinamentos, para produzir uma distorsão monstruosa. Assim, estão cometendo um sacrilégio, uma monstruosidade e uma farsa, contra os seus livros sagrados e contra a prática multi- milenar das religiões, de que  dizem ser adeptos. 

Todos os povos envolvidos em guerras tendem a cair nisso, mas quem os incita são os dirigentes políticos e religiosos e os chamados «líderes de opinião»: todos eles têm culpas agravadas, embora cada pessoa deva ter «freio moral» para não se deixar embarcar em ódios vesgos contra o «inimigo». Tanto mais que a informação que nós recebemos é um apanhado de propaganda, seja qual for o lado em que nos encontremos. Não podemos senão nos basear sobre os ensinamentos de elevado valor espiritual, que estão presentes em todas as religiões. Só assim cumprimos o nosso dever; só assim mostramos respeito verdadeiro por Deus e pelas Escrituras Sagradas.

PROF JIANG: os próximos 30 dias, que mudarão tudo

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quarta-feira, 18 de março de 2026

PRIMAVERA [Obras de Manuel Banet]

 



 Nesta prisão que se estende até ao horizonte

Neste pesadelo que parece sem fim

Onde encontrarei eu a primavera

A Natureza que alguns obsecados matam


Em sonhos encontramos refúgio 

Quando a realidade dói demasiado

Nesta prisão nem o sonho subsiste

Ao espelho da fera enlouquecida


Gostava de vos dar algum alento

De vos encher o peito de coragem

Mas não posso; estou procurando

Das aves o canto, saber pra onde foi


Não tenho refúgio nos campos 

Ou nos bosques; pois afinal 

Atormenta saber-me

Dos humanos o igual


Os assassinos a sangue-frio

Na aparência são humanos

Agora são uns ratos loucos

De medo, raiva e vingança


A guerra é uma doença 

Contagiosa dos povos:

Mata primeiro por dentro

O humano, no homem 


 

 



 

segunda-feira, 16 de março de 2026

Bourrée de Bach para alaúde e ... grupo pop [Segundas-f. musicais nº53 ]

PAOLA HERMOSIN,  Bourrée da Suite n°1 BWV 996




 Este vídeo de Paola Hermosin desencadeou a minha vontade de revisitar certos ídolos da minha adolescência.  Como muitos outros adolescentes em 1969, descobri a banda britânica Jethro Tull, liderada pelo "mago" da flauta transversal, Ian Andersen. Sua técnica deste instrumento envolvia produzir sons de respiração ruidosa, tocar duas notas em simultâneo e um estilo de "performance" original ao vivo, ou na TV, em concertos dos Jethro Tull.

A versão dos Jethro Tull da "BOURRÉE", uma composição de juventude de Bach, era totalmente livre e sem pretensão de "fidelidade" à peça original. As vozes em contraponto à melodia principal (na flauta), estavam a cargo de uma segunda flauta e das guitarras. A exposição do tema era seguida por improvisações em estilo de jazz, um retomar sóbrio do tema inicial e - por fim - o «disparar» duma coda acrobática. Esta versão da célebre Bourrée é uma construção nova, sobre arquitetura pré-existente; não se pode considerar um plágio.
Naquela época, eu era um principiante em música  barroca: Estudava ao piano peças de Bach, de Haendel e doutros músicos desse período. Também  apreciava música pop e rock, pelo que me tornei fã dos Jethro Tull.
Nesses anos, era moda as bandas pop usarem peças clássicas e adaptá-las, integrando-as em suas composições. O resultado era de qualidade variável. No caso da adaptação dos Jethro Tull o resultado foi excelente. Além disso, tiveram o bom gosto de não repetir a fórmula com outras peças barrocas. 
As décadas dos anos 1960-1970 foram de procura e criatividade: As bandas procuravam construir a sua sonoridade própria, cada uma desenvolvendo um reportório diversificado, indo beber a várias tradições e estilos, de 'rythm & blues' à balada romântica; do folklore à música sinfónica...

Oiça a «Bourrée», inspirada em Bach:

                                        JETHRO TULL (1969)

                                  


domingo, 15 de março de 2026

Coronel Macgregor descreve a derrota americana no Irão





De uma forma serena, o Coronel informa-nos sobre os tremendos erros de avaliação que - segundo ele - foram induzidos pelo primeiro-ministro de Israel B. Netayahu, ao presidente Trump, levando os EUA a jogarem o seu poderio militar numa guerra em que o Irão, as suas forças armadas, a solidez do regime, as suas possibilidades estratégicas foram claramente subestimadas. O Irão apenas tem de manter a capacidade de causar danos fortes, ou seja, de disparar drones e mísseis, capazes de alcançar Israel e as instalações militares dos EUA nos países do Golfo. Por outras palavras, o Irão está a ganhar e não se vê como os EUA poderão conquistar o Estreito de Ormuz, senão com uma invasão terrestre. Esta, implicará - sem dúvida - um banho de sangue. O público americano está já maioritariamente contra esta guerra. Se as baixas do lado dos EUA subirem significativamente, a situação interna dos EUA vai, provavelmente, evoluir para muito pior.
Numa altura em que as reservas de mísseis dos EUA estão perigosamente baixas e com uma capacidade de produção muito mais baixa do que as necessidades, a possibilidade dos EUA conseguirem, no campo de batalha, demonstrar que não perderam a hegemonia, são remotas, para não dizer inexistentes.
O mundo inteiro vê isto e compreende que os EUA e as suas bases, já não são proteção nenhuma para ninguém, que a sua capacidade de projetar força militar em grande escala, por tempo prolongado, desapareceu. Finalmente, são os responsáveis americanos, que vendo a catástrofe aproximar-se, vieram - através de intermediários - pedir um cessar-fogo e negociações aos iranianos. Os iranianos negaram e puseram condições que - tanto os americanos, como os israelitas - não aceitam (por enquanto).
Entretanto, prevê-se a disrupção catastrófica do abastecimento de petróleo, globalmente. A subida do custo do barril para 300 dólares, é prevista por muitos analistas e causará profunda recessão ou depressão. É o que se espera quanto à economia mundial, se esta guerra se prolongar durante 6 meses ou mais. A media ocidental tem escondido o facto dos estados-maiores de grandes empresas e bancos já preverem este cenário e já terem modificado radicalmente os seus investimentos.
Trata-se de uma vitória do Irão, pois tem capacidade para continuar a inflingir pesadas perdas (humanas, em material e económicas) aos EUA e seus aliados. É uma derrota para os EUA, pois não atingiu os objetivos seguintes proclamados:
- a mudança de regime dos Aiatolas,
- a impossibilidade do Irão prosseguir o enriquecimento do urânio, 
- a perda da capacidade do Irão em atingir a frota dos EUA e os aliados (sobretudo Irael e monarquias do Golfo)
- Os EUA tomarem o controlo do petróleo iraniano.
Todos estes objetivos foram proclamados como justificações para a agressão que Israel e EUA efetuaram conjuntamente.


Não sei se, desta vez, aprenderam a lição: Os americanos já deviam tê-la aprendido, com o Vietname, a Somália, o Iraque, o Afeganistão... guerras que atingiram sobretudo populações civis, não deram nenhum dos resultados ambicionados e deixaram fragilizada a posição geoestratégica dos EUA.
Também deveriam já ter aprendido que os sionistas e o governo de Netanyahu, que empurraram os dirigentes americanos para fazer as guerras deles, sionistas, não são «amigos» dos EUA.
 

quinta-feira, 12 de março de 2026

HÚBRIS [Crónica da IIIª Guerra Mundial nº57]


Como já tenho explicado noutros artigos deste bloco, a húbris era como na antiguidade os gregos designavam a embriaguês da vitória, fazendo com que o general vencedor se julgasse tudo permitido. Nestas circunstâncias, uma vitória momentânea, podia se transformar na mais profunda e definitiva derrota. Isso ocorreu repetidas vezes no passado; agora verificamos que está a acontecer isso mesmo com Trump e com os que o rodeiam, o seu «Estado-Maior». Muitas vezes verifica-se que os poderosos acabam por cair nas suas propagandas. Acabam por acreditar que a sua avaliação do adversário é correta. Porém, no caso da guerra presente, nada podia ser mais longe da verdade. 

A guerra assimétrica que está a ser levada a cabo pelo Irão, agora também pelos seus aliados do Hezbollah, no Líbano, contra Israel e os EUA, conduz matematicamente a que os arsenais de mísseis interceptores dos inimigos do Irão sejam esgotados bem antes que o arsenal iraniano de drones e mísseis esteja perto de se esgotar. Os primeiros ataques  iranianos, foram levados a cabo com uma maioria de mísseis desactualizados, logo com pouca probabilidade de atingir o alvo, havendo no meio destes, alguns mísseis de última geração, que tinham a capacidade de furar as defesas do inimigo e não eram praticamente interceptáveis. Esta combinação, saturando as defesas Israelo-Americanas e ao mesmo tempo atingindo alvos significativos, teve um efeito moral e económico, logo nos primeiros dias de combates. A resposta americana e israelita foi de bombardear o território do Irão, sobretudo zonas civis, causando portanto muitas baixas civis e danos materiais. Mas estes crimes de guerra, tal como o ataque com «decapitação» de muitos dirigentes, incluindo o Aiatolá Kamenei, não tiveram o efeito desejado. Uniram a população em torno dos seus governantes, das suas forças armadas; mesmo pessoas que, em Janeiro deste ano, tinham participado em manifestações contra o regime iraniano. 

As bombas podem matar, destruir, mas está garantido que numa circunstância onde exista forte motivação de resistência ao invasor, os ataques aéreos não podem conseguir o objetivo de mudança de regime. Como se tem visto, aconteceu exatamente o oposto: Uma consolidação do regime, com uma grande massa da população agrupada em torno do seu governo. Perante esta situação, os estrategas de Israel e de Washington recuaram da invasão terrestre planeada. Nesta invasão terrestre, seriam usadas como «carne para canhão», as forças «proxi» de curdos do Iraque e os do Irão, que se tinham refugiado nos países vizinhos. Estas forças só poderiam ser de voluntários; não havendo nenhum entusiasmo da parte destes curdos em morrerem pelas causas israelita e americana, os estrategas dos dois países agressores tiveram de mudar seus planos. Agora, estão a fazer uma guerra de destruição maciça, com especial incidência sobre os bairros habitacionais de Teherão e doutras grandes cidades, destruíndo também refinarias (com importantes consequências ambientais) e fábricas de dessalinização da água. Estes criminosos de guerra querem vergar a população civil, tornando impossível a sua sobrevivência. Mas, os objetivos propriamente militares como os mísseis e drones armazenados, estão fora do alcance das bombas israelo-americanas. A partir de alguns esconderijos,  os iranianos têm conseguido enviar uma média de 3 a 4 mísseis em 24h, para as bases militares americanas situadas nas monarquias do golfo Pérsico. Esta destruição é suficiente para as tropas dos EUA serem obrigadas a abandonar  algumas bases. Por outro lado, a população destas monarquias é composta por estrangeiros, entre 60 a 90%, consoante os casos. Ela está a ir-se embora em rítmo acelerado, desertando todos os negócios e os locais de veraneio, sobre os quais se baseava a viabilidade económica destes centros. O Bahrein, o Dubai, a Arábia Saudita, o Quatar, o Koweit e Omã, cometeram um erro estratégico grave, ao acreditarem que os americanos iriam garantir a defesa destes reinos, em troca da sua cedência de terrenos para as bases militares dos EUA. Os americanos, como é seu costume, apenas estão preocupados em defender as suas posições militares; quanto muito, os civis dos EUA apanhados na tormenta. Os referidos reinos do Golfo estão agora a tomar consciência o seu erro e a sofrer as consequências amargas. Mas estão, de qualquer maneira, em vias de mudar de alinhamento, pois sabem que o Irão não se vai deixar vencer e que  eles serão um alvo, para mísseis e drones. Tanto mais que, logo no primeiro dia da guerra, o Irão neutralizou os sistemas de radares nos vários reinos do Golfo, que constituíam os meios de vigilância e de monitorização para os ataques americanos contra o solo iraniano. 

A distância de Israel em relação ao Irão não impediu que - mais uma vez - as defesas israelitas se mostrassem impotentes para defender Tel-Aviv e Haifa. Do mesmo modo, não conseguiram impedir que fossem atingidas bases no deserto do Negev. O governo de Israel está a censurar todas as informações relacionadas com os ataques iranianos e com a destruição causada, ameaçando de prisão quem filme ou  publique  imagens relativas a tais destruições. Também as ofensivas militares dirigidas contra o Líbano estão a falhar: Elas não impedem que o Hezbollah lance ataques com mísseis no Norte de Israel e em zonas do Líbano ocupadas por tropas israelitas. 

No estado atual e dada a situação no terreno, as destruições causadas pelos bombardeamentos americanos e israelitas não causaram desespero na população e dirigentes do Irão. Pelo contrário. Porém, a situação de guerra já causa, no Ocidente, um prejuízo enorme: Não apenas a dificuldade de abastecimento devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz, impedindo o tráfego de 20% do petróleo consumido ao nível mundial, como o alastramento do pânico nas bolsas mundiais, a ruptura das cadeias de abastecimento, a brusca aceleração da inflação.

Ao nível da opinião pública mundial, esta guerra iniciada quando os iranianos estavam à  mesa de negociações com uma delegação  dos EUA no Omã,  recebe o repúdio não apenas dos povos do Sul Global, como a hostilidade nos países ocidentais: Inquéritos mostram que - nos EUA - uma maioria absoluta condena o desencadear desta guerra.  É variável, mas sempre muito elevado, o nível de desaprovação dos restantes países ocidentais. A Coreia do Sul e o Japão estão numa posição particularmente difícil; seus abastecimentos em petróleo provinham muito maioritariamente do Golfo. Se continuar a situação de guerra, inviabilizando a navegação dos petroleiros através do Estreito de Ormuz, eles terão uma situação de catástrofe ainda mais grave. 

Não se pode excluir, infelizmente, que os israelitas façam uso de armamento nuclear, para se «vingarem» da derrota humilhante sofrida. Se assim for, haverá guerra nuclear generalizada, com certeza. Mas os sionistas no poder concebem como possível destruir Israel em simultâneo com toda a humanidade: Eles têm publicado em documentos oficiais, que se o Grande Israel não se puder realizar, então é-lhes indiferente que o Mundo inteiro também desapareça.   


                    

quarta-feira, 11 de março de 2026

terça-feira, 10 de março de 2026

Água: a molécula anómala, que proporciona a vida


Num certo sentido, sim a água pode ser perigosa, como diz Feynman. Mas, é a molécula mais essencial da vida. Quando são investigados sistemas planetários dentro ou além do sistema solar, uma indicação que é sempre procurada é da existência de água. Porque esta é  indicadora da possibilidade de vida, presente ou passada. Os cometas que, por vezes caem na Terra, são compostos por grande percentagem de água. Esta água transporta certos elementos que vão para a crosta terrestre. Pode dizer-se que esta forma de acreção envolvendo água, sempre esteve presente, desde a formação da Terra. Richard Feynman refere as formas que tomam as macromoléculas dos seres vivos, que são as proteínas e os ácidos nucleicos (DNA e RNA). É notável que as arquiteturas destas moléculas só assumem a configuração funcional, ou seja, só podem levar a cabo suas funções respectivas, quando imersas na água, com a presença de uma série de iões em solução, os quais estabilizam as estruturas. A água participa na formação de géis e de cristais, tem portanto um papel na construção dos edifícios supra-moleculares. A perigosidade da água a que se refere Feyman é - quanto a mim - o facto de ser tão essencial, tão indispensável, que sua falta ou escassez é um desafio para a sobrevivência de humanos e todos os seres vivos. 

domingo, 8 de março de 2026

JAN PETERSON SWEELINCK "EST-CE MARS" [Segundas-feiras musicais n°52]


J. P. Sweelinck Variações sobre a canção  "Est-ce Mars?"



J. P. Sweelink começou a sua carreira de organista em Oude Kerk, quando tinha 15 anos, em 1577. Ele é o mais importante compositor neerlandês do final do século XVI, princípios do séc. XVII.
Numerosos músicos foram seus discípulos: Samuel Scheidt e muitos outros músicos importantes da Europa do Norte foram seus alunos; formou uma quantidade de organistas.
Algumas das suas composições foram copiadas para o Fitzwilliam Virginal Book, o que mostra ser muito apreciado na Inglaterra de Isabel Iª; ele tinha amigos ingleses como Dowland, Philips e John Bull. As suas composições também se difundiram pelos países católicos, na França, na Itália, na Espanha e Portugal.
No decurso da sua carreira, teve ocasião para pôr em música as liturgias luteranas, calvinistas e católicas.
Embora considerado hoje o maior mestre da música para tecla da Holanda na sua época, também publicou música vocal (canções ao estilo franco-flamengo), uma parte da qual se considera perdida.

Ton Koopman é um dos grandes intérpretes da música barroca ( cravo, órgão e chefe de orquestra).

FUTURO SOMBRIO DA HUMANIDADE



Será que milhões de inocentes terão de morrer, para que se encare oficial e internacionalmente o banimento de armas nucleares, incluindo a sua investigação e estocagem?

- Creio que se tal morticínio de milhões acontecer, haverá - pelo contrário - uma aceleração para a hecatombe final. Logicamente, uma guerra nuclear vai ser desencadeada num ponto ou região delimitada, inicialmente. Depois, vai alastrar, até envolver todas as potências com capacidade nuclear. As zonas que não têm estas armas, também irão sofrer, pois em tal etapa do confronto nuclear todos os ecossistemas serão gravemente contaminados.

Toda a vida humana - a prazo - estará condenada. A civilização, o humanismo, o que há de elevado no ser humano, desaparecerão logo.

Aliás, já estão a desaparecer, pois o genocídio da população de Gaza foi perpetuado na indiferença, quando não aprovação dos cidadãos do Norte rico. Nos países Ocidentais, diziam professar uma ou outra versão do crisitianismo. Que o professem ainda, não o creio: Muitos, incluindo as lideranças políticas, intelectuais e religiosas, renegaram os valores do cristianismo, só restando os «não-valores» cínicos do poder e do dinheiro.

O crime continuado de Gaza abriu a caixa de Pandora de todas as aventuras bélicas, que entretanto aconteceram e as que estão para acontecer. Este crime, com a cobertura e conivência vergonhosa do Ocidente, torna possível a generalização da IIIª Guerra Mundial, na sua brutalidade, mormente contra civis indefesos.

O que se nos depara como mais provável hoje, é destruição das bases económicas para a sobrevivência das Nações; é a transformação em ruínas dos monumentos de todas as várias culturas; é o desaparecimento dos valores morais, ou seja, a barbárie generalizada.

Este patamar, que certas potências estão prontas a encetar e ultrapassar, vai ser um rápido ponto de viragem para a final destruíção do planeta, através da guerra nuclear.

Seja qual for a religião, ideologia, etnia, etc, pessoas de todas as condições e origens irão sofrer uma morte atroz, seja por irradiação, contaminação radioactiva, escassez de alimentos e/ou violência resultante.

Como evitar este terrível destino?

Como o poder está concentrado em muito poucas mãos, seria de esperar que estes, os poderosos, se tornassem sábios, generosos, humanos? - Lamento, mas não acredito nisso. Sobretudo, por aquilo que eles têm mostrado ao mundo, nestes tempos. Mas também, em relação aos humanos, em geral. Pois se os perigos tornam heróicos alguns, revelando coragem para salvar seus semelhantes, estes humanos são muito reduzidos em número. Embora o seu sacrifício seja moralmente sublime, a sua eficácia será nula, para os elevados fins que se propõem.

Estamos entregues à pior canalha, de facínoras, psicopatas, narcísicos e de criminosos empedernidos. São eles que ascendem aos lugares cimeiros nos partidos e do comando dos Estados: São favorecidos os que não têm escrúpulos de qualquer espécie.

As massas, enlouquecidas, assustadas e furiosas, irão guerrear entre si, com a maior energia, esquecendo os valores religiosos ou morais que aprenderam. Os poderosos irão desencadear campanhas de condicionamento (lavagens ao cérebro) que farão com que os pobres e oprimidos se irão culpar uns aos outros, por tudo o que está a acontecer. Não irão identificar os senhores feudais da era tecnológica como estando na origem dos seus males e escravidão mental. Pois, se fossem capazes de sair do seu estado de alienação, já o teriam feito. Há muito tempo que este cenário está montado. Já está a ser desenrolado diante dos nossos olhos.

A conseguirá oligarquia globalista impor o seu projeto?

-Se o fizer, isso implica que terá de haver o desaparecimento de cerca de 4/5 da humanidade, para que os oligarcas possam dispor dos recursos do Planeta, sem ter de os partilhar com humanos, que consideram «piolhos». Estão convencidos, como elitistas que são, que poderão prevalecer num mundo de robots e de IA, dispondo das riquezas e confortos do Planeta inteiro. Este é o seu plano diabólico; eles estão convencidos de que têm boas hipóteses de o fazer triunfar.

Atualmente vejo assim, o estado do mundo e dos humanos.

A QUESTÃO ERRADA SOBRE A GUERRA NO IRÃO



Se nós queremos perceber alguma coisa do que se passa atualmente no Médio Oridente, não nos devemos focalizar no início da ofensiva bélica israelo-americana de 28 de Fevereiro 2026. Temos de recuar pelo menos 40 anos, quando Netanyahu formulou pela primeira vez a intenção de eliminar, por todos os meios, a «ameaça» do programa nuclear iraniano.
A questão iraniana não é compreensível se não se tiver em conta que, ao longo das últimas décadas, o Irão, enquanto Estado, tem sido o apoio maior e mais coerente da luta dos palestinianos. A questão palestiniana é portanto, senão a única, pelo menos uma importante causa do ataque continuado de Israel e dos EUA  contra a República Xiita. 

No artigo abaixo, do Professor Yakov Rabkin (Professor Emeritus na Universidade de Montréal), enviado por Pascal Lottaz (Neutrality Sttudies), podemos ter uma amostra de factos relevantes, nestes últimos 40 anos, no que toca a Israel, à Palestina e à importância do Irão para a luta de libertação do povo palestininano do colonialismo e racismo de Israel.

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The Wrong Question about the War in Iran

At its root, the assault on Iran is inseparable from the question of Palestine.

Yakov M. Rabkin

Much of the discussion surrounding the current war on Iran focuses on its potential outcome for the United States. One of the most frequently asked questions is whether Washington will suffer yet another loss of face in the Middle East. But this is the wrong question. Even if the war produces chaos and ultimately harms the United States and Europe—as earlier interventions in Iraq, Libya and Syria did—the more important issue is what benefit Israel, the war’s proponent and initiator, stands to gain. After all, Prime Minister Benjamin Netanyahu has said he had been planning this war for 40 years.

The reason for this is Iran’s principled stance on justice for the Palestinians. That commitment transcends religious divisions: Iran is predominantly Shia, while Palestinians are predominantly Sunni. Iranians and their allies in Lebanon and Yemen are prepared to die as martyrs, and many have already been killed by joint Israeli and American strikes. Yet the yearning for justice has proven to be both profound and resilient.

Iran remains the principal stronghold of resistance to Israel. It not only decries Israel’s apartheid regime and genocide in Gaza but also supports armed resistance groups such as Hezbollah and Hamas. By contrast, almost all governments in the region are only opposed to Israel’s occupation and oppression of Palestine in principle, while cooperating with Israel in practice.
Turkey is an important transit point for oil and gas supplied to Israel. Egypt has helped Israel isolate Gaza and starve its inhabitants. During the last Israeli attack on Iran in 2025, Jordanian and Saudi air defences protected Israel from incoming Iranian missiles. The United Arab Emirates, Bahrain, Morocco, and Sudan formalized relations with Israeli through the 2020 Abraham Accords. Elbit, an Israeli company, accounts for 12 percent of Morocco’s total arms imports, and other Arab regimes openly or tacitly purchase Israeli weapons and surveillance equipment. This pattern is exhibited by many other countries, particularly in the West.


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PS1: Aquilo que muitos anti-capitalistas bem-intencionados não compreendem é a relação da luta de classes em cada país e região, com a luta global pela libertação das garras do suprematismo americano. As greves em portos do Mediterrâneo, dos trabalhadores portuários recusando carregar material de guerra para Israel, as manifestações de massas em variados países que pertencem à OTAN, o repúdio de parte significativa dos americanos sobre o desencadear desta guerra, tudo isso faz com que a classe política esteja mais hesitante em satisfazer os lóbis pró-sionistas e ceder às tendências autoritárias, no Ocidente. 
Em Espanha, o governo de Sanchez tem uma posição de princípio clara, sobre o genocídio palestiniano e sobre a guerra de agressão israelo-americana contra o Irão. Penso que - indiretamente - as posições oficiais de Espanha refletem o sentimento do povo espanhol, contrário a estas aventuras imperiais.



sexta-feira, 6 de março de 2026

quinta-feira, 5 de março de 2026

A GLOBALIZAÇÃO NÃO MORREU; ELA APENAS MUDOU DE ROUPAGENS



A consolidação do poder globalista avança em silêncio, enquanto a guerra lavra no Irão e noutras nações do Médio-Oriente. Os Estados estão a ficar endividados como nunca.
O dinheiro serve para comprar armamentos aos grandes consórcios e a desenvolver programas de Inteligência Artificial : Estes significam uma transferência massiva de capital para os grandes empresários, não para os cidadãos comuns, pois somente  empobrece estes últimos. A dívida tem sido assumida pelos Estados. Estes vão extorquir mais em impostos (instalam-se também dispositivos autoritários).
A disponibilidade deste montão de capital será para os bilionários das indústrias bélicas e tecnológicas. Assim,  eles irão enriquecer ainda mais!



As pessoas são de uma ingenuidade atroz! As atoardas nacionalistas e retrógadas de um Trump e de seus acólitos, são tomadas como significando que eles querem aquilo que declaram. Declaram o fim da globalização, um retorno a que o interesse nacional anteceda o do estrangeiro e toda uma série de atoardas contra a OTAN, a UE e a ONU. Curiosamente, foi por vontade explícita dos EUA e sua casta dirigente que estas instituições globalistas (tal como o FMI e Banco Mundial) foram erguidas e têm dominado, ao nível mundial, a política, as trocas comerciais, a finança etc. O grande capital financeiro e industrial é quem tem decidido, nos EUA, quais os presidentes e a política que eles devem tomar, desde o primeiro quartel do Séc. XX (do presidente Woodrow Wilson ... em diante). Nos países da Europa Ocidental, as intrigas e golpes tiveram como protagonistas ocultos, os grandes magnates. São eles quem escolhe os dirigentes e o programa que devem aplicar. Basta pensarmos nos ditadores Salazar e Franco: Eles nunca teriam conseguido manter-se, sem o apoio de industriais e financeiros, que foram decisivos para sua subida ao poder; ou ainda, em França, G. Pompidou (um funcionário da banca Rothschild) etc.

Muitas pessoas ignorantes pensam que estou a exagerar; que tais conexões são falseadas; que relaciono várias coisas desconexas, apenas pela minha ideologia. A eles só lhes digo: Vão estudar a sério a História dos últimos 100 ou 150 anos e verão que há muitas evidências que reforçam aquilo que afirmo.

O «anti-capitalismo» do discurso de extrema-direita, também não é novidade, não surgiu na onda «MAGA», nem nos políticos de direita conservadora, ou de extrema-direita, que disputam o poder em muitos países da UE, incluíndo Portugal. Também o fascismo de Mussolini e o nazismo de Hitler se apresentavam com uma faceta anti-capitalista, mas apenas discursiva, para melhor enganar uma classe trabalhadora pouco instruída e sujeita a ser arrastada pela demagogia. Aliás, estes discursos nunca impediram os grandes capitalistas de «apoiar com a carteira» aqueles candidatos ao poder absoluto.
A ideologia não se destina a esclarecer as massas sobre as intenções profundas dos dirigentes: Bem pelo contrário, destina-se a ocultar o verdadeiro programa; aquele que só é conhecido pela hierarquia mais elevada desses partidos e pelos seus financiadores.

A grande transferência massiva do capital público para o privado, faz-se com manobras óbvias, mas que têm sido obscurecidas de forma a que se continue a fazer esta transferência.
1ª Os Estados vão-se endividando ao longo do tempo, supostamente para fazer face a despesas urgentes e não orçamentadas, num primeiro tempo. Num segundo tempo, a finalidade real deste endividamento nem sequer é ocultada. Por exemplo, para dotar os países da U.E. de uma indústria bélica capaz de - a prazo - «derrotar a Rússia». Ou ainda, gastar o que for preciso em desenvolvimento da IA (Inteligência Artificial) para construir sistemas - civis ou militares - que multipliquem as capacidades presentes, tendo em conta que a China está num patamar tão ou mais avançado que os ocidentais, a este respeito.
2ª As transferências do capital levantado pelos Estados, para indústrias que se quer privilegiar, dão-se de várias maneiras: Doações para «desenvolvimento», empréstimos a juros muito baixos, encomendas de equipamentos para o Estado, parcerias do Estado com grandes empresas privadas, etc.
3º A dívida pública é a prazos largos, de 20 ou mais anos, quando se destina a financiar um projeto de longo prazo. Os juros dessa dívida são - por norma - baixos, o que torna esta aplicação de capital «pouco apetitosa» para o público. Então, o Estado obriga por lei uma série de instituições a terem uma certa quantia em obrigações do Estado nas suas reservas. São os casos de Bancos, Companhias de Seguros e Fundos de Pensões. A norma aplica-se com o argumento falacioso de que um Estado nunca entra em falência, logo tal reserva seria para «proteger» os clientes destas instituições. Ora, os juros tendem a ser muito baixos e a não acompanhar a inflação real, que se verifica ao longo de muitos anos. Estes juros fixos custam cada vez menos, em termos reais, a pagar. O principal em dívida, também vai perdendo valor, consoante os episódios de inflação no tempo decorrido. Deste modo, o Estado vai buscar o capital a juro muito baixo, emprestado por investidores (sobretudo) institucionais.
4º O Estado está nas mãos dos grupos de interesses mais poderosos, que controlam a política, através de doações chorudas a cada campanha eleitoral. Estas doações permitem que tal ou tal partido tenha muito mais dinheiro (que os outros) para gastar em publicidade, em comícios, em materiais de propaganda, etc... Assim, o partido tem a eleição quase assegurada. Mas, o consórcio de capitalistas financiadores tem os dirigentes desse partido na mão. Se estes se afastarem do programa (o verdadeiro, não o que apresentaram a eleição) serão castigados, não havendo dinheiro para financiar as suas campanhas futuras; podem até desviar os subsídos para outros canditados, adversários do partido «rebelde». Uma das coisas mais decisivas no pós-eleições, é saber-se para que projetos e investimentos o novo governo canaliza os capitais de que dispõe.

5º A «necessidade» de criar ou de reforçar fábricas de armamento, pode até ser um disparate de todo o tamanho, mas o público nunca será autorizado a examinar a questão com toda a transparência. Os apoios eleitorais foram efetivados; as somas  prometidas foram entregues e seria impensável que o partido que beneficiou de tais apoios, fosse descartar este aspecto do seu programa. Por isso, as questões relacionadas com a defesa, a guerra, ou  as ameaças à segurança do nosso país, nunca são tratadas na media de massas, com um mínimo de seriedade. O poder encarrega-se de fazer com que a média "mainstream " diga aquilo que é preciso, para defender o rearmamento e que desqualifique os críticos, pelos processos habituais da calúnia, de distorcer  afirmações, ou de black-out...

Isto acontece também nos países mais poderosos, que possuem indústrias de ponta, capazes de produzir e de melhorar microprocessadores, programas de software para IA, etc. Estes produtos da indústria são de aplicação dúplice, ou seja, tanto podem ser aplicados para fins pacíficos, como bélicos. O desenvolvimento da IA tem  potenciado as armas sofisticadas, os robots, os drones, os aviões de combate e os mísseis. Pode dizer-se que um investimento em IA será como na indústria bélica, somente ligeiramente disfarçado.

Temos aqui, nos 5 passos acima, a essência do que os governos dos Estados capitalistas mais poderosos fazem para desviar somas bilionárias para fins bélicos. Esta escolha vai submeter a sociedade, as pessoas, os tralhadores, a uma política de austeridade (mais uma vez!). Daí que os regimes se tenham vindo a transformar em «democracias musculadas», com polícia de intervenção, pressões sobre toda a resistência social e pacífica (sindicatos, associações diversas). Neste exercício de «democracia» apenas formal, não haverá real oportunidade para se afirmarem, e muito menos ganhar eleições, as forças que permitiriam uma alternativa real ao sistema.

Conferência de Pepe Escobar: QUAL É O GRANDE JOGO NA ÁSIA CENTRAL?

E QUAL A RELAÇÃO COM A IIIª GUERRA MUNDIAL? *



(*) Este vídeo foi filmado há dez anos. Ele dá-nos chaves importantes para compreendermos o que está por detrás das grandes rupturas e das guerras nos últimos anos e de agora mesmo.  

A maior parte dos europeus e americanos estão na ignorância sobre a concretização das novas Rotas da Seda, as partes já realizadas e as que estão em curso.
O Irão está na encruzilhada de tantas importantes vias, dispõe de tanto petróleo e gás, um ponto nodal absolutamente crítico para as Novas Rotas da Seda. Os grandes grupos corporativos, que têm o controlo do governo dos EUA, não podiam «consentir» isso. Esta é a verdadeira causa da criminosa campanha militar dos EUA e de Israel.

quarta-feira, 4 de março de 2026

Biliões proporcionados às empresas de IA pelo Estado e Banco Central

 



O dinheiro é criado a partir do nada pela Federal Reserve dos EUA (o banco central). O governo dispõe deste dinheiro, que vai distribuir sob forma de subsídios e de empréstimos (a juro muito baixo) às empresas de tecnologia. Assim, biliões são desviados de programas sociais, de apoio ao emprego, de investimentos em áreas produtivas. Tudo isto, para favorecer meia-dúzia de empresas tecnológicas gigantes (Palandir, Oracle, Microsoft, Google, Meta, etc.)

ATÉ AO FIM DA NOITE [OBRAS DE MANUEL BANET]



 Vai até ao fim da noite com ou sem candeia,

Com ou sem companhia. A solidão não piora nada

A escuridão é passageira; a luz do dia vem saudar

Aqueles, persistentes, que avançam todos

Os passos até chegar à superfície do poço

O poço do medo está em nós; é ilusão

Em plena escuridão já estamos

Não somos cegos; nunca a escuridão

É total;  podemos 'ver' tacteando

Ouvir, cheirar, provar, sentir

Reverberam as vozes 

Ficam as pegadas dos passos...


terça-feira, 3 de março de 2026

Prof. Jiang Xueqin - Raciocínio surpreendente sobre 3° Guerra Mundial



Este académico, Jiang Xueqin, é doutorado pela Universidade de Yale. Tem aulas transmitidas em direto e gravadas, no Youtube. 
Duas das suas três principais previsões sobre a evolução dos EUA (eleição de Trump, guerra contra o Irão) já se realizaram, a terceira é surpreendente mas está dentro do campo dos possíveis.
Kim Iversen é uma das mais seguidas jornalistas, que apresenta uma refrescante perspectiva de independência e em coerência com os seus valores democráticos.

 

segunda-feira, 2 de março de 2026

Três Compositores Portugueses dos Séc. XVI e XVII [Segundas-f. Musicais nº51]

Órgão da Sé de Évora (tubaria do renascimento)


António Carreira (ca.1525- ca.1587)
 Canção a Quatro Vozes, Grosada


Contemporâneo de Carreira, Gonçalo de Baena editava em 1536 um livro de órgão didático, com entabulações (ou glosas) de canções polifónicas na moda (sobretudo franco-flamengas) e outras, dele próprio e de mestres ibéricos. 





Susana grosada a quatro vozes sobre a canção de Lassus




Aqui a obra vocal de Roland de Lassus «Suzanne un jour» que inspirou muitas glosas.



Pedro de Araújo (cerca de 1640-1705)
Batalha de Sexto Tom



Os compositores acima estão inseridos na tradição ibérica, que inclui tanto figuras de Espanha como de Portugal. Já nos séculos XIV e XV, ao nível das cortes reais, havia um fluxo constante de músicos oriundos dos diversos centros da Península Ibérica e também de outros países europeus, da Flandres à Itália. Porém, apesar dos compositores estarem mergulhados em ambientes cosmopolitas (as cortes) ou eclesiásticos, um forte «sabor ibérico» conservou-se nas suas composições, tanto vocais como instrumentais. 

António Carreira, como mestre da Capela Real, estava bem no centro de um meio favorável à música, acolhedor em relação às tradições da Europa do Norte, quer dos Países Baixos e Flandres, quer da Borgonha e, certamente, bem ao corrente da produção musical nos Reinos de Aragão e Castela.

O Padre Manuel Rodrigues Coelho (organista da Sé de Elvas), esteve em contacto com polifonistas portugueses (Frei Manuel Cardoso fez a revisão da sua obra magna),  e conheceu pessoalmente o filho de António de Cabezón, Hernando de Cabezón. As suas obras classificadas como «Tentos» revelam influências de Sweelinck*. A sua colectânea «Flores de Música» (impressa em 1620) revela elevado grau de maestria nos estilos de escrita musical da época (fim do séc. XVI- princípios do Séc. XVII). 

Pedro Araújo foi organista na Sé de Braga e exerceu outros cargos. As suas composições, designadas por «Meios-Registos», «Obras» e «Fantasias», estão na continuidade da tradição ibérica. A sua composição mais célebre, aqui reproduzida, é designada por «Batalha». Estas peças utilizavam a célebre «La Guerre de Janequin» (peça vocal do Renascimento), como base para variações exuberantes. Algumas das suas partes são compostas de sucessões de acordes, imitando as trombetas e outras sonoridades nas batalhas. São peças bastante extrovertidas. Pelo contrário, as outras obras do Mestre Araújo, são muito mais reflexivas e adequadas para acompanhar partes da Missa.
 
A escassez das fontes desta época não nos permite saber muito sobre a prática da música em contextos profanos. Restam poucos exemplos de danças ou de outro reportório com características profanas. Porém, existem pelo menos duas fontes que nos revelam aspectos importantes da música profana em Portugal, nesta época: 
A) Os cancioneiros eram pequenos livros («livros de mão») contendo poesia lírica de vários autores, cuja música correspondente é conhecida, em muitos casos. Tais canções circulavam nas cortes, sendo a lírica, ora em castelhano, ora em português. A parte vocal superior correspondia frequentemente à melodia. As restantes duas ou três vozes, podiam ser executadas pela vihuela (forma ibérica do alaúde) e/ou por outros instrumentos. 
B) As canções postas em tablatura para os instrumentos de tecla, mas igualmente para vihuela ou harpa. Existem exemplos nas obras de Gonçalo de Baena, António Carreira, António de Cabezón e de Rodrigues Coelho  e noutros compositores. Temos a certeza documental da utilização destas tablaturas e sua utilização para anotar versões para tecla de canções polifónicas, na Ibéria. Esta prática estende-se por cerca de um século, pelo menos, do início do século XVI, ao início do séc. XVII. Foram muito cultivadas as versões instrumentais de obras vocais. Mas, o mais importante da questão, é que estas grosas ou glosas estão na origem da música instrumental, em particular, para instrumentos de tecla. Estas glosas  evoluiram desde simples transcrições, somente acomodando as diferentes vozes à execução num teclado, para se tornarem peças elaboradas, conservando a estrutura original, mas enriquecida com comentários e paráfrases. A arte da glosa, como cedo foi codificada por Frei Tomás de Sta. Maria, consistia em usar ornamentos e variações das vozes. Certamente, não estando esccritos tais ornamentos e glosas, ficavam ao critério do executante. 
As peças escolhidas para tal adaptação instrumental eram frequentemente canções da escola franco-flamenga (Thomas Créquillon, Clément Janequin, Adrien Willaert, etc.). Estas canções, agrupadas em recolhas impressas, possuíam larga circulação europeia na época. Também várias canções ibéricas foram  glosadas («Con qué la lavaré», «Para quien crie yo cabellos», «Canto del Caballero», etc.)
- A forma «tema com variações» surgiu em várias partes da Europa, incluindo na Península Ibérica, onde se usava o termo «diferencias». O procedimento era basicamente o mesmo: através de glosas, sucediam-se versões ornamentadas/variadas de um tema. Nomes diferentes nas várias nações europeias, referem-se um processo de composição igual ou semelhante. As danças, nomeadamente a Pavana, Pasacalle, Chaconne... também obedecem ao padrão de «tema e variações». 



Relacionado: Obra de M S Kastner «Três compositores lusitanos para instrumentos de tecla, séculos XVI e XVII: António Carreira, Manuel Rodrigues Coelho, Pedro de Araújo. Lisbonne, 1979.»
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*Não nos espanta que tenha o Padre Rodrigues Coelho recolhido muita informação na preciosa biblioteca musical do futuro Rei D. João IV (O «rei músico»). Desta biblioteca, só subsiste o catálogo; o seu conteúdo ardeu completamente, aquando do Terramoto de 1755.