quinta-feira, 19 de março de 2026
quarta-feira, 11 de março de 2026
Os princípios da guerra assimétrica
O prof. Jiang dá-nos uma lição magistral da guerra assimétrica que está a ser combatida pelos iranianos contra as forças militares conjugadas de EUA e Israel.
quinta-feira, 28 de novembro de 2024
CRÓNICA DA IIIª GUERRA MUNDIAL (Nº35): A MEMÓRIA DURADOIRA DOS POVOS DO ORIENTE
Estas crónicas, com periodicidade irregular, destinam-se a ajudar na compreensão do que vem acontecendo no Mundo, partindo do ponto de vista de que estamos numa nova Guerra Mundial, a 3ª.
Esta guerra mundial começou - segundo a minha visão da História contemporânea - desde o momento em que a OTAN desencadeou uma guerra não provocada, com os bombardeamentos aéros à Sérvia. Quis esta aliança bélica (não defensiva) mostrar ser capaz de arrasar um Estado europeu, ou qualquer outro que estivesse em contradição com as doutrinas neoliberais e a hegemonia dos EUA.
Desde 24 de Fevereiro de 2022, a «operação militar especial» foi desencadeada pela Rússia em defesa das populações russófonas do Don e enquanto resposta às sérias ameaças de genocídio pelo exército ucraniano, numa sucessão de crimes de guerra (cerca de 15.000 mortes civis) desde o golpe de Maidan em 2014, até ao início de 2022.
Esta situação de guerra no solo ucraniano está longe de ser o primeiro sinal de que o Mundo se encaminha para uma ruptura completa entre o «Oriente» e o «Ocidente»: Desde os inícios do Século XXI que se multiplicaram estes sinais, à medida que o Ocidente ia perdendo dominância económica, tecnológica e nos mercados internacionais. Com a criação e expansão dos BRICS, aumentava em paralelo a retórica belicista ocidental. Mas também no terreno geoestratégico e militar a OTAN ia incorporando várias nações, previamente integradas no Pacto de Varsóvia, tendo como consequência ser cada vez mais difícil a defesa do território da Rússia.
Esta agressividade do «Ocidente» - EUA, países da OTAN e não-ocidentais como o Japão, a Coreia do Sul e Austrália - não se ficava pela Europa do Leste. Tinha muitos outros teatros, onde estava ativa:
- Na Ásia Ocidental, os sionistas e seu exército esmagavam impunemente as populações palestinas nos Territórios sob ocupação (Gaza, Cisjordânia, Jerusalém oriental). Frequentemente, faziam incursões militares destruidoras em países vizinhos, em particular, no Líbano e na Síria.
- No Irão, raids aéreos israelitas bombardeavam instalações nucleares civis. Israel levou a cabo numerosos atentados terroristas no Irão, assassinando cientistas e militares de alta patente, com o auxílio ou aprovação tácita dos EUA, sob pretexto de eliminar «o perigo da república islâmica se dotar de armas nucleares».
- No Extremo Oriente, as ameaças militares contra regimes considerados hostis ao «Ocidente», também iam crescendo. A Coreia do Norte continuava sujeita a um embargo brutal, incluindo bens essenciais à sobrevivência do seu povo (incluido alimentos e medicamentos). Se não houvesse a assistência solidária da China e da Rússia, os guerreiros «humanitários» ocidentais teriam conseguido vergar o regime de Piong Yang através da fome do povo norte-coreano. Mas isto não era de molde a impressionar os falcões das sucessivas administrações de Washington: Os Presidentes G. W. Bush, Barack Obama, D. Trump ou Joe Biden eram defensores da visão neo-conservadora, da manutenção da dominância hegemónica mundial dos EUA.
Poderíamos continuar com a África e a América Latina: Nomeadamente, as guerras locais e os sucessivos golpes de Estado, as chacinas por islamitas a soldo do império (como «Boko Haram»), os embargos e bloqueios ilegais e criminosos à luz do Direito Internacional e destinados a causar revolta das populações esfaimadas contra os governos respectivos (casos de Cuba e da Venezuela, entre outros).
Somente devido à constante propaganda disfarçada de informação nos órgãos de comunicação social controlados pelo grande capital (a média «mainstream»), é que muitas pessoas não se aperceberam que a IIIª Guerra Mundial estava em curso ... há muito tempo.
Sem dúvida, não é uma guerra «clássica», mas uma guerra híbrida, com episódios de guerra «acesa», em territórios específicos, enquanto noutros a guerra assume a forma de subversão dos regimes considerados hostis ao Ocidente.
As armas económicas - as sanções, os embargos, os bloqueios causadores de escassez artificial - têm sido usadas sistematicamente, pelo super-imperialismo americano, como forma de «torcer o braço» (expressão de Barack Obama), a regimes recalcitrantes, que não se enquadravam na nova ordem globalista, ditada pelos EUA.
Mas, os povos não são entidades abstratas, criadas em jogos computorizados simulando guerras. Igualmente, os dirigentes destes povos, não são estúpidos, nem ingénuos. Eles compreendem que a sua sobrevivência está ligada estrictamente à defesa dos seus países.
Os povos do Oriente Extremo (China, Coreia, Indochina), sofreram as agruras do imperialismo japonês, antes e durante a IIª Guerra Mundial. Logo a seguir, em imediata sucessão, tiveram de lutar contra o imperialismo dos EUA e seus aliados no pós-guerra. Note-se que o imediato pós-guerra, em vários países do Extremo Oriente, consistiu em manter a tutela colonial, da parte das potências ocidentais (britânicos e franceses). Quando esta tutela foi sacudida, foram desencadeadas guerras (ditas «proxi wars»), tendo como protagonistas as facções nestes países, apoiadas pelas superpotências antagónicas: Os EUA e seus satélites, por um lado; a URSS e a China, por outro.
A memória histórica de tudo isto permanece bem viva nas populações oprimidas ou recém libertadas, pelo que a sua simpatia vai naturalmente para aqueles que contribuíram para a sua libertação: A Rússia, a China e o Irão, são dos que mais têm, ao longo das décadas, dado apoio aos movimentos de resistência. Por isso mesmo, estes países são tão difamados pelos lacaios que se arvoram em intelectuais e enxameiam a média corporativa, além dos governos ocidentais, os barões do império, que repetem a propaganda originada nos «think tanks» da sede imperial.
Algumas exceções, registadas nestas crónicas, são as dos jornalistas e intelectuais sem vínculo ao poder do capital, que nos trazem dados e análises que, de outro modo, não poderíamos conhecer.
É o caso de Thierry Meyssan (Voltairenet.org): As suas análises sobre a guerra na Ucrânia ou em Israel/Palestina, possuem a contextualização histórica indispensável para nos situarmos. Leia o seu artigo de 26 de Novembro de 2024, em tradução portuguesa:
A Rússia prepara-se para responder ao Armagedão que a Administração Biden deseja , Thierry Meyssan
quinta-feira, 13 de junho de 2024
Quando a metáfora de " David contra Golias" já não é apropriada
terça-feira, 1 de outubro de 2019
VIRAGEM NA GUERRA DO IÉMENE, NÃO FAVORÁVEL À ARÁBIA SAUDITA
Federico Pieraccini via The Strategic Culture Foundation
Muita gente pode ter sido levada a acreditar que os houthis são uma milícia tribal que não possui qualquer sofisticação.

A visão de prisioneiros sauditas escoltados por soldados iemenitas para campos de prisioneiros é qualquer coisa que desafia a imaginação. Porém, isto aconteceu e mostra como é frágil um exército muito bem equipado (os sauditas têm o 3º lugar mundial no que toca a despesas de armamento, com 90 biliões de dólares por ano, de orçamento militar) mas confiando apenas nessa suposta superioridade tecnológica. Os houthis, além de todos acontecimentos acima relatados, conseguiram manter sob controlo mais de 350 quilómetros de território saudita.
domingo, 24 de fevereiro de 2019
A GUERRA ASSIMÉTRICA E HEGEMONIA NO SÉCULO XXI
Todos os relatos que obscureçam a origem do terrorismo «djihadista» e omitam que ele tem sido abundantemente fornecido em dinheiro e armas pela Arábia Saudita e por outras monarquias petrolíferas do Golfo, aliadas dos EUA e com a «benção» destes, está simplesmente a construir e reforçar a narrativa que interessa aos poderes imperiais. É o caso da maioria das peças jornalísticas «mainstream» sobre este tema.
Na origem deste volte-face, está o golpe de estado na Ucrânia, levado a cabo abertamente com auxílio dos EUA (com destacado papel de Victória Nulan…) e dos países da UE, que apoiavam um candidato golpista diferente do que fora escolhido pelos americanos. Usam a mentira propalada mil vezes - seguindo o lema de Göring, ministro da propaganda do Reich hilteriano - de que a Crimeia foi «anexada» pela Rússia, quando, na realidade, foi realizado um referendo válido (em condições de imparcialidade e correcção que foram testemunhadas por numerosos observadores internacionais), que decidiu desanexar a Crimeia à Ucrânia e depois, um segundo referendo, que decidiu a adesão da Crimeia à Federação Russa… Mas, para os escribas do império, eles é que «fazem» os factos e «a realidade tem de se conformar com isso»!
Quando oiço que «se indignam» com assuntos relacionados com direitos humanos, ocorrem-me sempre as imagens e os factos que eles causaram, que encobriram e que por vezes atribuíram às próprias vítimas! Com que autoridade clamam defender os direitos humanos? Admitindo que tenham boas razões para o fazerem em certos casos, porque é que se calam em relação a outras violações dos direitos humanos, que se desenrolaram (por vezes, numa escala muito maior) nas guerras do Império, de autoria dos militares desde os generais até aos soldados e/ou de mercenários, de contratantes? E quanto aos crimes com drones, praticados quotidianamente contra populações civis, no Paquistão e noutros pontos, com dezenas de mortes e feridos, que chamam de «danos colaterais», de cada vez ??? Por ter desvendado ao mundo – através de Wikileaks – estas barbáries, mantiveram Chelsea Manning em prisão durante 7 anos, condenada a 35 anos, apenas por ter revelado a verdade. Somente graças a uma campanha internacional eficaz, foi recentemente libertada.
Por isso, os que fizerem pela paz, serão por mim aplaudidos, os que actuarem contra a paz ou perpetuando situações de guerra, terão a minha condenação. Independentemente do país, da ideologia, etc. dos actores, aplaudirei porque acho que é este o caminho sério. Note-se que, se não houver respeito mútuo, não existem condições para o diálogo e muito menos para acordo.
Creio que um caso paradigmático é o diálogo entre as duas Coreias, em que o bom-senso de parte a parte prevaleceu e obrigou as potências tutelares (EUA, do lado da Coreia do Sul; China e Rússia, do lado da Coreia do Norte) a adoptarem, também elas, uma postura construtiva.
Aos políticos, deveriam exigir clareza e verdade, não apenas em questões internas, mas também nas que tocam à esfera internacional.
Só uma cidadania desperta e culta poderá agir pela paz, só ela será capaz de distinguir factos e propaganda, situações reais e fábulas …
https://ogmfp.wordpress.com/2019/02/23/a-guerra-assimetrica-e-hegemonia-no-seculo-xxi/#more-482 ]


