quarta-feira, 18 de março de 2026

PRIMAVERA [Obras de Manuel Banet]

 



 Nesta prisão que se estende até ao horizonte

Neste pesadelo que parece sem fim

Onde encontrarei eu a primavera

A Natureza que alguns obsecados matam


Em sonhos encontramos refúgio 

Quando a realidade dói demasiado

Nesta prisão nem o sonho subsiste

Ao espelho da fera enlouquecida


Gostava de vos dar algum alento

De vos encher o peito de coragem

Mas não posso; estou procurando

Das aves o canto, saber pra onde foi


Não tenho refúgio nos campos 

Ou nos bosques; pois afinal 

Atormenta saber-me

Dos humanos o igual


Os assassinos a sangue-frio

Na aparência são humanos

Agora são uns ratos loucos

De medo, raiva e vingança


A guerra é uma doença 

Contagiosa dos povos:

Mata primeiro por dentro

O humano, no homem 


 

 



 

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