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domingo, 29 de março de 2026

Portugal: ESTÁDIO FINAL DA DEPENDÊNCIA


 Este vídeo descreve, tal como eu fiz desde há mais de dez anos, a transformação de Portugal num país de «monocultura» turística. Com a orientação de política governativa começada no período de governo do PSD e implementada a fundo pelo PS, sob a batuta de António Costa. Para quem viveu estes dez a doze anos em Portugal, tudo aquilo que é descrito no vídeo, está gravado na memória.

A inversão desta orientação política seria muito fácil, pois teria muito apoio popular. Só que não será aplicada, pois os oligarcas nacionais e dos países mais poderosos da UE, querem que Portugal viva no marasmo, na dependência, para servir os seus interesses particulares. Um país para a classe média do Norte da Europa passar férias, para os produtos da Europa industrial terem um mercado cativo. Portugal tem de importar a maioria dos produtos agrícolas e industriais. Muitos, que antes produzia e outros, que poderia facilmente produzir. Mas, as políticas conjugadas dos sucessivos governos e da Comissão Europeia, tiveram o resultado de impedir que seja produzido, em termos competitivos, uma parte do que consome. A cultura da dependência estende-se ao abandono da agricultura, com ótimas condições climáticas, que podia fornecer bons produtos agrícolas, assim como exportar parte da produção nacional. Nas políticas seguidas, têm sido favorecidos os esquemas depredadores, culturas de alta intensidade com adubos artificiais, alto consumo de energia, com mão-de-obra importada. Porém a agricultura portuguesa foi considerada, durante séculos, de qualidade. 
Mas, nós estamos enganados se pensarmos que a classe dirigente e os seus «paus-mandados» no governo, têm estas políticas porque têm pouco esclarecimento, etc. 
Não: O problema é que o próprio capitalismo nacional é subordinado ao capitalismo mais forte, neste caso, os países nórdicos da UE. Quanto ao governo, está de tal maneira vassalizado que - seja qual for a «cor política» no poder - é a mesma coisa, em termos nas grandes opções de política real. Porque a política é ditada em Bruxelas e relaciona-se com os interesses estratégicos da U.E., da grande burguesia europeia, principalmente. 
Não existe independência de Portugal desde há séculos: Eu considero que esta independência já estava semi-perdida no Século XVIII, quando foi afastado o primeiro-ministro do Rei D. José I, Marquês de Pombal. Ele tentou realizar o programa de substituição das importações, por produção nacional. No século XIX, a captura do tecido económico completou-se após a expulsão dos exércitos de Napoleão, por volta de 1813,  pelas tropas anglo-lusas. Em todo o século XIX, os interesses britânicos  influiam diretamente nas políticas dos governos portugueses.
 
Não deve surpreender que  - no século XIX -  as partes mais lucrativas do Reino de Portugal, os seus territórios ultramarinos, se tivessem transformado em  colónias subsidiárias do Império Britânico. 
Nos anos 1930 e 40, instalou-se a ditadura de Salazar (uma modalidade de fascismo, o Estado Corporativo). Muitas pessoas pensavam que ele era «nacionalista». Porém, ele apenas se manteve no poder oferecendo os «melhores bocados» de Portugal à Alemanha hitleriana, primeiro e, depois, aos Anglo-americanos. 
Após a 2ª Guerra Mundial, Portugal ingressou, como membro fundador, na OTAN. Acontece que a OTAN queria ter uma imagem de aliança de democracias, agrupando os países ocidentais que combateram o nazi-fascismo. Com uma  exceção...  já sabem qual é. O regime fascista de Salazar foi prolongado pelo seu discípulo Marcelo Caetano, após décadas de guerra colonial em três frentes (Guiné-Bissau; Angola e Moçambique), que sangraram a juventude do país (em benefício das grandes potências ocidentais) e agravaram o atraso atávico, quer em termos de desenvolvimento humano, como económico. 
Era o país mais atrasado da Europa ocidental. Ele era mais miserável ainda que Espanha, a qual se tornou industrializada e com um rentável setor de turismo, a partir dos anos 1970, apesar da ditadura férrea do «caudillo» Francisco Franco. A Espanha tinha ficado arruinada devido aos três anos de guerra civil (1936-39). 
Não é portanto ontém que se gerou a dinâmica conducente a um país colonizado, vassalizado. 
O império colonial português, contrariamente ao que propagam os saudosistas do colonial-fascismo, manteve a grande maioria da população - tanto das colónias, como da metrópole - no alfabetismo, na pobreza, na miséria e na subordinação aos poderosos. Porque isto convinha às oligarquias agrária e industrial.
 
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(Para mais informação, ler o meu ensaio PORTUGAL, PAÍS NEOCOLONIAL? disponível neste blog)

terça-feira, 24 de setembro de 2024

A DESREGULAÇÃO DO MERCADO HABITACIONAL E SUAS CONSEQUÊNCIAS

Quem aqui vive, em Portugal, está consciente de que a suposta «recuperação económica» feita à custa do turismo (exclusivamente) e total desregulação do mercado habitacional (tanto de aquisição como de arrendamento) tem como consequência uma série de crises: habitacional, demográfica, desemprego, emigração dos jovens e degradação das condições de vida.


A situação dramática da habitação (não existem apartamentos a preços abordáveis para a população) deve-se a decénios de fraco investimento na habitação social e na secundarização das funções sociais do Estado. O «boom» no imobiliário de altos preços é um bónus somente para especuladores imobiliários, mas a população geral do país pouco ou nada ganha com isso.


 Esta é a consequência social e económica de Portugal ter ficado cativo de uma classe especuladora, parasitária, vivendo de expedientes. O duopólio PS-PSD e respetivos governos, têm sido  os  promotores deste festim neoliberal.

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RELACIONADO:



quarta-feira, 27 de junho de 2018

O INSOLÚVEL PROBLEMA DOS REFUGIADOS/ IMIGRANTES

                    

Muitas pessoas, no Ocidente, têm uma abordagem do problema centrada nos princípios dos Direitos Humanos, da igualdade de tratamento, da não-discriminação. Porém, o que se tem passado nos últimos 5 ou seis anos, com os afluxos de refugiados das guerras no Iraque, Afeganistão, Sudão, Líbia e Síria, juntamente com os vindos de países sub-saarianos, deveria ser analisado sobretudo em relação às suas causas. Ou seja, nós para resolvermos um problema, temos de ir às origens desse problema; sem resolvermos as causas, os problemas permanecem, mesmo quando escondidos da superfície. Ora, o problema nº1 chama-se guerras imperialistas desencadeadas pelos EUA, com o apoio explícito e participação de muitos dos seus parceiros europeus da NATO. Note-se que os EUA não sofreram consequências por aí além destas guerras devastadoras, quem teve de suportar o afluxo de refugiados foram, em primeira linha os países fronteiriços, Líbano, Turquia, Jordânia, assim como os países europeus do Mediterrâneo, Grécia, Itália, Espanha... Os países do Médio Oriente e de África, destruídos pelas guerras fomentadas pelo «Ocidente», ficam entregues a bandos armados rivais que ocupam vários territórios e onde a autoridade do governo central não existe de facto, como na Líbia, mas também na Somália e noutros pontos. 
A política criminosa de Barack Obama e de Hillary Clinton, que já tinha sido inaugurada por  G.W. Bush e Bill Clinton, foi de invocar pretextos falaciosos para intervir militarmente, ao arrepio de qualquer verdadeiro humanitarismo, embora usando forte propaganda para fazer crer que estavam a fazer estas intervenções ao abrigo de (inexistente) «lei» internacional de «ingerência humanitária».
Os segundos responsáveis por esta crise são as ONG (Organizações não-governamentais) fortemente subsidiadas por George Soros (o multi-bilionário globalista, decido a moldar a geopolítica mundial às suas visões). Com efeito - estas ONG - têm comprado barcos para transportar refugiados de um lado para o outro do Mediterrâneo com pretexto de que assim não cairiam nas mãos de passadores sem escrúpulos. «De boas intenções está o inferno cheio», como se costuma dizer, pois estes refugiados, sobretudo económicos, têm à chegada que ficar em campos, pedir asilo, ver o seu pedido recusado e regressarem ao ponto de partida - a expensas dos Estados de acolhimento, sobretudo Itália, Grécia, Espanha, mas também França e Alemanha. Uma longa cadeia de intermediários - entretanto - foi explorando este «gado humano», que escravizam, dentro dos países africanos, antes deles serem acolhidos pelos humanitários das ONG supra-citadas. 
A outra rota das emigrações forçadas pela guerra tem sido a do Médio-Oriente ---> Europa central, via Turquia e Balcãs. Aqui, o regime de Erdogan, um dos responsáveis pela guerra «civil» da Síria, exigiu (e conseguiu) que os países da Europa subsidiassem os campos de refugiados que se acumulavam do lado turco da fronteira com a Síria. Mas, em breve, houve desentendimentos, entre o ditador Turco e seus aliados europeus (sobretudo Alemanha), ao ponto de a CIA executar um plano (falhado) de golpe de Estado contra Erdogan. Nessa altura, como vingança ou retaliação, os turcos simplesmente deixaram de reter os refugiados e estes foram encaminhados (pelas ONG subsidiadas por G. Soros, quem mais poderia ser?) para o centro e norte europeu.
Como consequência desta onda, os países República Checa, Hungria, Polónia e Eslováquia, que decidiram que não tinham de pagar o preço de guerras alheias e que não estavam disponíveis para serem invadidos por uma maré de imigrantes não desejados, criaram um grupo dissidente das políticas migratórias, fazendo frente ao directório franco-alemão e à comissão de Bruxelas. Em consequência também desta crise dos refugiados, subiram em popularidade e em votos os partidos de extrema-direita ou soberanistas, em todo o espaço em que tais vagas de migrantes desembarcaram.
Agora, temos de compreender a razão de ser disto tudo.

- Este tipo de caos organizado é do interesse dos globalistas, para terem sempre uma mão no Médio Oriente, mas também porque conseguem assim outros objectivos.
- Diminuição da fertilidade das populações com a mais alta taxa de natalidade, as árabes e africanas, pelo método bárbaro da guerra civil, do empobrecimento e da rapina dos recursos. Não esqueçamos que, para o «credo globalista» (Soros, Clintons, Rothchilds, Rockefellers, Gates...), o maior problema mundial é a «sobrepopulação» (malthusianismo)!
-A homogeneização das culturas e das etnias, faz parte do «credo globalista», ao qual muitos ingénuos de esquerda aderem: defender o território contra indesejados seria sinónimo de «racismo», de «xenofobia». Como se defender as suas casas e localidades contra intrusos, contra pessoas que não se conhece, que não foram convidadas, que são impostas pelo Estado... não fosse legítimo! 
Os globalistas precisam de homogeneizar as populações, para conseguirem que as massas tenham menos capacidade de resistência, divididas entre comunidades que se guerreiam entre elas, sem a coesão de uma cultura comum. É essa cultura comum que permite a criação de movimentos reivindicativos, de sindicatos ou partidos com grande implantação, que possam fazer frente ao patronato e ao Estado.
- O enfraquecimento dos governos e parlamentos nacionais, permite que a clique globalista melhor avance, no seu projecto de «Nova Ordem Mundial», implícita em muitas das instituições e políticas mundiais: Trilateral, ONU, OMC, FMI/Banco Mundial, NATO, UE.
O projecto consiste em transferir a governação, nos seus aspectos essenciais, para organismos supra-nacionais, internacionais ou regionais, ficando os parlamentos e governos nacionais numa postura de subserviência, sem autonomia, sem soberania, apenas com a aparência de Estados/Nações independentes.

Mapa abaixo retirado de: https://www.zerohedge.com/news/2018-06-26/migration-problem-europe-unsolvable-heres-why                         
Quando vemos a enorme confusão de políticas, as contradições patentes entre governos da UE a propósito desta crise dos refugiados, compreendemos melhor a reacção popular (que eles, globalistas, chamam de «populista») para com os governos que persistem nos mesmos erros, apesar das consequências desastrosas para os cidadãos. É que as elites (oligarquias) que governam estão comprometidas, não com a defesa dos interesses dos povos, mas com a agenda globalista. 
Os povos nem sempre acertam, mas compreendem muito melhor os seus interesses fundamentais, do que os políticos. 
Tenho confiança na capacidade que possuem muitos europeus, de perceberem o que está em jogo e não se deixarem mais manobrar pelo medo. 

terça-feira, 29 de agosto de 2017

EXPLORAÇÃO ACRESCIDA E AUSÊNCIA DE SINDICATOS COMBATIVOS


Notícias deste tipo são quotidianas e basta olhar à roda, perguntar a familiares ou amigos, para constatar que estas notícias, longe de serem alarmistas reflectem aquilo em que se transformou o mercado de trabalho.

Os sindicatos estão ausentes dos locais de trabalho; as direcções estão fechadas nos seus gabinetes ou a fazer tudo menos aquilo para que foram eleitas. Sim, não falham uma «manif» da CGTP, se forem convocadas... mas fazerem o trabalho quotidiano e ingrato... 

A ausência de sindicalismo sério e de classe torna as situações narradas impossíveis de defesa do ponto de vista dos explorados. Os patrões têm em Portugal um paraíso porque o «sindicalismo» se confunde com a militância política, que NÃO É. 

A anexação e subordinação dos sindicatos por partidos (sobretudo de «esquerda») tem as consequências que se podem observar. Ninguém da «sacro-santa» esquerda quer dar o braço a torcer e reconhecer isto: os sindicatos são órgãos da classe trabalhadora toda. Cativá-los para lutas políticas e desmobilizá-los das lutas laborais é uma traição muito grave. 


Só quando a nova geração tiver varrido práticas enquistadas nos sindicatos; só quando houver um grau de consciência de classe que lhes proíba fazer como seus antecessores, poderão as coisas mudar no campo sindical e laboral.