quinta-feira, 22 de outubro de 2026
quarta-feira, 21 de outubro de 2026
A MENTIRA DOS "VALORES OCIDENTAIS"
Omar El Akkad, autor do best-seller
«One Day, Everyone Will Have Always Been Against This. »
terça-feira, 20 de outubro de 2026
PROTESTOS CONTRA AUSTERIDADE EM FRANÇA. (por Ana Vračar)
Transcrevo o artigo de Ana Vracar, que nos dá uma perspectiva sobre os acontecimentos, que reforça a ideia de provocação da própria atuação policial de extrema rudeza e indiscriminada, a receita exata para atiçar mais os manifestantes. Este comportamento dos corpos policiais é de tal maneira «desastrado» que vários elementos da polícia contestaram as directivas «dúbias» dos seus superiores.
Não seria impossível que o impopularíssimo presidente Macron faça uso dos seus poderes em decretar o estado de sítio, para anular as eleições, sob pretexto de clima de guerra civil. Na realidade, a «guerra civil» tem sido o que o próprio poder presidencial e a máquina que o apoia têm usado com frequência. É uma tática bem conhecida; os poderes autocráticos usam-na como pretexto para desencadear uma repressão feroz.
Manuel Banet
Mass mobilisations against austerity policies and their effects are not winding down in France. On Saturday, 17 October, roughly 800,000 people joined protests across more than 1,700 assembly points, according to union figures—amplifying demands tabled over a month of student protests and demanding urgent action on the cost of living crisis.
In the aftermath of the protests, the government expanded local authorities’ powers to introduce curfews. This led to overnight movement limitation orders introduced in several cities, including central parts of Paris, Lille, Lyon, and Nice. Many of the curfews target young people in particular, reflecting institutional concern about the success of their recent mobilisations.
Over the past weeks, students launched a wave of school strikes and occupations, resisting the erosion of education services under successive neoliberal governments. Their movement drew support from trade unions and progressive political forces, who joined students on the streets to pressure the Lecornu administration to change course and prioritise public services and labour rights over armament.
Rallies and marches reinforced the student movement’s demands for accessible, equitable higher education, alongside trade unions’ calls for higher wages.
They also drew links to other historic moments of mobilisation, including the struggle for Algeria’s liberation. Many groups taking part echoed the anniversary of the 1961 demonstration that ended in the massacre of hundreds of people protesting for independence.
Police violence continues.
Teachers, families, and elected officials also joined, for a practical reason: to shield students from the law enforcement violence unleashed on their mobilisation.
Saturday’s protests were again met with police violence, with officers relying—unsuccessfully—on tear gas and water cannons to disperse crowds. Serious injuries and cases of severe police brutality were reported throughout the day.
After repeated repression, and with neither the government nor President Emmanuel Macron offering credible solutions to protesters’ grievances, protests turned into riots. While those close to social movements emphasised the events were triggered by years of cuts and unimpeded attacks on workers’ rights, the middle and upper classes were indignant.
Macron channelled their reaction in his post-protest speech. He declared those responsible for the looting must be punished, while promising more “dialogue” and offering a mild acknowledgement of people’s concerns over fuel, food, and other essentials.
“There are people out there who rightfully feel that the price of fuel is too high,” the president said—before shifting responsibility elsewhere. He said rising prices were the result “of what is happening in the Persian Gulf—a war that France was not part of.”
The speech landed poorly at home and abroad. The Iranian government, for one, has repeatedly called out Macron for applying double standards between protests in West Asia and France, emphasising that the French president had expressed support for US plans in Iran and that ongoing mobilisations were a logical outcome of the policies he endorsed.
Students reject Macron’s response.
In France, protesters called out Macron for failing—yet again—to identify a concrete way out of the situation facing the country.
“Since the beginning of this movement, high school and university students have been met with nothing but contempt and police batons in response to their demands,” the university students’ union Union Étudiante wrote. “Yet we have put forward a clear set of demands, widely supported by everyone who took to the streets on 17 October.”
“He did not utter a single word about the high school and university students maimed in the crackdown,” the organisation added. “He said nothing at all about the real violence committed on Saturday,” referring to approximately 2,300 arrests made on that day alone—and dozens of young people who were seriously injured over the past weeks.
“It is not a matter of engaging in endless dialogue but of responding concretely to the needs of high school and university students: income, housing, food services, healthcare, study conditions, access to degrees, and an end to repression.”
Lecornu attempts to blame left for chaos.
Prime Minister Sébastien Lecornu’s reaction to the protests drew an equally negative response from progressive forces, especially after he suggested left movements were responsible for chaos and violence.
“What a pathetic politician,” wrote presidential candidate Jean-Luc Mélenchon. “He is responsible for the chaos—chaos he methodically prepared, whether through sheer incompetence or a deliberate ‘strategy of the worst’ aimed at conjuring up a ‘party of order’ that would make people forget his failure on the public finances.”
domingo, 18 de outubro de 2026
CONFIRMA-SE: A BOLHA DA «IA» JÁ COMEÇOU A REBENTAR
... ou seja, o tecno-feudalismo(*): Obtêm assim o controlo do hemisfério Ocidental, monopolizando recursos, população e mercados. Tudo isto em exclusivo.
Mas, para tal, têm de inflar a grande bolha da IA. Têm de hipertrofiar a imagem do poderio e do alcance da IA, para que as pessoas se convençam de que seria fútil tentar escapar, por qualquer meio.
Por outro lado, a IA ao receber uma enorme fatia dos capitais disponíveis para investimento, tem estado a provocar a agudização das contradições internas, o que está a intensificar a crise do capital. Os interesses colectivos - incluindo vários sectores capitalistas - são preteridos pelos interesses individuais dos bilionários de IA e tecnologias associadas. Concretamente, verifica-se que sectores indispensáveis ao funcionamento da sociedade capitalista estão a ser afetados seriamente, porque deixaram de ter acesso - ou com acesso mais difícil, ou mais caro - a energia, água e financiamento.
------------------
(*) O tecno-feudalismo não é mais, na essência, que um capitalismo que atingiu a máxima concentração monopolística. Neste regime, não apenas deixa de existir concorrência entre empresas, como o Estado fica inteiramente submetido aos grandes grupos privados. Deixou de ser um sistema capitalista clássico, onde as empresas se digladiam no mercado, em concorrência para captar a clientela. No tecno-feudalismo não há mercado, não há concorrência e não há escolha para os servos.
É uma nova distopia, porém muito semelhante ao mais sombrio do período soviético. A transformação acima descrita, vai se aproximando de regimes totalitários passados, com a diferença de que agora, a casta do topo é exclusivamente formada por bilionários .
RELACIONADO:
https://youtu.be/tuEznqo8Ltw?si=7YOGamvOIuC-VCH0
https://youtu.be/Lf5oqGOCRCM?si=ZlB7DOFOIbGOmG_q
https://youtu.be/oGCb9gGBBrw?is=F5HQ9KZNrb42aAHw
https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2026/04/bolha-de-ia-prestes-rebentar.html
https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2025/01/a-revolucao-tecnologica-de-deepseek-o.html
ADAGIOS para solista e orquestra [Segundas-f. musicais nº80]
ADAGIOS DE CONCERTOS
S. Rachmaninoff - Concerto para piano e orquestra n.2
https://music.youtube.com/watch?v=HfPE3cgYyco&si=6lPoyl0BKdJbVELe
J. Rodrigo - Concerto de Aranjuez
https://www.youtube.com/watch?v=g9_m9Nh6qQE&t=3sO Adagio é, com grande frequência, o movimento lento dum concerto para orquestra, com ou sem solista. Em geral, aparece como o segundo andamento, entre dois andamentos «1º e 3º Allegro», ou «1º Allegro e 3º Presto», numa codificação que se foi afirmando ao longo do século XVII e se tornou universal a partir do século seguinte.
A expressividade destes andamentos é tanto maior quanto a lentidão do compasso convida a fazer ornamentos ou até pequenas glosas, enriquecendo e diversificando o discurso musical. A aparente simplicidade das melodias nestes movimentos, faculta a oportunidade para os solistas mostrarem o seu talento e expressividade de forma bastante natural, em diálogo com o tutti da orquestra.
Como dizia, com razão, um meu professor, «é nos movimentos lentos que se pode apreciar melhor a qualidade do solista». Isto é compreensível, pois a forma como o solista desenvolve a ornamentação, pode valorizar a beleza da linha melódica... ou pode desfigurá-la com ornamentação inapropriada.
O público fica muitas vezes seduzido pelos movimentos lentos das peças barrocas, talvez porque nestas predomina a componente melódica, a qual é fácil de distinguir e de seguir. Os nossos ouvidos e cérebros contemporâneos, estão fortemente condicionados a procurar o fio condutor duma peça musical, na sua linha melódica. A apreciação do contraponto e da harmonia são sofisticações que implicam um certo grau de instrução musical ou, pelo menos, de ter ouvido bastante música polifónica e/ou grandes conjuntos orquestrais.
Em geral, o conhecimento da música clássica treina a sensibilidade auditiva e permite compreender se tal interpretação é apropriada à música, ao seu estilo, à ideia subjacente do compositor, etc... Embora existam pessoas sem instrução musical, mas com sensibilidade inata. Podem assim «distinguir o trigo do joio». Mas, estas pessoas são raras.
Em geral, todas as pessoas colhem benefícios da exposição à música de qualidade e por compositores de todas as épocas. Além disso, assistirem a concertos pode ser mais enriquecedor, do que apenas a audição de CDs.
sábado, 17 de outubro de 2026
MITOLOGIAS XIV : «A FORÇA FAZ A RAZÃO»: FÁBULA DO LOBO E DO CORDEIRO
A FORÇA FAZ A RAZÃO (e não «a razão faz a força»)
A fábula encontra-se em Esopo e foi adaptada por La Fontaine. Faz parte do pequeno grupo de fábulas célebres, que mantiveram bem viva a memória do poeta-libertino. Ele tinha uma vida pouco recomendável, em termos da moral convencional da época. Mas, isto é assunto para um artigo separado. Basta-nos constatar que a fábula do Lobo e do Cordeiro transcende a época, a cultura, a moda.
Em cada fábula que La Fontaine escreveu em verso, atualizando o reportório da antiguidade para a época dele, o seu conteúdo é uma crítica disfarçada, mas acerba, de traços de carácter dos homens, sob aparência de animais que falam.
O que nos seduz no presente, em relação a esta fábula específica, não é que ela ponha a nu a injustiça do poder: Isto tem sido uma constatação observável, tanto no tempo de Esopo, como de La Fontaine, como na atualidade. O que nos seduz, é como é tratada a inadequação da defesa do cordeiro: De que servem discursos racionais e ajuizados, quando o poderoso deseja «comer» o mais fraco?
- Com efeito, muitas pessoas comuns pensam que se salvam, apelando à racionalidade dos que detêm o poder; mas quem detém o poder, só mudará de atitude, se perceber que poderá perdê-lo, caso continue com um determinado comportamento. Aliás, isso acontece com frequência maior do que se julga. Quantos monarcas e ditadores perderam o trono (e, por vezes, a própria vida) por comportamentos que suscitavam a ira de seus sujeitos, incluindo seus aliados mais próximos, transformando ex-cordeirinhos em animais muito menos tenros, capazes de coletivamente derrubar o odiado chefe de Estado?
A sociedade, em circunstâncias normais e infelizmente, submete-se sempre ao «argumento» do Lobo (a força faz a razão), contra o do Cordeiro?
- Só nas revoluções, as pessoas ousam enfrentar realmente o poder.
sexta-feira, 16 de outubro de 2026
quinta-feira, 15 de outubro de 2026
MIL ANOS DE CRUZADAS, ATÉ HOJE
quarta-feira, 14 de outubro de 2026
ESTÁS ENROLADO EM PALAVRAS [OPUS, VOL. IV; Obras de Manuel Banet]
Estás enrolado em palavras, sucessões de caracteres e sons
Que te enchem o espírito, em vez das coisas e seres, aquilo que são
As pessoas creem na palavra, no discurso, afinal iguais às crianças
Criancinhas que ouvem histórias para adormecer.
Ao menos estas têm a desculpa de estar a aprender
Precisam de se ligar emocionalmente antes de racionalmente
Mas, tu com que desfaçatez nos impões tuas eructações,
Gargarejos e discursos de verdades eternas que saem dos teus lábios?
Vives dentro do mito onde te enfiaram
Não descolas a maçã, da imagem da mesma
Nem a cartografia, do terreno, mas pretendes
Que teremos -nós - de aprender, como se fôssemos
Criancinhas?! Seria cómico, se não fosse criminoso
Pois levas à ruína as nações, inúmeras gentes
Sacrificadas pela tua estupidez e orgulho.
...
Porém, sim; as palavras são maravilhosas.
Elas servem para descrever fenómenos reais
Ou fantasias e sonhos... E depois? Será proíbido
Um poeta sonhar, brincar com as palavras?
Só os idiotas afirmam o sentido dum texto
Quando o texto não tem sentido nenhum!
Piores os que «psicanalizam» as obras,
Porque projetam seus medos e traumas
Nos escritos doutro, com sua própria motivação
E que não era, com certeza, a vossa!
- Este texto que vos sirva para emendar a relação ingénua com a escrita...
ZUANGZI: O Propósito da vida? - A Vida não tem propósito
RELACIONADO: O MITO DE ENCONTRAR A SI PRÓPRIO
segunda-feira, 12 de outubro de 2026
HEGEMÓNICOS EM DERROCADA ALARGAM A GUERRA [Crónica da IIIª Guerra Mundial, nº73]
O interesse dos EUA é muito claro. A sua estratégia é a mesma que a do Império Britânico, nos seus dias de glória: Colocar os adversários do Império uns contra os outros. Não permitir que qualquer potência venha «fazer sombra» à potência hegemónica. Como dizia Lord Palmerston: «o Império não tem nem amigos, nem inimigos; tem interesses». Os EUA não estão interessados em entrar diretamente em guerra com a Rússia, ou com a China. Sabem bem que não poderiam sustentar uma guerra convencional, quer com um, ou com outro dos super-poderes seus rivais. Pelo menos, de momento seria impossível, pois estão em reais dificuldades no Médio-Oriente.
Os iranianos e os iemenitas tornaram-se mestres em guerra asimétrica. Os próprios Estados Unidos e os seus aliados na região (Israel e as monarquias do Golfo Pérsico), estão envolvidos numa guerra prolongada, que têm muito pouca probabilidade de ganhar. Aliás, está à vista que o campo imperialista já sofreu tremendas derrotas, apenas insistindo na continuação da destruição criminosa, porque o seu orgulho ferido não aceita negociar uma paz, em condições de fraqueza.
Neste contexto mundial, os «reinos satrapas» da Europa da OTAN, desempenham o papel que tinham tradicionalmente, ao lado dos EUA, potências bem menores, nas guerras por procuração que aconteceram ao longo da «Guerra Fria» e mais além, no período em que os EUA se sentiram como força mundial hegemónica, após a implosão da URSS e dissolução do Pacto de Varsóvia.
Como «reinos satrapas», os europeus da OTAN não têm independência em política, ou noutros aspectos. Trata-se de nações falsamente soberanas. Continuam a ter seus territórios ocupados com bases dos EUA, nominalmente da OTAN, mas geridas e guarnecidas essencialmente por militares dos EUA.
Ficam muito contentes, esses fantoches europeus, em mostrar protagonismo numa guerra contra a Rússia, para a qual, desde 2014 (data do golpe americano-europeu ocidental) fornecem armas, munições, tropas especializadas, vigilância electrónica e por satélite, ao governo neo-nazi, claramente opressor do seu próprio povo. Mas esta junta de nazis é acolhida em Bruxelas e nos centros ocidentais, como «heroís democráticos, que lutam pela independência do seu país face à bárbara invasão de Putin».
Acontece que, na realidade, a Ucrânia, fosse qual fosse sua realidade política interna, não poderia vencer o gigante russo. Os seus governantes sabiam-no e também o sabiam os dirigentes dos países da OTAN. Desde o príncipio, o interesse da nação ucraniana era entrar em negociações e obter um acordo, para um novo equilíbrio de coexistência, quer com os países da OTAN, quer com a Rússia.
Os políticos e diplomatas de ambos os lados sabiam isso. Porém, o governo ucraniano foi forçado a recuar (pela pressão ocidental e britânica, principalmente), quando tinha praticamente concluído um acordo de paz com a Rússia, em Março-Abril de 2022.
Eu não irei retraçar aqui as peripécias da guerra que continuou desde então. Tenho escrito desenvolvidamente sobre ela, mas sem pretender fazer um relato de cada desenvolvimento no campo de batalha. Porém, é claro para mim, desde o princípio, que se estava a sacrificar o povo ucraniano e a castigar o povo russo, sem nenhum respeito pelas vidas de centenas de milhares, agora de milhões, e sem querer resolver a guerra. Quanto mais durasse esta guerra, mais seriam favorecidos os interesses da casta militarista, do complexo militar-industrial e outros interesses inconfessáveis, nos países da OTAN.
Lamento dizer que a esquerda europeia, numa percentagem muito elevada, agiu como se se tratasse duma luta «da liberdade contra a tirania», sabendo nós que aquilo que se passou, desde o princípio, não foi nada assim. Como de costume, os elementos de esquerda na base, militantes e simpatizantes, foram enganados e muitos deram o apoio à política dos seus inimigos. Muito se deveu a esta miopia induzida, quer pela media corporativa, comprada pelos grandes capitais, quer também pelos estados-maiores de partidos e agrupamentos, incluindo alguns, ditos de esquerda.
Uma situação análoga a isso, foi a que ocorreu com o volte-face da esquerda parlamentar nas vésperas de 1914, que antes se apresentava como pacifista e anti-militarista e se deixou envolver no nacionalismo prevalecente, votando os créditos de guerra. Agora, a situação não é idêntica, mas é estruturalmente a mesma.
Porque os sectores de esquerda (as cúpulas) tinham a possibilidade de pressionar os governos da UE e da OTAN, para inflectir a sua política em direção a uma paz. Uma negociação, que implicasse as potências todas, para restaurar a paz e a confiança, refazer os laços económicos e culturais... Seria isto que se esperaria duma esquerda não vendida ao grande capital. Mas o que aconteceu, em relação a várias forças, foi o oposto. Assim, foi possível as forças mais retrógadas, militaristas, anti-trabalhadores, incluindo da extrema-direita a roçar o fascismo, tomarem um grande papel nestes países.
Haveria muito mais a dizer, mas prefiro apelar ao sentido crítico dos leitores. É necessário ter cuidado em não embarcar numa ou noutra explicação, aquando de episódios espectaculares, em especial, porque esta guerra se trava tanto ao nível das ações bélicas propriamente ditas, como de ações psicológicas. Ora estas desenvolvem-se para modificar a percepção da realidade, não apenas do inimigo, mas também dos próprios cidadãos dos países envolvidos. Estes não são apenas a Rússia e a Ucrânia, mas todos os países da OTAN, num grau maior ou menor e os países dos BRICS, quer como membros, quer como associados.
Trata-se portanto de uma guerra mundial, como tenho dito desde o príncípio. Continuada em todos os teatros bélicos, com confrontos de imperialistas ou de seus «próxis», com os países ou grupos que ofereciam resistência. Mas, como guerra híbrida mundial, envolveu muitos outros países, devido aos efeitos directos ou indirectos de sanções, mormente da iniciativa dos EUA e seus aliados. Um jornal médico muito prestigiado, «The Lancet», estimava num editorial, que o efeito cumulativo de sanções e embargos (ações ilegais, segundo a lei internacional), embora aparentando ser de âmbito económico, tinham causado 35 milhões de mortes desde há 40 anos. A maior parte das pessoas não tem ideia dos efeitos, quando os sistemas de saúde, de saneamento, de abastecimento alimentar ou em água, ficam parcial ou totalmente afetados. Por exemplo, uma epidemia de disenteria pode matar mais gente do que bombardeamentos (os dirigentes que decretam essas sanções sabem-no muito bem). Trata-se portanto de métodos de guerra, dos mais cruéis e eficazes, além de ilegais, face à lei internacional. Eles dirigem-se claramente à matança de inocentes. É esta política de sanções que o orgulhoso Ocidente tem para «oferecer» aos outros, especialmente aos países mais frágeis.
sábado, 10 de outubro de 2026
CHUCK BERRY - PEQUENA HOMENAGEM PESSOAL (Segundas-f. musicais nº79)
[ver notas/comentários, em baixo]
sexta-feira, 9 de outubro de 2026
O VALOR EFETIVO DO DINHEIRO: Exemplo do «NAPOLEÃO 20 FRANCS; OURO»
Uma peça de 20 Francs ouro, da época de Napoleão 1º contém 5,805 gr, de ouro puro. O seu valor em euros, à cotação de hoje (dia 09/10/2026), seria equivalente em poder de compra, a 696,6 €.
O mesmo tipo de cálculo pode ser efectuado com qualquer outra moeda de ouro ou de prata, cujo teor em metal precioso seja conhecido.
No vídeo abaixo, verificamos que, embora as condições do povo trabalhador não fossem ideais no início do séc. XIX, teria condições de vida não muito piores que as de hoje em dia.
Porque a realidade da inflação nestes últimos anos, em França e em toda a UE, tem sido muito superior àquilo que as estatísticas oficiais contabilizam.
A perda cumulativa do poder aquisitivo de salários e pensões, está na origem do mal-estar e da revolta entre a juventude que hoje se manifesta. Nunca nos dizem, porém, na média corporativa, quais os factores subjacentes às manifestações: A causa imediata pode ser a incapacidade do sistema de ensino público e de saúde pública de satisfazerem os critérios de qualidade a que a população está habituada. Mas, esta degradação tem a ver com o sub-financiamento crónico por parte do Estado.
Este lento estrangular da classe trabalhadora, tirando-lhe as condições mínimas duma vida decente, tanto pela desvalorização (não contabilizada) dos salários e pensões, como da degradação dos serviços públicos mais diversos de que são utentes, é devido a uma continuada política neo-liberal. Concretamente, trata-se duma política congeminada para garantir os lucros das empresas e aos seus accionistas, sem contemplações em relação aos extractos pobres, ou mesmo médios, da população.
O sistema monetário, pilotado pelo BCE, com a concordância dos principais atores políticos da Europa do capital, fica posto a nu. Desfazem-se as ilusões das pessoas de boa fé, que têm acreditado na propaganda dos governos da UE e da Comissão de Bruxelas. Com efeito, o mal-estar, que se traduziu agora pela explosão que presenciamos em França, está presente em praticamente todos os países da UE. O facto de não se ter manifestado noutros países de forma tão enérgica como em França, não significa de modo nenhum que essas populações estejam satisfeitas ou conformadas. É claro que se trata duma política coordenada para todo o espaço político-económico da União Europeia.
Quem tiver dúvidas de que um dos principais instrumentos de exploração é a manipulação do valor real (= poder aquisitivo) das divisas (= do dinheiro), pode constatar, fazendo os seus próprios cálculos, os seus rendimentos e os custos dos principais itens de despesa, ao longo da sua vida.
O intervalo de duzentos e mais anos, que apresenta o vídeo, não nos pode dar a comparação com as situações de hoje, pois muitas das mercadorias hoje disponíveis não existiam, ou não faziam parte do cabaz de compras dos cidadãos de há 200 anos.
Aconselho, portanto, os leitores a fazerem as contas utilizando como intervalo de tempo os últimos 20 anos (ou 25 anos, desde a entrada em circulação do euro), contabilizando seus rendimentos dessa altura e confrontando com o custo de vida, nos países respectivos .
quinta-feira, 8 de outubro de 2026
NESTA GUERRA GLOBAL ... [OPUS, VOL. IV; OBRAS DE MANUEL BANET]
Nesta guerra global queria ouvir o canto da cotovia
Queria ouvir as vagas no bordo do navio
E cheirar flores naturais nos caminhos campestres
Mas não posso, ou melhor, não quero
Não paro de me interrogar, noite e dia
Mas o que saíu mal, com nossa civilização?
O humano é um monstro disfarçado, afinal?
Para quê fazerem filhos, neste ocaso
De tudo o que existiu de bom e generoso?
Serei o último a julgar os irmãos e irmãs
Que se debatem dia-a-dia para o sustento
Para se manterem à tona neste maremoto
Não serei eu a indicar-lhes o caminho
Minha bússula avariou-se; seria vão
Procurar rumo nesta escuridão
A única esperança que nos resta
É resguardar entre nós o humano
Não esquecer nunca o que somos
A guerra global é feita pelos poderosos
Estes, já o sabem há muito tempo
Os pobres precisam aprender
E quando os povos o souberem,
Saberão libertar-se e construir
A paz, que só depende de nós
quarta-feira, 7 de outubro de 2026
CLARO QUE O SIONISMO É UM RACISMO!
Excerto de artigo de Natan Bear. Original em:
Em primeiro lugar, acreditar no sionismo, que defende o direito dos judeus a um Estado judaico, não é uma crença "pragmática" que exista fora de alguma ideologia supremacista racial, como sugerem alguns. É uma ideologia supremacista racial. Não se trata simplesmente da crença de que os judeus podem mudar-se para um lugar seguro e integrar-se nele, respeitando os seus costumes, práticas e instituições governativas. É a crença no estabelecimento de um Estado judaico com costumes, práticas e instituições próprias. Fundamentalmente, porém, é a crença de que os judeus deveriam poder criar um novo etno-estado com novas instituições onde JÁ EXISTEM pessoas. E, obviamente, isto não pode ser feito sem acreditar que as pessoas existentes são inferiores e, portanto, que os judeus têm o direito divino de as substituir, às suas culturas, práticas e instituições. O racismo está intrínseco à própria lógica disto! Não se pode deslocar e promover a limpeza étnica de um povo já existente numa área geográfica, de forma não racista! Isto seria verdade tanto se um Estado judaico fosse criado na Palestina, como na Mongólia Exterior. Não se pode, como O. parece acreditar, ter um sionismo, que não seja à custa de outro povo. A não ser que se pretenda estabelecer um Estado judaico na Lua, o sionismo, por necessidade e definição, exige limpeza étnica. Portanto, é patentemente racista. Os líderes do Partido Verde (no Reino Unido) deveriam estar a defender estes pontos e a exigir que os opositores expliquem como a limpeza étnica não é racismo, em vez de se submeterem pateticamente a uma indignação fabricada, criada para proteger um projecto colonial genocida.
J. aplica também uma teoria de "autodeterminação" ao sionismo, ligando-o mais directamente às lutas gerais pela independência empreendidas por outros grupos étnicos ou religiosos. Outros sionistas, nos últimos dias, usaram exactamente esta palavra para defender e justificar o sionismo e Israel, tal como o deputado do Partido Verde, Adrian Ramsey, que disse opor-se à moção por esta contrariar sua crença na autodeterminação judaica.
Consciente ou inconscientemente, o conceito de “autodeterminação”, no contexto de um Estado judaico, está a ser totalmente mal utilizado. Historicamente, o conceito de autodeterminação tem sido aplicado a grupos minoritários, que vivem sob o domínio violento e opressor de uma maioria e que insistem na sua independência, em relação a esse domínio. Fundamenta-se e é delimitado por imperativos morais claros relativos ao sofrimento dos oprimidos sob o jugo dos seus opressores. Os judeus nunca viveram sob o domínio opressor da maioria palestiniana! Viveram, em diferentes épocas, sob regimes opressivos e discriminatórios a milhares de quilómetros de distância, na Europa Ocidental e Oriental. E, obviamente, foram os europeus que cometeram assassinatos em massa contra judeus, não foram os palestinianos. Não existe o direito à “autodeterminação” em território alheio e contra pessoas que não lhes fizeram qualquer mal. Não é apenas ilógica, é uma noção obscena que justificaria qualquer grupo oprimido a deslocar-se para qualquer parte do mundo e a promover a limpeza étnica de quem quisesse, sob a justificação de que, algures, em algum momento, sofreram discriminação. A autodeterminação em terras alheias, é uma perversão moral de uma ideia fundamentalmente justa e digna.
O povo a quem a ideia de autodeterminação se aplica da forma mais óbvia e lógica são os palestinianos. São discriminados, abusados e assassinados em massa com base na sua etnia, nas suas próprias terras, pelo domínio injusto da maioria de um grupo étnico diferente. As suas terras foram roubadas e as suas instituições destruídas e substituídas por invasores coloniais. Estes invasores coloniais cometeram genocídio contra eles.
É difícil saber se o debate em torno do sionismo é conduzido como uma farsa deliberada ou se é reproduzido como resultado de ignorância aprendida. Grande parte dele é certamente oportunista. Ou seja, as pessoas que conhecem as origens supremacistas (racistas) do sionismo fingem que se trata de um projecto nobre de autodeterminação, porque são sionistas que procuram manter o status quo. E as pessoas que desconhecem as origens supremacistas (racistas) do sionismo não querem saber, porque não desejam destruir a sua mundividência supremacista judaico-cêntrica. De qualquer modo, seja por ignorância deliberada ou aprendida, existem fortes motivações para sustentar ficções sobre o que o sionismo realmente é e representa.
Outra complicação significativa é que muitas pessoas acreditam, inocentemente, como resultado de uma lavagem cerebral cultural e educacional, que o sionismo surgiu completamente formado a partir do Holocausto. Que os judeus, procurando segurança após a Segunda Guerra Mundial, exigiram um Estado e a ONU prontamente o concedeu em 1948. Poucos sabem que o sionismo emergiu como uma ideologia etno-nacionalista, quase cem anos antes disso e foi concebido como uma ideologia explicitamente colonialista de povoamento.
Sionismo Primitivo
Um dos primeiros pensadores nacionalistas judeus, Moses Hess, publicou "Roma e Jerusalém" em 1862, obra na qual defendeu o colonato judaico na Palestina. Em 1896, o organizador e teórico sionista Theodor Herzl escreveu "O Estado Judeu", de que uma secção inteira se intitulava "A Ocupação da Terra". Herzl declarou que "os judeus conquistarão a Palestina", prevendo que "a infiltração judaica acabará certamente mal" devido à resistência palestiniana. Outro proeminente sionista judeu do século XIX, Ben-Yehuda, escreveu que "existem agora apenas quinhentos mil árabes, que não são muito fortes e dos quais tomaremos facilmente o país". O sionista do início do século XX, Vladimir Jabotinsky é frequentemente considerado um dos pais do sionismo. Chamou repetidamente ao colonato judaico na Palestina “colonização”, enquanto o primeiro-ministro de Israel, David Ben-Gurion, em 1937 descrevia a Palestina como “contendo um vasto potencial de colonização que os árabes não precisam, nem estão qualificados para explorar”. Disse que os judeus se estabeleceriam na Palestina “através do acordo e entendimento com os árabes, ou por outros meios”. O outro meio a que se referia, era a violenta limpeza étnica que ele próprio acabou por dirigir. O sionismo surgiu muito antes de 1945 e foi explicitamente descrito pelos judeus sionistas como um projecto de colonização. Não é preciso grande esforço para conhecer estes factos, pelo que é necessário concluir que são simplesmente ignorados, tanto por supostos aliados como por inimigos da Palestina, por conveniência dos interesses e sensibilidades sionistas.
E agora, 150 anos depois de o sionismo ter surgido como uma ideologia explicitamente colonizadora, o Estado judaico cometeu um genocídio e devemos acreditar que o genocídio pode, de alguma forma, surgir materialmente de um Estado não racista. Outro absurdo. Só o racismo produz genocídio. Só o racismo produz uma sociedade de apartheid que deseja realizar uma limpeza étnica de dois milhões de pessoas. As ruínas de Gaza são a descrição visual perfeita do que o sionismo, enquanto ideologia, sempre representou.
Imagem: Como tudo está mais claro do que nunca, o que começamos a ver é um esforço para reabilitar o sionismo. Começamos a assistir a um esforço para separar Israel da sua ideologia subjacente, de modo a reintegrá-lo discretamente na sociedade imperial polida. Os liberais detestam que os direitos palestinianos, o genocídio, o apartheid e o sionismo se tenham tornado temas eleitorais. Daí esta indignação com a moção dos Verdes, que será utilizada para tentar destruir o partido, tal como Corbyn e o seu movimento foram destruídos por uma falsa histeria anti-semita. Daí Mamdani e as suas traições e as reacções de raiva, mesmo entre os chamados esquerdistas, às pessoas que denunciam esta reabilitação. No outro dia, estava no centro disto quando Hasan Piker, uma personalidade multimilionária das redes sociais com a capacidade intelectual de uma esponja marinha, me atacou e tomou o partido de um sionista israelita por causa das minhas críticas a Mamdani. Na sua transmissão em direto, Piker, que há poucos meses era um crítico acérrimo dos sionistas, disse estar feliz por ter fãs nas Forças de Defesa de Israel (IDF). Piker tem mais de 5 milhões de seguidores nas suas plataformas de redes sociais e agora eles estão a ouvir que os soldados que cometeram genocídio, não só podem ser reabilitados, como também podem ser incluídos num movimento de esquerda.
Piker está a promover um liberalismo intransigente, sem princípios e falhado.
Está a promover o liberalismo social-democrata falhado que, em primeiro lugar, produziu um genocídio.
Ele está a promover um liberalismo genocida.
Intelectualmente, tanto Piker como os dirigentes do Partido Verde estão a demonstrar na prática, o que significa ter a mente aberta como uma ferida aberta. A confusão e o sangramento de posições contraditórias na vã busca de legitimidade num sistema democrático liberal.
Mais uma vez, vemos porque é que o progresso genuíno e a justiça são impossíveis dentro dos limites da democracia liberal.
Isto não significa que a moção dos Verdes tenha sido má. Longe disso. Ajuda a aguçar as contradições, expõe as fraudes performativas e cria uma tensão útil ou mesmo destrutiva, que abre novos caminhos para a mudança.
Mas, enquanto sistema para a mudança material, a democracia liberal, se não esmaga as melhores intenções e as vozes mais íntegras, subjuga-as e redirecciona-as para os seus próprios fins.
Na maioria das vezes, porém, como sistema concebido para sustentar o imperialismo capitalista, simplesmente promove sionistas, capitalistas e neofascistas ou fascistas de facto.
É por isso que só os futuros revolucionários permitirão que uma verdade evidente seja orgulhosamente declarada por todos: o sionismo é racismo.
E só em futuros revolucionários a Palestina será livre.
PS: ler o artigo de Jonathan Cook
https://jonathancook.substack.com/p/no-state-has-a-right-to-exist-least?utm_source=share&utm_medium=android&r=9hbco






