domingo, 1 de novembro de 2026

SE EU CANTO É POR CANTAR (OBRAS DE MANUEL BANET; OPUS. VOL IV)



 Canto desde a alma sem saber a quem

Nem quando, nem porquê.  Só alguns sabem

E esses, meus irmãos e irmãs, são animais

São capazes de intuir pelo som da voz

Se estou alegre ou triste, furioso ou sereno


Se sofro pelo passado, não tenho outro remédio 

Senão cantar, sussurrando enquanto caminho

Pelas ruas e praças que já não reconheço 

São cópias grotescas e rutilantes 

Das que guardo em memória 


Tenho de me concentrar para rever

Essas paisagens interiores que habito 

São a moldura mental dos retratos

Dos antepassados que me habitam

Sem romancear, construo o universo

Intemporal de presente-passado

Ignorando as modas, as vaidades


Porque afinal, eu canto o amor

Impossível das emoções e enganos

Das desilusões e viagens partilhadas

Canto o passar do tempo que me resta

Não procuro seduzir nem ser seduzido


Se morte não me espanta é porque

Já vivi neste mundo, demasiado


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(Murtal, Parede 01 /11/ 2026)