segunda-feira, 6 de abril de 2026

O QUE SE ESPERA DAS FORÇAS POLÍTICAS E SOCIAIS CONTRÁRIAS A ESTA GUERRA E AO AUTORITARISMO?

- Estamos em guerra, é a IIIª Guerra Mundial. 

- Esta evidência, infelizmente, toda a gente a tem, hoje. Porém, eu já tinha esta noção de que estávamos numa IIIª Guerra Mundial, desde 1999 e do ataque da OTAN (ilegal face à Lei Internacional), contra a Sérvia; a chamada guerra do Kosovo. 

A quantidade de «palcos» de confronto violento multiplicaram-se, é impressionante. A maioria concentra-se no Médio Oriente. Muitas guerras atuais estão no prolongamento de guerras que já vêm do século XX (e algumas, desde o final da 1ª Guerra Mundial). 

O que os ocidentais têm tido como «desenvolvimento», não é senão a continuidade da exploração colonial, e depois ex-colonial. Claro que as pessoas que beneficiam de uma situação de abundância e privilégio, vão dizer que ela se deve ao seu mérito próprio. Os ocidentais pensam-se como civilização superior, com um nível de desenvolvimento maior que as outras partes do globo. Mas isto é falso, duplamente:

- A maneira como podemos medir o grau de civilização é, antes de mais, como os cidadãos de um determinado espaço civilizacional reagem em defesa dos valores da civilização onde estão banhados. Os ocidentais pretendem ser democráticos e viver em democracias. Mas, logo que algo se torne menos confortável para eles, abandonam - na prática - os princípios democráticos. Logo que se verifica uma corrente emancipatória dos oprimidos doutras partes do Globo ou até de seu próprio país, deixa de haver democracia. 

A repressão feroz aos movimentos emancipatórios de ex-colónias, em África, na Ásia e na América Central e do Sul,  mostrou a «democracia» deles, oligarcas e seus lacaios, os governos ocidentais. Igualmente, em relação à classe operária, ou pessoas em rutura política dos sistemas ditos democráticos, verificaram-se episódios de uma violência inultrapassável. 

Os sucessivos crimes contra a humanidade da parte do governo sionista de Israel tiveram o aplauso de muitos e o silêncio envergonhado de outros. O mesmo se está a passar hoje, com o Líbano e com o Irão. 

Outra medida do estádio civilizacional é a procura dde saber e compreender as ideias, os costumes, o modo de ser e pensar dos outros povos. Porém, na sociedade ocidental atual, não existe sequer tolerância para outras etnias, outras culturas, outros modos de estar. Quanto muito, existe condescendência em relação às formas de cultura dos «não-ocidentais», um reflexo do colonialismo:  O civilizado ignora as formas artísticas, filosóficas e científicas de outras culturas, não as percebe nem tenta fazê-lo, ele ignora as histórias das sociedades extra-europeias respectivas.  

O nacionalismo tornou-se a forma estereotipada de rejeição do outro. Esta visão foi incutida pelos elementos mais retrógados e opressores das classes oligáriquias ocidentais, como forma de impedir a solidariedade com povos coloniais ou ex-coloniais e os povos que foram, num certo momento histórico, seus colonizadores. Este racismo e colonialismo das mentalidades ocidentais, permite que a oligarquia desvie de si própria a raiva e frustração dos explorados. Canaliza este ódio em direção aos outros povos, sobretudo aos emigrantes.

A natureza da Guerra Mundial é de um processo contínuo do aumento de tensões, provocações e das várias formas de guerra : Económica, com as sanções, ou subversão dos países inimigos ou ainda, isolamento diplomático, bloqueio e, por fim, guerra dita «cinética».

A lenta, mas inexorável, erosão das liberdades dentro dos países que se afirmam como «democracias», acompanha a marcha em direção à guerra. O empobrecimento das populações, a diminuição drástica dos orçamentos sociais dos Estados, vai de par com o reforço - em efetivos e em equipamentos - das forças armadas e policiais, em prevenção de prováveis insurreições. 

Tudo é feito para intimidar as pessoas. São arbitrariamente perseguidas pessoas que tiveram a coragem de denunciar as derivas autoritárias, sem terem - no entanto - feito nada contra as leis, apenas exercendo o seu direito à livre palavra, ao pensamento crítico. As leis e atuações dos Estados, também vão sendo transformadas com vista ao controlo social total.

O totalitarismo não se instaura,  necessariamente, por um golpe de Estado ou uma subversão brusca da ordem constitucional. Existem bastantes exemplos que mostram o deslisar de Estados: Eles aparentam ser  democráticos, mas são Estados onde a democracia verdadeira desapareceu, ou seja, restam leis  e constituições democráticas, sem qualquer relação com a realidade, pois estão constantemente a ser pisadas, pelas próprias entidades que tinham o dever de defendê-las.

A inadequação das pessoas e das organizações para enfrentar e combater este «fascismo deslizante», é trágica: Ela configura a incapacidade dos líderes em verem o presente tal como ele é. Alguns estão imbuídos de modelos históricos, que os impedem de captar o que a situação tem de inédito. 

É preciso e urgente uma viragem para nova visão da política. O objetivo deve ser  construir uma organização flexível, para combater o autoritarismo, que abafa e acaba por estrangular os elementos de democracia ainda presentes em nossas sociedades. Sem auto-censura, nem anátemas, deve-se agrupar, de forma ampla, as numerosas pessoas, as diversas forças sociais e políticas, realmente interessadas em impedir que um regime autoritário se instale.



Sem comentários: