terça-feira, 21 de abril de 2026
PARA QUE SERVEM AS CONSTITUIÇÕES?
segunda-feira, 6 de abril de 2026
O QUE SE ESPERA DAS FORÇAS POLÍTICAS E SOCIAIS CONTRÁRIAS A ESTA GUERRA E AO AUTORITARISMO?
- Estamos em guerra, é a IIIª Guerra Mundial.
- Esta evidência, infelizmente, toda a gente a tem, hoje. Porém, eu já tinha esta noção de que estávamos numa IIIª Guerra Mundial, desde 1999 e do ataque da OTAN (ilegal face à Lei Internacional), contra a Sérvia; a chamada guerra do Kosovo.
A quantidade de palcos de confronto violento multiplicaram-se, é impressionante. A maioria concentra-se no Médio Oriente. Muitas guerras atuais estão no prolongamento de guerras do século XX (e algumas, desde o final da 1ª Guerra Mundial).
O que os ocidentais têm tido como «desenvolvimento», não é devido senão à continuidade da exploração colonial, e depois ex-colonial. Claro que as pessoas que beneficiam de uma situação de abundância e privilégio, vão dizer que ela se deve ao seu mérito próprio. Os ocidentais pensam-se como civilização superior, com um nível de desenvolvimento maior que as populações doutras partes do globo. Mas isto é falso, sem dúvida, por dois motivos:
- A maneira como podemos medir o grau de civilização é, antes de mais, como os cidadãos de um determinado espaço civilizacional reagem em defesa dos valores da civilização onde estão banhados. Os ocidentais pretendem ser democráticos e viver em democracias. Mas, logo que algo se torne menos confortável para eles, abandonam - na prática - os princípios democráticos. Logo que se verifica uma corrente emancipatória dos oprimidos noutras partes do Globo, ou até em seu próprio país, deixa de haver democracia.
A repressão feroz aos movimentos emancipatórios de ex-colónias, em África, na Ásia e na América Central e do Sul, mostrou a «democracia» deles, dos oligarcas e seus lacaios nos governos ocidentais. Igualmente, em relação à classe operária ou pessoas em rutura política com os sistemas ditos democráticos, verificaram-se episódios de uma violência inultrapassável.
Os sucessivos crimes contra a humanidade do governo sionista de Israel receberam o aplauso de muitos e o silêncio envergonhado de outros. O mesmo se está a passar hoje, com o Líbano e o Irão.
Outra medida do estádio civilizacional, é procurar saber e compreender as ideias, os costumes, o modo de ser e de pensar dos outros povos. Porém, na sociedade ocidental atual, não existe sequer tolerância para com outras etnias, outras culturas, outros modos de estar. Quanto muito, existe condescendência em relação à cultura dos não-ocidentais, um reflexo do colonialismo: O civilizado ignora as formas artísticas, filosóficas e científicas de outras culturas, não as percebe, nem tenta fazê-lo, ignora as histórias das sociedades extra-europeias respectivas.
O nacionalismo tornou-se a forma estereotipada de rejeição do outro. Esta visão foi incutida pelos elementos mais retrógados e opressores das classes oligáriquias ocidentais, como forma de impedir a solidariedade com povos coloniais ou ex-coloniais, dos povos que pertenceram, num certo momento histórico, às nações colonizadoras. Este racismo e colonialismo das mentalidades ocidentais, permite que a oligarquia desvie de si própria a raiva e frustração dos explorados. Canaliza este ódio em direção a outros povos, sobretudo aos emigrantes.
A natureza desta Guerra Mundial é tal que desenrola-se num processo contínuo de aumento de tensões, provocações e das várias formas de guerra : Económica, sanções, a ingerência/subversão nos países inimigos, o isolamento diplomático, o bloqueio e, por fim, a guerra dita «cinética».
A lenta e inexorável erosão das liberdades nos países que se afirmam ser «democracias», acompanha a marcha em direção à guerra. O empobrecimento das populações, a diminuição drástica dos orçamentos sociais dos Estados, vai de par com o reforço - em efetivos e equipamentos - das forças armadas e policiais, em prevenção das prováveis insurreições. As pessoas que criticam a deriva autoritária, sem terem - no entanto - feito nada contra a lei, apenas exercendo o seu direito à livre palavra, ao pensamento crítico, são perseguidas, sujeitas a sanções extra-judiciais: Confirma-se deste modo a morte do Estado de Direito, do respeito pela legalidade constitucional. As leis e atuações dos Estados, também vão sendo transformadas, com vista a "legalizar" uma sociedade de controlo social total.
O totalitarismo não precisa de ser instaurado, necessariamente, por um golpe de Estado, ou pela subversão brusca da ordem constitucional. Existem vários exemplos que mostram o deslisar para o fascismo, dos Estados: Eles aparentam ser democráticos, mas são Estados onde a democracia verdadeira desapareceu, ou seja, restam as leis e as constituições democráticas, mas sem qualquer tradução na realidade, pois estão constantemente a ser pisadas, pelas próprias entidades que tinham o dever de defendê-las.
A inadequação das pessoas e das organizações para enfrentar e combater este «fascismo deslizante», é trágica. Na realidade, reflete a incapacidade dos líderes em ver o presente tal como ele é. Alguns, estão imbuídos de modelos históricos caducos, que os impedem de captar a essência da situação atual, inédita.
É preciso e urgente uma viragem em direção a uma nova visão política. O objetivo deve ser de construir uma organização flexível, para combater o autoritarismo, que abafa e acaba por estrangular os elementos de democracia, que ainda estão presentes nas nossas sociedades. Sem auto-censura, nem anátemas, deve-se agrupar de forma ampla, as numerosas pessoas, nas diversas forças sociais e políticas, realmente interessadas e desejosas, em impedir que um regime autoritário se instale.
domingo, 26 de janeiro de 2025
JORNALISTAS SÃO PRESOS E PERSEGUIDOS POR DIZEREM O QUE SE PASSA EM GAZA
O site menciona o seguinte:
A detenção ocorreu depois de Abunimah ter chegado a Zurich para uma série de conferências.
Quando chegou ao aeroporto de Zurich na sexta-feira, Abunimah foi interrogado pela polícia durante uma hora, antes de ser autorizado a entrar no país.
A detenção de Abunimah aparenta fazer parte da onda de repressão dos governos ocidentais contra as expressões de solidariedade com o povo da Palestina.
A jornalista australiana Caitlin Johnstone publicou na sua página um artigo sobre o caso:
Multiplicam-se os casos de reporters arbitrariamente detidos, interrogados e condenados a prisão, apenas por fazerem o seu trabalho. A hipocrisia dos governos ocidentais atingiu o cúmulo: Continuam a fabricar leis anti-constitucionais nos seus países, para «justificar» legalmente estes atos, em tudo contrários aos Direitos Humanos, que eles dizem defender. Os manifestantes em solidariedade com o povo de Gaza, sofrendo genocídio, têm sido apelidados de «terroristas», reprimidos violentamente e presos, por exercerem pacificamente o seu direito de manifestação e expressão das suas opiniões.
Como tenho dito neste blog, assistimos (desde há algum tempo) à instalação de um clima de terror contra os dissidentes, desencadeado pelos próprios governos coniventes com os massacres.
Estes estão realmente a violar a legalidade internacional ao fornecerem armas ao Estado Israelita quando este leva a cabo uma campanha genocida, há um ano e 4 meses em Gaza e nos Territórios ocupados da Margem Ocidental, assim como invasões de Estados vizinhos, nomeadamente, no Sul do Líbano e no alargamento da ocupação ilegal dos Montes Golã, que pertencem à Síria.
RELACIONADO:
HÁ DEMASIADAS EVIDÊNCIAS DE GENOCÍDIO DOS PALESTINOS POR ISRAEL
sábado, 12 de junho de 2021
A CAPA DE ESQUERDA QUE NOS CONFUNDE
O MEDO é raramente algo que nos induza a ter comportamentos racionais. Quando alguém opera impulsionado pelo medo, tem tendência a tomar decisões terríveis e a apoiar causas e leis opressoras. As pessoas amedrontadas também tendem a juntar-se em largas multidões, formadas com outras pessoas, como elas amedrontadas: Assim, sentem-se mais seguras e anónimas, no meio da massa. Assim também, poderão atuar, impulsionadas pelo medo, sem terem que pagar pelas consequências dos seus atos.
As mesmas pessoas que estão sob o domínio do medo, são - quase todas - das classes que têm sido atacadas e submetidas pelo neoliberalismo, nestes últimos decénios. São pessoas que perderam a segurança no emprego, a capacidade de levar a cabo uma vida normal, de conservar o poder de compra que tiveram no passado. Em suma: São massas destituídas da capacidade de resistir às crises, de enfrentar os tempos difíceis. Por isso, têm medo. Mas, o seu medo exprime-se de modo irracional, manifesta-se em termos de pânico.
Não são pessoas com treino de análise racional e crítica, que saibam distinguir e desmascarar a trapaça, a demagogia, o apontar de bodes expiatórios, e de todas as demais artimanhas da oligarquia dominante e de seus vassalos e prostitutos, em lugares de poder.
A fúria destruidora, motivada em primeiro lugar pelo medo, é convenientemente desviada pela propaganda insidiosa da media, dos políticos demagogos e reforçada pelos preconceitos ancestrais. A designação do inimigo, tanto externo como interno, nunca corresponde ao perigo real: São sempre os outros povos, «os russos», «os chineses», ou outra religião, o «islamismo»; ou ainda, etnias diferentes que «invadem» o país, mas que, afinal, são pobres imigrantes com salários miseráveis, que trabalham como escravos.
Ora, convenientemente, uma «esquerda bem-pensante», tem sempre feito a ginástica necessária para parecer estar contra os poderes dominantes mas, em simultâneo, iludindo as massas que nelas acreditam. Trata-se de fenómeno religioso, de fé na salvação. Os dirigentes políticos e sindicais especializaram-se em dirigir seus adeptos para pseudo-lutas, intencionalmente sem hipótese real de sucesso.
Os dirigentes e os quadros mais importantes desses partidos de esquerda, têm grande ambição de poder, que disfarçam com belas palavras de «servir o povo», etc. Sabem disfarçar suas traficâncias para alcançar e se manterem no poder. Os militantes estão sob hipnose. É para isso que servem as palavras de ordem, os rituais dos comícios, propriamente religiosos, mesmo sem Deus. Os adeptos estão condicionados a reagir perante os estímulos fornecidos pela elite partidária: não pensam. Não precisam de pensar mas, somente, de ter uma fé infinita nos líderes, reproduzindo preconceitos de toda a ordem.
Não são diferentes, na verdade, dos fanáticos nazis ou fascistas, deste século e do século passado. São feitos da mesma massa. Os slogans são diferentes, as cores e os símbolos, também. Mas, os objetivos são os mesmos. Eles não suspeitam sequer disso. Por debaixo das retóricas de emancipação das classes trabalhadoras, está a verdadeira motivação: A propulsão da casta dirigente partidária ao poder. Uma vez no poder, fazem exatamente o que outros fizeram: Irão favorecer (discretamente) os que lhes forneceram os fundos, usando uma retórica mais ou menos «audaciosa», mas só para iludir o povo fiel.
Ao fim e ao cabo, serão os serventuários mais eficazes do grande capital, das forças mais reacionárias, dos imperialismos: porque estes precisam de atores que mantenham a ficção da democracia representativa, que desempenhem o papel de defensores dos oprimidos, dos explorados, com algum grau de verosimilhança.
Os esquerdistas são de tendência autoritária, quase todos: Têm uma visão destorcida da democracia. Acham que 51% dos votos para um dado partido ou coligação, legitima que os eleitos façam tudo, como se os 49% eleitoralmente derrotados, não tivessem diretos, não tivessem voz na matéria. O que -obviamente- é uma completa negação da nossa constituição e das leis. Também é negação de um conceito realmente democrático. Mas isso não lhes importa muito, pois são eles que fazem a lei, são eles que são a legalidade, são eles que decidem o que é ou não, legal e legítimo.
Viu-se e vê-se em Portugal e noutros países europeus, ditos democráticos:
- O espezinhar a constituição, decretando um «estado de emergência», em violação flagrante do que diz a constituição sobre as condições exigidas para tal.
- Produção pelo governo de legislação avulsa, criminalizando pessoas que pacificamente apenas desejam continuar a exercer sua atividade, como comerciantes.
- Imposição da absurda obrigatoriedade de máscara, mesmo ao ar livre, na rua.
- Negação da liberdade de informar e ser informado sobre a verdadeira biologia do vírus SARS-Cov-2, sobre a verdadeira ciência epidemiológica, sobre as boas práticas terapêuticas, deixando morrer milhares de pessoas que poderiam ter sobrevivido e ficado curadas, se tivessem sido aplicadas terapêuticas comprovadas, tudo isso para favorecer o cartel das grandes farmacêuticas...
- Para culminar, a vacinação forçada (hipocritamente) pois as pessoas não poderão fazer nada senão ficarem em eterno confinamento, caso recusem ser vacinadas e o passaporte «sanitário»...
- E perante esta sucessão de atropelos e violações das liberdades e direitos, o que fazem os partidos de esquerda? O que fazem eles -realmente - para defender os oprimidos, os que ficam com a vida numa catástrofe, de um momento para o outro? O que fazem para impedir a supressão do Estado de Direito, com a instalação de um Estado de arbítrio, de ditadura sobre o povo?
- Têm sido eles os mais zelosos cumpridores e, por vezes, os mais entusiastas proponentes destas medidas!
Este comportamento é grave e traz consequências.
. A primeira das quais, é que as forças políticas de esquerda serão relegadas para as margens, como forças residuais.
. Outra, será a impossibilidade de se contar com estas forças, imbuídas de padrões autoritários, para combater as tentativas oligárquicas de impor a Nova Ordem Mundial.
. Quem não percebe, ou não quer perceber, o facto fundamental, de que elas estão apostadas em impor seu modelo distópico, malthusiano, eugenista, neofeudal, em que poderá contribuir para a resistência a tal estado de coisas?
. Será necessária uma outra consciência cívica e ética, distante dos modelos autoritários, de «esquerda» ou de «direita».
Por enquanto, ainda não verifico - apesar de manifestações em vários pontos do globo - o advento dum novo modo de fazer política. Acredito que ele virá e que será realmente a grande novidade, o polo emancipatório no século XXI.
Esse momento - creio - ainda não chegou. Porém, a minha esperança reside no facto das oligarquias terem projetos megalomaníacos, como - no seu tempo - os de Napoleão e Hitler. Mas, tais projetos, pela sua própria natureza e pela «húbris» dos seus líderes, estão destinados a falhar.
