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quarta-feira, 1 de abril de 2026

PORQUÊ A COTAÇÃO DO PETRÓLEO EM YUAN É UMA MUDANÇA SISTÉMICA?

 Todos nós sabemos como é extravagante e mutável o temperamento do (ainda) Presidente dos EUA. As decisões que saem diretamente da sua cabeça, a maioria delas é influenciada pelas pessoas que o rodeiam. Que estas pessoas sejam muito ricas e tenham interesses que divergem muitíssimo do americano comum, está para além de qualquer dúvida. É um sistema oligárquico. Como sistema de governo, não existe nada mais repugnante e -sobretudo - perigoso, para uma nação que ainda é a mais poderosa financeiramente e militarmente. Mas, este estatuto tem um fim, como tiveram todos os impérios no passado. Realmente, os dois pilares principais do poderio dos EUA sobre o Mundo estão fortemente postos em causa: a força militar, desafiada com sucesso pela resistência tenaz e a estratégia inteligente do Irão e dos seus aliados regionais. A hegemonia do dólar, posta em causa através de trocas em moedas locais, ensaiadas com grande sucesso pelos países dos BRICS. Num futuro próximo, a generalização do sistema de pagamento «M-BRIDGE» vai permitir uma expansão e agilização das trocas comerciais completamente fora do sistema SWIFT, controlado pelos EUA. Se houver dois sistemas em concorrência para os pagamentos internacionais, as sanções, armas de guerra económica consideradas ilegais, face à lei internacional, já não terão qualquer eficácia. O próprio sistema financeiro e económico, que durante oitenta anos permitiu que os EUA tivessem um défice comercial e orçamental crónico e cada vez mais acentuado, já não será sustentável. O vídeo abaixo explica em detalhe porquê, tal como outros artigos e vídeos, que tenho postado neste blog.

Páscoa em Paz Para Todos os Povos!

 


VEJA TAMBÉM COMO UMA «PIADA» INSULTUOSA DE TRUMP A MBS PODE SAIR-LHE MUITO CARA:


PS: Veja o vídeo seguinte:

 https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2026/03/o-fim-do-dolar.ht


VEJA TAMBÉM:

https://youtu.be/PceLdBNlKRU?is=8LNH44uR8HqyQQct

domingo, 1 de março de 2026

Crónica da IIIª Guerra Mundial [ nº56]: SERÁ ESTA A ÚLTIMA?

 Quando rebentou a 1ª Guerra Mundial, numerosos jovens recrutas estavam contentes: « Esta guerra será a última!» clamavam eles. Os propagandistas da guerra, de todas as nações e facções, reforçavam este mito. A guerra mais cruel e destruídora que a humanidade tinha visto, até então, acabou num «armistício». Mas, este «armistício» não deu azo a que se construísse uma verdadeira paz. Na verdade, o período de 20 anos entre as duas Guerras Mundiais, foi um longo «falso armistício», entrecortado por guerras e pela subida de forças totalitárias apoiadas em ideologias e em sentimentos de raiva, de «desforra», de nacionalismos e ódios étnicos. 

Mas, tudo isso era insuflado, discretamente, pelos grandes potentados industriais das nações maiores, os quais tinham consolidado os seus impérios graças à Iª Guerra e estavam desejosos por ver de novo as diversas nações escoar o sangue dos seus jóvens em amplos rios tingidos de vermelho. 

Eles- os industriais - sabiam que seriam eles os vencedores, quer fossem  alemães, britânicos ou americanos... Não esqueçamos que o grande capital já estava muito internacionalizado, nas décadas de 1920 e de 1930. As empresas industriais do aço podiam fornecer aço para fabricar blindados alemães, americanos, ou franceses. 

Os produtos das indústrias químicas eram produzidos numa nação, ou em várias, mas revertendo sempre o lucro para um número pequeno de grandes empresas e seus proprietários, que detinham as patentes destes produtos. 

A banca também lucrava, de várias maneiras, com a guerra: Receptadora de contas bancárias, intermediária em negócios multimilionários, emprestando (com juros) aos Estados endividados, etc.

Desta vez (como tenho escrito repetidamente), na «IIIª Guerra Mundial» não existe uma declaração de guerra, nem, por vezes, atos de hostilidade, continua a haver comércio, as embaixadas continuam abertas, em muitos casos. Mas, existe uma sucessão de guerras, cada uma delas trágica para os que nela estiveram envolvidos, desde a re-balcanização da ex-Jugoslávia, às guerras em África, ora no Norte de África, ora no Sul, no Leste ou Oeste. Nestas, os campos opostos estavam a ser armados por potências, das quais os países africanos foram ex-colónias, ou regimes neo-coloniais. Um cenário semelhante tem existido nas guerras da Ásia Ocidental e Central. Enquanto uma zona estava em pleno furor, noutra abrandavam os atos bélicos, sem garantia de não voltarem a reacender-se amanhã. 

- E os grandes poderes? Os que acumulam riqueza à custa dos outros povos, principalmente e que se serviram dos seus conhecimentos do estado interno daquelas nações, para colocar uns contra os outros, atiçando guerras civis, apoiando ou derrubando um ditador, mas para exclusivo proveito do seu domínio?

- As potências tecnológicas? Estarão elas «inocentemente» a desenvolver maravilhas microinformáticas, que depois são desviadas para fins bélicos? Ou são parte integrante do complexo militar-industrial dos países mais poderosos? São «unha com carne» com as indústrias armamentistas, que usam seus «chips» (processadores) e sua tecnologia informática, desde a espionagem, até aos mais sofisticados drones e mísseis ?

- E os bancos, que estão eles a fazer? Não creio que fiquem «de mãos cruzadas». Eles se posicionaram, desde há longo tempo, para dominar a cena internacional. Têm sido eles, os vencedores reais, quaisquer que sejam os vencedores nominais! Amshel Rotschild dizia: «não me interessa quem governa uma nação, desde que seja eu quem controla o seu banco central». Com efeito, através dos empréstimos, a grande banca tem as nações presas pelo mecanismo da dívida pública, sendo esta um tipo de empréstimo especial, cujos contratos são assinados pelos poderes políticos do momento; mas o pagamento recai sobre o povo desse país e mesmo, sobre seus descendentes. As pessoas e seus descendentes são  ignorantes e não-participantes em tais negócios. Mas, são sempre eles que pagam (com juros) os empréstimos para as guerras.

E por falar em pagar... Já viram que os povos estão a contribuir para acções militares para as quais nunca foram consultados? Quem diria que a questão da guerra e da paz, certamente  questão da maior relevância política, nunca é discutida publicamente, seriamente, com candidatos que têm uma clara visão sobre o assunto e com posições afirmadas nos órgãos legislativos? É como se o povo... não fosse chamado para o assunto. 

A «questão da guerra», dizem os dirigentes entre si, «não deve nunca ser discutida pelo povo, especialmente quando as nações se preparam para a fazer»!

Enquanto as pessoas viverem numa infância prolongada, pela irresponsabilidade e mantida pelo circo eleitoral e «democrático», continuará a haver guerras...

Como dizia Einstein, «Não sei, ao certo, como será combatida a IIIª Guerra Mundial, mas a IVª sei: Será combatida com pedras e paus». 


Haverá ou não mais guerras?

- A questão desdobra-se em duas alternativas: Consoante o futuro se assemelhe mais a uma ou a outra, assim teremos, ou não, guerras.

A) A cidadania dos diversos países toma controlo dos assuntos políticos, tendo poder de decisão democrática em tudo o que respeita às nações respectivas. 

A guerra torna-se impossível porque, naturalmente, as contendas serão resolvidas diplomaticamente, à mesa de negociações, nunca no terreno de batalha, pois os povos sabem perfeitamente que esta última hipótese nunca traz resolução justa verdadeira.


B) A cidadania dos diversos países continuará a seguir os líderes do momento, os quais serão, na verdade, os paus-mandados das grandes fortunas (industriais, financeiras, tecnológicas...). Continuará a haver guerras. Porque a lógica do poder fará com que a guerra continue sendo um negócio muito lucrativo para esse mesmo poder.

Vemos que o futuro está nas nossas mãos. Além disso, somos todos/as responsáveis pelo que se está a passar. Quer tenhamos apoiado ou não os atuais dirigentes políticos, a nossa responsabilidade é de não permitir que as nações continuem a recorerr à violência maior de todas, ao crime mais hediondo, para resolver suas contradições. A nossa abstenção - não no voto, mas na ação - é, afinal de contas, conivência com o que se está a passar. Independentemente de apoiarmos, ou não, um dos lados em contenda. 

Porquê? Porque os cobardes que nos (des)governam só conseguem chegar aos seus fins, se houver nossa anuência, nossa tolerância, nosso «deixar fazer». Reparem que, em situações passadas, relativamente próximas de nós: Vários governos foram obrigados a negociar acordos de paz com o outro lado, por pressão da opinião pública do seu país, mesmo quando a situação militar, só por si, não tinha chegado ao colapso.


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PS1: Tenho lido críticas sobre a «fraca resposta» da Rússia e da China em defesa da Venezuela ou, agora, do Irão:

As grandes potências que são a Rússia e  a China, não iriam cometer o erro de confrontar diretamente os EUA e a OTAN, para salvar um regime, por mais que - em termos geoestratégicos - seja importante. 

Com efeito, nem Irão, nem Coreia do Norte, nos seus acordos bilaterais com a Rússia, têm cláusulas que obriguem esta última a ir combater em defesa das primeiras, quando agredidas. O contrário acontece com o tratado da OTAN: Segundo o artigo 5º, quando atacada, uma nação da OTAN recebe automaticamente apoio militar das outras.
Os BRICS são um conjunto de nações que se reúnem para decidir sobre estratégias económicas, sobretudo. Não existe componente militar nos BRICS. A Organização de Cooperação de Xangai, tem como objeto explícito combater ameaças terroristas. Tem sido mobilizada para combater infiltrações de organizações terroristas no interior dos territórios dos seus membros. 
Na verdade, pode-se argumentar que Israel e os EUA são estados terroristas. Mas, a guerra total entre blocos é desejada pelos neocons. Os dirigentes da Rússia e da China, pelo contrário, estão a ajudar o Irão (na frente diplomática, isolando os EUA e Israel, fornecendo armas poderosas, etc.) sem se envolverem diretamente. Eles sabem que isso implicaria um confronto direto com os EUA. 
Os que controlam a agressão ao Irão, serão os EUA ou Israel? Penso que -de novo - Trump fez a vontade a Netanyahu: Receio que este último disponha de poderosos meios de chantagem, em relação a Trump e a outros membros da Administração. Só isso pode explicar a fuga para a frente, que corresponde a este ataque, não motivado, contra o Irão.
Nas muito recentes* conversações de Genebra, o ministro dos Estrangeiros iraniano tinha proposto ao lado americano um mecanismo para não haver acumulação de material radioativo no Irão, o que implicava a impossibilidade de possuir as quantidades necessárias para fazer uma bomba. Esta proposta ia mais além das garantias dadas nas conversações de 2015, que desembocaram no acordo designado por JCPOA, do Irão com os EUA, Alemanha, França e Reino Unido. Este acordo foi denunciado unilateralmente aquando da 1ª presidência Trump, em 2018.

PS2: 



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*Iniciadas a 6 de Fevereiro de 2026 e terminadas (interrompidas) a 26 de Fevereiro do mesmo ano. Na altura, Israel estava já ameaçando com ações «punitivas» o Irão. Os israelitas desencadearam o primeiro ataque com mísseis pouco tempo depois, a 28 de Fevereiro, seguidos imediata e coordenadamente, por ataque dos EUA.




quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Lena Petrova: "EXPLOSÃO do DÉFICE dos EUA"


 Enquanto os dólares que saem dos EUA para pagamento de mercadorias e serviços é quase o dobro dos dólares obtidos pelos EUA do seu comércio exterior parece uma catástrofe, uma gigantesca situação de deficiência, afinal não é tanto. 

Lena Petrova explica que os dólares que saem, vão reentrar sob forma de investimentos estrangeiros, na maior parte em produtos financeiros (ações da bolsa, obrigações do Tesouro, investimento em fundos...) e/ou no mercado imobiliário. O défice comercial dos EUA, é facilmente colmatável, ao contrário dos outros países, que não possuem a sua moeda como moeda de reserva predominante ao nível mundial.
Mas a hegemonia do dólar em termos de comércio internacional tem sido posta em causa, por países dos BRICS e outros. Os BRICS totalizam mais de metade da população mundial e possuem cerca de 35% do PIB mundial. 
Se cada vez mais trocas comerciais são pagas noutras divisas e não em dólares, se se reduz acentuadamente a percentagem de treasuries (obrigações do Tesouro americano) guardadas em reserva nos cofres de grandes exportadores, como China, Japão e outros,  se o dólar já não é a divisa exclusiva para comprar petróleo, o processo  de colmatar o défice comercial graças a investimentos estrangeiros nos EUA, que terão de ser feitos em dólares, está em risco de falhar.
A defesa do dólar é a razão de fundo pela qual os EUA usam sanções  e tarifas aduaneiras como armas de guerra económica, inclusive contra parceiros e amigos: Estas guerras comerciais e as ações militares diretas pelos EUA (ou seus intermediários) nos últimos anos, mostram até que ponto a mecânica da circulação dos dólares ao nível internacional, é de importância vital para os EUA. 
É realmente uma fragilidade muito grande, dado que - ao contrário das décadas passadas - as produções exportáveis dos EUA se reduzem agora a material de guerra, a produtos agrícolas (soja...), petróleo e indústria do divertimento (Hollywood ...). Não há nada nestas exportações dos EUA que outros países não possam colocar no mercado, em condições concurrenciais.
A fragilidade tem por base uma redução da produção industrial nos EUA, a sua dependência aos outros, tanto em bens industriais, como agrícolas, por um lado; e, por outro, a necessidade do défice crónico americano ser colmatado pela compra por estrangeiros, de ativos em dólares. Ora, neste momento, muitos países (não apenas BRICS) promovem o comércio em suas divisas próprias, evitando o dólar.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Estratégica Vitória da China



Os actos de pirataria de Trump contra a Venezuela e Maduro, não apenas foram a confissão da falsidade da «ordem internacional baseada em regras». É também ocasião para muitos governos terem compreendido que não se pode confiar no Estado-bandido ("rogue State") em que se transformou os EUA. Realisticamente, os dirigentes de nações menos poderosas estão desejosos de estabelecer, ou reforçar, laços com os BRICS e - em particular - com a China.

Mas, a sua derrota é também interna: As eleições de meio-mandato irão ser muito desfavoráveis: Já 22 senadores republicanos acabam de se pronunciar pela interrupção do mandato (impeachment) de Trump.
Não só ao nível da política institucional se multiplicam os sinais desfavoráveis para o presidente fora-da-lei: O povo dos EUA tem manifestado o seu repúdio pela política de Trump e sua administração. Ela está - literalmente - a asfixiar a classe trabalhadora e a classe média. As unidades especiais de polícia («ICE») não conseguem, apesar da sua brutalidade, conter a raiva do povo: 
Uma mulher de cerca de 40 anos, foi baleada, quando estava dentro do seu carro, por um agente da ICE. Não foi tratada nas urgências, acabando por morrer. A violência policial contra pessoas inocentes é sempre desculpada. A polícia alega sempre «legítima defesa» e os tribunais fingem que acreditam nisso.
Nos EUA, muitos já compreendem que este é um governo de gangsters, que se comporta com arrogância perante seus próprios eleitores. Os gansters ameaçam também quem protesta contra os atos contrários à Lei e ao Direito. 
Trump e os fiéis dele, não conseguirão fazer com que a cidadania iludida dos «MAGA» volte a votar por eles. Isso significa que perderão a maioria nas eleições. É provável que isto tenha sido um fator para Trump desencadear o ataque-relâmpago contra a Venezuela, convencido de que isso lhe daria um trunfo eleitoral.
Enquanto o desemprego cresce, os ficheiros Epstein vão sendo escrutinados, dando a dimensão real da colaboração do agente da Mossad e pedófilo, com o atual presidente dos EUA.
O desespero é de mau conselho, sobretudo para psicopatas; eles são capazes de tudo para não serem apanhados pela justiça.
Talvez os leitores não tivessem conhecimento de alguns factos aqui relatados. Porém, é a própria média americana que tem informado sobre a crise que o Império atravessa nos planos moral, económico e político.


sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

A GUERRA NÃO DECLARADA JÁ ESTÁ AQUI HÁ BASTANTE TEMPO [Crónica da IIIª Guerra Mundial nº53]



Quando os dirigentes da Europa ocidental, quer na UE, quer na OTAN, ameaçam a Rússia com uma guerra devastadora, o que é que têm estes 'valentes' (que mandam os outros combater)?
Não me estou a referir a patologias; certamente, as têm e do foro psicológico. Não; estou a referir-me ao que têm em termos de meios quer humanos, quer logísticos, quer armamentos.
Quanto a economia, já estamos conversados; eles próprios «lamentam» que nestes três anos de guerra na Ucrânia, não conseguiram (dizem eles) evitar a compra do petróleo russo. Quanto ao gás, a auto-sabotagem do gazoduto Nordstream, foi encarecer a produção industrial não só na Alemanha, como noutras nações da UE. A sua dependência em relação aos produtos russos é maior do que muita gente pensa: Eles precisam dos adubos sintéticos feitos na Rússia, para que a sua agricultura não baixe dramaticamente de rendimento.
Também precisam de metais estratégicos e «Terras Raras» e não têm escolha senão ir buscar à China ou a outros países dos BRICS, pois eles próprios (tal como os EUA) deslocalizaram há muito a refinação destes minerais, deixando para o Terceiro Mundo a tarefa poluente de transformar minério em metal purificado. Estas Terras Raras são indispensáveis, não apenas em aplicações de eletrónica e microinformática civil, como também militar. Quanto aos metais estratégicos: Sem o titânio e outros, não se podem produzir ligas metálicas para aviões militares, tanques, etc.
Além disso, estão mergulhados numa crise política profunda; por mais que ocultem, os povos estão descontentes, dissociados e mesmo hostis aos projetos militaristas. Estes, são acompanhados por maior vigilância e repressão contra a dissidência, numa postura autoritária que já não se disfarça (veja-se o caso de Palestine Action, no Reino Unido, e repressão massiva e indiscriminada contra os que protestam contra o genocídio em Gaza). - A impopularidade destes governos é inédita. Por exemplo, um partido nacionalista conservador, a AfD, na Alemanha cresce nas sondagens, como sendo o primeiro partido na escolha dos alemães.
Todas as reuniões e declarações dos chefes de Estado e de Governo dos países da Europa ocidental, são atoardas de quem pode vozear em relação ao «inimigo» declarado, mas não tem meios próprios para sustentar uma guerra direta.
A estratégia, simultaneamente cobarde e suicidária (para os povos) é de multiplicar as provocações, lançamento de mísseis para território bem no interior da Rússia, atos de sabotagem, etc. 
Estes ataques são declarados como «façanhas» do exército ucraniano, quando todos sabemos que eles não fabricam estas armas; recebem-nas dos EUA países europeus da OTAN . Além disso, está comprovado que os sistemas atuais de mísseis são demasiado sofisticados e implicam pessoal treinado. O treino de especialistas ucranianos é demasiado longo para atender às necessidades: Logo, muitos dos que servem estes sistemas de mísseis são militares dos países ocidentais.
Apesar do black-out informativo, sabe-se que têm morrido ou ficado gravemente feridos membros das forças armadas de vários países da OTAN (EUA, Polónia, Reino Unido, França, Alemanha e outros), pois estes mísseis, estacionados em solo ucraniano, são obviamente um alvo para as forças aéreas russas.
A perversidade dos maquiavélicos, faz que estejam prontos a arriscar um confronto nuclear com a Rússia, confiantes de que será ela a vítima principal. Mesmo que tal fosse verdade, o que eu duvido muito, o sofrimento humano seria indicível, impossível de quantificar e recairia também sobre o ocidente, inevitavelmente.
Seria o fim da civilização ocidental. Significaria a destruição de centenas de milhares ou de milhões de vidas inocentes, a destruição dos ecossistemas, o seu envenenamento radioactivo durante inúmeras gerações, o que tornaria as cidades e os campos impossíveis de habitar.
Tudo isto é considerado um risco aceitável pelos que estão à frente das principais nações da UE e dos órgãos próprios deste super-Estado em construção.
O afastamento dos EUA em relação aos planos mais belicosos dos governos europeus da OTAN é uma boa coisa, pois sem o «guarda-chuva» nuclear dos EUA, a possibilidade de guerra total contra a Rússia fica mais remota, para não dizer inviável. Mesmo loucos fanáticos reconhecem isso, pelo que as atoardas de alguns políticos europeus vão somente contribuir para complicar os esforços de paz. 
Mas, sobretudo, destinam-se à política interna, a cercear as liberdades, perseguir os oponentes à guerra, intensificar a exploração para maior lucro das empresas, sobretudo das que se reconverteram a fabricar armamentos e munições.

Por todas estas razões, é fundamental que as pessoas tomem consciência e que ajam, dentro das suas competências, com os meios de que dispõem, para fazer obstáculo a esta onda de militarismo despudorado.
 A guerra na Europa ocidental (países da UE + Reino Unido) é - cada vez mais - uma guerra contra os seus próprios povos, contra os trabalhadores, os jovens, os empresários e todos os que têm contribuído para a riqueza e grandeza das suas nações respectivas.

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RELACIONADO:

 https://substack.com/@nelbonilla/note/c-180757735?r=9hbco


https://open.substack.com/pub/jonathancook/p/its-antisemitic-to-call-out-israels?utm_source=share&utm_medium=android&r=9hbco


Bruxelas decidiu no sentido de expropriar os bens financeiros russos congelados na UE:  

https://www.moonofalabama.org/2025/12/russia-counters-eu-shenanigans-to-steal-its-frozen-assets.html

Veja a seguinte entrevista com Alastair Crook:

https://youtu.be/gkJD1qHlHhw?si=kwa_bwVfIxvSeN2M

Excelente análise de Prof. Mersheimer:

https://www.youtube.com/watch?v=GOJerDDCnes

Conheça a avaliação por Martin Armstrong, de Zelensky e seu regime.

sábado, 6 de dezembro de 2025

OURO, PRATA E YUAN: OS 3 VECTORES DA QUEDA DO DÓLAR

A China tem avançado passo a passo, para desinvestir do dólar:

A- Lançando obrigações em yuan que podem ser convertidas em ouro no Mercado de Metais Preciosos de Xangai. Com rendimento de 7%, são  muito mais apetecíveis que as Treasuries americanas, que apenas dão 2%.

B- Compra de ouro em quantidades bem superiores (10 vezes mais) às oficialmente declaradas.

C- Venda de prata no Mercado de Xangai, mas apenas em Yuan. Como existe uma enorme falta de prata disponível nos mercados ocidentais, os compradores têm de trocar as suas divisas por Yuan, para poderem comprar em Xangai. O valor da divisa chinesa e a sua internacionalização são  cada vez maiores e a fatia das trocas comerciais em dólares vai diminuindo. 

D - A China deixou, há anos, de acumular dólares  sob forma de obrigações do Tesouro americano e tem colocado à  venda quantidades elevadas das mesmas obrigações. 

E- Tem promovido, com os seus parceiros dos BRICS (e outros), contratos comerciais envolvendo apenas Yuan e divisas dos parceiros, com exclusão do dólar. 

Veja o vídeo abaixo, de Paulo Nogueira Batista Junior:



sábado, 18 de outubro de 2025

VENEZUELA - NOBEL DA «PAZ» E «FRUTO PENDENTE*»

*Nota: A tradução mais comum para "hanging fruit" é «oportunidade fácil» ou «resultado fácil de alcançar». No entanto, preferi usar uma expressão mais literal, como "fruto pendente", pois esta é compreensivel no contexto deste artigo.

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 O presidente  Trump deve ter feito uma grande pressão para que o elegessem prémio  Nobel da Paz. O juri do Nobel deve ter sentido alguns pruridos de consciência  e decidiu antes escolher uma venezuelana, líder  de oposição  anti chavista e grande amiga dos EUA.  Maria Corina Machado, eleita prémio Nobel da Paz, "não é nenhuma flor pacifista":

- Internamente, não cessou de fazer apelos incendiários à sublevação contra o regime de Maduro.

- Em relação  ao estrangeiro, convidou os «pacíficos»  Netanyahu e Trump, a invadirem o país, com a garantia de que, se o fizessem e a pusessem na presidência, teriam garantido o petróleo venezuelano e tudo o mais. 

Não  creio que estas tomadas de posição públicas sejam adequadas para quem está comprometida num caminho de paz e de oposição não  violenta!



No entanto, a Venezuela tem forças militares e populares que não seria prudente ignorar. Se houvesse invasão pelos EUA ou forças mercenárias, a tarefa não seria fácil. Além disso, a Venezuela está hoje de boas relações com as potências mais significativas do ponto de vista económico e militar dos BRICS, a China e a Rússia. Tanto os chineses como os russos já  deram discretos sinais de que não irão ficar passivos perante uma eventual tentativa de derrube do regime venezuelano.

Um império em decadência acelerada já não mete tanto medo, sobretudo após os fiascos militares deste século XXI: Afeganistão, Iraque, Líbia, assim como outras situações em que os americanos foram obrigados a recuar.  Na verdade, as " guerras sem fim" que eles vão criando - incluindo a Ucrânia  - são apenas causadoras  de morte, destruição e dívidas colossais, além de criarem animosidade em muitos povos e governos diversos. Alienaram laços  fortes com a Arábia Saudita, Indonésia e vários países africanos ou latino-americanos. O apoio incondicional ao governo de Israel, nestes dois anos de matança de civis indefesos em Gaza, também contribuiu para que muitos perdessem a ilusão sobre as intenções humanitárias e benévolas de Washington.

Maduro, vendo as provocações constantes, o assassinato dos tripulantes de lanchas, supostamente transportando droga para os EUA (creio que já afundaram 4 desses barcos), percebeu que as forças militares dos EUA se preparavam para  uma invasão da Venezuela. Estas brutais execuções  extra-judiciais de pessoas que os americanos nem sabiam ao certo quem eram, são mais uma prova da hipocrisia do poder imperial. Mas, sobretudo, revelam o intuito de criar o pretexto da agressão («casus belli») e derrube do governo de Maduro.

O fruto pendente das enormes reservas de petróleo e das minas de ouro da Venezuela, devem ter feito salivar os "neocons".  Wolfowitz, um destacado neocon conselheiro de George W. Bush, argumentava (em 2003) que a invasão do Iraque "se pagaria a si própria"  com as enormes somas obtidas na venda de petróleo deste país. Sabemos que não foi assim, mas também sabemos que pessoas gananciosas e estúpidas são capazes de cair duas vezes no mesmo erro. 

De qualquer maneira, se houver guerra, não é  a oligarquia dos EUA que irá pagar a fatura. São os pobres, que irão mais uma vez servir como carne para canhão em guerras do Império Ianque...

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

A «LÓGICA» DA GUERRA




A «lógica» da guerra não é muito complicada de se perceber. Mas, para tal, é necessário fazer tábua rasa dos argumentos sobre «quem fez isto, quem fez aquilo» e deixar de se atribuir responsabilidades, consoante as simpatias ou antipatias pessoais, ideológicas e outras.

Com efeito, a guerra é um encadeamento de atos preparados meticulosamente, determinados pelos poderes, que estão convencidos de que precisam dessa guerra para chegar aos seus fins. Só que estes fins nunca são claros, nem são enunciados de forma que permita ao comum dos mortais entender o que se passa. O processo atual da guerra está relacionado, como sempre, com uma disputa pela hegemonia. Antes, a hegemonia era relativa a um espaço limitado geograficamente. Mas, a partir da 1ª Guerra Mundial, de forma reeiterada com a 2ª Guerra Mundial e desde então, com a chamada «Guerra Fria», tratava-se de um jogo global, destinado a obter o controlo dos principais recursos do planeta, ou seja, alcançar  a hegemonia mundial. 

Nos dias de hoje, a hegemonia que esteve nas mãos dos EUA e seus aliados/vassalos da OTAN, durante algum tempo (desde 1991 até à primeira década do século XXI), tem sido posta em causa. Tal controlo tem escapado cada vez mais aos ocidentais. Antes, muitos deles possuíram colónias ou eram senhores de países neo-coloniais.

Tem-se registado a perda de influência no comércio mundial, dos países do «Ocidente» e o aumento de utilização de divisas próprias pelo Sul Global, neste comércio e destronando o dólar. No desenvolvimento industrial e na capacidade de inovar em domínios de ponta, os países formando o «coração» dos BRICS, têm mostrado o seu dinamismo. Este tem sido tal, que exercem uma atração sobre os múltiplos países do «Sul Global». Surge a esperança de um contexto internacional mais equilibrado. Um sem número de fatores mostram que o Sul Global e os BRICS são uma força económica e estratégica em ascenção e que o chamado Ocidente, está em decadência, em colapso mesmo, a julgar pelas revoltas que se multiplicam. 

Tipicamente, nos países cujos governos estão ameaçados, a oligarquia que os domina transforma as leis e dispositivos legais, reforça os instrumentos de repressão, de modo a que a cólera dos descontentes não se transforme em insurreição. Para guardarem as aparências, vão impor estas restrições com um pretexto, que é o mesmo, desde sempre: O inimigo externo, os agentes de subversão a soldo desse inimigo externo, a necessidade de mais despesas militares e de cortes nos orçamentos sociais, para fazer face à ameaça (que pode ser puro delírio) .

A UE, sob a batuta de Ursula Von der Leyen, está em estado de quase ruptura; certas oligarquias nacionais não estão dispostas a «ir para o fundo com o navio» e já começaram a criticar as medidas tomadas pela presidente (não eleita) da Comissão Europeia. 

As sondagens de opinião mostram que os povos não têm confiança nos seus líderes; sabem que têm sido utilizados como rebanho de ovelhas, sujeitos a lavagem ao cérebro, sobre «os maus dos russos, o terrível Putin, etc.» 

A guerra é a saída para a oligarquia eurocrática, porque assim poderá impor as restrições que quiser às liberdades e ao funcionamento das instituições nos seus países, poderá espremer ainda mais os trabalhadores e a classe média, para obter os fundos necessários para as forças armadas. Terá um meio muito prático para calar quem discorde destas medidas, acusando essas pessoas de serem agentes do inimigo, traidores que merecem a condenação à morte. Deste modo, será fácil intimidar os que, não estando de acordo com as políticas, não se sintam dispostos a desempenhar o papel de mártires. 

Nós todos podemos saber qual o momento em que uma dada guerra é desencadeada. Penso que todas as pessoas atentas concordam que as palavras de guerra estão em todas as bocas dos responsáveis políticos europeus.  Mas, ninguém pode prever quando uma guerra, seja ela qual for, irá terminar. 

As consequências mais terríveis duma guerra são para os pobres, para os trabalhadores, para as pessoas que não contribuíram para o estado de coisas presente. Por isso, é justo que a guerra - em si mesma- seja criminalizada: Os que a desencadeiam ficam nas suas poltronas, gabinetes, salas de imprensa, a fazer o papel de «chefes de guerra», como se fossem eles a lutar no campo de batalha. Entretanto, no verdadeiro campo de batalha (e fora dele, em «danos colaterais» envolvendo os não-combatentes), as pessoas são mortas, feridas, feitas em pedaços, mas pouco ou nada se fala delas; só para lhes dirigir palavras ocas de agradecimento, quando elas deram o que tinham de mais precioso, a própria vida. 

Não existe guerra justa, porque as guerras são fabricadas pelas oligarquias e destinam-se a ter os súbditos bem controlados. Os pretextos ideológicos, políticos, económicos, etc. são apenas pretextos. As somas gastas na guerra não servem para produzir mais riqueza, só servem para armas e munições e estas, ou ficam armazenadas, ou são utilizadas. Neste segundo caso, vão causar mais destruição de vidas e do que foi construído por gerações de trabalhadores pacíficos. Nenhum país pode melhorar sua economia com o chamado «Keynesianismo de guerra». É uma forma de levar as pessoas a acreditar que a guerra possa fazer sentido económico. Mas isto é uma enorme falácia!


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Relacionado:


PS1:

Veja o vídeo de 09 de Outubro de 2025 e repare como os factos relatados confirmam o que eu disse no artigo acima.


PS2: Leia o artigo abaixo, que nos dá a medida da evolução de um «Estado de Direito, democrático» para um «Estado de Excepção, totalitário»
https://www.rt.com/news/626425-eu-russia-war-scare/


PS3:

Prof. Jeffrey Sachs https://youtu.be/6-M2u6xMoGk?si=x8IwgUAjwbXc0-T3

quarta-feira, 24 de setembro de 2025

O último a saber ...



 «O último a saber» é a expressão que se aplica, proverbialmente, para se referir ao marido enganado. 

Mas, neste caso, não se trata do marido enganado, trata-se antes da grande maioria do público nos países «ocidentais», que incluem os do Ocidente (Europa e América do Norte) e países que se situam na Ásia (Japão, Coreia do Sul) e na Oceânia (Austrália, Nova Zelândia). 

Porque, aquilo que está em jogo é uma mudança do sistema monetário, o «Great Reset». O sistema financeiro mundial, desde há vários anos, pelo menos desde a grande crise financeira de 2008, que quase se tornou a crise definitiva do capitalismo, está em ruptura. As moedas dos vários países, foram desenhadas para se irem desvalorizando. Assim, iam possibilitando que os governos e grandes empresas entrassem em dívida, mesmo de maneira crónica, sem grandes consequências para eles, pois estariam apenas obrigados a pagar dentro de X anos, numa divisa que perdeu - em termos reais - uma parte do seu valor. Mas, um sistema que queira conservar uma certa fiabilidade, uma certa estabilidade, tem de ser adossado a algo sólido. E dizer «algo sólido», em termos monetários, traduz-se em metais preciosos como garantia e - em particular - em relação ao ouro.

Desde cedo, que eu estava numa posição de descrença em relação ao sistema no qual vivíamos. Para mim, a crise de 2008 não foi a surpresa, mas foi-o seu «epílogo». Os grandes bancos, as multinacionais, as grandes fortunas, serem refinanciados apesar do que tinham desbaratado, em particular, na financiarização e desindustrialização (auto-induzida): Por exemplo, empresas industriais «convertidas» em empresas de gestão de capitais bolsistas. As injeções de dinheiro fresco, não correspondente a maior riqueza, nem a contrapartida de qualquer espécie, foram-se sucedendo sob o nome de «Q.E.». O pretexto falacioso, totalmente contrário ao mantra do «livre mercado» capitalista, era de que os grandes bancos, as grandes empresas, eram «demasiado grandes», para se deixar ir à falência. Esta extravagância na proteção aos mais ricos, em detrimento de todos os outros, induziu o comportamento de irresponsabilidade total, tanto nas finanças públicas, com nos grandes empórios monopolistas. Acentuou-se a divisão entre aqueles que tinham acesso ilimitado ao crédito barato, virtualmente com zero de juros, e todos os outros que, para comprar casa, carro, etc, tinham de pagar  empréstimos aos bancos, com juros que pesavam nos seus orçamentos.  

Entretanto, a crise do COVID pôs a nu a situação que já vinha de antes e se traduziu numa crise, em Setembro de 2019, com a subida brutal dos juros nos mercados Repo ( = mercados interbancários de empréstimos a muito curto prazo). 

Não sei a partir de quando as altas oligarquias deram ordens para accionar o seu «Grande Reset», mas o facto é que, logo a seguir ao «COVID», se preocuparam muito pouco com qualquer semblante de equilíbrio e preferiram gastar milhares de milhões numa guerra estúpida, cruel e destinada a ser perdida, mas que lhes permitiria travar os BRICS e as " Novas Rotas da Seda" ou «Cintura e Estrada» (Belt and Road Iniciative). Estas, correspondem à verdadeira globalização, a das mercadorias e das trocas comerciais em todo o planeta.

Agora, Honk Kong vai ter um depósito de ouro, para comerciar com o resto do mundo, sendo claro para o «Sul Global» e para os BRICS, que o ouro é o veículo de troca ideal para intercâmbios internacionais, não estando sujeito aos abusos do dólar, ou de qualquer outra moeda que viesse a suceder ao dólar, depois deste ser destronado. 

O público ocidental foi mantido no escuro, foi enganado vezes sem conta sobre o ouro e sobre a «subida» das moedas fiat, sobre os ativos bolsistas e doutros ativos financeiros sem substância no mundo real. Entretanto, paulatinamente, os bancos centrais iam comprando ouro às dezenas de toneladas (tanto os bancos centrais de países orientais, como ocidentais) e os muito ricos convertiam em ouro, ou em propriedades, uma grande parte dos ativos financeiros.

Agora, quem quiser comprar ouro (ou prata), terá de desembolsar uma soma bem maior do que há poucos anos atrás (ver gráfico* sobre o custo do ouro em dólares, no último decénio). Pois, o público ocidental é «o último a saber»...



* Custo do ouro em dólares, no último decénio



segunda-feira, 22 de setembro de 2025

A NOVA DESORDEM MUNDIAL [CRÓNICA DA IIIª GUERRA MUNDIAL, Nº 49 ]

 Não sei se algum título como este já existe, é provável - mas no caso deste escrito - entendo que se trata do título mais apropriado.

Senão vejamos; a liberdade é proclamada e negada, na prática. Não se pode defender um determinado ponto de vista perfeitamente legítimo e racional, sem se ter consequências gravosas, se este ponto de vista se traduz numa desacralização do poder.

Pelo contrário, podem cometer-se atrocidades, violações sistemáticas dos direitos humanos, impunemente, se forem cometidas sob a tutela e seguindo o guião da potência hegemónica. As coisas não mudaram, desde há cerca de 75 anos. Um adjunto do presidente dos EUA, Truman, fez-lhe notar que se estava a apoiar uns «bastardos» (já não sei de que país latino-americano); ao que Truman respondeu...«Sim; mas são os NOSSOS bastardos».

Hoje em dia, a ditadura totalitária de Zelensky tem as honras de governos ocidentais, enquanto vai prendendo os opositores, que «desaparacem», ou vai colocando para sacrifício inútil, centenas de milhares de soldados na mira de fogo das tropas russas, sobretudo vai construíndo - ele e seus associados - fortunas colossais, à custa do erário  público ucraniano (e nosso). Mas ninguém se preocupa, nas administrações que têm doado sucessivos  biliões, para onde vão estas somas. 

Os manifestantes que protestam contra o genocídio dos palestinianos, são dispersos à bastonada, são presos às centenas; isto tem lugar no suposto «modelo» da democracia e dos direitos civis, a Grã Bretanha. 

Em simultâneo, a indústria armamentista, nomeadamente, na UE, no Reino Unido e nos EUA, envia para Israel o que este precisa para efetuar o referido genocídio. Como podem os políticos  se apresentar como «observadores impotentes», durante estes quase três anos de genocídio, sabendo-se que um embargo de armas a Israel iria fazer parar rapidamente o Holocausto Palestiniano?

Claro que jogam os interesses económicos e a importância dos lobis pró-sionistas. Aliás, não devemos confundir estes com as comunidades judaicas: Estas podem estar completamente dissociadas da mentalidade suprematista e colonialista do governo de Israel. 

Em todo o lado, a igualdade dos seres humanos perante a lei, a sua dignidade fundamental, estão postas em causa. Um assassinato irá fazer a primeira página dos noticiários, consoante a vítima seja judeu (sionista ou não) ou um arauto «cristão», em associação com o sionismo, ou consoante se trate de um árabe, que pode ser muçulmano, cristão, de outra religião ou mesmo, ateu. No caso do árabe, nem será referido na maior parte dos noticiários; se o for, será classificado de «terrorista» ou de membro do Hamas, para desencadear repúdio e não qualquer sentimento de compaixão no público.

A ordem moral é a primeira a desfazer-se, quando se inicia a derrocada da ordem política-económica-jurídica.

 Aquilo que se chama «civilização» é um estado de imposição duma falsa ordem, porque baseada na repressão: É isso que significam expressões como «Pax Romana», ou «Pax Americana». 

A ordem moral não pode subsistir quando os do topo da hierarquia são impunes, face às regras aplicadas ao comum dos mortais. Vejam-se os casos (abafados) dos escândalos sexuais em torno da figura de Jeffrey Epstein, ou a total impunidade dos criminosos que lançaram a operação COVID («vacina anti-COVID») para benefício das multinacionais farmacêuticas Pfizer, Moderna, Astra-Zeneca...

Apenas dois exemplos acima citados, mas haveria muitos mais, se contabilizarmos os que no establishment se especializaram em lançar guerras  (Afeganistão, Iraque, Líbano, Líbia, Palestina, Irão...) que têm causado milhões de mortes, incontáveis feridos e deslocados. Mas, a media corporativa reserva sempre o melhor acolhimento para estes senhores e senhoras. 

Em desespero, os antigos aliados de ontém do Ocidente, estão em massa a aderir aos BRICS ou, pelo menos, a  estabelecer acordos comerciais frutuosos com estes países, pois vêm que do lado Ocidental e Americano, só há a perspectiva de manter os países mais fracos sob o seu domínio, por todos os meios, incluindo militares.

 Mas, o comércio precisa de liberdade. Sobretudo, de liberdade de escolha; em dado país participar ou não num dado acordo. Também precisa de um conjunto de regras. Porém, estas regras (acordadas e ratificadas na OMC) são sistematicamente ignoradas ou violadas pelos mesmos que clamam pelo seu respeito.  

A utilização do dólar como arma, abusando do privilégio de ser a principal moeda de reserva mundial (uma herança do acordo de Bretton Woods, 1944), levou a que mais trocas sejam efetuadas nas divisas dos respetivos países, não envolvendo o dólar. O dólar deixou de ser visto como «porto seguro», como reserva nos Bancos Centrais, em muitos países:  Estes passaram a acumular ouro, o qual não pode ser instrumentalizado. Quanto muito, poderá ser expropriado ou roubado, num contexto de guerra, com invasão e tomada do ouro do banco central (como aconteceu na Líbia e noutros casos).

A «lei» da força, ela própria, está posta em causa quando os rivais dos EUA e dos países da OTAN, possuem armas ao mesmo nível, ou que ultrapassam as ocidentais. Em relação à guerra assimétrica, temos assistido aos danos severos causados por mísseis e drones das milícias Houthis (Iemene), a instalações militares e civis israelitas, assim como mantêm o bloqueio no Mar Vermelho, para a navegação destinada a Israel, incluindo porta-aviões dos EUA. Podíamos também descrever o efeito do uso maciço dos drones que - com uma tecnologia relativamente simples - conseguem ultrapassar defesas anti-aéreas de uns e de outros, no teatro da guerra Russo-Ucraniana.

O mundo está cada vez mais complexo e as armas mais perigosas (armas nucleares) estão sob controlo de psicopatas, nalguns casos. A determinação de Netanyahu, ou do seu sucessor, em fazer explodir bombas nucleares contra inimigos (Irão, principalmente) pode configurar a «alternativa Sansão». Ou seja, tal como na narrativa bíblica, trata-se de deitar abaixo todo o edifício (Israel), de modo que os seus inimigos também morram. É uma loucura completa, mas que está consignada em manuais de estratégia militar israelitas, pelo que não pode ser tomada ao de leve.


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Ps1: Jeffrey Sachs e a nova ordem  mundial 

https://youtu.be/97pxh5BifVU?si=H58F_pxUbI0pYdi_


PS2: ANGELA MERKEL atribui a países da OTAN a responsabilidade pelo rebentar da guerra na Ucrânia: 

https://youtu.be/g8iNwQTm6Mk?si=Aop9vp4Fq6dCJEpZ

domingo, 20 de julho de 2025

A CIMEIRA DOS BRICS NO RIO FOI UM SUCESSO; SAIBA AQUI PORQUÊ

 Muitos comentaristas ocidentais aventaram que haveria uma espécie de desinteresse da China, pelo facto de Xi Jin Ping não ter estado presente. Esta especulação, que foi espelhada por órgãos de «media» ocidentais, simplesmente é destituída de qualquer fundamento. Ben Norton (no 1º vídeo) explica isso em pormenor e muito mais.

Não há memória de que um presidente, mesmo dos EUA, faça ameaças com tarifas e sanções, só porque outros países soberanos decidem levar a cabo suas relações comerciais do modo que consideram mais vantajoso, reciprocamente. 

A ameaça - porém - saíu pela culatra ao presidente dos EUA, pois o Presidente Lula da Silva disse muito diretamente a Donald Trump que as suas ameaças não impressionam, nem Brasil, nem os outros BRICS. E disse, além disso, que não é próprio de Chefe de Estado fazer estas ameaças sem qualquer fundamento, em público e através de redes sociais. 

O presidente Trump e seu Secretário Marco Rubio pensam que é inerente aos EUA, serem «ad eternum» os emissores da divisa de reserva mundial e de comércio internacional.  Atribuem-se o «direito» de declarar uma guerra de tarifas e de sanções contra os países que não se dobrem à hegemonia do dólar. 

É patético ver Rúbio (2º vídeo, de Cyrus Janssen), falar como se fossem os donos do mundo, quando estão muito enfraquecidos. 

A desorientação dos governantes dos EUA é total. Ao insistirem na via da intimidação, do bulling, é exatamente o que tem levado ao sucesso - em grande parte - dos BRICS. Juntos, estes países poderão aguentar e resistir melhor a estas práticas de que os EUA usam e abusam: 60 % dos países do planeta têm sanções impostas (unilateralmente) pelos EUA. 

Note-se que em termos de legalidade internacional, só existe uma circunstância em que sanções são consideradas legais: No caso de serem votadas e aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU. Em todos os outros casos, as sanções são consideradas ilegais e uma forma de guerra económica.








CONFIRMAÇÃO DO SUCESSO DA CIMEIRA DO RIO:

sábado, 12 de julho de 2025

CRÓNICA DA IIIª GUERRA MUNDIAL (Nº45): «Guerra Contra Os Povos»

 




Pesem embora as meritórias posições e ações de partidos, grupos e pessoas contra a guerra na Europa, parece que se caminha para uma inexorável extensão do conflito bélico Ucraniano-Russo, como aliás era previsível desde a primeira hora.
Com efeito, este conflito - logo na sua estreia e antecedentes - estava repleto de hostilidade e mesmo de histeria bélica, dum Ocidente dominado pelos «falcões», que não cessaram de provocar a Rússia em todas as tribunas da OTAN e, sobretudo no terreno. 
Por exemplo, vários anos antes de se iniciar o conflito armado: Colocaram bases secretas da CIA, dedicadas ao bioterrorismo, na proximidade da fronteira russo-ucraniana; protegeram o regime criminoso e ilegal de Kiev, fechando os olhos às óbvias violações dos direitos mais elementares das populações (ucranianas) russófonas, etc.
Agora, após três anos e meio de confrontos armados entre as duas nações eslavas (e partilhando uma longa história comum), podemos ver com maior recuo, como se desenvolveu a estratégia do chamado «Ocidente»:

- Do lado da OTAN, a escalada começou com um apoio disfarçado e «indirecto», com o treino de certas unidades ucranianas e o fornecimento de material bélico «não-letal», progredindo para um apoio cada vez mais decidido, no plano financeiro, no fornecimento de armamento e de homens que o sabiam manejar.
- Também foram de natureza mista, as operações encobertas do lado ocidental, com intuitos - sobretudo - de propaganda, por mais mortíferos que fossem: O atentado contra a ponte que liga a Crimeia ao território russo; os atentados contra a frota russa sediada em Sebastopol; os atentados terroristas massivos contra um hall de concertos nas proximidades de Moscovo; a sabotagem de Nord Stream I e II, os gasoductos que forneciam gás russo à Alemanha e Europa ocidental; os vários atentados mortíferos contra intelectuais bem conhecidos; a destruição, com mísseis de médio e longo alcance, de refinarias de petróleo; a invasão de território russo em Kursk, numa zona destituída de interesse estratégico, mas possuindo uma central nuclear russa... Todos estes atentados e ações foram executados por tropas especiais e de elite, treinadas, enquadradas e apoiadas por especialistas da OTAN, em todas as suas fases; são prova de que o lado OTAN-ucraniano se dedicou desde cedo ao terrorismo. Mas são também prova de que tudo o que fizeram do lado ucraniano, era impossível de realizar sem o apoio logístico, a espionagem, a informação via satélite e os meios tecnológicos de ponta (ex. mísseis teleguiados, de última geração), que o exército ucraniano não possuía.

Dentro da minha caracterização da Terceira Guerra Mundial como guerra essencialmente híbrida, esta envolveu as periferias, sobretudo, visto que a confrontação direta estava vedada pelo perigo de guerra nuclear auto-destruidora. É enquanto ações contra um associado aos grandes (Rússia e China) que podemos caracterizar os ataques contra o Irão, perpetrados por Israel e os EUA, em íntima colaboração (de que eles se felicitaram, aliás). Este facto vem mostrar como se está próximo da guerra total. Num cenário onde as alianças entre países fossem automaticamente accionadas, já estaríamos agora numa guerra direta OTAN/Ocidente/Israel, contra Irão/Rússia/China/outros membros dos BRICS.

A agressividade do chamado Ocidente não se fica por aqui: Na U.E., transformada numa espécie de OTAN bis, Van de Leyen* toma a iniciativa, forçando a mão aos vários governos nacionais titubeantes, para um rearmamento acelerado, priorizando despesas militares sobre quaisquer despesas sociais e de «welfare», que estivessem programadas nos diversos países. O objetivo de 5% de despesas militares para os membros da UE cumprirem no prazo mais curto é a figura brutal, seguindo a imposição de Trump, que a UE se apressou a cumprir, supostamente para «manter os EUA dentro da OTAN».
Esta justificação cai pela base se pensarmos que a OTAN foi, desde o princípio, o instrumento dos EUA para manter a Europa ocidental - e depois quase todo o continente- submetida aos objetivos do super-poder imperial.

O império precisava agora, de propagandistas, como Marc Rutte, Kala Kallas e Úrsula van der Leyen que, pelo seu extremismo e suas poses, fizessem crer que a vertente europeia da OTAN tinha algum poder.
Assim, também foi evoluindo a guerra psicológica, onde os discursos e narrativas são mais importantes (pelo menos, até agora) do que os atos, propriamente ditos. Os atos, sejam eles de natureza económica, política, militar (ou mistos), precisam dum manto «justificativo», permitindo neutralizar críticos como sendo «pró-Putin», ou outra calúnia do género, enquanto se atrevem a espezinhar as constituições, e tratados (incluindo da UE e da OTAN), no que diz respeito à salvaguarda da paz, à procura de soluções pacíficas para os conflitos, etc.




A cidadania está num estado de torpor e terror, profundamente aterrada como efeito da propaganda, quer acredite naquelas atoardas, quer não. O estado em que as pessoas se colocam na defensiva, por instinto biológico de preservar sua própria vida e a dos seus, é o estado presente. Ele foi devidamente planificado e executado, pelos especialistas em guerra psicológica. Neste «mix» entram também uma série de mitos, preconceitos, imagens fantasmagóricas, construídas ao longo do tempo. «Os Russos, são assim»; «Putin é assado»; etc. A maioria das pessoas está incapaz de distinguir o verdadeiro do falso; pois isso implicaria ter tempo e disponibilidade para se ocupar de assuntos que não são de imediata relevância para a sua sobrevivência. A maioria está demasiado ocupada com o imediato, pois a ofensiva do grande capital não se fez esperar, atacando não só o poder de compra dos salários, como a estabilidade do emprego e promovendo o terror nos locais de trabalho (assédios, despedimentos ilegais, abusos e violações dos contratos laborais, etc.)

A subida do fascismo sem disfarce não deveria surpreender as pessoas com cultura política e histórica: O instrumento «fascismo», ou «nazismo», ou outro equivalente, foi sempre a jogada da alta burguesia, desejosa de aplacar uma classe operária rebelde, ou potencialmente revoltosa, com movimentos ditos «populistas». Estes tinham (e têm) como característica serem dirigidos aos fenómenos que afetam a classe trabalhadora autóctone, como a imigração excessiva e ilegal (promovidas pelo patronato), ou minorias étnicas (ciganos, negros, e outras), mas estas não são as verdadeiras ameaças ao emprego dos cidadãos, nem constituem um risco real para a sua segurança, ao contrário do que dá a entender a imagem amplificada pelos media.

Estão -portanto- lançados os dados para o alargamento mundial do conflito. Este, não poderá ser evitado nem por atores sábios, nem por nações prudentes, ao contrário do que visões fracas e retóricas, nos querem fazer crer. Não nos parece que Xi Jin Ping, ou Vladimir Putin ou qualquer outro dirigente mundial, sejam os poços de sabedoria e prudência que seus apologistas proclamam: Mas, mesmo que o fossem, não estaria nas mãos deles evitar que as ações continuem o seu curso. Eles e os outros chefes de Estado e governo, são apenas figuras, que representam o papel de «timoneiros», numa barca desconjuntada e sacudida pelos ventos tempestuosos. 
Somente os povos poderão fazer algo. Quanto aos  chefes, sejam eles quais forem, estes apenas irão precipitar o caos, a desordem máxima, a guerra mundial generalizada.

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* Nem a Comissão Europeia, nem Van der Leyen, sua presidente, têm o direito de se imiscuir nos assuntos de defesa. Os tratados são bem claros: o domínio da Defesa é exclusivamente assunto de soberania de cada um dos Estados-membros. Mas os dirigentes nacionais submetem-se à ditadura de Bruxelas...

PEPE ESCOBAR. BRICS 2025 O FUTURO É DO SUL GLOBAL


 

segunda-feira, 30 de junho de 2025

A CHINA DE HOJE, O MUNDO DE AMANHÃ

 Apesar do blackout informativo, novas alianças e movimentos audaciosos, nos BRICS, com a China e seus parceiros, vão moldando um Mundo multipolar novo, onde os EUA, não têm mais um papel hegemónico.

É isso mesmo que se infere dos dois documentários abaixo reproduzidos.






domingo, 1 de junho de 2025

CRÓNICA DA IIIª GUERRA MUNDIAL (Nº44): «Morrer duas vezes»

Creio que a Guerra Mundial em curso já é uma evidência para todos. Por isso, hoje não vou dedicar-me a descrever qualquer episódio nesta multifacetada pugna, entre um Mundo agonizante e  outro, que tarda a nascer. Vou antes escrever sobre algo que se encontra presente em cada nação, como também nas próprias cabeças das pessoas. Refiro-me à inteligência. 

A inteligência, no sentido próprio, significa a disposição para aceitar os dados que nos chegam das mais diversas maneiras e construir hipóteses credíveis sobre a sua evolução. Mas, também, significa que, caso tais hipóteses se revelem falsas ou percam sustentação, por não terem as evidências que julgávamos, se deve descartá-las, pô-las no armário, aceitando a evidência dos factos, a sentença das verdades no terreno. 

É aqui, justamente, que se encontra o primeiro paradoxo: Enquanto as potências dos BRICS e da OSX se têm comportado de forma razoavelmente realista nestes últimos anos, do lado «ocidental» noto que, num número de países (que compreende as potências mais fortes do Ocidente, os EUA, a Alemanha, o Reino Unido e a França), seus governos se têm comportado com enorme irresponsabilidade. 

São notórias as mudanças bruscas de políticas, não apenas em relação à guerra na Ucrânia, como em relação à China, ao Médio-Oriente (em particular, a questão Israel/Palestina) e a uma série de outros assuntos.

Pois, a realidade, é como o ar: Se lhe fechas a porta, ela entra pela janela, ou pela chaminé. Não há maneira de impedir a realidade. O delírio dos dirigentes ocidentais começa justamente aqui: Pensam, pelos vistos, que  a realidade no terreno se poderá transformar através da propaganda. Isto é absurdo; porém, é exatamente o que têm feito, sucessivamente, em relação a assuntos mundiais prementes e exigindo uma resposta. 

Como é que a cidadania e os dirigentes do Sul Global vêm os comportamentos duma série de dirigentes das grandes potências ocidentais, tanto em termos económicos como militares? É compreensível que, passado o momento inicial de espanto, eles tivessem feito a sua análise e concluído que tinham de encontrar uma alternativa.  

Julgo que é completamente claro - agora - que os piores inimigos da globalização, da legalidade internacional, do papel da ONU, do respeito pelos Direitos Humanos, são justamente os que mais enchiam a boca com bombásticas declarações em defesa destes mesmos valores. 

Enquanto serviram para fazer avançar as causas dos tais países ocidentais, estes valores foram invocados insistentemente pelos dirigentes. Mas, logo que as situações concretas os colocaram do outro lado, do lado dos acusados, então as coisas já não eram assim: É o caso do genocídio da população indefesa de Gaza, contemplada friamente pela classe política ocidental quase toda. Mas, esta indiferença, esta conivência com os carniceiros sionistas, torna o seu silêncio a maior evidência acusatória contra eles: Não há nenhum povo ao qual não se apliquem os princípios dos Direitos Humanos, mas é precisamente isto que se infere da atitude dos governos ocidentais, de nada fazerem para defender os direitos vitais do povo palestiniano: para eles, há povos e povos, há direitos humanos que se aplicam mais ou menos, consoante os casos. Seu comportamento chocante tem um inegável relento a racismo, a colonialismo. 

Sinceramente, acho que a civilização Ocidental já está «fora de prazo». Está condenada a desaparecer de um modo, ou de outro. Sob nenhuma forma poderá, nem merece sobreviver enquanto projeto político. O que houve de positivo no passado desta civilização não está em causa. Quanto aos  indivíduos nascidos nestas paragens, não devem ter receio, se se mantiverem numa postura digna. Mas, a classe política, essa, não tem outro destino senão o de regressar ao esgoto de onde saíu e onde deveria ter ficado. Apenas a indiferença e o engano fizeram com que as populações se deixassem iludir e votassem neles. 

A inteligência dos cidadãos tem sido atacada por vários métodos. Um deles, é a utilização da ciência do comportamento com objetivos perversos, contrários ao humanismo. Nesta guerra sem fronteiras e sem limites, existe um departamento especializado na OTAN. Destina-se a desenvolver e pôr em prática a guerra psicológica: Os avanços no estudo da psique humana têm sido desviados dos objetivos de cura, ou tratamento das doenças mentais. Estes centros de investigação militar servem para redesenhar  os comportamentos, através de técnicas de condicionamento. Estes factos tornam as distopias de Aldous Huxley, ou doutros autores de ficção sociológica, tristemente atuais. Aliás, os próprios militares e políticos da OTAN consideram a guerra psicológica como algo que se aplica, não apenas ao «inimigo», como também à população dos países da Aliança, ou de países amigos.

Nestes últimos tempos, entrámos numa fase de involução, no ciclo histórico longo: Muito provavelmente, iremos ver a situação internacional degradar-se mais, antes que venha uma nova fase construtiva, talvez uma nova civilização mundializada, mas totalmente distinta do falido modelo globalista, da ditadura neoliberal imposta pelas oligarquias e executada pelos nossos governos. 

A civilização ocidental atual está a morrer, duas vezes: 

- Uma primeira vez, porque os atos de muitos dos seus governantes a traem, a si própria; os valores afixados são cinicamente negados no quotidiano; o seu próprio legado humanista está a ser insultado pelos dirigentes atuais. 

- E uma segunda vez, porque este mesmo comportamento está sendo repudiado em todo o Globo, pela maioria de países, reunindo a maioria da população mundial. É nesta última parte do Mundo, que se constroem os alicerces duma nova Civilização, composta por todas as etnias e culturas, em pé de igualdade.