Quanto menos dívida tivermos e quanto mais possuírmos e controlarmos e baixarmos nossos custos fixos e exposição aos riscos que não podemos controlar, tanto maior será a nossa autonomia. (Charles Hugh Smith)
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quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Estratégica Vitória da China



Os actos de pirataria de Trump contra a Venezuela e Maduro, não apenas foram a confissão da falsidade da «ordem internacional baseada em regras». É também ocasião para muitos governos terem compreendido que não se pode confiar no Estado-bandido ("rogue State") em que se transformou os EUA. Realisticamente, os dirigentes de nações menos poderosas estão desejosos de estabelecer, ou reforçar, laços com os BRICS e - em particular - com a China.

Mas, a sua derrota é também interna: As eleições de meio-mandato irão ser muito desfavoráveis: Já 22 senadores republicanos acabam de se pronunciar pela interrupção do mandato (impeachment) de Trump.
Não só ao nível da política institucional se multiplicam os sinais desfavoráveis para o presidente fora-da-lei: O povo dos EUA tem manifestado o seu repúdio pela política de Trump e sua administração. Ela está - literalmente - a asfixiar a classe trabalhadora e a classe média. As unidades especiais de polícia («ICE») não conseguem, apesar da sua brutalidade, conter a raiva do povo: 
Uma mulher de cerca de 40 anos, foi baleada, quando estava dentro do seu carro, por um agente da ICE. Não foi tratada nas urgências, acabando por morrer. A violência policial contra pessoas inocentes é sempre desculpada. A polícia alega sempre «legítima defesa» e os tribunais fingem que acreditam nisso.
Nos EUA, muitos já compreendem que este é um governo de gangsters, que se comporta com arrogância perante seus próprios eleitores. Os gansters ameaçam também quem protesta contra os atos contrários à Lei e ao Direito. 
Trump e os fiéis dele, não conseguirão fazer com que a cidadania iludida dos «MAGA» volte a votar por eles. Isso significa que perderão a maioria nas eleições. É provável que isto tenha sido um fator para Trump desencadear o ataque-relâmpago contra a Venezuela, convencido de que isso lhe daria um trunfo eleitoral.
Enquanto o desemprego cresce, os ficheiros Epstein vão sendo escrutinados, dando a dimensão real da colaboração do agente da Mossad e pedófilo, com o atual presidente dos EUA.
O desespero é de mau conselho, sobretudo para psicopatas; eles são capazes de tudo para não serem apanhados pela justiça.
Talvez os leitores não tivessem conhecimento de alguns factos aqui relatados. Porém, é a própria média americana que tem informado sobre a crise que o Império atravessa nos planos moral, económico e político.


terça-feira, 30 de dezembro de 2025

China lança sanções perante armamento de Taiwan pelos EUA





 O prof. Jeffrey Sachs detalha as sanções aplicadas por Pequim em retorsão pelo fornecimento de armamento sofisticado no valor de 11 mil milhões (11 «billions» em inglês) de dólares, que serão aprovados em breve pelo congresso dos EUA. 
Taiwan é um assunto de importância vital para a China. É parte integrante da China, mas alberga - desde 1949 - um regime protegido, em grande medida, pela intervenção americana, desde a guerra civil chinesa, do lado de Chian Kai-shek, o líder dos nacionalistas chineses. 
As tropas nacionalistas foram derrotadas na China continental. A Marinha americana ( que tinha então uma força hegemónica nos mares da China) transportou-as para Taiwan. O Kuomintang ocupou a ilha e durante dezenas de anos foram considerados os representantes legais de toda a China, a «República da China», enquanto a China Popular de Mao Tse Tung, não tinha representação nos foros internacionais, dominados pelos americanos e países ocidentais. Em população e em área, a China continental equivalia - pelo menos - a 800 milhões de pessoas, numa área semelhante à dos EUA. 

A viragem estratégica dos EUA data das negociações de Kissinger, ao serviço do Presidente Nixon, com o regime de Pequim, que foi reconhecido em troca da abertura do mercado da China continental ao comércio e investimento estrangeiro. Desta negociação, resultou que os EUA (seguidos, pouco depois, por quase todos os seus aliados), reconheciam Taiwan como fazendo parte da China e  o regime em Pequim, como representação legítima da nação chinesa, no seu todo. 
Os esforços, desde a presidência de Obama, para desestabilizar a situação, foram acentuados por sucessivas provocações:  Por exemplo, a visita a Taiwan de Nancy Pelosi, presidente do Congresso dos EUA, a figura nº2 da hierarquia do Estado americano. Esta visita foi orquestrada com honras de protocolo de Estado e sem - evidentemente - pedir autorização a Pequim para visitar este pedaço de território chinês. 

Os neocons, que dominam as instituições políticas principais dos EUA, fizeram «um mantra» da desestabilização da China, que vão recitando constantemente, enquanto a parte mais pragmática do establishment, que inclui empresários e seus representantes políticos, pelo contrário, preferiam manter um nível de relações «cordial» com as autoridades de Pequim, pois têm avultados interesses a proteger (fábricas de automóveis, de telemóveis, extração e refinação de matérias-primas para indústrias dos EUA, incluindo as «Terras Raras», etc).
Eu penso que esta gigantesca entrega de armas e material bélico sofisticado a Taiwan foi «a gota que fez transbordar o vaso». Os responsáveis de Pequim devem ter considerado que esta era a ocasião adequada para mostrar ao governo dos EUA, como era doloroso para eles, americanos, continuarem as suas provocações envolvendo Taiwan, com acumulação de material bélico na ilha. 
A paciência dos chineses, especialmente do governo de Pequim, esgotou-se; quando isso aconteceu, deu um golpe certeiro e com efeitos de longo prazo. As empresas sancionadas incluem gigantes construtores e fornecedores da força aérea BOING e Northtrup, mas também «start ups» envolvidas na construção de «drones»; além disso, vários CEOs de empresas americanas foram sancionados inviabilizando a sua deslocação à China em negócios...  
O que caracteriza o pacote de sanções chinesas contra os EUA é o debilitar da capacidade - presente e futura - das indústrias dos EUA em construir armas sofisticadas, além de computadores e material de uso civil.


Veja também:


sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

A GUERRA NÃO DECLARADA JÁ ESTÁ AQUI HÁ BASTANTE TEMPO [Crónica da IIIª Guerra Mundial nº53]



Quando os dirigentes da Europa ocidental, quer na UE, quer na OTAN, ameaçam a Rússia com uma guerra devastadora, o que é que têm estes 'valentes' (que mandam os outros combater)?
Não me estou a referir a patologias; certamente, as têm e do foro psicológico. Não; estou a referir-me ao que têm em termos de meios quer humanos, quer logísticos, quer armamentos.
Quanto a economia, já estamos conversados; eles próprios «lamentam» que nestes três anos de guerra na Ucrânia, não conseguiram (dizem eles) evitar a compra do petróleo russo. Quanto ao gás, a auto-sabotagem do gazoduto Nordstream, foi encarecer a produção industrial não só na Alemanha, como noutras nações da UE. A sua dependência em relação aos produtos russos é maior do que muita gente pensa: Eles precisam dos adubos sintéticos feitos na Rússia, para que a sua agricultura não baixe dramaticamente de rendimento.
Também precisam de metais estratégicos e «Terras Raras» e não têm escolha senão ir buscar à China ou a outros países dos BRICS, pois eles próprios (tal como os EUA) deslocalizaram há muito a refinação destes minerais, deixando para o Terceiro Mundo a tarefa poluente de transformar minério em metal purificado. Estas Terras Raras são indispensáveis, não apenas em aplicações de eletrónica e microinformática civil, como também militar. Quanto aos metais estratégicos: Sem o titânio e outros, não se podem produzir ligas metálicas para aviões militares, tanques, etc.
Além disso, estão mergulhados numa crise política profunda; por mais que ocultem, os povos estão descontentes, dissociados e mesmo hostis aos projetos militaristas. Estes, são acompanhados por maior vigilância e repressão contra a dissidência, numa postura autoritária que já não se disfarça (veja-se o caso de Palestine Action, no Reino Unido, e repressão massiva e indiscriminada contra os que protestam contra o genocídio em Gaza). - A impopularidade destes governos é inédita. Por exemplo, um partido nacionalista conservador, a AfD, na Alemanha cresce nas sondagens, como sendo o primeiro partido na escolha dos alemães.
Todas as reuniões e declarações dos chefes de Estado e de Governo dos países da Europa ocidental, são atoardas de quem pode vozear em relação ao «inimigo» declarado, mas não tem meios próprios para sustentar uma guerra direta.
A estratégia, simultaneamente cobarde e suicidária (para os povos) é de multiplicar as provocações, lançamento de mísseis para território bem no interior da Rússia, atos de sabotagem, etc. 
Estes ataques são declarados como «façanhas» do exército ucraniano, quando todos sabemos que eles não fabricam estas armas; recebem-nas dos EUA países europeus da OTAN . Além disso, está comprovado que os sistemas atuais de mísseis são demasiado sofisticados e implicam pessoal treinado. O treino de especialistas ucranianos é demasiado longo para atender às necessidades: Logo, muitos dos que servem estes sistemas de mísseis são militares dos países ocidentais.
Apesar do black-out informativo, sabe-se que têm morrido ou ficado gravemente feridos membros das forças armadas de vários países da OTAN (EUA, Polónia, Reino Unido, França, Alemanha e outros), pois estes mísseis, estacionados em solo ucraniano, são obviamente um alvo para as forças aéreas russas.
A perversidade dos maquiavélicos, faz que estejam prontos a arriscar um confronto nuclear com a Rússia, confiantes de que será ela a vítima principal. Mesmo que tal fosse verdade, o que eu duvido muito, o sofrimento humano seria indicível, impossível de quantificar e recairia também sobre o ocidente, inevitavelmente.
Seria o fim da civilização ocidental. Significaria a destruição de centenas de milhares ou de milhões de vidas inocentes, a destruição dos ecossistemas, o seu envenenamento radioactivo durante inúmeras gerações, o que tornaria as cidades e os campos impossíveis de habitar.
Tudo isto é considerado um risco aceitável pelos que estão à frente das principais nações da UE e dos órgãos próprios deste super-Estado em construção.
O afastamento dos EUA em relação aos planos mais belicosos dos governos europeus da OTAN é uma boa coisa, pois sem o «guarda-chuva» nuclear dos EUA, a possibilidade de guerra total contra a Rússia fica mais remota, para não dizer inviável. Mesmo loucos fanáticos reconhecem isso, pelo que as atoardas de alguns políticos europeus vão somente contribuir para complicar os esforços de paz. 
Mas, sobretudo, destinam-se à política interna, a cercear as liberdades, perseguir os oponentes à guerra, intensificar a exploração para maior lucro das empresas, sobretudo das que se reconverteram a fabricar armamentos e munições.

Por todas estas razões, é fundamental que as pessoas tomem consciência e que ajam, dentro das suas competências, com os meios de que dispõem, para fazer obstáculo a esta onda de militarismo despudorado.
 A guerra na Europa ocidental (países da UE + Reino Unido) é - cada vez mais - uma guerra contra os seus próprios povos, contra os trabalhadores, os jovens, os empresários e todos os que têm contribuído para a riqueza e grandeza das suas nações respectivas.

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RELACIONADO:

 https://substack.com/@nelbonilla/note/c-180757735?r=9hbco


https://open.substack.com/pub/jonathancook/p/its-antisemitic-to-call-out-israels?utm_source=share&utm_medium=android&r=9hbco


Bruxelas decidiu no sentido de expropriar os bens financeiros russos congelados na UE:  

https://www.moonofalabama.org/2025/12/russia-counters-eu-shenanigans-to-steal-its-frozen-assets.html

Veja a seguinte entrevista com Alastair Crook:

https://youtu.be/gkJD1qHlHhw?si=kwa_bwVfIxvSeN2M

Excelente análise de Prof. Mersheimer:

https://www.youtube.com/watch?v=GOJerDDCnes

Conheça a avaliação por Martin Armstrong, de Zelensky e seu regime.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

SOBRE A GUERRA DAS TARIFAS

 

O prof. John Mearsheimer calmo e racional, desfia o rol dos erros estratégicos dos EUA nestes trinta anos de política hegemónica.  Como ele relembrou, a dominância dos EUA existiu durante algum tempo. Durante menos de duas décadas, parecia que nenhuma força poderia enfrentar o seu poderio.

 Entretanto, foi desenvolendo uma política de sanções, de instrumentalização do dólar e dos sistemas de pagamento e punindo com tarifas "amigos e inimigos". 

O prof. Mersheimer delineou neste vídeo a reposta da China. Esta foi paciente, dirigida para novas relações comerciais, oferecendo oportunidades de negócios, não colocando condições, nem influindo na política interna dos Estados, até que chegou o momento em que o mundo inteiro pôde comparar as duas abordagens do comércio internacional e tirar as óbvias conclusões: 

- Por um lado, um império decadente, agressivo, caprichoso, que só promete revoluções coloridas ou invasões, aos recalcitrantes; 

- Por outro, uma potência que aposta nas relações "win-win", que respeita a soberania e oferece estradas, caminhos de ferro, portos, aeroportos e mais infraestruturas, que os países do Sul Global tanto pecisam. A China ajuda-os  sair do ciclo de dependência neo-colonial. Este ano, a China teve um excedente comercial de 1 Trilião de dólares.





Paulo Nogueira Batista descreve o contexto  
 

sábado, 6 de dezembro de 2025

OURO, PRATA E YUAN: OS 3 VECTORES DA QUEDA DO DÓLAR

A China tem avançado passo a passo, para desinvestir do dólar:

A- Lançando obrigações em yuan que podem ser convertidas em ouro no Mercado de Metais Preciosos de Xangai. Com rendimento de 7%, são  muito mais apetecíveis que as Treasuries americanas, que apenas dão 2%.

B- Compra de ouro em quantidades bem superiores (10 vezes mais) às oficialmente declaradas.

C- Venda de prata no Mercado de Xangai, mas apenas em Yuan. Como existe uma enorme falta de prata disponível nos mercados ocidentais, os compradores têm de trocar as suas divisas por Yuan, para poderem comprar em Xangai. O valor da divisa chinesa e a sua internacionalização são  cada vez maiores e a fatia das trocas comerciais em dólares vai diminuindo. 

D - A China deixou, há anos, de acumular dólares  sob forma de obrigações do Tesouro americano e tem colocado à  venda quantidades elevadas das mesmas obrigações. 

E- Tem promovido, com os seus parceiros dos BRICS (e outros), contratos comerciais envolvendo apenas Yuan e divisas dos parceiros, com exclusão do dólar. 

Veja o vídeo abaixo, de Paulo Nogueira Batista Junior:



segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

A CHINA CONTINENTAL É COMUNISTA?

(alguns vídeos foram retirados do artigo de Hua Bin seguinte:)


                                                     Documentário sobre modernas cidades chinesas 


Lembro-me de ter visto um pedinte, com as pernas gravemente incapacidadas, que se arrastava pelo chão do acesso a uma estação de comboio, algures no centro da China. Ele pedia esmola, erguendo um copo, à caridade dos transeutes que passavam sem lhe prestar atenção. Esta cena deixou-me perturbado, não que não tivesse visto coisas semelhantes do Ocidente e no meu próprio país, mas justamente porque este tipo de estendal de miséria não era próprio de um país que se considera praticando uma moral comunista, um país do socialismo da abundância, ou seja, o tal «socialismo com características chinesas». 

Não foi caso único, também encontrei um sem-domicílio enrolado numa manta numa passagem subterrânea duma grande avenida de Pequim. Não julguem que eu estava à procura desses casos, nada disso: Eu estava inserido num grupo de turistas, todos portugueses, que visitavam a China.  

Numa noite em que jantámos num célebre restaurante de  Pequim, deparei-me com uma mulher idosa a pedir na rua, onde estacionavam os carros, fazendo gestos de «levar comida à boca». Fez-me pena, embora tais cenas estejam igualmente presentes em capitais de países ocidentais e das mais opulentas. 

Mas eu acreditava, ingenuamente, que tais manifestações de miséria eram impossíveis num país dito socialista e orgulhoso das suas façanhas económicas e em ter arrancado da miséria uma grande fatia da sua população. Mas, o pior de tudo era que tais exemplos concretos de miséria, recebiam apenas indiferença da população. 

As pessoas são iguais em Pequim, Toronto, Londres, ou Madrid: quanto mais afluentes, menos se preocupam com as pessoas destituídas. Esta também é uma lição para confrontar a realidade com a propaganda de um «socialismo» com «rosto capitalista». Pode ser socialista na condução geral da economia, mas as pessoas concretas não «comem o PIB», nem se vestem com «estatísticas da produção». 

Martin Armstrong é capitalista e favorável ao tipo de regime (dito de «democracia liberal») que vigora nos países ocidentais. No entanto, como pessoa inteligente e pragmática que também é, tanto apresenta os lados positivos como negativos do regime chinês. A bem da verdade, tenho de confirmar que ele tem razão em vários pontos de um artigo seu, abaixo (*).

O prof. Michael Hudson, que tem trabalhado em universidades chinesas, como professor convidado de economia, caracteriza a China como um sistema misto. Ele é globalmente favorável ao regime aí implantado, porém reconhece que foi a abertura à iniciativa privada, no tempo de Deng Xiao Ping, que permitiu o arranque para o desenvolvimento neste imenso país. 

A China foi ficando para trás, após a implantação da RPC em 1949, durante mais de 20 anos de comunismo radical sob a batuta autoritária do partido e do seu «timoneiro» Mao Tsé Tung. Continua oficialmente o regime, continua a ditadura «proletária» do partido, mas o regime foi-se transformando profundamente por dentro. 

As pessoas esperam que, no futuro, tal como no passado recente, o seu nível de vida vá melhorar ainda mais. As pessoas na China são iguais às pessoas noutro ponto qualquer do globo. Querem viver com o mínimo de decência e dignidade, não precisando de se dobrar perante cada «apparatchik» que lhes apareça. 

Será «virtuoso» enriquecer, como dizia a propaganda no tempo de Deng? - Sim, na medida em que este enriquecimento provenha do trabalho e do reconhecimento social por esse mesmo trabalho. Este princípio pode e deve existir numa sociedade socialista, ao contrário do que a propaganda propala de que o socialismo é igualizador, de que mata toda a criatividade, etc. Aliá, esta propaganda é afinal auto-destruidora, pois ela não explica como o desenvolvimento técnico e científico, assim como a excelência nas artes, se desenvolveram na URSS, na China e em muitos países «socialistas» durante a Guerra-Fria. 

Se as pessoas fossem condicionadas a pensarem rotineiramente, nem cientístas, nem engenheiros, nem artistas em todas as artes, poderiam ter excecional qualidade. Dirão que são uns poucos que escaparam a um condicionamento radical; pois, a ser assim, estes que se notabilizavam seriam logo esmagados por hierarcas e pelos seus iguais. Algo de semelhante a isso começou - como um vento destruidor - na China durante  a «revolução cultural»: Nesta altura foram destruídos imensos monumentos e sobretudo criminosamente enxovalhadas, castigadas e humilhadas centenas de milhares de pessoas, intelectuais na maioria. Muitos indivíduos que deram o melhor de si próprios, nos anos anteriores, foram alvos preferidos dos «guardas vermelhos» da China. 

Deng Xiao Ping foi uma  vítima, assim como o pai de Xi Jin Pin e o próprio Xi. Se a «revolução cultural», iniciada com o pleno acordo e estímulo de Mao e continuada pelos seus mais chegados aliados, fosse coroada de sucesso, hoje a China seria um país miserável. 

Para mim, que aceito de bom grado os objetivos últimos do comunismo, mas não os desmandos que foram cometidos em seu nome (numa grande parte do século XX, sobretudo), não tenho qualquer complexo de superioridade em relação ao povo chinês. Antes, fico maravilhado pela sua capacidade de «endurance», de trabalho árduo, de solidariedade familiar, de auto-disciplina, de espírito coletivista. Devo dizer, no entanto, que estas propriedades não se desenvolveram a partir da China «comunista». Foram, durante milénios, o produto das experiências, dos fracassos mais sangrentos aos períodos mais aúreos, do povo chinês.    

Para mim, o trato com um chinês é o mais natural, pois eu tenho muito respeito pela sua civilização e procuro naturalmente pontes para me relacionar com ele. Os chineses que eu encontrei ao longo da minha vida, muitas vezes foram cordiais, nada distantes. Pois, eles intuíam que eu não tinha qualquer complexo racista, de ser produto duma «civilização superior». 

Por isso, amo as pessoas, compreendo que todos somos uma raça única, temos todos as mesmas necessidades fundamentais e legitimidade para nos afirmar dentro da sociedade, dando o melhor de nós próprios e recebendo - em troca - a justa recompenasa. 

Só não acredito que um sistema ferreamente hierárquico, mesmo que tal ocorra apenas numa fase de transição histórica, possa conduzir-nos a um comunismo verdadeiro, aquele em que as pessoas têm igualdade de direitos e deveres, um poder largamente distribuido por todos, uma liberdade de expressão e criação em todos os domínios . 

É como se me quisessem convencer que a melhor maneira de ir de Lisboa ao Porto, é tomar a estrada em sentido contrário, a que vai de Lisboa a Setúbal. Por que razão toda a gente veria isto como loucura, mas uma parte das pessoas convenceu-se que a «ditadura do proletariado» (do partido, na verdade) era, não apenas o melhor mas o «único» caminho para o socialismo e comunismo? 

- Eu chamo a isso alucinação, mais que endoutrinamento, porque muitas pessoas - minhas conhecidas - adoptaram esse ponto de vista e não eram estúpidas, eram inteligentes e pareciam-me sinceras.

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(*) MARTIN ARMSTRONG:

« The Chinese Communist Party is not “communist.” China permits private ownership and corporations. Consumerism and capitalism are alive and well. Forbes reported in April 2021 that a new billionaire was created worldwide every 17 hours, with the majority of newfound wealth coming from China.

The USA may be the billionaire capital of the world, with between 813 and 902 billionaires recorded, but China has seen a significant rise in the top wealth bracket in recent years. Mainland China currently has around 450 billionaires with a combined wealth of $1.7 trillion. China also hosts over 1,400 people with fortunes above $700 million. Billionaires do not exist in communist nations.

Karl Marx’s communism involved seizing the means of production. The government owns land, infrastructure, factories, and corporations under the premise that the ruling class could be eliminated by surrendering ownership to the state. Citizens may not accumulate wealth, as no one may have more than another, and certainly not more than the state. Everyone must be equal in poverty.

Under communism, the incentive for innovation is null and void. China has become a pioneer in innovative technologies and discoveries in every sector. Entrepreneurs are abundant in China, and investment and international trade are encouraged. The China of today is one of the leading players in the global economy, driven by modernization and competitiveness. The China of the past may have been communist, but the government is not going to take down statues of Mao or announce past wrongdoings.

China quietly moved away from communism decades ago. They saw it wasn’t working and made a change without a public declaration. Yes, the CCP is certainly authoritarian to some degree, but it is a fallacy to call China a communist nation.»

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

DOSSIER «IA» («INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL»)

 Decidi criar um dossier que agrupasse artigos e vídeos mais significativos em termos de aprofundar uma abordagem do fenómeno «IA», desde o ponto de vista da economia geral, à sua repercussão sobre as liberdades e autonomia dos cidadãos. O facto de transcrever ou citar qualquer artigo ou vídeo, não significa, obviamente, que eu esteja 100% de acordo com aquilo que nele é expresso. Antes pelo contrário,  não limitarei as entradas aos pontos de vista que estejam mais próximos dos meus. 

PS1: Muitos se inquietam que esta bolha de «IA» seja o mesmo que a bolha dita «.com», ou ainda que a bolha das criptodivisas. Com efeito, esta corrida pela melhor capacidade de funcionamento de instrumentos de IA envolve (segundo artigo de Lena Petrova) somas colossais:

 . Alphabet levantou 17 milhares de milhões de dólares nos EUA e outros 6 milhares 500 mil milhões de euros na Europa.

.  Meta investiu uma soma brutal de 30 milhares de milhões de dólares, com um livro de encomendas batendo todos os records, de 125 milhares de milhões.

. Oracle vendeu 18 mil milhões de dólares para financiar a construção do seu centro de dados. De acordo com o banco Morgan Stanley, as ambições relativas à IA, poderiam implicar 1,5 biliões em empréstimos ao sector tecnológico até 2028. 

. JPMorgan estima que os hiper centros de dados irão custar 570 milhares de milhões apenas para o ano de 2026 - 4 vezes o que investiram, apenas há uns poucos anos..

[AI Boom Is Ending - The Truth Behind the Hype No One Wants to Admit]

Este massivo investimento da grande finança no sector da IA, amplificará as perdas que inevitavelmente surgirão, quando alguns projetos se mostrarem muito menos rentáveis do que tinha sido aventado inicialmente. 


World Affairs In Context:

                                            https://www.youtube.com/watch?v=Q6zHLELxEdA



Ben Norton:

                                         https://www.youtube.com/watch?v=JAZqYQBwWNY


Quantum Silk Route:

                                        https://www.youtube.com/watch?v=rtD_Emq0pbs


Entrevista a Iain Davis:The Technocratic Dark State  

(clicar no link para ir para o vídeo em ODYSEE)

https://off-guardian.org/2025/11/23/watch-the-technocratic-dark-state/


QUANTUM SILK ROUTE

                                  https://www.youtube.com/watch?v=oyS2s1LhMoA&t=3s


CNBC International

                                        https://www.youtube.com/watch?v=gQemV8nChDo




- O CEO de NVIDIA está desesperado. Com efeito, a sua companhia está em risco de perder acesso ao mercado chinês. As restrições colocadas pela China significam que NVIDIA não irá fazer negócio naquele país, daqui para a frente. Além disso, a China desenvolveu soluções muito mais eficientes, nomeadamente os «chips» analógicos muito mais rápidos e consumo muito menor em energia. Não há dúvida que as empresas chinesas irão dominar o mercado no futuro. 

SOUTH CHINA MORNING POST (HONG KONG)





 
It's Getting Harder And Harder To Preserve Our Mental Sovereignty
(*)
 https://substack.com/@caitlinjohnstone

(*) Está a tornar-se cada vez mais difícil  preservar a nossa soberania mental

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Um em cada oito estudantes nos EUA incapaz de compreensão de matemática elementar

          Foto: Educação «on-line»

Retirado e traduzido a partir de Armstrong Economics

A Universidade UC San Diego divulgou um estudo preocupante que mostrava que 1 em cada 8 alunos candidatos ao curso da faculdade (college) tem uma competência de apenas escola média em matemática. A instituição viu-se forçada a introduzir cursos de recuperação em matemática para os alunos dos primeiros anos da faculdade, que colmatassem as carências que vinham desde a escola elementar, até ao liceu. O denominador comum tem sido o COVID, pois as notas caíram rapidamente desde 2020.

O número de estudantes que precisavam de aulas de recuperação em matemática amplificou-se de 1 em 100, para 1 em 8.  Os estudantes têm dificuldade em resolver equações básicas. “Preencha o valor de X correspondente: 7 + 2 = X + 6.” Uma assustadora percentagem de 25%  de estudantes não conseguia responder a esta pergunta. Cerca de 37% dos estudantes eram incapazes de subtraír fracções e 61% tinham dificuldade em fazer um arredondamento com números elevados, até à centena mais próxima. A UCSD está classificada atualmente como a 5ª melhor universidade pública americana e tem 24% de aceitação. A situação na generalidade dos estudantes americanos é muito pior. 

O estudo não atribuia o problema à política de «Nenhuma Criança Fica Para Trás» implementada pelo ex-presidente George W. Bush em 2001. O estudo da UCSD atribui o declínio acentuado a factores mais recentes, como a paragem educativa devida ao COVID-19, a eliminação de testes estandardizados nas admissões, a inflação das notas e o crescente recrutamento a partir de liceus sub-financiados.

Estes estudantes estavam nos 8º ou 9º anos quando os «lockdowns» fizeram a educação parar. O que acontecerá aos estudantes mais jovens que viveram interrupções quando estes conceitos básicos foram indroduzidos pela primeira vez no curriculum?

O Programa para Avaliação Internacional dos Estudantes (PISA) é efetuado cada três anos, para avaliar a educação entre as nações da OCDE. O teste é dado a cerca de 600 mil estudantes de 15 e 16 anos, nos vários países, para avaliar o seu nível de compreensão de matemática, ciências e leitura. Em relação a 2022, estas são as dez nações com melhores resultados em matemática: Singapura (575), China (552), Taiwan (547), Hong Kong (540), Japão (536), Coreia do Sul (527), Estónia (510), Suíça (508), Canadá (497), Países Baixos (493). Os estudantes dos EUA têm um score de 465, ficando 90 pontos abaixo da China.

Os lockdowns do COVID apenas exacerbaram a crise educacional nos EUA; a próxima geração de trabalhadores estará numa desvantagem extrema.

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

BEN NORTON: O motivo real para o apoio dos EUA a Israel e o falso «cessar-fogo»



Donald Trump prometeu «tomar conta» e «possuir» Gaza. O governo dos EUA planeia dividir o Território Palestiniano numa «zona verde» administrada, por aliados ocidentais, enquanto os cidadãos de Gaza ficarão entalados uma «zona vermelha», que não será reconstruída. Os EUA esperam que os investidores ganhem centenas de milhares de milhões de dólares.
Ben Norton noticia sobre a o esquema colonial.


Topics 0:00 Colonial US-Israeli plan for Gaza 1:29 Israel's fake Gaza "ceasefire" 4:27 Trump vows to "take over" Gaza 4:49 (CLIP) Trump: USA will "own" Gaza 5:04 Plan to divide Gaza 6:00 Map of Gaza divisions 6:50 European troops will occupy Gaza 8:04 "Green Zone" in Iraq War 9:38 Leaked blueprint for Gaza 10:38 Benjamin Netanyahu 11:34 Colonial plan for Gaza 12:32 IMEC: India-Middle East-Europe Corridor 13:07 China's Belt and Road Initiative (BRI) 14:21 Gaza plan 14:54 "Investment" in Gaza 16:05 Colonialism 16:29 Geopolitical strategy 17:33 US vision of West Asia (Middle East) 18:18 Trump Gaza Riviera & Elon Musk zone 19:02 Corporations exploit low-paid Palestinian workers 19:57 Gaza's offshore natural gas fields 20:43 Colonial-style land leases 22:27 Tokenization scheme 23:07 "Voluntary relocation" of Palestinians 25:22 Jared Kushner is US "mediator" with Israel 26:10 (CLIP) Kushner on Gaza "waterfront property" 26:22 Western colonialism in Palestine 28:04 Outro || Geopolitical Economy Report ||
 

terça-feira, 18 de novembro de 2025

O LADO OBSCURO DO CRESCIMENTO VIGOROSO CHINÊS


 Como diz o título, trata-se duma história de construção extravagante e sem hipótese de rentabilidade, desde a estação de ski, numa província onde raramente neva, até à  transformação das praças da cidade em cópias de praças europeias célebres ... Tudo isto, deixou uma dívida de mais de 20 mil milhões de dólares, numa das províncias mais pobres do interior da China. No final, os únicos "turistas" a beneficiarem dos relvados no centro da cidade, são os rebanhos de cabras que aí vão pastar...

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NOTA: O responsável por este enorme desperdício foi julgado e condenado à pena capital. Os prevaricadores na China não têm impunidade garantida, ao contrário de seus equivalentes ocidentais, que podem fazer tudo mas são intocáveis.

KEYU JIN: "ESTAMOS TODOS ENGANADOS SOBRE A CHINA"


 Trata-se de olhar a realidade sob outro prisma.


É PRECISO OLHAR PARA QUEM PROMOVE A OFERTA DE IMOBILIÁRIO.  CONTRARIAMENTE AO OCIDENTE, O CRESCIMENTO NESTE SECTOR É promovido PELOS PRESIDENTES DAS CÂMARAS...

VEJA TAMBÉM A NÃO-CORRELAÇÃO ENTRE O MERCADO DE AÇÕES E O CRESCIMENTO DA ECONOMIA GERAL.

terça-feira, 11 de novembro de 2025

A guerra dos chips & o caso Nexperia

Esta guerra comercial/industrial foi desencadeada pela Holanda, que decidiu sob pretextos muito pouco sustentáveis, apropriar-se da sucursal na Holanda da empresa chinesa, fabricante de chips (especialmente para a indústria automóvel). Acontece que a China reagiu imediatamente, proíbindo que a fábrica chinesa da Nexperia, na qual se concentram as atividades industriais, exportasse para a Holanda os seus chips. 
A indústria automóvel alemã entrou em crise, quase de imediato, quando três marcas diferentes suspenderam a produção, enquanto não fosse restaurado o fornecimento dos chips da Nexperia.

- Recentemente, a China apresentou isenções, aliviando os importadores, para usos civis de chips da Nexperia. 

EPÍLOGO: Os holandeses foram obrigados a recuar. Tiveram que conceder à China, de novo, a exportação dos seus chips, sobretudo perante o risco de paralisia da indústria automóvel europeia, que depende destes. 

Veja:



Aquilo que ninguém lhe disse sobre a guerra dos «chips»



Veja a mais estúpida tentativa de barrar a China de vender os seus chips... e o resultado.