Enquanto fonte manuscrita, este livro é considerado das mais importantes fontes na musicologia britânica, juntamente com o Fitzwilliam Virginal Book e o «My Lady Nevells Book».
No livro de Ann Dawson (datado de 1716) está u artisticamente encadernado e as notas de música estão perfeitamente desenhadas. Provavelmente, ele serviu para Ann Dawson receber lições de seu mestre de música (do qual se ignora tudo).
Muitos concertos para orquestra de cordas com instrumentos solistas foram transcritos para o cravo. Os autores incluem Vivaldi e outros italianos, Domenico Alberti e Francesco Manferdini.
Transcripções doutro tipo de obras. Foram transcritas:
- Abertura duma ópera de Bononcini, popular na época,
- Sonatas de Arcangelo Corelli e de Johan Christoph Pepusch; este último estava ativo em Londres nessa altura.
- De Jean Baptiste Lully, o «Choeur des Cybèles» da ópera Atys.
- Quanto às toccatas para cravo, vários autores estão presentes: William Babell, Haendel e um autor alemão do Norte da Escola de D. Buxtehude.
- John Weldon, com uma suite, é o único compositor britânico representado (ou, pelo menos, nomeado explicitamente).
- O livro transcreve, igualmentre, árias italianas para soprano ou para tenor, extraídas de óperas que tinham sido representadas em Londres, antes de 1716.
As transcripções incluem a realização anotada do baixo contínuo*. Segundo o musicólogo que analisou o Livro de Ann Dawson, é verosímil que a recolha tivesse sido efetuada com o intuito de ensinar a realização do baixo contínuo.
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* A linha do baixo sustenta a melodia. Sobre esta linha, o cravista devia realizar o baixo contínuo, executando uma sucessão de acordes, para acompanhar a voz solista. Esta execução obedecia a regras estrictas. Os músicos profissionais podiam - no entanto - realizá-lo de improviso.
**Vários dos concertos de Vivaldi, acima citados, foram igualmente transcritos por J. S. Bach, durante a sua estadia em Cöthen, ao serviço do príncipe. Este pequeno Estado alemão adoptara o calvinismo, o que, em termos de música litúrgica, significava a maior austeridade: Eram proíbidas peças instrumentais no culto; apenas peças vocais eram autorizadas, com textos extraídos da Bíblia, como os Salmos. Pelo contrário, na corte do Príncipe Leopoldo a música profana era muito favorecida. Ele possuía uma pequena orquestra, à qual se juntava frequentemente. Terá trazido da Holanda muitos livros de música impressa para a sua biblioteca, incluindo os concertos de Vivaldi. Estes concertos de Vivaldi e doutros compositores italianos (Alessandro e Benedetto Marcello, T. Albinoni, etc.) inspiraram Bach a transcrevê-los para cravo ou órgão. Bach, não só os transcreveu, como os interpretou, mostrando assim seu virtuosismo nos instrumentos de tecla.
