Sim, o capital pode extinguir-se. Não apenas o capital fictício ou financeiro, também o capital que se traduz em empresas, edifícios públicos, etc...
A loucura, ou hubris, que atinge a oligarquia mundial, arrastando um número considerável de papalvos da classe média dos países ocidentais, vai ser «a mãe dos rebentamentos das bolhas». Lembram-se das empresas fictícias (as «dot.com»), colocadas nas bolsas mundiais, sob pretexto falacioso da Internet vir aí e mudar radicalmente, não apenas o mercado de trabalho, mas a própria vida? Onde estiver «dot.com» coloque-se «IA» e terá uma imagem, mas para esta ser calibrada, terá de multiplicar pelo menos por 100 os capitais investidos que irão evaporar-se no éter, quando a bolha estourar.
Não acredito que os super-oligarcas que dirigem esta operação sejam completamente estúpidos. Além do mais, terão - com certeza - engenheiros, cientistas, economistas e outros peritos, que os aconselham em permanência. O entusiasmo dos governos em facilitar a instalação de data centers, ao ponto de fazer periclitar outros investimentos públicos, depredando as populações vizinhas destes monstros, duma rede eléctrica minimamente confiável, pior ainda, DE CORTES DE ÁGUA, como só experimentavam, até agora, as populações dos países ex-coloniais...
Esse entusiasmo tem de ter uma explicação racional. Ora, dizer que são estúpidos, ou que não se importam nada com os seus súbditos, não é explicação nenhuma.
Claro que os grandes centros ditos «Data Centers» são óptimos para recolher, armazenar, catalogar e processar dados. Numa sociedade em que os súbditos estão (legitimamente) revoltados com a descida vertiginosa do nível de vida, será previsível que os «democráticos» governos do ocidente utilizem todo o arsenal de polícias-robotcops, de meios repressivos a todos os níveis, sobretudo de vigilância global, constante... É para isso que servirão os «Data Centers»: O modelo do Estado totalitário do século XXI.
No Ocidente, a possibilidade de recuperar o investimento em IA efetuado pelas empresas tecnológicas, é remota. Isso significa que é o público que irá cobrir o défice com os seus impostos. Pelo contrário, na China, a «revolução da IA» está a ser pilotada a partir do centro do poder. Não há nenhum de «descarrilar»; verifica-se a execução de uma planificação. No centro da hierarquia do PCCh, muitos são engenheiros, cientistas. Isto contrasta com os advogados e politólogos que enxameiam as administrações dos países do G7, em particular dos EUA.
Não era preciso a bolha da IA, para a economia ocidental descarrilar e colapsar. Bastavam as guerras causadas pelo imperialismo. A guerra de agressão contra o Irão, que retirou uma parte significativa dos combustíveis fósseis do mercado. Bastava o investimento demente em armas, que terão como única finalidade destruir pessoas e capital nos países considerados inimigos.
Mas, para qualquer problema, as luminárias que nos governam pensam sempre que a «solução» é «jogar a dobrar», ou seja, agravando ainda mais o que provocou o problema...
A Europa dos excluídos está a acordar. As «elites» do dinheiro e do poder, se julgam que a situação se resolve com «duplicar a dose» de repressão, estão realmente a acelerar a descida para o caos.
Não sei como nem quando, mas talvez a morte do sistema venha aí, sem que a maior parte das pessoas se aperceba, pelo menos no princípio. Quando a ilusão se desfaz, não há maneira de a reconstituir. Que seja o início do fim deste sistema iníquo.
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