Poderia inaugurar o mês de Outubro, descrevendo a crise moral que o «Mundo Ocidental» atravessa. Mas, em paralelo, tem estado a desenvolver-se uma crise de ordem económica-financeira, da maior gravidade. Ninguém duvida, hoje , que os EUA e os países do G7 estão num processo de acumulação de dívida pública claramente insustentável. O (mau) reflexo de dirigentes do Japão e da Alemanha é avançar com posturas hostis, agressivas, ativando programas de rearmamento, respectivamente contra a China e contra a Rússia. Nunca estivemos tão próximos, desde o fim da IIª Guerra Mundial, de uma confrontação generalizada entre as principais potências e com envolvimento de potências de menor calibre. Porém, nós adoptamos um conceito de guerra híbrida e assimétrica, que pode acender-se em qualquer zona do Globo, principalmente envolvendo países do chamado Sul Global. Consideramos que existe há mais de 25 anos (desde 1999) um tipo de Guerra Global completamente novo e que decorre do facto dos EUA, enquanto potência dominante, quererem obrigar a que todas as restantes nações se verguem à sua vontade: «Might make right» Na panóplia desta IIIª Guerra Mundial incluem-se vários tipos de instrumentos:
Os pacotes de sanções, com confiscos de bens financeiros, as tarifas punitivas, os embargos.
As guerras locais ou regionais, que têm sido de tipo neocolonial entre uma potência hegemónica e estados frágeis (Somália, Jugoslávia, Afeganistão, Iraque, Líbia, Síria, Irão), usando frequentemente as dissenções dentro desses países e de algumas forças mercenárias, que se colocam ao serviço dos exércitos neocoloniais;
Além disso, Israel e EUA têm impunemente destruído a legalidade internacional, danificando gravemente autoridadade e a eficácia da ONU, enquanto organização destinada a prevenir e ajudar a resolver os conflitos.
Sem querer reduzir tudo à economia e às situações de desequilíbrio financeiro que se têm avolumado, nos últimos tempos, é preciso não esquecer as situações de crise económica têm vindo a originar, em certos países, políticas belicistas, de «fuga para a frente», com projecção de propaganda hostil, acabando por se entrar numa guerra «clássica». Têm tais posturas sido adoptadas por muitos Estados, desde a Guerra do Peloponeso, na Antiguidade, até aos conflitos generalizados, as duas Guerras Mundiais. Igualmente, ao longo dos séculos XX e XXI, nas guerras contra os poderes dominantes, de independência e libertação do jugo neocolonial, os países colonizadores (ou neo-colonizadores) têm mostrado incapacidade de encetar processos negociados, convencidos de que os povos oprimidos não têm possibilidade de se governar por si próprios.
A guerra não é solução para os problemas. A crença de que é preciso uma guerra para os resolver, tem sido repetidas vezes demonstrada como sendo uma falsidade. Mas, estou convencido que estamos a caminho de uma generalização do quadro de guerra híbrida e passaremos, talvez este ano ainda, talvez no próximo, ao envolvimento mais direto das grandes potências. Isso seria trágico, pois iria potenciar os conflitos existentes, em vezes de os resolver e um possível alastramento das ações de guerra.
Fala-se abertamente na utilização de armas nucleares «táticas», o que é apenas um passo mais na escalada que conduzirá a bombas intercontinentais de grande potência, ou seja, à destruição garantida da nossa civilização e possível destruição de todos os ecossistemas capazes de sustentar a espécie humana.
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