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sexta-feira, 2 de outubro de 2026

IDENTIFICAÇÃO DE ESPÉCIES PELO ADN ANTIGO: O caso de Homo denisovans

O documentário dedica um largo espaço a descrever o processo de descoberta da espécie «denisovana», descoberta a partir do ADN extraído de um dos ossos do dedo mínimo duma menina que terá morrido entre os 5 e 8 anos. 

Junto com esse fragmento de osso do dedo na cave de Denisova (daí o nome da espécie) na região de Altaï, no sul da Sibéria, foram também identificados alguns dentes, pelo mesmo método, como pertencentes a denisovanos. 

A partir desse momento, vários anos decorreram até serem identificados novos fósseis de denisovanos. Somente nessa ocasião foi possível «dar uma representação do rosto» desta espécie, contemporânea dos neandertais e dos humanos «modernos». 

Vários fósseis não identificados, pertencentes a várias colecções na China, foram testados, esperando-se encontrar novos fragmentos de ADN de denisovanos. Porém, tal foi impossível, porque o ADN antigo se degrada com facilidade.

Apesar disso, moléculas de  proteínas presentes nos ossos, como o colagéneo, podem ser sequenciadas em relação aos seus amino-ácidos, dando indiretamente a sequência correspondente no ADN. Foi assim que se identificou um fragmento de mandíbula, encontrada numa caverna do Tibete. Mais recentemente, foi estudado o crânio - muito bem preservado - do «Homem dragão», que tinha sido escondido durante mais de 80 anos, num poço, pelo trabalhador que o descobriu, em Harbin, perto do rio Dragão. 

Tenho descrito, em várias postagens, os avanços das investigações em relação aos Denisovanos, mas também em relação  aos Neandertais e a nossa espécie. Este vídeo, embora não traga dados novos, é muito completo em relação à metodologia de identificação e caracterização da nova espécie humana.

 https://www.youtube.com/watch?v=UmLv8882htY




quinta-feira, 9 de agosto de 2018

FORMAS FRACTAIS NA FAUNA DE EDIACARA, COM MAIS DE 500 MIL ANOS



As formas pré-Câmbricas são muito raras, pois as estruturas dos organismos eram pouco propícias a deixarem vestígios fossilizados. 
As formas que se conhecem hoje em dia, provenientes de Burgess no Canadá e de Ediacara na Austrália, são de um interesse excepcional, na medida em que revelam «experiências» no Reino Animal, que correspondem a filos inteiramente desaparecidos, completamente diferentes, em estrutura, dos filos resultantes da chamada «explosão» do Câmbrico.
Nomeadamente, as ramificações fractais que se podem observar nas fotos de fósseis animais de Ediacara, abaixo, poderiam originar uma atribuição equivocada ao Reino Vegetal. 


            Fig. 2.

Quanto aos fósseis do tipo Stromatoveris sp., como na foto abaixo, também não pertencem a qualquer filo subsistente hoje em dia.

              

É difícil de imaginar o mundo dessa época. 
Os seres vivos que existiam então, com certeza, possuíam relações complexas entre si. Porém, as suas estruturas e os modos de locomoção eram de tal modo distantes do que veio a seguir, que será quase impossível fazer uma reconstituição rigorosa do seu modo de vida.

Julgava-se que a «explosão» das diferentes formas de vida, no Câmbrico, incluindo muitos dos filos ainda representados na fauna contemporânea, teria causado a extinção da fauna de Ediacara. 
Porém, a realidade é bastante mais matizada: várias formas desta mesma fauna subsistiram ainda durante umas dezenas de milhões de anos, antes de se extinguirem.  
Isto torna ainda mais misteriosa a causa do desaparecimento desta fauna do pré-Câmbrico, pois vários destes filos animais prosperaram durante mais de 30 milhões de anos, durante os quais tiveram, com certeza, uma óptima adaptação às condições ecológicas.