Segundo o Prof. Jiang Xueqin, "o Irão não está apenas a lutar numa guerra contra os EUA; está a combater a estrutura que sustenta o poder global dos EUA".

terça-feira, 10 de março de 2026

Água: a molécula anómala, que proporciona a vida


Num certo sentido, sim a água pode ser perigosa, como diz Feynman. Mas, é a mulécula mais essencial da vida. Quando são investigados sistemas planetários dentro ou além do sistema solar, uma indicação que é sempre procurada, é a existência de água. Os cometas, que por vezes caem na Terra, são compostos de grande percentagem de água. Esta água transporta certos elementos que vão para a crosta terrestre. Pode dizer-se que esta forma de acreção envolvendo água, sempre esteve presente, desde a formação da Terra. Richard Feyman, refere as formas que tomam as macromoléculas dos seres vivos, que são as proteínas e os ácidos nucleicos (DNA e RNA). É notável que as formas arquiteturais destas moléculas só podem levar a cabo suas funções respectivas, quando imersas na água, com a presença de uma série de iões em solução, os quais estabilizam as estruturas. A água participa na formação de géis e de cristais, tem portanto um papel na construção dos edifícios supra-moleculares. A perigosidade da água a que se refere Feyman é - quanto a mim - o facto de ser tão essencial, tão indispensável, que a sua falta ou escassez é um desafio para sobrevivência de humanos e de todos os seres vivos. 

domingo, 8 de março de 2026

JAN PETERSON SWEELINCK "EST-CE MARS" [Segundas-feiras musicais n°52]




J. P. Sweelinck Variações sobre a canção  "Est-ce Mars?"


 O interprete Ton Koopman é  um dos grandes interpretes de música barroca ( cravo, órgão,  chefe de orquestra).


FUTURO SOMBRIO DA HUMANIDADE

 Será que milhões de inocentes terão de morrer, para que se encare oficial e internacionalmente o banimento de armas nucleares, incluindo a sua investigação e estocagem? 

- Creio que se tal morticínio de milhões acontecer, haverá - pelo contrário - uma aceleração para a hecatombe final. Logicamente, uma guerra nuclear vai ser desencadeada num ponto ou região delimitada, inicialmente. Depois, vai alastrar, até envolver todas as  potências com capacidade nuclear. As zonas que não têm estas armas, também irão sofrer, pois em tal etapa do confronto nuclear todos os ecossistemas serão gravemente contaminados. 

Toda a vida humana - a prazo - estará condenada. A civilização, o humanismo, o que há de elevado no ser humano, desaparecerão logo. 

Aliás, já estão a desaparecer, pois o genocídio da população de Gaza foi perpetuado na indiferença, quando não aprovação dos cidadãos do Norte rico. Nos países Ocidentais, diziam professar uma ou outra versão do crisitianismo. Que o professem ainda, não o creio: Muitos, incluindo as lideranças políticas, intelectuais e religiosas, renegaram os valores do cristianismo, só restando os «não-valores» cínicos do poder e do dinheiro. 

O crime continuado de Gaza abriu a caixa de Pandora de todas as aventuras bélicas, que entretanto aconteceram e as que estão para acontecer. Este crime, com a cobertura e conivência vergonhosa do Ocidente, torna possível a generalização da IIIª Guerra Mundial, na sua brutalidade, mormente contra civis indefesos.

O que se nos depara como mais provável hoje, é destruição das bases económicas para a sobrevivência das Nações; é a transformação em ruínas dos monumentos de todas as várias culturas; é o desaparecimento dos valores morais, ou seja, a barbárie generalizada. 

Este patamar, que certas potências estão prontas a  encetar e ultrapassar, vai ser um rápido ponto de viragem para a final destruíção do planeta, através da guerra nuclear. 

Seja qual for a religião, ideologia, etnia, etc, pessoas de todas as condições e origens irão sofrer uma morte atroz, seja por irradiação, contaminação radioactiva, escassez de alimentos e/ou violência resultante. 

Como evitar este terrível destino?

Como o poder está concentrado em muito poucas mãos, seria de esperar que estes, os poderosos, se tornassem sábios, generosos, humanos? - Lamento, mas não acredito nisso. Sobretudo, por aquilo que eles têm mostrado ao mundo, nestes tempos. Mas também, em relação aos humanos, em geral. Pois se os perigos tornam heróicos alguns, revelando coragem para salvar seus semelhantes, estes humanos são muito reduzidos em número. Embora o seu sacrifício seja moralmente sublime, a sua eficácia será nula, para os elevados fins que se propõem. 

Estamos entregues à pior canalha, de facínoras, psicopatas, narcísicos e de criminosos empedernidos. São eles que ascendem aos lugares cimeiros nos partidos e do comando dos Estados: São favorecidos os que não têm escrúpulos de qualquer espécie. 

As massas, enlouquecidas, assustadas e furiosas, irão guerrear entre si, com a maior energia, esquecendo os valores religiosos ou morais que aprenderam. Os poderosos irão desencadear campanhas de condicionamento (lavagens ao cérebro) que farão com que os pobres e oprimidos se irão culpar uns aos outros, por tudo o que está a acontecer. Não irão identificar os senhores feudais da era tecnológica como estando na origem dos seus males e escravidão mental. Pois, se fossem capazes de sair do seu estado de alienação, já o teriam feito. Há muito tempo que este cenário está montado. Já está a ser desenrolado diante dos nossos olhos. 

A oligarquia globalista conseguirá impor o seu projeto.  Ela está convencida que terá de haver  o desaparecimento de cerca de 4/5 da humanidade, para que eles possam dispor dos recursos do Planeta, sem ter de os partilhar com humanos, que consideram «piolhos». Estão convencidos, como elitistas que são, que poderão prevalecer num mundo de robots e de IA, dispondo das riquezas e confortos do Planeta inteiro. Este é o seu plano diabólico e estão convencidos de que têm boas hipóteses de o fazer vingar. 

Atualmente vejo assim, o estado do mundo e dos humanos. 

A QUESTÃO ERRADA SOBRE A GUERRA NO IRÃO



Se nós queremos perceber alguma coisa do que se passa atualmente no Médio Oridente, não nos devemos focalizar no início da ofensiva bélica israelo-americana de 28 de Fevereiro 2026. Temos de recuar pelo menos 40 anos, quando Netanyahu formulou pela primeira vez a intenção de eliminar, por todos os meios, a «ameaça» do programa nuclear iraniano.
A questão iraniana não é compreensível se não se tiver em conta que, ao longo das últimas décadas, o Irão, enquanto Estado, tem sido o apoio maior e mais coerente da luta dos palestinianos. A questão palestiniana é portanto, senão a única, pelo menos uma importante causa do ataque continuado de Israel e dos EUA  contra a República Xiita. 

No artigo abaixo, do Professor Yakov Rabkin (Professor Emeritus na Universidade de Montréal), enviado por Pascal Lottaz (Neutrality Sttudies), podemos ter uma amostra de factos relevantes, nestes últimos 40 anos, no que toca a Israel, à Palestina e à importância do Irão para a luta de libertação do povo palestininano do colonialismo e racismo de Israel.

-----------------------------------------------------------------------------------

The Wrong Question about the War in Iran

At its root, the assault on Iran is inseparable from the question of Palestine.

Yakov M. Rabkin

Much of the discussion surrounding the current war on Iran focuses on its potential outcome for the United States. One of the most frequently asked questions is whether Washington will suffer yet another loss of face in the Middle East. But this is the wrong question. Even if the war produces chaos and ultimately harms the United States and Europe—as earlier interventions in Iraq, Libya and Syria did—the more important issue is what benefit Israel, the war’s proponent and initiator, stands to gain. After all, Prime Minister Benjamin Netanyahu has said he had been planning this war for 40 years.

The reason for this is Iran’s principled stance on justice for the Palestinians. That commitment transcends religious divisions: Iran is predominantly Shia, while Palestinians are predominantly Sunni. Iranians and their allies in Lebanon and Yemen are prepared to die as martyrs, and many have already been killed by joint Israeli and American strikes. Yet the yearning for justice has proven to be both profound and resilient.

Iran remains the principal stronghold of resistance to Israel. It not only decries Israel’s apartheid regime and genocide in Gaza but also supports armed resistance groups such as Hezbollah and Hamas. By contrast, almost all governments in the region are only opposed to Israel’s occupation and oppression of Palestine in principle, while cooperating with Israel in practice.
Turkey is an important transit point for oil and gas supplied to Israel. Egypt has helped Israel isolate Gaza and starve its inhabitants. During the last Israeli attack on Iran in 2025, Jordanian and Saudi air defences protected Israel from incoming Iranian missiles. The United Arab Emirates, Bahrain, Morocco, and Sudan formalized relations with Israeli through the 2020 Abraham Accords. Elbit, an Israeli company, accounts for 12 percent of Morocco’s total arms imports, and other Arab regimes openly or tacitly purchase Israeli weapons and surveillance equipment. This pattern is exhibited by many other countries, particularly in the West.


-----------------------------
PS1: Aquilo que muitos anti-capitalistas bem-intencionados não compreendem é a relação da luta de classes em cada país e região, com a luta global pela libertação das garras do suprematismo americano. As greves em portos do Mediterrâneo, dos trabalhadores portuários recusando carregar material de guerra para Israel, as manifestações de massas em variados países que pertencem à OTAN, o repúdio de parte significativa dos americanos sobre o desencadear desta guerra, tudo isso faz com que a classe política esteja mais hesitante em satisfazer os lóbis pró-sionistas e ceder às tendências autoritárias, no Ocidente. 
Em Espanha, o governo de Sanchez tem uma posição de princípio clara, sobre o genocídio palestiniano e sobre a guerra de agressão israelo-americana contra o Irão. Penso que - indiretamente - as posições oficiais de Espanha refletem o sentimento do povo espanhol, contrário a estas aventuras imperiais.



sexta-feira, 6 de março de 2026

quinta-feira, 5 de março de 2026

A GLOBALIZAÇÃO NÃO MORREU; ELA APENAS MUDOU DE ROUPAGENS



A consolidação do poder globalista avança em silêncio, enquanto a guerra lavra no Irão e noutras nações do Médio-Oriente. Os Estados estão a ficar endividados como nunca.
O dinheiro serve para comprar armamentos aos grandes consórcios e a desenvolver programas de Inteligência Artificial : Estes significam uma transferência massiva de capital para os grandes empresários, não para os cidadãos comuns, pois somente  empobrece estes últimos. A dívida tem sido assumida pelos Estados. Estes vão extorquir mais em impostos (instalam-se também dispositivos autoritários).
A disponibilidade deste montão de capital será para os bilionários das indústrias bélicas e tecnológicas. Assim,  eles irão enriquecer ainda mais!



As pessoas são de uma ingenuidade atroz! As atoardas nacionalistas e retrógadas de um Trump e de seus acólitos, são tomadas como significando que eles querem aquilo que declaram. Declaram o fim da globalização, um retorno a que o interesse nacional anteceda o do estrangeiro e toda uma série de atoardas contra a OTAN, a UE e a ONU. Curiosamente, foi por vontade explícita dos EUA e sua casta dirigente que estas instituições globalistas (tal como o FMI e Banco Mundial) foram erguidas e têm dominado, ao nível mundial, a política, as trocas comerciais, a finança etc. O grande capital financeiro e industrial é quem tem decidido, nos EUA, quais os presidentes e a política que eles devem tomar, desde o primeiro quartel do Séc. XX (do presidente Woodrow Wilson ... em diante). Nos países da Europa Ocidental, as intrigas e golpes tiveram como protagonistas ocultos, os grandes magnates. São eles quem escolhe os dirigentes e o programa que devem aplicar. Basta pensarmos nos ditadores Salazar e Franco: Eles nunca teriam conseguido manter-se, sem o apoio de industriais e financeiros, que foram decisivos para sua subida ao poder; ou ainda, em França, G. Pompidou (um funcionário da banca Rothschild) etc.

Muitas pessoas ignorantes pensam que estou a exagerar; que tais conexões são falseadas; que relaciono várias coisas desconexas, apenas pela minha ideologia. A eles só lhes digo: Vão estudar a sério a História dos últimos 100 ou 150 anos e verão que há muitas evidências que reforçam aquilo que afirmo.

O «anti-capitalismo» do discurso de extrema-direita, também não é novidade, não surgiu na onda «MAGA», nem nos políticos de direita conservadora, ou de extrema-direita, que disputam o poder em muitos países da UE, incluíndo Portugal. Também o fascismo de Mussolini e o nazismo de Hitler se apresentavam com uma faceta anti-capitalista, mas apenas discursiva, para melhor enganar uma classe trabalhadora pouco instruída e sujeita a ser arrastada pela demagogia. Aliás, estes discursos nunca impediram os grandes capitalistas de «apoiar com a carteira» aqueles candidatos ao poder absoluto.
A ideologia não se destina a esclarecer as massas sobre as intenções profundas dos dirigentes: Bem pelo contrário, destina-se a ocultar o verdadeiro programa; aquele que só é conhecido pela hierarquia mais elevada desses partidos e pelos seus financiadores.

A grande transferência massiva do capital público para o privado, faz-se com manobras óbvias, mas que têm sido obscurecidas de forma a que se continue a fazer esta transferência.
1ª Os Estados vão-se endividando ao longo do tempo, supostamente para fazer face a despesas urgentes e não orçamentadas, num primeiro tempo. Num segundo tempo, a finalidade real deste endividamento nem sequer é ocultada. Por exemplo, para dotar os países da U.E. de uma indústria bélica capaz de - a prazo - «derrotar a Rússia». Ou ainda, gastar o que for preciso em desenvolvimento da IA (Inteligência Artificial) para construir sistemas - civis ou militares - que multipliquem as capacidades presentes, tendo em conta que a China está num patamar tão ou mais avançado que os ocidentais, a este respeito.
2ª As transferências do capital levantado pelos Estados, para indústrias que se quer privilegiar, dão-se de várias maneiras: Doações para «desenvolvimento», empréstimos a juros muito baixos, encomendas de equipamentos para o Estado, parcerias do Estado com grandes empresas privadas, etc.
3º A dívida pública é a prazos largos, de 20 ou mais anos, quando se destina a financiar um projeto de longo prazo. Os juros dessa dívida são - por norma - baixos, o que torna esta aplicação de capital «pouco apetitosa» para o público. Então, o Estado obriga por lei uma série de instituições a terem uma certa quantia em obrigações do Estado nas suas reservas. São os casos de Bancos, Companhias de Seguros e Fundos de Pensões. A norma aplica-se com o argumento falacioso de que um Estado nunca entra em falência, logo tal reserva seria para «proteger» os clientes destas instituições. Ora, os juros tendem a ser muito baixos e a não acompanhar a inflação real, que se verifica ao longo de muitos anos. Estes juros fixos custam cada vez menos, em termos reais, a pagar. O principal em dívida, também vai perdendo valor, consoante os episódios de inflação no tempo decorrido. Deste modo, o Estado vai buscar o capital a juro muito baixo, emprestado por investidores (sobretudo) institucionais.
4º O Estado está nas mãos dos grupos de interesses mais poderosos, que controlam a política, através de doações chorudas a cada campanha eleitoral. Estas doações permitem que tal ou tal partido tenha muito mais dinheiro (que os outros) para gastar em publicidade, em comícios, em materiais de propaganda, etc... Assim, o partido tem a eleição quase assegurada. Mas, o consórcio de capitalistas financiadores tem os dirigentes desse partido na mão. Se estes se afastarem do programa (o verdadeiro, não o que apresentaram a eleição) serão castigados, não havendo dinheiro para financiar as suas campanhas futuras; podem até desviar os subsídos para outros canditados, adversários do partido «rebelde». Uma das coisas mais decisivas no pós-eleições, é saber-se para que projetos e investimentos o novo governo canaliza os capitais de que dispõe.

5º A «necessidade» de criar ou de reforçar fábricas de armamento pode até ser uma tolice de todo o tamanho, mas o público nunca será autorizado a examinar a questão com toda a transparência. Os apoios eleitorais foram efetivados; as somas  prometidas foram entregues e seria impensável que o partido que beneficiou de tais apoios, fosse descartar este aspecto do seu programa. Por isso, as questões relacionadas com a defesa, a guerra, ou  as ameaças de segurança para nosso país, nunca são tratadas na media de massas com um mínimo de seriedade. O poder encarrega-se de fazer com que a média "mainstream " diga aquilo que é preciso, para defender o rearmamento e que desqualifique os críticos, pelos processos habituais da calúnia, de distorcer  afirmações, ou de black-out...

Isto acontece também nos países mais poderosos, que possuem indústrias capazes de produzir e melhorar microprocessadores, os programas de software para IA, etc. Estes produtos da indústria são de aplicação dúplice, ou seja, tanto podem ser aplicados para fins pacíficos, como bélicos. O desenvolvimento da IA tem  potenciado as armas sofisticadas, os robots, os drones, os aviões de combate e os mísseis. Pode dizer-se que um investimento em IA será como na indústria bélica, somente ligeiramente disfarçado.

Temos aqui, nos 5 passos acima, a essência do que os governos dos Estados capitalistas mais poderosos fazem para desviar somas bilionárias para fins bélicos. Esta escolha vai submeter a sociedade, as pessoas, os tralhadores, a uma política de austeridade (mais uma vez!). Daí que os regimes se tenham vindo a transformar em «democracias musculadas», com polícia de intervenção, pressões sobre resistência social e pacífica (sindicatos, associações diversas). Neste exercício de «democracia» apenas formal, não haverá real oportunidade para se afirmarem, já nem falando de ganhar eleições, forças que permitam uma alternativa real ao sistema.

Conferência de Pepe Escobar: QUAL É O GRANDE JOGO NA ÁSIA CENTRAL?

E QUAL A RELAÇÃO COM A IIIª GUERRA MUNDIAL? *



(*) Este vídeo foi filmado há dez anos. Ele dá-nos chaves importantes para compreendermos o que está por detrás das grandes rupturas e das guerras nos últimos anos e de agora mesmo.  

A maior parte dos europeus e americanos estão na ignorância sobre a concretização das novas Rotas da Seda, as partes já realizadas e as que estão em curso.
O Irão está na encruzilhada de tantas importantes vias, dispõe de tanto petróleo e gás, um ponto nodal absolutamente crítico para as Novas Rotas da Seda. Os grandes grupos corporativos, que têm o controlo do governo dos EUA, não podiam «consentir» isso. Esta é a verdadeira causa da criminosa campanha militar dos EUA e de Israel.

quarta-feira, 4 de março de 2026

Biliões proporcionados às empresas de IA pelo Estado e Banco Central

 



O dinheiro é criado a partir do nada pela Federal Reserve dos EUA (o banco central). O governo dispõe deste dinheiro, que vai distribuir sob forma de subsídios e de empréstimos (a juro muito baixo) às empresas de tecnologia. Assim, biliões são desviados de programas sociais, de apoio ao emprego, de investimentos em áreas produtivas. Tudo isto, para favorecer meia-dúzia de empresas tecnológicas gigantes (Palandir, Oracle, Microsoft, Google, Meta, etc.)

ATÉ AO FIM DA NOITE [OBRAS DE MANUEL BANET]



 Vai até ao fim da noite com ou sem candeia,

Com ou sem companhia. A solidão não piora nada

A escuridão é passageira; a luz do dia vem saudar

Aqueles, persistentes, que avançam todos

Os passos até chegar à superfície do poço

O poço do medo está em nós; é ilusão

Em plena escuridão já estamos

Não somos cegos; nunca a escuridão

É total;  podemos 'ver' tacteando

Ouvir, cheirar, provar, sentir

Reverberam as vozes 

Ficam as pegadas dos passos...


terça-feira, 3 de março de 2026

Prof. Jiang Xueqin - Raciocínio surpreendente sobre 3° Guerra Mundial



Este académico, Jiang Xueqin, é doutorado pela Universidade de Yale. Tem aulas transmitidas em direto e gravadas, no Youtube. 
Duas das suas três principais previsões sobre a evolução dos EUA (eleição de Trump, guerra contra o Irão) já se realizaram, a terceira é surpreendente mas está dentro do campo dos possíveis.
Kim Iversen é uma das mais seguidas jornalistas, que apresenta uma refrescante perspectiva de independência e em coerência com os seus valores democráticos.

 

segunda-feira, 2 de março de 2026

Três Compositores Portugueses dos Séc. XVI e XVII [Segundas-f. Musicais nº51]

Órgão da Sé de Évora (tubaria do renascimento)


António Carreira (ca.1525- ca.1587)
 Canção a Quatro Vozes, Grosada


Contemporâneo de Carreira, Gonçalo de Baena editava em 1536 um livro de órgão didático, com entabulações (ou glosas) de canções polifónicas na moda (sobretudo franco-flamengas) e outras, dele próprio e de mestres ibéricos. 





Susana grosada a quatro vozes sobre a canção de Lassus




Aqui a obra vocal de Roland de Lassus «Suzanne un jour» que inspirou muitas glosas.



Pedro de Araújo (cerca de 1640-1705)
Batalha de Sexto Tom



Os compositores acima estão inseridos na tradição ibérica, que inclui tanto figuras de Espanha como de Portugal. Já nos séculos XIV e XV, ao nível das cortes reais, havia um fluxo constante de músicos oriundos dos diversos centros da Península Ibérica e também de outros países europeus, da Flandres à Itália. Porém, apesar dos compositores estarem mergulhados em ambientes cosmopolitas (as cortes) ou eclesiásticos, um forte «sabor ibérico» conservou-se nas suas composições, tanto vocais como instrumentais. 

António Carreira, como mestre da Capela Real, estava bem no centro de um meio favorável à música, acolhedor em relação às tradições da Europa do Norte, quer dos Países Baixos e Flandres, quer da Borgonha e, certamente, bem ao corrente da produção musical nos Reinos de Aragão e Castela.

O Padre Manuel Rodrigues Coelho (organista da Sé de Elvas), esteve em contacto com polifonistas portugueses (Frei Manuel Cardoso fez a revisão da sua obra magna),  e conheceu pessoalmente o filho de António de Cabezón, Hernando de Cabezón. As suas obras classificadas como «Tentos» revelam influências de Sweelinck*. A sua colectânea «Flores de Música» (impressa em 1620) revela elevado grau de maestria nos estilos de escrita musical da época (fim do séc. XVI- princípios do Séc. XVII). 

Pedro Araújo foi organista na Sé de Braga e exerceu outros cargos. As suas composições, designadas por «Meios-Registos», «Obras» e «Fantasias», estão na continuidade da tradição ibérica. A sua composição mais célebre, aqui reproduzida, é designada por «Batalha». Estas peças utilizavam a célebre «La Guerre de Janequin» (peça vocal do Renascimento), como base para variações exuberantes. Algumas das suas partes são compostas de sucessões de acordes, imitando as trombetas e outras sonoridades nas batalhas. São peças bastante extrovertidas. Pelo contrário, as outras obras do Mestre Araújo, são muito mais reflexivas e adequadas para acompanhar partes da Missa.
 
A escassez das fontes desta época não nos permite saber muito sobre a prática da música em contextos profanos. Restam poucos exemplos de danças ou de outro reportório com características profanas. Porém, existem pelo menos duas fontes que nos revelam aspectos importantes da música profana em Portugal, nesta época: 
A) Os cancioneiros eram pequenos livros («livros de mão») contendo poesia lírica de vários autores, cuja música correspondente é conhecida, em muitos casos. Tais canções circulavam nas cortes, sendo a lírica, ora em castelhano, ora em português. A parte vocal superior correspondia frequentemente à melodia. As restantes duas ou três vozes, podiam ser executadas pela vihuela (forma ibérica do alaúde) e/ou por outros instrumentos. 
B) As canções postas em tablatura para os instrumentos de tecla, mas igualmente para vihuela ou harpa. Existem exemplos nas obras de Gonçalo de Baena, António Carreira, António de Cabezón e de Rodrigues Coelho  e noutros compositores. Temos a certeza documental da utilização destas tablaturas e sua utilização para anotar versões para tecla de canções polifónicas, na Ibéria. Esta prática estende-se por cerca de um século, pelo menos, do início do século XVI, ao início do séc. XVII. Foram muito cultivadas as versões instrumentais de obras vocais. Mas, o mais importante da questão, é que estas grosas ou glosas estão na origem da música instrumental, em particular, para instrumentos de tecla. Estas glosas  evoluiram desde simples transcrições, somente acomodando as diferentes vozes à execução num teclado, para se tornarem peças elaboradas, conservando a estrutura original, mas enriquecida com comentários e paráfrases. A arte da glosa, como cedo foi codificada por Frei Tomás de Sta. Maria, consistia em usar ornamentos e variações das vozes. Certamente, não estando esccritos tais ornamentos e glosas, ficavam ao critério do executante. 
As peças escolhidas para tal adaptação instrumental eram frequentemente canções da escola franco-flamenga (Thomas Créquillon, Clément Janequin, Adrien Willaert, etc.). Estas canções, agrupadas em recolhas impressas, possuíam larga circulação europeia na época. Também várias canções ibéricas foram  glosadas («Con qué la lavaré», «Para quien crie yo cabellos», «Canto del Caballero», etc.)
- A forma «tema com variações» surgiu em várias partes da Europa, incluindo na Península Ibérica, onde se usava o termo «diferencias». O procedimento era basicamente o mesmo: através de glosas, sucediam-se versões ornamentadas/variadas de um tema. Nomes diferentes nas várias nações europeias, referem-se um processo de composição igual ou semelhante. As danças, nomeadamente a Pavana, Pasacalle, Chaconne... também obedecem ao padrão de «tema e variações». 



Relacionado: Obra de M S Kastner «Três compositores lusitanos para instrumentos de tecla, séculos XVI e XVII: António Carreira, Manuel Rodrigues Coelho, Pedro de Araújo. Lisbonne, 1979.»
------------------
*Não nos espanta que tenha o Padre Rodrigues Coelho recolhido muita informação na preciosa biblioteca musical do futuro Rei D. João IV (O «rei músico»). Desta biblioteca, só subsiste o catálogo; o seu conteúdo ardeu completamente, aquando do Terramoto de 1755.

domingo, 1 de março de 2026

Crónica da IIIª Guerra Mundial [ nº56]: SERÁ ESTA A ÚLTIMA?

 Quando rebentou a 1ª Guerra Mundial, numerosos jovens recrutas estavam contentes: « Esta guerra será a última!» clamavam eles. Os propagandistas da guerra, de todas as nações e facções, reforçavam este mito. A guerra mais cruel e destruídora que a humanidade tinha visto, até então, acabou num «armistício». Mas, este «armistício» não deu azo a que se construísse uma verdadeira paz. Na verdade, o período de 20 anos entre as duas Guerras Mundiais, foi um longo «falso armistício», entrecortado por guerras e pela subida de forças totalitárias apoiadas em ideologias e em sentimentos de raiva, de «desforra», de nacionalismos e ódios étnicos. 

Mas, tudo isso era insuflado, discretamente, pelos grandes potentados industriais das nações maiores, os quais tinham consolidado os seus impérios graças à Iª Guerra e estavam desejosos por ver de novo as diversas nações escoar o sangue dos seus jóvens em amplos rios tingidos de vermelho. 

Eles- os industriais - sabiam que seriam eles os vencedores, quer fossem  alemães, britânicos ou americanos... Não esqueçamos que o grande capital já estava muito internacionalizado, nas décadas de 1920 e de 1930. As empresas industriais do aço podiam fornecer aço para fabricar blindados alemães, americanos, ou franceses. 

Os produtos das indústrias químicas eram produzidos numa nação, ou em várias, mas revertendo sempre o lucro para um número pequeno de grandes empresas e seus proprietários, que detinham as patentes destes produtos. 

A banca também lucrava, de várias maneiras, com a guerra: Receptadora de contas bancárias, intermediária em negócios multimilionários, emprestando (com juros) aos Estados endividados, etc.

Desta vez (como tenho escrito repetidamente), na «IIIª Guerra Mundial» não existe uma declaração de guerra, nem, por vezes, atos de hostilidade, continua a haver comércio, as embaixadas continuam abertas, em muitos casos. Mas, existe uma sucessão de guerras, cada uma delas trágica para os que nela estiveram envolvidos, desde a re-balcanização da ex-Jugoslávia, às guerras em África, ora no Norte de África, ora no Sul, no Leste ou Oeste. Nestas, os campos opostos estavam a ser armados por potências, das quais os países africanos foram ex-colónias, ou regimes neo-coloniais. Um cenário semelhante tem existido nas guerras da Ásia Ocidental e Central. Enquanto uma zona estava em pleno furor, noutra abrandavam os atos bélicos, sem garantia de não voltarem a reacender-se amanhã. 

- E os grandes poderes? Os que acumulam riqueza à custa dos outros povos, principalmente e que se serviram dos seus conhecimentos do estado interno daquelas nações, para colocar uns contra os outros, atiçando guerras civis, apoiando ou derrubando um ditador, mas para exclusivo proveito do seu domínio?

- As potências tecnológicas? Estarão elas «inocentemente» a desenvolver maravilhas microinformáticas, que depois são desviadas para fins bélicos? Ou são parte integrante do complexo militar-industrial dos países mais poderosos? São «unha com carne» com as indústrias armamentistas, que usam seus «chips» (processadores) e sua tecnologia informática, desde a espionagem, até aos mais sofisticados drones e mísseis ?

- E os bancos, que estão eles a fazer? Não creio que fiquem «de mãos cruzadas». Eles se posicionaram, desde há longo tempo, para dominar a cena internacional. Têm sido eles, os vencedores reais, quaisquer que sejam os vencedores nominais! Amshel Rotschild dizia: «não me interessa quem governa uma nação, desde que seja eu quem controla o seu banco central». Com efeito, através dos empréstimos, a grande banca tem as nações presas pelo mecanismo da dívida pública, sendo esta um tipo de empréstimo especial, cujos contratos são assinados pelos poderes políticos do momento; mas o pagamento recai sobre o povo desse país e mesmo, sobre seus descendentes. As pessoas e seus descendentes são  ignorantes e não-participantes em tais negócios. Mas, são sempre eles que pagam (com juros) os empréstimos para as guerras.

E por falar em pagar... Já viram que os povos estão a contribuir para acções militares para as quais nunca foram consultados? Quem diria que a questão da guerra e da paz, certamente  questão da maior relevância política, nunca é discutida publicamente, seriamente, com candidatos que têm uma clara visão sobre o assunto e com posições afirmadas nos órgãos legislativos? É como se o povo... não fosse chamado para o assunto. 

A «questão da guerra», dizem os dirigentes entre si, «não deve nunca ser discutida pelo povo, especialmente quando as nações se preparam para a fazer»!

Enquanto as pessoas viverem numa infância prolongada, pela irresponsabilidade e mantida pelo circo eleitoral e «democrático», continuará a haver guerras...

Como dizia Einstein, «Não sei, ao certo, como será combatida a IIIª Guerra Mundial, mas a IVª sei: Será combatida com pedras e paus». 


Haverá ou não mais guerras?

- A questão desdobra-se em duas alternativas: Consoante o futuro se assemelhe mais a uma ou a outra, assim teremos, ou não, guerras.

A) A cidadania dos diversos países toma controlo dos assuntos políticos, tendo poder de decisão democrática em tudo o que respeita às nações respectivas. 

A guerra torna-se impossível porque, naturalmente, as contendas serão resolvidas diplomaticamente, à mesa de negociações, nunca no terreno de batalha, pois os povos sabem perfeitamente que esta última hipótese nunca traz resolução justa verdadeira.


B) A cidadania dos diversos países continuará a seguir os líderes do momento, os quais serão, na verdade, os paus-mandados das grandes fortunas (industriais, financeiras, tecnológicas...). Continuará a haver guerras. Porque a lógica do poder fará com que a guerra continue sendo um negócio muito lucrativo para esse mesmo poder.

Vemos que o futuro está nas nossas mãos. Além disso, somos todos/as responsáveis pelo que se está a passar. Quer tenhamos apoiado ou não os atuais dirigentes políticos, a nossa responsabilidade é de não permitir que as nações continuem a recorerr à violência maior de todas, ao crime mais hediondo, para resolver suas contradições. A nossa abstenção - não no voto, mas na ação - é, afinal de contas, conivência com o que se está a passar. Independentemente de apoiarmos, ou não, um dos lados em contenda. 

Porquê? Porque os cobardes que nos (des)governam só conseguem chegar aos seus fins, se houver nossa anuência, nossa tolerância, nosso «deixar fazer». Reparem que, em situações passadas, relativamente próximas de nós: Vários governos foram obrigados a negociar acordos de paz com o outro lado, por pressão da opinião pública do seu país, mesmo quando a situação militar, só por si, não tinha chegado ao colapso.


------------------------

PS1: Tenho lido críticas sobre a «fraca resposta» da Rússia e da China em defesa da Venezuela ou, agora, do Irão:

As grandes potências que são a Rússia e  a China, não iriam cometer o erro de confrontar diretamente os EUA e a OTAN, para salvar um regime, por mais que - em termos geoestratégicos - seja importante. 

Com efeito, nem Irão, nem Coreia do Norte, nos seus acordos bilaterais com a Rússia, têm cláusulas que obriguem esta última a ir combater em defesa das primeiras, quando agredidas. O contrário acontece com o tratado da OTAN: Segundo o artigo 5º, quando atacada, uma nação da OTAN recebe automaticamente apoio militar das outras.
Os BRICS são um conjunto de nações que se reúnem para decidir sobre estratégias económicas, sobretudo. Não existe componente militar nos BRICS. A Organização de Cooperação de Xangai, tem como objeto explícito combater ameaças terroristas. Tem sido mobilizada para combater infiltrações de organizações terroristas no interior dos territórios dos seus membros. 
Na verdade, pode-se argumentar que Israel e os EUA são estados terroristas. Mas, a guerra total entre blocos é desejada pelos neocons. Os dirigentes da Rússia e da China, pelo contrário, estão a ajudar o Irão (na frente diplomática, isolando os EUA e Israel, fornecendo armas poderosas, etc.) sem se envolverem diretamente. Eles sabem que isso implicaria um confronto direto com os EUA. 
Os que controlam a agressão ao Irão, serão os EUA ou Israel? Penso que -de novo - Trump fez a vontade a Netanyahu: Receio que este último disponha de poderosos meios de chantagem, em relação a Trump e a outros membros da Administração. Só isso pode explicar a fuga para a frente, que corresponde a este ataque, não motivado, contra o Irão.
Nas muito recentes* conversações de Genebra, o ministro dos Estrangeiros iraniano tinha proposto ao lado americano um mecanismo para não haver acumulação de material radioativo no Irão, o que implicava a impossibilidade de possuir as quantidades necessárias para fazer uma bomba. Esta proposta ia mais além das garantias dadas nas conversações de 2015, que desembocaram no acordo designado por JCPOA, do Irão com os EUA, Alemanha, França e Reino Unido. Este acordo foi denunciado unilateralmente aquando da 1ª presidência Trump, em 2018.

PS2: 



-----------------
*Iniciadas a 6 de Fevereiro de 2026 e terminadas (interrompidas) a 26 de Fevereiro do mesmo ano. Na altura, Israel estava já ameaçando com ações «punitivas» o Irão. Os israelitas desencadearam o primeiro ataque com mísseis pouco tempo depois, a 28 de Fevereiro, seguidos imediata e coordenadamente, por ataque dos EUA.




sábado, 28 de fevereiro de 2026

RESPOSTA DO IRÃO AO ATAQUE AMERICANO-ISRAELITA...

 (FACTOS QUE A MÉDIA CORPORATIVA NÃO MENCIONA)




RELACIONADO

Ben Norton desmonta as mentiras do império:

Ex-Embaixador USA Chas Freeman detalha os objectivos estratégicos dos EUA e de Israel:



PASSADOS 5 DIAS SOBRE O INÍCIO DA AGRESSÃO MILITAR ILEGAL DOS EUA E DE ISRAEL CONTRA O IRÃO, UMA VOZ DIZ A VERDADE PERANTE AS ONDAS DE PROPAGANDA NA EUROPA E EUA.

Dr. Ramzy Baroud : FICHEIROS EPSTEIN OBRIGAM-NOS A RASGAR O MANUAL DA POLÍTICA

 https://www.arabnews.com/node/2634245/amp?utm_source=substack&utm_medium=email


Epstein files force us to tear up the political playbook

Short Url

When British author David Icke wrote his seminal work, “The Biggest Secret: The Book That Will Change the World,” published in 1998, he was not speaking metaphorically. When he detailed the “reptilian genetic streams” of “elite” families — human-reptile hybrids allegedly engineering global events — he meant it literally. To Icke, the world is not run by mere humans but by an interdimensional species operating just outside the visible light spectrum.

While many scoff at this as the ultimate apex of human gullibility, millions have found a dark comfort in Icke’s “wisdom.” According to a landmark 2013 poll by Public Policy Polling, about 4 percent of American adults — between 12 million and 13 million people — believe that shape-shifting lizard people control our world.

Conspiracy theories in the US occupy a wide spectrum of beliefs. While the reptilian theory sits at the fringe, others command mainstream traction. According to that same study, 51 percent of Americans believe a larger conspiracy was behind the assassination of President John F. Kennedy, 37 percent view global warming as a hoax and 29 percent believe that aliens exist.

Recently, these fringe ideas have drifted toward official discourse. In 2021, former President Barack Obama said “there’s footage and records of objects in the skies that we don’t know exactly what they are.” And this month he stated that aliens are “real.” This was followed by US President Donald Trump declaring that he would begin “the process of identifying and releasing government files related to alien and extraterrestrial life.” This rhetorical tug-of-war has effectively moved the extraterrestrial conversation from the realm of the tabloid to the halls of mainstream politics.

The files point to a shadow government operating entirely outside the confines of democratic accountability

Dr. Ramzy Baroud

However, the most significant shift in public skepticism did not come from space, but from a private island. The Epstein files — the documentary evidence of a shadow network operated by Jeffrey Epstein — unveiled a web of influential statesmen, corporate titans and intelligence assets. To those who believed in a “New World Order” conspiracy back in 2013 (28 percent of the US population), the millions of documents released by the Department of Justice provide grim validation. They point to a shadow government operating entirely outside the confines of democratic accountability.

The crimes of Epstein are now a matter of public record, thanks to the tireless efforts of survivors and investigative journalists. But for political science, the Epstein saga represents a Galileo moment. It is the realization that our institutions are often not the center of the political universe but are in fact satellites orbiting elite private interests.

Historically, we have been taught to view the world through a few primary lenses: realism, which focuses on state-on-state power and national security; liberalism, which champions international institutions and the rule of law; and dependency theory, which highlights the economic exploitation of the “periphery,” the developing nations, by the “core,” the wealthy nations.

Under these frameworks, we analyzed the Richard Nixon era through realpolitik, the Bill Clinton years through liberal internationalism and the George W. Bush years through neoconservatism. But the Epstein network challenges all of them. This is no longer about core versus periphery or containment versus preemptive war.

Traditional theory assumes leaders act on behalf of their citizens. The Epstein files suggest a different reality: a secretive social contract bound by mutual vulnerability and blackmail. In this system, shared secrets are a more stable currency than gold or votes. We are witnessing the rise of the transnational elite theory. This framework suggests the true state is a borderless network of high-net-worth individuals who have more in common with each other than with the citizens of their own countries.

The failure of oversight was not a glitch — it was evidence of a system repurposed to support the elite

Dr. Ramzy Baroud

These “sovereign individuals” fly above national laws in private jets, moving assets through jurisdictional gaps that the average citizen cannot see. They do not just influence laws; they exist in the gray zones in between them. For decades, victims spoke out but mainstream institutions marginalized them. On the chessboard of power, they were too insignificant to matter. The failure of oversight bodies was not a glitch — it was evidence of a system repurposed to function as a support system for the elite.

The implications for our future understanding of power are profound. If the primary driver of high-level policy is no longer the ballot box or national interest but rather the preservation of opaque, transnational networks, then our current democratic models are essentially obsolete. We are forced to admit that the political theater we witness daily — the debates, the elections and the legislative battles — may merely be a superficial layer designed to distract from the deeper, darker mechanics of the global hierarchy.

Furthermore, this paradigm shift suggests that the marginalized of the world are not just those in impoverished nations but anyone excluded from this high-networked social contract. The divide is no longer strictly between the core and the periphery of nation states but between the networked elite and the disconnected public.

Now that the public sees the liberal world order as a system that applies rules only to the un-networked, it has lost its moral authority. While the old theories remain useful for understanding the history of politics, they cannot explain its current state. The elites are a powerful network capable of acting against their own governments’ national interests to achieve political power, private leverage and wealth.

Perhaps the literal lizard people have yet to be revealed in the sense that Icke tirelessly promotes. But as the Epstein saga proves, a predatory, cold-blooded and unaccountable elite is no longer a theory — it is documented reality.

  • Dr. Ramzy Baroud is a journalist, author and the editor of The Palestine Chronicle. His latest book, “Before the Flood,” will be published by Seven Stories Press. His website is www.ramzybaroud.net. X: @RamzyBaroud