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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

COMO SE MANIPULA A DEMOCRACIA

 

Mais do que a alienação pelo trabalho, pelo desporto, pelo jogo, pelo sexo, pelas drogas... a indiferença social alastra com grande velocidade. 

Quando eu era criança havia indiferença social, com certeza. Mas, as pessoas «bem-pensantes» escandalizavam-se quando viam ou liam num jornal, que uma criança foi maltratada, que um pobre foi assassinado em plena rua, etc...  Hoje em dia, a quantidade de factos deste género é de tal maneira avassaladora, que é impossível uma pessoa guardar um sentimento genuíno de aversão pelas cenas revoltantes, de se indignar e exigir justiça, ou que vá em socorro da vítima. Sobretudo, é impossível pelo facto de se estar banhado numa sociedade indiferente, cínica, que olha para o outro lado, como se tal cena não tivesse nada que ver connosco. 

A sociedade massificada, implica um comportamento massificado. As pessoas são «ensinadas» ou condicionadas a apenas reagir quando certos «sinais desencadeadores» surgem: Por exemplo uma celebridade do espectáculo ou do desporto (ou outra...) a participar ativamente numa marcha, ou num «clip» transmitido na tv ou no telemóvel... 

Poucas pessoas se apercebem da extensão do medo social que impera nas nossas sociedades. Mas, um caso paradigmático é da monstruosa campanha do COVID, a maneira como os poderes se auto-designaram como «salvadores», à custa de um generalizado estado de sítio, uma repressão arbitrária, uma violenta e totalitária exclusão das vozes dissidentes, mesmo quando (ou sobretudo quando) estas vozes pertenciam aos mais credenciados especialistas da biologia e medicina. Foi tão violenta esta campanha de «psyop» (psychological operation), que um número considerável dos que se ergueram e denunciaram as sucessivas fraudes, foram arredados sumariamente dos empregos, foram ostracizados, excluídos de qualquer meio de defesa. Os meios da «justiça» apareceram claramente como inadequados, incapazes de pôr um travão (mesmo que o quisessem) à catadupa de ilegalidades do poder. O poder de Estado não estava só: Era serventuário de poderes corporativos, as grandes farmacêuticas, mas também sectores das profissões médicas, que rasgaram o juramento de Hipócrates, que supostamente deveriam reger sua ética, para alcançarem o beneplácito do poder político, via sua vedetização mediática.

O ato seguinte foi a campanha de provocações dos países da OTAN contra a Rússia, que começou durante o golpe do chamado EuroMaidan (em Kiev) e culminou com o derrube violento de um governo legítimo, democraticamente eleito, colocando no poder revanchistas, gente com ódio por tudo o que fosse russo; estes puseram Stepan Bandera num altar e fabricaram um «santo», dum indivíduo que participou pessoalmente, durante a IIª Guerra Mundial, nos massacres organizados durante a invasão alemã da Polónia e da Ucrânia soviética, de muitos milhares de polacos, de judeus e de russos.

Neste contexto, a burguesia dominante nas instituições europeias, fez discretamente sinais de apoio. O regime que violou os princípios da própria UE e da ONU, foi insensado em todas as capitais europeias, como se fosse o «regresso da democracia à Ucrânia». Nesse mesmo momento - e refiro-me ao antes de 2022 e da invasão russa - era perfeitamente evidente que os políticos e cidadãos comuns que não se conformavam com a «Ordem Nova» instaurada na Ucrânia, eram perseguidos, agredidos, presos, forçados ao exílio. Tudo o que a imprensa ocidental - nessa altura - relatava sobre Batalhões AZOV e outras milícias da extrema-direita era pouco, mas esse pouco era suficiente para que as pessoas vissem a realidade.

Mas, a propaganda, nos nossos dias tem a particularidade de conseguir que a imensa maioria das pessoas se contente com a «selecção» e «gestão» dos factos que os media corporativos lhes forneçam. Os que não cedem à propaganda, são uma minoria e nessa minoria, poucos levam a cabo o trabalho de investigação pessoal, passando as opiniões ao crivo do seu espírito crítico e  confrontando fontes diversas sobre as notícias. Por isso, a principal força do lado da OTAN é a massiva colaboração da media corporativa. Só ela conseguiria manter, ano após ano, o mito «do corajoso Zelensky e seu governo», o lado dos «bons», dos patriotas ucranianos, contra os maus dos russos, que «invadiram sem provocação prévia» uma parte do território da Ucrânia.  Mas não dizem (não ignoravam...) que a população russa dos Oblasts do Leste da Ucrânia (Lugansk e Donetsk) tinha sido sujeita a uma guerra de desgaste pelo exército ucraniano, enviando quotidianamente bombas e mísseis para os centros urbanos populosos, durante os anos 2014-2021. Além disso tinha-se  o exército ucraniano concentrado em Janeiro de 2022 com as melhores divisões, para efetuar uma incursão massiça destinada a aniquilar qualquer resistência. Foram pelo menos 14 mil civis, os mortos pelas bombas ucranianas, nesses territórios maioritariamente russófonos. A OSCE deu conta das atividades bélicas nos anos anteriores a 2022 e, portanto, os meios criminosos e genocidas usados pelo governo de Kiev, eram do conhecimento tanto os governantes da UE, como as redações dos media. 

A política tem sido transformada num desesperante combate desigual, em que os senhores do momento podem fazer a lei, não através de um consenso resultante de debate franco, com os eleitores e  com participação aberta de forças políticas rivais. O processo político está viciado à partida, pois os órgãos de comunicação principais (os canais de televisão, sobretudo) estão transformados em câmara de eco dos interesses corporativos. Estes, por sua vez, decidem quem são os que vão ganhar as eleições: Graças às suas doações, às diretivas para os media que eles controlam, graças a um sem fim de conivências no tecido governamental e empresarial... Assim, «anulam» ou «encolhem» na perceção do público, as soluções que apresentam outras forças políticas. O público é muito condicionado, embora não se aperceba, pela chamada «dinâmica de vitória», se lhes parece que existe (pode ser verdade, ou não) uma maioria que vai votar num partido X, há uma percentagem dos eleitores que antes se teria abstido ou que votaria noutros partidos, que acaba por dar seu voto à força «vencedora».  

De qualquer maneira, aquilo que é o discurso corrente dos partidos nos períodos pré-eleitorais e eleitorais não tem nada que ver, no essencial, com  o verdadeiro programa de governo, se um desses partidos ganhar as eleições. As campanhas eleitorais foram sempre muito pouco propícias para o esclarecimento da cidadania sobre as diversas opções em jogo. Porém, agora, o discurso político é propositamente confuso, ocultando as reais intenções dos candidatos.  

A partir do momento em que se instaurou o sufrágio universal, nos países da Europa Ocidental e da América do Norte, principalmente, punha-se a questão para a classe dirigente, de exercer continuamente o seu domínio, sem ter que - periodicamente - instaurar ditaduras, o que acabaria por dessacralizar a «vaca sagrada» da «democracia liberal». Assim, com a peritagem de homens como Edward Bernays e muitos outros, instaurou-se uma ordem onde o público era mantido numa ficção permanente. Ficção de que o «soberano» era o povo, que ditava com a sua vontade as leis e orientações do governo. Ingénuo e vaidoso, desde que elogiado nos discursos que gostava de ouvir, o público caíria na esparrela facilmente, votando no partido designado pela elite do dinheiro, que decidiria qual o próximo governo. Portanto, o poder continuava nas mãos duma pequena minoria, da oligarquia, mas com a aparência do governo e decisões serem a expressão da vontade dos votantes. Nada melhor, para os verdadeiros detentores do poder, desde que eles conseguissem fazer este jogo suficientemente bem para que o povo não duvidasse. 

Além disso, a existência de eleições «livres» fazem com que o governo, a sua ação e as leis emanadas do parlamento, te implicam a ti, cidadão eleitor: As  decisões importantes seriam - no fundo - resultantes do «jogo democrático»: «Ou tu estiveste de acordo, porque votaste no partido agora no poder, ou , caso tenhas votado contra, deves ter a honestidade e o «fair-play» de deixar os outros governar, visto que as eleições foram «limpas».  É esta a sofística da chamada democracia, não da democracia dos gregos da antiguidade, nem a dos «sans-culottes» da revolução francesa. 

Aquilo que é mais nojento e que todos os políticos do sistema sabem bem é que - de facto - os eleitores não têm absolutamente nenhuma ideia sobre a personalidade dos que eles são convidados a eleger; não sabem também qual o real programa de governo, aquele que entrará em vigor se o partido que eles «escolheram» ganhar as  eleições. Também não existe, de modo legal, procedimento de retirar dos seus lugares aqueles governantes ou deputados, que tiverem um comportamento muito diferente do que prometeram, ou por incompetência, ou por venalidade, ou por perfídia...

Infelizmente, a imensa maioria das pessoas está convencida que «isto» que têm à sua frente é «democracia» e que não existe nada mais... Ou então, que será uma variante de um regime totalitário. É muito difícil exercer uma pedagogia no sentido de esclarecer o povo. Seria necessário instaurar-se (ou restaurar-se) associações de várias finalidades - associações sindicais; cooperativas; culturais; desportivas - que fossem locais onde se pudesse exercer uma forma diferente da democracia, a democracia direta. Depois, esta prática continuada poderia desembocar no exercício de formas de democracia direta em municípios e regiões. Não creio que este progressivo alastrar da democracia direta ou de base, fosse logo capaz de destronar a falsa democracia, baseada na fraude e na corrupção a todos os níveis. Mas, por outro lado, também não é com «tomadas do poder» do tipo bolchevique, ou outras, que uma sociedade pode encetar o caminho para mais democracia. 

Penso que um sistema onde os eleitores tiverem efetivos mecanismos para destituir ou fazer caducar o mandato de algum eleito, se ele não estiver a agir e votar de acordo com o mandato pelo qual concorreu, seria um bom princípio, porque iria introduzir a responsabilidade política efetiva nos eleitos perante os seus eleitores. 

quarta-feira, 4 de março de 2026

Biliões proporcionados às empresas de IA pelo Estado e Banco Central

 



O dinheiro é criado a partir do nada pela Federal Reserve dos EUA (o banco central). O governo dispõe deste dinheiro, que vai distribuir sob forma de subsídios e de empréstimos (a juro muito baixo) às empresas de tecnologia. Assim, biliões são desviados de programas sociais, de apoio ao emprego, de investimentos em áreas produtivas. Tudo isto, para favorecer meia-dúzia de empresas tecnológicas gigantes (Palandir, Oracle, Microsoft, Google, Meta, etc.)

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

BIS: O BANCO dos BANCOS CENTRAIS



Parte I:



 O Bank of Internacional Setlements foi mantendo o fluxo de comércio com o III. Reich alemão quase até ao fim da IIa Guerra Mundial. Sob pretexto de neutralidade, fez com que o regime de Hitler durasse mais uns largos meses, sendo que um grande número de baixas civis e militares poderiam ter sido evitadas.

O BIS tem sido um proponente da digitalização TOTAL do dinheiro. Tem avançado  com investigação destinada a viabilizar as famosas"divisas digitais emitidas pelos bancos centrais". Além disso, tem argumentado a favor do controlo absoluto sobre as divisas digitais e sua programação.  Ou seja, o possuidor dessas divisas não poderá usar-las livremente, mesmo em compras legais. Assim, os Estados iriam controlar TODAS as transações dos cidadãos,  podendo até bloquear as suas contas.

Já imaginaram o que nos preparam? Orwell não foi tão longe ao descrever a utopia totalitária, no romance "1984".


Parte II:

https://www.youtube.com/watch?v=4i1YLx6FnkI&t=232s


Pascal Lottaz e Lena Petrova - em dois vídeos - põem a claro como são e como agem as instâncias que escapam completamente ao nosso controlo. Nem sequer são eleitos pelos cidadãos dos países respectivos. Mas os cidadãos de todo e qualquer país ficam sujeitos ao BIS e aos bancos centrais. Estes terão em breve o maior controlo sobre nós, graças aos CBDCs. 

Vale a pena ver e ouvir!

quarta-feira, 23 de julho de 2025

POR DENTRO DA «GUERRA OMNIA*» COM DAVID A. HUGHES

*OMNIWAR, que traduzo por GUERRA OMNIA, significa a guerra total, em todas as dimensões da vida.



https://www.collapselife.com/


O site COLAPSE LIFE traz-nos o autor David A. Hughes, um verdadeiro intelectual com imenso valor, compreendendo dentro desta expressão não apenas a maturidade do pensamento teórico, como de uma coragem e uma ética que faltam a muitos dos ditos intelectuais nos nossos tempos. 

A sua análise sobre a deriva da sociedade dita «democrática liberal», para um tipo de «tecnocracia» é semelhante ao que vários autores, na década de 30, imaginaram. Mas, agora, esta utopia é tornada possível e está realizada, com o desenvolvimento da electrónica, da informática, da cibernética e doutras maravilhas tecnológicas que tanto nos podem emancipar, como nos escravizar à máquina impiedosa do capitalismo globalizado.

Abaixo, deixo o link para esta extraordinária entrevista (clicar no título)

Inside the Omniwar with David A. Hughes


(O site da entrevista é «Collapse Life»)


RELACIONADO

Política de sanções: A ideia por detrás das sanções é colocar a população de um país na miséria, na esperança de que ela se revolte e derrube o governo desse país. 

Isto é  ilustrado pelo novo estudo no jornal médico britânico Lancet, pelos economistas  Francisco Rodríguez, Silvio Rendón, e Mark Weisbrot, que encontraram que as «sanções unilaterais estavam associadas com um saldo anual de 564 258 mortes,” que estimam seja  “semelhante ao nível de mortalidade global associada a um conflito armado”.

Notam que “ as sanções têm efeitos substanciais na saúde pública, com uma taxa de mortalidade semelhante à das guerras".

O estudo conclui que “Woodrow Wilson referia-se às sanções como 'algo mais tremendo do que uma guerra'. A nossa evidência sugere que isto está certo. Durante a década passada, estimamos que as sanções unilaterais causaram cerca de 560 000 mortes anuais em todo o mundo. É difícil de imaginar outra política, com tais efeitos adversos para a vida humana e que seja constantemente usada.”

(retirado de...)

Lancet Study: U.S. Economic Sanctions Kill 500 000 People Per Year.

segunda-feira, 18 de novembro de 2024

O ELOGIO DA PREGUIÇA

 Gostava de fazer o elogio da preguiça*, mas da verdadeira, da que não corresponde a uma fase de recuperação das forças, para depois continuar o trabalho, para se aguentar a rotina, para aí passar as melhores horas do dia a fazer aquilo que - interesse-nos, ou não - interessa sobretudo ao patrão. 

O problema ultrapassa a questão da duração do trabalho. O movimento operário, historicamente, lutava por uma delimitação, uma redução da contribuição do trabalhador em horas de trabalho, sem redução do salário. Não vejo isso como eticamente errado,  embora o «tempo de trabalho» seja uma aproximação em relação ao trabalho verdadeiro, sem aspas. 

Os economistas ao serviço do patronto inventaram essa coisa infernal da «produtividade», uma falácia** grosseira, pois o trabalhador não controla as condições concretas de sua produção de bens ou serviços. Estas condições dependem, em medida quase exclusiva, dos organizadores do trabalho, os gestores e empresários. 

 Mas, voltando ao assunto deste escrito, a questão dos períodos de ócio corresponderem a períodos de não-trabalho é mais outra falácia, pois o trabalhador deve atender a «n» coisas fora do horário quotidiano de trabalho e mesmo fora dos meses de trabalho, durante as férias. Ele tem de dedicar-se a múltiplas tarefas, indispensáveis para o seu funcionamento e o da sua família. O ócio não existe na vida das pessoas comuns, obrigadas a ganhar o sustento, seja pelo trabalho assalariado, ou por outra forma (profissão liberal, trabalho informal, etc.). 

As pessoas trabalham sobretudo para comprar o que precisam para viver. Alguns, conseguem pôr de lado para  adquirir pequenos extras, coisas (ou serviços), que não são realmente indispensáveis para refazer a sua capacidade de trabalho e perpetuar condições mínimas de vida, para si e sua família.

Mas o tempo de ócio verdadeiro, é a parte da vida que pode ser utilizada para um «hobby», uma prática desportiva, ou artística, ou de convívio com amigos... ou nada, só para preguiçar. 

A sociedade está doente de muitas maneiras; uma delas, é a percepção do tempo. Trabalhamos, para «ter tempo» e estarmos livres de obrigações; assim pensam as pessoas, em geral. Mas a equação está fundamentalmente falseada, pois o tempo, em si mesmo, não é coisa que se possa comprar, gastar ou consumir. Quanto ao trabalho humano, este sim, está sujeito a mercantilização para a grande maioria das pessoas.  

É debatível se o tempo deva ser considerado uma grandeza física, tal como a força, a energia ou o espaço.  No entanto, o tempo existe socialmente: No sentido psicológico - Na forma subjetiva como sentimos a passagem do tempo, em função das ações que realizamos num dado intervalo de tempo. Ou, no sentido económico - O tempo devotado a ganhar dinheiro, seja no trabalho assalariado ou noutra modalidade.

 Mas o tempo não tem substância, não é uma coisa. Porém, ele é objetivado, medido, dividido, repartido, ganho ou perdido... Note-se que, afinal, todas estas expressões são metáforas. Esta metaforização do tempo tornou-o «real» na vida e consciência das pessoas. As pessoas já não sabem funcionar doutro modo. A "civilização do trabalho" controla o espaço e o tempo das pessoas; controla este tempo, no sentido de determinar o que as pessoas podem fazer, num dado intervalo de tempo. 

A sociedade e os indivíduos tendem a considerar o tempo e o espaço de uma forma análoga. O «meu tempo»  é assumido como sendo minha propriedade privada, tal como a casa própria é o meu espaço privado. A forma de controlo mais eficaz, é a que não se faz notar. Assim, as pessoas costumam acreditar que dispõem do "seu tempo", tal como dispõem dos seus espaços privados. O tempo de lazer verdadeiro, é aquele em que o indivíduo não se dedica a algo por motivos utilitários, como para obter dinheiro, ou estudar para obtenção dum diploma, etc., é a componente de ação individual que, potencialmente, escapa ao controlo social. Só esta fração de «tempo livre», é realmente livre. Alguém que preencha o seu chamado tempo livre, fazendo algo considerado útil, como cultivar a sua horta (por exemplo), está - na realidade - a reiterar a sua inserção na engrenagem produtiva.

O tempo de preguiça verdadeira é um tempo de prazer para o sujeito, sem necessidade, nem rotina ou dever. Realmente, uma janela de liberdade. Note-se que os ricos e poderosos em todos os tempos da História, eram os que podiam dedicar-se ao ócio. Tinham pessoal que trabalhava nas suas propriedades, que geria sua fortuna, que executava as tarefas domésticas, etc. 

Tanto no passado, como no presente, os indivíduos realmente criativos são os que conseguem tirar o melhor partido dos seus ócios. Por isso, se diz que a preguiça é amiga das artes, da criação artística, ou literária.

No século XIX surgiram, como resultado da escravização assalariada industrial,  movimentos para limitar o trabalho quotidiano: Nomeadamente, campanhas pelas 8 horas de trabalho. Segundo os sindicalistas da época, o trabalhador precisava de 8 horas para dormir, de 8 horas para as diversas tarefas do quotidiano, além das 8 horas de trabalho. Hoje em dia, este conceito de jornada laboral está a ser posto em causa, com graves consequências na vida de milhões de indivíduos, nas sociedades ditas desenvolvidas. 

A maioria dos oprimidos, sejam eles assalariados ou não, tem estado mais motivada pelas reivindicações laborais, quantitativas (mais salário, maior cobertura social, maior cobertura nos gastos de saúde, etc.), do que  pelas reivindicações qualitativas, de algum modo relacionadas com o tempo. Exemplos destas últimas: Dispor inteiramente de si próprio fora do horário de trabalho, ter período(s) de férias, usufruir da licença parental, etc.  

Somente pela transformação da sociedade, a robotização pode deixar de ser, exclusivamente, para aumento da produtividade e do lucro. Nessa altura, os avanços da robótica servirão para auxiliar na libertação do trabalho, livrando as pessoas dos trabalhos penosos, repetitivos, perigosos e sem criatividade. Se tal não ocorrer, a escravização será ainda mais acentuada do que agora.

Tem vindo a generalizar-se a prática de levar consigo trabalho para casa,  literalmente, invadindo a esfera do lar. Assim, em pleno século XXI, muitos trabalhadores tornaram-se escravos a tempo inteiro, 24/24h. A intensificação da exploração não é apenas coisa do Século XIX. Os efeitos sociais e na saúde dos trabalhadores têm sido terríveis, embora ocultados pela media ao serviço do poder. O aumento vertiginoso das neuroses e psicoses, está estreitamente correlacionada com a exploração acrescida a que os indivíduos estão sujeitos. 

Não sei durante quanto tempo vai continuar a intensificação da exploração, que se constata atualmente, em especial nas sociedades ditas afluentes: Multiplicam-se os trabalhadores «flexíveis», ou seja, disponíveis para trabalhar a qualquer hora do dia e em qualquer dia da semana, sem limites, ao capricho da entidade patronal. É uma forma de sobre-exploração cada vez mais comum em empresas e setores das sociedades digitalizadas, desreguladas e em declínio, do neoliberalismo. 

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* Expressão semelhante ao título do livro de Paul Lafargue, «Le droit à la paresse», mas o que escrevo é substancialmente diferente do conteúdo desta obra.

** Esta produtividade, tomada como critério exclusivo para avaliar todo o trabalho, foi criticada por Bertrand Russell, entre outros. 



terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

A DEMOCRACIA PARLAMENTAR É UM LOGRO

 Praticamente todas as pessoas se conformam com este estado de coisas. Mas, quase todas, tecem severas críticas ao funcionamento do regime de partidos e aos efeitos desse regime sobre a «moral pública», ou seja, quase todos estão de acordo que a democracia parlamentar tem como corolário, a corrupção.

 Porém, eu vou mais longe que esta constatação banal de que existem políticos corruptos em todos os países onde haja democracia parlamentar: Eu nem sequer considero esta corrupção como inerente à natureza humana. Se assim fosse, teríamos de aceitar que não existe possibilidade nenhuma de haver democracia genuína, seja parlamentar ou outra. 

Não; eu assumo que existem determinadas formas de organização do poder político que convidam à corrupção; que são mesmo, estruturalmente, formas corruptas, em si mesmas, até quando seus protagonistas não tenham pessoalmente cometido atos de corrupção, ativa ou passiva. 

A democracia parlamentar assenta sobre o princípio da representação. Mas, este princípio é viciado, se não for complementado pelo princípio de responsabilidade. 

O que entendo por esta expressão? Responsabilidade, por aqueles que votam uma lei ou medida, das suas consequências; se votaram algo que vai contra o programa eleitoral, ou que contradiga as promessas feitas aos eleitores, estes deputados devem demitir-se ou ser demitidos, porque traíram a confiança dos eleitores. Para isso, tem de haver uma espécie de assembleias permanentes, onde os deputados venham prestar contas aos seus respectivos eleitores. 

A proximidade dos deputados aos seus eleitores respectivos não será fácil. Costuma-se objetar com o facto do poder legislativo ser de representação nacional. Note-se que existe a possibilidade de se fazer um sistema em patamares, em que o patamar mais na base - com um número de membros que coubesse numa grande sala pública - discutiria os assuntos em agenda. Dessa discussão, iria resultar uma orientação, que seria levada para a assembleia de grau intermédio, composta por mandatários escolhidos pela base. 

O desenvolvimento dos meios tecnológicos veio proporcionar que tal sistema se instalasse na sociedade, se tal fosse a vontade política da grande maioria. Hoje em dia, a tele- conversa, o voto eletrónico, etc. são meios de viabilizar, de remover os obstáculos a uma democracia descentralizada, direta: É perfeitamente possível, se as pessoas quiserem. Mas, nesta sociedade tecnologizada, também há grande inércia, indiferença e ignorância, que se conjugam para obstaculizar tal mudança. Não há dúvida de que tal é desejado e estimulado pelo sistema. 

De qualquer maneira, o que se verifica é o afastamento da pessoa comum em relação à política. Os chefões dos partidos, os funcionários e os ativistas partidários, adoram isso, pois só desejam que o cidadão comum «participe» com o voto. A fraude é muito clara; participar não é votar. Votar só pode ser assumido como participação ativa, se associado a um conjunto de reflexões e de ações políticas dos cidadãos. 

Num sistema de democracia direta, em que os cidadãos tenham voz nos assuntos que afetam suas vidas, as questões serão debatidas entre eles - de diversas maneiras - e, portanto, haverá uma participação natural e não forçada, num referendo, local, regional ou nacional, ou numa proposta de lei. 

Fosse a participação das pessoas efetiva, isso equivaleria a dizer que a ação dos deputados eleitos, ou de agentes políticos, assim como das instituições, estaria sempre sob escrutínio, que haveria conhecimento sobre quais as medidas votadas e estas seriam comparadas aos programas eleitorais respetivos. Não seria uma democracia perfeita; mas a componente de participação iria dar o controlo efetivo dos eleitos, pelos eleitores. 

Quando a democracia não é compreendida como uma efetiva participação dos cidadãos, incluindo na criação das leis, mesmo que este processo envolva várias etapas, acaba por se transformar numa competição entre as diversas «elites» pelo poder: Interiormente aos partidos e entre os diversos partidos. 

Pode-se imaginar todos os golpes baixos aplicáveis e aplicados, numa luta sem quartel, contra os próprios colegas de partido, já para não falar dos adversários. A demagogia torna-se a arma principal. O engano, a falsidade, estimulam os instintos mais baixos dos eleitores; são estes truques que mais «rendem», em termos eleitorais. O terreno político é propício às demagogias, ao ódio, à ganância, ao racismo, à vaidade. Quem tiver menos escrúpulos, mais indiferentismo moral, é quem triunfa, dentro deste sistema. Há um favorecimento dos sociopatas, dos psicopatas, para ascenderem na hierarquia dos partidos e dos cargos públicos.

Nem sequer abordarei aqui as problemáticas da educação e da informação, que deveriam ser não enviesadas, não controladas por monopólios. Toda a média de massas está ao serviço dos interesses capitalistas e especializada em fazer lavagens ao cérebro do público. No seu conjunto, existem muitos elementos que fazem com que este tipo de «democracia» parlamentar seja uma farsa.

De qualquer maneira, não conheço nenhum exemplo na História em que uma classe, ou grupo poderoso, esteja no poder e conforme-se com ser retirada do poder. As eleições são a possibilidade de alternância consentida pelo sistema, no seu interior, não existe alternativa senão de fora, senão derrubando as instituições caducas, viciadas, feitas para favorecer um restrito grupo. 

O problema, que não é equacionado devidamente pelos marxistas-leninistas, é que a instauração de um novo poder só se pode efetuar pela violência, sendo impossível graduar ou classificar essa violência, como legítima ou ilegítima, sendo essas tentativas classificatórias meras capas verbais para legitimar o poder ditatorial. 

Historicamente, os bolcheviques e até alguns anarquistas, seguiram a palavra de ordem de Lenine, de tomada do Palácio de Inverno, para descobrir, pouco depois, que - eles também - acabaram sendo triturados pela máquina de poder instaurada. 

Depois, os herdeiros da IIª Internacional (os partidos socialistas), sobretudo depois da IIª Guerra Mundial, foram os gestores do capitalismo (por ele instalados). Deve-se-lhes o chamado «Estado de Bem-Estar» ou «Estado Social». Os comunistas, com algum atraso, também se amarraram ao barco do parlamentarismo, sendo eles agora, outra versão, «mais à esquerda» da social-democracia. 

Neste momento, em Portugal, a deceção e a ausência de formação dos trabalhadores estão na origem da subida espetacular de intenções de voto num partido de extrema-direita. Tal como noutros países europeus, estes partidos têm sido apoiados discretamente pela burguesia, não porque ela se identifique com as suas fórmulas e programas, mas porque lhes permite fazer uma política muito direitista, com a ameaça implícita de que «se não formos nós, serão eles». 

O centro, em Portugal, é constituído por dois partidos, que têm nomes que em nada correspondem às suas políticas (partido «socialista» e partido «social-democrata»): Estão permitindo e até favorecendo o tal «monstro» da extrema-direita, assim como o fez François Mitterrand, ainda nos anos oitenta, ao permitir que o Front National de Jean-Marie Le Pen se fosse apresentar nas eleições. 

Enquanto a classe trabalhadora não gerar a sua própria democracia, com critérios próprios,  exercida através de assembleias (onde não haja capangas a comandar quem tem a palavra e indicando quais são os «bons» e os «maus»), ela será joguete de forças partidárias exteriores.  

Preconizo uma forma de sindicalismo e de cooperativismo entre os trabalhadores, em que eles possam realmente manter o controle das organizações em suas mãos. Que estas não se tornem «correias de transmissão» de partidos, como tem sido demasiado frequentemente o caso, em Portugal, nestes 50 anos depois do 25 de Abril. 

A democracia parlamentar é sempre feita de acordo com a vontade da classe dominante, que a «inventou» e manipulou, de forma a que ela servisse os seus interesses. A democracia proletária, no sentido amplo, é baseada na pertença a um grupo socioprofissional e à adesão a formas de participação igualitária, na deliberação e tomada de decisão, assim como no controlo, pela base, dos mandatários escolhidos.


quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

sábado, 17 de setembro de 2022

A GRANDE ARMADILHA DA FINANÇA

                       A armadilha da finança, com computador e isco de dólares gratuitos 


Quando estamos a presenciar, nas bolsas, um movimento em alta (mercado altista ou «bull market»), na realidade, estamos a presenciar um movimento de descida do dólar e das restantes divisas ocidentais. O paradoxo é fácil de explicar: Sabemos que o dinheiro «fiat», não é mais do que crédito, do que dívida. Essa dívida é tanto mais procurada quanto os países emissores da referida dívida sejam considerados seguros, no que respeita a assumirem os seus compromissos. Ora, ninguém pode ignorar que os EUA e Europa estão a viver, há muito tempo, numa bolha artificial causada pelos respetivos bancos centrais. O volume da dívida é avassalador e, essencialmente, incobrável: Considera-se ser incobrável, quando atinge valores da ordem de 100% do PIB. Hoje, no Ocidente, existem vários Estados endividados a 130% ou mais do PIB. As obrigações soberanas de ambos os lados do Atlântico têm de subir, pois há cada vez menos investidores (são sobretudo institucionais: bancos, fundos de pensões, hedge funds) que desejem tomar essa dívida dos Estados. Os Estados têm pois que subir os juros oferecidos, sem o que não conseguirão compradores para sua dívida.

                                       

Não é a quantidade irrisória do aumento da taxa de juro de referência da FED (ou do ECB) que vai mudar algo substancial. Na realidade, o aumento dos juros de referência dos bancos centrais segue sempre a tendência altista dos juros no mercado geral de obrigações (que inclui as obrigações de empresas).
Estamos perante um dilema impossível de resolução. Porque, sendo a dívida pública (e privada) tão elevada, havendo obrigação de inscrever nas contas públicas dos Estados os juros das obrigações que emitiram, é evidente que se chegou ao ponto onde já não se pode manter esta situação com o simples «renovo» («roulement») da dívida, ou seja, pagar dívidas que chegam a termo, com empréstimos frescamente obtidos.
Existe uma acumulação de dívida. Ela vai subindo de forma praticamente contínua, dada a degradação da situação económica em geral (crise devida à desindustrialização no Ocidente). Além disso, há circunstâncias particulares (crise do COVID, guerra na Ucrânia e as sanções contra a Rússia) que surgem, fazendo com que os governos despejem a rodos mais e mais euros ou dólares. Com isso, estão a adiar, no melhor dos casos (e podem até apressar), o colapso inscrito não «nos astros», mas nos factos económicos puros e duros. Nunca uma crise da dívida poderá ser resolvida com a acumulação de mais dívida.
Se o valor de uma moeda é realmente correspondente àquilo que uma determinada unidade dessa mesma moeda consegue comprar, então o dólar e todas as moedas «fiat» existentes têm perdido valor. A inflação não deve ser vista como fenómeno de «aumento dos preços» das mercadorias, mas como perda da capacidade aquisitiva da divisa. Assim, os que têm um rendimento fixo - sejam assalariados, ou pensionistas - vão perdendo o seu poder de compra de maneira acelerada, pois - geralmente - não possuem suficiente força para obrigar os patrões a fazer os ajustamentos devidos aos montantes de seus salários e pensões. Mas, para o Estado e para os grandes capitalistas que são, em geral, grandes devedores, a inflação é uma benesse pois, graças a ela, o que realmente terão de pagar, quer em juros, quer o montante próprio da dívida, vai representar cada vez menos em valor real, até se tornar irrisório.
Em todos os casos, as divisas fiat vão sempre diminuindo de valor: umas vezes, de modo suave e dificilmente quantificável e outras, de modo brusco, aquando de crises económicas (como agora).
Mas, no Ocidente, a classe política e os governos estão exclusivamente interessados no curto prazo. Eles fazem o raciocínio seguinte:
- os eleitores têm de estar contentes e satisfeitos no curto prazo;
- assim, irão votar em nós e manter-nos no poder nas próximas eleições;
- no curto prazo, a injeção de dinheiro na «economia» (= nos bancos e nas bolsas) irá criar uma «sensação de crescimento»;
- o estado real da economia deve ser camuflado, para evitar o descontentamento popular;
- os défices das contas públicas vão-se aprofundando, mas a dívida só será paga pelas gerações futuras, quando nós tivermos morrido, ou quando estivermos reformados.
A «economia da dívida» gera um enorme travão ao crescimento autêntico e induz à estagnação, porque implica  um desinvestimento no que seja inovador e produtivo. O que os Estados têm feito, essencialmente, é uma gestão cosmética das finanças, para poderem agradar aos eleitores. Claro que isto também agrada muito aos grandes capitalistas financeiros, que sabem obter vantagens da situação, mesmo quando se lamentam na comunicação social.
Assim, entrámos num período de «stagflation» (inflação com estagnação), ou seja, temos o pior dos dois mundos. Porém, esta situação não se irá manter por muito tempo. É praticamente uma certeza, que se irá entrar - não a longo prazo - numa espiral hiperinflacionária.
A situação da economia mundial é não previsível, no curto prazo; mas, nas suas grandes linhas, há coisas que são certas. Considera a seguinte metáfora: Não há maneira de sabermos exatamente o trajeto duma bola, quando atirada ao ar; mas, todos os trajetos possíveis estão condicionados pela gravidade e, portanto, sabemos que a bola irá acabar por cair no chão.
O mundo financeiro não é nada sem a economia real. A finança é uma espécie de parasita da economia real e consegue sugar muita energia e produtividade, causando prejuízo à sociedade, em geral, aos que trabalham, que investem o seu esforço e criatividade.
Porém, as pessoas são atraídas para o casino das bolsas, para o lucro sem esforço e sem contribuir com algo (além do dinheiro, que é somente um símbolo). Como todo o mundo da finança, as bolsas, as atividades especulativas, não criam - em si mesmas - nem «um grama de valor».
Então, de onde vêm os grandes lucros gerados? Eles têm de vir de algum lado: por um lado, foram arrancados a muitos ingénuos que foram atraídos pelo casino bolsista e ficaram depenados. Mas, a maior quantidade de valor foi desviada, roubada do nosso bolso e sob os nossos olhos:
- Desde as isenções fiscais aos muito ricos e às grandes empresas, até às «privatizações», ou seja, o roubo organizado ao património das empresas públicas, pago durante gerações com os nossos impostos. As «joias da coroa» do setor público, são empresas do Estado, que dão lucro garantido ou que, potencialmente, poderão fazê-lo.
O Estado fica com as empresas não rentáveis. Mesmo o governo mais favorável aos interesses privados aceita isto. Compreende que é essencial manter a funcionar esses serviços, para a própria sobrevivência da sociedade e do Estado. O interesse dos capitalistas numa privatização deste tipo de empresa estatal é muito baixo: Só pode ser estimulado com a garantia de benesses constantes, da parte do Estado, que assim torna «rentáveis», empresas que não têm, ou deixaram de ter rentabilidade. Pense-se no caso dos caminhos-de-ferro: A rede ferroviária, pouco ou nada rentável, é dificilmente privatizável. Mesmo quando há privatização, é frequente ser parcial. Os carris continuam a pertencer a uma empresa estatal, enquanto os comboios, incluindo os de alta velocidade, são privados ou pertencem a parcerias público-privadas.
Mas, para voltar ao tema deste artigo: A finança está interessada em extrair valores seguros de empresas dos setores industriais, estatais, ou do imobiliário*. Ela sabe quais são os investimentos que terão um bom valor, após o «Reset», ou seja, após a queda programada das moedas que conhecemos, a sua colocação fora de circulação e a instauração da moeda digital sob controlo dos bancos centrais.
Para se capitalizar ao máximo, a alta finança tem atraído os capitais pertencentes a pessoas da classe média, que irão perder o seu património, com a vã esperança de se tornarem «ricas». O jogo é portanto de predação, só que esta não se traduz em guerras diretas (até agora...) entre imperialistas; haverá, quanto muito, guerras por procuração. Sob capa da crise financeira e das outras crises, trata-se duma guerra aos pobres: «Não terás nada e serás feliz». Mas, o que Klaus Schwab e seus epígonos não nos dizem, é que os super-ricos, caso triunfe o tal «Great Reset», irão ficar com tudo. Tendo em conta esta tomada de controlo económica, pode-se facilmente prever quais os seus reflexos políticos: Seria o advento dum totalitarismo planetário.
Felizmente, o fiasco do neoliberalismo** é cada vez mais notório; não consegue mobilizar o entusiasmo dos povos. Mas, como os muito ricos malthusianos têm grande poder de influência, graças à media e aos governos (que eles compraram), não se deve «baixar a guarda», mas expor o mais possível as manobras desta oligarquia para que ela fique cada vez mais isolada.

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(*) Não é por acaso que os fundos financeiros Blackrock e Vanguard (gigantes mundiais) se tornaram nos maiores proprietários de imobiliário para arrendamento, nos EUA. Nem que Bill Gates se tenha (recentemente) transformado no maior proprietário de terrenos agrícolas nos EUA. 
(**) O lema do neoliberalismo é o seguinte: «privatização dos lucros, socialização dos prejuízos» 

quarta-feira, 11 de maio de 2022

LIBERDADE DE OPINIÃO ESTÁ EM GRAVE RISCO NO OCIDENTE

 



É como aquela história das rãs que são colocadas num caldeirão: Este é aquecido a lume brando, a temperatura sobe muito devagar, um impercetível, mas contínuo aumento. As rãs vão-se adaptando às temperaturas crescentes, até que ficam cozidas com uma temperatura atingindo próximo dos 100º C. Enquanto que, se fossem colocadas no caldeirão, com temperatura já próxima de 100ºC, ou se o aquecimento fosse muito rápido, elas iriam, com certeza, saltar.

Com a liberdade de palavra, ou seja, com a parte mais substancial das liberdades individuais, no Ocidente passa-se o mesmo. 

Na sequência do 11 de Setembro de 2001, o governo dos EUA passa o «Patriot Act», cuja redação não pode ter sido efetuada (nas suas muitas centenas de páginas) nos poucos dias entre a fatídica data e o  momento da sua apresentação na Câmara dos Representantes. Com certeza, estava já redigido em rascunho, pelo menos, muito tempo antes. Neste «Patriot Act», a liberdade de informação e de opinião, assim como as defesas e garantias dos cidadãos, estavam já fortemente postas em causa, com o pretexto de combater o «terrorismo». Todo o Ocidente, de um modo ou de outro, passou legislação semelhante, ou pelo menos, começou a agir de forma arbitrária com critérios semelhantes, reprimindo sobretudo os movimentos sociais e as pessoas destituídas,  como se estas fossem «terroristas». 

Depois, veio a pseudo- pandemia do COVID, com o rastreio dos que supostamente estivessem infetados com o SARS-Cov2. Deste modo, todas as pessoas que tivessem interagido, de qualquer forma, com as tais pessoas, eram também rastreadas.  Tratava-se duma técnica de controlo de massas, que já era aplicada desde há algum tempo, na República Popular da China. Na China, era usada para fixar ao pormenor o que os cidadãos faziam ou não faziam no quotidiano, o famoso sistema de crédito social / social credit system: os cidadãos que façam coisas socialmente benéficas (segundo o critério dos dirigentes), serão recompensados, os que, pelo contrário, se afastem da «virtude», são punidos. Essa punição implica a exclusão e discriminação institucionalizadas, mesmo relativamente a «desvios» triviais. Foi precisamente este, o modelo escolhido pelo «Ocidente» para rastrear potenciais disseminadores de COVID. Deve ter havido mãozinha de Klaus Schwab (Führer de líderes do Ocidente*) a inspirar os governos, nesta matéria. 

Finalmente, chega-se ao holocausto da guerra e todas as jogadas são válidas para combater o «inimigo interno». O que está a construir-se é uma polícia política do pensamento, como os totalitarismos do passado (Fascismos, Hitlerismo, Estalinismo, etc.). Mas, agora, a vigilância,  censura e propaganda têm o fator de potenciação das tecnologias digitais. 

O «Homeland Security Department» (um produto do «Patriot Act») vem agora dotar-se dum departamento de combate à desinformação. Note-se que a desinformação que eles pretendem combater, são todas as informações, notícias e opiniões «incorretas», segundo o critério deles. Os/as que dirigem o departamento, serão «senhores/as da verdade», serão eles/elas que decidirão sobre se o que pensas, dizes ou fazes, se conforma ou não com «a verdade». 

Note-se que, de uma forma ou de outra, ESTE NOVO MINISTÉRIO DA VERDADE, vai inspirar o que se faz noutros países, na órbita dos EUA. Os outros países têm uma casta governante tão corrupta (pelo menos) como na terra do Tio Sam. Todos querem manter-se no poder. Tendo oportunidade, vão esmagar a dissidência. Claro, insistindo que fazem isso a favor da liberdade, da expressão livre e dos direitos humanos, que eles tanto invocam! 

A rápida transformação das «democracias liberais» em ditaduras que tomam os romances distópicos de Aldous Huxley, George Orwell, ou a obra de Edward Bernays, etc. como manuais do «como fazer», deveria despertar angústia, raiva e vontade de lutar nas pessoas que se situam «à esquerda», no espectro político. Porém, os que o fazem, estão isolados no meio duma massa de gente tomada pela política «identitária», fazendo de certas questões (em si mesmas pertinentes, sem dúvida) sua exclusiva razão de militância.

Para dar combate eficaz contra a nova era de totalitarismo tecnocrático, estou disponível para me aliar, seja com quem for, que veja como prioritário esse combate. Quem se mantém no snobismo de só se mobilizar perante «causas identitárias», que ele/ela considera «justas», apenas merece o meu desprezo. 

PS1: Nina Jankowicz, diretora do Departamento de «Combate» à Desinformação, tem uma posição curiosa sobre o que é «liberdade de opinião»: Para ela, é como «poeira mágica, dos contos de fadas»... Veja aqui.

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* Klaus Schwab e o Fórum Económico Mundial de Davos têm uma importância desproporcional à sua representatividade, graças a uma política continuada de treino de jovens líderes políticos promissores que depois irão ser dirigentes, como Macron, Merkel, Jacinda Arden, etc, etc
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PS: a marcha para o totalitarismo, é sempre acompanhada por uma formação de massas, diz-nos Mattias Desmet, que nos explica também como é que se geram estes fenómenos.

segunda-feira, 18 de abril de 2022

[PROPAGANDA 21, Nº13] ENTREVISTA COM PIERS ROBINSON


 Tenho escrito séries de artigos sobre propaganda e seu papel na atualidade da pandemia de COVID, assim como na guerra da Ucrânia.

Para os números passados de ambas as séries, clicar nos links:

https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2022/03/propaganda-21-n12-narrativa-do-poder.html

(NO NÚMERO 12, PODE ENCONTRAR OS LINKS PARA OS ANTERIORES)

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https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2022/04/cronica-da-iiimundial-guerra-biologica.html

(ESTA CRÓNICA DA IIIª GUERRA MUNDIAL TEM LINKS PARA AS ANTERIORES)

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Hoje, apresento o nº13 da série PROPAGANDA 21, com a entrevista, de Elze Van Hamelen, a Pier Robinson:

Este investigador da propaganda tem realizado estudos sobre fenómenos recentes, respeitantes ao papel dos Estados, dos governos, da media, na gestão da perceção do público. Ele mostra como a democracia, nos países ocidentais (em especial na Europa), tem sido esvaziada de todo o conteúdo.

Pela nossa parte, na primeira das séries acima mencionadas, temos posto em relevo que os grandes Media, Empresas Tecnológicas, Indústria Bélica e Governo, se têm incestuosamente coligado, para levar a cabo a guerra surda contra os seus próprios povos, aqueles que teoricamente eles «representam». 

A tomada de controlo pela tecnocracia nas sociedades ocidentais não se passa no futuro distante duma «ScFi» («Ficção Científica»): passa-se aqui e agora.

Mas, com a agudização da crise económica em toda a sociedade ocidental, as formas subtis de propaganda que conseguiram persuadir muitas pessoas (a «fabricação do consenso») podem estar nos seus limites. Começa a despontar a consciência nas pessoas de que têm sido manipuladas. Por isso mesmo, as pessoas deveriam perceber que «a crise do COVID» não desapareceu, continua e pode ser «reativada», sempre que convenha aos poderes.

Se esta consciência se alastra, o reflexo dos poderosos é aumentar o nível da repressão, é criar ataques de falsa bandeira para amedrontar os súbditos e justificar um «estado de exceção permanente». Mas, se isso tudo não chega, irão recorrer à guerra, como é o caso presente, em que querem arrastar toda a Europa para um holocausto coletivo, pra satisfazer a agenda delirante da ínfima oligarquia de bilionários, de banqueiros e de proprietários das grandes indústrias bélicas. 

Esta guerra da Ucrânia dá-lhes o pretexto, quer a ganhem ou percam no terreno, para instalarem formas totalitárias de governança nos países da Europa ocidental, tradicionalmente com regimes de «democracia liberal». Os instrumentos necessários para isso já existem: divisas digitais emitidas pelos bancos centrais, obrigatoriedade de passe vacinal para se viajar, ou para ir a múltiplos locais dentro do próprio país, etc. A deriva totalitária é fácil, porque já criaram ou estão a criar as condições para o controlo permanente através de apps, obrigatórias na prática, sem as quais não se poderá fazer nada. 

Mas, o melhor é ouvir a entrevista abaixo (ligar legendagem, em inglês, para seguir o diálogo)



PS1: Em complemento, um resumo de uma conferência muito oportuna sobre a «Guerra de Informação», da Pré-História até à Ucrânia. A guerra da informação é afinal sinónimo de propaganda de guerra. Joe Laurie faz uma panorâmica notável desta forma de guerra.

PS2: A media faz «black-out» sobre importante estudo, incidindo sobre um número elevado de pessoas, que demonstra que a inflação do coração é mais frequente em pessoas vacinadas com o COVID, do que na população não vacinada. Consulte AQUI.


sábado, 8 de janeiro de 2022

QUEM SÃO OS VENCEDORES DA TRANSFERÊNCIA DE RIQUEZA DO «GREAT RESET»?

                           
A visão keynesiana da economia tem sido vantajosa para muitos governos, entidades financeiras e investidores particulares. Os postulados em que assenta sempre foram deficientes, mas - agora - sua total inadequação para dar conta da realidade económica começa a transparecer (1) espetacularmente. 

O «quantitive easing» (impressão monetária) até ao infinito, já está a causar sérias perturbações no funcionamento da economia capitalista global. A insistência nos modelos keynesianos tem servido como «justificação» para as decisões da FED e de todos os outros bancos centrais do «Ocidente». 

Porém, a destruição de valor (e não apenas do valor de ativos financeiros) progride, tendo-se acelerado ultimamente. Como eu previra (2), eles vão continuar a cantar a «cantiga» do COVID como justificação para tudo o que corre mal. Além de que as evidências se acumulam no sentido de que esta crise foi manipulada (3), para não dizer manufaturada, pelos muito poderosos, a começar pelos donos da Big Tech (as empresas gigantes tecnológicas, Amazon, Google, Facebook, Apple, Microsoft...), os quais são os grandes vencedores, face a este colapso geral das pequenas e médias empresas e negócios.  

O panorama é claro, para quem não esteja enredado na narrativa especiosa dos poderes e dos vendedores de sonhos aconselhando os investidores a enterrarem-se mais e mais profundamente na economia especulativa, de casino. 

Como contrapeso a essa onda de falsa peritagem económica e financeira, quero apresentar os pontos que - honestamente - eu considero em relação a mim próprio e à minha família:

1- Esta crise é diferente de todas as outras que jamais vivemos: não é uma crise cíclica, mas antes uma crise fabricada, desenhada ao mais alto nível, para desembocar no «Great Reset»(4). 

Este, não é mais do que a transformação da economia mundial e da sociedade, no sentido duma total privatização incluindo os domínios até hoje reservados aos Estados; e o controlo sobre as populações, através de passes digitais, ditos «sanitários» mas, na verdade, passes para o controlo de tudo o que fazemos. Os telemóveis são a mesma coisa (5) que pulseiras eletrónicas, colocadas nos presos, para que estes sejam sempre localizáveis e controláveis.

2- Como eles pretendem um controlo em grande escala, avançam com o dinheiro digital, sob controlo dos bancos centrais. (6) Assim, as pessoas serão obrigadas a produzir para obter esse dinheiro (note-se que continua sendo «dinheiro fiat», como o atual), a consumir, gastando a partir dos porta-moedas digitais; a caducidade dos mesmos (ou a redução rápida e programada do seu valor) irá empurrar as pessoas a consumir, a não aforrar. O próprio consumo será canalizado para certos bens ou serviços, de acordo com as conveniências da economia.

3- Vai haver escassez de bens essenciais e muita agitação social, no chamado «Primeiro Mundo». Mas, outras partes do Mundo ficarão sem recursos essenciais, nomeadamente, os países do Terceiro Mundo que dependem de tecnologia ocidental para suas indústrias e serviços. Esta escassez vai ser gerida no sentido de provocar a diminuição da população global, um dos principais objetivos da oligarquia globalista. Com efeito, está demonstrado que seu modelo de «desenvolvimento sustentável» está baseado nas teses do «Clube de Roma» (1970). É a expressão contemporânea do eugenismo  e do malthusianismo (7).

4- A situação tem de ter graves repercussões ao nível político. Se os Estados são, em larga medida, a expressão das classes dominantes(8), estas classes dominantes da sociedade «pós-Reset» são aquela ínfima minoria que controla tudo, incluindo os aparelhos políticos. Com efeito, já mostram capacidade, não só de influir na política, como de ditar diretamente quem serão os dirigentes políticos. Só são promovidos na média corporativa (pertença da oligarquia), os políticos que mereçam a sua confiança para levar a cabo as tarefas que eles (oligarcas) lhes atribuíram. Necessariamente, como já se verifica, vai haver resistência. Muitas pessoas, com um grau de consciência maior, irão entrar em rebelião. Face a isto, a repressão vai tornar-se sistemática, vai ser mais abrangente: Os dispositivos de rastreio e de controlo social irão operar em pleno. A «democracia liberal» será coisa do passado, embora possam deixar a «casca» das instituições, incluindo as constituições. Mas, o conteúdo concreto vai ser o tecno-fascismo. Note-se que os dispositivos já existiam previamente e, por isso, foram rapidamente utilizados - em numerosos casos, nestes 2 últimos anos - nos momentos críticos.  

5- Face a estas realidades, temos de estar bem armados psicologicamente: A melhor maneira de estarmos preparados, é combater com os nossos neurónios, não cairmos na resposta emotiva, não nos deixarmos abater, não desencadear a histeria dos histéricos. Mas pode-se e deve-se aproveitar todas as ocasiões para - pedagogicamente - subtrair os nossos próximos (e os outros) ao estado de hipnose em que os globalistas os mergulharam. A capacidade de fazer ver a realidade, em total contradição com a narrativa deles, vai permitir que muitas pessoas acordem. Elas tomam os seus algozes como se fossem seus «benfeitores». Por outras palavras, as pessoas comuns têm estado sujeitas à «síndrome de Estocolmo». Elas caíram facilmente neste estado, tanto mais que os seus captores, que as fizeram reféns, conseguiram convencê-las de que «só pretendem salvá-las da terrível epidemia». 

6-Devemos pensar como numa guerra: É cada vez mais importante e urgente constituir reservas de bens alimentares, mas também, de medicamentos ou de utilidades como baterias, filtros para purificação da água, etc. As ruturas de abastecimento nos mercados já começaram e vão acentuar-se. A oligarquia vai continuar a fazer guerra económica à China (9). Não lhes importa que muitos dos bens industriais produzidos atualmente na China, só passados vários anos poderão voltar a ser produzidos localmente, no Ocidente. Para a oligarquia, o que conta é o «controlo da populaça» (10), não é o «bem-estar dos cidadãos».

Quem quiser consultar as fontes que eu disponibilizo (e outras) poderá constatar que não se trata duma visão exagerada da minha parte. Mas, as chamadas «elites» estão - há uma data de tempo - a cozinhar algo de bem amargo e sombrio, para a generalidade das pessoas. 

Quem pensar que isto não vai afeta-lo pessoalmente, que se desengane, pois num quadro de empobrecimento generalizado, só os muito ricos terão acesso aos recursos. Os outros irão sofrer diretamente ou indiretamente (por ex., podem ser assaltados), em consequência das sociedades mergulharem no caos.

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(1) https://www.goldmoney.com/research/goldmoney-insights/money-supply-and-rising-interest-rates

(2) https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2020/02/nao-culpem-o-coronavirus-pela-crise.html

(3) https://www.globalresearch.ca/uncovering-the-corona-narrative-was-everything-carefully-planned-analysis-of-ernst-wolff/5766108

(4) https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2021/07/lockdown-e-projeto-de-biopoder-da.html

(5) https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2021/06/servidao-voluntaria-e-great-reset.html

(6) https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2021/05/powell-fed-eua-anuncia-cbdc-central.html

(7) https://www.unz.com/mwhitney/pure-unalloyed-evil/

 (8) https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2021/12/falsificacao-do-real-enquanto-estrategia.html

(9) https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2020/07/a-era-das-guerras-hibridas-e-o-seu.html

(10) [conferência do Prof. Ernst Wolff (legendas em inglês] https://brandnewtube.com/watch/superb-ernst-wolff-uncovering-the-corona-narrative-aug-23-2021_4L4fKoXZnzkJKlJ.html?lang=type

(11) Conversa com Chris Irons autor de «Quoth The Raven»

 https://www.youtube.com/watch?v=O3GobLW7pHY