domingo, 8 de março de 2026
JAN PETERSON SWEELINCK "EST-CE MARS" [Segundas-feiras musicais n°52]
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026
FRANÇOIS COUPERIN «L' Art de Toucher le Clavecin» (Segundas-f. musicais nº48)
Acima, frontispicio da edição de 1716
Nós já mencionámos aqui, nas «Segundas-feiras musicais», a importância de François Couperin na música em geral e no barroco francês, em particular. Também dedicámos um artigo aos 2 livros de órgão, por ele escritos.
Embora François Couperin tenha escrito obras estrictamente litúrgicas, não é propriamente nessa qualidade que ele é recordado, mas na de músico da corte de Luís XIV, o «Rei Sol». As suas composições para vários instrumentos, nomeadamente a série de concertos intitulada «Les Nations», dão continuidade à música concertante francesa, distinta, na sua estrutura e conteúdos, do concerto italiano. Este, como toda a espécie de música italiana (ópera, oratória, concerto com solistas, etc.), apoderou-se das cortes e dos palcos, durante mais de um século.
François Couperin atingiu celebridade comparável à de muitos outros grandes vultos da era barroca. Porém, só muito tarde (anos 1960 e posteriores) começaram suas peças a ser estudadas e apreciadas por um público mais amplo, graças ao movimento de fazer reviver a música das eras passadas com instrumentos de origem, ou suas cópias fiéis. Não apenas isso, como a séria investigação em musicologia e análise musical, que permitiram restituir a maneira graciosa e subtil da «arte de tanger as teclas» e a adaptação da ornamentação às regras implícitas ou explícitas em cada escola, em cada época.
No estudo e formação de jovens cravistas, o breve tratado que apresentamos aqui, composto e editado pelo próprio François Couperin, desempenha um papel central. Os oito prelúdios (e a Allemande que abre a obra) acompanham-se de conselhos sobre como dedilhar as peças e a utilização dos ornamentos. Enquanto a edição inicial (de 1716) apenas refere exercícios de técnica e notas sobre como dedilhar a obra «Pièces de Clavecin», além de um ensaio sobre ornamentação, a edição de 1717 inclui um novo prefácio e um suplemento descrevendo o modo de dedilhar o segundo volume das «Pièces de Clavecin». O autor propõe também que os possuidores da primeira edição a troquem gratuitamente pela edição de 1717, com o novo prefácio e os suplementos acima descritos. Por esta razão, os exemplares da primeira edição, são hoje muito raros.
Uma característica notável destes prelúdios, é a sua musicalidade, a sua variedade também, ao ponto de serem tangidos por si mesmos, não como uma introdução de Suite (ou Ordre) no mesmo tom, como era costume fazer-se.
Os prelúdios têm personalidade própria; são muito usados como peças pedagógicas para os principantes no estudo do cravo; mas também, em disco ou em concerto, por cravistas de renome.
Abaixo, pode escutar a integral das partes musicais da «Art de Toucher Le Clavecin» com as respectivas partituras, numa edição moderna. Os textos em francês são os originais de François Couperin, com traduções (pelo editor contemporâneo) em alemão e inglês.
Para estudiosos e melómanos com interesse em comparar os estilos interpretativos na música para cravo, existem hoje várias obras eruditas de musicólogos, pelo que um cravista pode adequar a sua execução das peças ao que se sabe seguramente sobre os estilos intepretativos dos finais do século XVII e princípios do século XVIII, tanto em França, como na Alemanha, nos Países Baixos, na Península Ibérica ou em Itália. Respeitando os canons interpretativos da região e da época, ele é livre de escolher a interpretação que lhe é própria, dentro de uma vasta gama de hipóteses sem - com isso - trair a autenticidade das peças.
A fluidez da música barroca e especialmente da música para cravo solo, deve-se ao papel importante que desempenhava a improvisação: Esta, podia ser livre, embora geralmente a partir de um tema. Podia corresponder a uma série de variações improvisadas sobre uma canção ou trecho. Podia existir dentro de cada peça, ao nível das ornamentações, das mudanças de teclado, dos registos, do andamento... Nestas circunstâncias, os grandes interpretes do tempo de Couperin - e os de hoje - podiam ser fiéis ao espírito de uma peça, apesar de divergirem nos aspectos acima mencionados.
segunda-feira, 27 de outubro de 2025
TERÁ BACH COMPOSTO PARA O ALAÚDE? (segundas-f. musicais nº 37 )
segunda-feira, 5 de maio de 2025
ANYA ALEXEYEV, PIANISTA FORA DO COMUM (Segundas-f. Musicais Nº 33)
Comecei por adorar o álbum que dedicou às Sonatas de Carlos Seixas.
Depois, explorei os «4 Contos de Fadas», do álbum «The Russian Music Box» que me parecem estar na continuidade da melhor música russa para o piano...
segunda-feira, 31 de março de 2025
(Segundas.f. musicais nº32) AS FOLIAS, DO FOLCLORE AOS MEIOS ARISTOCRÁTICOS
Excerto do texto do blog acima citado:
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025
B como Bach (Segundas-f. musicais nº. 29)
A primeira peça é uma Allemande da suite francesa BWV 815. Ela é interpretada por Robert Hill, num cravo com registo de alaúde.
A suite instrumental no tempo de J. S. Bach, era constituída por danças estilizadas (Allemande, Courante, Sarabande, Menuet, Gigue), às quais se juntavam, frequentemente, peças facultativas. Nesta categoria, incluiam-se danças como a Bourrée, o Rigaudon, etc. Mas, também eram frequentes, sobretudo nos cravistas franceses (François Couperin, J-P Rameau, etc), outras peças, homenageando uma personagem, a quem o autor dedicava a partitura.
Na sequência de danças estilizadas da suite, a Allemande costumava ser a primeira peça. Mas, por vezes, esta sequência de danças era antecedida de um preâmbulo (ou prelúdio).
O número de suites para alaúde que Bach deixou para a posteridade não é elevado. Algumas suites para violoncelo solo foram transcritas para alaúde, por Hopkinson Smith. Estão em conformidade com a prática da época barroca de não limitar a interpretação duma peça, a um instrumento em particular; muitas peças podem ser interpretadas noutros instrumentos (diferentes do habitual), com as devidas adaptações.
As suites de Bach para o alaúde iniciam-se com um prelúdio. O prelúdio destinava-se a criar um ambiente, desenvolvendo uma sucessão de acordes, habituando o auditor à tonalidade geral da suite. Além disso, permitia verificar a afinação do instrumento. A afinação «desigual» ou «não temperada», permitia ao instrumentista adequar a afinação do instrumento ao caráter da peça que ia interpretar: Esta prática desapareceu na música ocidental; encontra-se apenas na música clássica da Índia, nas ragas indianas, com as centenas de escalas diferentes e as diferentes afinações do instrumento, que se combinam segundo o caráter da peça e o gosto do instrumentista.
No vídeo abaixo, podemos ouvir o Prelúdio da Suite para alaúde BWV 998 pelo alaúdista Luciano Contini.
Fantasia Cromática (Bach): duas abordagens na interpretação (Segundas-f. musicais nº6)
MÚSICA COPIADA, TRANSCRITA, ADAPTADA (segundas-feiras musicais nº3)
segunda-feira, 14 de outubro de 2024
FRESCOBALDI E O TRIUNFO DO BARROCO ROMANO (segundas-f. musicais, nº21)
segunda-feira, 9 de setembro de 2024
CARLOS SEIXAS - OBRAS PARA INSTRUMENTOS DE TECLADO (Segundas-f. musicais, nº16)
sexta-feira, 15 de março de 2024
PÁSCOA 2024: UM REGALO DE VIVALDI
Concerto RV484
Interpreti Veneziani (Andrea Bressan fagotto)
Vivaldi: Fagottkonzert a-Moll RV 498
Sinfonieorchester ∙ Theo Plath ∙ Jean-Christophe Spinosi
domingo, 10 de março de 2024
HAENDEL, BACH, SCARLATTI compositores que nasceram no mesmo ano, 1685
quinta-feira, 29 de junho de 2023
HENRY PURCELL: DIDO AND AENEAS
Nesta ópera*, H. Purcell reúne todos os elementos dramáticos, para construir um monumento barroco que resiste muito bem à passagem do tempo.
A bruxa chama as suas irmãs para lançar a maldição sobre Cartago, da qual Dido é a rainha. Através das Wayward Sisters é representada uma conspiração, nesta cena e seguintes.
https://www.youtube.com/watch?v=hzvgpCZ6rxM&list=OLAK5uy_lJokTwIL2ajsgOayUyKP12vw-77bT73ic&index=14
Purcell é realmente um monumento ímpar, em toda a cultura europeia do século XVII. Se o virmos como participante do grande movimento barroco europeu, não apenas como expoente da música das Ilhas Britânicas, temos de concluir que representa um passo decisivo para a modernidade plena. Um músico charneira, num certo sentido, mas certamente original, quer na música instrumental, quer na ópera. A inovação estilística é muito significativa, embora não pretenda entrar em ruptura com a tradição, mas apenas alargar a expressão das paixões humanas. Aplica-se plenamente a designação «drama em música», utilizada em Itália na viragem do século XVI para o séc. XVII, para a ópera. A ária celebérrima «When I'm laid in earth» (Ato III, cena 2), da mesma ópera, tem ocultado esta joia de negrume das bruxas lançando sua terrível maldição sobre Cartago... Faz-me pensar nas bruxas de «Macbeth» de Shakespeare, embora Purcell não tenha composto a ópera a partir da peça do dramaturgo.
Haendel reconheceu a qualidade dramática e musical de Purcell, criador da ópera em língua inglesa. Embora as óperas de Haendel sejam compostas em italiano - para satisfazer a moda da sua época - moldou magistralmente a matéria musical em língua inglesa, nas suas oratórias.
sexta-feira, 10 de março de 2023
TOMBEAU DE MONSIEUR DE SAINTE COLOMBE - MARIN MARAIS [SOPHIE WATILLON]
As peças designadas de «TOMBEAU» são uma idiossincrasia do barroco francês, evocada por músicos do século XX, como Ravel, que escreveu um «Tombeau» em memória do grande François Couperin.
Já analisei algumas obras designadas por Tombeau neste blog:
J. J. FROBERGER: «Tombeau faict à Paris sur la mort de Monsieur Blancheroche»
MARIN MARAIS - O «TÚMULO DE LULLY»:
https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2018/05/marin-marais-o-tumulo-de-lully.html
Outra versão do «TOMBEAU DE MONSIEUR STE. COLOMBE»:
https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2017/10/marin-marais-tombeau-de-monsieur-de-ste.html
São obras-primas do Barroco, apreciadas pelos amadores de música antiga.
Graças ao renovo de interesse pela execução, não só em cópias fiéis dos instrumentos da época, como também graças a um aprofundamento do estudo das fontes pelos musicólogos e executantes, podemos apreciar a música destes séculos (XVII e XVIII), revivida com o maior rigor possível.
Sophie Watillon pertence ao número pequeno, mas crescente, de interpretes que aprofundam as técnicas e estilos de execução da viola da gamba.
quarta-feira, 8 de março de 2023
RAMEAU, PEÇAS PARA CRAVO EM CONCERTO (EXCERTOS)
Este conjunto instrumental é de qualidade, adequando estilo e andamento aos requisitos próprios destas peças do final do barroco.
Outros posts sobre Rameau no blog «Manuel Banet, ele próprio»:
https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2020/10/rameau-primeiro-livro-de-pecas-para.html
https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2018/10/jp-rameau-obras-para-cravo.html
https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2018/09/opera-ballet-les-indes-galantes-de.html
https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2017/03/gavotte-e-variacoes-de-rameau.html


