A oligarquia maltusiana que nos domina afinou o método de domínio sobre nós todos - O medo. Medo de catástrofes reais e imaginárias, medo do desconhecido, total separação da plebe em relação ao poder. Denegação e permanente discurso da ambiguidade. Constante despejo de narrativas de propaganda para ocultar a direcção para onde levam o rebanho.

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

CLARO QUE O SIONISMO É UM RACISMO!

Excerto de artigo de Natan Bear. Original em:

https://open.substack.com/pub/donotpanic/p/of-course-zionism-is-racism-jesus?utm_source=share&utm_medium=android&r=9hbco


 Em primeiro lugar, acreditar no sionismo, que defende o direito dos judeus a um Estado judaico, não é uma crença "pragmática" que exista fora de alguma ideologia supremacista racial, como sugerem alguns. É uma ideologia supremacista racial. Não se trata simplesmente da crença de que os judeus podem mudar-se para um lugar seguro e integrar-se nele, respeitando os seus costumes, práticas e instituições governativas. É a crença no estabelecimento de um Estado judaico com costumes, práticas e instituições próprias. Fundamentalmente, porém, é a crença de que os judeus deveriam poder criar um novo etno-estado com novas instituições onde JÁ EXISTEM pessoas. E, obviamente, isto não pode ser feito sem acreditar que as pessoas existentes são inferiores e, portanto, que os judeus têm o direito divino de as substituir, às suas culturas, práticas e instituições. O racismo está intrínseco à própria lógica disto! Não se pode deslocar e promover a limpeza étnica de um povo já existente numa área  geográfica, de forma não racista! Isto seria verdade tanto se um Estado judaico fosse criado na Palestina, como na Mongólia Exterior. Não se pode, como O. parece acreditar, ter um sionismo, que não seja à custa de outro povo. A não ser que se pretenda estabelecer um Estado judaico na Lua, o sionismo, por necessidade e definição, exige limpeza étnica. Portanto, é patentemente racista. Os líderes do Partido Verde (no Reino Unido) deveriam estar a defender estes pontos e a exigir que os opositores expliquem como a limpeza étnica não é racismo, em vez de se submeterem pateticamente a uma indignação fabricada, criada para proteger um projecto colonial genocida.

J. aplica também uma teoria de "autodeterminação" ao sionismo, ligando-o mais directamente às lutas gerais pela independência empreendidas por outros grupos étnicos ou religiosos. Outros sionistas, nos últimos dias, usaram exactamente esta palavra para defender e justificar o sionismo e Israel, tal como o deputado do Partido Verde, Adrian Ramsey, que disse opor-se à moção por esta contrariar sua crença na autodeterminação judaica.

Consciente ou inconscientemente, o conceito de “autodeterminação”, no contexto de um Estado judaico, está a ser totalmente mal utilizado. Historicamente, o conceito de autodeterminação tem sido aplicado a grupos minoritários, que vivem sob o domínio violento e opressor de uma maioria e que insistem na sua independência, em relação a esse domínio. Fundamenta-se e é delimitado por imperativos morais claros relativos ao sofrimento dos oprimidos sob o jugo dos seus opressores. Os judeus nunca viveram sob o domínio opressor da maioria palestiniana! Viveram, em diferentes épocas, sob regimes opressivos e discriminatórios a milhares de quilómetros de distância, na Europa Ocidental e Oriental. E, obviamente, foram os europeus que cometeram assassinatos em massa contra judeus, e não palestinianos. Não existe o direito à “autodeterminação” em território alheio e contra pessoas que não lhes fizeram qualquer mal. Não é apenas ilógica, é uma noção obscena que justificaria qualquer grupo oprimido a deslocar-se para qualquer parte do mundo e a promover a limpeza étnica de quem quisesse, sob a justificação de que, algures, em algum momento, sofreram discriminação. A autodeterminação em terras alheias, é uma perversão moral de uma ideia fundamentalmente justa e digna.

O povo a quem a ideia de autodeterminação se aplica da forma mais óbvia e lógica são os palestinianos. São discriminados, abusados ​​e assassinados em massa com base na sua etnia, nas suas próprias terras, pelo domínio injusto da maioria de um grupo étnico diferente. As suas terras foram roubadas e as suas instituições destruídas e substituídas por invasores coloniais. Estes invasores coloniais cometeram genocídio contra eles.

É difícil saber se o debate em torno do sionismo é conduzido como uma farsa deliberada ou se é reproduzido como resultado de ignorância aprendida. Grande parte dele é certamente oportunista. Ou seja, as pessoas que conhecem as origens supremacistas (racistas) do sionismo fingem que se trata de um projecto nobre de autodeterminação, porque são sionistas que procuram manter o status quo. E as pessoas que desconhecem as origens supremacistas (racistas) do sionismo não querem saber, porque não desejam destruir a sua mundividência supremacista judaico-cêntrica. De qualquer modo, seja por ignorância deliberada ou aprendida, existem fortes motivações para sustentar ficções sobre o que o sionismo realmente é e representa.

Outra complicação significativa é que muitas pessoas acreditam, inocentemente, como resultado de uma lavagem cerebral cultural e educacional, que o sionismo surgiu completamente formado a partir do Holocausto. Que os judeus, procurando segurança após a Segunda Guerra Mundial, exigiram um Estado e a ONU prontamente o concedeu em 1948. Poucos sabem que o sionismo emergiu como uma ideologia etno-nacionalista, quase cem anos antes disso e foi concebido como uma ideologia explicitamente colonialista de povoamento.


Sionismo Primitivo


Um dos primeiros pensadores nacionalistas judeus, Moses Hess, publicou "Roma e Jerusalém" em 1862, obra na qual defendeu o colonato judaico na Palestina. Em 1896, o organizador e teórico sionista Theodor Herzl escreveu "O Estado Judeu", de que uma secção inteira se intitulava "A Ocupação da Terra". Herzl declarou que "os judeus conquistarão a Palestina", prevendo que "a infiltração judaica acabará certamente mal" devido à resistência palestiniana. Outro proeminente sionista judeu do século XIX, Ben-Yehuda, escreveu que "existem agora apenas quinhentos mil árabes, que não são muito fortes e dos quais tomaremos facilmente o país". O sionista do início do século XX, Vladimir Jabotinsky é frequentemente considerado um dos pais do sionismo. Chamou repetidamente ao colonato judaico na Palestina “colonização”, enquanto o primeiro-ministro de Israel, David Ben-Gurion, em 1937 descrevia a Palestina como “contendo um vasto potencial de colonização que os árabes não precisam, nem estão qualificados para explorar”. Disse que os judeus se estabeleceriam na Palestina “através do acordo e entendimento com os árabes, ou por outros meios”. O outro meio a que se referia, era a violenta limpeza étnica que ele próprio acabou por dirigir. O sionismo surgiu muito antes de 1945 e foi explicitamente descrito pelos judeus sionistas como um projecto de colonização. Não é preciso grande esforço para conhecer estes factos, pelo que é necessário concluir que são simplesmente ignorados, tanto por supostos aliados como por inimigos da Palestina, por conveniência dos interesses e sensibilidades sionistas.

E agora, 150 anos depois de o sionismo ter surgido como uma ideologia explicitamente colonizadora, o Estado judaico cometeu um genocídio e devemos acreditar que o genocídio pode, de alguma forma, surgir materialmente de um Estado não racista. Outro absurdo. Só o racismo produz genocídio. Só o racismo produz uma sociedade de apartheid que deseja realizar uma limpeza étnica de dois milhões de pessoas. As ruínas de Gaza são a descrição visual perfeita do que o sionismo, enquanto ideologia, sempre representou.

Imagem: Como tudo está mais claro do que nunca, o que começamos a ver é um esforço para reabilitar o sionismo. Começamos a assistir a um esforço para separar Israel da sua ideologia subjacente, de modo a reintegrá-lo discretamente na sociedade imperial polida. Os liberais detestam que os direitos palestinianos, o genocídio, o apartheid e o sionismo se tenham tornado temas eleitorais. Daí esta indignação com a moção dos Verdes, que será utilizada para tentar destruir o partido, tal como Corbyn e o seu movimento foram destruídos por uma falsa histeria anti-semita. Daí Mamdani e as suas traições e as reacções de raiva, mesmo entre os chamados esquerdistas, às pessoas que denunciam esta reabilitação. No outro dia, estava no centro disto quando Hasan Piker, uma personalidade multimilionária das redes sociais com a capacidade intelectual de uma esponja marinha, me atacou e tomou o partido de um sionista israelita por causa das minhas críticas a Mamdani. Na sua transmissão em direto, Piker, que há poucos meses era um crítico acérrimo dos sionistas, disse estar feliz por ter fãs nas Forças de Defesa de Israel (IDF). Piker tem mais de 5 milhões de seguidores nas suas plataformas de redes sociais e agora eles estão a ouvir que os soldados que cometeram genocídio, não só podem ser reabilitados, como também podem ser incluídos num movimento de esquerda.

Piker está a promover um liberalismo intransigente, sem princípios e falhado.

Está a promover o liberalismo social-democrata falhado que, em primeiro lugar, produziu um genocídio.

Ele está a promover um liberalismo genocida.

Intelectualmente, tanto Piker como os dirigentes do Partido Verde estão a demonstrar na prática, o que significa ter a mente aberta como uma ferida aberta. A confusão e o sangramento de posições contraditórias na vã busca de legitimidade num sistema democrático liberal.

Mais uma vez, vemos porque é que o progresso genuíno e a justiça são impossíveis dentro dos limites da democracia liberal.

Isto não significa que a moção dos Verdes tenha sido má. Longe disso. Ajuda a aguçar as contradições, expõe as fraudes performativas e cria uma tensão útil ou mesmo destrutiva, que abre novos caminhos para a mudança.

Mas, enquanto sistema para a mudança material, a democracia liberal, se não esmaga as melhores intenções e as vozes mais íntegras, subjuga-as e redirecciona-as para os seus próprios fins.

Na maioria das vezes, porém, como sistema concebido para sustentar o imperialismo capitalista, simplesmente promove sionistas, capitalistas e neofascistas ou fascistas de facto.

É por isso que só os futuros revolucionários permitirão que uma verdade evidente seja orgulhosamente declarada por todos: o sionismo é racismo.

E só em futuros revolucionários a Palestina será livre.

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

HISTÓRIA GENÉTICA DE PORTUGAL


 

 

Ver: «Pátria Reencontrada» inédito de 1984 (Obras de Manuel Banet) (*)

(*) Esta recolha de poemas, escritos por ocasião dos dez anos da revolução do 25 de Abril de 1974, traduz a ideologia humanista, tolerante, abarcando as componentes da formação de Portugal, que incluíram os mouros e os judeus, sendo depois espalhadas pelos marinheiros e soldados que, nas caravelas, atravessaram oceanos e percorreram terras desconhecidas dos europeus, desde antes de 1500. 
Em paralelo, surgiu uma contradição fatal para o próprio devir da nação portuguesa. Alastrou o veneno racista, a «linhagem pura», a não «contaminação do sangue» e tudo isto misturado com intolerância religiosa e cultural. 
O 'grande mistério' de Portugal - muito para além das composições genéticas das suas gentes - é que, afinal, muitos aventureiros-soldados (como Camões) e marinheiros que sulcavam os mares, eram homens que o próprio poder real não queria. Muitos eram «cristãos-novos», convertidos superficialmente ao catolicismo, que - em segredo - continuavam fiéis à tradição do Judeísmo;  outros eram mouros convertidos (à força) ao catolicismo... Alguns eram cientistas, como Garcia  da Orta, cujo pensamento e prática científica eram modernas, embora teorizadas somente cerca de um século mais tarde, na Europa do Norte. A preocupação destas pessoas não residia na «pureza da raça», mas em como escapar das garras da Inquisição, que os queria «purificar» a ferro e fogo. 
Navegar era uma aventura arriscada, nesta época. O importante era a fidelidade ao capitão do navio e a solidariedade entre membros da equipagem. A superestrutura da «religião cristã» era apenas um signo identificador face a outras gentes, às culturas totalmente estranhas aos europeus. 
Foram portugueses os europeus que primeiro chegaram ao Japão e a muitas das ilhas que hoje são parte da Indonésia. 
Foram portugueses que se cruzaram com os povos indígenas, em todos os sítios onde estiveram, de modo mais ou menos permanente, do Extremo-Oriente ao Brasil, passando pelas costas de África. Estes cruzamentos traduzem-se pela presença - hoje - de genes de origem portuguesa nestas populações. 
Também em Portugal continental e insular de hoje, existe uma diversidade genética muito maior que nos povos da Europa Central e de Leste. 
Os povos que estiveram em contacto com os portugueses conservam memória cultural desse intercâmbio. Por exemplo, em vários países do Extremo-Oriente, a palavra «pan», ou pão, designa um bolo feito de cereais. Existem muitas outras peculiaridades de culinária, bem vivas em Portugal, como as especiarias utilizadas generosamente... a canela, a pimenta, o cravinho da Índia, o açafrão... 
Durante o salazarismo, o Estado Novo adotou uma posição "paternalista" em relação às etnias que viviam sob o seu jugo colonial, apenas em termos discursivos. As palavras bonitas ocultavam a exploração cruel e a discriminação racial extrema, nas colónias. 
Continua a haver nalguns meios, em Portugal, uma ideologia  de extrema-direita, de «superioridade» da "raça portuguesa", um conceito meramente ideológico, pois a diversidade genética do povo português é uma das suas características mais salientes. É de todo impossível definir uma «raça portuguesa». É somente uma ideologia que se perpetua pela ignorância, tanto da História, como da Biologia.
 Penso que as ideias retrógadas se combatem mais com factos do que com teorias; e ainda menos, com atos violentos.

domingo, 4 de outubro de 2026

O CASO DO ATAQUE FALHADO AO AVIÃO DA DUBAI AIRLINES

Com a devida vénia a Vanessa Beeley e a toda a equipa que realizou o filme...


FORBIDDEN STUDIOS PRESENTS: WHEN PILOT IS FIGHTING, PLUMBER IS FLYING

Veja no Substack a sensacional reconstituição da heróica luta no voo da Dubai Airlines: 

https://substack.com/@vanessabeeley/note/c-351715977?utm_source=notes-share-action&r=9hbco

One plane.

One sword.

One plumbing emergency.

The biggest Bollywood action psyop of the year has arrived.

 

Complemento com Kim Iversen:



sábado, 3 de outubro de 2026

MINHAS ESCOLHAS DE MÚSICA BARROCA [Segundas-f musicais n° 78 ]


Músicos no Palácio de Versailles


 Porque não fazer uma selecção de música barroca, que tem tanto significado para mim?!
- Embora eu não seja pessoa de gostos exclusivos, seja na música ou noutro domínio, posso dizer-vos que, se tivesse de me exilar numa ilha deserta, tendo de escolher um só estilo musical em discos para levar comigo, a escolha seria uma selecção de obras barrocas. 

A selecção que vos apresento agora tem mais a ver comigo e com os meus afectos, do que com uma avaliação da música pela sua importância, representatividade, etc. 
Mesmo assim,  estimo que a escolha feita pode abrir novos horizontes aos neófitos em música barroca. Em relação aos interpretes, não podia deixar de escolher os que acho serem os melhores, ou entre os melhores. 
A música deveria ser - ao mesmo tempo - sensual e espiritual, pois se for deficitária num dos dois atributos, não satisfará inteiramente.
Por sorte, vivo numa época em que se conhece e se pode apreciar o que existiu de melhor na música dos séculos anteriores. Nós somos, portanto, uns privilegiados, no que toca à possibilidade de conhecer e de usufruir das obras-primas musicais do passado. 
De seguida, apresento-vos 4 amostras musicais do sublime ...




1º) «Concerto Italiano» J.S. Bach

Nesta perfeita interpretação de Scott Ross ao cravo, é toda a alegria de viver do Mediterrâneo, toda a extroversão dos italianos, que transparecem... mas Bach nunca se deslocou a Itália, nem a outros países meridionais da Europa. Fez uma longa viagem (a pé) ao norte da Alemanha, para aprender com o muito respeitado Buxtehude. Sabemos muitos pormenores da vida de Bach e de suas outras deslocações; pode-se afirmar (com segurança) que ele nunca pôs os pés em Itália. Então, como é possível que esta peça exiba a criatividade melódica, a surpresa harmónica, a agilidade no discurso, típicas da música italiana?
- Estes traços estão bem presentes, podemos dizer que é realmente música italiana e do melhor quilate! Somente, foi um alemão que a compôs: Mas, não foi qualquer um. Ele estava destinado a ser um dos maiores músicos na sua época e na posteridade. Com efeito, ele continua a ser muito apreciado e estudado, passados cerca de 300 anos sobre a composição deste Concerto Italiano.
 




2º)«Cum Dederit» de Nisi Dominus por António Vivaldi

E por vos falar de música italiana, homenagem é devida a António Vivaldi, o «Padre Ruivo». Ele ensinava música às meninas órfãs do Ospetalle della Pietà, em Veneza. Quem ouvisse apenas esta peça e não soubesse rigorosamente mais nada de Vivaldi, diria que se trata dum compositor muito espiritual... No que estaria correto! 
Porém, como a alma tem muita complexidade e o talento imensos recursos, sua arte era também sensual (no sentido nobre). A obra «As Quatro Estações» e inúmeros outros exemplos, incluindo as óperas, vêm confirmar a sensualidade na arte de Vivaldi, para além de qualquer dúvida.




3º)«Gavotte com seis variações» por J.-P. Rameau

Rameau constrói "uma suite" dentro doutra suite: A peça «Gavotte com variações», está integrada na Suite em Lá. Esta, tem várias danças estilizadas, unidas pela mesma tonalidade. 
A minha escolha da interpretação de Natacha Kudritskaya ao piano, não é casual. Aprendi com os meus mestres (e por audição em concertos ou em discos), que era perfeitamente legítimo usar um instrumento diferente daquele usado na época do compositor. Há uma técnica e uma sensibilidade próprias na adaptação para o piano, de peças inicialmente concebidas para outros instrumentos de tecla (cravo, espineta,  clavicórdio...). 
Posso apreciar - ou não - a interpretação ao piano duma peça escrita para o cravo. Caso não aprecie, a «culpa» não é do instrumento... é do instrumentista que não teve o bom gosto e a técnica para adaptar a peça referida.




4º)«Eternal Source Of Light Divine», G. F. Haendel

Termino com a peça de Haendel, muito conhecida e utilizada ainda hoje, em cerimónias oficiais  (não é por isso que ela é melhor ou pior). Esta peça, simplesmente, encanta-me. 
Conta-se que a Rainha de Inglaterra, a quem Haendel dedicou esta cantata de aniversário, se mostrou indiferente, na ocasião da estreia. Porém, pouco tempo depois, enviou a Haendel uma generosa remuneração em moedas de ouro. 
Quando oiço esta cantata, porém, não fico a pensar nas circunstâncias exteriores da composição. 
Para mim, esta peça tem um apelo imediato de autenticidade, apesar de saber quanta arte e técnica existem nela. Ela tem uma «respiração» ampla, majestosa e serena. O diálogo entre a voz humana e a trompete, dá-lhe uma luminosidade inigualável, solene e profunda. 


Exemplos da genialidade de Haendel:







COVID e vacinas; práticas criminosas de governos, entidades de saúde & médicos

Dr. Peter McCullough



(pode ligar a tradução em português ou noutras línguas)

Durante uma audição no parlamento do Canadá, o Dr. McCullough responde às perguntas de um membro da comissão de inquérito. 
Ele afirma que, na origem de muitos dos problemas de saúde dos inoculados com «vacina» anti-COVID, está a proteína «spike». 
Esclarece que esta proteína foi manipulada, que não é natural e por isso, o organismo não consegue inativar a referida proteína sintética, embora tenha a «equipagem enzimática» para desativar e digerir qualquer proteína estranha natural. 
A única forma de pessoas infetadas com esta proteína artificial se libertarem dela, é através da sudação. 
Há muitos aspectos mencionados nesta audição. O Dr. McCullogh é um dos poucos médicos que enfrentou o establishment, defendendo a saúde das pessoas e recusando ser coagido a não tratar os doentes de COVID, da forma mais eficaz e reduzindo os riscos de morte ou de efeitos severos permanentes.
 Ele também tem feito campanha pelo fim da inoculação com «vacina» do COVID, especialmente todas as crianças e jovens; praticamente todas  possuem a capacidade natural de contrariar a infecção viral. Pelo contrário, uma vez inoculadas, terão uma probabilidade, não-desprezível, de terem uma miocardite ou outros efeitos indesejáveis, enquanto a imunidade natural, nestes grupos etários, lhes confere a probabilidade zero de adoecerem de COVID.



sexta-feira, 2 de outubro de 2026

IDENTIFICAÇÃO DE ESPÉCIES PELO ADN ANTIGO: O caso de Homo denisovans

O documentário dedica um largo espaço a descrever o processo de descoberta da espécie «denisovana», descoberta a partir do ADN extraído de um dos ossos do dedo mínimo duma menina que terá morrido entre os 5 e 8 anos. 

Junto com esse fragmento de osso do dedo na cave de Denisova (daí o nome da espécie) na região de Altaï, no sul da Sibéria, foram também identificados alguns dentes, pelo mesmo método, como pertencentes a denisovanos. 

A partir desse momento, vários anos decorreram até serem identificados novos fósseis de denisovanos. Somente nessa ocasião foi possível «dar uma representação do rosto» desta espécie, contemporânea dos neandertais e dos humanos «modernos». 

Vários fósseis não identificados, pertencentes a várias colecções na China, foram testados, esperando-se encontrar novos fragmentos de ADN de denisovanos. Porém, tal foi impossível, porque o ADN antigo se degrada com facilidade.

Apesar disso, moléculas de  proteínas presentes nos ossos, como o colagéneo, podem ser sequenciadas em relação aos seus amino-ácidos, dando indiretamente a sequência correspondente no ADN. Foi assim que se identificou um fragmento de mandíbula, encontrada numa caverna do Tibete. Mais recentemente, foi estudado o crânio - muito bem preservado - do «Homem dragão», que tinha sido escondido durante mais de 80 anos, num poço, pelo trabalhador que o descobriu, em Harbin, perto do rio Dragão. 

Tenho descrito, em várias postagens, os avanços das investigações em relação aos Denisovanos, mas também em relação  aos Neandertais e a nossa espécie. Este vídeo, embora não traga dados novos, é muito completo em relação à metodologia de identificação e caracterização da nova espécie humana.

 https://www.youtube.com/watch?v=UmLv8882htY




quinta-feira, 1 de outubro de 2026

ENGRENAGEM LOUCA PARA A GUERRA GLOBAL (Crónicas da IIIª Guerra Mundial, nº72]

                            Bombardeamento Americano-Israelita no centro de Teerão em Fev.-Março de 2026


 Poderia inaugurar o mês de Outubro descrevendo a crise moral que o «Mundo Ocidental» atravessa. Mas, em paralelo, tem estado a desenvolver-se uma crise, de ordem económica-financeira, da maior gravidade. Ninguém duvida,  hoje , que os EUA e os restantes países do G7 estão num processo de acumulação de dívida pública, claramente insustentável. O (mau) reflexo de dirigentes do Japão e da Alemanha é avançar com posturas hostis, agressivas, ativando programas de rearmamento, respectivamente contra a China e contra a Rússia. Nunca estivemos tão próximos, desde o fim da IIª Guerra Mundial, de uma confrontação generalizada entre as principais potências e com envolvimento de potências de menor calibre. Porém, nós adoptamos um conceito de guerra híbrida e assimétrica, que pode acender-se em qualquer zona do Globo, principalmente envolvendo países do chamado Sul Global. Consideramos que existe há mais de 25 anos (desde 1999) um tipo de Guerra Global completamente novo, que decorre do facto dos EUA, enquanto potência dominante, querer que todas as restantes nações a se verguem à sua vontade: «Might makes right».

 Na panóplia da IIIª Guerra Mundial incluem-se vários tipos de instrumentos: 

- Os pacotes de sanções, juntamente com os confiscos de bens financeiros, as tarifas punitivas e os embargos. 

- As guerras locais ou regionais, de tipo neocolonial, entre a potência hegemónica e Estados frágeis (Somália, Jugoslávia, Afeganistão, Iraque, Líbia, Síria, Irão), usando frequentemente as dissenções nesses países e forças mercenárias, ao serviço de exércitos neocoloniais;

- Além disso, Israel e EUA têm impunemente destruído a legalidade internacional, danificando gravemente a autoridade e eficácia da ONU, enquanto organização destinada a prevenir e ajudar a resolver os conflitos. Transformaram a ONU num fórum irrelevante.

Sem querer reduzir tudo à economia e às situações de desequilíbrio financeiro, que se têm avolumado nos últimos tempos, é preciso não esquecer que estas situações de crise económica têm vindo a originar, em certos países, políticas belicistas de «fuga para a frente», com propaganda hostil, sanções económicas e acabando por se entrar numa guerra «clássica». Tais posturas, historicamente, foram adoptadas por muitos Estados, desde a Guerra do Peloponeso, na Antiguidade, até aos conflitos generalizados das duas Guerras Mundiais. Igualmente, ao longo dos séculos XX e XXI, nas guerras contra os poderes dominantes e pela independência e libertação do jugo neocolonial, os países colonizadores (ou neo-colonizadores) têm mostrado má vontade em encetar processos negociados, convencidos de que os povos oprimidos por eles «não podem governar-se a si próprios». 

A guerra não é solução para os problemas. A crença de que é preciso uma guerra para os resolver, tem sido invalidada repetidas vezes. Mas, estou convencido que estamos a caminho de uma generalização do quadro de guerra híbrida, que tem durado desde finais do século XX, até hoje, e passaremos (talvez este ano ainda ou no próximo) ao envolvimento mais direto de grandes potências. Isso seria trágico, pois iria potenciar os conflitos existentes em vez de os resolver e, sobretudo, proporcionaria o alastramento e agravamento das ações de guerra. 

Fala-se abertamente na utilização de armas nucleares ditas «táticas», apenas um passo mais na escalada que conduzirá - fatalmente - às bombas intercontinentais de grande potência, ou seja, à destruição garantida da nossa civilização e possível destruição dos ecossistemas capazes de sustentar a espécie humana.


PS: Entrámos na «estação eleitoral». As operações de falsa-bandeira começaram: Uma em Inglaterra, junto duma base da RAF em Fairford, mas que tem sido permanentemente usada pelos americanos, ultimamente, para bombardear o Irão. George Galloway assinala a incoerência do governo britânico, da CIA e do governo americano, ao indicarem que se tratava dum atentado terrorista em preparação, supostamente encomendado pelo Irão: Quanto aos «terroristas», estes foram deixados em liberdade sob fiança pela polícia, que tomou conta do incidente. Se fossem deveras terroristas, ou se houvesse sérias suspeitas disso, tal atitude da polícia seria impensável.




O segundo incidente foi com um avião das linhas aéreas do Dubai, voando do Dubai para Tel Aviv, tendo como passageiros quase só turistas (?) israelitas. No vídeo acima, de Kim Iversen, as incoerências do relato oficial são muito justamente apontadas:

Durante o vôo, o copiloto terá esfaqueado o piloto. Mas, graças à presença - por acaso? - de dois passageiros com capacidade de pilotagem de aviões de linha, o avião não se despenhou num deserto da Arábia Saudita. Foi controlado e aterrou com os passageiros a salvo, num aeroporto do Reino Saudita. 

terça-feira, 29 de setembro de 2026

JEAN BRICMONT : PERMANECER EM SILÊNCIO

Se não conseguimos inflectir as violências dos nossos próprios governos, que sentido tem condenarmos as reacções violentas dos Estados ou movimentos que foram atacados por eles? pergunta Jean Bricmont.

Na fronteira Tunísia-Líbia, milhares de pessoas tentam fugir da Líbia, momentos antes da 'intervenção humanitária' da OTAN, a 2 de Março 2011. (U.N. Photo/UNHCR/Alexis Duclos)

By Jean Bricmont
Special to Consortium News 

https://consortiumnews.com/2026/09/25/remaining-silent/






Não sou palestino, libanês ou iraniano; não falo árabe, nem sou muçulmano.

Vivi toda a minha vida na Europa e nos Estados Unidos, onde sei que quase todos — mesmo aqueles que afirmam estar em “solidariedade com a Palestina” — começam qualquer crítica a Israel ou ao seu governo “condenando” o Hamas, o Hezbollah ou o “regime dos aiatolás”.

Pretendo explicar por que nunca concordo com tais condenações.

Não é porque eu apoie esses movimentos ou seus métodos; considero a retórica de apoio quase tão fútil quanto a de condenação. A única posição moral válida — que vai além da mera demonstração de virtude — deve derivar de uma análise lúcida da nossa posição (como ocidentais) no mundo e da dinâmica de poder real em jogo.

Nossa posição é simples de descrever: os Estados Unidos, juntamente com seus "aliados" europeus, têm enorme responsabilidade pelos desastres no Oriente Médio — desde a criação do Estado de Israel no pós-guerra e a expulsão em massa de palestinos até a derrubada de Mossadegh, no Irã, em 1953; duas guerras contra o Iraque; décadas de sanções contra o Iraque, a Síria e o Irã; apoio aos massacres sauditas no Iêmen e aos perpetrados por Israel em Gaza, na Cisjordânia e no Líbano; bem como múltiplas intervenções no Líbano e, hoje, um ataque maciço e não provocado contra o Irã.


Palestinos deslocados retornando à Gaza bombardeada e ao norte pela Rua Al-Rasheed, atravessando a ponte sobre o estuário do Wadi Gaza, 28 de janeiro de 2025. (Ashraf Amra – Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo/ Wikimedia Commons/ CC BY-SA 3.0)

É claro que os cidadãos ocidentais comuns não precisam se sentir culpados por políticas que não escolheram — visto que a política externa raramente é debatida em democracias e tem pouco peso nas eleições —, mas as atitudes políticas dos cidadãos ocidentais não podem simplesmente ignorar essas realidades históricas.

Se somos incapazes de conter a violência de nossos próprios governos — sobre os quais poderíamos, em princípio, exercer influência — que sentido faz condenar as reações violentas dos estados ou movimentos que eles atacam?

Os líderes desses estados ou movimentos mal sabem que nossos movimentos cidadãos “críticos” sequer existem; e se soubessem, não se importariam minimamente com nossas opiniões ou críticas, por mais moral ou taticamente corretas que sejam.

Tudo o que esperam de nós é que contenhamos a violência de nossos governos — e se não conseguirmos fazer isso, devemos simplesmente ficar em silêncio.

Na verdade, essa obsessão em denunciar os crimes de inimigos oficiais sempre existiu, mas intensificou-se enormemente no final da Guerra do Vietnã. Essa guerra terminou com uma derrota militar espetacular para os Estados Unidos e uma perda de prestígio moral devido às atrocidades cometidas durante o conflito.

Contudo, as tragédias envolvendo os "refugiados em barcos" — e, ainda mais, as atrocidades cometidas pelo Khmer Vermelho no vizinho Camboja — proporcionaram uma oportunidade de ouro para os defensores do imperialismo americano.

Eles se concentraram nessas tragédias para culpar o movimento pacifista estadunidense, agindo como se este fosse responsável pela situação, embora a repressão no Vietnã que levou os "refugiados em barcos" a fugir fosse inevitável — tal repressão contra colaboradores ocorre no final de todas as guerras.

Além disso, era perfeitamente racional que alguns fugissem como refugiados políticos do que era, na realidade, uma catástrofe econômica causada pela guerra.

Quanto ao Camboja, foram os Estados Unidos que arrastaram o país para o conflito em primeiro lugar, ao substituir o rei Sihanouk, em grande parte neutralista, pelo ditador Lon Nol — uma medida que, combinada com as campanhas maciças de bombardeio americanas, apenas fortaleceu o Khmer Vermelho.

Ademais, durante o colapso final, os EUA cortaram toda a ajuda alimentar ao Camboja; a capital estava repleta de camponeses que haviam fugido dos bombardeios e dependiam dessa ajuda para sua própria sobrevivência. 


Crânios das vítimas da ocupação do Camboja pelo Khmer Vermelho no memorial do Campo de Extermínio de Choeung Ek, Phnom Penh, Camboja, 2012 (istolethetv, Creative Commons Attribution 2.0). 

Isso deu origem à ideologia do “direito à intervenção humanitária” — a noção de que as nações ocidentais têm o direito, ou mesmo o dever, de intervir (inclusive militarmente e em desafio ao direito internacional) em países que “violam os direitos humanos”. Essa ideologia substituiu em parte a luta contra o comunismo — muitas vezes apoiando ditadores — que anteriormente justificava as ações dos EUA, mas que levou ao desastre no Vietnã. Essa ideologia desencadeou um verdadeiro tsunami no pensamento ocidental — particularmente na esquerda, pois permitiu que esta adotasse uma postura aparentemente dissidente (sempre se pode acusar os que detêm o poder de não fazerem o suficiente pelos direitos humanos se demonstrarem cautela ou realismo), que, no entanto, era perfeitamente compatível com os objetivos gerais do imperialismo: enfraquecer os países que resistem à hegemonia americana por meio de subversão interna e sanções externas. A completa hipocrisia dessa ideologia foi rapidamente exposta quando os vietnamitas derrubaram o Khmer Vermelho em 1979, em uma operação que foi verdadeiramente humanitária — em seus efeitos, se não em suas intenções. Essa intervenção foi imediata e unanimemente condenada pelos mesmos países que viriam a se autoproclamar a “comunidade internacional” e que acabavam de arrogar para si — e somente para si — o direito à intervenção humanitária.
Contudo, isso não impediu que a ideologia se tornasse dominante, abrindo caminho para justificar a guerra flagrantemente ilegal contra a Iugoslávia em 1999, bem como a guerra contra a Líbia em 2011.

Este último conflito foi desencadeado depois que o desastre da Guerra do Iraque se tornou flagrantemente óbvio; tal como a guerra no Iraque, a intervenção na Líbia causou estragos dentro do país e em toda a região vizinha do Sahel.

Mesmo em conflitos não travados por razões humanitárias — como as guerras no Afeganistão (2001) e no Iraque (2003) — a ideologia do “direito de intervenção” manifestou-se na esquerda ocidental (mesmo entre autoproclamados pacifistas) através de slogans do tipo “nem Bush nem o Talibã, nem Bush nem Saddam”.

Depois veio a Ucrânia: enquanto houve apoio quase total a uma intervenção da OTAN para proteger a população kosovar que buscava a independência da Sérvia em 1999, a intervenção da Rússia em 2022 para proteger as populações russas no leste da Ucrânia foi universalmente condenada.

Contudo, as situações não são tão diferentes: os ucranianos do Donbas se insurgiram contra um governo em Kiev que emergiu de um golpe de Estado em 2014 apoiado pelos Estados Unidos e pela Alemanha — um governo profundamente anti-Rússia, ou seja, hostil à parcela russa da população no leste do país, região que fora arbitrariamente anexada à Ucrânia durante a criação da URSS em 1922.

A principal diferença entre essas duas situações é que, ao longo de oito anos (de 2014 a 2022), a Rússia esperava — em vão — garantir um acordo negociado, enquanto a OTAN bombardeou a Sérvia após um processo de negociação fraudulento em Rambouillet, que, na prática, exigia a capitulação da Iugoslávia.

O cenário líbio se repetiu — embora por um período mais longo — na Síria, onde, sem intervenção direta do Ocidente, o apoio maciço aos “rebeldes” por parte dos Estados Unidos, das nações europeias e dos estados do Golfo permitiu que eles tomassem o poder no final de 2024.

A história dirá se isso foi bom ou ruim para o povo sírio, mas o que é certo é que essa mudança de regime foi aplaudida no Ocidente (mesmo que o atual líder sírio tivesse sido previamente designado terrorista pelos Estados Unidos) e particularmente em um estado vizinho, Israel, que aproveitou a oportunidade para expandir sua ocupação ilegal do país.

Em seguida, veio Gaza.


Ruínas de Beit Lahia na Faixa de Gaza, destruídas por bombardeios israelenses, 23 de fevereiro de 2025. (Jaber Jehad Badwan / Wikimedia Commons/ CC BY-SA 4.0)

Inicialmente, a “única democracia no Oriente Médio” desfrutou do mesmo tipo de apoio que os Estados Unidos receberam após o 11 de setembro — simpatia pelas vítimas inocentes de terroristas bárbaros.

A história, os abusos passados, os bloqueios e outros eventos semelhantes foram completamente esquecidos. O Hamas foi retratado como um demônio maligno surgido de uma caixa — um efeito sem causa — e a simples menção da história da Faixa de Gaza ou da Palestina rotulava alguém como apologista do terrorismo, uma posição frequentemente sujeita a processos criminais na Europa.

A mensagem transmitida por essa simpatia a Israel — muito semelhante à enviada aos Estados Unidos em 2001 — era de que “vale tudo”.

Contudo, assim como a interpretação quase literal dessa mensagem pelos Estados Unidos no Afeganistão e no Iraque acabou levando à sua perda de credibilidade, a pura barbárie do ataque israelense a Gaza provocou uma onda de indignação global. Sem se deixar intimidar por essa reação, Israel intensificou sua agressão no Líbano e na Cisjordânia.

Para piorar a situação, veio o ataque ao Irã.

A Insensatez da Aventura Iraniana:


O funeral, em 3 de março de 2026, das vítimas do ataque americano-israelense à escola primária Shajareh Tayyebeh, em Minab, Irã. (Agência de Notícias Tasnim/ Wikimedia Commons/ CC BY 4.0)

Após os protestos de janeiro (que estavam longe de ser espontâneos), a expectativa era de que, ao decapitar a liderança do país — e matar muitas crianças no processo — o “regime” (como o Ocidente o chama) entraria em colapso.

Aqui, porém, a aliança EUA-Israel cometeu um erro semelhante ao de Hitler em junho de 1941. Tendo conquistado quase toda a Europa, ele estava convencido de que a URSS ruiria como um castelo de cartas.

Afinal, era exatamente isso que a propaganda anticomunista que ele e seu círculo íntimo haviam escutado ao longo dos anos o levara a acreditar. Quando a guerra não saiu como planejado, ele explicou a seu aliado Carl Gustav Mannerheim — o líder finlandês da época — o quão surpreso estava com a capacidade de resistência soviética.

Não sei o que se diz no Pentágono, mas é provável que sentimentos semelhantes prevaleçam lá em relação ao resultado do ataque ao Irã. E, dado que este ataque foi claramente motivado pela pressão israelense e pelas ilusões que propagaram, é também provável que — mesmo que não o digam publicamente — muitos generais americanos estejam amaldiçoando seu “aliado indispensável”.

Como se isso não bastasse, a crescente influência da China e dos BRICS, as dificuldades enfrentadas pelos sauditas contra os iemenitas — juntamente com a resistência iraniana, libanesa e palestina — sugerem que a era do “imperialismo humanitário”, do direito à intervenção unilateral e do desrespeito ao direito internacional (que surgiu após a Guerra do Vietnã) está chegando ao fim.

O custo humano deste período de imperialismo humanitário fora do Ocidente é assustador: segundo a revista médica britânica The Lancet, 38 milhões de pessoas morreram em consequência das políticas de sanções impostas pelos Estados Unidos e seus aliados ao resto do mundo — muitas vezes por razões “humanitárias”.

O Ocidente encontra-se numa encruzilhada: ou tenta manter a hegemonia a todo custo, ou aceita a realidade de um mundo baseado não em regras autodefinidas, mas nos princípios do direito internacional — ou seja, a igualdade soberana de todos os Estados e a não interferência nos assuntos internos de outras nações.

Se optarmos pela segunda opção (a única viável a longo prazo), então — longe de a condenarmos — devemos agradecer a resistência dos povos do Médio Oriente, que se mantiveram firmes contra um imperialismo que a nossa “esquerda” tentou, em grande medida, justificar apenas com sofismas humanitários.

Jean Bricmont é professor de física teórica na Universidade Católica de Lovaina (Bélgica) e autor de inúmeros artigos e livros, incluindo "Imperialismo Humanitário", "A República dos Censores" e "Absurdos da Moda" (com Alan Sokal).

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

MÚSICA & POESIA EM PARIS [Segundas-f. Musicais, nº77]



A poesia é música, celebremos pois os poetas que enobreceram a língua francesa e estão associados, em muitos aspectos, à cidade de Paris. 
Muitas outras cidades de França e do Mundo têm suas histórias entrelaçadas com personagens literárias e poéticas. Nisso, Paris não é excepção. 
O que a caracteriza como excepcional, é ligação dos poetas a Paris, através do universo da canção.


A CANÇÃO PARISIENSE

 Desde François Villon (c. 1431 - após 1463), até aos cantores-autores dos séculos XX e XXI, foram postos em música inúmeros poemas que, de forma directa ou indirecta, evocam Paris. Mesmo quando não seja de modo explícito, a canção parisiense tem o jeito de nos evocar locais e cenas parisienses.
Por isso, Paris estará sempre entre as mais belas e musicais metrópoles do planeta.



                         https://www.youtube.com/watch?v=GG-n8fd2kWk&t=122s


OS POETAS MALDITOS 

Estamos «programados» para celebrar poetas dos séculos anteriores, mesmo conhecendo os lados menos luzentes dos mesmos. 
Baudelaire, Verlaine, Rimbaud... Não eram famosos no seu tempo. A sociedade não lhes dava valor. As pessoas «decentes» julgavam-nos obscenos, dissolutos e decadentes. Praticamente, foram descobertos, editados e apreciados, somente decénios após sua morte.
Quanto aos poetas malditos de hoje: Quais serão os reconhecidos como «poetas geniais», no próximo século?


CANÇÕES E POEMAS DE QUALIDADE

Entretanto, podemos ouvir versões musicadas de alguns poemas, compostas por Léo Ferré, Jean Ferrat e Georges Brassens. Mas, além destes, Charles Trenet e muitos outros puseram em música as poesias do passado. 
A composição de música sobre poemas é bastante exigente. Somente os criadores de talento conseguem fazer sobressair a música implícita nas poesias.

(Antologia poética e musical:)








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Titre : Le Pont Mirabeau
Poète : Guillaume Apollinaire (1880-1918)
Recueil : Alcools (1913).

Sous le pont Mirabeau coule la Seine
Et nos amours
Faut-il qu'il m'en souvienne
La joie venait toujours après la peine.

Vienne la nuit sonne l'heure
Les jours s'en vont je demeure.

Les mains dans les mains restons face à face
Tandis que sous
Le pont de nos bras passe
Des éternels regards l'onde si lasse.

Vienne la nuit sonne l'heure
Les jours s'en vont je demeure.

L'amour s'en va comme cette eau courante
L'amour s'en va
Comme la vie est lente
Et comme l'Espérance est violente.

Vienne la nuit sonne l'heure
Les jours s'en vont je demeure.

Passent les jours et passent les semaines
Ni temps passé
Ni les amours reviennent
Sous le pont Mirabeau coule la Seine.

Vienne la nuit sonne l'heure
Les jours s'en vont je demeure