quarta-feira, 15 de julho de 2026

DURO COMO O DIAMANTE

 


Diziam que o diamante «é para a vida inteira». Subentendido: Oferecer um anel de noivado com um diamante, significa compromisso «para a vida inteira». Mas, agora, existe processo industrial de fabricar diamantes, sem defeitos, totalmente indistinguíveis dos diamantes lapidados a partir de cristais extraídos das minas... 
Os preços  do diamante sintético e do obtido das minas vão ser iguais? Será impossível distingui-los? Neste caso, eu acredito que seus preços vão ser praticamente idênticos. A indústria de mineração e processamento dos diamantes vai sofrer um enorme abanão.
Lembro-me que a De Beers e a indústria soviética do diamante fizeram um acordo há bastantes anos, para auto-limitarem a extração e refinação dos diamantes, por forma a manter estas pedras preciosas, raras e caras. 
Seja como jóia, ou como material industrial, o diamante pode continuar a ser «para a vida inteira». Será, portanto, o contrário dos objetos produzidos pela civilização industrial, cientificamente calculados para se avariarem ou se degradarem após tempo determinado: Chama-se a isto «obsolescência programada». 

terça-feira, 14 de julho de 2026

ALBÂNIA - O QUE MOTIVA «A REVOLTA DOS FLAMINGOS»?


 «Na Albânia, o genro de Trump, Jared Kushner, deseja construir um hotel de luxo na ilha de Sazan, ao largo da cidade de Valona. O problema é que - até há pouco tempo - a ilha de Sazan era considerada, pelo governo de Tirana, uma reserva natural. Porque isto mudou? Porque o primeiro-ministro albanês Rama e Kushner parecem ser grandes amigos? E qual é o verdadeiro objetivo do resort de luxo?»

vídeo falado em italiano, com legendas em francês


Esta história está relacionada com grandes projetos de gasodutos financiados pelo Quatar e Arábia Saudita e com participação de Israel. Tal projeto - do lado do governo albanês - pretende ser «a porta de entrada» deste pequeno e pobre país balcânico na U. E.

A revolta popular dos últimos dias justifica-se pela série de intrigas em detrimento da soberania da Albânia e pela destruição anunciada do ecossistema que inclui a ilha de Sazan, onde habita uma colónia de flamingos selvagens.


segunda-feira, 13 de julho de 2026

HOJE, VOU ESCREVER UMA CARTA [OBRAS DE MANUEL BANET]

 

Sim, uma  carta em papel; com envelope

Ainda não decidi se escreverei com caneta

De tinta permanente, esferográfica, ou feltro

Mas tem de ser realmente desenhada pela

Minha mão, cada letra exprimindo um instante

O instante das minhas emoções 

Em relação ao conteúdo, também

Irei inovar - no que me toca - no estilo

Serei sincero, sem ser grotesco,

Sem artifício, abrirei o coração

Não preciso de fazer teatro

Com sinceridade, basta escrever

Ao correr da pena, é como estar

contigo, um gesto, um murmúrio,

Leve ruído do aparo ao contacto

Com o papel.


Podia pensar mais solene

Enfático ou espirituoso

Não! Minha razão de escrever

É natural e não fabricada

É o pensamento quando falo

É um sopro ao teu ouvido


Quanto ao conteúdo,

Tenho andado a refletir

No que a ele diz respeito

Ao entregar-te a carta

Entrego-te meu pensar

E sentir, sem floreados


Ainda tenho de a começar

Pois uma carta assim

Não se escreve por capricho


Uma carta assim é leve

E pesada, pelo que diz

E pelo que cala; pelo que 

sai do aparo e pelo que fica

no tinteiro. 


Até breve, pois...




GABRIEL FAURÉ; NA CHARNEIRA DOS SÉCULOS XIX E XX [Segundas-f. musicais, nº66)

Siciliana, Op.78

        [Ver catálogo das obras de Gabriel Fauré, AQUI]


Abaixo, uma peça das «romances sans paroles» (Op. 17/ nº3)




Fauré «estava no ouvido» de toda a sua geração. Embora não tenha rompido totalmente com o romantismo, abordou a matéria-prima musical com uma originalidade que contrasta com os autores do romantismo tardio, que se limitavam à reprodução de fórmulas, repetindo o que foi um sucesso, no passado. 

Muitas pessoas ouviram a «Pavane», op.50 sem saber o nome do autor:


Esta Pavane tem uma ressonância renacentista e mesmo medieval. Porém, Fauré teve o bom gosto de não pretender imitar a música dessas épocas. A versão orquestral, que ouvimos aqui, foi elaborada pelo próprio compositor a partir da versão para piano.

A Élégie para violoncelo e piano, é porventura uma das peças instrumentais mais conhecidas de Gabriel Fauré. Aqui, na gravação histórica (1962) de Jacqueline du Pré ( violoncelo) e Gerald Moore (piano).



O Requiem Op. 48, de Fauré, é uma obra que continua a suscitar o interesse do público e dos músicos profissionais. Uma das peças extraídas do Requiem, é «In Paradisum»


Pode aceder ao Requiem na íntegra, AQUI.


Uma biografia:


Se Fauré soa, no século XXI, como moderno e clássico ao mesmo tempo, é - por um lado - que as suas composições são mesmo originais, resultam de procura formal muito exigente. Por outro lado, assume a herança da música europeia, inserindo-se nela - como elemento charneira - entre o século XIX e o século XX. 


  PS1: Lang Lang interpreta a célebre Pavane em versão solo para piano.



domingo, 12 de julho de 2026

ANÚNCIO DO GOVERNO HONESTO SOBRE IA

Clicar no link abaixo para visualisar o vídeo:

 https://www.youtube.com/watch?v=TtVJ4JDM7eM





Prof. JEFFREY SACHS AVALIA A CIMEIRA DA OTAN


 Muito se falou de despesas militares e sobre a guerra. 
Mas, as questões realmente pertinentes, estão a ser abordadas com imensa irresponsabilidade. 
O desempenho de Trump, neste encontro, mostra que o Mundo Ocidental está completamente destituído de orientação. 
Os membros são incapazes de avaliar os riscos com um mínimo de seriedade. A banalização de tais comportamentos não significa que esteja tudo «bem». Atualmente, existem guerras que causam mortes e isso não é brincadeira, por mais que os dirigentes iludam os factos. 
Chegámos ao ponto absurdo de considerar que o ataque à Rússia irá gerar desenvolvimento. Só haverá «desenvolvimento» nas empresas de armamento e de vigilância digital. 
Quanto ao resto, será o alastrar de austeridade fabricada, o desvio das componentes sociais (segurança social, subsídios desemprego, de apoio a pessoas com deficiências, etc.) e o empobrecimento geral da população.
Para cobrir a enorme gatunagem em curso, usam a falsa capa da «proteção social»: Pensam criar um «rendimento básico universal», independente dos receptores contribuírem, ou não, com trabalho (o trabalho assalariado será, portanto, ainda mais desvalorizado). 

Mas, entretanto, estão empenhados em desviar - desde já -  partes importantes dos orçamentos nacionais para a indústria de armamento e vigilância!

------------------

Reflexão de Manuel Banet: 

De forma quase automática, os que presidem agora aos destinos dos povos, estão a copiar o comportamento dos seus antecessores, nas vésperas da Iª Guerra Mundial. Tal como nessa altura, os partidos que antes se consideravam representando a vontade dos trabalhadores, os partidos social-democratas, «votaram os orçamentos de guerra». Agora também o fazem, mas com antecipação, «programando» desde já o início da guerra total com a Rússia para 2030. Note-se que a guerra não declarada, com «autorização» aos ucranianos de alcançar com ogivas de longo alcance alvos bem no interior da Rússia, foi intensificando-se, com o objetivo claro de provocar na Rússia uma contra-ofensiva aos territórios onde são fabricados os drones e outros armamentos usados pelos ucranianos. Igualmente, os sistemas de satélites e de «inteligência» ocidentais, têm guiado a par e passo as ofensivas das forças ucranianas, sendo certo que sem essa peritagem, seriam incapazes de atingir alvos na Rússia com um mínimo de precisão.

Também, quanto às provocações, sabemos bem que várias potências, nomeadamente a Inglaterra e outras, em vésperas de 1914, tinham todo o interesse em multiplicar os assassinatos na classe política e militar, causando instabilidade e provocando os poderes - empurrados pela opinião pública - a reagir. Temos assistido a uma multiplicação das intervenções terroristas, com a OTAN na origem, mas supostamente realizadas por serviços secretos ucranianos.  

Finalmente, a campanha distorcendo grosseiramente a natureza do «inimigo», dando a entender que se trata dum ditador sanguinário, tem sido «o pão nosso de cada dia» de uma série de media em todo o Ocidente, sinal da campanha de condicionamento das mentes, por forma a amedrontar os cidadãos e impedi-los de considerar argumentos racionais, que poriam de rastos os elementos de propaganda raivosa anti-russa e anti-Putin.

A enorme sucção de capitais para a máquina de guerra, acompanha-se por uma militarização da sociedade civil.  As leis celeradas (completamente anti-constitucionais) são aprovadas à pressa; servem para criminalizar demonstrações pacifistas. A «rédea livre» é dada a uma extrema-direita cada vez mais arrogante, promovida para intimidar os que à esquerda pudessem ajudar a formar uma resistência popular e de massas. 

Tem-se o equivalente de há cerca de 120 anos atrás. É provável que os manuais de guerra psicológica, atualmente usados na OTAN e noutras instâncias, sejam atualizações de manuais descrevendo as técnicas ensaiadas antes e durante a Iª Guerra Mundial.


Consultar também:

Douglas Macgregor: Disastrous NATO Summit - Renewed War on Iran & Russia



PS1: Um importante artigo de John Helmer, descrevendo a situação sem concessões nem rodeios, quer para os dirigentes da OTAN, quer para Putin:

sábado, 11 de julho de 2026

Sobriedade [Obras de Manuel Banet]









Tudo aquilo que é dado ser a um homem

Seu saber, sua estrela, seu caminho

De muito pouco lhe vale, se não frutifica

Se não semeia ao vento a canção da vida




Poeta sejas como te der mais na gana

Em palavras, gestos, imagens, tu sabes

Nada se perde, tudo se transforma, dizem

Sejam teus suspiros por alma ou pão




Quem diz que a arte é vã, nada cria

Pois criar é arrancar do nada um ser

É uma melodia, uma ideia que brotam

À superfície da mente, à luz do dia




Não pretendo dar lições a ninguém

Mas dois conselhos dou a quem me lê

Faz o que deves, mas por convicção

Sê impiedoso crítico de ti próprio

--------------------------------------

GOBEKLI TEPE e Anatólia nas origens da revolução agrária

 




A descoberta e as escavações em curso há cerca de 30 anos e longe de terminadas, de Gobekli Tepe - datado de cerca de 13 mil anos - são uma subversão completa da ideia que se tinha desse período.
Com efeito, pensava-se que as comunidades neolíticas começaram por desenvolver a agricultura, o que - por sua vez - permitiu a existência de um excedente, ou seja, havia possibilidade de certo número de pessoas se dedicar a outra coisa, diferente da produção alimentar. Então, segundo o pensamento arqueológico convencional, ergueram-se as primeiras cidades, os primeiros Estados e civilizações, com suas castas guerreiras, sacerdotais, com os camponeses, artesãos, e os primeiros templos... Tudo isto está posto em causa pois, na época em que foi construída Gobekli Tepe, no «crescente fértil», não existia ainda uma sociedade baseada na agricultura.
As gramíneas selvagens eram colhidas e transformadas, mas não existia o semear e recolher sistematicamente, destas espécies. As escavações em Gobekli Tepe revelaram, em relação aos construtores deste vasto e sofisticado conjunto cultual, que eles ainda viviam da caça/coleta. Assim, temos uma civilização baseada na caça e colecta, mas com avançadas técnicas de construção e representações animais sofisticadas, que correspondiam a uma simbólica complexa, relacionada com a astronomia.
Mas, antes da sua descoberta, a comunidade científica não considerava que tal coisa fosse possível, em povos destituídos de agricultura.


A lição que podemos tirar, é que os humanos têm sido capazes de proezas técnicas, artísticas e espirituais em variadíssimas circunstâncias. Em especial, quando existe abundância de recursos, como foi o caso no planalto da Anatólia, há 13000 anos, na civilização que construiu Gobekli Tepe.

EM COMPLEMENTO, KARAHAN TEPE:





quinta-feira, 9 de julho de 2026

Documentário: OS NEANDERTAIS, NOSSOS PRIMOS

 


https://www.youtube.com/watch?v=Wq6CA6Q3Vyg

A imagem de neandertais com aspecto de brutos que realmente prevaleceu, não apenas na «ciência popular» mas mesmo na paleoantropologia dos séculos XIX e XX, tem sido finalmente posta em causa por avaliações das suas capacidades físicas e mentais, assim como por subsistirem durante longos períodos de clima glaciar na Eurásia. Também se verifica que os Denisovanos e os Neandertais tiveram uma larga interação, houve formação de híbridos antes de terem tido oportunidade de se cruzarem com os - nessa época - emigrantes mais recentes, vindos deÁfrica, os Homo sapiens. 
A interação de populações destas três sub-espécies - Neandertais, Denisovanos, Homo sapiens - formou o tronco comum que deu origem ao que é  a espécie humana única de hoje. 
Esta unicidade tem base objectiva, pois a interfecundidade entre todas as etnias (chamadas incorretamente «raças»), produz híbridos plenamente funcionais e férteis. 
Nas várias centenas de milhares de anos, assiste-se a um processo de especiação por introgressão. Isto significa que os traços favoráveis ou adaptativos, nestas espécies, foram conservados na sua descendência híbrida, sendo incorporados os genes e regulações dos mesmos, de acordo com os desafios que a humanidade teve de enfrentar. 
A propósito disso, verifica-se uma anómala homogeneidade dos genomas na espécie Humana, se comparada com os outros animais, em especial com os símios. Com efeito, por exemplo, os naturais da Papuásia-Nova Guiné - que não tiveram nenhuma hibridação com outro grupo - estão muito mais próximos, em termos genéticos, das  populações doutros continentes, do que seria de esperar. As diferenças genéticas existem, mas são fracas quando comparadas às que existem entre populações da mesma espécie, nos símios antropóides atuais. 
Várias populações de chimpanzés das florestas tropicais/equatoriais de África, foram  testadas para o seu ADN: A diversidade genética intra-específica, entre grupos distintos, é maior que a diversidade genética entre os grupos mais afastados nos humanos.
Esta anomalia da fraca diversidade genética dos grupos humanos etnica e geograficamente separados, levou a postular-se ter havido uma quase extinção global da humanidade. Nessa altura, os indivíduos que contribuíram para a perpetuação da espécie, seriam da ordem de poucos milhares. Por outras palavras, deu-se um estreitamento brusco da população reprodutora total. É difícil de provar exatamente quais os factos que estiveram na origem de tal perda da diversidade genética dos humanos. Sabemos que existiram cataclísmos suficientes e de extensão vasta, durante o intervalo de tempo considerado, que poderiam ser a causa dessa quase extinção. 
Entretanto, ainda há muito por descobrir, quanto aos antecedentes imediatos que deram origem à espécie humana dita «moderna», há cerca de 300 mil anos, provavelmente em África. 
De qualquer maneira, está fora de dúvida que nós, humanos modernos, somos primos dos neandertais e dos denisovanos. Não restam dúvidas de que estes três grupos da humanidade interagiram, trocando genes e tecnologias. 
Esta visão, muito diferente da teoria anterior, de que a nossa espécie foi causadora da extinção dos neandertais, obriga a considerar um novo modelo de evolução e de especiação para a humanidade. 
Neste modelo, desempenham largo papel as introgressões (hibridações entre espécies próximas, mas diferentes) e a selecção subsequente dos genes importados de outras espécies. Caso tais genes conferissem um coeficiente de selecção positivo, perante os desafios ambientais, eles eram conservados. Existem genes de origem neandertal nos euroasiáticos contemporâneos e não são «relíquias» do passado; funcionam normalmente e conferem características fenotípicas próprias. Eles foram perpetuados ao longo de inúmeras gerações. Pelo contrário, outros genes oriundos dos neandertais foram excluídos, embora estivessem presentes nas populações híbridas iniciais. Neste último caso, jogaram incompatibilidades intra-genómicas,  entre genes ou conjuntos de genes, provenientes de Homo sapiens e de Neandertais.   


----------------------------------------------


PS: Temos acompanhado as descobertas em paleoantropologia, em relação aos neandertais, especialmente. Consulte o artigo seguinte:

segunda-feira, 6 de julho de 2026

ESTRATÉGIA DA OLIGARQUIA NA GUERRA MUNDIAL [Crónicas da 3º Guerra Mundial, nº65]


 https://www.youtube.com/watch?v=nZjMQKpFy7U&t=14s

RUBINSTEIN : Recital CHOPIN [Segundas-f. musicais n° 65]



Excertos do recital dado por Arthur Rubinstein em Moscovo, em 1964.

A virtuosidade duma interpretação pode avaliar-se pela intencionalidade de cada nota, no discurso musical.
Arthur Rubinstein é ainda hoje referência inultrapassável pela profundidade com que nos devolve os sentimentos encerrados nas partituras de Chopin. 
Existem vários outros intérpretes de excepcional qualidade. Porém,  eu considero que estas gravações ao vivo de Rubinstein, são momentos em que podemos apreender a estrutura, a expressão e a técnica ao serviço da obra.



Nocturno op. 27 nº2


 
Sonata op.35