Uma frase atribuída a Churchill: «Em tempo de guerra, a verdade é tão preciosa que deveria estar sempre enquadrada por um corpo de guarda de mentiras».

quinta-feira, 26 de março de 2026

CUBA NA MIRA DOS PSICOPATAS QUE GOVERNAM WASHINGTON


 Enquanto a guerra no Irão continua a flagelar as populações civis, sobretudo, o Império do Mal já se prepara para a próxima «redada» na sua fúria de conquista. 

Os psicopatas e sociopatas que dominam o sistema político mais poderoso, em termos financeiros e militares, não querem deixar nenhum pedaço de território fora da sua pata imperial. É com esta mentalidade, a de Trump, de Marco Rubio e de milionários da Máfia de Miami, que o globo inteiro está a lidar. Os vassalos europeus, cheios de medo, preferem fingir que não percebem o jogo, na esperança que tenham direito a alguns despojos da carnificia. São autênticos abutres, impacientes por obter carniça suficiente para a sua infinita gula. 

Eu sei do que falo, pois tenho seguido o seu jogo de perto, desde antes do século XXI. A primeira golpaça foi a Yugoslávia, a transformação da República Federativa da Yugoslávia, numa nova «balcanização», de jogar as religiões e as etnias umas contra as outras, para obter a neutralização e destruição do bastião que poderia potencialmente criar amargos de boca aos  neoliberais. Estes, entretanto, pavoneavam-se entre Roma e Berlim, ou entre Londres e Nova Iorque, traçando, por cima das cabeças dos povos, o destino do Mundo, como nova classe feudal globalizada. Foi este mesmo Império, que levou a cabo as guerras de destruição total do Afganistão, Iraque, Líbia, Ucrânia, e agora, Irão. 

De permeio, destruíram também as economias europeias, o seu modelo do «Welfare State» (Estado de Bem-estar), porque não permitia obter a total submissão da classe trabalhadora, enquanto esta tivesse direitos e capacidade de luta. Uma classe trabalhadora europeia, consciente, lutadora, era mais do que um incómodo, eram um espinho cravado nos seus calcanhares. 

Muitas corrupções na classe política, entretanto, deram oportunidade aos chamados «neocons» ( ou seja, os adoradores de Pinochet e dos seus conselheiros da «Escola de Chicago») para «gerir» a demolição sistemática das vertentes sociais e democráticas, dos Estados europeus. 

Chegámos ao ponto em que a massa do povo está a ser encaminhada para o precipício, hipnotizada, iludida, sem ter a noção de que o seu destino pode ser como o da população de Gaza. A próxima «Gaza» pode muito bem ser a  população X e esta pode ser do País onde o leitor me está a ler... 

Neste momento, há mais forças a apostar na entropia, na destruição, nas trevas, do que aquelas portadoras de projectos de libertação, de futuro, de transformação positiva. 

Os que ocupam lugares nos centros de poder (as oligarquias) estarão mais ou menos ao corrente das jogadas dos que controlam realmente tudo, mas não imaginam o plano geral. Este é o programa dos malthusianos, que já tenho explicando aqui neste blog, em várias ocasiões. 

A conspiração, que não é nenhuma teoria, é a conspiração do silêncio, em que alguns - bem informados - estão calados, ou para beneficiar do botim, ou porque chantageados e com medo de ser «vítimas de um acidente infeliz», ou ainda, de serem «suicidados».  

A loucura não é minha, o delírio não é meu. A miopia e a coberdia de alguns, vai permitir que muitos mais crimes sejam cometidos, além dos que já foram levados a cabo neste torturado Século XXI.

Não sei se foi Einstein ou Hanna Arendt (ou outra personalidade?), quem afirmou que a civilização morre, não pelos ditadores e as suas tropas de choque, que se apoderam dos Estados, mas pelas pessoas que veem subir o perigo e nada fazem, que se calam....

quarta-feira, 25 de março de 2026

ENORME VANTAGEM DA CHINA EM RELAÇÃO ÀS OUTRAS ECONOMIAS DO EXTREMO-ORIENTE

Com o rebentar da guerra de agressão contra o Irão, por parte de Israel e dos EUA, a região toda ficou envolvida no conflito, nomeadamente, além do Irão, as monarquias do Golfo Pérsico (incluindo a Arábia Saúdita) e gerou-se uma escassez súbita de petróleo e gás natural, afetando o mercado mundial. Pelo facto da China ser o maior importador mundial de petróleo e de 40% desse petróleo ser oriundo do Golfo Pérsico, poderia pensar-se que o estado atual de escassez iria afetar especialmente a China, nas suas mais diversas valências industriais e outras. Porém, a China preparou-se desde há muito tempo para situações deste tipo:

 - Primeiro, construiu uma reserva de petróleo que corresponde - a pelo menos - 90 dias de consumo normal. 

- Segundo, tem uma diversificação nas suas fontes de petróleo que poucos países têm; com efeito, uma importante e crescente percentagem do petróleo consumido pela China, vem da Sibéria, via oleoductos, portanto dum fornecimento regular, estável.

- A China foi um dos raríssimos países que continuou a abastecer-se de petróleo nos primeiros dias da guerra no Golfo, visto que os iranianos que controlam o estreito de Ormuz, lhes deram salvo-condutos para a navegação dos navios-tanques chineses. 

- Mas, as coisas vão muito além da diversificação do abastecimento em petróleo: A China tornou-se o maior produtor (e exportador global) de paineis solares. Também desenvolveu a indústria das eólicas e tem uma rede instalada que é o triplo da do seu concorrente mais próximo, os EUA. 

- Desenvolveu a energia nuclear para produção de energia e tem experimentado, no deserto de Gobi, com real sucesso, reactores a Tório. O Tório é um elemento mais abundante que o Urânio. Ao contrário do Urânio, o Tório pode ser reciclado no próprio processo de produção de energia; os reatores a Tório são quase auto-suficientes.

Abaixo, transcrevo passagens do artigo de Kevin Walmsley (de 25 de Março): «Após Três Semanas de Guerra no Golfo, a diversificação do setor energético da China mostra os seus frutos.»

https://kdwalmsley.substack.com/p/the-china1-diversification-strategy

First, over half the vehicles sold in China today are electric vehicles, and that electricity is generated with domestic energy supplies.

Further, the Chinese electric grid is powered by a far higher share of renewable energy than anywhere else. China installs more new solar capacity than the rest of the world combined, and just adding to their lead in solar power generation. They also dominate in wind power. Currently the United States leads in nuclear power plants online, but China has more nuclear plants under construction than the rest of the world combined:

So as China has electrified their transportation networks, they’ve also built out an electric grid that’s fed by renewables and domestic sources of supply. China still does import three-fourths of its crude oil. But for the past several years China has been overbuying, and stashing surplus crude into storage tanks.

They don’t publicly disclose their stockpiles of crude—our analysts are guessing at the import numbers because they’re not really sure what comes across from Russia, or on tankers that are under sanction. So they are also just guessing how much is going into stockpiles, but industry insiders put the number at around 1.3 billion barrels. Remember, too, that there still is oil flowing from Iran to China, despite the war. So compared to the other countries in Asia, China is the least impacted by the war in the Middle East.

South Korea is capping prices, which won’t do anything. Pakistan is increasing gas prices by 20 percent for car drivers to free up supplies for trucks and buses, even though wholesale gas prices are up much more than 20 percent. In Vietnam, gas stations are already running out, and the government there says they have oil for another month or so and are telling their populations not to hoard fuel.

The Philippines gets 90% of its oil from the Middle East, and government workers there are working 4 days a week. Bangladesh is rationing fuel and closing universities to save electricity. In India, the crematoriums can’t get enough LPG to burn bodies, so they had to close down.

These are the countries who sold themselves as viable manufacturing centers, to global companies looking to de-risk from China. Thousands of companies attempted a “China+1” strategy, and moved some production out of China to these neighboring countries to reduce geopolitical risk, just traded one problem for a bunch more.

The idea was that diversifying production away from China means a reduction in risk, and somehow a stronger supply chain. But that was an illusion. These countries are dependent on the smooth flow of fossil fuels from the Middle East, at low prices, to run their power plants and transportation systems.

That’s gone, and today those factories are paying a lot more to keep the lights on, and get their people back and forth from home.




terça-feira, 24 de março de 2026

O SIONISMO TEM UM PROJETO DE DOMÍNIO DO MÉDIO ORIENTE (Crónica da IIIª Guerra Mundial nº58)



Quando escrevi a penúlima crónica (nº56) apontava o paralelo do início da 1ª Guerra Mundial. De facto, os soldados recém-mobilizados, em todas as nações beligerantes, partiam para frente de batalha esperançados de que «esta guerra seria a última, que esta guerra iria acabar com todas as guerras». Evidentemente, estavam muito enganados. Houve muitas guerras desde 1918, não só a IIª Guerra Mundial, como um contínuo de guerras, na maior parte dos casos, em zonas geográficas exteriores à Europa.
Esta guerra regional do Médio Oriente, pode ser encarada como mais um capítulo da sucessão de confrontos armados desde a proclamação unilateral do Estado de Israel, em 1948.
Mas, também atinge o mundo inteiro, pelo facto afetar muito diretamente a produção do petróleo e a sua distribuição. E também, pelo facto de ser uma guerra que envolve de forma indireta as grandes potências, os EUA, diretamente e em tandem com Israel; a Rússia e a China de forma indirecta e apoiando o Irão com armas e outros meios militares e com espionagem via satélite.



Relativamente aos paralelos com outras guerras, nomeadamente, 1ª e 2ª Guerras Mundiais, é preciso ser-se prudente, não querer enquadrar factos recentes com uma História passada, que já tem mais de 80 anos...

Porém, há uma constante, do ponto de vista humano: a miopia das «elites», a incapacidade de muitos terem um olhar lúcido sobre os vários aspectos da agressão conjunta Israelo-Americana ao Irão.

A começar pela cronologia: sua data de início, 28 de Fevereiro de 2026, não é mais do que a data em que se abateu sobre o povo e território do Irão um ataque mortífero e criminoso. Desde o derrube de Mossadeg em 1953, que o Irão tem sido flagelado por guerra, subversão, sanções, pelos mesmos poderes: EUA, Reino Unido, outros países da OTAN e Israel (o «porta- aviões ocidental» estacionado permanentemente do Oriente-Próximo).

Eu não posso (nem quero) usar as páginas desta «Crónica da IIIª Guerra Mundial» para descrever os movimentos militares de uma e outra parte. Isso está mais ou menos bem coberto, pela media alternativa, a que qualquer um de vós terá acesso, tal como eu tenho. Evidentemente, nestas circunstâncias, existem por vezes «falsas notícias» (fake news) mas elas são relativamente fáceis de desmascarar, desde que se procure em várias fontes contraditórias.

É rápido desmascarar 99% das notícias falsificadas, as mais óbvias. Mas, há um domínio «cinzento» em que as notícias verídicas se misturam com comentários tendenciosos. A «arte» da «lavagem ao cérebro» usa abundantemente da técnica de fazer passar por genuína uma informação, quando é afinal um ponto de vista inteiramente distorcido no sentido de favorecer A ou B.




Os 2 vídeos abaixo são ambos interessantes, pois nos dão um contexto, nos permitem enquadrar os factos num domínio mais vasto. As pessoas que aí falam têm um conhecimento profundo e pessoal dos episódios que narram.

Por estas entrevistas, podemos ver que a linha de fractura não é nacional, nem étnica, nem - tão pouco - religiosa: A linha de separação é entre os predadores (os imperialistas e estados clientes) e os povos agredidos. Como é evidente, estamos com o povo iraniano e com o povo palestiniano. Estamos também com pessoas de outros povos, que têm a coragem de denunciar as crueldades e os planos criminosos dos seus governos.

Não se trata de «os bons contra os maus», mas antes, de um complexo de interesses que leva ao esmagamento da classe trabalhadora, dos pobres, de qualquer dos países em guerra. Mas, indiretamente, também tem impacto negativo em qualquer outro. Os efeitos de pauperização são realmente globais.








VISÃO ESOTÉRICA EXPLICADA POR PROF. JIANG





segunda-feira, 23 de março de 2026

A VOZ INESQUECÍVEL DE MÓNICA GIRALDO (Segundas-f. Musicais nº54)

 

A colombiana Mónica Giraldo é a minha mais recente descoberta no domínio do canto popular latino-americano.

Ela cresceu numa família musical e começou muito cedo a compor canções. 

O que é notável, para mim, é a naturalidade: as melodias, a expressão e o sentido das palavras, conjugam-se de forma perfeita, harmoniosa. 

Mas, ainda por cima, não deixa de cultivar a tradição; Mónica explora todo o campo da música latino-americana (e mesmo, napolitana). 

A América-Latina  é um sub-continente com imensa variedade musical. Os músicos latino-americanos são conhecedores, não apenas das tradições nacionais, como das de todo o Continente. As raízes da música, tanto folclórica, como erudita, são muito diversas. Recebem a contribuição de muitas culturas: indígenas, africanas, da Ibéria, de Itália ... e de muitas outras nações. A América Latina é um caldo de cultura do mundo inteiro. 

Mónica Giraldo é um exemplo bem eloquente de criatividade e de calor humano. Qualquer que seja a tua origem, vais te sentir envolvido pela voz, o rítmo, a melodia.  


                                          https://www.youtube.com/watch?v=U8yGOVdGAXs

gg
                                           https://www.youtube.com/watch?v=Emqg3WAP5Ms



domingo, 22 de março de 2026

Roger Penrose: SABES DE ONDE VEM A MASSA DE UMA ÁRVORE?

Um excelente vídeo de educação e divulgação da ciência biológica



                                                             (em língua espanhola)

MOVIMENTAÇÃO ESTRATÉGICA DO IRÃO CONTRA OS EUA IRÁ MUDAR TUDO





COMPLEMENTO DE INFORMAÇÃO (EXTRAÍDO DE «MOON OF ALAMBAMA»)

 Former ambassador for the UK Chris Murray is onto something when he asserts that Trump’s plan is, and was all along, to utterly destroy and defeat Iran:

The attack on Iran was always planned by Trump. He was not “bounced into it” by Israel. It had been in gestation for months. That fact had been held within a very tight circle to avoid both political opposition and institutional opposition from the US military and intelligence community.

Trump’s naval blockade of Venezuela’s oil has secured a US monopoly of its sale and distribution. As with Iraq, only US-approved contractors can buy the oil and payments are made to a Trump-controlled account in Qatar, from which revenue is given to the Venezuelan government entirely at Trump’s discretion.

This audacious imperialist grab of the world’s largest oil reserve further insulated the USA against the effects of the forthcoming closure of the Strait of Hormuz.

Again, the narrative is being spun that Trump did not foresee the closure of the Strait by Iran. That is plainly a nonsense – every commentary on a potential Iran war for half a century has focused on the Strait of Hormuz. The only possible explanation is that Trump does not mind the closure.

Trump’s thrashing about to articulate objectives for the war in Iran is performative, a blind to cover his true and steadfast objective – simply the annihilation of Iran as a functioning state, the infliction of the maximum amount of death and infrastructural damage, the reduction of Iran to the condition of Libya.

Destruction of Iran on the scale envisaged will take years of hard pounding. Again, it is planned – you don’t ask Congress for an installment of $200 billion for a war you plan to wrap up in a month. Again, Trump’s taunts about having already won, objectives being achieved and about possibly finishing soon, are all just smoke and mirrors. The scale and horror of what is planned for Iran has to be obfuscated to limit a public revulsion that would be echoed in parts of the state apparatus.

Netanyahu yesterday revealed an interesting part of the endgame – construction of an oil pipeline that brings Iran’s oil out to be shipped from a Mediterranean terminal in Israel. That is a breathtakingly audacious plan, but absolutely aligns with Netanyahu’s and Trump’s actions.

Let me encourage you to read Murray’s full argument

quinta-feira, 19 de março de 2026

O MAIOR SACRILÉGIO

 https://substack.com/home/post/p-190389107 Trump sentado e os membros do seu governo, rodeiam-no, em adoração 



A característica principal das guerras que têm afligido o Planeta, desde o século XXI, é que estão relacionadas estreitamente com crenças religiosas. 

- Note-se a associação da retórica belicista dos dirigentes dos EUA com a ideologia de «Manifest Destiny», ou seja, da missão divina de que o povo dos EUA está incumbido, de ser o líder das nações e guiá-las para a Pax Americana, uma forma laicizada de «paraíso terreal». 

- Note-se também o elemento religioso da Jihad de povos islâmicos, sejam sunitas ou xiitas, de combater o «Grande Satã», que identificam com o Ocidente em geral (e os EUA, em particular), com a degradação moral, com a arrogância de ricos, etc. 

- O combate entre o Ocidente cristão (ou que se auto-intitula assim) e o ateísmo «diabólico» do comunismo foi outro dos grandes lemas das cruzadas anti-comunistas, durante a 2ª metade do século XX. 

O próprio comunismo (ou marxismo- leninismo) foi transformado em «religião sem Deus», uma ideologia pseudo-científica, como todas as ideologias.

 Podíamos continuar a descrever extensivamente a dimensão religiosa nos acontecimentos (nem todos com caráter bélico, aliás) que ocorreram neste último quarto de século. Quer para dar uma justificação falsa, ou devido à convicção verdadeira dum povo, o facto é que os Estados se têm apropriado de argumentos (pseudo-)teológicos. 

No plano estrictamente material, direi que a concorrência entre Estados supõe e é insuflada por concorrência entre grupos de interesses, principalmente económicos. Esta concorrência, perante a limitação drástica dos recursos disponíveis no planeta, assim como a extensão dos mercados a todas as regiões, faz com que se intensifique a concorrência entre grupos capitalistas oriundos de várias nações, «obrigando» a que se confrontem em guerras: pelo controlo das matérias-primas, pelo exclusivo ou privilegiado acesso aos mercados, pelo domínio sobre outras nações ou, mesmo, pela hegemonia mundial. Todas estas instâncias se verificam, senão em simultâneo, pelo menos numa combinação de várias motivações, nestes breves 26 anos do século presente. 

Mas, se nos debruçarmos um pouco mais atentamente, verificamos que as guerras - sejam elas de confronto total, sejam elas de âmbito confinado - têm um grau de destruição humano e ambiental muito superior às guerras que existiram desde a antiguidade até à 1ª Guerra Mundial, de 1914-18.  Poderíamos argumentar que, a partir   do século XIX, as potências e as oligarquias que as financiavam estavam em concorrência direta pelos recursos (tanto de matérias-primas, como humanos), capturados pelos países tendo maior número e extensão de colónias. 

- O continente africano era repartido sobretudo entre britânicos e franceses, com importantes extensões nas mãos de portugueses, belgas, alemães e espanhóis. O Oriente-Médio também estava talhado de modo semelhante, sobretudo entre britânicos e franceses. 

- O império russo estendia-se, sobretudo, intra-fronteiras, não era um império baseado em conquistas ultramarinas. As suas ambições no início do século XX, já eram semelhantes às que tem agora, ou seja, poder desenvolver o seu enorme potencial na Sibéria, no Ártico e noutras partes, que ainda têm imenso potencial por explorar. 

- A China estava subjugada, primeiro  pelos britânicos e depois por uma série de potências europeias e também pelos EUA e o Japão. O jugo neo-colonial era agravado pela guerra e invasão japonesa em 1931 e pela rivalidade entre facções na sociedade chinesa. Por fim, com a derrota das tropas nacionalistas (apoiadas pelos EUA), deu-se a proclamação da República Popular da China, sob direção do Partido comunista. A China era, em 1949, um país pauperizado, com uma situação de pobreza semelhante aos mais pobres do «Terceiro Mundo». O seu reerguer só teve início a partir da década de 80. Também a RPC, como a Rússia, tem internamente uma grande variedade de etnias, umas mais integradas, outras com maior resiliência à assimilação cultural. As comunidades que aceitam de bom grado a liderança do Partido Comunista não vivem numa situação de opressão, que se verifica no Tibete e no Xinjiang.

- A confrontação através de «proxi» - ou seja - de aliados dum ou doutro bloco económico/ideológico, caracterizou a segunda metade do século XX, assim como a libertação de muitos países sob tutela colonial, muitas vezes pela luta armada. 

- As guerrilhas também foram amplamente utilizadas pelos países ocidentais, em particular pelos EUA, que armavam, treinavam e alimentavam a contra-revolução em países da América central (ex. Nicarágua, El Salvador...) e muitos outros países ex-coloniais (África e Ásia). Também exerceram uma constante subversão no interior dos países do Bloco Soviético, em particular, infiltrando agentes e alimentando grupos de dissidentes internos, ou no exílio. Pode dizer-se que este confronto resultou num enfraquecimento do controlo sobre vários países do Pacto de Varsóvia: Houve revoltas com repercussão importante na Hungria, na Checoslováquia, na Polónia e na Roménia. Por fim, a situação na Alemanha de Leste tornou-se insustentável para o governo e resultou na «Queda do Muro de Berlim». 

- No entanto, as forças que eram apoiadas por americanos e seus aliados, sofreram muitos revezes em lutas pós-coloniais em África, na Ásia e na América Latina. Por exemplo, a derrota do exército do regime de Apartheid (junto com forças angolanas de Savimbi) que foram paradas e destroçadas,  por volta da declaração de independência desta ex-colónia portuguesa. Outro exemplo: os Sandinistas na Nicarágua derrotaram os Contras, ativamente apoiados e enquadrados por militares dos EUA. Ou ainda, a derrota do exército iraquiano nos anos 80, no tempo de Saddam Hussein, apoiado pelos EUA e por  países europeus, contra o Irão recém triunfante da revolução que depôs o Xá e instaurou o regime xiita.  

- No século XXI, a guerra por meio de aliados e apoios das grandes potências, continuou («proxi wars») mas houve - a partir do 11 de Setembro de 2001 - o envolvimento direto do exército dos EUA e de contingentes da OTAN. 

 - Os países oprimidos que são esmagados pela força militar muito superior de uma grande potência, têm de construir uma narrativa que os justifique a não  depor as armas e continuar a combater. Estas narrativas sintetizam traços de identidade nacional e crenças religiosas. Por isso, é comum haver nelas elementos apocalípticos, o que confere maior tenacidade à sua resistência armada. 

- Igualmente, os países opressores, na guerra desumana que levam a cabo contra a população civil inimiga, vão produzir narrativas para «inocentar» as tropas perante os seus cidadãos,  das atrocidades por eles cometidas. Estas - supostamente - são cometidas «somente» pelos inimigos. Não é raro haver uma componente racista e a utilização da religião para fins de propaganda, sobretudo, junto das suas tropas e da população civil. A dessensibilização da cidadania destes países agressores, vai amplificar o medo ressentido e o perigo imaginado, sobretudo.  

Segundo o Prof. Jiang, este confronto atual assume contornos escatológicos. Por outras palavras, trata-se de justificação pelos fins. Os combatentes e as populações civis são endoutrinadas de que esta guerra será a última, que  os sofrimentos presentes «abrirão os Céus», seja para a vinda do Messias, seja para um Reino Divino, seja para outras visões sobrenaturais. 

Assim, os constrangimentos que a guerra «somente militar» tinha explícitos (poupar as populações civis adversárias, não destruir recursos vitais para a subsistência da população, respeitar os prisioneiros de guerra, etc) vão ser «esquecidos», pelo fanatismo e os instintos de morte dos combatentes de ambos os lados. Se ambos se julgam «o Braço de Deus», concedem a si próprios o papel de «justiceiros»: Qualquer atrocidade que cometam, é vista pelos seus superiores hierárquicos com indiferença, senão mesmo, como digna de louvor .

A religião de qualquer povo, de qualquer etnia, não está aqui em causa. O que está em causa, é o que chamo o «maior sacrilégio»: O de utilizar a mensagem fundamental de cada religião, de sábios e válidos ensinamentos, para produzir uma distorsão monstruosa. Assim, estão cometendo um sacrilégio, uma monstruosidade e uma farsa, contra os seus livros sagrados e contra a prática multi- milenar das religiões, de que  dizem ser adeptos. 

Todos os povos envolvidos em guerras tendem a cair nisso, mas quem os incita são os dirigentes políticos e religiosos e os chamados «líderes de opinião»: todos eles têm culpas agravadas, embora cada pessoa deva ter «freio moral» para não se deixar embarcar em ódios vesgos contra o «inimigo». Tanto mais que a informação que nós recebemos é um apanhado de propaganda, seja qual for o lado em que nos encontremos. Não podemos senão nos basear sobre os ensinamentos de elevado valor espiritual, que estão presentes em todas as religiões. Só assim cumprimos o nosso dever; só assim mostramos respeito verdadeiro por Deus e pelas Escrituras Sagradas.

PROF JIANG: os próximos 30 dias, que mudarão tudo

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quarta-feira, 18 de março de 2026

PRIMAVERA [Obras de Manuel Banet]

 



 Nesta prisão que se estende até ao horizonte

Neste pesadelo que parece sem fim

Onde encontrarei eu a primavera

A Natureza que alguns obsecados matam


Em sonhos encontramos refúgio 

Quando a realidade dói demasiado

Nesta prisão nem o sonho subsiste

Ao espelho da fera enlouquecida


Gostava de vos dar algum alento

De vos encher o peito de coragem

Mas não posso; estou procurando

Das aves o canto, saber pra onde foi


Não tenho refúgio nos campos 

Ou nos bosques; pois afinal 

Atormenta saber-me

Dos humanos o igual


Os assassinos a sangue-frio

Na aparência são humanos

Agora são uns ratos loucos

De medo, raiva e vingança


A guerra é uma doença 

Contagiosa dos povos:

Mata primeiro por dentro

O humano, no homem 


 

 



 

segunda-feira, 16 de março de 2026

Bourrée de Bach para alaúde e ... grupo pop [Segundas-f. musicais nº53 ]

PAOLA HERMOSIN,  Bourrée da Suite n°1 BWV 996




 Este vídeo de Paola Hermosin desencadeou a minha vontade de revisitar certos ídolos da minha adolescência.  Como muitos outros adolescentes em 1969, descobri a banda britânica Jethro Tull, liderada pelo "mago" da flauta transversal, Ian Andersen. Sua técnica deste instrumento envolvia produzir sons de respiração ruidosa, tocar duas notas em simultâneo e um estilo de "performance" original ao vivo, ou na TV, em concertos dos Jethro Tull.

A versão dos Jethro Tull da "BOURRÉE", uma composição de juventude de Bach, era totalmente livre e sem pretensão de "fidelidade" à peça original. As vozes em contraponto à melodia principal (na flauta), estavam a cargo de uma segunda flauta e das guitarras. A exposição do tema era seguida por improvisações em estilo de jazz, um retomar sóbrio do tema inicial e - por fim - o «disparar» duma coda acrobática. Esta versão da célebre Bourrée é uma construção nova, sobre arquitetura pré-existente; não se pode considerar um plágio.
Naquela época, eu era um principiante em música  barroca: Estudava ao piano peças de Bach, de Haendel e doutros músicos desse período. Também  apreciava música pop e rock, pelo que me tornei fã dos Jethro Tull.
Nesses anos, era moda as bandas pop usarem peças clássicas e adaptá-las, integrando-as em suas composições. O resultado era de qualidade variável. No caso da adaptação dos Jethro Tull o resultado foi excelente. Além disso, tiveram o bom gosto de não repetir a fórmula com outras peças barrocas. 
As décadas dos anos 1960-1970 foram de procura e criatividade: As bandas procuravam construir a sua sonoridade própria, cada uma desenvolvendo um reportório diversificado, indo beber a várias tradições e estilos, de 'rythm & blues' à balada romântica; do folklore à música sinfónica...

Oiça a «Bourrée», inspirada em Bach:

                                        JETHRO TULL (1969)

                                  


domingo, 15 de março de 2026

Coronel Macgregor descreve a derrota americana no Irão





De uma forma serena, o Coronel informa-nos sobre os tremendos erros de avaliação que - segundo ele - foram induzidos pelo primeiro-ministro de Israel B. Netayahu, ao presidente Trump, levando os EUA a jogarem o seu poderio militar numa guerra em que o Irão, as suas forças armadas, a solidez do regime, as suas possibilidades estratégicas foram claramente subestimadas. O Irão apenas tem de manter a capacidade de causar danos fortes, ou seja, de disparar drones e mísseis, capazes de alcançar Israel e as instalações militares dos EUA nos países do Golfo. Por outras palavras, o Irão está a ganhar e não se vê como os EUA poderão conquistar o Estreito de Ormuz, senão com uma invasão terrestre. Esta, implicará - sem dúvida - um banho de sangue. O público americano está já maioritariamente contra esta guerra. Se as baixas do lado dos EUA subirem significativamente, a situação interna dos EUA vai, provavelmente, evoluir para muito pior.
Numa altura em que as reservas de mísseis dos EUA estão perigosamente baixas e com uma capacidade de produção muito mais baixa do que as necessidades, a possibilidade dos EUA conseguirem, no campo de batalha, demonstrar que não perderam a hegemonia, são remotas, para não dizer inexistentes.
O mundo inteiro vê isto e compreende que os EUA e as suas bases, já não são proteção nenhuma para ninguém, que a sua capacidade de projetar força militar em grande escala, por tempo prolongado, desapareceu. Finalmente, são os responsáveis americanos, que vendo a catástrofe aproximar-se, vieram - através de intermediários - pedir um cessar-fogo e negociações aos iranianos. Os iranianos negaram e puseram condições que - tanto os americanos, como os israelitas - não aceitam (por enquanto).
Entretanto, prevê-se a disrupção catastrófica do abastecimento de petróleo, globalmente. A subida do custo do barril para 300 dólares, é prevista por muitos analistas e causará profunda recessão ou depressão. É o que se espera quanto à economia mundial, se esta guerra se prolongar durante 6 meses ou mais. A media ocidental tem escondido o facto dos estados-maiores de grandes empresas e bancos já preverem este cenário e já terem modificado radicalmente os seus investimentos.
Trata-se de uma vitória do Irão, pois tem capacidade para continuar a inflingir pesadas perdas (humanas, em material e económicas) aos EUA e seus aliados. É uma derrota para os EUA, pois não atingiu os objetivos seguintes proclamados:
- a mudança de regime dos Aiatolas,
- a impossibilidade do Irão prosseguir o enriquecimento do urânio, 
- a perda da capacidade do Irão em atingir a frota dos EUA e os aliados (sobretudo Irael e monarquias do Golfo)
- Os EUA tomarem o controlo do petróleo iraniano.
Todos estes objetivos foram proclamados como justificações para a agressão que Israel e EUA efetuaram conjuntamente.


Não sei se, desta vez, aprenderam a lição: Os americanos já deviam tê-la aprendido, com o Vietname, a Somália, o Iraque, o Afeganistão... guerras que atingiram sobretudo populações civis, não deram nenhum dos resultados ambicionados e deixaram fragilizada a posição geoestratégica dos EUA.
Também deveriam já ter aprendido que os sionistas e o governo de Netanyahu, que empurraram os dirigentes americanos para fazer as guerras deles, sionistas, não são «amigos» dos EUA.
 

quinta-feira, 12 de março de 2026

HÚBRIS [Crónica da IIIª Guerra Mundial nº57]


Como já tenho explicado noutros artigos deste bloco, a húbris era como na antiguidade os gregos designavam a embriaguês da vitória, fazendo com que o general vencedor se julgasse tudo permitido. Nestas circunstâncias, uma vitória momentânea, podia se transformar na mais profunda e definitiva derrota. Isso ocorreu repetidas vezes no passado; agora verificamos que está a acontecer isso mesmo com Trump e com os que o rodeiam, o seu «Estado-Maior». Muitas vezes verifica-se que os poderosos acabam por cair nas suas propagandas. Acabam por acreditar que a sua avaliação do adversário é correta. Porém, no caso da guerra presente, nada podia ser mais longe da verdade. 

A guerra assimétrica que está a ser levada a cabo pelo Irão, agora também pelos seus aliados do Hezbollah, no Líbano, contra Israel e os EUA, conduz matematicamente a que os arsenais de mísseis interceptores dos inimigos do Irão sejam esgotados bem antes que o arsenal iraniano de drones e mísseis esteja perto de se esgotar. Os primeiros ataques  iranianos, foram levados a cabo com uma maioria de mísseis desactualizados, logo com pouca probabilidade de atingir o alvo, havendo no meio destes, alguns mísseis de última geração, que tinham a capacidade de furar as defesas do inimigo e não eram praticamente interceptáveis. Esta combinação, saturando as defesas Israelo-Americanas e ao mesmo tempo atingindo alvos significativos, teve um efeito moral e económico, logo nos primeiros dias de combates. A resposta americana e israelita foi de bombardear o território do Irão, sobretudo zonas civis, causando portanto muitas baixas civis e danos materiais. Mas estes crimes de guerra, tal como o ataque com «decapitação» de muitos dirigentes, incluindo o Aiatolá Kamenei, não tiveram o efeito desejado. Uniram a população em torno dos seus governantes, das suas forças armadas; mesmo pessoas que, em Janeiro deste ano, tinham participado em manifestações contra o regime iraniano. 

As bombas podem matar, destruir, mas está garantido que numa circunstância onde exista forte motivação de resistência ao invasor, os ataques aéreos não podem conseguir o objetivo de mudança de regime. Como se tem visto, aconteceu exatamente o oposto: Uma consolidação do regime, com uma grande massa da população agrupada em torno do seu governo. Perante esta situação, os estrategas de Israel e de Washington recuaram da invasão terrestre planeada. Nesta invasão terrestre, seriam usadas como «carne para canhão», as forças «proxi» de curdos do Iraque e os do Irão, que se tinham refugiado nos países vizinhos. Estas forças só poderiam ser de voluntários; não havendo nenhum entusiasmo da parte destes curdos em morrerem pelas causas israelita e americana, os estrategas dos dois países agressores tiveram de mudar seus planos. Agora, estão a fazer uma guerra de destruição maciça, com especial incidência sobre os bairros habitacionais de Teherão e doutras grandes cidades, destruíndo também refinarias (com importantes consequências ambientais) e fábricas de dessalinização da água. Estes criminosos de guerra querem vergar a população civil, tornando impossível a sua sobrevivência. Mas, os objetivos propriamente militares como os mísseis e drones armazenados, estão fora do alcance das bombas israelo-americanas. A partir de alguns esconderijos,  os iranianos têm conseguido enviar uma média de 3 a 4 mísseis em 24h, para as bases militares americanas situadas nas monarquias do golfo Pérsico. Esta destruição é suficiente para as tropas dos EUA serem obrigadas a abandonar  algumas bases. Por outro lado, a população destas monarquias é composta por estrangeiros, entre 60 a 90%, consoante os casos. Ela está a ir-se embora em rítmo acelerado, desertando todos os negócios e os locais de veraneio, sobre os quais se baseava a viabilidade económica destes centros. O Bahrein, o Dubai, a Arábia Saudita, o Quatar, o Koweit e Omã, cometeram um erro estratégico grave, ao acreditarem que os americanos iriam garantir a defesa destes reinos, em troca da sua cedência de terrenos para as bases militares dos EUA. Os americanos, como é seu costume, apenas estão preocupados em defender as suas posições militares; quanto muito, os civis dos EUA apanhados na tormenta. Os referidos reinos do Golfo estão agora a tomar consciência o seu erro e a sofrer as consequências amargas. Mas estão, de qualquer maneira, em vias de mudar de alinhamento, pois sabem que o Irão não se vai deixar vencer e que  eles serão um alvo, para mísseis e drones. Tanto mais que, logo no primeiro dia da guerra, o Irão neutralizou os sistemas de radares nos vários reinos do Golfo, que constituíam os meios de vigilância e de monitorização para os ataques americanos contra o solo iraniano. 

A distância de Israel em relação ao Irão não impediu que - mais uma vez - as defesas israelitas se mostrassem impotentes para defender Tel-Aviv e Haifa. Do mesmo modo, não conseguiram impedir que fossem atingidas bases no deserto do Negev. O governo de Israel está a censurar todas as informações relacionadas com os ataques iranianos e com a destruição causada, ameaçando de prisão quem filme ou  publique  imagens relativas a tais destruições. Também as ofensivas militares dirigidas contra o Líbano estão a falhar: Elas não impedem que o Hezbollah lance ataques com mísseis no Norte de Israel e em zonas do Líbano ocupadas por tropas israelitas. 

No estado atual e dada a situação no terreno, as destruições causadas pelos bombardeamentos americanos e israelitas não causaram desespero na população e dirigentes do Irão. Pelo contrário. Porém, a situação de guerra já causa, no Ocidente, um prejuízo enorme: Não apenas a dificuldade de abastecimento devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz, impedindo o tráfego de 20% do petróleo consumido ao nível mundial, como o alastramento do pânico nas bolsas mundiais, a ruptura das cadeias de abastecimento, a brusca aceleração da inflação.

Ao nível da opinião pública mundial, esta guerra iniciada quando os iranianos estavam à  mesa de negociações com uma delegação  dos EUA no Omã,  recebe o repúdio não apenas dos povos do Sul Global, como a hostilidade nos países ocidentais: Inquéritos mostram que - nos EUA - uma maioria absoluta condena o desencadear desta guerra.  É variável, mas sempre muito elevado, o nível de desaprovação dos restantes países ocidentais. A Coreia do Sul e o Japão estão numa posição particularmente difícil; seus abastecimentos em petróleo provinham muito maioritariamente do Golfo. Se continuar a situação de guerra, inviabilizando a navegação dos petroleiros através do Estreito de Ormuz, eles terão uma situação de catástrofe ainda mais grave. 

Não se pode excluir, infelizmente, que os israelitas façam uso de armamento nuclear, para se «vingarem» da derrota humilhante sofrida. Se assim for, haverá guerra nuclear generalizada, com certeza. Mas os sionistas no poder concebem como possível destruir Israel em simultâneo com toda a humanidade: Eles têm publicado em documentos oficiais, que se o Grande Israel não se puder realizar, então é-lhes indiferente que o Mundo inteiro também desapareça.   


                    

quarta-feira, 11 de março de 2026

terça-feira, 10 de março de 2026

Água: a molécula anómala, que proporciona a vida


Num certo sentido, sim a água pode ser perigosa, como diz Feynman. Mas, é a molécula mais essencial da vida. Quando são investigados sistemas planetários dentro ou além do sistema solar, uma indicação que é sempre procurada é da existência de água. Porque esta é  indicadora da possibilidade de vida, presente ou passada. Os cometas que, por vezes caem na Terra, são compostos por grande percentagem de água. Esta água transporta certos elementos que vão para a crosta terrestre. Pode dizer-se que esta forma de acreção envolvendo água, sempre esteve presente, desde a formação da Terra. Richard Feynman refere as formas que tomam as macromoléculas dos seres vivos, que são as proteínas e os ácidos nucleicos (DNA e RNA). É notável que as arquiteturas destas moléculas só assumem a configuração funcional, ou seja, só podem levar a cabo suas funções respectivas, quando imersas na água, com a presença de uma série de iões em solução, os quais estabilizam as estruturas. A água participa na formação de géis e de cristais, tem portanto um papel na construção dos edifícios supra-moleculares. A perigosidade da água a que se refere Feyman é - quanto a mim - o facto de ser tão essencial, tão indispensável, que sua falta ou escassez é um desafio para a sobrevivência de humanos e todos os seres vivos. 

domingo, 8 de março de 2026

JAN PETERSON SWEELINCK "EST-CE MARS" [Segundas-feiras musicais n°52]


J. P. Sweelinck Variações sobre a canção  "Est-ce Mars?"



J. P. Sweelink começou a sua carreira de organista em Oude Kerk, quando tinha 15 anos, em 1577. Ele é o mais importante compositor neerlandês do final do século XVI, princípios do séc. XVII.
Numerosos músicos foram seus discípulos: Samuel Scheidt e muitos outros músicos importantes da Europa do Norte foram seus alunos; formou uma quantidade de organistas.
Algumas das suas composições foram copiadas para o Fitzwilliam Virginal Book, o que mostra ser muito apreciado na Inglaterra de Isabel Iª; ele tinha amigos ingleses como Dowland, Philips e John Bull. As suas composições também se difundiram pelos países católicos, na França, na Itália, na Espanha e Portugal.
No decurso da sua carreira, teve ocasião para pôr em música as liturgias luteranas, calvinistas e católicas.
Embora considerado hoje o maior mestre da música para tecla da Holanda na sua época, também publicou música vocal (canções ao estilo franco-flamengo), uma parte da qual se considera perdida.

Ton Koopman é um dos grandes intérpretes da música barroca ( cravo, órgão e chefe de orquestra).