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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Tristão e Isolda – Prelúdio e Liebestod [Segundas-f. musicais nº49]

  Waltraud Meier, Daniel Barenboim & WEDO


https://www.youtube.com/watch?v=n4bqRlNSQQE

A transcendência desta ópera, com as célebres e magníficas secções do Prelúdio e do 'Liebestod' no 3º ato, é muito evidente, quando comparada com as versões medievais, que se podem considerar como estando na origem da narrativa mítica. Com efeito, os valores do amor, da fidelidade à palavra dada, da impossibilidade de anular o desejo carnal, mas também, da intensidade da união espiritual entre os amantes, perfazem uma síntese única do que se veio a considerar o ideal de amor dos trovadores, ou seja, a codificação na idade da cavalaria, da proíbição do amor carnal entre a Dama e o Cavaleiro ao serviço do Senhor feudal.

Mas, na adaptação à era romântica, o par amoroso é glorificado. Tudo, no libretto da ópera de Wagner, concorre como prova da elevação desse amor, para além da existência ou não de uma relação carnal. Ou seja, a transgressão é minimizada, ou mesmo anulada, pela suprema virtude do amor (isto, falando em termos românticos). Note-se a este propósito, que as descrições do mito de «Tristão e Isolda» ao gosto contemporâneo, mantêm a maior ambiguidade, quanto à consumação, ou não, do ato carnal.

Vejamos - no vídeo abaixo - a análise musical do Prelúdio:


https://youtu.be/fvMIoANEDiY?si=J8_HEPUk5OLK9tyn


O prelúdio da ópera de Wagner assume grande intensidade dramática, como preparação da trágica história e destino dos dois amantes. Suas harmonias arrojadas saem fora das convenções da escrita musical da época. Este Prelúdio vem romper a «camisa de sete varas» da escrita tonal, ao procurar as sonoridades que melhor traduzam o drama. Embora esta obra se situe no apogeu da estética romântica, anuncia também as ruturas dos decénios seguintes. Esta superação das convenções da escrita romântica, é também aparente noutras obras de Wagner.

É sintomático que, na viragem do romantismo para o modernismo, o alinhamento público fosse duma identificação acéfala com sua escola nacional respectiva. Neste caso, estão as polémicas entre os defensores da Escola Francesa e os da Escola Alemã. Os que não alinhassem inteiramente com as idiossincrasias nacionais, eram excluídos, vilipendiados, apelidados de «taidores». Não devemos rir-nos desta loucura; assistimos à recente exclusão das obras russas, incluindo aquelas com mais de um século, compostas por grandes vultos da Escola Russa, influentes - de inúmeras maneiras- na música da Europa Ocidental. A mesquinhez destas perseguições, no presente século XXI, revela-se semelhante em estupidez às atoardas nacionalistas que opuseram artificialmente Wagner, expoente do romantismo musical alemão, aos compositores franceses seus contemporâneos, como Bizet, Fauré, ou Debussy. Todos eles, sendo geniais à sua maneira, não precisavam que fanáticos nacionalistas viessem colocar uma tradição musical contra outra e erguessem barreiras artificiais.


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Algumas referências sobre o tema

https://pt.wikipedia.org/wiki/Tristan_und_Isolde


https://www.youtube.com/watch?v=6tA5iBuiOOM&t=641s


https://www.youtube.com/watch?v=yNC7Toaw6yo&t=71s


https://www.youtube.com/watch?v=XtKiwr-1kqA&t=181s


https://www.youtube.com/watch?v=F-DNnPBVTWQ&t=15s


Nota: Escrevi há tempos um artigo sobre Wagner e o Nazismo. Não me irei repetir sobre este assunto. Apenas quero sublinhar que o maestro Daniel Barenboim foi criticado por ter dirigido «Tristão e Isolda». O ilustre maestro é judeu. Para sublinhar o absurdo e estupidez de certas pessoas, disse : «Se querem proibir a audição das obras de Wagner, sob pretexto do regime Nazi as ter incensado, então deveriam, pela mesma lógica, proibir a importação de Mercedes, pois era a marca de automóveis preferida de Hitler!»

Infelizmente, o Mundo não parece estar numa fase de tolerância, racionalidade, pacifismo, elevação cultural e espiritual. Todo o contrário! Esperemos que a Arte de todas as nações e épocas, ajude a Humanidade a regressar ao bom-senso, passo inicial para a Paz.