Desenho do compositor, por Picasso, na capa de uma selecção de obras de Eric Satie
Aos 101 anos da sua morte, Eric Satie continua a ser mal compreendido pelo público, em geral e mesmo pelos críticos musicais. No entanto, como elemento verdadeiramente original dos princípios do século XX, a sua obra guarda enorme interesse e atualidade. Aliás, vários compositores dos séculos 20 e 21, foram influenciados pelas suas obras.
https://www.youtube.com/watch?v=nfhza_GLKNg&list=RDnfhza_GLKNg&start_radio=1&t=1298s
As 7 peças das «Gnossiennes» têm um caráter de reflexão pausada. Elas estão na antítese de boa parte da música da sua época, apesar de terem traços comuns à escrita musical de Debussy ou Ravel. A atmosfera que emana das composições de Satie escapa ao encerramento dentro de uma escola, de uma época.
Ele serve-se de estruturas musicais extra-europeias: Por exemplo, as peças são frequentemente modais, o que não era nada comum, pois a música tonal ainda era a dominante. Recusa-se a fazer modulações que se limitam a ser transposições de uns tons para outros. Por outro lado, a repetição insistente de alguns motivos melódicos, tem um efeito encantatório, hipnótico.
Curiosamente, ele não se coloca formalmente em ruptura com o passado, como o fizeram, desde o início do Século XX, vários vanguardistas.
Se há músicas que nos ajudam a nos concentrar numa tarefa - a estudar, desenhar, etc - as 'Gnossiennes' são das mais adequadas.
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