sexta-feira, 11 de setembro de 2026

REVIVER TERRA AGRÍCOLA

 


A agricultura destruidora da sua própria base de sustentação é uma agricultura da era industrial, baseada em adubos sintéticos, em destruição da cobertura vegetal usando herbicidas, a destruição indiscriminada dos insectos, incluindo os polinizadores, áreas extensas de mono-cultura, grande dispêndio de água, muitas vezes à custa do bombeamento da água armazenada nos aquíferos. 
A agricultura realmente do nosso tempo, é uma agricultura que tem em conta todos os componentes, que contribuem para a produtividade vegetal, com o cuidado de proporcionar um ambiente diversificado, uma cobertura do solo que evite a erosão e a seca, assim como uma diversidade de espécies que permita que a exploração agrícola funcione enquanto ecossistema propriamente e não como uma mera «plantação» de uma espécie. 
É triste verificar que muitos milhares hectares de terrenos agrícolas sejam perdidos anualmente para a agricultura, devido a práticas agrícolas completamente erradas.

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Abaixo, documentário sobre Norte de Portugal:

Reportagem sobre exploração agrícola no Sul:

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

COMO VAI SER, QUANDO A BOLHA DA IA REBENTAR?



 A acumulação de grandes somas de investimento, sem no entanto gerar lucro, nem sequer uma perspectiva realista de lucro no futuro, o que vai provocar? 

Esta bolha,  quando rebentar, vai transformar-se em monumentais perdas para os grandes investidores, mas também para os fundos de pensões, os pequenos investidores nas bolsas e os Estados ocidentais, que investiram, direta ou indiretamente, muito nesta miragem.


Mas, nós sabemos que os povos, os seus dirigentes e as instituições de maior prestígio, estão sempre dispostas a acreditar numa miragem, se ela vier reforçar os seus preconceitos. Neste caso, trata-se do preconceito da potência dos sistemas computorizados, em que a estocagem de dados atinge números astronómicos e que - graças a esse gigantismo - os sistemas informáticos vão se tornar «inteligentes», em suma: que a «quantidade vai-se transformar em qualidade».

Reencontramos aqui um estribilho, que esteve muito na moda, quando mais ou menos todos no Ocidente, ou eram marxistas ou eram influenciados por tal culto. 

Assim, a crença na «magia da Internet» provocou a bolha dos «dot.com», as empresas que apenas tinham um nome e praticamente nenhum capital, que não geravam nem um centavo de rendimento, mas foram introduzidas em bolsa, na viragem do século (por volta do ano 2000).

Algo completamente louco foi a febre holandesa dos bolbos de túlipa: Também eles, objectos de grande especulação. Foram modelo para uma bolsa de bens «sólidos», ou  de «bolsas de matérias-primas». Mas foi - sobretudo - uma lição para muitos capitalistas holandeses do século XVII; para serem mais comedidos e não embarcarem logo na primeira moda, gerada pelo entusiasmo das multidões.

Teríamos de escrever uma obra espessa, com vários volumes, para descrever todas as fantasias e falcatruas, que precipitaram países poderosos - como a França do início do Séc. XVIII - na ruína ou que estiveram na base da construção de grandes fortunas, como a dos Rothchilds: Graças a redes de informadores fidedignos, eles sabiam realmente o que se passava no Mundo e lançavam os boatos em Londres, Paris ou Berlim, consoante, para obterem o desejado efeito de pânico.

Não sei ao certo como vai rebentar, mas tenho a certeza que a IA vai pelo mesmo caminho que as bolhas financeiras do passado; o montante das somas investidas vai fazer rebentar esta bolha; será um acontecimento financeiro de primeira grandeza, com repercussões económicas comparáveis às que outros acontecimentos análogos tiveram.  


A HISTÓRIA VERDADEIRA DOS RAPA NUI, DA ILHA DE PÁSCOA

 




A história da Ilha de Páscoa e da sua população originária, que nos foi vendida (e popularizada pelo geógrafo Jared Diamond) é a dum crescimento exponencial da população, seguida pelo abate indiscriminado da floresta, implicando uma quebra da capacidade de auto-sustento, agravadas por guerras entre grupos rivais, conduzindo à quase extinção deste povo. 

Mas, as evidências arqueológicas contemporâneas, os cientistas que foram ver e avaliar in situ a verosimilhança da versão acima resumida, negam praticamente tudo dessa narrativa. Esta arqueologia contemporânea tem evidências que suportam uma história completamente diferente e muito mais optimista que a versão divulgada ao longo de vários decénios. 

Veja o documentário, pois ele está cheio de factos novos e interessantes sobre este povo fantástico, os Rapa Nui.

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

QUANDO EU FUI JOVEM [OPUS, VOL.IV ; MANUEL BANET]

 


Noutra vida, quando eu fui jovem

Todas as experiências descarrilaram

Por mais que eu me empenhasse

Estava condenado a viver em sonho

E a sonhar a vida; e os anos passando


Mas as experiências ficaram e pesaram

De nada serve lamentar os percursos 

Eles foram condicionar quem eu sou

Em vão me revolto, quando recordo

Não serve de nada leccionar o passado


Pelo menos, ficou-me algo desses anos

Ao certo, não sei o quê;  uma condenação 

Sem apelo, que arrasto: É como a marca

Vincada no corpo e nada a pode apagar.


Na segunda metade da minha vida,

Tenho-me dedicado a viver o destino

Sem demasiado sofrer. Nem alegre nem triste.


Sou o conglomerado de demasiados eus

Não os consigo distinguir nem avaliar

São uma multidão sempre à espera que eu

Lhes abra a porta, por vezes conseguindo

Ultrapassá-la, mas não lhes dou refúgio 

Seria demasiado estúpido!


Felizmente, o mundo exterior chama sempre 

De sua voz imperativa, quando esboço 

Uma absurda procura dentro das casas

Obscuras do passado. 


Tenho a luz do Sol 

Ou luzes interiores que me indicam

Os caminhos; por mais estranhos que

Sejam, sempre me conduzem

A algum lado. 


Não irei medir os passos

Mas sou capaz de , num olhar, ver

O que já foi percorrido.


E, nem orgulhoso, nem insatisfeito, 

Vou continuando por serras e planícies

Até encontrar aquele portal , sem medo 

Atravessando


E tudo o que foram preocupações 

E afetos de vivente, depositarei 

À entrada...



AS BORBOLETAS RECORDAM-SE DO QUE VIVERAM COMO LAGARTAS...Demonstrado por uma criança!



Este miúdo japonês de 12 anos, condicionou as lagartas. Fez o trabalho experimental, demonstrando a conservação da memória em sucessivas gerações de lagartas. E, rigorosamente, seguiu um protocolo científico.
Ele é «Mozart da biologia»!


 

terça-feira, 8 de setembro de 2026

ENTREVISTA COM SHAUN REIN por George Galloway

E

 Shaun é um experiente homem de negócios que tem desempenhado a sua actividade na China. Apesar de ser abertamente pro-capitalista,  não deixa de reconhecer as grandes qualidades do sistema chinês: " O sistema chinês funciona bem para a China".

Afinal, não deveria ser isso mesmo que deveríamos ouvir para outros grandes países? 
Nos EUA*, a corrupção da classe política transformou para pior as condições concretas dos americanos comuns. Além  disso, os EUA estão desprestigiados no que toca à sua política internacional: A política da «canhoneira», típica dos imperialismos, no século XIX! 

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* Não apenas o entrevistado reconhece a situação, como os participantes num congresso recente, como podem ler no artigo de Philip Giraldi: AQUI

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

PROPAGANDA 21[n°32] Monstruoso ato do 11 de Setembro 2001 (Tierry Meyssan)

https://www.voltairenet.org/article224912.html
 

Ps: https://youtu.be/bcXyq_sE39M?is=BbMdtnh2mfVkYXo9

LINK ACIMA, DISCURSO DE MAMDANI,  Mayor de New York, tornando públicos documentos sobre o 11 de Setembro.

Tschaikovsky: concerto para piano e orquestra n°1 [Segundas-f. musicais n°74]



                                             


 Olga Scheps tem uma larga carreira, onde sobressai o seu rigoroso fraseado, como já se tinha afirmado na interpretação das "Estações " de Tschaikovsky.

Este concerto para piano é justamente um ponto alto na criatividade do compositor russo.

Tudo nele soa grandioso, como um sopro de heroísmo que estivesse presente inspirando a composição.  

A orquestra realiza um verdadeiro diálogo com o piano. Este, por sua vez, aborda a matéria sonora com um sentido orquestral, preenchendo o espectro sonoro com os seus acordes. Mas, existe o contraste com passagens mais subtis, que não nos deixam um instante desatentos.  É  tão forte esta energia telúrica, que nos prende do princípio ao fim. Mesmo quando conhecemos muito bem a obra, somos atraídos pela sucessão  de melodias e pelas surpresas que ligam entre si os diversos momentos: uns temas apresentam-se num naipe de instrumentos, para logo depois serem base de variação ao piano. 

Há  passagens que me soam muito atuais.  Têm  qualquer coisa de "jazzístico", muito antes da existência do próprio jazz. 

Talvez nos pareça muito «clássico» aos nossos ouvidos: Porém, neste concerto, Tschaikovski rompe com o molde clássico da «forma sonata» e deixa fluir vibrante uma música animicamente romântica, mas já pós-romântica no tratamento dos temas e na orquestração.

A força que se desprende de todo este aparato musical, coloca este concerto entre os melhores que foram escritos em três séculos de literatura para o piano.

...................

PATRICK HAHN E A ORQUESTRA FILARMÓNICA DE ISTAMBUL COM OLGA SCHEPS, SOLISTA, NUM FANTÁSTICO ESPECTÁCULO AO VIVO, EM 2022.


PS: Música religiosa a capella: Salmos e Vésperas


domingo, 6 de setembro de 2026

DOCUMENTÁRIO PBS: MOVIMENTO NAZI NOS EUA, NOS ANOS 1930

 


Este documentário foi feito pelo canal público PBS. 


Algumas anotações:

- O Klu-Klux-Klan tinha uma enorme influência.

- O anti-semitismo e o racismo contra os negros, tinham grandes sponsors, como Henry Ford (autor de «The International Jew»).

- O eugenismo era adoptado por grande parte da oligarquia; era baseado na «necessidade» de evitar a propagação de «raças inferiores» ou «doenças», mesmo as que eram obviamente adquiridas e não genéticas: Muitas pessoas foram forçadamente esterilizadas dentro deste contexto.

- O fascismo foi promovido na Europa para contrariar o comunismo.

Tudo isto e muito mais é mantido escondido das pessoas, de um lado e do outro do Atlântico. 

As pessoas têm uma visão não apenas esquemática, mas errónea do movimento fascista internacional e do que ele representava; que interesses se escondiam por detrás das suas figuras de proa; quem os financiava; sobretudo, não fazem a mínima ideia do que seriam o presente e o futuro, se os fascistas tivessem triunfado na IIª Guerra Mundial.

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

ARISTIDES SOUZA MENDES - O CÔNSUL REBELDE


 Um grande vulto do humanismo cristão, que sacrificou a carreira e tudo de sua vida, para salvar um número elevado (de 10,000 a 30,000 pessoas) de refugiados, em 1940 no consulado de Bordeaux, em França.
Foi reconhecido como um justo pelas autoridades religiosas judaicas de Israel; o seu reconhecimento em Portugal e a reparação do que Salazar lhe fez, veio apenas no decurso da IIIª República, posterior ao 25 de Abril de 74. 
Os seus restos mortais repousam no Panteão nacional, junto de outras grandes figuras homenageadas por seus méritos.

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PS1: A empresa de «limpar» a memória do ditador Salazar, passa pela falsa noção de que a sua ditadura era somente «um pouco autoritária». No entanto, omitem a quantidade de opositores políticos que passaram pelas prisões, os que foram assassinados (muitos deles sob tortura, nos interrogatórios) pela polícia política e a existência de campos de concentração (o mais conhecido, é o Tarrafal, na ilha do Sal em Cabo Verde; existiram outros noutras colónias de Portugal). Os «limpadores» do regime de Salazar também não contabilizam os muitos massacres durante as guerras coloniais, em que matavam toda a gente, incluindo as mulheres e crianças de uma aldeia... como Wiriamu - Moçambique e noutros locais das colónias.

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

OTAN e guerra da Ucrânia por Lacroix-Riz


 

Annie Lacroix-Riz é uma historiadora francesa doutorada, que se tem dedicado a ler e dar a conhecer o conteúdo de muitos documentos, que estão  em diversos arquivos . O seu conhecimento vem mostrar-nos que as coisas quase nunca foram como a História  académica  e oficial nos quer fazer crer. A sua análise percutente mostra que a OTAN foi e é um projeto americano, que faz de todos países aderentes, súbditos;  nomeadamente pelas bases americanas instaladas no seu solo. Quanto ao famoso artigo 5° da Carta Atlântica, ele é sempre citado " às  avessas" pois o referido artigo diz que, perante a agressão a um membro da OTAN, os restantes membros devem imediatamente iniciar consultas para dar a resposta adequada. Não diz que os restantes membros devem automaticamente declarar guerra ao agressor, como é feito constar pelos sabujos atlantistas, que pululam nos partidos de poder e na média  corporativa. 

No 2° video, põe em evidência as políticas  alemãs e dos EUA, acerca da Ucrânia,  que explicam grande parte do golpe dos nacionalistas banderistas de 2014 e  constante pressão  da OTAN para colocar a Ucrânia nesta aliança, subordinada ao Império EUA.

SOMENTE A COMPREENSÃO DOS ACONTECIMENTOS HISTÓRICOS  PERMITE UMA CLARA AVALIAÇÃO DO PRESENTE: A História que nos pretendem fazer crer é  a narrativa que inocenta os grandes poderes. Ela pretende provocar uma adesão emocional e não  racional ao projeto antigo de esmagamento da Rússia e sua transformação  numa série  de Estados fracos, subordinados ao imperialismo anglo-saxónico. 

terça-feira, 1 de setembro de 2026

A guerra da OTAN contra a Rússia [Crónica da III° Guerra Mundial n°71]







 Steve Jermy, membro da marinha de guerra britânica teve, enquanto no ativo, responsabilidades na OTAN, que lhe permitiam ver como funcionava o sistema da Aliança  Atlântica. 

Agora, em diálogo com o entrevistador, expõe a inanidade do pensamento estratégico que lavra na supra-citada instituição. Infelizmente, a falta de bom-senso não  é limitada às altas patentes militares, pois ao nível dos governos e partidos que os apoiam, parece haver uma epidemia de halucinação, que os impede de dar conta das realidades no terreno. 
Nós,  "paisanos", não  contamos para nada; uma simples postura crítica nossa é assimilada com "terrorismo". 
Cumpre-se assim o vaticínio de Che Guevara (parafraseando): «Os governos ocidentais são  democráticos e respeitadores do Estado de Direito. Mas, assim que seus interesses e os interesses da classe dominante estiverem em risco, não hesitam em despir as roupagens democráticas e vestir um uniforme fascista, que tinham guardado no armário!»

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PS: entrevista recente de Steve Jermy a Glenn Diesen: https://glenndiesen.substack.com/p/steve-jermy-end-of-us-military-primacy

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

TROVADORES IBÉRICOS na COLECTÂNEA DE AFONSO X [Segundas-f. musicais nº73]

 


As cantigas em louvor de Sta Maria são um dos grandes monumentos da música trovadoresca ocidental. Para esta recolha contribuiram muitos autores, dos quais poucos deixaram um nome e muito menos elementos biográficos. Mas isto é algo que não deve cegar o amador de música do século XXI. Contrariamente à convenção bastante recente, datando do período romântico, a composição musical e poética não se destinava a valorizar o seu autor, mas - pelo contrário - o objeto do poema/cantiga. A dama formal, estilizada, é apenas uma forma de encobrir a verdadeira inspiradora dos poemas e canções trovadorescas? A Igreja estava presente em todos os domínios da vida social e pessoal, pelo que lendas como a de Tristão e Isolda, tinham pouquíssima hipótese de ocorrer na realidade. 

Por outro lado, esta época sucede à heresia do Catarismo, em que numerosos nobres, tiveram uma participação - aberta ou oculta - sendo esta heresia brutalmente reprimida pela Igreja de Roma. Foi nessa altura que foi instituída a 1ª Inquisição, com as torturas e  as fogueiras, «para salvar as almas dos penitentes». Sendo tão perigoso confessar a sua fidelidade àquela que era considerada pelos adeptos do Catarismo a verdadeira religião, os sobreviventes da 1ª Inquisição só podiam difundir sua ligação ao Catarismo metaforicamente*, escrevendo poesia e cantando: O resultado seriam cânticos codificados, com duplo sentido: Os cânticos seriam proclamações de fidelidade à Igreja Cátara, ou em louvor de Sta Maria, Mãe de Deus? 

Esta hipótese está de acordo com um florescer de hinos e cânticos em louvor da Virgem, desde aqueles inscritos do Códice de Afonso X, ditos «Cantigas de Santa Maria», até peças para-litúrgicas, que tiveram muita difusão na Ibéria, como «Ave Maris Stella», em que Sta Maria é assimilada à «estrela» do Dia. Estariam fazendo culto a Vénus, mas fingindo ver na «estrela» da Manhã o sinal redentor da fé cristã? 

De qualquer maneira, a lírica medieval foi abundantemente enriquecida pela contribuição dos trovadores em todas as regiões da península Hispânica (incluindo galaico-portugueses). Em paralelo, também aumentou a devoção a Sta Maria, tão intensa e favorecida pelas autoridades eclesiásticas. Esta devoção mariana acabou, mais tarde, por influenciar as doutrinas teológicas cristãs na Ibéria e no Ocidente, Católico e ligado a Roma, ao trono de S. Pedro. Note-se que muitos cátaros, fugindo às perseguições nos países de «Oc» (Occitânia, uma boa parte da França atual, a sul do rio Loire), se terão refugiado em terras de Espanha. Algumas zonas tinham laços com a Occitânia e simpatia pelo catarismo. Eram os casos dos reinos de  Aragão e Catalunha. É bem possível ter existido uma  difusão subterrânea de tradições do Catarismo nos Caminhos de Santiago, nas várias rotas da peregrinação a Santiago de Compostela, convergindo na Galiza.

Note-se a existência de documentos como os dos Goliardos, difundidos em várias regiões europeias e que atestam duma visão heterodoxa da religião, na mesma época medieval.

As anotações musicais são escassas em toda a produção trovadoresca. Muitos poemas de trovadores chegaram até  nós  sem notação musical. Mas sabemos que os versos eram cantados. Os poucos exemplos de anotação musical que se possui, são a matéria-prima a partir da qual têm de trabalhar musicólogos e artistas dedicados a fazer reviver a arte musical trovadoresca.


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* Leia abaixo uma análise sobre a poesia trovadoresca, sua ligação ao catarismo e seu caráter esotérico.

Par dessus tout, on peut reconnaître dans la poésie des troubadours presque tous les grands thèmes du Catharisme : hostilité au mariage et tolérance envers l’union libre, mais aussi idéal de chasteté qui reflète exactement l’idéal des Parfaits ; affirmation que le monde est foncièrement mauvais, si souvent répétée par le troubadour Peire Cardinal ; haine contre l’Église de Rome qui éclate chez le troubadour Guilhem Figueira. Quand on sait tout cela, on découvre que la clef de la poésie des troubadours est une clef cathare. La Dame, c’est l’Église Cathare ; l’Amant, c’est son adepte ; le Mari jaloux, c’est l’Église romaine ; les lauzengiers, ce sont les dénonciateurs.

In https://dangersetmerveilles.com/troubadours-et-esoterisme/


Abaixo, um disco de Hespérion XX  e de Jordi Savall com Cantigas de Santa Maria



 

Quais os factores no desencadear da próxima crise mundial?


 O economista Steve Keen mostra-nos como a próxima crise se vai desencadear. É do lado das matérias-primas, mais exatamente, daquelas matérias-primas que passavam pelo Estreito de Ormuz. NÃO APENAS O PETRÓLEO, como os lubrificantes, o hélio, o ácido sulfúrico... Todos eles, materiais essenciais para levar a cabo processos de fabrico nos países do Norte, como seja o cobre (ácido sulfúrico), os semicondutores  (hélio), os lubrificantes numa infinidade de máquinas e o petróleo e seus derivados, que continuam a ser a fonte de energia mais importante nos principais domínios da atividade humana. 
Ele atribui a Donald Trump(*) a responsabilidade por esta crise, visto que a estúpida guerra contra o Irão não está próxima de uma resolução e as acima citadas matérias-primas (incluindo o petróleo) vão ter as suas reservas esgotadas num intervalo entre um mês e três meses.
A explicação de Steve Keen estende-se às crises económicas ocorridas no século XX e XXI, mostrando que sua origem estava na dívida privada, nos excessivos empréstimos contraídos pelo capital privado e não público, como muitos «economistas» querem convencer-nos. 
A visualisar com atenção! 

PS: https://youtu.be/j2kUtbfE3eo?is=ovaJOkawSTGKvcuB
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(*) Eu diria que, embora Donald Trump seja muito responsável, também é importante o papel de Bibi Netanyahu e todo o lobby pró-Israel, nos EUA.

sábado, 29 de agosto de 2026

INTELECTUALISMO E CAPITALISMO NA ERA DIGITAL


 O intelectualismo pode descrever-se como comportamento que previlegia o intelecto, a parte racional do cérebro, como sendo o factor principal da nossa vida, da nossa atividade social. As pessoas são classificadas segundo parâmetros, escalas, que pretendem medir o grau de «inteligência» como sinónimo de «bom» intelecto. 

Esta característica está tão difundida na sociedade, que a maior parte das pessoas nem se apercebe da sua existência. Mas, não se trata de algo natural, nem pouco mais ou menos. Trata-se de um fenómeno social e psicológico induzido, que atribui uma valoração aos indivíduos, em função de seus desempenhos teóricos, abstactos; confunde - aliás - a memória, a capacidade de reproduzir um determinado padrão, com a inteligência. Esta última, só faz sentido enquanto propriedade sistémica: por exemplo, a capacidade de adaptação a novas situações. Mas, em vez disto, a capacidade de regorgitar o que se decorou é - segundo certos «pedagogos» - sinal de inteligência quando, afinal, apenas se trata de capacidade de memorização. 

Insiste-se na vertente quantitativa - na quandidade de dados armazenados- ou na velocidade de processamento dos mesmos, como se estas propriedades definissem um intelecto «superiormente inteligente». Apesar dos computadores terem, hoje, um desempenho muito melhor que os humanos nestas funções, no armazenar e reproduzir informação. Recentemente, os algorítmos da IA (Inteligência Artificial) têm-se mostrado muito mais eficazes, em comparação com nossos cérebros, para relacionar dados e apresentá-los de modo coerente. 

- Mas,  será que a inteligência se reduz a isso? Reduz-se a ter um desempenho mais rápido, um maior volume de armazenagem, etc? 

As pessoas mais convencionais - são a maioria - creem que sim, mas se examinarmos a questão com um pouco de aprofundamento, vemos que se trata de uma falácia: Na realidade, a construção de máquinas complexas, a descoberta das leis da Natureza, a criação de obras literárias, musicais, ou doutras artes, com características únicas, mostram-nos que nossos cérebros e as sociedades humanas são obviamente os  inventores e inovadores destes produtos. 

Os Teoremas Incompletude de Gödel, implicam que, qualquer subsistema de  um Todo, não consegue descrever esse mesmo Todo, nem sequer consegue ter uma visão de conjunto dele.

A máquina inventada, o teorema, a criação literária, etc., são produtos humanos; não apenas do indivíduo a quem se atribui a autoria da criação, como de toda a Humanidade, com todo o contexto civilizacional, que lhe confere as bases materiais... 

O «pesadelo de ficção científica» de uns robots virem a alcançar um desenvolvimento tal, que ultrapassem as capacidades dos seus criadores e acabem por dominar a sociedade humana, pondo os humanos ao serviço duma «civilização de robots», é um guião muito banal nas obras de ficção científica. 

Porém, não tem a mínima verosimilhança. Desde já, porque a criatura (robot, algorítmo, etc.) não poderá estar acima do seu criador, segundo os teoremas de Gödel. 

Estas ficções podem ser consideradas meras visões pessimistas da sociedade futura. No entanto, é muito mais interessante do que isso, o que elas nos indicam, sobre a psicologia e sociologia das massas contemporâneas:

 Com efeito, a supressão sistemática dos impulsos criativos, a repressão das actividades artísticas não orientadas para a subsistência imediata, a criminalização ou a repressão de todas as ideias que entram em choque com as convenções, tem sido o modo concreto como o capitalismo tardio tem mantido os súbditos sob controlo

O medo difuso duma sociedade controladora de todos os impulsos, sentimentos e pensamentos, tem plena razão de existir. E não se trata de um medo irracional, mas do reflexo, não de uma «atávica» natureza humana, mas antes da vaga consciência de como, perante o rápido desenvolvimento material e  tecnológico, os humanos são confrontados e oprimidos pela oligarquia detentora das máquinas e recursos. 

O estado de coisas é apresentado como a invasão dos domínios de decisão por máquinas, super-computadores, robots, algorítmos de IA, como se eles tivessem «vontade». Na realidade, é evidente, trata-se dos donos das mesmas máquinas, que as programam de forma a que as pessoas sejam submetidas à sua vontade. 

Todas as obras de antecipação que apontam para um inevitável controlo da sociedade por máquinas, como o fatal desenvolvimento da sociedade tecnológica, estão a propiciar a aceitação da manutenção desta sociedade, onde um pequeno número, servindo-se de máquinas sofisticadas, detém o poder. 

Prof. Jiang Xueqin: REALIDADE POLÍTICA E SOCIAL NA CHINA


Um diálogo muito denso e rico sobre a realidade política e sociológica do poder, na China contemporânea.

Também é muito interessante o seguinte:

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

IIº Jogos de Robots Humanóides, em Pequim: Robot corre cem metros em menos de 9 sec.

 CORRIDA DE ROBOTS EM PEQUIM [*] parece ficção, mas não é. 



                                               


Os robots humanóides estão a atingir e ultrapassar as possibilidades humanas em termos físicos e acrobáticos. 

A capacidade de desempenho autómono dos humanóides  é avaliada nestes «Jogos Olímpicos de Robótica» em Pequim. Aqui, são postos em «feroz» competição os diversos robots .

Este tipo de concurso é um campo de testes em situações reais, que mostram o grau de avanço em tecnologia robótica das equipas concorrentes. 



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[*] https://www.reuters.com/world/asia-pacific/chinese-robot-tiangong-clocks-sub-9-second-100-

Reportagem sobre robots humanóides: https://www.youtube.com/watch?v=kZ2HZkEdRxM

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

The Animals, uma espécie «em extinção» [Segundas-f. musicais nº72]

 

O que aconteceu a estes Animals meus preferidos (nos anos 60) ?







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                                            1º canção da lista de 40 [ Animals anos 60 e 70]

Passados tantos anos, continuo a apreciar o seu estilo vocal e instrumental, perfeitamente adaptado às canções. Têm um certo número de canções originais, mas outras, são interpretações de composições de outros.  Estas, são de tão elevada qualidade na inteerpretação dos Animals, que muita gente está convencida (erroneamente) que eles são os autores, quando apenas são os intérpretes das músicas compostas por outros. 
Exemplos: «The House Of The Rising Sun», tema de folklore adaptado por Bob Dylan;  «Bring It On Home To Me» de Sam Cooke, um dos primeiros cantores/compositores «soul».


domingo, 23 de agosto de 2026

Corbyn & Finkelstein: Gaza e a cumplicidade ocidental [Crónica da IIIª Guerra Mundial, nº 70]

 


Eles discutem as questões sem demagogias, mas também, sem refrearem de nomear os crimes e os responsáveis por eles.
A minha sensação, quando ouvi este diálogo foi como de «déjá vu»:
- Aquilo que está a acontecer em Gaza e na Palestina sob ocupação, se assemelha a uma «experiência» monstruosa ou uma série de «experiências», levadas a cabo pelos sionistas; não só o exército de Israel, como o governo, os partidos «de poder». Estes atos criminosos são levados a cabo com o beneplácito dos poderes das democracias ocidentais.
O fascismo do século XX também começou assim; lembremos a Abisssínia, invadida pelo exército de Mussolini. Lembremos a chamada «guerra civil» de Espanha, que não foi uma guerra civil, mas sim um confronto internacional, preparatório da IIª Guerra Mundial, que começou logo depois de completada a derrota republicana e das tropas franquistas terem dominado a totalidade do território. Os nazis submeteram os judeus (não apenas eles: ciganos, homossexuais, dissidentes políticos...) a brutais torturas, a escravidão, maus tratos constantes, «caças ao homem» em cada país que conquistavam. Os morticínios em massa nos campos de concentração só foram decretados por Hitler e seu Estado-Maior, quando havia nenhuma hipótese deles ganharem a guerra, ou mesmo de obterem um arranjo que lhes permitisse sobreviver.
Aquilo que está a acontecer em Gaza é um genocídio à vista de todos, com crimes de guerra quotidianos, muitos deles sendo orgulhosamente exibidos em público, nos media ou nas redes sociais, pelos soldados israelitas que os levaram a cabo.
Os dirigentes políticos incentivaram-nos a cometer crimes contra civis, mostram o maior desprezo (em público) pela vida dos palestinianos, seja de adultos ou crianças, de civis ou de membros do Hamas, todos eles destinados a «limpeza» completa ou quase.
Creio que Netanyahou, Ben G'vir e os outros, não poderiam fazer o que têm feito, ordenado o exército a proceder como procede em Gaza, nos Territórios Ocupados, ou no Líbano, sem terem as coberturas dos governos ocidentais: Dos EUA em primeiro lugar, mas igualmente de quase todos os governos dos países da OTAN ou da UE, com poucas exceções (a Espanha e a República da Irlanda, esta não faz parte da OTAN, mas é membro da UE).


Este crime hediondo dos sionistas em Gaza e nos Territórios palestinianos, aparece-me cada vez mais como parte da monstruosoa «tarefa» de parar e diminuir o crescimento de países outrora coloniais. Com efeito, se as populações palestinianas são as mais cultas em todo o Médio-Oridente, apesar das circunstâncias adversas, isso para os sionistas mais racistas tem o significado de um perigo, pois não poderão esperar nunca a sujeição dum povo com tanto martírio na sua História e com tantas pessoas cultivadas. Os palestinianos têm uma percentagem superior aos outros povos árabes em licienciaturas e doutoramentos, em todas as áreas do saber, incluindo as áreas mais técnicas.
Esta «experiência-teste» é um precedente para as elites europeias e norte-americanas fazerem o mesmo, com as adaptações necessárias, quer nos seus países respectivos, quer (mais provável) em países do Sul Global, onde os seus interesses estratégicos estejam a ser postos em causa.


As pessoas estão adormecidas, no Ocidente. Curiosamente, muito pouco se fala dos tópicos abordados por Corbyn e Finkelstein neste vídeo. Será porque as pessoas pensam que não lhes diz respeito, mostrando assim um enorme egoísmo. Neste caso, revelam uma enorme miopia e estupidez: Com efeito, as gerações dos seus pais tiveram de ir lutar nas fileiras dos exércitos coloniais (ou neo-coloniais) para tentar anular ou minorar a onda de independências que começou nos anos 50 e continuou nos decénios sucessivos, até hoje. As guerras de agressão levadas a cabo no século XXI têm todas as características de expedições imperialistas e neocoloniais: As recentes guerras de agressão e extermínio, levadas a cabo quer pelos EUA, potência hegemónica global, quer pelos países europeus ex- sedes de impérios coloniais (França, Reino Unido, etc) destinavam-se a manter os referidos países (Somália, Iraque, Afeganistão, Síria, Líbia, Líbano e agora Irão ...) na dependência do «Ocidente».  Serviram-se de todos os pretextos para manter o público da Europa e América do Norte iludido. A barragem dos media ocidentais, dificultou muito a tarefa de forças anti-imperialistas, em fazer passar as realidades que desmentiam as confabulações dos agressores. As poucas pessoas lúcidas estavam em nítida inferioridade de meios, perante constantes ondas de propaganda, de desinformação e de incultura política (mantida intencionalmente).


A saída no longo prazo, vai depender de vários fatores:
- A coesão do movimento dos BRICS, que é muito frágil, embora assente sobre princípios saudáveis.
- A reorganização do movimento de massas do início do século XXI, os «anti-globalistas» ou alter-globalistas»,
- A reativação das resistências populares e operárias dentro de cada país, com uma dinâmica de organizações de classe que não esteja refém de lógicas partidárias.
Os fatores que podem provocar o despertar dos oprimidos, são
- a iminência de uma brutal recessão mundial,
- a oligarquia tentando apropriar-se do capital dos fundos de pensões e obter a privatização de estruturas de gestão pública
- o empobrecimento acelerado e a perda de ilusões de jovens, de que poderão levar uma vida decente, com um padrão de bem-estar melhor ou semelhante ao da geração dos seus pais.
- A compreensão profunda, sobretudo entre a juventude, de que se deve fazer a unidade na luta, entre si e com classes partilhando interesses fundamentais.


Não vou fazer vaticínios, mas uma coisa positiva já está a ocorrer: A onda de resistência em países ex-colóniais aos cantos de sereia neoliberais, que pretendem criar ou conservar para as oligarquias as condições de extração das matérias-primas e da exploração da mão-de-obra desses países.
Em relação ao resto, há demasiadas incógnitas para sabermos de antemão qual será a configuração do Mundo, dentro de 5 ou 10 anos.

sábado, 22 de agosto de 2026

O MITO DE ENCONTRAR A SI PRÓPRIO


 

LENÇÓIS MARANHENSES : ecossistema surreal


 Oxalá que esta preciosa jóia da Natureza seja convenientemente protegida e estudada. O que mais me impressionou do documentário, foram as espécies endémicas, que evoluiram mecanismos comportamentais e fisiológicos que lhes permitem prosperar num ecossistema tão instável, ou que periodicamente experimenta mudanças tão drásticas. 

O meu receio é que interesses capitalistas, como as empresas de turismo dito «de aventura», tomem conta deste Parque Natural e o transformem em mais uma «disneylândia», como temos visto acontecer em todos os continentes.

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

O MAIS CORRUPTO PRESIDENTE DO ESTADO MAIS CORRUPTO E PODEROSO DO MUNDO




 A escala da corrupção é tal, que apenas é concebível com conivência ou participação de uma grande parte dos políticos de oposição em postos de poder, além dos maiores oligarcas, como foi patente com os multimilionários que compareceram ao banquete da sua 2ª investidura.

Um Estado que «não se importa» de ter um presidente que põe as suas forças armadas praticando operações de pirataria (caso mais recente: Venezuela), é um Estado profundamente corrupto e hipócrita, que continua a «jurar» pela Constituição, pelos Direitos Civis, pela Legalidade, etc. É este mesmo Estado  que ataca o Irão, sem agressão deste aos EUA ou ameaça dela, depois de ter feito o mesmo no caso da  Somália, da Jugoslávia, do Afeganistão, do Iraque, da Líbia, da Síria ... e que apoia crimes de genocídio, como o que está a acontecer, neste momento, pelo governo de Israel.

Trump nunca foi uma alternativa ao «pântano». Foi o candidato escolhido pela oligarquia para gerir o dito pântano. 

Muitas pessoas comuns não conseguem imaginar tanta perversidade e podridão. Não acreditam e vão ignorar notícias verídicas,  que se podem ver no vídeo acima. 

Esta atitude dos cidadãos vai recair sobre eles próprios e sobre nós todos.


terça-feira, 18 de agosto de 2026

TERRORISMO, ACUSAÇÃO SEM CONTEÚDO


Reflexão de Manuel Banet: 

O termo "terrorismo" não descreve actos (como seria o caso de "assassinato", ou "tentativa de assassinato"). Portanto, tal acusação é vaga e genérica. É uma falsa categoria no vocabulário jurídico. Não existe nunca um consenso genérico sobre quem são os «terroristas». Isto é uma indicação segura de que é um termo manipulado para difamação de um campo pelo outro: Os acusados são chamados de «terroristas» por uns e de «libertadores» por outros. Isto ocorre em múltiplos conflitos, insurreições, guerras, não só agora, como desde há séculos!

A acusão feita ao britânico reformado, por causa de um «twitt», é ainda pior do que  «crime de opinião», porque o sistema judicial que o vai julgar, esse mesmo sistema, não pode definir de forma não ambígua o que tem de «terrorismo», concretamente, o conteúdo da frase num twitter, que é a base da acusação.

Isto é revelador de um poder arbitrário, que se pode aplicar a criminalizar qualquer pensamento dissidente... 


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Transcrevo a seguir a notícia de autoria de Thomas Karat, publicada na sua página do Substack:

Hoje, um aposentado de Brighton vai a julgamento por um tweet. Nove meses atrás, o homem que fundou a filial síria da Al-Qaeda foi recebido no Salão Oval. Uma palavra rege ambas as histórias — e ela perdeu todo o seu significado.

Na manhã desta terça-feira, 18 de agosto de 2026, Tony Greenstein, um avô de 72 anos, entra no Tribunal da Coroa de Kingston, no sudoeste de Londres, para ser julgado por um júri por terrorismo. Ele é cuidador e filho de um rabino ortodoxo que participou das marchas contra os Camisas Negras de Mosley. A prova contra ele é um tweet de sete palavras de 2023 e, se o júri concordar com a acusação, ele poderá ser condenado a 14 anos de prisão .

Quero comparar o caso dele com outro, porque só juntos os dois fazem sentido. Nove meses atrás, um homem que fundou a filial síria da Al-Qaeda — um homem que os Estados Unidos caçavam com uma recompensa de 10 milhões de dólares — tornou-se o primeiro chefe de Estado sírio a ser recebido na Casa Branca. Tony Greenstein e Ahmed al-Sharaa nunca se encontrarão. Mas, juntos, eles mostram o que a palavra "terrorista" realmente passou a significar nas mãos dos governos que a utilizam. Não se trata de uma descrição do que uma pessoa fez. Trata-se de uma medida da utilidade dessa pessoa.

O aposentado

Deixe-me  apresentar o histórico completo de Greenstein, pois a acusação o fará, e eu prefiro que você o ouça de alguém que simpatize com ele. Ele foi expulso do Partido Trabalhista em 2018. Processou a Campanha Contra o Antissemitismo por tê-lo chamado de "antissemita notório" e perdeu, com o tribunal decidindo que a expressão era uma opinião honesta. Recebeu uma sentença suspensa por um ataque da organização Palestine Action a uma fábrica de armas da Elbit. Ele é agressivo, litigioso e totalmente impenitente. Nada disso é o motivo pelo qual ele está sendo julgado hoje.

Ele está sendo julgado porque, em novembro de 2023, uma conta anônima o incitou a se declarar, e ele respondeu : “Eu apoio o Hamas contra o exército israelense”. Cinco semanas depois, às seis e meia da manhã, agentes antiterrorismo estavam à sua porta. Levaram seus computadores e telefones, o mantiveram detido por nove horas e o libertaram sob fiança, com a condição de não poder publicar nada sobre a guerra. “Isso é orwelliano”, disse ele a eles. Ele não estava errado e, na verdade, estava sendo generoso.

Então o Estado se preparou para um cerco. Levou onze meses para acusá-lo e quase um ano inteiro para levá-lo a julgamento, que já foi adiado uma vez. Quando o júri tomar posse hoje, ele terá passado trinta e dois meses sob custódia, mordaça e ameaça de prisão — a pena cumprida integralmente antes mesmo de qualquer veredicto ser proferido. E enquanto esperava, seus bancos o abandonaram, um após o outro. Em uma declaração publicada há duas semanas, ele descreveu ter sido cortado de suas contas por cinco instituições desde sua prisão: o Nationwide, após vinte e cinco anos; depois o HSBC e o First Direct — incluindo a conta que ele e sua esposa mantinham para o cuidado de seu filho autista; depois o Santander, que congelou suas contas pessoais e as de uma instituição de caridade registrada da qual ele é tesoureiro; e, por fim, um banco de poupança que excluiu completamente sua família. Nenhum deles deu uma explicação. Nenhum precisa. Os bancos que avisam um cliente que está sob suspeita são proibidos por lei de lhe dizer o motivo.

Ele suspeita de envolvimento do Estado, e aqui está a parte que você talvez não espere: o próprio órgão de vigilância antiterrorista do governo já previa isso. O Revisor Independente da Legislação Antiterrorista alertou, em 2023, que a aplicação da proibição levaria os bancos a se desfazerem de clientes para evitar problemas com a lei — uma prática chamada "redução de risco", como o setor bancário a denomina, como se as contas bancárias de uma família fossem um mau investimento. Quando o Coutts fechou uma única conta pertencente a Nigel Farage, o primeiro-ministro se manifestou e o diretor executivo do NatWest foi demitido em poucas semanas. O caso de um aposentado judeu que teve suas contas bancárias encerradas seis vezes a caminho de um julgamento por terrorismo gerou, nos mesmos jornais, quase total silêncio.

O presidente

Agora, o outro homem. Seu histórico não precisa de um narrador simpático ou de um advogado especializado em difamação, porque o governo dos Estados Unidos o registrou e publicou. Ahmed al-Sharaa — que na época se chamava Abu Mohammad al-Jolani — juntou-se à Al-Qaeda no Iraque em 2003, foi capturado por forças americanas, passou cinco anos sob custódia delas e depois foi para a Síria para construir a Frente al-Nusra, o braço local da Al-Qaeda, jurando lealdade em vídeo a Ayman al-Zawahiri.

O próprio alerta de procurado do Departamento de Estado registra as ações de sua organização. Ela “realizou múltiplos ataques terroristas em toda a Síria, frequentemente visando civis”. Sequestrou cerca de 300 civis curdos em um posto de controle. Na vila drusa de Qalb Lawzeh, em Idlib, seus combatentes se alinharam e atiraram em vinte moradores. Reivindicou a autoria de atentados suicidas em Damasco, Homs e Quneitra. Em 2014, al-Sharaa pessoalmente incitou ataques retaliatórios contra a coalizão liderada pelos Estados Unidos. Por tudo isso, a ONU congelou seus bens e proibiu suas viagens, e a recompensa de US$ 10 milhões por sua captura o colocou entre os cinco jihadistas mais procurados do mundo — a mesma lista de Baghdadi, a mesma lista de Zawahiri. Essa é a conduta que a palavra “terrorista” foi criada para representar: vilarejos esvaziados, centros urbanos detonados, anos de civis e soldados mortos no solo.

Como a palavra surgiu

Então Damasco caiu, em 8 de dezembro de 2024, e quero que vocês observem como a notícia se dissipou rapidamente. Doze dias depois — doze — uma delegação americana se reuniu com al-Sharaa e anunciou que a recompensa estava sendo suspensa. O dossiê não havia mudado. A sepultura em Qalb Lawzeh estava exatamente onde havia sido deixada.

O que se seguiu não foi uma normalização tranquila, mas sim um namoro público, e isso se deu por meio de derramamento de sangue. Em março de 2025, enquanto milícias alinhadas ao novo governo de al-Sharaa varriam a costa alauíta, a Anistia Internacional documentou o assassinato deliberado e sectário de civis e exigiu uma investigação de crimes de guerra. O próprio comitê de apuração de fatos de al-Sharaa confirmaria mais tarde que 1.426 pessoas morreram, a maioria civis. Dois meses após esses massacres, em maio, Donald Trump recebeu al-Sharaa em Riad e o avaliou diante das câmeras como um boxeador: “ Jovem, atraente, durão, passado forte ”. Em junho, veio uma ordem executiva suspendendo as sanções para que os sírios pudessem ter “uma chance de grandeza”. Em julho, Washington revogou a designação de organização terrorista do próprio grupo que ele havia criado.

A Grã-Bretanha acompanhou o ritmo. Poucas semanas antes, o primeiro-ministro havia afirmado que a revogação da proscrição era “ muito prematura ” para ser sequer considerada. Em julho, seu secretário de Relações Exteriores voou para Damasco para cumprimentar al-Sharaa — enquanto a organização do homem ainda estava formalmente proscrita pela Lei Antiterrorismo como um pseudônimo da Al-Qaeda. Esse é o mesmo status legal que o Hamas possui na acusação que Tony Greenstein enfrenta hoje. Quando a contradição se tornou incômoda, o governo não processou o secretário de Relações Exteriores. Revogou a proscrição em outubro, sob o argumento declarado de que isso “serve ao interesse nacional”. Em novembro, al-Sharaa estava no Salão Oval, assinando a entrada da Síria na coalizão liderada pelos Estados Unidos contra o Estado Islâmico. Nenhum júri avaliou as consequências. Nenhuma batida policial ao amanhecer precedeu os apertos de mão. Os homens que haviam escrito o cartaz de procurado simplesmente o retiraram.

A cláusula que nenhum redator escreveu.

Coloque os dois arquivos lado a lado e a lei confessará sua função. A Seção 12 da Lei Antiterrorismo foi alterada em 2019, de modo que uma pessoa agora comete um crime simplesmente por expressar uma opinião de apoio a uma organização proscrita, sem se importar se alguém que a ouça poderá ser encorajado. O Parlamento redigiu essa cláusula precisamente porque os tribunais haviam decidido que a lei anterior não abrangia opiniões. Em outras palavras, um Ministro das Relações Exteriores que renova relações com o comandante de um grupo então proscrito está mais próximo do crime do que qualquer coisa que Greenstein tenha escrito. Ninguém propõe acusá-lo, e esse é exatamente o ponto.

Para meus leitores americanos, entendam que tal lei não teria validade nos Estados Unidos. Mesmo no caso Holder v. Humanitarian Law Project, o mais longe que a Suprema Corte chegou na criminalização do “apoio material”, ficou expressamente estabelecido que “ qualquer defesa independente na qual os demandantes desejem se engajar não é proibida”. As sete palavras de Greenstein são protegidas pela liberdade de expressão nos Estados Unidos. É por isso que o governo que revogou a recompensa concedida a al-Sharaa, incapaz de processar as palavras de seus próprios dissidentes, simplesmente deporta as pessoas que as proferem. Mahmoud Khalil, portador de green card, foi detido por seu ativismo estudantil e mantido preso por 104 dias , perdendo o nascimento de seu primeiro filho, sem jamais ser acusado de qualquer crime. Rümeysa Öztürk, estudante de doutorado, foi levada de uma rua de Massachusetts por agentes mascarados e presa por 45 dias por causa de um artigo de opinião . O mesmo Departamento de Estado que certificou um artigo de opinião de um estudante como uma ameaça à política externa americana passou o ano certificando que o governo de um dos fundadores da Al-Qaeda não o era. A lista de terroristas e a lista de vistos, na verdade, são a mesma lista, mantidas para o mesmo propósito.

O que os números admitem

Se você acha que estou baseando minhas afirmações em alguns poucos casos isolados, observe os dados oficiais. Ao longo dos quatorze anos até meados de 2025, o Ministério da Justiça registrou apenas 55 pessoas processadas sob as disposições da Lei Antiterrorismo relativas à filiação e ao apoio a grupos terroristas — cerca de quatro por ano, durante toda a era do Estado Islâmico. Em seguida, o foco mudou de bombas para opiniões. Nos doze meses até setembro de 2025, o Ministério do Interior contabilizou 1.886 prisões por terrorismo, um aumento de 660%, e 86% delas foram por apoio ao Palestine Action — um grupo de protesto proscrito por pichar aviões de guerra na mesma época em que al-Sharaa estava sendo reabilitada. No mesmo período, a proporção de prisões por terrorismo que resultaram em acusações caiu de 47% para 17%. Leia isso em outras palavras: cinco em cada seis pessoas detidas sob a lei antiterrorismo nunca chegam a comparecer a um tribunal. A prisão em si é o resultado.

Mais de 2.700 pessoas já foram presas por apoiarem a Ação Palestina, 522 delas em um único dia, a maioria portando cartazes de papelão. O chefe de direitos humanos da ONU classificou a proibição como “ desproporcional e desnecessária ”. Quando o Supremo Tribunal Federal a considerou ilegal em fevereiro deste ano, a polícia suspendeu as ações por seis semanas e depois as retomou , com um comissário explicando que era preciso “fazer cumprir a lei vigente”, enquanto policiais retiravam mais dezoito pessoas da escadaria da Scotland Yard. A Suprema Corte decidirá em novembro se alguma dessas medidas foi legal. O próprio órgão de revisão do governo confirma que os processos por terrorismo estão em níveis recordes, “dominados por crimes documentais e acusações relacionadas à proscrição”. Um aparato criado para prender os autores de Qalb Lawzeh agora processa cartazes — enquanto o autor de Qalb Lawzeh assina documentos da coalizão no Salão Oval.


O veredicto já foi dado.

A máquina não poupou os repórteres que a cobrem. Richard Medhurst foi o primeiro jornalista preso sob a mesma seção agora direcionada a Greenstein — quatorze meses sob investigação, sem acusação formal, seus arquivos discretamente transferidos para a Áustria para que o calvário pudesse continuar no exterior. Dez policiais invadiram a casa de Asa Winstanley por causa de suas publicações; um tribunal posteriormente considerou os mandados ilegais e ordenou a devolução de seus dispositivos. Ninguém foi condenado. Todos perderam meses de trabalho e sono, o que talvez seja o objetivo. Mesmo hoje, dentro do Tribunal da Coroa de Kingston, os promotores lutaram para manter os próprios escritos de Greenstein sobre o Hamas e Gaza fora do alcance do júri , com o juiz citando uma antiga regra de que os tribunais não são fóruns para opiniões políticas — em um julgamento onde as opiniões políticas do réu são a própria acusação.

Greenstein acredita que seu veredicto definirá o preço para todos os presos depois dele: uma absolvição põe em risco toda a campanha, uma condenação a legitima. Ele pode estar certo. Mas o veredicto mais profundo foi proferido muito antes de o júri se reunir esta manhã — entregue em Riad, lacrado no Salão Oval. O terrorismo, como nossos governos o praticam de fato, não é uma categoria de ato. É uma categoria de utilidade. Ahmed al-Sharaa tornou-se útil, e a palavra o deixou ir. Tony Greenstein continua sendo um incômodo, e assim a palavra chega à sua porta antes do amanhecer, congela a conta que ele mantém para seu filho deficiente e pede a doze de seus vizinhos que classifiquem sete palavras como um ato de terror.

O julgamento está previsto para durar cinco dias. Independentemente da decisão do júri sobre Tony Greenstein, a palavra sob a qual ele é acusado já foi testada em outro lugar, com base em um conjunto de provas muito maior, e considerada sem qualquer significado. Observe o que Kingston fará com ele esta semana. Depois, lembre-se de quem saiu da Casa Branca como um homem livre e respeitado, e pergunte-se o que "terrorista" alguma vez deveria ter significado.


Veja: Entrevista com o Prof. David Miller



PS: Jonathan Cook traz-nos um relato do julgamento em que Greenstein fez a sua própria defesa, saindo absolvido por decisão unânime dos jurados: https://jonathancook.substack.com/p/the-british-state-has-lost-the-argument