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domingo, 23 de agosto de 2026

Corbyn & Finkelstein: Gaza e a cumplicidade ocidental [Crónica da IIIª Guerra Mundial, nº 70]

 


Eles discutem as questões sem demagogias, mas também, sem refrearem de nomear os crimes e os responsáveis por eles.
A minha sensação, quando ouvi este diálogo foi como de «déjá vu»:
- Aquilo que está a acontecer em Gaza e na Palestina sob ocupação, se assemelha a uma «experiência» monstruosa ou uma série de «experiências», levadas a cabo pelos sionistas; não só o exército de Israel, como o governo, os partidos «de poder». Estes atos criminosos são levados a cabo com o beneplácito dos poderes das democracias ocidentais.
O fascismo do século XX também começou assim; lembremos a Abisssínia, invadida pelo exército de Mussolini. Lembremos a chamada «guerra civil» de Espanha, que não foi uma guerra civil, mas sim um confronto internacional, preparatório da IIª Guerra Mundial, que começou logo depois de completada a derrota republicana e das tropas franquistas terem dominado a totalidade do território. Os nazis submeteram os judeus (não apenas eles: ciganos, homossexuais, dissidentes políticos...) a brutais torturas, a escravidão, maus tratos constantes, «caças ao homem» em cada país que conquistavam. Os morticínios em massa nos campos de concentração só foram decretados por Hitler e seu Estado-Maior, quando havia nenhuma hipótese deles ganharem a guerra, ou mesmo de obterem um arranjo que lhes permitisse sobreviver.
Aquilo que está a acontecer em Gaza é um genocídio à vista de todos, com crimes de guerra quotidianos, muitos deles sendo orgulhosamente exibidos em público, nos media ou nas redes sociais, pelos soldados israelitas que os levaram a cabo.
Os dirigentes políticos incentivaram-nos a cometer crimes contra civis, mostram o maior desprezo (em público) pela vida dos palestinianos, seja de adultos ou crianças, de civis ou de membros do Hamas, todos eles destinados a «limpeza» completa ou quase.
Creio que Netanyahou, Ben G'vir e os outros, não poderiam fazer o que têm feito, ordenado o exército a proceder como procede em Gaza, nos Territórios Ocupados, ou no Líbano, sem terem as coberturas dos governos ocidentais: Dos EUA em primeiro lugar, mas igualmente de quase todos os governos dos países da OTAN ou da UE, com poucas exceções (a Espanha e a República da Irlanda, esta não faz parte da OTAN, mas é membro da UE).


Este crime hediondo dos sionistas em Gaza e nos Territórios palestinianos, aparece-me cada vez mais como parte da monstruosoa «tarefa» de parar e diminuir o crescimento de países outrora coloniais. Com efeito, se as populações palestinianas são as mais cultas em todo o Médio-Oridente, apesar das circunstâncias adversas, isso para os sionistas mais racistas tem o significado de um perigo, pois não poderão esperar nunca a sujeição dum povo com tanto martírio na sua História e com tantas pessoas cultivadas. Os palestinianos têm uma percentagem superior aos outros povos árabes em licienciaturas e doutoramentos, em todas as áreas do saber, incluindo as áreas mais técnicas.
Esta «experiência-teste» é um precedente para as elites europeias e norte-americanas fazerem o mesmo, com as adaptações necessárias, quer nos seus países respectivos, quer (mais provável) em países do Sul Global, onde os seus interesses estratégicos estejam a ser postos em causa.


As pessoas estão adormecidas, no Ocidente. Curiosamente, muito pouco se fala dos tópicos abordados por Corbyn e Finkelstein neste vídeo. Será porque as pessoas pensam que não lhes diz respeito, mostrando assim um enorme egoísmo. Neste caso, revelam uma enorme miopia e estupidez: Com efeito, as gerações dos seus pais tiveram de ir lutar nas fileiras dos exércitos coloniais (ou neo-coloniais) para tentar anular ou minorar a onda de independências que começou nos anos 50 e continuou nos decénios sucessivos, até hoje. As guerras de agressão levadas a cabo no século XXI têm todas as características de expedições imperialistas e neocoloniais: As recentes guerras de agressão e extermínio, levadas a cabo quer pelos EUA, potência hegemónica global, quer pelos países europeus ex- sedes de impérios coloniais (França, Reino Unido, etc) destinavam-se a manter os referidos países (Somália, Iraque, Afeganistão, Síria, Líbia, Líbano e agora Irão ...) na dependência do «Ocidente».  Serviram-se de todos os pretextos para manter o público da Europa e América do Norte iludido. A barragem dos media ocidentais, dificultou muito a tarefa de forças anti-imperialistas, em fazer passar as realidades que desmentiam as confabulações dos agressores. As poucas pessoas lúcidas estavam em nítida inferioridade de meios, perante constantes ondas de propaganda, de desinformação e de incultura política (mantida intencionalmente).


A saída no longo prazo, vai depender de vários fatores:
- A coesão do movimento dos BRICS, que é muito frágil, embora assente sobre princípios saudáveis.
- A reorganização do movimento de massas do início do século XXI, os «anti-globalistas» ou alter-globalistas»,
- A reativação das resistências populares e operárias dentro de cada país, com uma dinâmica de organizações de classe que não esteja refém de lógicas partidárias.
Os fatores que podem provocar o despertar dos oprimidos, são
- a iminência de uma brutal recessão mundial,
- a oligarquia tentando apropriar-se do capital dos fundos de pensões e obter a privatização de estruturas de gestão pública
- o empobrecimento acelerado e a perda de ilusões de jovens, de que poderão levar uma vida decente, com um padrão de bem-estar melhor ou semelhante ao da geração dos seus pais.
- A compreensão profunda, sobretudo entre a juventude, de que se deve fazer a unidade na luta, entre si e com classes partilhando interesses fundamentais.


Não vou fazer vaticínios, mas uma coisa positiva já está a ocorrer: A onda de resistência em países ex-colóniais aos cantos de sereia neoliberais, que pretendem criar ou conservar para as oligarquias as condições de extração das matérias-primas e da exploração da mão-de-obra desses países.
Em relação ao resto, há demasiadas incógnitas para sabermos de antemão qual será a configuração do Mundo, dentro de 5 ou 10 anos.

sexta-feira, 5 de junho de 2026

A CAMINHO DA DESAGREGAÇÃO DA ALEMANHA (por Thierry Meyssan)

 Este artigo foi copiado do site «voltairenet.org»


Mykhaïlo Fedorov e Boris Pistorius, Ministros ucraniano e alemão da Defesa, assinam um acordo de produção de drones. Volodymyr Zelensky, Presidente não-eleito da Ucrânia, e Friedrich Merz, Chanceler alemão, alegram-se com esta colaboração das suas indústrias de armamento.

Enquanto o Reino Unido e a Ucrânia pressionam a Alemanha para se preparar para a guerra contra a Rússia, assistimos ao afundar da Alemanha reunificada. O país está profundamente dividido em dois povos distintos. A sua identidade está agora posta em causa. A dissolução da República Federal da Alemanha é agora inevitável. Enquanto isso, a paz concluída entre Washington e Moscovo vai provocar a ligação de uma parte da Ucrânia e da Transnístria à Rússia. Enquanto o abandono pela União Europeia dos seus valores irá provocar o seu fim.


Mesmo que não estejamos cientes disso, a derrota do governo Zelensky na Ucrânia deverá levar à dissolução da Moldávia, da Alemanha e da União Europeia. Esta é a hipótese de trabalho da Rússia, da China e dos Estados Unidos. Ora, de forma alguma estamos preparados para tal e, de momento, os nossos políticos e os nossos média (mídia-br) nem sequer se colocaram essa pergunta.


A separação das duas Alemanhas

Não percebemos que a reunificação alemã, desejada pelos Presidentes Helmut Kohl e François Mitterrand, foi concretizada violando o Direito Internacional : o povo da República Democrática Alemã (RDA) nunca foi consultado. Aceita-mo-lo porque tínhamos a impressão de que ela era lógica e porque, em 14 meses, a responsável comunista da propaganda da Juventude Comunista da RDA, Angela Merkel, se tornou Ministra democrata-cristã da Juventude da RFA [1].

Mas o percurso pessoal desta responsável política não é, de forma alguma, representativo do seu povo. Aceitamos apenas o ponto de vista do Oeste (62 milhões de habitantes aquando da reunificação) e não o do Leste (16 milhões de habitantes à época).

A indústria do Leste foi pilhada em proveito do Oeste. O desemprego atingiu aí 7,5%, enquanto é de apenas 5,7% no Oeste. O salário médio é de 3. 973 euros brutos no Leste e de 4. 810 euros brutos no Oeste. O produto interno bruto (PIB) per capita atinge em média 37. 711 euros nos cinco Länder do Leste, em comparação com 54. 162 euros nos situados no Oeste.

Nas últimas eleições legislativas, os dois países confrontaram-se : os Alemães do Leste, formados pela ocupação soviética, votaram maciçamente na Alternative für Deutschland (AfD), enquanto os do Oeste, formados pela ocupação norte-americana e pelos nazis reciclados, votaram nos Democratas-Cristãos e nos Sociais-Democratas. Na realidade, não há apenas uma Alemanha, mas sim duas [2].

Hoje, a Alemanha reunificada é governada pela sua maior componente, a do Ocidente, que tenta proibir a expressão política da sua componente do Leste. Em 2 de Maio de 2025, o Partido político Alternative für Deutschland (AfD) foi qualificado de organização «extremista de direita», o que foi confirmado pelo Gabinete para a Proteção da Constituição. Ora, esta formação é apenas uma reacção ao projecto da confederação europeia ; projecto que tem as suas raízes na Neuordnung Europas (Nova Ordem Europeia), imaginada por Walter Hallstein – em nome do Chanceler Adolf Hitler – antes de este se tornar o primeiro secretário-geral da CECA (futuras CEE e União Europeia). Da mesma forma, o Gabinete de Protecção da Constituição de Munique, que foi utilizado para reciclar os polícias da Gestapo nos anos de 1950, supervisiona a repressão de jornalistas e pensadores que poderiam fazer mudar os pressupostos dos Alemães [3].

Se estamos cientes dos horrores da Segurança do Estado (Stasi) na Alemanha do Leste, desconhecemos os que flagelaram a Alemanha Ocidental contra os comunistas e contra os gays. Foi, no entanto, uma realidade sombria.

A actual Alemanha reunificada está sob a influência do pequeno grupo de filhos dos nazis que colaboraram depois da guerra com os ocupantes anglo-saxões. O próprio Chanceler Friedrich Merz é neto de um dignitário nazi cujos pressupostos Anti-Eslavos adoptou. Ele não tem quaisquer problemas em trabalhar com «nacionalistas integralistas» ucranianos, que se dizem descendentes dos “Vikings varenges” e não dos Eslavos. Se a tradição germânica recusava colaborar com os Russos (daí o cisma de 1054 separando o Sacro Império Romano-Germânico de Constantinopla, ou seja um século depois da Ucrânia e da Rússia se terem convertido ao cristianismo), só os nazis tinham como objectivo exterminar todos os Eslavos e se apoderar das suas terras (o chamado lebensraum, isto é, o “espaço vital” da Alemanha). Em qualquer caso, a Alemanha reunificada não colocou a menor objecção à nazificação da Ucrânia desde a independência, em 1991, passando pelo Golpe de Estado do EuroMaidan, em 2014. Ela esforça-se por ignorar as centenas de monumentos erguidos na Ucrânia em memória dos nazis e de seus colaboradores. Ela ignora o projecto de construção de um Panteão das Glórias Ucranianas pela administração Zelensky e, ao contrário do Memorial Yad Vashem, recusou comentar a reinumação nacional do criminoso contra a humanidade Andriy Melnyk, em 25 de Maio de 2026 [4]


A dissolução da Moldávia e da Transnístria

Durante a dissolução da União Soviética, a Transnístria proclamou a sua independência, em 2 de Setembro de 1990. Trata-se de um pequeno vale ao longo do Dnieper, dispondo de um espantoso microclima, onde os Soviéticos tinham construído uma cidade científica. Quase um ano mais tarde, em 27 de Agosto de 1991, a Moldávia proclamou também a sua independência. Ora, acontece que estes dois Estados formavam até aí apenas uma única região, a República Socialista Soviética Moldava. No entanto, em 28 de Fevereiro de 1992, os Estados Unidos fizeram entrar oito repúblicas soviéticas independentes nas Nações Unidas, incluindo a Moldávia. Mas não a Transnístria. Aos olhos da ONU, esta não era mais do que uma parte da Moldávia. Imediatamente a seguir, a CIA tentou meter na linha a Transnístria durante uma guerra a que não prestamos atenção [5].

Desde então, a Moldávia e a Transnístria desenvolveram-se separadamente. As coisas são ainda mais complexas porque a Transnístria continua soviética, tendo realizado o sonho de Mikhail Gorbachev de conciliar o comunismo e a democracia. Contudo, não é perfeita e não conseguiu resolver o problema das máfias, como a Rússia o fez com Vladimir Putin.

A Transnístria, que alberga desde a sua independência um arsenal russo e, desde a guerra de 1992, uma força de paz russa, recebe gratuitamente gás russo porque monitoriza o cruzamento de vários gasodutos russos para a Europa Oriental, Central e Ocidental [6].

A partir de 2019, o complexo militar-industrial norte-americano militou para enfraquecer a Rússia envolvendo-a em conflitos na Ucrânia e na Transnístria [7]. Em 2005, Angela Merkel, então Chancelerina Federal, nomeou Ursula von der Leyen como conselheira. As duas mulheres fizeram campanha para a criação da European Union Border Assistance Mission to Moldova and Ukraine (EUBAM) – Missão de Assistência às Fronteiras da União Europeia na Moldávia e na Ucrânia. Este organismo europeu vai sitiar a Transnístria cercando-a ao usar a Moldávia e a Ucrânia, muito embora nenhum destes dois Estados seja membro da União Europeia.

O acordo concluído entre os Presidentes Donald Trump e Vladimir Putin em Anchorage, em 15 de Agosto de 2025, prevê o reconhecimento do Donbass e da Novorossia como sendo russas. Isso significa que Odessa não será libertada pela força, mas sim anexada por um tratado de paz. Ora, Odessa é contígua à Transnístria. Há duas semanas, o Presidente Putin concedeu a cidadania russa a todos os cidadãos da Transnístria que a solicitarem [8]. A Transnístria tornar-se-á portanto russa no seguimento da guerra na Ucrânia, fazendo implodir a Moldávia. A sua população exprimiu-se já duas vezes nesse sentido.


A dissolução da União Europeia

A unidade da União Europeia não nos parece alvo de discussão. No entanto, o Reino Unido aderiu em 1973 e retirou-se em 2020. Em 2005, os eleitores da França e dos Países Baixos rejeitaram os referendos sobre a Constituição Europeia. Mas não foram ouvidos, com a UE a afastar-se dos seus «valores democráticos». Em 2013, a Troika Europeia (ou seja, na altura, a Alemanha, a França e o Reino Unido) impôs aos cipriotas o confisco puro e simples dos depósitos bancários superiores a 100. 000 euros. A União Europeia afastou-se ainda mais dos seus «valores democráticos e liberais». Em 2024, a Comissão Europeia intervém secretamente na eleição presidencial romena, acabando definitivamente com os seus «valores». Hoje, os Estados-Membros da UE, à excepção da Eslovénia e da Hungria, põem em causa o funcionamento da unanimidade do Conselho Europeu.

No entretanto, o Reino Unido, que já não faz parte da UE, forma uma nova aliança militar, os «Fuzileiros Navais do Norte». Esta nova força é composta por forças dinamarquesas, estónias, finlandesas, holandesas, islandesas, lituanas, letãs, holandesas, norueguesas e suecas. Rapidamente, ela deverá incluir também os Exércitos alemão, polaco e turco ; ou talvez até o francês, mas as idas e vindas de 2025 entre Londres e Paris não foram convergentes. Parece que os “Marines” do Norte deverão substituir a OTAN, assim que os Estados Unidos deixarem a Aliança Atlântica, pelo meio de 2027, segundo a equipa do Presidente Trump.

Ora, esta aliança não é compatível com a existência da UE, a qual é uma consequência das cláusulas secretas do Plano Marshall (1948).

Constatamos, entretanto, que o rearmamento alemão é financiado tanto pela União Europeia como pelo Reino Unido. Nos anos de 1930, este último havia financiado o rearmamento alemão contra os Soviéticos. Foi só após os Acordos de Munique (29 a 30 de Setembro de 1938) que a URSS, convencida de ser a próxima presa do IIIº Reich, concluiu o acordo germano-soviético (23 de Agosto de 1939) e que Berlim se voltou contra Londres.

Thierry Meyssan

Tradução
Alva


PS: Para quem tenha dúvidas sobre a «conversão» da oligarquia governante da UE ao fascismo e nazismo, veja o vídeo de entrevista de Glenn Diesen a Marta Havryshko: «Zelensky Pays Tribute to Nazi Leaders»


quinta-feira, 5 de março de 2026

A GLOBALIZAÇÃO NÃO MORREU; ELA APENAS MUDOU DE ROUPAGENS



A consolidação do poder globalista avança em silêncio, enquanto a guerra lavra no Irão e noutras nações do Médio-Oriente. Os Estados estão a ficar endividados como nunca.
O dinheiro serve para comprar armamentos aos grandes consórcios e a desenvolver programas de Inteligência Artificial : Estes significam uma transferência massiva de capital para os grandes empresários, não para os cidadãos comuns, pois somente  empobrece estes últimos. A dívida tem sido assumida pelos Estados. Estes vão extorquir mais em impostos (instalam-se dispositivos de vigilância autoritários).
A disponibilidade deste montão de capital será para os bilionários das indústrias bélicas e tecnológicas. Assim,  eles irão enriquecer ainda mais!



As pessoas são de uma ingenuidade atroz! As atoardas nacionalistas e retrógadas de um Trump e de seus acólitos, são tomadas como significando que eles querem aquilo que declaram. Declaram o fim da globalização, um retorno a que o interesse nacional anteceda o do estrangeiro e toda uma série de atoardas contra a OTAN, a UE e a ONU. Curiosamente, foi por vontade explícita dos EUA e sua casta dirigente que estas instituições globalistas (tal como o FMI e Banco Mundial) foram erguidas e têm dominado, ao nível mundial, a política, as trocas comerciais, a finança etc. O grande capital financeiro e industrial é quem tem decidido, nos EUA, quais os presidentes e a política que eles devem tomar, desde o primeiro quartel do Séc. XX (do presidente Woodrow Wilson ... em diante). Nos países da Europa Ocidental, as intrigas e golpes tiveram como protagonistas ocultos, os grandes magnates. São eles quem escolhe os dirigentes e o programa que devem aplicar. Basta pensarmos nos ditadores Salazar e Franco: Eles nunca teriam conseguido manter-se, sem o apoio de industriais e financeiros, que foram decisivos para sua subida ao poder; ou ainda, em França, G. Pompidou (um funcionário da banca Rothschild) etc.

Muitas pessoas ignorantes pensam que estou a exagerar; que tais conexões são falseadas; que relaciono várias coisas desconexas, apenas pela minha ideologia. A eles só lhes digo: Vão estudar a sério a História dos últimos 100 ou 150 anos e verão que há muitas evidências que reforçam aquilo que afirmo.

O «anti-capitalismo» do discurso de extrema-direita, também não é novidade, não surgiu na onda «MAGA», nem nos políticos de direita conservadora, ou de extrema-direita, que disputam o poder em muitos países da UE, incluíndo Portugal. Também o fascismo de Mussolini e o nazismo de Hitler se apresentavam com uma faceta anti-capitalista, mas apenas discursiva, para melhor enganar uma classe trabalhadora pouco instruída e sujeita a ser arrastada pela demagogia. Aliás, estes discursos nunca impediram os grandes capitalistas de «apoiar com a carteira» aqueles candidatos ao poder absoluto.
A ideologia não se destina a esclarecer as massas sobre as intenções profundas dos dirigentes: Bem pelo contrário, destina-se a ocultar o verdadeiro programa; aquele que só é conhecido pela hierarquia mais elevada desses partidos e pelos seus financiadores.

A grande transferência massiva do capital público para o privado, faz-se com manobras óbvias, mas que têm sido obscurecidas de forma a que se continue a fazer esta transferência.
1ª Os Estados vão-se endividando ao longo do tempo, supostamente para fazer face a despesas urgentes e não orçamentadas, num primeiro tempo. Num segundo tempo, a finalidade real deste endividamento nem sequer é ocultada. Por exemplo, para dotar os países da U.E. de uma indústria bélica capaz de - a prazo - «derrotar a Rússia». Ou ainda, gastar o que for preciso em desenvolvimento da IA (Inteligência Artificial) para construir sistemas - civis ou militares - que multipliquem as capacidades presentes, tendo em conta que a China está num patamar tão ou mais avançado que os ocidentais, a este respeito.
2ª As transferências do capital levantado pelos Estados, para indústrias que se quer privilegiar, dão-se de várias maneiras: Doações para «desenvolvimento», empréstimos a juros muito baixos, encomendas de equipamentos para o Estado, parcerias do Estado com grandes empresas privadas, etc.
3º A dívida pública é a prazos largos, de 20 ou mais anos, quando se destina a financiar um projeto de longo prazo. Os juros dessa dívida são - por norma - baixos, o que torna esta aplicação de capital «pouco apetitosa» para o público. Então, o Estado obriga por lei uma série de instituições a terem uma certa quantia em obrigações do Estado nas suas reservas. São os casos de Bancos, Companhias de Seguros e Fundos de Pensões. A norma aplica-se com o argumento falacioso de que um Estado nunca entra em falência, logo tal reserva seria para «proteger» os clientes destas instituições. Ora, os juros tendem a ser muito baixos e a não acompanhar a inflação real, que se verifica ao longo de muitos anos. Estes juros fixos custam cada vez menos, em termos reais, a pagar. O principal em dívida, também vai perdendo valor, consoante os episódios de inflação no tempo decorrido. Deste modo, o Estado vai buscar o capital a juro muito baixo, emprestado por investidores (sobretudo) institucionais.
4º O Estado está nas mãos dos grupos de interesses mais poderosos, que controlam a política, através de doações chorudas a cada campanha eleitoral. Estas doações permitem que tal ou tal partido tenha muito mais dinheiro (que os outros) para gastar em publicidade, em comícios, em materiais de propaganda, etc... Assim, o partido tem a eleição quase assegurada. Mas, o consórcio de capitalistas financiadores tem os dirigentes desse partido na mão. Se estes se afastarem do programa (o verdadeiro, não o que apresentaram a eleição) serão castigados, não havendo dinheiro para financiar as suas campanhas futuras; podem até desviar os subsídos para outros canditados, adversários do partido «rebelde». Uma das coisas mais decisivas no pós-eleições, é saber-se para que projetos e investimentos o novo governo canaliza os capitais de que dispõe.

5º A «necessidade» de criar ou de reforçar fábricas de armamento, pode até ser um disparate de todo o tamanho, mas o público nunca será autorizado a examinar a questão com toda a transparência. Os apoios eleitorais foram efetivados; as somas  prometidas foram entregues e seria impensável que o partido que beneficiou de tais apoios, fosse descartar este aspecto do seu programa. Por isso, as questões relacionadas com a defesa, a guerra, ou  as ameaças à segurança do nosso país, nunca são tratadas na media de massas, com um mínimo de seriedade. O poder encarrega-se de fazer com que a média "mainstream " diga aquilo que é preciso, para defender o rearmamento e que desqualifique os críticos, pelos processos habituais da calúnia, de distorcer  afirmações, ou de black-out...

Isto acontece também nos países mais poderosos, que possuem indústrias de ponta, capazes de produzir e de melhorar microprocessadores, programas de software para IA, etc. Estes produtos da indústria são de aplicação dúplice, ou seja, tanto podem ser aplicados para fins pacíficos, como bélicos. O desenvolvimento da IA tem  potenciado as armas sofisticadas, os robots, os drones, os aviões de combate e os mísseis. Pode dizer-se que um investimento em IA será como na indústria bélica, somente ligeiramente disfarçado.

Temos aqui, nos 5 passos acima, a essência do que os governos dos Estados capitalistas mais poderosos fazem para desviar somas bilionárias para fins bélicos. Esta escolha vai submeter a sociedade, as pessoas, os tralhadores, a uma política de austeridade (mais uma vez!). Daí que os regimes se tenham vindo a transformar em «democracias musculadas», com polícia de intervenção, pressões sobre toda a resistência social e pacífica (sindicatos, associações diversas). Neste exercício de «democracia» apenas formal, não haverá real oportunidade para se afirmarem, e muito menos ganhar eleições, as forças que permitiriam uma alternativa real ao sistema.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

O CANADÁ NÃO NEGOCEIA SOB AMEAÇA


 O primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, respondeu - virando as costas e saindo - às imposições de Trump. Oiça este condensado da incompetência e narcisismo de Trump.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

SCHRÖDER põe em causa a orientação atual da Alemanha e da União Europeia

 


Existe em toda a Alemanha muita gente que tem uma série de reservas em relação aos rumos que o governo anterior e o actual seguiram. Não serve de nada os fanáticos da ordem neo-liberal clamarem que os «outros» são os iludidos, ou que são «agentes de Putin» e que eles é que detêm a verdade verdadeira. Tudo o que fazem é reproduzir em mais grotesco - caso seja possível (!) - as derivas autoritárias de que foi protagonista a Europa e, em particular, este país, tanto no que toca à adesão ao nacional-socialismo (nazismo) como ao socialismo autoritário (Sobretudo durante a existência da DDR República Democrática Alemã). 
Schröder não tem a minha simpatia em relação às SUAS ACÇÕES POLÍTICAS PASSADAS. MAS, EMBORA TARDE, DESEMPENHA O PAPEL QUE UM PESO PESADO, RETIRADO DA POLÍTICA ATIVA, COSTUMA TER: Ser a consciência moral da sua corrente de pensamento e sobretudo dos consensos sociais conseguidos durante os anos em que foi Chanceler. Enfim, desempenha o papel de ser «voz» daqueles/elas que não têm voz, quer sejam de sensibilidade social-democrata ou outra.
A análise crítica do ex-Chanceler, embora não tenha nada de original, vem reforçar correntes que se sentem marginalizadas dentro da lógica da democracia parlamentar, que formalmente corresponde à constituição alemã. Os sinais de desrespeito da legalidade e da ordem constitucional pelo governo, abundam e está-se na Alemanha de hoje a um passo de um regime autoritário, ou, mesmo já dentro desse regime. 
Enquanto potência industrial mundial (ainda tem o 4º lugar no ranking) e ainda  claramente dominante economicamente dentro da U.E., as derivas autoritárias que venho assinalando, em relação à Alemanha, nos últimos anos, repercutem-se de imediato noutros parceiros da União Europeia e pesam no desenrolar das transformações geopolítica, económica e financeira, em curso. 
É por isso que me parece imprescindível conhecer  as críticas - a maior parte, certeiras - que incomodam tanto o establishment alemão e o das outras nações europeias. 

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

América e União Europeia em "processo de divórcio "[Crónica da IIIª Guerra Mundial nº54]

 

A crónica de Pepe Escobar é autêntica ou fake? « A Europa Pode Sobreviver Sem a América? O Fim de 80 Anos de Aliança»: é um vídeo que tem um texto que não me convence de todo. Começa com algumas evidências, para não dizer lugares comuns. Depois, faz conjecturas, demasiadas, para um verdadeiro jornalista, como é Escobar. A qualidade de um jornalista especializado em geopolítica deve ou deveria ser de focalizar o discurso naquilo que é, não especulando sobre os comportamentos futuros de A, B ou C. Além disso, sujere que a Polónia e os Estados Bálticos foram «vítimas» do Estado Soviético... Eu sei que os referidos povos viviam em condições materiais melhores que os cidadãos da Rússia, no período do pós-guerra até 1990. Isto pode parecer estranho para os ocidentais, que estavam sempre (e continuam) inundados por narrativas anti-soviéticas e anti-comunistas. 

De qualquer maneira, eu acredito na inevitabilidade de um divórcio entre os EUA e a Europa, se Trump e a sua equipa continuarem no rumo traçado desde o princípio do mandato nº2 de Trump (e mesmo antes). Em poucos meses a Europa foi humilhada em várias frentes:

-Diplomática: as conversões diretas entre Trump e Putin em Anchorage, no Alasca (europeus completamente afastados de negociações no que respeita a um eventual acordo de paz com a Rússia)

- Comercial: o forçar de um «acordo», que mais parece uma capitulação, quando os «aliados» (vassalos) europeus tiveram de «engolir» taxas alfandegárias de 15% e sob ameaça destas duplicarem, se as relações dos europeus com Rússia e China não agradarem ao «bully» na Casa Branca.

- Militar: A obrigação de subir para o nível de 5% as despesas orçamentadas com as forças militares, o equivalente a um imposto brutal e insustentável, mas que os governos tiveram de aceitar. Trump ameaçou com a saída das forças americanas estacionadas na Europa. Os governos europeus, sentiram-se de facto ameaçados, porque se viam de repente sem o aliado mais poderoso, com o arsenal nuclear capaz de colocar em xeque a Rússia.

- Económica: As sanções europeias contra a Rússia após a invasão da Ucrânia, em Fevereiro de 2022, mais pareciam auto-sanções. Quem mais sofreu, foram empresas agrícolas e industriais da U.E. que ficaram - de repente- sem uma boa fatia do seu mercado. 

- Energética: Num episódio grotesco, Biden ordenou a sabotagem dos gasodutos Nordstream 1 & 2. Cobardemente, a Alemanha e outros países da UE, que beneficiavam com o gás russo, fizeram como se não soubessem quem ordenara a sabotagem e porquê. 

Daí resultou:

a) Colapso industrial: O gás americano, 5 vezes mais caro que o russo, é transportado por navio desde os EUA e obriga a dispendiosas instalações portuárias para ser distribuído localmente. Foi a sentença de morte de muitas empresas industriais, que tinham uma alta fatura em energia.  As empresas que sobraram, em geral mega empresas, como a Volkswagen ou a BASF, foram para a China ou para os EUA. As condições eram melhores nestes países, tanto em custos de energia, como em impostos, regulamentações ambientais, encargos salariais... A Alemanha e outros países do centro e norte europeu experimentaram uma desindustrialização severa e súbita. 

b) Na realidade, o poder hegemónico estava a obrigar os seus vassalos europeus a um regime incompatível com a manutenção do nível de salários, de pensões, de apoios sociais, na maioria da U.E., que tinha vigorado desde há mais de 50 anos. Estava a obrigá-los a submeterem-se, a ficarem «pés e mãos» atados ao poder Imperial, quer pela despesa militar acrescida (que vai enriquecer empresas americanas do complexo militar-industrial), quer pela dependência quase total em energia (escoamento do gás e petróleo de xisto americano). 

c) A humilhação máxima aos europeus, ocorreu quando Trump ameaçou ocupar (militarmente) a Groenlândia, um território autónomo associado à Dinamarca. Isto deveria ter causado um corte na OTAN, com os EUA, pelos «aliados». Mas, os governos europeus não tiveram coragem de dizer -«olhos nos olhos»- a Trump, que ele estava enganado, que a Europa não era «colónia» dos EUA. Perante esta atitude de encolhimento, a intenção do bully máximo será de redobrar a chantagem com suas vítimas, para que estas cedam ainda mais. 

Não é obrigatório, aliás, que aquilo que Trump procura, seja o território da Gronelândia. Os EUA já tinham obtido da Gronelândia, tudo aquilo que queriam: Desde a «Guerra Fria nº1» que tinham uma importante base militar em Thulé. Tinham todo o controlo do espaço aéreo. A soberania da Dinamarca sobre o território, já era apenas nominal. 

Aliás, seria totalmente impensável que a Dinamarca, ou o governo autónomo da Gronelândia, dissessem «não» ao reforço dos dispositivos da OTAN nesta ilha setentrional ...  A insistência em adquirir ou ocupar a Gronelândia pode ser lida de várias maneiras: Uma delas, é de se tratar de um bluff... Trump obteria, em compensação de sua renúncia a ocupar a Gronelândia, acordos vantajosos, que dinamarqueses e a Comissão de Bruxelas aceitariam, como meio de «salvarem a face». 


Conclusão: De qualquer maneira, os co-autores de tudo isto são os políticos no poder, na Europa (ao longo de décadas). A ideia de que a Europa não pode ser um espaço de paz e liberdade, se os diversos Estados não estiverem reunidos numa estrutura supra-nacional, cada vez mais autoritária, é uma enorme falácia. Na realidade, esta falácia tem servido aos Estados mais fortes, em detrimento dos mais pequenos, ou mais frágeis. 

Na realidade, os satrapas que passam por ser nossos dirigentes nos países europeus, integrados na OTAN, são os responsáveis. Mas nós, povos europeus, somos as vítimas. A ex-Jugoslávia e a Ucrânia contam às dezenas ou centenas de milhares, os seus mortos nas guerras diretamente protagonizadas (ex-Jugoslávia) ou incentivadas e apoiadas   (Ucrânia) pela OTAN e pelos seus Estados mais poderosos. Muitos povos europeus do Leste, Oeste, do Sul e do Norte, têm sofrido os programas de austeridade e agora vão decuplicar tal austeridade. O nível do apoio social prestado (Estado de bem-estar ou Welfare-state) nos países da Europa ocidental degradou-se, desde que se deu a implosão da URSS e do Pacto de Varsóvia. Agora, caminha-se para algo pior; a generalização da guerra, o que traz sempre miséria.

Será uma guerra pior que a IIª Guerra Mundial,  mesmo que não sejam usadas armas nucleares estratégicas ou tácticas. Basta ver o estado de destruição na Ucrânia. 

Os políticos europeus ocidentais insistem em «continuar a guerra até à derrota final da Rússia». Seria cómico, se não fosse mortífero para milhares de militares e civis (de  ambos os lados), que se batem e sofrem com uma das guerras mais cruéis em todo o mundo, desde a guerra da Coreia!

 





quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

UE CONFISCA ATIVOS RUSSOS PARA COBRIR AVULTADOS EMPRÉSTIMOS

A EUROPA NÃO PODE CONFISCAR OS ATIVOS RUSSOS. VEJA O VÍDEO DE PEPE ESCOBAR





ATUALIZAÇÃO. 
PARA QUE SERVEM E COMO VÃO SER OBTIDOS OS 90 000 000 €
UM ARTIGO de ANA VRACAR




Os líderes das nações da UE, que já gastaram mais de 100 mil milhões de € com a Ucrânia, esperam agora poder confiscar os ativos russos presentes na Bélgica, no Euroclear, assim como nas contas do Estado russo em vários bancos da U.E.
Num primeiro movimento em direção a tal confisco, foram congelados ativos do Banco Central da Rússia, no valor de cerca de 230 000 0000 $. Eles invocam o Artigo 122 e procedem à modificação da própria legalidade da UE, alegando emergência, para autorizar a realização de tal ato por uma maioria qualificada, em vez de unanimidade. 
Este congelamento é considerado ilegal e qualquer uso destes fundos é simplesmente visto como roubo, pelas autoridades russas. Esta posição de Moscovo surge em resposta às afirmações da Presidente da Comissão Europeia, Ursula Van der Leyen, propondo que este dinheiro fosse usado como garantia de um empréstimo à Ucrânia.



Num evento on-line, o Primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban afirmou que eles «estão a querer captar este dinheiro depois de terem gasto pesadamente no conflito Russo-Ucraniano e depois de terem garantido aos votantes de isso não lhes custaria sequer um cêntimo, porque o apoio para a Ucrânia iria ser financiado com os ativos russos, e não com o dinheiro dos impostos.»
Se os contribuíntes acabarem por pagar o custo desta ajuda à Ucrânia, isso pode desencadear «uma tomada de consciência explosiva na U.E», seguida de «queda imediata de muitos dos governos». Por isso, eles estão tentando financiar o apoio a Kiev com os ativos russos congelados, sabendo de antemão que terão grande agitação política, no caso de não conseguirem isso.
O dirigente húngaro acusou os responsáveis da UE de «violarem a Lei Europeia em plena luz do dia», ao servirem-se do Artigo 122 para escaparem ao veto potencial da Hungria, sendo que Budapest iria submeter uma queixa ao Supremo Tribunal da União. Quanto a Washington, opõe-se ao confisco e considera que o problema deve ser resolvido como parte dum acordo mais vasto com Moscovo.
O Banco Central da Rússia já iniciou um processo contra Euroclear, que detém a maioria dos ativos. A UE insiste em que o congelamento dos fundos está de acordo com a Lei Internacional, mas o primeiro-ministro belga Bart De Wever avisou que usar esse dinheiro para garantir empréstimo a Kiev, levanta riscos legais para o seu país.
Instituições financeiras internacionais como o Banco Central Europeu e o FMI, também chamaram a atenção de que, usar os ativos soberanos imobilizados, poderia destruir a confiança no Euro.


Relacionado: 

Rússia congelados 




A presidente da comissão europeia foi acusada de ter desviado 420 000 000 €, por Victor Orban na Assembleia Parlamentar de Bruxelas.  


sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

A GUERRA NÃO DECLARADA JÁ ESTÁ AQUI HÁ BASTANTE TEMPO [Crónica da IIIª Guerra Mundial nº53]



Quando os dirigentes da Europa ocidental, quer na UE, quer na OTAN, ameaçam a Rússia com uma guerra devastadora, o que é que têm estes 'valentes' (que mandam os outros combater)?
Não me estou a referir a patologias; certamente, as têm e do foro psicológico. Não; estou a referir-me ao que têm em termos de meios quer humanos, quer logísticos, quer armamentos.
Quanto a economia, já estamos conversados; eles próprios «lamentam» que nestes três anos de guerra na Ucrânia, não conseguiram (dizem eles) evitar a compra do petróleo russo. Quanto ao gás, a auto-sabotagem do gazoduto Nordstream, foi encarecer a produção industrial não só na Alemanha, como noutras nações da UE. A sua dependência em relação aos produtos russos é maior do que muita gente pensa: Eles precisam dos adubos sintéticos feitos na Rússia, para que a sua agricultura não baixe dramaticamente de rendimento.
Também precisam de metais estratégicos e «Terras Raras» e não têm escolha senão ir buscar à China ou a outros países dos BRICS, pois eles próprios (tal como os EUA) deslocalizaram há muito a refinação destes minerais, deixando para o Terceiro Mundo a tarefa poluente de transformar minério em metal purificado. Estas Terras Raras são indispensáveis, não apenas em aplicações de eletrónica e microinformática civil, como também militar. Quanto aos metais estratégicos: Sem o titânio e outros, não se podem produzir ligas metálicas para aviões militares, tanques, etc.
Além disso, estão mergulhados numa crise política profunda; por mais que ocultem, os povos estão descontentes, dissociados e mesmo hostis aos projetos militaristas. Estes, são acompanhados por maior vigilância e repressão contra a dissidência, numa postura autoritária que já não se disfarça (veja-se o caso de Palestine Action, no Reino Unido, e repressão massiva e indiscriminada contra os que protestam contra o genocídio em Gaza). - A impopularidade destes governos é inédita. Por exemplo, um partido nacionalista conservador, a AfD, na Alemanha cresce nas sondagens, como sendo o primeiro partido na escolha dos alemães.
Todas as reuniões e declarações dos chefes de Estado e de Governo dos países da Europa ocidental, são atoardas de quem pode vozear em relação ao «inimigo» declarado, mas não tem meios próprios para sustentar uma guerra direta.
A estratégia, simultaneamente cobarde e suicidária (para os povos) é de multiplicar as provocações, lançamento de mísseis para território bem no interior da Rússia, atos de sabotagem, etc. 
Estes ataques são declarados como «façanhas» do exército ucraniano, quando todos sabemos que eles não fabricam estas armas; recebem-nas dos EUA países europeus da OTAN . Além disso, está comprovado que os sistemas atuais de mísseis são demasiado sofisticados e implicam pessoal treinado. O treino de especialistas ucranianos é demasiado longo para atender às necessidades: Logo, muitos dos que servem estes sistemas de mísseis são militares dos países ocidentais.
Apesar do black-out informativo, sabe-se que têm morrido ou ficado gravemente feridos membros das forças armadas de vários países da OTAN (EUA, Polónia, Reino Unido, França, Alemanha e outros), pois estes mísseis, estacionados em solo ucraniano, são obviamente um alvo para as forças aéreas russas.
A perversidade dos maquiavélicos, faz que estejam prontos a arriscar um confronto nuclear com a Rússia, confiantes de que será ela a vítima principal. Mesmo que tal fosse verdade, o que eu duvido muito, o sofrimento humano seria indicível, impossível de quantificar e recairia também sobre o ocidente, inevitavelmente.
Seria o fim da civilização ocidental. Significaria a destruição de centenas de milhares ou de milhões de vidas inocentes, a destruição dos ecossistemas, o seu envenenamento radioactivo durante inúmeras gerações, o que tornaria as cidades e os campos impossíveis de habitar.
Tudo isto é considerado um risco aceitável pelos que estão à frente das principais nações da UE e dos órgãos próprios deste super-Estado em construção.
O afastamento dos EUA em relação aos planos mais belicosos dos governos europeus da OTAN é uma boa coisa, pois sem o «guarda-chuva» nuclear dos EUA, a possibilidade de guerra total contra a Rússia fica mais remota, para não dizer inviável. Mesmo loucos fanáticos reconhecem isso, pelo que as atoardas de alguns políticos europeus vão somente contribuir para complicar os esforços de paz. 
Mas, sobretudo, destinam-se à política interna, a cercear as liberdades, perseguir os oponentes à guerra, intensificar a exploração para maior lucro das empresas, sobretudo das que se reconverteram a fabricar armamentos e munições.

Por todas estas razões, é fundamental que as pessoas tomem consciência e que ajam, dentro das suas competências, com os meios de que dispõem, para fazer obstáculo a esta onda de militarismo despudorado.
 A guerra na Europa ocidental (países da UE + Reino Unido) é - cada vez mais - uma guerra contra os seus próprios povos, contra os trabalhadores, os jovens, os empresários e todos os que têm contribuído para a riqueza e grandeza das suas nações respectivas.

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RELACIONADO:

 https://substack.com/@nelbonilla/note/c-180757735?r=9hbco


https://open.substack.com/pub/jonathancook/p/its-antisemitic-to-call-out-israels?utm_source=share&utm_medium=android&r=9hbco


Bruxelas decidiu no sentido de expropriar os bens financeiros russos congelados na UE:  

https://www.moonofalabama.org/2025/12/russia-counters-eu-shenanigans-to-steal-its-frozen-assets.html

Veja a seguinte entrevista com Alastair Crook:

https://youtu.be/gkJD1qHlHhw?si=kwa_bwVfIxvSeN2M

Excelente análise de Prof. Mersheimer:

https://www.youtube.com/watch?v=GOJerDDCnes

Conheça a avaliação por Martin Armstrong, de Zelensky e seu regime.

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

GOVERNOS EUROPEUS INIMIGOS DA PAZ NA UCRÂNIA


 Zelensky não é mais do que o ditador megalómano que não se importa de afundar o seu país e o seu povo, desde que eles - Zelensky e sua família - se safem. Mas, isto não é uma revelação de agora. Desde o momento em que foi eleito (antes da guerra), que se dedicou a fazer o oposto do que prometera ao povo ucraniano. Este, acreditou que o candidato Zelensky era o que melhor interpretava o desejo de paz e de procurar um acordo negociado com a Rússia. Foi enganado. 
Mesmo assim, os dirigentes europeus propulsionaram-no e ao seu regime cada vez mais autoritário, à medida que o tempo passava. Foi levado em braços, apoiado entusiasticamente, ovacionado de pé por parlamentares ocidentais. 
Porém, este mesmo Zelensky tornou-se uma espécie de bola de chumbo amarrada aos pés dos políticos ocidentais. Eles não sabem o que fazer; não sabem como se livrar de ir para o fundo. 
Com efeito, estão totalmente derrotados e desmascarados pelos próprios factos e suas políticas desastrosas, militaristas e anti-populares, adoptadas contra os interesses fundamentais dos seus povos. 
Teimosamente, continuam a propor «soluções» que não o são, de facto. Estas posições somente ajudam a prolongar a guerra cruel, causando mais uns milhares de mortos (inutilmente!). 
O povo de toda a Europa vai pagar caro a sua indiferença e credulidade. Não é perdoável que se deixe dominar pela propaganda, pelos reflexos pavlovianos de medo e ódio contra os russos. Quem cai no logro da propaganda, experimenta fatalmente as consequência deste erro! 

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Ratificação do tratado de Lisboa é INVÁLIDA (e U.E. não tem base LEGAL!)


Segundo Francis Lalanne, a urgência da luta jurídica deve-se à deriva autoritária de dirigentes da UE:
- Ursula Van Der Leyen, quer que a Comissão Europeia tenha o direito de decidir sobre a utilização das armas nucleares da França, 
- O presidente Macron quer enviar soldados franceses combater na guerra russo-ucraniana.
Estes atos autoritários são também completamente ilegais. Neste caso, um combate jurídico, além do combate político,  faz sentido.

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