Uma das mais concretas e bem fundamentadas discussões sobre as pensões versus ativos gerando rendimentos.
Eu sei, por experiência própria, que as quantias descontadas mensalmente do ordenado parecem irrisórias, para acumular uma soma capaz de fornecer uma pensão de reforma durante largos anos, quando atingimos a idade da aposentação. Mas, de facto, se aplicarmos a lei dos juros compostos, em que os juros se vão adicionar ao principal e portanto originando juros cada vez maiores, ao longo de um intervalo de tempo de 35 anos, verificamos que as somas que recebemos como pensão são bem menores do que aquilo a que teríamos direito, se o Estado aplicasse às pensões um cálculo de juros compostos. Na realidade, este cálculo é aplicado em situações em que o cidadão é devedor ao Estado: a aplicação de "juros de mora" quando não paga uma multa, ou uma soma devida por sentença em tribunal.
Quando o Estado é devedor a um cidadão, paga pouco em juros da dívida acumulada. O cálculo das obrigações do Estado para o cidadão é muito claramente em desfavor deste.
OIÇA AS PALAVRAS ESCLARECEDORAS DO PROF. JIANG NO JIMMY DORE SHOW!
JIMMY DORE CONCLUI - COM RAZÃO - QUE ESTAMOS NA IIIª GUERRA MUNDIAL, AGORA
Tenho acompanhado os sucessivos vídeos de Jiang Xueqin. O que me impressiona nestes é que seu conteúdo decorre de uma análise e reflexão pessoais. Está realmente preocupado em dar boas pistas aos seus alunos e auditores, para melhor compreenderem o Mundo em que todos nos movemos.
O seu conhecimento é aprofundado, nas matérias sobre as quais fala.
Não recua perante o desafio de fazer previsões, mas tem o cuidado de assinalar que são apenas hipóteses, que podem realizar-se ou não, no todo ou em parte.
Não estou de acordo com tudo o que diz. Mas, as suas intervenções são - para mim - um excelente estímulo para o meu próprio raciocínio.
Quanto a Jimmy Dore, autor do «show» político mais famoso dos EUA, tem a capacidade de dialogar com o seu hóspede de maneira espontânea, desinibida, mas sempre com o maior respeito.
Em Portugal, os entrevistadores da TV, eram, em geral, o oposto de Jimmy Dore: má criação, ignorância e arrogância. Foi este o principal motivo para eu ter deixado de assistir a entrevistas em canais da TV portuguesa.
No jogo complicado que se está jogando entre os grandes - EUA, China e Rússia - a questão decisiva é a da manutenção ou desmembramento do sistema do petrodólar.
É o sistema que sustenta o «enorme privilégio» dos EUA. Têm os EUA défices comerciais e do orçamento federal enormes, há imensos anos e funcionando como se nada fosse. Qualquer outro país iria mergulhar na bancarrota.
O sistema do petrodólar é que permite que os EUA mantenham a primazia económica, financeira e militar.
Os petrodólares são obtidos pela venda do petróleo (em dólares) pelas monarquias do Golfo (principalmente). Esses dólares vão ser reciclados através de investimentos nos EUA, desde a compra de ações ao imobiliário, assim como a compra de obrigações do Tesouro, ou seja, dívida de Estado dos EUA.
O défice dos EUA é coberto pela venda de dívida pública (obrigações do Tesouro). Enquanto este sistema funciona não há razão para a classe no poder deixar de agir como age.
Mas, a des-dolarização correlaciona-se com compras de combustíveis, cada vez mais significativas, usando outras divisas que não o dólar. Isto faz com que os compradores da dívida americana sejam cada vez menos.
Paralelamente, os maiores detentores de dívida americana - o Japão e a China - têm despejado no mercado grandes quantidades destas obrigações. Isso acontece no momento em que os EUA precisam de cobrir cerca de 1 trilião de dólares de juros de dívida com a venda de novas obrigações. Na ausência de compradores, só resta aos EUA aumentar os juros, para tornarem atraente a compra de tais obrigações.
O processo é assimilável a uma espiral em que cada vez mais dívida se vai acumular, pois a única maneira de cobrir a dívida (que vai vencendo) e os juros (que são devidos), é pedir (ainda) mais emprestado.
A necessidade prática de qualquer país possuir dólares para comprar petróleo foi um dado adquirido durante decénios, desde 1973 até há bem pouco tempo.
Com a utilização no comércio internacional, de divisas dos próprios países e já não usando o dólar como moeda intermediária, a necessidade de se possuir dólares para comerciar foi diminuindo.
Note-se, isto vai muito além da mera compra de petróleo. No ano 2000, cerca de 70% das trocas comerciais internacionais eram feitas em dólares. Agora, serão 56%, segundo o FMI e outras agências internacionais.
O jogo dos EUA é obrigar os países a abastecerem-se em combustível nos EUA, ou em países por eles controlados (... ou que serão em breve controlados por eles): O plano prevê o controlo efetivo dos recursos energéticos da América do Norte, o que inclui o Canadá, a Groenlândia, o México, a Venezuela e países da América Central... Se os fornecedores de crude do Médio-Oriente desaparecerem ou reduzirem a sua capacidade em fornecer o mercado durante largos anos, o défice causado na oferta de crude ao nível mundial será tal, que os países (amigos ou não) terão de comprar o petróleo e o gás que necessitam aos EUA, ou aos países seus vizinhos sob controlo.
As atoardas de Trump de que integraria o Canadá, compraria a Gronelândia, anexaria o Panamá e subjugaria o México, além do que ele fez efetivamente à Venezuela, não são mais do que a afirmação descarada, expondo parte do programa da oligarquia para a nova fase da globalização, agora «manu militari».
A guerra no Irão não deverá ser curta, segundo o interesse do imperialismo: Deverá antes ser longa e deixar exaustos e incapazes de participar no comércio mundial de combustíveis, não apenas o Irão, como as seis monarquias do Golfo Pérsico (a Arábia Saudita, o Qatar, os Emiratos Árabes Unidos, Oman, Kuwait e Bahrein).
Os países que se abasteciam no Golfo Pérsico terão poucas hipóteses alternativas, perante o rápido declínio da oferta no mercado mundial. Excepto a China, que ficará mais resguardada graças ao fornecimento estável da Rússia. Todos os outros, terão dificuldades no abastecimento energético e na economia, em geral. Os preços dos bens essenciais irão aumentar; vai haver aceleração da inflação. Ao mesmo tempo, haverá contracção do investimento. O mundo vai entrar numa depressão «estag-flacionária» ou seja, de estagnação e inflação, em simultâneo.
Mas, o Império irá ficar mais isolado. Vai ser incapaz de seduzir as pessoas. O chamado «soft power» vai desfazer-se, como uma pintura facial que se derrete. Usará a força militar, a chantagem com os «amigos», a utilização de guerra terrorista, com morticínios contra os civis, etc. Vão ser estes os traços característicos do comportamento dos EUA, tanto ou mais do que agora.
Certos países da Europa talvez tentem - em vão - seduzir a «Grande Besta», mas chegarão à conclusão de que os EUA estão na mão duma poderosa Máfia, como disse Mac Carney* na última reunião do Fórum de Davos.
Quanto mais depressa chegarem a esta conclusão, mais hipóteses terão para delinear e executar uma estratégia de salvamento da sua independência, identidade, património e presença no Mundo.
Os que insistirem em «fazer as vontades» ao colosso de pés de barro, serão os primeiros a ser esmagados.
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*Mac Carney: Ex-presidente do Bank of England e atual primeiro-ministro do Canadá
O prof. Jiang dá-nos uma lição magistral da guerra assimétrica que está a ser combatida pelos iranianos contra as forças militares conjugadas de EUA e Israel.
The embers of resistance – in Gaza, Iraq, Lebanon, Syria, Yemen - have not been snuffed out. With the attack on Iran, they are being fanned into a fire
Este académico, Jiang Xueqin, é doutorado pela Universidade de Yale. Tem aulas transmitidas em direto e gravadas, no Youtube.
Duas das suas três principais previsões sobre a evolução dos EUA (eleição de Trump, guerra contra o Irão) já se realizaram, a terceira é surpreendente mas está dentro do campo dos possíveis.
Kim Iversen é uma das mais seguidas jornalistas, que apresenta uma refrescante perspectiva de independência e em coerência com os seus valores democráticos.