sábado, 26 de setembro de 2026

ANTES, DURANTE E DEPOIS DA «SAÍDA DE ÁFRICA»


 A tese da emergência da espécie humana «moderna», pelo cruzamento de precursores de várias origens (africana, asiática, europeia) não está de todo arredada. A apresentadora descreve uma imagem simplista da tese «policêntrica», que teve algum sucesso no século XIX, mas foi descartada, pois foi utilizada como suposto fundamento para as «raças» humanas e teorias de superioridade (e inferioridade) «racial». 
Mas, aquilo que se está a pôr em causa, hoje em dia, não respeita à(s) saída(s) de África, isso são factos. O que está em causa é que um grupo de humanos «modernos» tenha saído de África e colonizado o Médio Oriente e a Europa, apenas de uma vez. 
Há evidências de que houve um certo grau de hibridação com neandertais, nas supostamente «falhadas» colonizações pelos H. sapiens: existem sequências de Homo sapiens, no ADN de Neandertais datados de antes da chegada definitiva do H. sapiens. 
É notável a capacidade ubíqua de adaptação a vários habitats, mostrada não apenas pelo H. sapiens antigo, como também outros membros do género Homo, como os Neandertais ou os Denisovanos. 
Aquilo que o breve documentário deixa de fora é o papel que tiveram as introgressões, ou seja, inserção de ADN de uma espécie, no ADN de outra. Este papel foi (e ainda é) importante, pois trouxe maior capacidade de enfrentar desafios ambientais, desde o frio e resistência a patogénicos (genes Neandertais), até à sobrevivência em locais de muito elevada altitude como nos Himalaias (genes Denisovanos) além dos caracteres morfológicos (aliás, estes também podem ter carácter adaptativo...). 
Sabemos que a espécie humana de hoje, não resulta dum «apuramento da raça», produzindo humanos «superiores» às restantes espécies, com as quais competiu:  Este era o estereótipo do século XIX e muito do séc. XX. 
As provas físicas mostram que a espécie humana «moderna» foi sendo construída com participação doutras espécies, com as quais havia certo grau de compatibilidade genética. Processo que também ocorreu em cruzamentos com algumas espécies africanas e de que só temos conhecimento através de sequências de ADN presentes no genoma de africanos contemporâneos. 
Em definitivo, houve várias «saídas de África» e parece-me muito arriscado presumir que os humanos, Homo sapiens, encontrados em certos pontos da Europa, com mais de 210 mil anos, possam representar necessariamente «uma tentativa falhada». Esta interpretação parece-me tanto mais surpreendente que não se pode ignorar o facto de ADN de Neandertais ser portador de sequência de Homo sapiens «moderno». Estes Neandertais antecedem de centenas de milhares de anos os H. sapiens, na ocupação da Eurásia. Tendo havido cruzamento e fixação de genes, num período indeterminado, mas provavelmente anterior a 210 mil anos, podemos dizer que os primeiros colonizadores humanos «modernos» participaram no conjunto genético dos Neandertais. Não se pode dizer que a colonização falhou, pois deixaram uma marca genética, além dos fósseis de ossos e os artefactos. 
Creio que a ideia de que a África paleolítica era semelhante do ponto de vista climático com a de hoje, é insustentável. No deserto do Sahara tem-se encontrado restos fósseis de fauna e flora, cuja presença denota, em certos estratos, um clima muito mais húmido, mais diversificado, com rios, lagos, etc. Neste espaço imenso, os homens «modernos», desenvolveram culturas e atravessaram o Mediterrâneo, em sítios que estavam a seco devido a um nível dos mares muito mais baixo, devido a acumulação de água em glaciares, em consequência do arrefecimento cíclico do planeta (eras glaciares). 
Só uma integração de várias disciplinas, pode fornecer uma narração credível das várias migrações da espécie humana e das suas antecessoras.

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

JÚLIA MENDEL - ENTREVISTA-BOMBA [Censurada no Parlamento Europeu]


 Júlia Mendel foi secretária de Zelensky durante vários anos. Decepcionada profundamente pelo desempenho de Zelensky enquanto presidente, consciente de que a salvação da Ucrânia e dos ucranianos passa por trazer a paz, diz tudo o que sabe e tem sido escondido pela media do Ocidente. Entrevista conduzida pelo grande jornalista Patrick Baab, trata-se de um importante documento, duma entrevista memorável. 
O seu conteúdo está relacionado com a sobrevivência deste povo; é isto que está em jogo.

[Júlia Mendel iria falar no Parlamento Europeu, a convite dum grupo parlamentar, como é costume; mas a maioria, ou o secretariado do PE, terá recusado ouvi-la. Isto ilustra bem o fechamento sectário e insegurança de certos deputados do Parlamento Europeu. Quem está tranquilo em relação às suas posições, não vai interditar que uma pessoa como ela fale!]

Dmitri Orlov: AUTÓPSIA do Estado Profundo


 O  intelectual herege - em relação a todas as igrejas e ideologias - faz a sua original análise  do que é  e de como funciona o chamado "Estado Profundo". A sua análise assenta sobre observações colhidas tanto na ex-URSS  como nos EUA e aplicável em  muitos outros países,  pois praticamente se encontra em todo o lado tal conglomerado de burocracia e de poder exercido desde os bastidores.

A NÃO PERDER!

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Consultar episódios anteriores em:

https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2026/09/questoes-sem-resposta-dmitri-orlov.html

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

ANTÓNIO GUTERRES DIRIGE DISCURSO À ASSEMBLEIA GERAL DAS NAÇÕES UNIDAS

 



Um discurso bem construído, com conteúdo significativo. Porém, dá para pensar por que motivo a capacidade de intervenção da ONU nos conflitos se tem mantido muito abaixo das necessidades? Não culpo o atual secretário-geral, nem seus antecessores, mas gostava de ler uma análise aprofundada sobre as raízes desta paralisia.

terça-feira, 22 de setembro de 2026

DESASTRES NATURAIS [OPUS, VOL. IV; MANUEL BANET]



Por aqui passou como vento primaveril num céu  outonal e senti estremecer até  às raízes das árvores.  

Mas, tais coisas não  são notícia e deixam incrédulos os meus cidadãos.

 Então, dialoguei longamente com meus confidentes, os cães e gatos da vizinhança. 

Eles confirmaram  e forneceram detalhes sobre tal fenómeno.

Vislumbrei que este sopro fora de estação era um aviso da Deusa-Natureza.

Aos homens que procuram a guerra, tresloucados pelo desejo de poder, a Natureza Divina responderá: 

Fará ruir os seus planos assassinos, criará o caos com tempestades  magnéticas, porá em debandada  poderosas armadas e nuvens de aves irão levantar voo sincronizadas, escurecendo o céu. 

 Os humanos começarão a  desobedecer aos chefes políticos e militares que insistirem em ações  bélicas, contra todo o bom-senso. 

Porém, alguns fanáticos estarão ainda mais determinados. Mãe Natureza enviará contra eles  estirpes de bactérias e vírus infetando os humanos recalcitrantes.

 Talvez a loucura criminosa seja aplacada, talvez não.  Neste caso, serão necessárias medidas infelizmente mais destrutivas e menos selectivas.

 A fusão das calotas glaciares e a inundação das costas onde estão muitos dos orgulhosos conjuntos urbanos, contendo riquezas e vastos arsenais,  vai obrigar a uma paragem da guerra.

Os humanos, hipnotizados,  não conseguem ver o que se passa. 

Encontram sempre motivos exteriores à sua própria imbecilidade para as catástrofes que se vão sucedendo. 

Não se sabe quem são os mais estúpidos, se os que decretam as guerras,  se os que correm a faze-las como se cumprissem um dever!

As criaturas que nós chamamos "irracionais," afinal são animais que obedecem à lei da Natureza, Toda- Poderosa. 

Os humanos, querendo colocar-se à parte, são eles os irracionais, incapazes de fazer uso do seu juízo,  causando guerras, fomes, epidemias e a destruição dos ecossistemas. 

Por isso, se desaparecesse a espécie  humana,  a restante vida do planeta seria favorecida!


Lisboa, 22 de setembro 2026


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NB: Este belíssimo documentário sobre a fauna de Chernobyl após o acidente da central nuclear é uma prova do que afirmo no texto. Há muitas outras...



segunda-feira, 21 de setembro de 2026

«O MAIS PERIGOSO MOMENTO DESDE A 2ª GUERRA MUNDIAL» por GEORGE GALLOWAY


 

PS: Acrescento que o risco de confrontação bélica com a Rússia cresce do lado da União Europeia e pela mão de Merz, cujo resultado nas últimas eleições estaduais no Norte foram desastrosas (jamais visto desde a fundação do Estado Federal Alemão) face à subida da AFD, que ele classifica erroneamente de «nazi». Políticos como Merz e como Von der Leyen são o tipo de pessoas para precipitar um país (ou um conjunto deles) na guerra, visto que só assim têm possibilidade de se manter no poder. 
Caso não haja uma guerra, para «justificar» a suspensão do processo eleitoral, eles estarão fatalmente arredados do poder, pelo voto dos alemães.

2 ELEGIAS / 2 COMPOSITORES: FAURÉ E RACHMANINOV [Segundas-f. musiciais, nº76]

                                       

[Este apontamento serve como homenagem a Jacqueline du Pré e Seku Kanneh-Mason. A primeira, já desaparecida, padeceu durante muito tempo de doença incapacitante, com a qual a excelente violoncelista teve de lutar durante vários anos. Seku Kanneh, é um fenómeno de maturidade precoce na arte de interpretar o reportório mais exigente do violoncelo. O seu sucesso estrondoso é bem merecido.]      



  Élégie de Gabriel Fauré; piano et violoncelle

                                Violoncelle: Jacqueline Du Pré et  piano: Gerald Moore


https://www.youtube.com/watch?v=UJFI6vQVwQQ



                                           Élégie de Sergei Rachmaninov; piano et violoncelle

                                           Violoncelle:    Sheku Kanneh-Mason

https://www.youtube.com/watch?v=yJZsfIxUGFg

Estas duas peças, Elegie de Fauré e Elegie de Rachmaninov (esta, inicialmente escrita para piano solo), são muito conhecidas e frequentemente gravadas, ou executadas em recitais.
Elas nos transportam para um universo de sofrimento espiritual, como quando se perde alguém querido. Não são peças para se ouvir distraidamente: Precisamos de nos concentrar na música porque cada nota, cada vibração, cada silêncio, se destinam a fazer-nos penetrar na essência vital das coisas.
Porém, ambas as Elegias apresentam uma saída à depressão, ambas possuem abertura para o céu azul.  De facto, são catárses, libertam-nos das obsessões da morte, da tragédia. Elas permitem-nos a reconstrução interior da mente e do afeto, após o luto.
É assim que eu as vejo e que as sinto. Embora sejam bem distintas no estilo e nos processos empregues, há porém um estranho parentesco entre elas. É que ambas se dirigem ao mesmo: À superação do sofrimento resultante da perda de um ente querido.


[Conheça outra Elegia de grande qualidade para violoncelo com orquestra, de Offenbach, «Les larmes de Jacqueline»; aqui interpretada por  Gürzenich Kammerorchester Köln]