sábado, 11 de julho de 2026

Sobriedade [Obras de Manuel Banet]









Tudo aquilo que é dado ser a um homem

Seu saber, sua estrela, seu caminho

De muito pouco lhe vale, se não frutifica

Se não semeia ao vento a canção da vida




Poeta sejas como te der mais na gana

Em palavras, gestos, imagens, tu sabes

Nada se perde, tudo se transforma, dizem

Sejam teus suspiros por alma ou pão




Quem diz que a arte é vã, nada cria

Pois criar é arrancar do nada um ser

É uma melodia, uma ideia que brotam

À superfície da mente, à luz do dia




Não pretendo dar lições a ninguém

Mas dois conselhos dou a quem me lê

Faz o que deves, mas por convicção

Sê impiedoso crítico de ti próprio

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GOBEKLI TEPE e Anatólia nas origens da revolução agrária

 




A descoberta e as escavações em curso há cerca de 30 anos e longe de terminadas, de Gobekli Tepe - datado de cerca de 13 mil anos - são uma subversão completa da ideia que se tinha desse período.
Com efeito, pensava-se que as comunidades neolíticas começaram por desenvolver a agricultura, o que - por sua vez - permitiu a existência de um excedente, ou seja, havia possibilidade de certo número de pessoas se dedicar a outra coisa, diferente da produção alimentar. Então, segundo o pensamento arqueológico convencional, ergueram-se as primeiras cidades, os primeiros Estados e civilizações, com suas castas guerreiras, sacerdotais, com os camponeses, artesãos, e os primeiros templos... Tudo isto está posto em causa pois, na época em que foi construída Gobekli Tepe, no «crescente fértil», não existia ainda uma sociedade baseada na agricultura.
As gramíneas selvagens eram colhidas e transformadas, mas não existia o semear e recolher sistematicamente, destas espécies. As escavações em Gobekli Tepe revelaram, em relação aos construtores deste vasto e sofisticado conjunto cultual, que eles ainda viviam da caça/coleta. Assim, temos uma civilização baseada na caça e colecta, mas com avançadas técnicas de construção e representações animais sofisticadas, que correspondiam a uma simbólica complexa, relacionada com a astronomia.
Mas, antes da sua descoberta, a comunidade científica não considerava que tal coisa fosse possível, em povos destituídos de agricultura.


A lição que podemos tirar, é que os humanos têm sido capazes de proezas técnicas, artísticas e espirituais em variadíssimas circunstâncias. Em especial, quando existe abundância de recursos, como foi o caso no planalto da Anatólia, há 13000 anos, na civilização que construiu Gobekli Tepe.

EM COMPLEMENTO, KARAHAN TEPE:





quinta-feira, 9 de julho de 2026

Documentário: OS NEANDERTAIS, NOSSOS PRIMOS

 


https://www.youtube.com/watch?v=Wq6CA6Q3Vyg

A imagem de neandertais com aspecto de brutos que realmente prevaleceu, não apenas na «ciência popular» mas mesmo na paleoantropologia dos séculos XIX e XX, tem sido finalmente posta em causa por avaliações das suas capacidades físicas e mentais, assim como por subsistirem durante longos períodos de clima glaciar na Eurásia. Também se verifica que os Denisovanos e os Neandertais tiveram uma larga interação, houve formação de híbridos antes de terem tido oportunidade de se cruzarem com os - nessa época - emigrantes mais recentes, vindos deÁfrica, os Homo sapiens. 
A interação de populações destas três sub-espécies - Neandertais, Denisovanos, Homo sapiens - formou o tronco comum que deu origem ao que é  a espécie humana única de hoje. 
Esta unicidade tem base objectiva, pois a interfecundidade entre todas as etnias (chamadas incorretamente «raças»), produz híbridos plenamente funcionais e férteis. 
Nas várias centenas de milhares de anos, assiste-se a um processo de especiação por introgressão. Isto significa que os traços favoráveis ou adaptativos, nestas espécies, foram conservados na sua descendência híbrida, sendo incorporados os genes e regulações dos mesmos, de acordo com os desafios que a humanidade teve de enfrentar. 
A propósito disso, verifica-se uma anómala homogeneidade dos genomas na espécie Humana, se comparada com os outros animais, em especial com os símios. Com efeito, por exemplo, os naturais da Papuásia-Nova Guiné - que não tiveram nenhuma hibridação com outro grupo - estão muito mais próximos, em termos genéticos, das  populações doutros continentes, do que seria de esperar. As diferenças genéticas existem, mas são fracas quando comparadas às que existem entre populações da mesma espécie, nos símios antropóides atuais. 
Várias populações de chimpanzés das florestas tropicais/equatoriais de África, foram  testadas para o seu ADN: A diversidade genética intra-específica, entre grupos distintos, é maior que a diversidade genética entre os grupos mais afastados nos humanos.
Esta anomalia da fraca diversidade genética dos grupos humanos etnica e geograficamente separados, levou a postular-se ter havido uma quase extinção global da humanidade. Nessa altura, os indivíduos que contribuíram para a perpetuação da espécie, seriam da ordem de poucos milhares. Por outras palavras, deu-se um estreitamento brusco da população reprodutora total. É difícil de provar exatamente quais os factos que estiveram na origem de tal perda da diversidade genética dos humanos. Sabemos que existiram cataclísmos suficientes e de extensão vasta, durante o intervalo de tempo considerado, que poderiam ser a causa dessa quase extinção. 
Entretanto, ainda há muito por descobrir, quanto aos antecedentes imediatos que deram origem à espécie humana dita «moderna», há cerca de 300 mil anos, provavelmente em África. 
De qualquer maneira, está fora de dúvida que nós, humanos modernos, somos primos dos neandertais e dos denisovanos. Não restam dúvidas de que estes três grupos da humanidade interagiram, trocando genes e tecnologias. 
Esta visão, muito diferente da teoria anterior, de que a nossa espécie foi causadora da extinção dos neandertais, obriga a considerar um novo modelo de evolução e de especiação para a humanidade. 
Neste modelo, desempenham largo papel as introgressões (hibridações entre espécies próximas, mas diferentes) e a selecção subsequente dos genes importados de outras espécies. Caso tais genes conferissem um coeficiente de selecção positivo, perante os desafios ambientais, eles eram conservados. Existem genes de origem neandertal nos euroasiáticos contemporâneos e não são «relíquias» do passado; funcionam normalmente e conferem características fenotípicas próprias. Eles foram perpetuados ao longo de inúmeras gerações. Pelo contrário, outros genes oriundos dos neandertais foram excluídos, embora estivessem presentes nas populações híbridas iniciais. Neste último caso, jogaram incompatibilidades intra-genómicas,  entre genes ou conjuntos de genes, provenientes de Homo sapiens e de Neandertais.   


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PS: Temos acompanhado as descobertas em paleoantropologia, em relação aos neandertais, especialmente. Consulte o artigo seguinte: