quarta-feira, 8 de maio de 2019

ISRAEL CONTINUA A REPRESENTAR O PAPEL DE VÍTIMA …e a media ocidental reforça!

A recente escalada entre as forças armadas de Israel e as forças do Hamas e da Jihad Islâmica são mais um episódio da longa tragédia que assola a região.
Porém, as forças israelitas são sempre apresentadas como sendo as vítimas, como sendo sempre «obrigadas» a actuar em resposta a um ataque de fanáticos palestinianos, enviando mísseis artesanais.
Nada mais falso. Os ataques com mísseis dos militantes cercados, encurralados em Gaza, são antes uma RESPOSTA aos actos concretos dos militares israelitas alvejando civis, causando mortes e feridos, na ocasião de manifestações junto da fronteira de Gaza.
Porém, a media e os comentaristas em geral, estão sempre a omitir o facto fundamental de Gaza ser – por vontade israelita – um enorme gueto, o maior gueto que jamais existiu em toda a história do médio oriente, apenas comparável com o gueto de Varsóvia, povoado por judeus encurralados pelos nazis que ocupavam a Polónia. Tanto na dimensão, como nos sofrimentos causados, a comparação é adequada pois o longo martírio/genocídio da população de Gaza e dos territórios da Cisjordânia, é deveras chocante.
A política de apartheid contra a população palestiniana, perseguida pelo Estado de Israel, sempre acenando com a memória do Holocausto, tão facilmente aceite pelos outros Estados, é totalmente ocultada aos olhos do público ocidental.
Porém, até mesmo em Israel, erguem-se vozes, como a de Gideon Levy, que escreve no bem conhecido quotidiano Haaretz, um artigo intitulado «A Insurreição do Gueto de Gaza». Aquilo que ele escreve, poucos fora de Israel vão considerar, mas é isso que mais assusta. Este autor não pode ser proclamado «anti-semita», sendo ele um professor israelita e judeu.
« Uma sociedade que se toma a si própria como exemplar, que se construiu sobre a indiferença do mundo ao seu sofrimento, mostra uma monstruosa falta de compaixão pelo sofrimento que está causando»
Eu não nego que os palestinianos possam cometer ou ter cometido actos terroristas ou que as suas reivindicações básicas, inteiramente justas, não possam sofrer por atitudes desesperadas. Mas a vítima é claramente o povo palestiniano, o qual deveria contar com a solidariedade activa e sincera de todos os que defendem a liberdade, a autodeterminação e igualdade entre os povos. Antes, quis ilustrar aqui um dos muitos casos em que Israel é sistematicamente apresentado como «vítima de agressão», sendo tais «agressões» – afinal – respostas às actuações criminosas, como o alvejar de civis, manifestando-se pacificamente, com snipers do exército, usando munições letais.
Nesta luta desigual, a media do ocidente dá constante cobertura e «absolve» automaticamente os crimes de Golias, que é o Estado de Israel e, sistematicamente, atira lama e propaganda negativa para o lado do «David palestiniano»!

segunda-feira, 6 de maio de 2019

A CHARADA DA «REPOSIÇÃO» DO TEMPO DE SERVIÇO DOS PROFESSORES

A maior parte das pessoas não compreende até que ponto todo este processo está ferido de profunda ilegalidade, que - neste caso concreto - é absoluto sinónimo de injustiça.
Os professores tinham uma carreira, em que podiam progredir de «escalão», mediante a frequência de acções de formação e dos anos de serviço. O processo era mais exigente do que o da generalidade das carreiras da função pública, onde as «diuturnidades», ou seja, os anos de serviço, eram o único critério para se mudar de escalão remuneratório. 
A carreira docente começou a ser atacada com as «reformas» (contra-reformas) de Lurdes Rodrigues, a ministra da educação do governo PS de José Sócrates, detestada pela generalidade dos docentes e por uma grande fatia da população. Neste governo Sócrates, foi feita uma autoritária reforma, que tinha o objectivo claro de dificultar o acesso dos docentes aos escalões superiores da carreira, limitando artificialmente o número de vagas e sujeitando-as a «provas» ou «concursos» que, na verdade, eram ilegais e inconstitucionais no seu desenho. 
Mas, nessa época, havia uma «maioria» circunstancial de apoio ao governo PS, por parte da direita (PSD+CDS), para comprimir o «bolo» salarial nos docentes. 
Com a entrada de Passos Coelho e da «troica», foram congeladas as progressões, mesmo as que já tinham sofrido forte restrição de progressão, sob o ministério anterior de Sócrates/Maria de Lurdes Rodrigues.
O tempo de serviço tem de ser contabilizado na progressão de carreira, não pode ser «congelado» para este fim e manter-se como tempo de serviço, para se atingir a idade da reforma. A manutenção desta situação é absurda e ilegal. 
A brutalidade e ilegalidade flagrante deste processo foi razão importante para rejeição - quase unânime - do governo da «Troica», mesmo pelas pessoas ideologicamente situadas à direita.  
Os socialistas obtiveram um bom score eleitoral, em parte, porque as pessoas tinham a ilusão de que eles iriam repor a legalidade. Mas, na verdade, eles estavam ao serviço da recuperação 100% capitalista da economia, ou seja, de uma continuação da austeridade para os trabalhadores, até perder de vista, e duma abertura ainda maior para os negócios, para a especulação, para os capitalistas usarem mão-de-obra barata, que lhes é oferecida pelo governo.
Não se pense que as pessoas da função pública são uns «mandriões privilegiados», como a descreve insultuosamente a media ao serviço da classe capitalista (esta sim, parasitária, na sua imensa maioria, neste país...). Pense-se antes que são trabalhadores obrigados a «comer o pão que o diabo amassou», como os outros. Acontece que, devido à importância numérica relativa dos empregos na função pública, a melhoria dos salários desta, obriga - a breve trecho - rever as tabelas salariais nos sectores privados.
Os trabalhadores das carreiras técnicas  - em particular - podem assim receber um impulso salarial indirecto, devido à melhoria dos colegas de profissão no sector público. 
Porém, os que querem manter uma estrutura capitalista atrasada - baseada em baixos salários - precisam que o Governo lhes garanta que os trabalhadores da função pública não têm qualquer «privilégio» (como eles dizem!), ou seja, que venham a usufruir de nível salarial semelhante aos seus colegas doutros países europeus.

A presente crise resulta da involução do PS, de um partido dito de «charneira», pelo menos ao nível sociológico, para um partido totalmente refém dos sectores mais atrasados do capitalismo nacional: os que apostam nos salários de miséria, quando são empresários ou apenas parasitas e especuladores dedicados a sacar lucros no curto prazo, com a bolha imobiliária nas grandes cidades, etc...
As estruturas produtivas deste país continuam reféns deste domínio duma classe capitalista, parasitária do Estado, que está no entanto sempre a clamar contra o mesmo... uma «rábula» que já não convence ninguém!
- Mas, isto é possível, porque a classe política maioritária deixou-se capturar completamente pelos seus interesses, ou é composta ela própria por aquele sector da classe capitalista. Ela está, de facto, ao serviço directo deles, como dos grandes monopólios internacionais e da banca e sector financeiro (muito largamente, dominados por capital estrangeiro, de várias proveniências).

Seria interessante fazer-se um estudo aprofundado sobre os últimos decénios do que eu designei como o «complexo neo-colonial português»: como se passou dos governos Sócrates, com um certo patamar no desmembramento do tecido produtivo e da capacidade de desenvolvimento do país, à imposição de políticas de austeridade da troica no governo Passos Coelho, para se chegar, por fim, a uma falsa «redenção» através da famosa «saída da crise». Esta saída deveu-se ao crescimento do turismo, grandemente favorecido (sobretudo a partir de 2011) pela instabilidade e guerra em quase todos os países mediterrâneos, destinos com os quais Portugal competia pelo turismo, em tempos normais. 

O que é facto, é que a reposição das condições de carreira dos docentes são apenas um mínimo, não são privilégio, nem são uma excepção. 
Aquilo que mais enoja é ver os lacaios disseminados por uma série de órgãos de comunicação social, que vão colocando sectores do povo uns contra os outros. Eles, realmente, estão ao serviço da parasitagem, que beneficia das condições de super-exploração. 
Mas, enquanto as coisas forem assim, haverá cada vez menos profissionais de qualidade em Portugal, não apenas na docência, como em todas as outras profissões com formações de longa duração. 
É que os jovens, compreensivelmente, preferem ir para outras paragens, onde as suas capacidades e entusiasmo são melhor remunerados. 
A «drenagem dos cérebros», causa um empobrecimento geral, sorrateiro, silencioso, mas  irreversível e brutal ... 
As instituições, públicas ou privadas, ficam privadas dos melhores deste país. A mediocridade perpetua-se; com ela, o atraso estrutural do país. 

domingo, 5 de maio de 2019

SYMPHONIE FANTASTIQUE - HECTOR BERLIOZ




  1. Rêveries – Passions (Reveries – Passions) – C minor/C major
  2. Un bal (A Ball) – A major
  3. Scène aux champs (Scene in the Fields) – F major
  4. Marche au supplice (March to the Scaffold) – G minor
  5. Songe d'une nuit du sabbat (Dream of a Night of the Sabbath) – C major


Escrita em 1830, mostra a enorme distância estética percorrida nos primeiros decénios do século 19, desde o classicismo - que ainda triunfava nas últimas sinfonias de Haydn - até à libertação dos moldes clássicos, que representam tanto as sinfonias de Beethoven, como esta, de Berlioz.
Berlioz era realmente o que nós figuramos hoje em dia como o «romântico típico», apaixonado, excessivo, idealista, sensível. Mas, afinal de contas, o que mais surpreende é a imensa popularidade que esta obra teve ao longo dos séculos, mostrando que a música figurativa  ou programática consegue chegar muito mais facilmente às profundezas emotivas, subjectivas, dos indivíduos. Excertos desta sinfonia têm sido usados inúmeras vezes, para os mais diversos fins... desde o cinema até à publicidade.
Pessoalmente, tenho uma relação muito subjectiva com esta peça, que ouvi sempre com imenso prazer. Consigo descolar do aspecto descritivo, com tanto maior facilidade, quanto a primeira vez que a ouvi, era uma criança e não tinha a mínima ideia de que esta sinfonia «contava uma história». Apenas achava que era «fantástica», porque, de facto, as ondas sonoras imensamente variadas suscitavam, na minha imaginação, imensas sensações associadas, mantendo sempre a minha tenra alma desperta pela sucessão de temas, cada qual mais empolgante que o outro. Na sua sucessão de movimentos - cada qual entrelaçando variados temas, revestidos de timbres contrastados da orquestra - esta peça musical, na sua procura permanente de surpresa e de «pathos», é ainda hoje, para mim, um verdadeiro «banquete sonoro». 
É interessante conhecer a génese da obra e dos factos na vida passional do compositor, intrinsecamente ligados à Symphonie fantastique. Embora esteja convencido que isto não acrescenta nada à fruição da obra, em si mesma, este saber revela a componente humana do compositor. 

quarta-feira, 1 de maio de 2019

ESPECIAL VENEZUELA



O golpe militar tentado pelos EUA, nos dias 29-30 de Abril do corrente ano foi derrotado. As forças militares venezuelanas continuaram fiéis ao presidente Maduro. Porém, este episódio mostra como as forças pilotadas à distância pelo Departamento de Estado, pela CIA e por outras agências dos EUA, no terreno, estão posicionadas para desencadear a guerra civil, neste país tão rico e tão sacrificado. Sem dúvida, que este processo é criminoso e a sua condução mostra até que ponto os defensores de Guaidó e outros fantoches dos americanos desprezam o próprio povo que dizem representar. Com efeito, a maioria do povo apoia consistentemente o governo Maduro e demonstrou esse apoio, agora mesmo, juntando-se muitos milhares, em torno do palácio presidencial. Lembremos que foi o povo que derrotou o golpe de 2002 contra Chavez. O então Chefe de Estado teve de ser solto, depois de ter sido preso pelos golpistas, devido ao facto da pressão popular ser demasiado forte. 
Aos inimigos da Venezuela e do seu povo, só restam a continuação do cerco económico, a constante propaganda com que inundam os media controlados por eles, a fabricação de uma oposição golpista. Pois eles sabem que a utilização directa da força militar dos EUA, mesmo que esteja maquilhada em operação para «restaurar a democracia na Venezuela», iria custar demasiado caro em homens e colocaria uma espécie de vulcão junto da «sua porta das traseiras». 
A guerra dos EUA na Venezuela é um exemplo de guerra híbrida e assimétrica, assistindo-se, ao longo de duas décadas, a uma escalada dos meios e da violência, tal como tem sido planeada pelos estrategas do Pentágono, da CIA e do Departamento de Estado. 
Nesta fase do processo, já se podem traçar duas conclusões, cujo significado ultrapassa o aspecto regional: 
- Primeiro, os EUA estão, de facto, a enterrar todo o edifício da legalidade internacional, penosamente erguido pelos diversos países dos dois lados da Guerra Fria Nº1. Esta deriva é longa, pois já ocorre desde a transformação da NATO num instrumento de agressão, em 1999 na ex-Jugoslávia. Não é fruto da política de Trump, especificamente. Embora Trump, acossado pelas facções contrárias internas que o acusam de ser um «peão» dos russos, tenha usado a política internacional como trunfo para se manter internamente fora do alcance dos seus opositores, que queriam a sua destituição. Ele, para evitar isso e para ter as mãos livres noutros aspectos da sua política, fez um «deal»: dava uma fatia substancial do poder no plano internacional aos neocons e ao aparelho do partido democrata, para - em troca - ter oportunidade de avançar com a reestruturação da economia americana.  
- Segundo, os aliados europeus dos EUA mantêm-se obedientes, em relação aos assuntos da América Latina. Efectivamente, seguem uma política externa do tipo «Monroe»: os assuntos do Continente Americano são essencialmente deixados à discrição do «Tio Sam». Aquilo que têm feito em relação à Venezuela, mais não é do que uma negação grosseira dos princípios elementares das relações de Estado a Estado, uma violação das normas internacionais da diplomacia, com o reconhecimento de Guaidó como o presidente legítimo, quando nem sequer foi candidato ao cargo, assim como um atentado às regras dos negócios internacionais quando retêm ou capturam a propriedade do Estado venezuelano, quer sob forma de ouro retido no Banco de Inglaterra, quer sob forma das contas bancárias com os pagamentos do petróleo venezuelano. Para eles, isso não lhe importa muito, pois os seus princípios são ajustáveis às conveniências: na medida em que se mostrem vassalos obedientes dos EUA, talvez beneficiem de um comportamento benevolente do hiper-império... 

Assim, como corolário destes dois aspectos acima,  o golpe em marcha na Venezuela não poderá ter um desenlace pacífico, que se traduziria pela negociação entre as diversas oposições e o regime, a não ser que houvesse uma mudança substancial no panorama internacional. Esta mudança teria de implicar um acordo entre EUA, Rússia e China, de partilha de esferas de influência (uma espécie de Ialta nº2), mas isto não está no horizonte. 
Veremos, mas parece-me que a evolução dos acontecimentos coloca como mais provável um cenário de guerra civil, o que seria péssimo para o povo venezuelano.

terça-feira, 30 de abril de 2019

A OPORTUNIDADE ESCONDIDA NO RESTAURO DE NORTE-DAME




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- E se o incêndio de Notre-Dame de Paris não tivesse sido acidental? 

- E se esta catástrofe abrisse a oportunidade do negócio de renovação de toda a zona, com vista aos Jogos Olímpicos de 2014? 


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                           Projecto de transformação da «Île de la Cité» (*)

Thierry Meyssan, em «L’enjeu caché de la restauration de Notre-Dame» (*) aponta alguns factos e coloca questões, que deveriam justificar a abertura de um inquérito criminal

Duvido muito que tal ocorra, pois isso implicaria uma verdadeira independência do poder judiciário em relação ao poder político, hoje, em França.


[ver aqui o projecto de lei apresentado às câmaras dos deputados e senadores pelo presidente da república:]




segunda-feira, 29 de abril de 2019

ESTADOS UNIDOS AMEAÇAM A PAZ MUNDIAL

Com a retoma das sanções em relação aos países que comerciassem com o Irão, entre os quais se contam a China, o Japão, a Coreia e países europeus, os EUA confirmam que querem - daqui por diante - comportar-se como «os senhores feudais globais», ditando que países podem comerciar com quem, e o quê. 

                                Washington is effectively telling Beijing to first ask for permission on which countries it and its companies can do business with. Photo: Reuters

Há alguns países que irão adoptar a postura da China, que tem uma percentagem elevada do seu abastecimento em petróleo assegurada por Teerão mas, outros, não têm os mesmos meios para se opor às imposições americanas, brutais e totalmente ilegais, face à Lei Internacional. 

Fica cada vez mais claro qual o plano subjacente dos EUA, ao terem saído do acordo multilateral (que incluía a Rússia, a China, países da UE, além dos EUA e do Irão), negociado pela administração Obama, um dos poucos sucessos diplomáticos destes últimos anos, dos EUA. 

A escalada decretada pela administração Trump está a  verificar-se no plano económico, apertando o cerco, causando dano à população iraniana, com o fim de isolar o governo do seu povo. Esta táctica, além de imoral, não resulta: vejam-se os embargos contra Cuba e Coreia do Norte, só têm permitido a consolidação destes regimes.

Mas, a referida escalada também se está a verificar no plano institucional e diplomático, com apoio incondicional a Israel, inclusive em violação de resoluções da ONU .
Por fim, está a desenvolver-se também no plano militar,  na Síria, ao incluírem as tropas de elite iranianas, os Guardas da Revolução, na categoria de «terroristas», pela administração Trump. 

No território sírio, onde permanecem bases americanas (ilegais), agora já sem o pretexto da luta contra o ISIS, tudo é feito para manter acesos os confrontos étnicos, apoiando determinadas facções contra outras. 
Israel tem efectuado ataques aéreos contra o território sírio, a pretexto de combater o Hezbollah, ou os iranianos. Estes crimes de guerra não têm a mínima legitimidade, nem são, sequer, uma resposta a qualquer movimentação agressiva daqueles contingentes, contra as posições israelitas.
Os israelitas colocam-se como agentes locais do imperialismo americano e, portanto, ameaçam e fazem sortidas destruidoras de vidas e de bens, com total impunidade. 
A ONU, relegada ao papel de fantoche, não reage, totalmente incapaz de tomar uma posição coerente, no seguimento de todos os atropelos à sua própria lei. 

Os Estados Unidos, além de serem culpados, neste século, de crimes hediondos contra a humanidade, contra populações indefesas (Afeganistão, Iraque, Líbia...), têm destruído sistematicamente todo o edifício dos acordos entre potências nucleares, laboriosamente estabelecido na época da URSS. 
Nas Nações Unidas, adoptam uma postura de cobertura permanente dos aliados, Israel e Arábia Saudita, em sistemático desrespeito pelos Direitos Humanos. 
No continente Americano têm promovido o golpe de Estado contra o governo e o povo da Venezuela, também usando a arma das sanções económicas, de maneira unilateral, 100% ilegal, face à lei internacional.

No conjunto, verifica-se que os EUA estão a preparar-se para a guerra contra aqueles que designa como seus inimigos (que são, também, inimigos de Israel): o Irão, seus aliados do Hezbollah e do governo da Síria. 

As violações sistemáticas do edifício da legalidade internacional (que os próprios EUA ajudaram a construir, no pós-IIª Guerra Mundial) são desenvolvimentos trágicos, não só pelos crimes associados a tais actos, como também pelos futuros desenvolvimentos, que prenunciam.

Com efeito, o projecto imperial e hegemónico dos EUA, sob o domínio do complexo militar-securitário-industrial, pode resumir-se à doutrina Brzezinski, o conselheiro e estratega ao serviço de várias administrações em Washington, falecido há poucos anos. 
Segundo Brzezinski, os EUA não deveriam permitir que qualquer outra potência atingisse um nível tal que pudesse tornar-se numa ameaça credível ao domínio hegemónico de Washington. Donde, segundo a sua doutrina, havia que conter sistematicamente essas nações (tratava-se da Rússia e da China, claro). 

No contexto actual, o mundo pode ser confrontado com uma guerra total. O seu desencadear poderia vir no seguimento de uma acção de desespero do Irão. Muito provavelmente, é isso que os EUA procuram. 
Por exemplo, os iranianos podem ser tentados a recorrer ao bloqueio do estreito de Ormuz, por onde passam muitos petroleiros em direcção a países asiáticos e europeus, importadores de petróleo das monarquias petrolíferas do Golfo. 
              
O agravamento do cerco e a tentativa de estrangulamento económico do Irão, significam que Washington está a provocar o adversário, para este cometer actos agressivos, em reacção a uma situação em que vê ameaçados os seus interesses vitais. Assim, os EUA e seus aliados da NATO e os Israelitas teriam um pretexto para desferir um golpe mortífero. 
Este país, com uma multi-milenar civilização, tem sido sistematicamente hostilizado, por não ser dócil em relação às multinacionais do petróleo e por não aceitar os EUA como suzerano mundial.

   

domingo, 28 de abril de 2019

CONTAMINAÇÃO RADIOACTIVA PERTO DE BASE AMERICANA (AÇORES)


Esta reportagem impressionante foi feita em Fevereiro de 2018. Poucos foram os portugueses que a viram.
Não há dúvida de que a base americana das Lages tem sido responsável por muitos problemas ambientais, nomeadamente ao literalmente deixar na natureza resíduos radioactivos.
O silêncio das autoridades sanitárias e outras deve tornar muito mais difícil atender e minorar ou reverter este grave problema de saúde pública.
As pessoas atingidas deveriam ser indemnizadas e os custos dos tratamentos deviam ficar a cargo do governo dos EUA, responsáveis pelo crime de contaminação.

Retirado de:


https://ogmfp.wordpress.com/2019/04/27/reportagem-sobre-contaminacao-radioactiva-na-proximidade-de-base-americana-nos-acores/