quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026
ANÁLISE DE CLASSE DO CAPITALISMO
quinta-feira, 16 de março de 2023
A SITUAÇÃO REAL DA BANCA
Todo o sistema está feito para favorecer a utilização do dinheiro dos depositantes, para os mais diversos fins, sem lhes pedir licença, nem lhes dar juros (ou quase nada) por isso.
Quando um banco empresta, a juros, cria instantaneamente (criação escriturária) o dinheiro em causa. Imagine as somas astronómicas criadas! O dinheiro-crédito é criado no momento em que é concedido o empréstimo! Os bancos são os principais criadores da massa monetária em circulação.
Mas, realmente, aquilo que as próprias leis e regulamentos permitem que as entidades bancárias façam, seria o suficiente para pôr na prisão o cidadão vulgar.
Se eu emprestar (a juros, ainda por cima) dinheiro que não existe, vou direitinho para a prisão. Mas isso é o vulgar da atividade de TODOS os bancos.
Os contratos de derivados são autênticas apostas, com a agravante de que estas apostas - no fundo - são possíveis porque tu e eu e quase nós todos, pomos nossos parcos tostões nas instituições «caritativas» chamadas «bancos» ou «instituições financeiras».
Mas, quando ficam «a descoberto», devido às suas tropelias e suas «apostas» arriscadas, não têm de repor as contas em ordem, com dinheiro deles. Não, porque o dinheiro privado dos administradores e gestores do banco não está nunca em causa.
Dá-se então o caso curioso, em especial tendo em conta que isso nunca acontece com inúmeras pequenas e médias empresas em apuros: É o Estado (isto é, nós os contribuintes!), que vai resgatar esses bancos, somos nós (pelos nossos impostos) que cobrimos as perdas dessa banca, porque senão levantava-se uma grande indignação popular, que poderia acabar em insurreição, em revolução.
O dinheiro também é fabricado a rodos (eletronicamente) nos bancos centrais, o que significa que se está a diluir o valor das somas que já estavam na posse dos cidadãos e das instituições. Note-se que este mecanismo é o principal causador da inflação, como tenho explicado.
No caso da falência dos três bancos de depósito nos EUA, o Estado através do seu presidente Biden garantiu que as pessoas irão recuperar o dinheiro dos seus depósitos. Mas como?
- Simples: o Estado, através do Tesouro, diz à FED (Reserva Federal) para imprimir mais uns biliões e lhos «emprestar». Depois, irá entregar aos depositantes dos bancos falidos as somas que eles possuíam nestas instituições.
Não admira que as despesas sociais encolham, assim como as pensões, os salários e o investimento em infraestruturas públicas.
Enfim, como dizia Henry Ford (fundador da marca «Ford» de automóveis), «ainda bem que nem um cidadão em mil, percebe como funciona o sistema financeiro, porque senão, haveria uma insurreição amanhã» !!
ATUALIZAÇÃO:
O CRÉDIT SUISSE PRECISA DE 54 BILIÕES PARA EVITAR O COLAPSO
«SAM ZELL: ISTO É A REPÚBLICA DE WEIMAR»
O CRÉDIT SUISSE É APENAS O PRIMEIRO, NO SISTEMA BANCÁRIO GLOBAL, A ENTRAR EM COLAPSO
PS 1: Ao contrário das ações nas bolsas mundiais, o ouro subiu para um novo patamar, desde dia 15 e tem-se mantido até hoje (17/03/2023) nas alturas.
PS 2: Os grandes bancos formam uma associação inédita, com grandes somas depositadas, para evitar o colapso do «First Republic Bank»
PS 3: A desregulação do setor bancário e financeiro em 1999 é responsável, em última análise, dos colapsos de 2008 e de 2023.
terça-feira, 25 de outubro de 2022
VALÉRIE BUGAULT: DO SISTEMA DE DOMINAÇÃO À MUDANÇA DE PARADIGMA
terça-feira, 16 de agosto de 2022
Valerie Bugault: «sistema político do parlamentarismo, fundado sobre a corrupção»
«Alvorada de uma crise económica e geopolítica mundial»
Valérie Bugault já tem sido referida aqui, neste blog. É uma voz fora do consenso fabricado. Brilhante, abarcando vários aspetos da política, economia, sistema jurídico, tem sempre reflexões interessantes, originais, que nos provocam a pensar!
Esta conversa é em francês, algumas pessoas terão dificuldade em segui-la. Podem ativar as legendagens automáticas (em francês), auxilia a compreensão do que é dito.
quarta-feira, 20 de julho de 2022
A MELHOR RESPOSTA NO LONGO PRAZO À VOLATILIDADE DOS MERCADOS
POR QUE RAZÃO OS ARAUTOS DO SISTEMA FAZEM TUDO PARA DESVIAR AS PESSOAS DA PROTEÇÃO MAIS ÓBVIA PERANTE A GRAVE CRISE ECONÓMICA
https://www.mining.com/web/hungary-triples-gold-reserves-as-central-banks-turn-buyers-again/
À medida que entramos mais profundamente numa zona de turbulência acrescida, na economia e finança mundiais, também as relações entre os ativos de diversa natureza estão a revelar-se mais instáveis. Os índices de volatilidade refletem as incertezas nos mercados e - embora no longo prazo - estes possam achar um novo equilíbrio, nas fases de transição, costuma haver substanciais ganhos e perdas. Como sabemos, nos mercados financeiros, as perdas de uns, são os ganhos de outros, e vice-versa. A minha previsão é que haverá um considerável número de pessoas que apostaram, ou irão apostar, na economia de casino, nos mercados bolsistas, e terão sua atenção desviada das matérias-primas, dos metais preciosos, em particular.
Ao longo dos anos, o ouro e a prata têm sofrido uma constante supressão (pelos bancos sistémicos, os bancos centrais e os governos ocidentais) destinada a desviar o grande público desses investimentos. É o que vou tentar explicar neste artigo.
O ouro e a prata têm os seus preços determinados em grande parte, não pelo mercado físico (ouro e prata físicos), mas pelo mercado de «futuros», de «papel». Neste, pode-se apostar num valor futuro de quilo ou onça de ouro ou outro metal precioso, sem que se tenha jamais de concretizar a transação, comprando ou vendendo o referido metal físico. Claro que este mecanismo permite que sejam transacionadas quantias enormes, mas que não têm correspondência física. Uma exceção a esta situação é a do mercado de matérias-primas (incluindo os metais preciosos) de Xangai, onde as quantias transacionadas são reais, não são meras «promessas» de compra e de venda porque todos os contratos-promessa têm de ter subjacente a respetiva quantidade de metal.
Na economia especulativa, financeirizada, o ouro é por vezes designado como valor refúgio, mas no sentido de se investir em ouro-papel, como alternativa a deter-se «dinheiro-cash». Nos mercados do Oriente, pelo contrário, o ouro e a prata nunca deixaram de ser dinheiro, ou seja, metais cuja posse equivale -essencialmente - a dinheiro. Para termos uma noção de como as divisas (que são chamadas impropriamente «dinheiro») se desvalorizam em relação ao ouro, basta referir que uma moeda de ouro, contendo uma onça troy de ouro puro, tinha o valor de vinte dólares US, em 1913. Nessa altura, com essa moeda, ou com uma nota de banco neste valor (20 dólares US), podia-se comprar um fato de qualidade e nos bons alfaiates, em Nova Iorque. Quem tenha essa moeda de uma onça de ouro, que agora ronda os 1800 USD, poderá comprar um bom fato, na mesma. Mas, não seria o caso de alguém que só tivesse guardado 20 USD em nota-bancária. A nota de 20 dólares daria para comprar, quanto muito, umas peúgas ! Claro que a relação é ligeiramente diferente para outros itens de consumo, ou para itens industriais mas, no global, estima-se que (em média) o «dinheiro-papel» perdeu desde 1913 97% do seu poder aquisitivo. O ouro conservou, em termos gerais, o seu poder aquisitivo.
Quando uma aposta em ouro-papel é perdida, ou seja, quando a aposta vai no sentido contrário do mercado, a pessoa que a fez perde uma percentagem do dinheiro investido, pois tem de vender ou comprar a um preço desfavorável... Muitas vezes, essas quantias são avultadas e os especuladores têm de obter dinheiro de outros investimentos, ou pedir empréstimo para cobrir a perda, com uma tal aposta «a descoberto». Se alguém fizer uma venda a descoberto e se houver um comprador, ela terá de comprar a quantia equivalente de ouro a outro agente, ou dar o dinheiro correspondente para indemnizar esse comprador. Nas bolsas de matérias-primas ocidentais, onde funcionam os mercados de futuros, como o COMEX (Chicago) ou LBMA (Londres), é vulgar, dum dia, transacionar-se em contratos de futuros o equivalente da produção anual mundial de ouro ou de prata. É evidente que, na realidade, aquilo que é transacionado são contratos-de-futuros, ouro-papel, ou prata-papel, que especificam quantas onças (500 ou 1000 onças, por exemplo) de metal estarão disponíveis para entrega, pelo valor de X dólares, num dado prazo (por exemplo, dentro de 2 meses). Nestas bolsas, só algumas entidades têm acesso ao ouro e prata físicos, um punhado de grandes bancos, que negoceiam com grandes clientes e armazenam esse ouro nos seus cofres. Quanto aos outros, terão de se contentar com dólares, no valor equivalente ao preço estipulado. Muitos não estão sequer interessados em tomar posse do metal físico, contentam-se em receber a diferença de preço, caso tenham acertado na aposta. As quantias transacionadas nestes mercados são centenas de vezes superiores aos metais preciosos efetivamente depositados nas mesmas bolsas. Compreende-se que, nestas circunstâncias, seja fácil para grandes bancos e fundos financeiros, fazerem operações de venda a descoberto (isto é, sem possuir o metal físico estipulado nos contratos), emitindo grande número de contratos. Com esse instrumento de manipulação e com a «miopia induzida» das entidades reguladoras desses mercados, é notório que só raramente são apanhados em fraude. Recentemente, empregados da J P Morgan e também o próprio banco, foram condenados por manipulações do mercado do ouro. Este e outros bancos, têm sido multados por manipulações do ouro e da prata. Os valores das coimas, que parecem somas enormes, são inócuas para eles: Em poucos dias, têm mais lucro do que o montante das multas. Ou seja, há um discreto incentivo para continuar a fazer fraude, tanto mais que um público não esclarecido pensa que só grandes capitalistas ficarão prejudicados com tais manipulações do preço do ouro.
Numa economia em que exista o padrão-ouro, os governos ou bancos centrais não poderão manipular a moeda, visto que a quantidade de ouro que possuem nos cofres dos bancos centrais respectivos não pode ser aumentada a seu bel-prazer. Então, todos os governos que sustentam a especulação desenfreada e os seus agentes corruptos, incluindo os académicos, vão dizer que o ouro é uma «relíquia do passado», que retira muita flexibilidade à gestão económica e financeira, etc. Enfim, é certo que os défices monstruosos, quer nos orçamentos de Estado, quer nas balanças comerciais, serão muito menos prováveis, com um padrão-ouro. Esta é uma das razões porque, entre a derrota de Napoleão em Waterloo e o início da Iª Guerra Mundial, houve 99 anos de desenvolvimento capitalista, com alguns solavancos, mas sem crises comparáveis às crises vividas ao longo dos séculos XX e XXI: 1929, 1971, 1987, 2000, 2008 ... ou 2022!
Pessoalmente, sou contrário a que uma moeda nacional sirva como «moeda de reserva mundial», porque o país detentor desse privilégio irá - com certeza - abusar dele ao fim de algum tempo, de uma ou doutra forma. Na era do 100% eletrónico, uma operação de câmbio duma para outra moeda é feita instantaneamente, não é complicado. Nem é mais complicado fazer o cálculo do câmbio duma quantia de Rupias para Euros (por exemplo), do que de Euros para Dólares US. Então, que interesse tem uma moeda de reserva? Para medir os preços e compará-los, temos a melhor «moeda de reserva» imaginável, que é o ouro! O ouro é um elemento químico; não é pertença de nenhum Estado (ao contrário de uma moeda). A sua falsificação é fácil de detectar. Podemos referir o preço de qualquer item em termos de ouro. Por exemplo, um objeto que custa 200 euros, traduz-se em 3.72 gr. de ouro puro (à cotação de hoje, 20/07/2022). A conversão de uma soma numa divisa, para gramas ou onças de ouro, é tão fácil como para outra divisa. O ouro é aceite em todas as economias, sendo transacionado com cotações diárias iguais ou muito próximas: Em Londres, Madrid, Moscovo, Xangai, Nova Iorque, Tóquio, ou em qualquer outra parte do mundo. Por isso, este padrão- ouro seria muito conveniente para o comércio internacional; permitiria que as mercadorias fossem avaliadas e transacionadas com preços mais justos. Ninguém poderá, a seu bel prazer, de repente, duplicar a extração, purificação e refinação do ouro: Isso envolveria muito trabalho, muita energia; por isso mesmo, o ouro é muito estável. Mas, com uns meros «clicks», os funcionários dos bancos centrais podem aumentar para o dobro (ou mais) a quantidade total em circulação duma divisa, como temos visto ultimamente.
Muitas pessoas dizem... «O ouro não serve para nada, é perfeitamente inútil, só dá despesa». Eu pregunto-lhes: «E o papel-moeda, serve para algo mais, além de troca e pagamento, algo mais que o ouro? O ouro tem algumas aplicações industriais e em joalharia; que eu saiba, o papel-moeda não tem.»
- «Mas o ouro consome energia e custos para o manter...». «Sim, é verdade, mas também os seguranças armados guardam cofres-fortes que contenham apenas notas em papel; estas também são transportadas em veículos blindados, etc.»
-«Mas não haveria bastante ouro para atender às necessidades da economia mundial». «O ouro é um metal-monetário; isso significa que o ser humano atribui um valor ARBITRÁRIO a determinada quantidade de metal (kg, onça, etc.). Se a onça de ouro, agora, equivale a 1800 dólares US, ela está muito desvalorizada, em relação à quantidade total de papel-moeda, devida à impressão eletrónica, nestes últimos tempos. A dívida mundial total atinge, segundo estimativas, mais de 300 triliões de dólares, soma difícil de imaginar, para quem não está habituado a lidar com números astronómicos!!!
Com certeza que o padrão-ouro não é a panaceia! Mas, curiosamente, há uma grande coincidência entre os mais acérrimos defensores do sistema, os ditos neoliberais e os inimigos de qualquer mudança para um padrão tangível (e o ouro será sempre o mais conveniente, por razões que não irei referir, aqui). Curiosamente, também, advogam uma moeda- padrão digital obrigatória, que irá submeter qualquer pessoa ao escrutínio dos bancos, bancos centrais e governos. Com as «moedas digitais» emitidas pelos bancos centrais, é o fim da privacidade, da autonomia e da liberdade : Alguém que seja punitivamente desligado do seu «porta-moedas digital», ficará num estado de morte económica. Muito dificilmente poderá subsistir. Este é o futuro que se reservam, a si próprios, os tais «liberais»: Eles terão o poder de decidir quem tem acesso, ou não, ao seu próprio porta-moedas digital. Por outras palavras; terão o poder de decidir sobre as nossas vidas! O 100% digital em mãos dos bancos centrais retira qualquer liberdade aos cidadãos. Afinal, estes tais «neoliberais», deveriam ser designados antes por «neototalitários», ou algo semelhante.
quinta-feira, 19 de maio de 2022
PERDIDO POR CEM, PERDIDO POR MIL...
Sobretudo quando se trata de dinheiros públicos, ou seja, aquele dinheiro que - cedo ou tarde - todos nós teremos de pagar, porque somos nós a fonte donde o Estado vai buscar o dinheiro.
Isto vem a propósito dos biliões que se vão enterrar (ou melhor, vão entrar... e sair) nesse poço sem fundo:
- Quando a guerra está perdida, quando os próprios ministros do governo Zelensky declaram que só com muitos biliões a podem aguentar porque o Estado ucraniano está falido. Vem, depressa, Úrsula ajudar!
A ajuda da União Europeia consistirá (para já) em 9 biliões frescos. Eles serão devorados até ao último cêntimo, num Estado falido. Estado esse que é o mais corrupto do mundo. O mais certo, é o dinheiro ir parar às contas do Kolomoisky e outros oligarcas e apoiantes do regime, além das contas off-shore do comediante Zelensky, feito presidente.
Porém, a palhaçada não acaba aqui, pois o congresso dos EUA já decidiu enviar 40 biliões, para «ajuda». Isto é o negócio do século, para muitos cleptocratas, e não apenas da Ucrânia, também dos próprios países «doadores». (Eu coloco «doadores» entre aspas, pois nós não fomos ouvidos nem chamados. )
Nós, «os servos», dum lado e doutro do Atlântico, apenas servimos para fornecer os tais biliões, com mais impostos, medidas de austeridade, etc. Não há distinções. Os chefes dizem que é preciso enviar tantos biliões para a Ucrânia; e que os súbditos não se atrevam a levantar a voz!
Isto faz-me lembrar um pouco de história recente de Portugal:
- Em tempos de crise profunda, Portugal tinha uma espécie de gestores, que se poderia caracterizar como «abutre dos negócios». Estes gestores, bem vestidos e engravatados, tomavam conta de empresas em falência. Mediante falsas garantias e esquemas de corrupção, conseguiam obter, junto de bancos, empréstimos para «salvar as empresas».
Estas, já estavam falidas, na prática, mas não tinha sido ainda decretada a sua falência. Porém, os trabalhadores não recebiam salário há meses e as mobílias, as matérias-primas, os equipamentos, eram secretamente vendidos ao desbarato.
Nem a empresa «a salvar», nem os trabalhadores, viam a cor do dinheiro de tais empréstimos. Os «gestores» tinham a arte de fazer desaparecer o dinheiro sem que se pudesse apontar o dedo, pois «eles tinham feito o seu melhor», para salvar a empresa.
Agora, a comédia macabra tem como cenário a Ucrânia. A sua população não terá outra escolha senão emigrar para terras dos seus «benfeitores», ou então, viver no «Zimbabwe europeu».
Não o merecem; são - para todos os efeitos - irmãos e irmãs de infortúnio. Nós devemos acolhê-los, mas - em simultâneo - devemos denunciar os abutres que se acoitam, a todos os níveis do poder e da casta política, nos países da NATO. Povoam ministérios, ONGs, administrações de empresas de toda a espécie, mas, em especial, as de «segurança» e de armamento. Para eles, isto é «uma party»!
O dinheiro vai desaparecer e ninguém se espantará que assim seja. O Estado, afinal, é como uma monstruosa empresa. E sabemos bem que o dinheiro despejado em empresas falidas, é dinheiro perdido. Isto aplica-se aos Estados, também! Embora, no caso dos Estados, esse dinheiro não esteja perdido para todos: Há sempre uns mais iguais que os outros. Há os que enchem os bolsos com uns milhões e vão gozá-los em estâncias de férias bem agradáveis. Quanto aos outros, que fossem espertos e aprendessem com os oligarcas.
Mas, o processo de entrada em falência do sistema Euro, já está bastante avançado; ultimamente sofreu uma aceleração. Vejam como o dólar está «forte» e o euro, como está «fraco». Pois, a divisa europeia vai estar ainda mais fraca. Vai ser um sorvedoiro, até ao rebentamento final do sistema monetário europeu. O sorvedoiro de dinheiro da guerra ucraniana, vai acabar por levar à falência total e irrecuperável e ao rebentamento - de um modo ou doutro - do sistema da União Europeia.
Os magnates dos EUA ficam a olhar todos contentes, pois a economia americana, por mais disfuncional que seja, vai aparecer aos olhos dos capitalistas, como o «último porto de abrigo» («safe haven») e os capitais do mundo vão afluir de novo aos USA ... Penso que este é o cálculo do lado do Tio Sam. Posso estar completamente enganado; até gostava de estar completamente enganado, mas o cenário para os povos da UE é realmente negro. Os dirigentes ocidentais traíram os seus eleitores, só que estes ainda não o sabem e quando o souberem, já será tarde demais.
Só desejo que os povos da Europa aprendam, duma vez por todas, com a dura lição que está a desabar em cima de suas cabeças.
terça-feira, 19 de abril de 2022
QUEM CONTROLA QUEM?
domingo, 6 de fevereiro de 2022
[Valérie Bugault] A IMPOSTURA TEM DE ACABAR
quarta-feira, 26 de janeiro de 2022
A CASTA, ou a colonização do Estado pelas corporações
Vou tomar um pouco de recuo. Vou tentar abarcar neste escrito de reflexão sobre política, uma visão panorâmica da Evolução do Estado, do Estado moderno em particular, da imbricação entre o Estado e os interesses corporativos, no capitalismo. Não irei ser exaustivo. Excluirei desta discussão os «capitalismos de Estado», que passaram por «socialismos», não que não sejam interessantes, mas pelo facto de serem merecedores doutra reflexão, centrada neles.
Eu irei refletir sobre o chamado «capitalismo de conivência», designação que eu acho a mais apropriada para traduzir do inglês «crony capitalism», ou do francês «capitalisme de copinage».
Adotarei um ponto de vista marxista, no sentido de dar como provado que o Estado é sempre uma configuração do poder, moldada de acordo com os interesses e a visão geral da classe dominante. Isto, sempre se verifica, em última análise, por mais que os discursos ideológicos - por vezes, só retórica vazia - tentem nos persuadir de que o Estado tem como vocação salvaguardar o interesse geral, por cima dos interesses particulares.
Aquilo que chamam neoliberalismo e se pode caracterizar justamente como nova etapa do relacionamento do capital (o «business») com o poder estatal, não caiu do céu. Houve homens e mulheres que fizeram muito para que ele triunfasse, teve organizações que o promoveram, estrategas que o pilotaram e -sobretudo- capitalistas oligárquicos, beneficiários da viragem, ocorrida desde o fim dos anos 70 do século passado, até hoje.
Na verdade, estamos a desembocar numa nova era. Mas, não é uma era em rutura com o que foi, no passado. Porém, é preciso não cair na ingenuidade teórica de a julgar pelos mesmos padrões que os do passado. Isto, porque, justamente, os padrões do passado serviram para a sociedade desse passado: Eram adequadas as visões de um Locke, de um Montesquieu, de um Marx, ou ainda de muitos outros brilhantes teóricos, para as suas épocas respetivas. Nessas épocas, eles tentaram descrever, analisar e, por vezes, reformar ou revolucionar, a sociedade que estava diante de seus olhos.
A sociedade medieva e o seu prolongamento até ao final do século XVIII foi caracterizada como sociedade feudal, organizada em torno dos «estados» ou «ordens». Eram a nobreza, o clero e o povo, cada uma com o seu lugar na sociedade, sendo tal ordem imutável, pois derivava da vontade Divina. Este complexo mental, que justificou os Estados monárquicos e o feudalismo, como «modo de produção», teve o seu «veneno mortal» no capitalismo nascente. Não irei aqui refazer a História, que está feita por inúmeros historiadores, isso seria presunção da minha parte. Mas a sociedade transformou-se, com o advento do capitalismo. Este, a partir do momento em que se tornou na força dominante, foi moldando, não apenas a esfera económica e produtiva, mas também o poder de Estado. O nascimento do Estado moderno não se fez de uma vez e sem sobressaltos, antes pelo contrário.
Porém, o sistema binário «Estado-capital» foi-se modificando ao longo do tempo, sendo visível uma cada vez maior concentração do capital nas mãos da finança. Também, os próprios bancos tomaram o controlo, de facto, sobre a indústria. A partir de certo ponto, sobretudo após a IIª Guerra Mundial, os grandes empórios da finança avançaram para tomar o controlo dos Estados. Conseguiram dominar as próprias instituições de regulação públicas, construídas após a referida guerra. Com efeito, as instâncias estatais, regionais e mundiais foram colonizadas por «apparatchik» formados na ortodoxia neoliberal. Estes, tomaram por dentro estas mesmas instituições. Este processo ocorreu a vários níveis e em simultâneo.
Sei que sou totalmente incompetente para escrever esta História, ou seja, a história de como o capital financeiro e das empresas tecnológicas (como as da «Silicon Valley») se foram apropriando do controlo das instituições estatais. Note-se que estas instituições de direito público (nacional ou internacional) eram, ao mesmo tempo, reguladoras dos mercados e tinham capacidade de sancionar os negócios da banca e das grandes empresas multinacionais. Este processo de infiltração e controlo, tanto ao nível de instâncias nacionais (Estados-Nação), como regionais (ex.: União Europeia), ou globais (OMC, FMI, BIS, etc.), teve o resultado prático de pôr os grandes grupos corporativos acima de qualquer lei, de qualquer regulação. São, simultaneamente, os «réus» e os «juízes» em causa própria. No máximo, terão algumas multas cosméticas, sem efeito na rentabilidade dos seus negócios ou somente repreensões moralizantes. De qualquer maneira, se soubermos dos escândalos, quer nacionais, quer internacionais vemos, pelo modo como não se fez justiça, que este mundo é regido, não pela lei (dos Estados ou Internacional), mas - de facto - pela força, pela chamada «lei do mais forte».
O papel do Estado, nestas circunstâncias, é cada vez mais reduzido. A função principal que lhe é reservada, é a de reprimir o povo, mas dando a ilusão de que está ao seu serviço. Vimos isso com a repressão do movimento dos «Gilets Jaunes» em França, ou dos protestos contra a obrigatoriedade da vacinação anti-COVID e das políticas de «lockdown». A mesma coisa se observou, em relação muitos outros movimentos populares, nos últimos 20 anos, em particular.
A exceção (o facto de não haver repressão pelas forças da «ordem»), são as manifestações identitárias (sobre a igualdade de género, o combate à homofobia, antirracismo, etc.). Mas, esta luta identitária e parcial é sempre liderada por pessoas imbuídas duma ideologia favorável à classe reinante. Esses líderes põem as suas lutas parciais em oposição a outras, nomeadamente às lutas de classe de caráter económico. Porém, a luta contra a exploração económica nunca deixou de ter razão de existir, como é evidente.
As lutas de classe, as lutas pela paz, pela independência dos povos e nações e, ainda, a luta anti-imperialista, caracterizaram os movimentos sociais nos anos 60 e 70 do século passado. Nos anos mais recentes, elas foram controladas e depois anuladas pelos Estados, enquanto mandatários do grande capital, com a colaboração dos partidos que se revezavam no poder.
A perversidade desta mudança e a falta de formação política dos cidadãos, fez com que muitos continuassem a «ter fé» nos dirigentes de partidos que recolhiam os votos do proletariado e da pequena burguesia. Não viram logo que estes partidos, nominalmente socialistas ou de esquerda, desencadeavam ou viabilizavam os piores recuos. E isso, continuamente, desde há 40 anos: A contrarreforma do código do trabalho, a contrarreforma do sistema de pensões e muitas outras, todas elas ditadas pelo capital globalista.
A casta política é a mesma que a casta dos negócios e dos empórios financeiros. Ela serve-se de peões para a sua política contra os povos:
- Os jornalistas da «média corporativa», tendo como proprietários os grandes capitalistas. A concentração da «mass media» é tal que, na prática, existe uma exclusão de tudo o que seja real ou virtualmente contrário à narrativa da oligarquia. São gentes dos media que têm conduzido, com enorme arrogância, campanhas de terrorismo psicológico, desencadeando uma psicose de medo na população, a pretexto do COVID.
- As «forças da ordem» são chamadas, com cada vez maior frequência, a desempenhar um papel repressivo. Foram treinadas/condicionadas, para exercer uma repressão brutal de qualquer dissidência, mesmo a mais pacífica. À medida que a situação social e económica dos desapossados piora, os governos vão recorrendo, com maior frequência às «forças antimotim».
- As ONGs (Organizações Não Governamentais) que se têm posto ao serviço do globalismo. Usam «causas» como o «Aquecimento Global», a «Economia Verde», o «Feminismo». mas estas lutas foram tornadas inócuas. Foi desativado seu potencial revolucionário. Os que estão à frente dessas ONGs utilizam as suas posições de maior destaque para fazer carreira política. Muitos desses líderes acabam por ocupar cargos no governo, terem assentos de deputados, ou noutros postos do aparelho político.
A total dominação do Ocidente pela «casta» irá trazer como consequência o fim da democracia liberal. Como têm vindo a anunciar Klaus Schwab e outros, planeiam substituir a democracia liberal por uma ditadura, onde a técnica transgénica, nano-computorizada e a «AI» (Inteligência Artificial), serão aplicadas ao controlo total da sociedade. É o programa da oligarquia mundializada. Parece-se com romances ou filmes de ficção científica. Porém, desta vez, é a realidade.
Infelizmente, não poderemos contar com os partidos de esquerda parlamentar para levar a cabo um combate eficaz contra a dita casta. Tal esquerda, antes portadora de esperança, passou a ser porta de entrada para a «casta». Evidentemente, não falo de toda a militância de esquerda, mas da «elite» nessa esquerda. Em vários países, tanto da Europa como da América do Norte, já não existe esquerda com representação parlamentar e coerente com os ideais que, antes, professava. É penoso ver que o termo «esquerda», só permanece válido como designação dos deputados que se sentam do lado esquerdo nos hemiciclos. A corrução e desnaturação dos sistemas parlamentares serve a oligarquia que, assim, poderá continuar a desenvolver o seu programa, deixando o povo na ilusão de que vive «em democracia».
Mas, as pessoas vão acabar por abrir os olhos, não há hipótese de que se mantenha por muito tempo o estado hipnótico, perante realidades duras e em contradição com as ilusões induzidas. Com o rebentar da crise, vai haver revoltas, causadas pelo desespero. Serão reprimidas. Mas, o agudizar da crise vai impulsionar mais e maiores revoltas. A casta no poder não irá, voluntariamente, largar nem um pedacinho dos seus privilégios e luxos. A sua loucura e arrogância são tais, que estão seguros de implantar uma «nova era industrial»: a do «transumanismo».
Só espero que, neste confronto, que eu vejo como inevitável, a «casta» seja varrida.
PS1: Num artigo citado no Herland report, Paul Craig Roberts alerta-nos para o facto de termos escapado por pouco a uma tirania global: Se a «casta» não for arredada do poder, temo que acabem instaurando a tirania plena: Isto porque, no caso de permanecerem regimes com um certo grau de liberdade, os seus crimes poderão ser investigados, julgados e condenados. Como sabemos, eles são enormes e monstruosos. Para apagar o rasto deles, irão tentar impor a tirania, ou o totalitarismo.



