segunda-feira, 6 de abril de 2026
[Segundas-f. musicais nº55 ] CONCERTO DE VIVALDI PARA FAGOTE
sexta-feira, 3 de abril de 2026
PÁSCOA 2026: Dois Concertos Para Violoncelo, de Vivaldi
Um dos concertos para violoncelo de Vivaldi...RV 407
O outro, RV 401, é menos conhecido, mas tem um charme muito próprio...
RELACIONADO:
Pode aqui apreciar o concerto para dois violoncelos, em Sol menor RV 351, NOS 2 LINKS ABAIXO:
https://manuelbaneteleproprio.blogspot.com/2018/05/concerto-para-dois-violoncelos-em-sol.html
https://www.youtube.com/watch?v=km40O4fqdC8&list=RDKANWHcJVNNU&index=2
segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
O GÉNIO BARROCO de TOMASO ALBINONI [Segundas-f. musicais nº45]
Há muito mais a apreciar em Albinoni, além do «seu» Adágio.
Remo Giazotto (1910- 1998) foi um musicólogo italiano que estudou e editou obras de compositores italianos do barroco e teve a sorte de ter encontrado um manuscrito com fragmentos de um Adagio de Albinoni. Este manuscrito continha a linha do baixo e alguns compassos, escritos para o violino. O célebre adagio não se pode - na realidade - designar como obra de Albinoni; nem sequer se deve considerar que Giazotto efetuou um "restauro" de tal peça. Seria mais correcto considerar a composição como sendo sua, de Giazotto, embora utilizando elementos do manuscrito de Albinoni, acima referido.
Porém, Albinoni não tem culpa deste equívoco. Sua obra (abundante, mas parcialmente destruída em incêndio, no bombardeamento de Dresden, no final da IIª Guerra Mundial pelos aliados) é de qualidade cimeira, a julgar pelo que nos resta. São peças muito perfeitas do ponto de vista formal. Tal legado não deve ser visto à luz de uma só peça, de atribuição questionável. Com efeito, o famoso Adagio, tem muito pouco do compositor veneziano do século XVIII.
De qualquer maneira, a qualidade de Albinoni, enquanto compositor, está claramente ao nível dos melhores de Itália, da primeira metade do Século XVIII.
J. S. Bach tinha acesso à biblioteca de manuscritos e edições coleccionadas pelo seu patrão, o Príncipe de Köthen. Bach conheceu e apreciou obras de Albinoni, tal como em relação a Vivaldi, Marcello e vários outros. Bach fez transcrições de obras destes mestres italianos. Alguns concertos foram adaptados para o órgão; a maioria, no entanto, destinava-se ao cravo.
Igualmente notável, é o conhecimento aprofundado de Haendel em relação à música italiana: Ele tirou imenso partido da estadia em Roma, na sua juventude. Compôs óperas italianas, oratórias em latim segundo o rito católico e música instrumental ao gosto italiano. Várias obras instrumentais, que compôs estando já em Inglaterra, evocam concertos de Corelli, de Locatelli, de Vivaldi e de outros italianos. Estava na moda a música italiana. Esta atingiu o auge de popularidade em meados do século XVIII. Durante muito tempo, foi «obrigatório» os músicos das diversas nacionalidades europeias comporem óperas ao estilo italiano e utilizando a língua italiana. Mozart (entre outros) compôs algumas das suas melhores óperas em italiano.
Nas cortes europeias, abundavam os italianos. Muitos deles eram músicos instrumentistas, outros cantores; os mais célebres eram mestres-de-capela, ou músicos ao serviço exclusivo de monarcas e príncipes (ex.: Domenico Scarlatti).
As melodias, nos concertos de Albinoni, que se podem ouvir no vídeo abaixo (concertos para oboé ou violino), possuem grande qualidade expressiva. Os «tutti» são vigorosos e as partes de orquestra são discretas, ao acompanhar os solistas. Os movimentos são quase sempre Allegro-Adagio-Allegro, o que não é monótono devido à variedade de tratamento dos temas (variações, modulações...) e aos diversos acompanhamentos utilizados.
A arquitetura sonora geral é muito equilibrada, o que permite ao(s) solista(s) desenrolar o discurso "cantabile" e personalizado: Uma panóplia de ornamentos não escritos, permitia aos solistas enriquecer a melodia. Os melhores executantes não sobrecarregavam as melodias com adornos; tratava-se antes de adornar, sem adulterar a linha melódica.
Esta música, aparentemente «fácil», é possuidora de grande subtileza. Tal como, nos séculos XVI e XVII, as igrejas e basílicas em estilo barroco, tinham um traçado exterior austero e um interior cheio de ricas decorações requintadas.
Estes concertos de Albinoni não nos deixam de impressionar, ainda hoje, passados mais de três séculos.
sexta-feira, 15 de agosto de 2025
VIVALDI : «STABAT MATER», O ESPLENDOR DO CANTO SACRO
Alguns compositores conseguem encher-nos de maravilhamento com singelas combinações de notas, em melodias sustentadas num tecido harmónico. É o caso de Vivaldi, na beleza do seu Stabat Mater e de muitas outras obras sacras, que incluem Gloria, Dixit Dominus, Salve Regina e um grande número de motetes.
O conjunto da obra vocal de António Vivaldi, em especial a de caráter sacro, seria por si só suficiente para colocá-lo em lugar cimeiro da música barroca, mesmo que sua obra instrumental fosse completamente desconhecida.
segunda-feira, 3 de junho de 2024
MÚSICA COPIADA, TRANSCRITA, ADAPTADA (segundas-feiras musicais nº3)
Imagem: um retrato de J. S. Bach quando jovem, do período em que terá copiado e adaptado muita música italiana, nomeadamente de Vivaldi
Hoje em dia, com o conceito de «copyright», temos tendência a ver qualquer empréstimo como uma espécie de «roubo». Porém, na era do barroco (e mesmo, depois), era comum uma peça de música dum compositor, ser adaptada por outro.
São célebres as adaptações, feitas para o órgão (ou cravo) pelo jovem Bach, dos concertos para cordas do «Estro Armonico» de Vivaldi*. São adaptações de pleno direito, pois as modificações necessárias para serem executadas no cravo ou no órgão implicavam mudanças substanciais: quer na tessitura das vozes, quer no enchimento harmónico e noutros detalhes, que fazem destas «transcrições» mais propriamente «adaptações».
Muitos músicos fizeram adaptações do mesmo tipo. Franz Liszt, por exemplo, transcreveu peças de Bach (originalmente para órgão solo) em peças para piano. Busoni, mais tarde, também efetuou transcrições para piano doutras obras de Bach. Estas transcrições são conhecidas e frequentemente interpretadas.
Vivaldi: Concerto para 2 violinos e orquestra, RV 522
Versão para órgão solo de Bach: BWV 593:
No estudo abaixo citado, são contabilizadas e explicadas as modificações que Bach fez nas partituras originais de Vivaldi, para tornar as peças plenamente executáveis ao órgão: «Bach the Transcriber: His Organ Concertos after Vivaldi (Vincent C. K. Cheung)»
Alexandre Tharaud (piano) realizou um disco em 2001, com transcrições feitas por Bach de obras de Vivaldi, de Alexandro e Benedetto Marcello e Torelli, além de obras do próprio Bach: «Concerto Italien».
No século XIX continuou a tradição: O tema de «La Campanella» (o sininho) para violino, de Paganini, foi transcrito e usado para variações, em inúmeras peças, sendo a mais célebre a versão de Lizt para o piano.
No século XX, muitos compositores continuaram a usar temas de peças musicais de autores do passado para compor suas próprias peças, de forma mais ou menos livre.
Veja-se, por exemplo, a utilização do «Dies Irae» e dum Capriccio de Paganini, na Rapsódia para piano e orquestra de Rachmaninoff.
A «Rapsódia sobre Tema de Paganini», estreou-se a 7 de Novembro de 1934, pela orquestra de Filadélfia, sob direção de Leopold Stokowski, sendo o próprio Rachmaninoff solista ao piano.
Não nos devemos surpreender que grandes músicos copiem e usem materiais de outros: Pode ser visto como exercício, ou como forma de estudar as técnicas de composição dos mestres. Em tais circunstâncias, não se trata de "plágio", mas antes de homenagem!
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(*) música de Vivaldi e transcrições por Bach, nesta PLAYLIST
terça-feira, 21 de dezembro de 2021
terça-feira, 22 de junho de 2021
[Wagner, Vivaldi] NAVIO-FANTASMA - TEMPESTADE
O sobrenatural como símbolo pode ser libertador, não enquanto mito que subjugue a mente, ou que esteja conectado com uma visão fatalista.
Percebi que o que há de delicioso nas histórias de fantasmas, é que elas nos dão um calafrio no momento mas, ao mesmo tempo sabemos que é ficção, pois estamos em segurança, lendo ou vendo ou ouvindo essa «estória de dar arrepios».
Certamente o fantasma invoca a morte. Mas, se temos medo da morte, não é do simples facto de um dia desaparecermos. Pelo menos, não duvidamos que desaparecemos enquanto ser material, algo que sabemos inevitável, a partir do momento que crescemos. A morte suscita medo, pelo seu lado desconhecido.
Este aspeto, o desconhecido, manifesta-se no que está para além do mundo corriqueiro, do dia-a-dia vulgar. A narrativa de terror precisa, não apenas do perigo mortal, mas também de algo insólito, estranho, sobrenatural.
O fantasma é uma criatura do outro mundo que vem visitar-nos neste mundo.
O fantasma...um ser real, ou uma alucinação, um efeito de ótica ou ainda, uma fantasia da nossa mente?
As histórias de navios-fantasmas, que continuam a vogar pelos oceanos, durante decénios, sem tripulação lá dentro, pois morreu até ao último homem, misteriosamente, tragicamente, são narrativas romanceadas de situações que ocorreram na realidade.
Não é difícil um navio continuar a flutuar durante algum tempo, sem ninguém para cuidar dele. Que isso tenha acontecido variadíssimas vezes durante a história da navegação, não nos pode surpreender. O que é mais da ordem do fantástico, são as lendas em que o navio surge durante as tempestades, periodicamente, do nada, do nevoeiro, como um monstro oceânico imponente.
Simbolicamente, o «navio-fantástico-fantasma» resume os medos (fobias) que podem nos habitar, pessoal e socialmente: O medo da morte, dos «mortos-vivos», dos fantasmas que poderão estar dentro do navio fantasma, o medo da natureza indiferente, do destino severo, vingativo, o castigo da não-sepultura, pela transgressão das leis dos homens ou -sobretudo- dos Deuses.
Muitas histórias de navios-fantasma relacionam-se com epidemias misteriosas que dizimaram toda a tripulação. Neste século de histeria pandémica, é provável que estas antigas histórias sejam evocadas, recicladas e atualizadas.
A famosa ópera «Die fliegende Hollaender/ The Flying Dutchman» de Wagner retoma o mito do navio-fantasma.
Abaixo, a abertura da ópera:
Mas, na época barroca, já existia um subgénero de música descritiva, a «tempestade no mar», abaixo exemplificada no concerto para flauta de Vivaldi. Note-se, que ele não foi o único na sua época, a utilizar o tema da tempestade marítima! Aliás, Vivaldi também escreveu outro famoso concerto para flauta «La Notte» RV 439 onde um dos movimentos se intitula «Fantasmi», fantasmas.
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020
ALESSANDRO MARCELLO - CONCERTO EM RÉ MENOR PARA OBOÉ E ORQUESTRA
domingo, 15 de dezembro de 2019
ANDREAS SCHOLL (CONTRA-TENOR) CANTA VIVALDI
Solista: Contra-tenor Andreas Scholl
A letra é parte do Salmo 127, em latim.
Cum dederit dilectis suis somnum:
ecce haereditas Domini, filii: merces, fructus ventris.
1 Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela.
domingo, 27 de outubro de 2019
STABAT MATER - VIVALDI
É com esta belíssima obra vocal e instrumental, o «Stabat Mater» do genial António Vivaldi, que se concluirá o recital que Andreas Scholl (contra-tenor) dará, com o grupo especializado na música barroca, «Il Divino Sospiro».
terça-feira, 25 de dezembro de 2018
CONCERTO PARA 2 VIOLINOS DE VIVALDI E TRANSCRIÇÃO PARA ÓRGÃO DE BACH
baseado em Vivaldi
segunda-feira, 24 de dezembro de 2018
CONCERTO DE VIVALDI E TRANSCRIÇÃO PARA ÓRGÃO POR BACH
segunda-feira, 17 de dezembro de 2018
BACH-VIVALDI: Concerto para 4 cravos
domingo, 7 de outubro de 2018
VIVALDI: MOTETE PARA SOPRANO «In Furore Giustissima Irae» RV 626
quarta-feira, 8 de agosto de 2018
BELÍSSIMAS ÁRIAS DE VIVALDI
Vedrò con mio diletto l'alma dell'alma mia Il core del mio cor pien di contento. E se dal caro oggetto lungi convien che sia Sospirerò penando ogni momento... * I will see with joy, the soul of my soul heart of my heart full of content. And if from my dear object I be far away I will sigh, suffering every moment...
Se lento ancora il fulmine l'oltraggio mio non vendica cadra quell'empio, vittima del giusto mio furor. Ma sposa ancor ti sono ritorna e ti perdono; occhi versate in lacrime tutto l'affanno d'un tradito amor.
*
If the lightning is still slow To avenge the outrage I have suffered, Soon that wicked man will fall victim To my just anger. But I am still your wife: Come back, and I will forgive you. My eyes, pour forth in your tears All the affliction of love betrayed.
domingo, 24 de junho de 2018
«ORLANDO FURIOSO» DE VIVALDI
[SOLISTA: Mathieu Salama]
INTEGRAL DA ÓPERA
- O libreto, baseado num poema de Ariosto, poeta do Renascimento, tem todos os ingredientes para exprimir as paixões humanas. Nomeadamente, a tensão emocional que acompanha o desenrolar do drama em música. As paixões foram sempre matéria-prima da ópera: aqui, a paixão amorosa insatisfeita leva Orlando à loucura.
terça-feira, 5 de junho de 2018
VIVALDI - CONCERTO PARA VIOLONCELO RV 409
Concerto for Cello, Strings and B.C. in E minor RV 409: I. Adagio - Allegro molto II. Allegro - Adagio III. Allegro Francesco Galligioni [cello] Federico Guglielmo [direction] L'Arte dell'Arco
Seria justo que este concerto tivesse uma popularidade bem maior.
Quanto à excelente interpretação deste conjunto de músicos, ela serve muito bem a exuberância da escrita barroca de Vivaldi.


